ES: Professor é espancado e diz ser alvo de homofobia Resposta

"Não saio mais a pé, como andava antes. Tenho medo de ser agredido novamente", lamenta o professor.

“Não saio mais a pé, como andava antes. Tenho medo de ser agredido novamente”, lamenta o professor.

Nove dias em um hospital, uma cirurgia, dois pinos no maxilar, 12 quilos a menos, dificuldades na fala, depressão e pânico de sair de casa. Esse é o resumo dos últimos seis meses na vida do professor Roberto Alexandre Alcântara, 39 anos, desde o dia em que foi espancado no meio da rua, na Praia da Costa, em Vila Velha (ES).

O motivo da violência? “Tenho certeza que fui vítima de preconceito. Isso foi homofobia”, desabafou o professor, que ainda não consegue comer direito e está com a fala prejudicada devido às lesões na boca. Na cabeça, ainda há marcas dos cinco pontos que levou para fechar um dos ferimentos.

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O professor contou que no dia do crime, 18 de agosto do ano passado, seguia para uma boate, quando foi agredido. “A única coisa que lembro foi do soco que levei. Caí no chão e ele (agressor) me chutou, inclusive no rosto. Foi quando quebrou minha mandíbula. Desmaiei e fui socorrido por um porteiro”, lembrou a vítima.

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Agressor

O suspeito de praticar as agressões foi identificado pela polícia como sendo o técnico em segurança do trabalho Frederico Ribeiro Perazzini, 31 anos. Ele foi indiciado por lesão corporal gravíssima.

Na semana passada, o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público Estadual. Inicialmente, não há denúncia por homofobia. Junto aos documentos, há um vídeo feito por câmeras de segurança de um prédio que registraram a agressão. As imagens foram divulgadas pela polícia nesta semana.

No vídeo, o professor aparece sendo alvo da violência e, nem mesmo ao cair no chão, escapa de ser chutado no rosto, nuca e costas. Outras imagens mostram quando o suspeito e a namorada, 28 anos, fogem em um carro, em marcha ré.

Após ser identificado, com o auxílio das imagens, o agressor confessou o crime em depoimento. Mas alegou que só foi violento porque a vítima teria lhe feito uma cantada, o que o deixou irritado. A TV Gazeta procurou o acusado, mas ele disse que não quer falar sobre o caso e que seu advogado está cuidando do processo.

A violência também gerou outros processos depois que o professor procurou a delegacia. O uso do carro pelo agressor e a namorada, que teriam ingerido bebida alcóolica, está sendo investigado pela Delegacia de Delitos de Trânsito, segundo relatou a vítima.

Fonte: TV Gazeta

Opinião

O Ministério Público Estadual deveria denunciar o crime por homofobia, já que o agressor alega ter ficado com raiva após levar uma cantada.

‘Marcha das Vadias’ pede fim da violência contra a mulher e homofobia no Espírito Santo Resposta

Marcha das Vadias passou pelas ruas de Vitória (Foto: Mariana Perim / G1 ES)

Marcha das Vadias passou pelas ruas de Vitória (Foto: Mariana Perim / G1 ES)

Com a intenção de repudiar todo o tipo de violência contra a mulher e também em protesto por uma sociedade igualitária e livre de preconceitos, a segunda edição da Marcha das Vadias em Vitória percorreu, neste sábado (20/07), a Rua da Lama e a ponte Ayrton Senna, em direção à Praça dos Namorados, na Praia do Canto. Centenas de pessoas se reuniram na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), onde foram preparados cartazes e realizadas pinturas corporais.

Segundo a organização do evento, as mulheres são ensinadas desde muito novas a sentir culpa e vergonha pela expressão da própria sexualidade e a intenção do evento é quebrar tais preconceitos. O grupo saiu da Ufes por volta das 17h e encerrou o ato às 18h10. No fim, a organização mobilizou os demais participantes a darem apoio às famílias dos manifestantes presos durante o protesto de sexta-feira (19/07), ocorrido no Centro da capital.

Durante toda a caminhada, os manifestantes fizeram batucada e utilizaram megafones para gritar palavras de ordem contra o machismo, o racismo e a homofobia. O grupo reforçou a oposição a projetos do Congresso, como a ‘cura gay,’ e também criticou a Igreja Católica, considerando a questão do aborto. A manifestação recebeu demonstrações de apoio durante o trajeto, como aplausos, buzinaços e gestos positivos nas varandas dos edifícios.

Mapa da violência
De acordo com o Mapa da Violência 2012, realizado pelo Instituto Sangari, o Espírito Santo é o estado com o maior número de homicídios de mulheres no Brasil. A taxa capixaba, de 9,4 mortes em cada 100 mil mulheres, é maior que o dobro da média nacional.

Marcha histórica
O movimento acontece em várias partes do Brasil, mas já é uma ação mundial. Começou quando um professor, no Canadá, durante uma palestra, disse que as mulheres sofriam estupro por causa da maneira como se vestiam. Essa afirmação gerou uma polêmica no mundo inteiro, sendo o que motivou a marcha e a maneira como as mulheres, e até alguns homens, se vestem na passeata: muitas vezes sem roupa e com o corpo pintado, em sinal de protesto.

Brasil tem conselhos de direitos gays só em cinco estados 1

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Apenas cinco Estados brasileiros – Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e Pará – tinham conselhos para tratar dos direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais em 2012, revela o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa de Informações Básicas Estaduais (ESTADIC), divulgada nesta sexta-feira.

Esses conselhos são os mais recentes, com 2,8 anos de existência em média. Já os conselhos de educação, os mais antigos entre os 13 tipos listados, existem há 47 anos e estão presentes nas 27 unidades da federação. Depois dos conselhos de direitos de LGBT, os mais escassos no País são os de Transporte, que existem em 10 Estados, e os de Promoção da Igualdade Racial, que estão em 13. Conselhos são instâncias que permitem, em tese, maior participação da sociedade na estrutura da gestão pública.

É a primeira vez que o IBGE divulga a ESTADIC, realizada nos moldes da Pesquisa de Informações Básicas Municipais. O estudo traz informações sobre as gestões estaduais a partir da coleta de dados sobre temas como recursos humanos, conselhos e fundos estaduais, política de gênero, direitos humanos, segurança alimentar e nutricional e inclusão produtiva.

A pesquisa mostra que apenas São Paulo não tinha órgão ou setor específico para tratar de políticas de gênero. O Estado, no entanto, possuía o maior número de delegacias especializadas no atendimento à mulher (121, ante 12 no Rio, por exemplo). Só o Amapá declarou não ter órgão específico para tratar da política de direitos humanos e seis estados (Rondônia, Amazonas, Roraima, Amapá, Ceará e Espírito Santo) não tinham canais de denúncia de violação desses direitos na estrutura do governo estadual.

Além disso, somente 11 Unidades da Federação tinham planos estaduais e previsão de recursos específicos para a área de direitos humanos. “Não ter uma estrutura formal não significa necessariamente que nada é feito. A política pode ser transversal a outras áreas”, diz a gerente da pesquisa, Vânia Maria Pacheco. A maior parte dos recursos humanos da administração direta era composta por servidores estatutários: 2 2 milhões de servidores ou 82,7% do total. Do pessoal ocupado na administração direta, 53,5% tinham nível superior ou pós-graduação (1,4 milhão de servidores).

Outros 31,9% tinham o nível médio (834,4 mil) e 9,1% (238,6 mil) apenas o ensino fundamental. A pesquisa também traz um Suplemento de Assistência Social: em 2012, todas as 27 unidades da Federação tinham órgão para tratar de política de assistência social, mas oito estados não ofertavam nenhum tipo de serviço nessa área: Tocantins, Rio Grande do Norte, Alagoas, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Paraná e Mato Grosso.

Fonte: Agência Estado

Igreja Batista da Graça desmente demissão de pastor que apoiava jovem gay Resposta

Em nota a denominação diz que o pastor não se comportava de acordo com a função e ofendia os membros do conselho

    A Igreja Batista da Graça de Vitória, Espírito Santo, enviou uma nota desmentindo as acusações do pastor Sérgio Emílio Santos que teria dito aos meios de comunicação e também na delegacia que sua demissão aconteceu porque ele apoiava um jovem gay que frequentava a igreja.
    Pela notificação enviada, os motivos que fizeram com o que o pastor fosse exonerado não tinham ligação com o garoto menor de idade e nem com a sua família conforme foi informado, mas por razões internas que fizeram com que Meira Santos fosse retirado do cargo que ocupou durante um ano e cinco meses.

    “A decisão da Igreja foi baseada na postura inadequada de Sérgio Emílio Meira Santos, ao se comportar de forma incompatível para o cargo, com absenteísmo frequente e ofensas a membros do Conselho de Administração e da Igreja,” diz trecho da carta.
    Na delegacia Meira Santos denunciou o caso como homofobia dizendo que o Conselho teria condenado o fato dele ter colocado o jovem homossexual de 16 anos como tecladista do grupo de louvor. “Desesperado ato de vingança criou a mentira talvez mais grave da sua vida, ao acusar a Igreja Batista da Graça de discriminar, devido à sua preferência sexual, um menor que frequenta a igreja juntamente com seus pais, embora nenhum deles seja membro da mesma”, desmente a nota.
    Leia na íntegra a explicação da Igreja Batista da Graça:
    CARTA ABERTA À POPULAÇÃO
    A Igreja Batista da Graça lamenta informar:
    1. O Sr. Sergio Emílio Meira Santos, foi Pastor Interino da Igreja Batista da Graça, pelo período de julho de 2010 a dezembro de 2011, nomeado pelo Conselho de Administração, o qual em dezembro de 2011 deliberou por não renovar a interinidade a partir de 1º de janeiro de 2012.
    2. A decisão da Igreja foi baseada na postura inadequada de Sérgio Emílio Meira Santos, ao se comportar de forma incompatível para o cargo, com absenteísmo frequente e ofensas a membros do Conselho de Administração e da Igreja, chegando a afirmar publicamente: “vocês estão lidando com a pior pessoa do mundo”.
    3. Após ser formalmente comunicado da sua exoneração por carta, devido se negar a receber o Conselho, alegando não ter tempo na primeira semana de janeiro, Sérgio Emílio Meira Santos, já como ex-Pastor, no dia 03 de janeiro de 2012, invadiu o templo da Igreja Batista da Graça às 04 horas da manhã, subtraindo alguns dos bens de maior valor da Igreja (guitarra, computador, impressora e veículo Kombi), os quais só foram devolvidos por determinação do Sr. Delegado de Polícia de Repressão a Furtos e Roubos, que ordenou a devolução no prazo de 24 horas, durante audiência para a qual Sérgio Emílio Meira Santos foi intimado por aquela Autoridade Policial.
    4. Após esta sequência de fatos lamentáveis, Sérgio Emílio Meira Santos, em desesperado ato de vingança criou a mentira talvez mais grave da sua vida, ao acusar a Igreja Batista da Graça de discriminar, devido à sua preferência sexual, um menor que frequenta a igreja juntamente com seus pais, embora nenhum deles seja membro da mesma, mas continuam benvindos e dignos de respeito.
    5. Esta acusação leviana e mentirosa tem o propósito ardiloso de desviar a atenção da população, da imprensa e das autoridades policiais da péssima conduta de Sérgio Emílio Meira Santos. 6. A Igreja Batista da Graça desafia publicamente a Sérgio Emílio Meira Santos a provar suas torpes acusações.
    7. A Igreja Batista da Graça dispõe e disponibiliza farta documentação, tais como, atas registradas em cartório, relatório da empresa de segurança com detalhe de data e horário da invasão da Igreja, boletim de ocorrência policial e assinatura da maioria dos membros da Igreja Batista da Graça assumindo as decisões tomadas. Tais documentos são capazes de contestar as calúnias e comprovar a delinquência, as falácias e as mentiras de Sérgio Emílio Meira Santos.
    Vitória da Conquista, Ba., 16 de janeiro de 2012
    Com informações Blog do Marcelo e do Gospel Prime

    Entidades de defesa dos direitos LGBT apoiam participação da vereadora Moa em seminário Resposta

    Moa Sélia

    O Fórum Estadual de Defesa dos Direitos e Cidadania de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais do Espírito Santo, além de outras entidades de defesa de direitos humanos e da comunidade LGBT, assinaram nota pública apoiando a vereadora Moa Sélia (PR), de Nova Venécia, no noroeste do Estado, denunciada pelo Ministério Público do Estado (MPES) por suposto uso de diária ao participar do VII Seminário Nacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT) do Congresso Nacional, ocorrido em maio de 2010.
    As entidades entendem que a participação da vereadora, que é transexual, no evento foi de extrema importância, já que é através desta atividade, que tem caráter oficial, que os membrros do Poder Legislativo podem aprender e ser solidários com os direitos e garantias da cidadania LGBT. As entidades que assinaram a nota também dizem não entender o motivo pelo qual o MPES questiona a participação da única representante de legislativo municipal capixaba presente na sessão, que foi organizada pelas Comissões de Legislação Participativa, Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados e a Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT do Congresso Nacional.
    Para as entidades que assinaram a nota, conhecer, reconhecer e defender direitos e cidadania LGBT também fazem parte das atividade dos parlamentares e vereadores. As entidades lembram ainda que o Estado é considerado um dos mais homofobicos do País. Os defensores dos direitos e da cidadania LGBT completam dizendo que a participação da vereadora no seminário demonstra compromisso dela com esta parcela da sociedade.
    Por fim, as entidades solicitam que o MPES reveja a atitude, já que esperam do órgão o reconhecimento da diversidade sexual. Para elas, a população LGBT precisa ser vista como cidadã, inclusive com o direito de ser representada por seus legisladores.
    Assinam a nota, além do Fórum Estadual LGBT, a Associação Gay do Espírito Santo (Ages); Associação Linharense de Apoio a Homossexualidade (Alah); Associação dos/as Transgêneros do Espírito Santo (Astraes); Centro de Defesa dos Direitos Humanos Dom Tomás Balduíno; Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH); Coletivo Estadual de Diversidade Sexual do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado (Sindiupes); Fórum Municipal em Defesa dos Direitos e Cidadania LGBT de Cariacica; Fórum Municipal em Defesa dos Direitos e Cidadania LGBT de Serra; Grupo Orgulho, Liberdade e Dignidade de Colatina (Gold) e o Portal da Diversidade LGBTdo Estado.

    Em entrevista, Jean Wyllys critica Dilma por suspensão do kit Escola sem Homofobia Resposta

    Segundo deputado federal assumidamente homossexual, Jean Wyllys (PSOL-RJ) criticou a presidenta Dilma Rousseff (PT) por ter cedido à “pressão chantagista” da bancada fundamentalista e ter recuado na proposta do governo de distribuir kit Escola sem Homofobia. “Lamentei que a presidenta Dilma tenha cedido a esse tipo de pressão chantagista feita pela bancada da direita religiosa. O episódio só serviu para o desgaste do governo porque há uma pressão popular pelas explicações do ministro Antonio Palocci”, disse o ex-participante do programa Big Brother Brasil.


    Em entrevista para “A Gazeta”, na última terça-feira (31/05), ele também disparou contra o senador Magno Malta (PR-ES) e os deputados Jair Bolsonaro (PP-RJ) e Anthony Garotinho (PR-RJ), que são contrários às causas defendidas pela comunidade LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros). “Acho um discurso hipócrita que só serve para tirar dividendos eleitorais”.

    Na próxima sexta-feira (10/06), Jean Wyllys estará em Vitória (ES) para participar do Seminário de Direito Homoafetivo, promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil seccional capixaba (OAB-ES). Ele será um dos palestrantes do evento.

    O que o senhor achou do recuo do governo na distribuição do kit aEscola sem Homofobia?


    Lamentei que a presidenta Dilma tenha cedido a esse tipo pressão chantagista feita pela bancada da direita religiosa. O ministro Palocci é uma pessoa pública e tem que se explicar. Essa blindagem, essa vontade deliberada do governo federal de blindar Palocci só serviu para desgastar, porque a moeda de troca foi uma política pública de educação importantíssima, que já havia sido aprovada pelo Ministério da Educação e já havia sido apresentada numa audiência pública no ano passado no Senado. O episódio só serviu para o desgaste do governo porque há uma pressão popular pelas explicações de Palocci.

    Em seu site, o senhor até pediu que a comunidade não vote mais em Dilma…


    Não foi dessa maneira que eu pedi. O que eu disse no meu site, na integra, é que essas próprias forças da direita conservadora religiosa que desmoralizaram a presidenta na época das eleições, numa campanha subterrânea de difamação, essas forças apresentaram a conta hoje por ter apoiado ela. O acordo naquela época foi: ou a senhora cede em relação às questões da legalização do aborto e dos direitos de homossexuais ou nós não apoiamos a senhora nas eleições e não barramos a campanha subterrânea que vem sendo feita. Naquele momento ela cedeu. A campanha foi barrada e eles apresentaram a conta agora para ela. O que eu disse foi que, já que eles apresentaram a conta, os LGBTs que votaram nela e que entraram nas redes sociais em defesa sistemática dela contra a campanha difamatória deveriam apresentar a sua conta. E a conta que o LGBT pode apresentar neste momento é nas próximas eleições não votar, porque esse é o nosso instrumento de pressão numa democracia. Só isso. A Dilma não pode negociar uma política pública tão importante para a comunidade desta maneira. Não havia justificativa para ela suspender o projeto. As justificativas foram sendo inventadas. Depois ela dizer que é uma questão de costumes, que o governo tem o direito de tratar das questões de costumes. Não é questão de costumes, é questão de assassinatos, de uma proporção de 200 mortes por ano. Assassinatos de homossexuais não é uma questão de costumes.

    Qual o caminho para acabar com a violência e o preconceito contra homossexuais no Brasil?


    O caminho é o da educação e o da conquista dos direitos. São os dois caminhos possíveis. A conquista de direitos aqui no Congresso Nacional, ou seja, assegurar alguns direitos como no projeto de lei 122, que combate a discriminação por orientação sexual, altera a lei do racismo no sentido de incluir as discriminações por orientação sexual; assegurar o direito ao casamento civil, que é para poder combater a desigualdade no plano jurídico, é importante isso principalmente depois da decisão do STF. E o outro caminho são políticas de educação que façam das novas gerações mais solidárias, conscientes e respeitosas das diferenças culturais e das diferentes sexualidades humanas que existem.

    Como o senhor avalia o discurso de Bolsonaro, Garotinho e Magno Malta, que têm uma postura contrária à causa LGBT?


    Acho um discurso hipócrita que só serve para tirar dividendos eleitorais na medida em que joga com os preconceitos da população e com o senso comum, que deveria ser desconstruído. É um discurso lamentável porque é um discurso de ódio, que fere os princípios constitucionais. O discurso dos três é de incitação ao ódio. É um discurso eleitoreiro porque quer jogar com os preconceitos que a população conserva.

    O Supremo reconheceu a união estável para casais do mesmo sexo, mas no Congresso há resistência em aprovar projeto de lei que criminaliza a homofobia. Como o senhor vê isso?


    Ainda bem que nós temos estes dois Poderes: o Judiciário dando pareceres favoráveis à união estável, a adoção de crianças; e o Executivo com políticas públicas importantes para a comunidade LGBT. Porque se dependesse do Congresso Nacional, a comunidade LGBT não só não teria direitos como perderia alguns dos que gozam hoje, como é, por exemplo, o direito de liberdade de associação. Se deixar que o Congresso defina os rumos da comunidade, essa maioria aqui que é de deputados conservadores, reacionários e de um dogmatismo e de um fundamentalismo religioso absurdo, os homossexuais sequer teriam direito de livre associação. Se deixar que essa direita religiosa avance no Brasil, nós vamos penalizar a homossexualidade, vai tornar a homossexualidade crime pelo andar da carruagem. E os porta-vozes desse atraso, dessa ignorância, desse obscurantismo, desse espírito anti-republicano são o senador Magno Malta e os deputados Garotinho e Bolsonaro.

    O senhor sofre preconceito por parte de colegas de plenário por assumir sua homossexualidade?


    Não. Pelo menos na frente ninguém nunca me discriminou.

    Quem é Jean Wyllys


    Começo. Jean Wyllys tem uma história de envolvimento com trabalhos em favor da justiça social e das liberdades civis, que remonta à sua adolescência, quando pertencia às pastorais da Juventude Estudantil e da Juventude do Meio Popular, e atuava nas comunidades eclesiais de base da Igreja Católica.


    LGBT. Parceiro dos movimentos LGBT, negro e de mulheres, ele participa de ações que combatem a homofobia, a intolerância e o fundamentalismo religiosos, o trabalho escravo, a exploração sexual de crianças e adolescentes, e as violências contra a mulher.


    Formação. Comunicação Social, Jornalismo, pela Universidade Federal da Bahia; mestrado em Letras e Linguísticas, pela mesma instituição.


    Livros. É escritor, com três livros publicados (“Aflitos”, “Ainda lembro” e “Tudo ao mesmo tempo agora”); professor na Escola Superior de Propaganda e Marketing e Universidade Veiga de Almeida, ambas no Rio. Foi vencedor do programa de reality-show Big Brother Brasil, em 2005.


    A barganha com o kit Escola sem Homofobia


    Pressão. Pressionada pela bancada religiosa no Congresso, a presidente Dilma Rousseff mandou suspender, no último dia 25, a produção e a distribuição de vídeos e cartilhas contra a homofobia, organizado pelo Ministério da Educação.

    Troca. Diante da decisão de Dilma, o deputado Garotinho afirmou que seriam suspensas as medidas anunciadas pelas bancadas religiosas em protesto contra o kit. Os parlamentares haviam decidido colaborar com a convocação do ministro Antonio Palocci para que ele explicasse sua evolução patrimonial.


    Elogios. Crítico ferrenho do kit, o deputado Bolsonaro (foto) comentou a decisão. “Veio bastante tarde, mas vou ser obrigado a elogiar a Dilma”. Ele afirmou que o material foi totalmente confeccionado por grupos LGBT. “Qual pai tem orgulho de ter um filho gay? É um demagogo, quem já tem que vai dizer que tem. Comigo, no começo, como já falei, moleque que vem com comportamento delicado dava-lhe uma porrada logo no começo pra mudar o caminho dele e acabou. É a minha maneira de ser. Se não gostar que se exploda”, disse.


    Não viu filmes. Um dia depois de suspender o kit, Dilma assume que nem viu os filmes. Ela explicou que o material entregue ao MEC não atende ao que foi exigido. “Não concordo com esse kit. Porque eu não acho que faça a defesa de práticas não homofóbicas”. E acrescentou: “Não vai ser permitido a nenhum órgão do governo fazer propaganda de opões sexuais. Não podemos intervir na vida privada das pessoas”.


    “Terceiro sexo”. O senador Magno Malta diz que o Senado não pode criar o “terceiro sexo”. “O Supremo prestou um desserviço à sociedade e está longe de ser o supra sumo da verdade. Deus criou o macho e a fêmea, não é o Congresso Nacional que vai criar o terceiro sexo”.


    Leia trecho do livro Ainda Lembro, de Jean Wyllys

    Parece óbvio e também oportunista que um escritor, ao fim de um confinamento de oitenta dias numa casa, com um grupo de pessoas que diminuía a cada semana, escreva um livro sobre essa experiência. Mas o que pode um escritor fazer de suas experiências a não ser transformá-las em palavras e, depois, em livro? Sim, sou escritor, com livro publicado e tudo (em minha opinião, escritor é todo aquele que escreve, mesmo que seja para encher gavetas empoeiradas; se eu considerar a opinião daqueles para os quais escritor é apenas quem já publicou, continuo sendo um escritor). E, como todo escritor – embora alguns finjam que não -, quero ser lido, circular, estar nas prateleiras das livrarias; quero ser Paulo Coelho. Como bem diz Antônio Torres, em Um táxi para Viena d’Áustria, o escritor é um artista, e artista é igual a puta do cais do porto: tem de estar na janela para aparecer.


    Pensei muito antes de aceitar o convite para escrever este livro, que mistura memórias do confinamento na casa e de minha vida em Alagoinhas e Salvador – uma certa reflexão sobre a existência e as voltas que o mundo dá. Primeiro, pensei na pressa com que o faria e no fato de que ela, a pressa, sempre conspira contra a perfeição (mas quem é e o que é a perfeição?): queria fazer um livro que não virasse papel para embrulhar peixe no dia seguinte; espero que tenha conseguido. Em seguida, pensei nas críticas ou na indiferença dos que definem o que é boa ou má literatura (para mim, eles deveriam se perguntar quando é literatura). Pensei, então, que alguém que venceu a fome e a pobreza, que sobreviveu às chacotas e à violência física contra gays, e que conquistou um lugar ao sol depois de um confinamento de oitenta dias, também há de sobreviver à maledicência, à arrogância, à hipocrisia e ao cinismo de intelectuais não premiados pela vida. Aceitei, portanto, escrever este livro. Como diz o povo, ladram os cães e a caravana segue.


    Quando me perguntam por que quero escrever, costumo citar uma fala do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, que também serviu para responder por que participei do Big Brother Brasil. No momento, ela serve também para responder por que aceitei escrever este livro: “Para chatear os imbecis; para não ser aplaudido depois de seqüência dó de peito; para viver à beira do abismo; para correr o risco de ser desmascarado pelo grande público; para que conhecidos e desconhecidos se deliciem; para que os justos e os bons ganhem dinheiro, sobretudo eu mesmo porque, de outro jeito, a vida não vale a pena; para ver e mostrar o nunca visto, o bem e o mal, o feio e o bonito”.


    A idéia de fazer este livro surgiu depois que o apresentador Luciano Huck, muito gentilmente, pediu-me que escrevesse um texto para ser lido em seu programa, sobre os meus anseios e as impressões após a saída da casa. O texto emocionou os presentes, em especial a apresentadora Ana Maria Braga e os atores Christiane Torloni e Edson Celulari. Edson chegou a elogiar a minha lucidez e, em seguida, citar o poeta Fernando Pessoa. O texto chamou a atenção dos editores, que consideraram a possibilidade de as pessoas que torceram por mim (e até das que não torceram) estarem interessadas em ler exatamente o que eu tenho a dizer sobre aquela experiência.


    Portanto, aqui estou eu contando e refletindo da maneira mais honesta possível; e, ao mesmo tempo, tentando construir beleza e emoções com palavras; em síntese, aqui estou eu tentando fazer literatura, seja ela o que for ou quando for. Escrever é imperativo em minha vida, embora eu prefira viver, já que a vida é sempre mais bonita, mais feia ou mais intensa que qualquer representação literária. Ao contrário de Clarice Lispector, que afirmava só estar viva quando escrevia, adoro a vida propriamente dita, louca às vezes, e com o risco de ser breve, pois, quando escrevo, sempre morro um pouco, porque acabo cedendo parte de meu sopro vital na construção de outras vidas em palavras.