Em tempos de homofobia na bola, Alemanha é o arco-íris do futebol Resposta

Fotos: Getty Images/Arte: Gabriel Lucki/ESPN.com.br

Fotos: Getty Images/Arte: Gabriel Lucki/ESPN.com.br

Uma mudança cultural extrema em um período de sete décadas. De um país nazista, intolerante e palco de uma das maiores atrocidades da humanidade, a Alemanha hoje vive uma realidade completamente diferente. Com uma população imigrante cada vez maior, o território germânico é também referência na proteção quanto ao direito dos homossexuais, e o futebol é uma plataforma que reflete este cenário.

Hitzlsperger assumiu a homossexualidade após a aposentadoria

Hitzlsperger assumiu a homossexualidade após a aposentadoria

 

“Eu sou gay, e isso é bom.”

A frase parece algo isolado na luta pela igualdade entre pessoas de diferentes orientações sexuais. No entanto, ela teve grande impacto, já que foi dita por Klaus Wowereit, do Partido Social-Democrata da Alemanha, durante a campanha eleitoral.

Isso esteve longe de interferir negativamente em sua candidatura a prefeito de Berlim, capital alemã, tanto que foi eleito para o cargo em 2001 e reeleito em 2006. Atualmente, continua na posição e é um dos nomes cotados a substituir Angela Merkel como chanceler do país.

Corny Littmann presidiu o St Pauli entre 2002 e 2010

Corny Littmann presidiu o St Pauli entre 2002 e 2010

Wowereit não é o único neste sentido. Afinal, muitos políticos já assumiram publicamente a homossexualidade no país europeu. Entre eles estão Guido Westerwelle, ex-ministro de Relações Exteriores, e Barbara Hendricks, que responde pela pasta de Meio Ambiente desde dezembro de 2013.

Uli Hoeness, então presidente do Bayern, Merkel e Rauball, presidente do Dortmund e da Liga Alemã de Futebol, durante a campanha 'Siga o seu caminho'

Uli Hoeness, então presidente do Bayern, Merkel e Rauball, presidente do Dortmund e da Liga Alemã de Futebol, durante a campanha ‘Siga o seu caminho’

A polícia é outro departamento que mostra estar um passo à frente. Afinal, em 1995, foi criada a Vespol, Associação de Policiais Gays e Lésbicas que passou a combater os problemas dos homossexuais dentro da instituição no país.

“Tenho que ser um ator todo dia”

Se a homossexualidade deixou de ser um tabu na política e na sociedade em geral, o futebol germânico também caminha a passos largos para ser outra plataforma de reconhecimento de igualdade. E os últimos três anos formam um período importante para o tema.

Na terceira rodada do Campeonato Alemão de 2012/2013, em setembro de 2012, todos os clubes entraram em campo sem patrocínio em suas camisas. No lugar das propagandas com imagens de empresas aparecia um logo com as palavras “Geh Deinen Weg” (em português, Siga Seu Próprio Caminho.

A campanha, que no lançamento juntou o então presidente do Bayern de Munique, Uli Hoeness, e o presidente do Borussia Dortmund e da Bundesliga, Reinhard Rauball, contou com a participação da chanceler e foi motivada após um atleta – não revelado – dar uma entrevista à revista “Fluter” que comoveu o país.

“O preço que pago por viver meu sonho como um jogador da Bundesliga é alto. Eu tenho que ser um ator todo dia e entrar em autonegação”, disse o jogador à publicação.

Por sua vez, Merkel posicionou-se prometendo todas as condições para o desconhecido atleta ter uma vida normal. “Você não precisa ter medo. Eu sou da opinião que todo mundo que tem força e coragem [de assumir que é homossexual] deveria saber que nós vivemos em um estado no qual ele essencialmente não tem o que temer. Essa é minha declaração política.”

Neste ano, o assunto ganhou proporções maiores em janeiro, quando o ex-jogador Thomas Hitzlsperger, com passagens por Stuttgart, Aston Vila, Lazio e seleção alemã, assumiu a homossexualidade. “Senti que, agora, após minha aposentadoria, o momento havia chegado. Falo porque quero impulsionar a discussão sobre o tema no esporte profissional”, disse ao jornal do país “Die Zeit”, revelando sua orientação sexual.

A decisão foi muito elogiada tanto por personalidades do futebol como também por políticos. “Durante seus anos na seleção alemã, ele foi sempre um exemplo, porque teve o máximo respeito. Agora esse respeito se faz ainda maior”, declarou o presidente da Federação Alemã de futebol, Wolfgang Niersbach.

Outro bom exemplo da luta contra a homofobia dentro do futebol vem de longa data. O St.Pauli, da cidade de Hamburgo, é uma equipe conhecida no mundo inteiro pelas suas plataformas contra racismo, fascismo e sexismo e já teve um presidente, Corny Littmann, assumidamente gay entre 2002 e 2010.

No vôlei de praia, os campeões mundiais Julius Brink e Jonas Reckermann também deram sua contribuição na luta contra a homofobia ao posarem para uma foto se beijando. Ambos são heterossexuais e casados.

Como toda regra tem uma exceção, um fato lamentável ocorreu na Allianz Arena durante o duelo de volta entre Bayern de Munique e Arsenal, pelas oitavas de final da Uefa Champions League. Alguns torcedores ergueram uma bandeira com conteúdo homofóbico contra Mesut Ozil. Porém, a Uefa já aplicou uma punição. Vale lembrar que, semanas antes, no mesmo estádio, uma faixa com os dizeres “futebol é tudo, inclusive gay” fora erguida.

Ainda há muito a se fazer

Apesar de o tabu parecer algo execrado em solo germânico, os direitos ainda rendem discussões na Alemanha. Em fevereiro, os ativistas gays lamentaram a rejeição por parte da Corte Constitucional da Alemanha da liberação para que casais do mesmo sexo adotassem uma criança.

Atualmente, um alemão homossexual pode adotar uma criança e só depois disso viver conjuntamente a alguém. Isto é, após um casal se unir, ele não pode acolher um filho, da mesma forma que dois homens ou duas mulheres podem até viver juntos(as), porém, não têm a permissão para se casarem.

Ex-ministro de Relações Exteriores, Guido Westerwelle também é homossexual

Ex-ministro de Relações Exteriores, Guido Westerwelle também é homossexual

“A Alemanha pode ser considerada uma referência em relação à repressão na proteção dos direitos dos homossexuais. Porém, ela ainda não reconhece todos os direitos”, disse ao ESPN.com.br a advogada especializada em direitos homoafetivos Maria Berenice Dias. “Lá, existe em lei a criminalização de quem infringe a lei que protege o homossexual. Recentemente, o país até chegou a oferecer asilo aos gays e lésbicas discriminados na Rússia. O [presidente Vladimir] Putin não gostou e falou que a Alemanha não tinha esse direito”, explicou.

Embora ainda restem esses dois direitos a serem conquistados, é inegável que a Alemanha é um dos lugares mais preparados no mundo a receberem a população gay. Segundo uma pesquisa de 2013 do instituto Pew Research Center, 87% das pessoas no país acham que a socidade deve aceitar a homossexualidade. Apenas a Espanha, com um porcento a mais, fica à frente. Para outros outros gigantes que jogarão a Copa do Mundo, como Brasil (60%), Argentina (74%) e França (77%), os alemães levam boa vantagem.

Confira os direitos dos homossexuais na Alemanha:

Direito à atividade legal a homossexuais (sim)

Leis antidiscriminatórias no emprego (sim)

Leis antidiscriminatórias na disponibilização de bens e serviços (sim)

Leis antidiscriminatórias em todas as outras áreas (sim)

Casamento entre pessoas do mesmo sexo (não)

Reconhecimento de casais do mesmo sexo (sim)

Adoção de uma criança por um casal do mesmo sexo, desde que o pai/mãe já tivessem a guarda do filho(a) antes do relacionamento homossexual (sim)

Adoção conjunta por casais do mesmo sexo (não)

Homens e mulheres gays no serviço militar (sim)

Direito de mudar de sexo (sim)

Direito de lésbicas engravidarem por inseminação artificial (sim)

Uso de barriga de aluguel comercialmente por casais de homens homossexuais (não)

Mais que homossexuais, país acolhe o diferente

A relação com a homossexualidade é um reflexo de como a Alemanha se tornou um território aberto a diferenças. Afinal, após o fim da Segunda Guerra Mundial e o colapso do nazismo, o país foi reconstruído pelos imigrantes que se instalaram a partir da década de 50.

Hoje, cerca de dez milhões de imigrantes vivem em solo germânico, o que representa 11,5% dos 86,7 milhões de habitantes – vale lembrar que o número não engloba descendentes de estrangeiros, mas apenas pessoas que nasceram em outros lugares. Além disso, segundo dados do Ministério do Interior, 1,08 milhão de pessoas imigraram para a Alemanha em 2012, um número 13% maior que no ano anterior e o maior desde 1995.

“Na segunda metade do século 20, há um processo de imigração rápido, um fenômeno europeu que atinge a Alemanha, que sofria com a falta de mão de obra. Neste contexto, os movimentos sociais entraram para evitar a xenofobia. A nova Alemanha, criada de 1949 para cá, tem uma mensagem de grande nível”, declarou ao ESPN.com.br o professor titular de História e membro do corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Estevão Chaves de Rezende Martins.

Prova desta realidade miscigenada é a própria seleção alemã, na qual Jerome Boateng, filho de pai ganês, é titular, assim como Mesut Ozil, de origem turca. O caso é o mesmo do volante Ilkay Gundogan. Já os atacantes Lukas Podolski e Miroslv Klose nasceram na Polônia. Sami Khedira, com raízes tunisianas, é também mais um exemplo de que a Alemanha superou o seu passado e é um país que hoje respeita sua população. Não importando a origem ou a orientação sexual.

Fonte: ESPN Brasil

Uefa pune Bayern por homofobia e por defender Kosovo Resposta

Punir um time por homofobia no futebol é algo relevante, mesmo quando se trata de uma punição branda. A União das Federações Europeias de Futebol (Uefa) puniu o Bayern de Munique por um cartaz no jogo contra o Arsenal. Além disso, o Comitê Disciplinar da Uefa puniu o clube por ter levantado faixas em favor de Kosovo, num recado claro de que a política segue sendo assunto proibido.

A punição ao Bayern se dá pelos artigos 14 e 16 (2e) do Regulamento Disciplinar da Uefa. O artigo 14 fala sobre comportamento racista ou discriminatório em geral, enquanto o 16 (2e) fala sobre a proibição de manifestação política de qualquer natureza. Considerando que são duas punições, você deve imaginar que o Bayern realmente terá problemas, certo? Bom, nem tanto.

Foi estabelecida uma multa de € 10 mil por cartaz ilícito. Sim, uma multa de incríveis € 10 mil. A outra punição foi fechamento de um setor da Allianz Arena para o jogo em casa do time contra o Manchester United, nas quartas de final da Liga dos Campeões. A princípio, uma punição pesada. Olhando o descritivo da punição, o setor fechado será o 124 do estádio. Veja o mapa que mostra o tamanho desse setor e analise por você mesmo se é uma punição pesada:

 

Punicao

 

Pois é. A Uefa segue tratando homofobia e racismo como algo punível com uma multa sem vergonha e o fechamento de um setor ínfimo do estádio. Ainda estamos longe de tratar a questão com a seriedade que merece.

Mais do que isso: a Uefa trata de correr para punir alguém que se manifesta politicamente com força igual ou maior do que as punições por discriminação racial ou sexual. Sim, a Uefa sabe que não punir o Bayern nesse caso seria desagradar a Sérvia, que é membro da sua organização. Só que manifestações em cartazes são legítimas e não podem, nem devem, ser censuradas ou punidas. Racismo e homofobia sim. A Uefa (e a Fifa, estendendo ao mundo) precisam entender que o futebol jamais estará separado da política.

A mensagem a favor do Kosovo também esteve nas arquibancadas da Allianz

A mensagem a favor do Kosovo também esteve nas arquibancadas da Allianz

Com informações: Trivela

 

Homofobia e homossexualidade no futebol ainda são tabus nas arquibancadas Resposta

O ano de 2013 foi expressivo para a discussão de dois grandes tabus do futebol brasileiro: a homossexualidade e a homofobia. Em 9 de abril, torcedores do Atlético-MG fundaram a Galo Queer, uma página no Facebook que reúne torcedores alvinegros com uma postura anti-homofobia e anti-sexismo. “Galo” é o apelido do clube de Minas Gerais e “Queer”, em inglês, significa gay. Em 15 dias, a página ganhou cinco mil fãs, e hoje conta com mais de 6.600.

O gesto da torcida atleticana motivou outras a fazerem o mesmo. Ao longo do mês de abril, surgiram páginas semelhantes de torcidas de todo o país: Cruzeiro, São Paulo, Náutico, Grêmio,Vitória, Bahia, Internacional, Palmeiras, Corinthians, Flamengo, entre outros. A lista é extensa e mostra que a discussão da homofobia no futebol, até então, ainda estava dentro do armário.

Integrante da Galo Queer no Mineirão Facebook/Reprodução

Integrante da Galo Queer no Mineirão Facebook/Reprodução

“O estádio é um ambiente super homofóbico. Lá não se vê nenhuma manifestação de diversidade afetiva”, diz o jornalista – e palmeirense – William de Lucca, colaborador da Folha de S. Paulo em João Pessoa, na Paraíba. Ele é homossexual assumido e se esforça para prestigiar os jogos do Palmeiras em cidades próximas, como Recife ou Natal. William já era militante LGBT e, assim que ouviu falar, aderiu à página anti-homofóbica “Palmeiras Livre”.

“Em 2008, eu morei alguns meses em São Paulo e tinha um namorado que era palmeirense também. A gente foi até aconselhado por um amigo dele da torcida organizada a não ter nenhuma demonstração de afeto dentro do estádio, porque a gente poderia ser agredido”, lembra. “A gente sempre fica com medo. Em outros ambientes, sou muito seguro quanto a manifestar meu afeto: ando de mão dada e tal, inclusive na rua, mas acho que o estádio de futebol é mais hostil do que a própria rua, sabe? A homofobia é muito mais explícita”, conta.

“A gente só não tem mais relatos disso porque os homossexuais que torcem nos estádios não arriscam nenhum tipo de demonstração afetiva”, conclui William.

Dentro da Palmeiras Livre, assim como nas outras organizações, ainda se discute quais serão os próximos passos. Os integrantes querem ocupar as arquibancadas, mas temem agressões físicas, já que as verbais ocorrem diariamente. “Dia sim e outro também nós recebemos ameaças”, conta a fotógrafa e analista de mídias sociais Thaís Nozue, também integrante da Palmeiras Livre. “As pessoas vem ameaçando, dizendo que estão mexendo com o time errado, que eles vão descobrir quem é, que não sei o quê”. Por enquanto, a hostilidade está restrita a mensagens no Facebook como: “Vão morrer”, “Experimenta aparecer na torcida e vocês vão apanhar”, “A Mancha [maior organizada do Palmeiras] bate em polícia e não vai bater em um monte de bicha?” – o que não significa que a ameaça venha da Mancha, como explica Thaís.

Segundo ela, a causa da Palmeiras Livre também foi rechaçada pelas organizadas alviverdes. “A gente até tentou uma aproximação com as organizadas, mas elas deram um recado para a gente não se meter com elas. Às vezes aparecem pessoas se dizendo das organizadas nos ameaçando, mas a gente não tem como comprovar se são mesmo”, diz.

A homofobia veste verde?

Procurado pela Pública, Marcos Ferreira, o Marquinhos, presidente da Mancha Alviverde, não quis dar uma entrevista sobre a polêmica da homofobia e sobre um episódio envolvendo o volante e lateral Richarlyson, hoje no Atlético-MG e tido como homossexual, apesar de sempre se declarar heterossexual.

No início de 2012, o Verdão estudava a possibilidade de contratar Richarlyson. A Mancha Verde convocou um protesto no dia 4 de janeiro, na frente do Centro de Treinamento (CT) do Palmeiras, zona oeste de São Paulo. Segundo a torcida o motivo era uma rixa antiga com o jogador, que estava à beira de um acordo com o Alviverde, mas acabou indo jogar no rival São Paulo. Porém, uma grande faixa estendida por duas pessoas durante aquele ato dizia: “A homofobia veste verde”.

Ao telefone, Marquinhos negou repetidas vezes que a Mancha tenha algo a ver com a faixa – ela seria obra de duas pessoas desconhecidas da organizada que foram ao protesto. Mas ele disse que “não via nada de agressivo na faixa”. A Pública também tentou contato com Richarlyson, mas foi informada pelo seu empresário, Julio Fressato, que ele estava se recuperando de uma cirurgia.

O selinho de Sheik e o voo das gaivotas

Sheik deu selinho em amigo e causou a ira de torcedores do Corinthians

Sheik deu selinho em amigo e causou a ira de torcedores do Corinthians

Na esteira das iniciativas anti-homofóbicas, dois episódios jogaram o Corinthians no centro da discussão. O atacante Emerson Sheik, herói corintiano da inédita conquista da Libertadores em 2012, foi vítima de uma onda de ataques homofóbicos depois da vitória do Corinthians sobre o Coritiba por 1 a 0, no Pacaembu, no dia 18 de agosto. Para comemorar, Sheik postou uma foto em seu perfil oficial no Instagram em que aparecia dando um selinho em um amigo de longa data, o empresário Isaac Azar. “Tem que ser muito valente para celebrar a amizade sem medo do que os preconceituosos vão dizer. Tem que ser muito livre para comemorar uma vitória assim, de cara limpa, com um amigo que te apoia sempre”, escreveu.

No dia seguinte, cinco integrantes da Camisa 12, segunda maior torcida organizada do Corinthians, foram ao CT do clube protestar contra a atitude de Sheik, levando três faixas que diziam “Vai beijar a P.Q.P. Aqui é lugar de homem”, “Respeito é pra quem tem” e “Viado não”.

Dois meses depois, o jornalista e apresentador Luiz Felipe de Campos Mundin, que assina como Felipeh Campos, anunciou que faltava pouco para fundar a já polêmica Gaivotas Fiéis, primeira torcida organizada com conceito gay do Corinthians.

A Pública conseguiu entrevistar um personagem importante em ambos os episódios, Marco Antônio de Paula Rodrigues, de 34 anos. Conhecido pelo apelido “Capão”, por ter crescido no Capão Redondo, bairro periférico da zona sul de São Paulo, ele é presidente da Camisa 12, e foi um dos cinco que protestaram contra o selinho de Sheik. Ele revela ter sido o autor da faixa que dizia “Viado não” – a única, dentre as três, que considera agressiva. “Só essa foi um pouco mais forte, foi um excesso. Eu que risquei com o spray essa faixa, eu até pensei [que era agressiva], mas depois que nós já estávamos lá, a gente não podia voltar atrás”, diz. Trajado da cabeça aos pés com roupas da Camisa 12 (boné, camiseta, agasalho, bermuda e até meias da torcida), Capão é assertivo, olha nos olhos e tem a voz rouca. Aceitou falar durante uma hora e meia com a reportagem da Pública na sede da torcida, no bairro paulistano do Pari, região central, para “dar a explanação” sobre os dois episódios.

Sobre a iniciativa de Felipeh Campos, Capão vê a nova torcida gay como puro marketing. “Acredito que ele está pensando mais numa autopromoção do que numa torcida organizada. Porque para nós, uma torcida organizada começa como a gente sempre troca ideia nas torcidas: o cara vai para uma caravana, o cara participa de vários jogos do Corinthians na arquibancada e não na numerada, a pessoa participa de inúmeras manifestações corintianas que teve nesses últimos anos, tanto de protesto contra diretoria, contra jogador. Tem uma caminhada ideológica dentro de uma instituição para você fundar uma torcida organizada. Torcida organizada não é um comércio, mano”, argumenta.

“Tomei muita borrachada da polícia por aí, passei muita fome na estrada, nunca fomos pra qualquer lugar e fomos bem recebidos por qualquer órgão que cuida da organização do jogo no estádio, da segurança pública, nós sempre fomos maltratados por muitos deles, então a torcida organizada não é simplesmente chegar e falar: ‘Ó, vou criar uma torcida hoje. Vou criar uma camisa e vou pro estádio’”.

Torcedores foram ao CT exigir pedido de desculpa de Emerson Sheik por selinho em amigo

Torcedores foram ao CT exigir pedido de desculpa de Emerson Sheik por selinho em amigo

Para Capão, é “inaceitável” a escolha do nome da torcida gay e a corruptela do símbolo do Corinthians – no brasão da Gaivotas, além da nova ave, o símbolo do Corinthians tem como fundo um espelho de maquiagem com direito a pincel e lápis, e a bandeira do Estado de São Paulo foi pintada com as cores do arco-íris, ícone do movimento gay.

Símbolos da Gaviões da Fiel e da Gaivotas Fiéis. Para a Gaviões, houve plágio do jornalista Felipeh Campos (Foto: Reprodução)

“Eu acho que o rapaz lá acaba beirando até o ridículo… Ele está transmutando as nossas coisas. Tanto pelo nome que ele coloca se referindo a uma torcida que tem uma puta tradição [Gaviões da Fiel, a maior organizada do Corinthians, fundada em 1969] quanto do nosso símbolo do Corinthians, ele colocar um espelho e uns negócios de maquiagem no símbolo… Numa entrevista que eu vi, perguntaram: ‘Mas por que isso daí?’ E ele: ‘Ah, porque na verdade o corintiano vai gostar de se pintar na arquibancada’. Meu, torcida do Coringão é 90 minutos, mano. A gente gosta é de cantar, de sofrer, de chorar pelo Coringão. Não é de se pintar. Com todo o respeito, nem as nossas mulheres fazem isso”, afirma Capão, que é contra a existência de uma torcida gay. “Já digo de pronto que eu não sou favorável a ter uma torcida gay, porque eu acho que os gays não precisam disso daí pra poder se achar numa sociedade que já está abrangendo todo mundo”.

Perguntado se existem gays na Camisa 12, Capão não hesita: “Nós não temos gays na torcida, mano. Pelo menos nunca soubemos, entendeu. Meu, se o cara tá lá, tá assistindo o jogo. Tudo bem, nós vamos respeitar, mas qualquer faixa assim, nós somo contra mano. Nós não queremos, de verdade mano, aqui dentro da 12. Pra nós é sério o estádio, não é só pra brincar”. Capão, explicando que, se “no meio de um gol os dois de repente se beijarem no meio da nossa torcida”, seria “ruim”: “O estádio pra nós é um templo”.

O lastro, para Capão – que não se considera homofóbico –, é sempre a tradição. “O cara ir pro jogo, se for um homem, de shortinho amarradinho, camisa amarradinha e todo pintado… Pra nós não rola meu, de verdade. Porque o nosso tradicionalismo, infelizmente, meio ogro, tá ligado, até beirando homem da caverna não permite isso daí, certo?”. Se a Camisa 12 fosse homofóbica, exemplifica Capão, “a gente juntava os associados da 12 e ia lá na passeata gay quebrar todo mundo. No entanto que ninguém tá muito se manifestando [sobre a Gaivotas Fiéis], certo? Por quê? Porque tudo que a gente fala, a mídia distorce”.

Sobre o episódio do selinho do Sheik, Capão diz que o problema foi o atacante ter declarado que o beijo era para comemorar a vitória do Corinthians. “Quando ele falou que ele estava fazendo aquilo pra comemorar o jogo ele já transferiu a responsa pro Corinthians”, afirma, explicando que, depois do episódio, onde quer que o Timão jogue é recebido com gritos de “beija beija beija” pelos torcedores rivais. “Estávamos ali [no protesto] representando muitos torcedores. Muitos pediram para que a gente tomasse a frente, tanto que eu recebi inúmeras congratulações depois”, diz.

Gaviões X Gaivotas

A Gaviões da Fiel, maior organizada do Corinthians, fez uma denúncia de crime contra a propriedade industrial no 1º DP de Guarulhos, contestando a sátira à marca da torcida, que é registrada. A torcida reclama que a proximidade dos nomes e símbolos das duas pode induzir ao erro. “Eu não sei onde eles enxergaram plágio”, contesta Felipeh Campos, da Gaivotas. “A minha torcida chama Gaivotas Fiéis, não é gavioa. Já começa que Gaivota é feminino, não é masculino. Se eu tivesse colocado cílios e salto alto no gavião, aí eu até acredito que poderia ter sido uma questão de plágio. Porém eu não estou utilizando as peças do emblema para plagiar alguma coisa. Entendo isso como uma retaliação homofóbica”, diz.

Feliphe Campos apresenta novo logo da torcida Gaivotas Fiéis

Feliphe Campos apresenta novo logo da torcida Gaivotas Fiéis

Felipeh conta que vem sendo ameaçado nas redes sociais, e que foi agredido verbalmente na semana passada, na Avenida Paulista. “As ameaças são coisas do tipo ‘Cuidado, eu vou te matar’, ‘Você já tá jurado de morte’, ‘Abre teu olho’. Então você vê que são atitudes extremamente homofóbicas e preconceituosas, elas não têm outros motivos”, diz. Sobre a agressão ao vivo, ele conta que ocorreu na saída de seu trabalho, na sede da TV Gazeta, na avenida Paulista. “Eu estava com um amigo meu na Paulista e um cara passou, me esbarrou e começou a me xingar. E eu falei: ‘É comigo que você tá falando?’ E ele: ‘ Você acha que é com quem? Tá pensando que você e a sua turminha vai entrar em estádio? Não vai não, mano’. E eu falei: ‘Bom, vamos conversar, abaixa o tom de voz’. E aí ele continuou a gritar e eu falei: ‘Ótimo, a polícia está vindo ali, eu vou te incriminar agora em crime de homofobia e você vai sair daqui para a cadeia’. Aí na hora que ele viu que a polícia vinha vindo a pé, ele meio que saiu de canto e deu um pinote”, relata.

Felipeh Campos conta que desde pequeno frequenta estádios. “O futebol nas décadas de 70 e 80 era uma grande festa. Mas foi crescendo de uma forma tão grande que deixou de olhar para a questão democrática. Não está escrito na porta do estádio que só é permitida a entrada de homens, né? Eu acredito que não só os gays têm que frequentar os estádios, como a mulher, as crianças, entendeu? O futebol é pra todos”, diz. “Mas é claro que o conceito da torcida é gay e o meu objetivo maior é inserir o público gay no estádio de futebol. Eles [as organizadas] monopolizaram os estádios”, diz.

De fato, a divisão do estádio do Pacaembu é um dos argumentos de Capão para rejeitar a convivência com as Gaivotas. Por determinação da Federação Paulista de Futebol, as organizadas do Corinthians têm que ocupar as arquibancadas Verde e Amarela, atrás de um dos gols, nos jogos em que o clube é mandante. Se ficasse fora desse setor, a Gaivotas estaria violando a regra. “Mas dentro desse setor, nós já temos seis torcidas: temos a Gaviões da Fiel, temos a Camisa 12, a Pavilhão 9, a Estopim da Fiel, a Coringão Chopp e a Fiel Macabra. São seis torcidas que estão ali e todas elas obtiveram a caminhada. Ninguém chegou do nada não”, argumenta Capão.

Felipeh garante que o objetivo não é “fazer represália com qualquer tipo de segmento sexual”. Porém, sobre dividir espaço com as outras organizadas, ele é enfático. “Nem que eu tiver que pedir segurança para o exército. Mas que a minha torcida vai entrar nos estádios, isso vai, com certeza. Nem que a gente tenha que chegar de carro-forte, de tanque”. Ele ressalta que a sua torcida será profissional e que todo o corpo diretivo será remunerado, diferentemente das outras organizadas.

Procurado pela Pública, Jerry Xavier, diretor da Gaviões da Fiel, disse que a torcida não se pronuncia sobre esse tema. O Corinthians também afirmou, via assessoria, que não se manifesta a respeito de torcidas.

Homofobia bate recorde no Brasil

O Brasil, o país do futebol, vem sendo líder no ranking de mortes por homofobia. Segundo dados do relatório “Assassinatos de Homossexuais (LGBT) no Brasil”, de 2012, do Grupo Gay da Bahia, o Brasil concentra 44% do total de assassinatos por motivação homofóbica no mundo. Em 2012, foram registradas 3.084 denúncias de violações ligadas à homofobia e 310 homicídios por esse motivo.

Estádio: a terra do macho

“Por ser o estádio um ambiente que tem uma série de permissões nas relações masculinas – carinhos, afetos, às vezes até mesmo agressões – é necessário que esse ambiente seja considerado seguro para os homens. Para garantir essa suposta ‘segurança’, os torcedores precisam reforçar a sua masculinidade. E uma das coisas que melhor reforça a masculinidade na nossa cultura é a homofobia. Por isso ela aparece de forma tão gritante”, afirma o pedagogo e professor da UFRGS, Gustavo Andrada Bandeira, autor da tese de mestrado “‘Eu canto, bebo e brigo…alegria do meu coração’: currículo de masculinidades nos estádios de futebol”.

Para Bandeira, esse é o motivo da rejeição às torcidas gays: “Se a torcida do Corinthians, do Grêmio ou do Internacional for a primeira a levantar uma bandeira pró ações afirmativas, ela poderá ser chamada de a ‘torcida gay’, e as torcidas acham que isso é um problema”, diz.

Para Marco Antonio Bettine de Almeida, professor livre docente na Pós-graduação em Mudança Social e Participação Política da EACH-USP, a reação é “natural” num espaço que sempre foi dominado pelo masculino. “A partir do momento que as agendas de visibilidades desses grupos excluídos, que tiveram seus direitos cerceados, que são espancados, é natural, vendo a representação que o futebol tem no Brasil, começar toda essa movimentação de garantir uma representação nesse espaço eminentemente masculino, do macho, do falo”. Para ele, no entanto, há espaço para negociação entre os grupos LGBT e as organizadas. “Uma mulher no estádio é aceita, por exemplo, mas tem que representar os papéis dentro do estádio, que é torcer, xingar, participar. As torcidas gays ou não gays têm que incorporar um pouco da história desse espaço do torcer. E conhecer, minimamente, os códigos, senão vai gerar conflito. Porque o espaço é um espaço sagrado e tem uma carga cultural muito forte”.

Bandeira discorda. “Se é uma torcida gay, que ela tenha comportamentos diferentes das torcidas não gays. É sempre complicado quando a gente quer transgredir as regras de gênero sexual num ambiente muito marcado. Mas me parece que seria muito mais interessante se eles fizessem algo diferente”. Foi essa a aposta da Coligay, a primeira torcida homossexual do país, que em plena ditadura militar conquistou seu espaço dentre os torcedores do Grêmio (leia Box).

Uma inspiração para o caso brasileiro pode ser a GFSN (Gay Football Supporters Network, Rede de Torcedores de Futebol Gays, numa tradução livre). Fundada em 1989, a associação do Reino Unido tem diversas iniciativas para a inserção do público LGBT no futebol. “Estamos em contato permanente com muitos clubes para recomendar políticas anti-homofóbicas por parte deles”, afirma Simon Smith, do departamento de comunicação. “Ajudamos, por exemplo, a consolidar os Gay Gooners, a torcida LGBT do Arsenal e conseguimos o apoio formal de representantes do Liverpool e do Everton para a parada do orgulho LGBT da cidade de Liverpool. Dentro de campo, organizamos há dez anos campeonatos de futebol voltados ao público LGBT para a inclusão no esporte”, conta Smith.

A GFSN também registra com precisão britânica a ocorrência de gritos e cânticos homofóbicos nos estádios – e faz campanha permanente contra eles. “Na temporada passada, os torcedores do Brighton & Hove Albion FC sofreram com cantos homofóbicos em 72% dos jogos que disputaram. Nós documentamos isso e enviamos à FA (Football Association, a CBF inglesa), que ainda não tomou nenhuma atitude. Mas nós continuamos pressionando”, diz.

No próximo ano, a Copa do Mundo promete ser palco de discussão sobre homossexualidade – pelo menos em São Paulo, onde mais de 40 mil pessoas são esperadas para acompanhar a transmissão dos jogos nos telões da Fan Fest, no Vale do Anhangabaú, centro da cidade. Ali, a prefeitura planeja realizar uma intervenção para discutir homofobia, com direito a exibição de vídeos em telas e distribuição de folhetos sobre o tema. Outra ação que está sendo estudada é transmitir os jogos em telões no Largo do Arouche, um “point” LGBT da cidade, para esses torcedores.

Fonte: Ig Esporte

Associação promove “Jogos Gays” na Rússia para obter apoio à causa homossexual Resposta

Homossexuais fundaram associação de esportistas gays em protesto contra a lei anti-gay russa

Homossexuais fundaram associação de esportistas gays em protesto contra a lei anti-gay russa

Uma associação russa que promove o esporte e a defesa aos direitos dos homossexuais divulgou nesta terça-feira o plano de realizar os “Jogos Gays” no país em 2014, após as Olimpíadas de Inverno, que ocorrerão na cidade de Sochi em fevereiro.

O objetivo é obter apoio à causa gay, em um país no qual existe lei que proíbe a “propaganda homossexual”. O evento deve ser iniciado no dia 26 de fevereiro de 2014, três dias depois do encerramento das Olimpíadas, e durará até o dia 2 de março – antes, portanto, do início dos Jogos Paraolímpicos de Inverno, dia 7 de março.

Segundo a associação, os jogos não feririam a lei anti-gay. “Não convidamos menores aos nossos eventos”, declarou Elvina Yuvakaieva, presidente da Federação desportiva LGBT local, em referência à proibição da “propaganda homossexual ante menores” citada na lei.

“Esperamos captar a atenção de todos os esportistas e de quem cobrir os Jogos de Sochi”, continuou a russa. “Temos certeza de que não teremos problema”, completou Konstantin Yablotski, um dos fundadores do grupo.

Os primeiros Jogos Gays foram realizados em 1982, em San Francisco (EUA).

Sobre o apoio de atletas famosos russos, os organizadores mostraram pouca esperança. Vale lembrar que Yelena Isinbayeva, campeã mundial do Salto com Vara, foi alvo de polêmica ao defender a lei anti-gay durante o Mundial deste ano, que foi realizado em Moscou

Fonte: UOL Esportes

Jean Wyllys pede que homofobia no futebol seja tratada igual a racismo Resposta

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A Fifa colocou o combate ao racismo como um de seus objetivos nas últimas temporadas, começando a punir atletas e clubes. O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), militante das causas LGBT e dos direitos humanos, pede que a entidade trate a homofobia no futebol da mesma forma.

“Em casos de racismo nos estádios, a Fifa determina que o árbitro paralise ou até suspenda a partida. Os clubes também ser punidos com a perda de pontos devido a ofensas raciais da torcida. Eu me pergunto: por que a Fifa não pode proceder da mesma maneira em relação a homofobia?”, questionou o deputado nesta sexta-feira, em São Paulo.

Jean Wyllys participou da nona edição do Fórum de Direito Desportivo promovido pelo Instituto Brasileiro de Direito Desportivo ao lado da Associação dos Advogados de São Paulo. Ele preparou um texto para o evento e traçou alguns paralelos entre racismo e homofobia.

“Nos tornamos muito sensíveis ao racismo e isso é bom. Quando as torcidas italianas jogaram bananas para o Balotelli, chamando-o de macaco, muitos de nós ficamos chocados. Mas quase todos acharam absolutamente natural que ele fosse chamado de veado em Salvador na Copa das Confederações”, comparou.

Sem pudores para chamar um jogador de homossexual, os torcedores não costumam entoar coros racistas, ainda que alguns o sejam, afirmou Jean Wyllys, usando a situação como argumento para acreditar que no futuro as piadas e brincadeiras homofóbicas podem ser banidas.

“Muitos torcedores pensam que os jogadores negros são macacos e não merecem ganhar os salários que ganham, mas quem hoje tem coragem de puxar o coro racista no estádio? É que hoje a prática do racismo é socialmente condenada. Então, somos capazes de condenar socialmente também a prática da homofobia”, disse.

Jean Wyllys lembrou sua primeira tentativa de se aproximar do futebol e diz ter sido afastado pela homofobia dos garotos que praticavam o esporte. Ele torce pela Seleção Brasileira nas Copas do Mundo, mas não gosta da modalidade, nem mesmo para admirar o físico dos atletas.

“Não sou aquele tipo de gay que assiste futebol só por causa dos jogadores, até porque vamos combinar que os jogadores brasileiros são muito feios. O único que eu salvaria é o Alexandre Pato. O Adriano está enorme agora, mas antes era bonito também. Fora isso, está ruim. Então, nem para ver os homens vale a pena”, declarou o deputado, sorrindo.

Sheik vai usar chuteira contra homofobia 1

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Após dar um selinho no amigo Isaac Azar e publicar a foto do beijo na internet, o atacante Emerson Sheik foi criticado por muitos torcedores do Corinthians.

Nesta semana, cinco integrantes da torcida organizada “Camisa 12” foram ao CT do clube e levaram cartazes homofóbicos com os seguintes dizeres: “Veado não”, “Aqui é lugar de homem” e “Vai beijar a PQP”.

Em resposta aos comentários, o jogador pediu o fim do ‘preconceito babaca’ no futebol e desculpas aos ofendidos.

Agora, para o jogo contra o Vasco, no próximo domingo, o corintiano vai ‘estrear’ uma chuteira nova, com as seguintes palavras nos calçados: “Fora preconcento” e “Gentileza”.

Nesta semana, a Polícia Cívil de São Paulo chamou o jogador e a “Camisa 12” para falarem sobre o caso. A polícia quer saber se Emerson se sentiu ameaçado pelos torcedores e se deseja representar formalmente uma queixa contra os corintianos.

Opinião

O selinho é válido, as declarações também, assim como a chuteira que Sheik usará, mas ele precisa representar uma queixa formal na polícia contra os torcedores homofóbicos. Preconceito a gente combate com educação e punição.

Um dia após defender lei anti-gay na Rússia, Isinbayeva se diz mal interpretada 1

Yelena Isinbayeva diz que foi mal interpretada. Tadinha, não?

Yelena Isinbayeva diz que foi mal interpretada. Tadinha, não?

Um dia após defender a lei anti-gay russa, a principal atleta do salto com vara no mundo, Yelena Isinbayeva, se disse “mal interpretada”, via comunicado oficial.  Hoje, a medalhista de ouro no Mundial de Atletismo de Moscou afirmou que “se opõe a qualquer discriminação”.

“Quero deixar claro que respeito os pontos de vista de meus companheiros atletas e quero expressar de maneira firme que me oponho a qualquer discriminação contra a comunidade gay com respeito a sua sexualidade”, disse Isinbayeva.

Ela afirmou que, por ter usado o inglês para falar sobre o assunto, acabou mal interpretada. “O inglês não é minha língua materna creio que houve um mal entendido. O que eu queria dizer é que a gente deve respeitar as leis de outros países, principalmente quando são convidados”, continuou.

Ontem (15/8), em entrevista coletiva antes da cerimônia do pódio pelo seu triunfo no salto com vara, ela se mostrou a favor da lei russa que proibido “propaganda homossexual ante menores”, além de criticar a sueca Emma Green-Tregaro, que competiu no salto em altura com as unhas pintadas com as cores do arco íris, um símbolo gay.

“Nós nos consideramos pessoas normais, vivemos os garotos com as garotas, as garotas com os garotos. Isso vem desde sempre”, disse Isinbayeva na quinta-feira.

Opinião

Yelena Isinbayeva deve um pedido de desculpas a todos os LGBT do mundo por suas declarações homofóbicas. Não tem essa de ser mal interpretada.

Atletas, patrocinadores e COI pisam em ovos quanto à lei antigay russa Resposta

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Jeré Longman

Os Jogos Olímpicos de Inverno começam daqui a seis meses em Sochi, na Rússia. Os atletas se encontram numa situação de risco. Por um lado, eles enfrentam acusação por defender os direitos dos homossexuais. Por outro lado, podem ser banidos pelas autoridades olímpicas por se oporem publicamente às novas leis discriminatórias da Rússia.

Assim como a Rússia agora proíbe a “propaganda” em apoio à orientação sexual “não tradicional”, a estatuto olímpico proíbe os atletas de fazer gestos políticos durante os jogos de verão e inverno.

Por isso, é perfeitamente possível que qualquer atleta de bobsled ou esquiador usando um broche, adesivo ou camista em apoio dos direitos dos homossexuais seja mandado de volta para casa não pelas autoridades russas, mas por outro grupo que reprime a expressão: o Comitê Olímpico Internacional.

Por isso, é perfeitamente possível que qualquer bobsled ou esquiador usando um alfinete, patch ou T-shirt em apoio dos direitos dos homossexuais poderia ser enviado para casa de Sochi, não pelas autoridades russas, mas por outro grupo que suprime a expressão: o Comitê Olímpico Internacional.

Será que o COI vai infligir a si mesmo um desastre de relações públicas como este? Talvez não. Mas as autoridades olímpicas em todo o mundo, incluisive nos Estados Unidos, juntamente com a NBC e patrocinadores corporativos, colocaram a si mesmas e aos atletas numa posição desconfortável por se opor apenas levemente à lei russa que proíbe a “propaganda homossexual”.

Blake Skjellerup, um patinador de velocidade de curta distância da Nova Zelândia, disse que planeja usar um broche do orgulho gay em Sochi, e se tiver problemas, “que assim seja”. Harvey Fierstein, dramaturgo e ator, pediu uma boicote dos Jogos de Inverno. Ativistas dos direitos dos homossexuais em Nova York e em outros lugares pediram até mesmo a retirada da vodka russa dos bares.

Mas aqueles que organizam, transmitem e apoiam os Jogos ofereceram pouco além de uma crítica tardia e morna.

O estatuto olímpico diz que o esporte é um direito humano que deve ser praticado “sem discriminação de qualquer tipo”. Mas toda a indignação que o COI conseguiu transmitir quanto à nova lei anti-gay da Rússia foi uma declaração dizendo que o Comitê Olímpico iria “se opor fortemente a qualquer medida que ferisse esse princípio.”

Ao mesmo tempo em que o COI disse ter recebido garantias de que a lei não seria fiscalizada nos Jogos de Sochi, o ministro dos Esportes da Rússia disse que seria.

Antes de a lei ser aprovada, o COI poderia ter pressionado as autoridades russas, dizendo que não apoiaria os Jogos de Sochi em tais condições. Em vez disso, o Comitê Olímpico consentiu.

“Deveria ter havido comunicações alarmadas do COI em relação à lei logo no início”, disse Minky Worden, diretor de iniciativas globais e um especialista em Olimpíadas da Human Rights Watch. “Até onde sabemos, não houve.”

O movimento olímpico está novamente em risco, como esteve anteriormente por causa do doping e de escândalos de corrupção, disse Worden.

“O estatuto olímpico fala sobre a dignidade humana”, disse ele. “Como pode ser compatível com a dignidade deixar a esta discriminação ser aprovada sem nada além de uma leve condenação?”

O Comitê Olímpico dos EUA poderia se ter se unido aos comitês olímpicos de outros países e dizer que não toleraria uma lei discriminatória como esta.

Mas isso não aconteceu. E as autoridades norte-americanas decidiram não falar de forma unilateral. Scott Blackmun, diretor-executivo do USOC, enviou uma nota às autoridades olímpicas dos EUA, dizendo: “embora nós apoiemos fortemente direitos iguais para todos, a nossa missão é a excelência competitiva” e não a militância política.

Os Estados Unidos podem estar relutantes em se pronunciar porque, entre outras coisas, só recentemente reparou suas relações desgastadas com o COI. Larry Probst, presidente do USOC, pretende se tornar um delegado do COI numa eleição no mês que vem. Essa cautela se estende às autoridades olímpicas de todo o mundo uma vez que outra votação deve acontecer para substituir Jacques Rogge, presidente do COI.

Enquanto as autoridades olímpicas estão consumidas pela política interna, os atletas olímpicos ficam com a possibilidade de serem multados, detidos e deportados por violar a nova lei de intolerância da Rússia.

Poderia-se esperar que os funcionários da NBC se pronunciassem com força, uma vez que a rede paga US$ 775 milhões para transmitir os Jogos de Sochi, e seus jornalistas enfrentam a possibilidade de serem processados por abordar a questão da homossexualidade.

Documentaristas da Holanda foram presos em Murmansk, na Rússia, e deportados há duas semanas por violar a lei da propaganda, de acordo com a Human Rights Watch.

“A NBC está preparada para interromper uma transmissão ao vivo, ou não entrevistar nenhum atleta?”, Worden pergunta. “Quão preparados eles estão para uma situação em que alguém usar uma bandeira do arco-íris ou dizer:” Eu apoio o casamento gay?'”

A NBC Universal reiterou nesta terça-feira um comunicado que “apoia veementemente a igualdade de direitos e de tratamento justo de todas as pessoas.”

Recentemente, Marcos Lázaro, presidente do NBC Sports Group, disse aos críticos de televisão: “se ainda for a lei deles e estiver impactando qualquer parte dos Jogos Olímpicos, vamos nos assegurar de reconhecer isso.”

Patrocinadores olímpicos como a Coca-Cola e o McDonalds também têm silenciado publicamente. Na verdade, eles estão financiando Jogos em Sochi que contradizem suas próprias políticas corporativas sobre a discriminação.

Talvez a declaração mais forte tenha vindo vários dias atrás por parte de Richard Carrion, um delegado do COI de Porto Rico, que está tentando suceder Rogge como presidente. No futuro, disse Carrion, a não-discriminação deveria ser uma condição para sediar os Jogos Olímpicos.

Mas será tarde demais para Sochi.

Tradutor: Eloise de Vylder

Jogador de futebol americano se assume e ironiza técnicos que acham que não existem gays em seus times Resposta

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Parece que virou moda assumir ser homossexual no mundo do esporte. Depois do jogador de basquete Jason Collins que causou alvoroço ao assumir sua homossexualidade no mês passado, agora a vez é de Kevin Grayson. O rapaz é jogador do time de futebol americano Parma Panthers da Itália e já foi considerado um dos melhores atletas universitários de um time de futebol americano nos Estados Unidos.

Grayson concedeu uma entrevista ao canal TV CBS na qual revelou que já sofreu preconceito até mesmo por parte dos colegas que não acreditam em sua homossexualidade pela forma física e postura do rapaz. “As pessoas não acreditavam que eu sou gay por ser um atleta. Elas pensavam: o Kevin joga futebol, basquete, pratica corrida… sem chance”, afirmou o jogador.”Esse é o tipo de coisa que, se eu pudesse, voltaria no tempo e perguntaria: por que eu não posso ser um atleta? Por que eu não posso ser um astro do esporte? Por que eu não posso ser o cara que ajuda meu time a vencer e, ao mesmo tempo, ser um homem homossexual?'”, contou o jogador.

Ele revelou ainda na entrevista que os técnicos das seleções de futebol americano são muito ingênuos em acreditar que não existam gays em seus times, e diz ainda ter se divertido muito com as situações já enfrentadas. “As pessoas dizem ‘pare de ser uma princesa, pare de ser um marica… Há técnicos que são muito ingênuos por acharem que não há um atleta gay em seu time. Muitas vezes dei risada disso e me perguntava como seria engraçado se eu contasse para ele da minha orientação”, brincou.

Fonte: Lado A

Obama, Kobe e personalidades apoiam jogador da NBA que assumiu ser gay Resposta

Jason Collins recebeu apoio de diversas personalidades e companheiros de NBA

Jason Collins recebeu apoio de diversas personalidades e companheiros de NBA

A decisão do pivô Jason Collins, que assumiu ser gay na segunda-feira (29/4), causou grande impacto nos Estados Unidos. Rapidamente, o caso ganhou repercussão mundial e muitas pessoas começaram a se questionar sobre como seria a reação dos americanos com o anúncio. No entanto, antes que qualquer teoria homofóbica ganhasse força, diversas autoridades e jogadores da NBA saíram em defesa do atleta e enviaram mensagens de apoio.

Um dos primeiros a se manifestar a favor do atleta foi Barack Obama. O presidente dos Estados Unidos ligou para Collins para demonstrar apoio e dizer ficou impressionado com a coragem demonstrada pelo jogador do Washington Wizards.

Em seguida, o ex-presidente Bill Clinton utilizou sua conta oficial no twitter para apoiar a decisão de Collins e divulgar um comunicado a favor da causa gay.

“Eu espero que todos, principalmente os companheiros de Jason na NBA, a mídia e os fãs, apoiem e demonstrem o respeito que ele merece”, dizia parte do texto assinado por Bill Clinton.

Ainda pelo twitter, diversas personalidades do esporte se manifestaram a favor da atitude de Collins. Lenda do Los Angeles Lakers, Magic Johnson, que recentemente viu seu filho assumir ser homossexual, afirmou que apoia 100% o jogador.

“Jason Collins anunciou que é gay. Eu o conheço e sua família muito bem e o apoio 100%”, postou o ex-atleta.

Outro astro dos Lakers que apoiou publicamente o anúncio de Collins foi Kobe Bryant. Um dos maiores jogadores da atualidade, o camisa número 24 da franquia californiana se disse orgulhoso do companheiro de NBA.

“Orgulhoso de Jason Collins. Não se sufoque por conta da ignorância dos outros”, tuitou Bryant.

Até mesmo personalidades de outros esportes defenderam o pivô do Washington Wizards. A ex-tenista Martina Navratilova, que é uma das grandes defensoras dos direitos LGBT, também aprovou a decisão.

“Muito bem Jason Collins. Você é um homem corajoso e um grande homem. 1981 foi o ano para mim – 2013 é o ano para você”, postou.

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Medo de perder vaga na NBA

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Após o anúncio, Collins, primeiro atleta ainda em atividade a assumir ser gay em um dos quatro grandes campeonatos dos Estados Unidos, afirmou não saber qual será o seu futuro como jogador da NBA e se a liga vai aceita-lo normalmente. Mas a orientação sexual do pivô não deve ser um problema. Rapidamente, o presidente do Washington Wizards, Ernie Grunfeld, divulgou um texto para elogiar o seu comandado.

“Estamos orgulhosos de Jason e apoiamos sua decisão de viver abertamente. Ele tem sido um líder dentro e fora das quadras e um excelente companheiro de equipe ao longo de sua carreira. Estas qualidades vão acompanhá-lo como um jogador e como um modelo positivo para todos, de todas as orientações sexuais”, afirmou.

A situação de Collins pode ficar complicada por outro fator. A partir de julho, o jogador ficará sem contrato com nenhuma franquia. De acordo com um levantamento feito pela imprensa norte-americana, de 14 times procurados em sigilo, seis esperam que o jogador consiga assinar com alguma equipe e jogar sua 14ª temporada na liga, mesmo após assumir a homossexualidade. No entanto, algumas organizações explicaram que a idade do jogador, 34 anos, pode ser um fator decisivo para que nenhum time demonstre interesse em sua contratação.

Collins, que nesta temporada defendeu Boston Celtics e Washington Wizards, está na NBA desde a temporada 2011-02 e possui médias de 3.6 pontos por jogo e 3.8 rebotes.

Informações: UOL

Antes da Internet, torcedores de Grêmio e Flamengo já criaram organizadas para combater a homofobia Resposta

O próprio presidnete do Flamengo, Márcio Braga, na época, atribuiu a derrota por 3 a 0 a uma "praga da Flagay" (Foto: Divulgação)

O próprio presidnete do Flamengo, Márcio Braga, na época, atribuiu a derrota por 3 a 0 a uma “praga da Flagay” (Foto: Divulgação)

A iniciativa de criar uma torcida organizada para combater a homofobia no esporte não é inédita no Brasil. No final da década de 1970, dois grandes times do futebol brasileiro tentaram criar torcidas organizadas formadas por gays. Grêmio e Flamengo criaram as torcidas Coligay e Flagay, respectivamente.

Conhecida como a primeira torcida organizada gay do país, a Coligay foi fundada por Volmar Santos (na época, dono de uma boate LGBT chamada Coliseu) em 1977. No final dos anos 70, a Coligay chegou a ter setenta integrantes. Porém, a torcida acabou sendo hostilizada pelos próprios torcedores da equipe e acabou extinta na década de 1980.

A Flagay também foi criada no final da década de 1970. A torcida foi fundada oficialmente em 1979 pelo carnavalesco Clóvis Bornay. Torcedor do Botafogo, Bornay convocou a torcida flameguista homossexual para ir a uma partida contra o Fluminense. Durante o jogo, os próprios torcedores do rubro-negro hostilizaram a torcida. De acordo com relatos de jornais da época, o próprio presidente do Flamengo, Márcio Braga, atribuiu a derrota por 3 a 0 a uma “praga da Flagay”.

No meio da década de 1990, o ativista Raimundo Pereira (que faleceu em 2006) resolveu reavivar a torcida. Carlos Alberto Migon, que fazia parte da torcida, relembra que a iniciativa era mais voltada ao ativismo do que ao clube: “a nossa proposta era ocupar um espaço prioritariamente hétero. Eu nem gosto muito de futebol. Na verdade, torço até pelo Vasco”.

Com mais de 100 pessoas na época, o grupo foi a alguns jogos nos anos de 1996 e 1997. “As pessoas ficavam surpresas no estádio, como se nós não devêssemos estar ali. Mas nunca sofremos represálias”, explica. Carlos conta que a torcida acabou porque os próprios torcedores se desmotivaram. Em 2003, Raimundo chegou a anunciar a volta da torcida. Mas setores de dentro do próprio clube foram contra a ideia e a volta da Flagay não saiu do papel.

Exterior mostra bons e maus exemplos de tolerância no esporte

No exterior, alguns exemplos mostram que é possível as torcidas organizadas anti-homofobia crescerem no mundo do futebol. Na Grã-Bretanha, existe inclusive uma associação: trata-se da GFSN (Gay Football Supporters’ Network). A associação reúne torcedores de diversos clubes do arquipélago. A página oficial da associação divulga campanhas contra homofobia no esporte e também organiza eventos especiais como a liga de futebol LGBTT.

Por outro lado, homossexuais também sofrem no futebol internacional. Um dos casos mais conhecidos foi o da torcida do Zenit (Rússia), que pediu para o time não contratar gays. A torcida do time de São Petersburgo também é conhecida por diversas ações de intolerância contra negros e latinos.

Fonte: EBC

Iniciativa da Nike promete por homofobia em cheque no esporte Resposta

Liz Carmouche: "Nike, se vocês estão procurando uma atleta gay para patrocinar, eu sou a primeira assumida do UFC. Lutei no primeiro combate feminino do mundo"

Liz Carmouche: “Nike, se vocês estão procurando uma atleta gay para patrocinar, eu sou a primeira assumida do UFC. Lutei no primeiro combate feminino do mundo”

A legalização do casamento gay na França — o país é o 14º a aprovar a união entre pessoas do mesmo sexo — tornou-se mais um passo na busca para acabar com a homofobia pelo mundo. O esporte também trava a sua batalha contra a discriminação. Gay assumido, Rick Welts, presidente do Golden State Warriors, time da NBA, contou em entrevista à gigante da comunicação Bloomberg que a Nike — maior patrocinadora esportiva do planeta — tem apoiado iniciativas de revelação de homossexualidade em público. De acordo com ele, a empresa colocaria em foco as oportunidades positivas que poderiam aparecer a partir disso.

A declaração de Welts à imprensa tem repercutido muito entre atletas. Tanto que a pioneira no UFC feminino Liz Carmouche se apressou em reforçar no twitter ser homossexual. Ela disse que adoraria um novo patrocínio. Na rede social, a lutadora escreveu: “Nike, se vocês estão procurando uma atleta gay para patrocinar, eu sou a primeira assumida do UFC. Lutei no primeiro combate feminino do mundo”. Carmouche, entretanto, não está sozinha nas artes marciais mistas. A transexual Fallon Fox já causou polêmica. Alguns acreditam que ela deveria lutar na categoria masculina, enquanto outros defendem a atuação na categoria feminina.

O especialista em marketing esportivo Paulo Henrique Azevedo define a estratégia da Nike como 90% mercadológica e 10% social. “Pessoas favoráveis a esses movimentos estarão mais simpáticas à empresa, que pode vender mais, mas não sei em que medida isso pode ser um benefício para atletas”, analisa. De acordo com ele, a marca pode, inclusive, acabar financiando a carreira de competidores heterossexuais que se proclamarão gays apenas para conseguir patrocínio.

Na opinião de Azevedo, ser talentoso ainda é suficiente para se obter o patrocínio de uma grande marca. “Se eles apoiarem um atleta ruim que se assumiu gay, isso é puramente mercadológico. O que eles querem é patrocinar alguém que fidelize o cliente”, diz. Os benefícios, de acordo com o especialista, ficam apenas para a empresa. “Talvez alguns atletas não estejam bem em esconder a homossexualidade, mas eu realmente não entendo como uma pessoa pode se beneficiar com a jogada da Nike.”

Anonimato

Enquanto para esportistas assumir a condição de gay tem se tornado cada vez mais comum, o mesmo não acontece entre os torcedores. O anonimato tem sido usado por eles para criar perfis no Facebook com o objetivo de combater o preconceito. Tudo começou com a página “Galo Queer”, no ar há cerca de duas semanas. “Fui ao estádio e fiquei muito incomodada com a naturalidade com a qual a homofobia é tratada e praticada”, conta a criadora do perfil, que não quis se identificar.

O que ela não imaginava era que tantas mensagens de amor e ódio iam se propagar tão rapidamente a partir da sua página. O perfil tem 5 mil curtidas e deu origem a pelo menos mais 10 do gênero. “Ficamos muito felizes de ver que o movimento se espalhou. Pelo visto, havia uma demanda reprimida de um movimento como esse”, explica a internauta. Se por um lado o incentivo anima, por outro, a violência ainda assusta. “Foram muitas as mensagens de ódio, muitas ameaças.”

A ideia é que o movimento chegue aos estádios e às torcidas organizadas. “Temos que fazer isso de forma segura, então, acreditamos que esse ainda não é o momento. Trabalhar a questão com o clube também está entre as nossas vontades. Vamos ver se dá certo”, comenta.

Se uma página chamada “Galo Queer” já criou tanta controvérsia, imagine a “Bambi Tricolor”, criada por uma são-paulina para combater o preconceito contra torcedores da equipe do Morumbi. No perfil, Aline — que prefere não divulgar o sobrenome — escreveu: “Se, até agora, Bambi foi um apelido usado para discriminar, por que não adotá-lo com orgulho e desarmar o preconceito?”

Aline conta que não tem sido fácil administrar as reações dos torcedores. “Tem gente achando que eu sou corintiana, ofendendo, mas acho que foi muito positivo o uso da palavra ‘Bambi’. É um jeito de neutralizar as ofensas”, comenta a professora. Ela se diz assustada com a violência nos estádios. “Senti na pele a homofobia naturalizada. A aversão está lá. O futebol ainda é machista e homofóbico.”

Para o criador da página Bahia Livre, que também não quis se identificar, o anonimato ajuda na hora de promover uma torcida sem homofobia. “É um ambiente que dá segurança para iniciar essa luta, mantém o anonimato dos integrantes, mas uma hora precisaremos nos organizar presencialmente”, afirma.

Opinião

A iniciativa da Nike é excelente, pois incentivar atletas a saírem do armário é dar exemplo à sociedade de que os LGBTs são seres normais, como os heterossexuais. Esses atletas também servirão como exemplo para milhares de pessoas que sofrem discriminação e como referência a jovens e crianças LGBTs.

Campanha mineira contra homofobia no futebol tem adesão de corintianos e palmeirenses Resposta

"Corinthians Livre" é a página do facebook criada por torcedores contra homofobia

“Corinthians Livre” é a página do facebook criada por torcedores contra homofobia

Se no primeiro dia da união de torcedores de Atlético-MG e Cruzeiro numa campanha pelo facebook contra a homofobia, os grupos “Galo Queer” e “Cruzeiro anti-homofobia” enfrentaram forte resistência de torcedores, nesta sexta-feira (12/4) a medida começou a ser melhor aceita. Tanto que recebeu apoio de dirigentes dos clubes mineiros e de parte das torcidas de Palmeiras e Corinthians, que aderiram ao movimento.

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A criadora do movimento do Cruzeiro, que pediu para não se identificar, por temer a reação de outros torcedores, reconhece que já esperava a repercussão negativa. “Estamos cientes que existirão torcedores que apoiarão e torcedores que não apoiarão a iniciativa. Os mais conservadores tendem a ser até mais agressivos na forma de expressar a sua opinião contrária, ora porque são contra o movimento, ora por medo de a página ser motivo de piadas preconceituosas de rivais contra o nosso time”, disse.

Palmeirenses também aderiram ao movimento iniciado por torcedores de Atlético-MG e Cruzeiro

Palmeirenses também aderiram ao movimento iniciado por torcedores de Atlético-MG e Cruzeiro

“O nosso objetivo é justamente esse, mostrar que a orientação sexual diferente não é mais motivo de ofensa ou xingamento. Atualmente, não cabe mais esse tipo de ‘brincadeira’, até porque existem muitos torcedores homossexuais que acompanham o time de coração tão fielmente quanto torcedores heterossexuais”, acrescentou a criadora da página celeste no facebook, que foi inspirada na iniciativa atleticana.

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Se a repercussão foi negativa com torcedores de Atlético e Cruzeiro, as torcidas de Palmeiras e Corinthians apoiaram a ideia e também criaram páginas no facebook sobre o mesmo tema. “Movimento anti-homofobia e anti-sexismo, destinada à torcida mais fanática do Brasil. Mostrando a todos que o preconceito deve ser extinto também nos estádios de futebol”. Este é o texto de abertura da página “Corinthians Livre”. Com o mesmo argumento, os torcedores alviverdes criaram a página “Palmeiras Livre”

O movimento contra a homofobia ganhou apoio também dos dirigentes dos dois clubes mineiros, Cruzeiro e Atlético. O diretor de futebol alvinegro Eduardo Maluf se posicionou favoravelmente. “Não sabia, pois não tenho facebook, mas sou totalmente a favor de qualquer manifestação. Se juntaram as duas torcidas rivais, sou ainda mais a favor”, disse o dirigente ao UOL Esporte.

A diretoria celeste informou, por meio de sua assessoria de comunicação, concordar com esse tipo de atitude e com as ações dos torcedores, mas ressalvou que não está envolvido na criação do grupo. Já o atacante Anselmo Ramon evitou comentar. “Não sou contra isso, acho que todo mundo tem direito de ser o que quer. Não fico me envolvendo nisso, mas respeito todo mundo”, comentou.

Inspiração na torcida rival

A idealizadora do movimento pelo lado cruzeirense reconheceu que se inspirou na página do maior rival, o “Galo Queer”, cuja página foi criada na última terça-feira. O nome escolhido, “Galo Queer”, faz referência ao termo inglês que significa algo estranho, fora do comum ou padrões, mas é utilizado pelos nativos do país para se referir a homossexuais.

A torcedora celeste defende a necessidade desses posicionamentos. “Frente à realidade do Brasil hoje, com as declarações polêmicas de pastores famosos como o Marco Feliciano e o Silas Malafaia e tendo em vista o preconceito que existe no futebol,  mostrou-se necessária a criação de um canal que lute contra isso também nesse âmbito que é o esporte”, justificou.

“A Manifestação e indignação das pessoas são e sempre foi muito importante para acabar com a intolerância e o preconceito. E não podemos mais tolerar a falta de respeito e tudo que incite à violência no futebol”, acrescentou a torcedora cruzeirense.

Ela, porém, afasta a possibilidade de o grupo se estender para o campo e virar torcida. “Não, de maneira alguma. O nosso objetivo não é criar uma nova torcida, mas fazer com que haja respeito entre as torcidas, principalmente em relação à orientação sexual dos torcedores”, destacou.

A torcedora celeste aprova a participação de outras torcidas. “É importante que, além de cruzeirenses e atleticanos, cada torcida crie essa iniciativa para que possamos mudar essa realidade brasileira, especialmente nos estádios, afinal, acima de tudo, somos todos iguais, somos seres humanos”, complementou.

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Torcedores de Atlético-MG e Cruzeiro se “uniram” em prol de uma boa causa: lutar contra atitudes homofóbicas, presentes constantemente no meio futebolístico. Por meio das páginas “Galo Queer” e “Cruzeiro/Anti-homofobia” no Facebook, fãs das duas maiores equipes de Minas querem promover o debate sobre o assunto e também criar ações críticas contra o preconceito. A ideia surgiu do lado atleticano, com a criação da página na última terça-feira (9/4).

Oito marcas brasileiras declaram apoio ao casamento gay

Quatro marcas internacionais declaram apoio ao casamento gay

O nome escolhido, “Galo Queer”, faz referência ao termo inglês que significa algo estranho, fora do comum ou padrões. Mas é utilizado pelos nativos do país para se referir aos gays. Na quinta-feira, inspirados na ideia atleticana, cruzeirenses também criaram uma página semelhante, chamada “Cruzeiro/Anti-homofobia”. Os criadores, por meio da apresentação das duas páginas, disseram torcer pelas duas equipes, mas não revelaram a identidade.

Como em outros estados, em Minas Gerais, é comum atleticanos e cruzeirenses apelidarem preconceituosamente rivais. Aqueles que torcem pelo Atlético, por exemplo, costumam apelidar adversários de “marias”. Enquanto os torcedores celestes chamam os alvinegros de “rosanas”.

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Este tipo de comportamento só contribui para a intolerância e para atos violentos e preconceituosos, segundo os organizadores das duas páginas nas redes sociais. Até o final da noite, as páginas atleticana e cruzeirense tinham, respectivamente, 2400 e 400 “curtidas”.

A cruzeirense Isabela Oliveira, 24 anos, fez questão de curtir as duas páginas. “Eu fui criada dentro do Mineirão. Para mim, desde pequena, sempre foi normal xingar os atleticanos como “veados”, “bichas”, “frangas” e ouvir isso da outra torcida em relação à torcida do Cruzeiro. Mas os tempos estão mudando e a homofobia está cada vez mais em evidência. Muitas das pessoas usam esses xingamentos sem pensar que, realmente podem ter gays nas torcidas”, afirmou.

Bióloga, ela acha que os movimentos surgiram muito motivados pelas declarações preconceituosas do presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, deputado Pastor Marco Feliciano. “Porque um gay não pode torcer? São pessoas, apaixonadas por um propósito (o time) e não fazem mal a ninguém. Só querem ser respeitadas. Eu estou orgulhosa do movimento Cruzeiro/ Anti-homofobia e do Galo Queer, que foi o que começou. Precisou de um pontapé”, opinou.

O torcedor do Atlético, Luiz Souza Júnior (28), advogado, considerou a atitude positiva e espera que ganhe mais repercussão. “Toda forma de se manifestar é positiva, desde que não seja desrespeitosa coisa que não é. Lutar contra a discriminação e homofobia é algo importante que a nossa sociedade deveria se juntar para fazer. O futebol, como principal esporte do país e que reúne todos os estilos de pessoas é um bom canal social para isso”, observou.

O sociólogo da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e especialista em violência contra LGBT, Moisés Augusto Gonçalves, considera positiva a iniciativa e ressalta o papel importante das torcidas organizadas na execução de projetos que visem promover a diversidade.

“Estamos no mundo das redes sociais, em que temos a possibilidade de articulação, de contato e mobilização. Considero positivo este tipo de atitude, só tenho que parabenizar. Estamos pensando em um lugar de encontro, que não só possibilita o encontro de pessoas, mas como também a possibilidade da discussão”, analisou. “As torcidas têm essa dimensão, também, plural, da busca por direitos e deveres, e também pela diversidade”, acrescentou.

Polêmicas e mudança de atitude

Entretanto, não foram todos que aprovaram a criação. Na página atleticana, por exemplo, o escudo do Atlético foi modificado com as listras verticais em branco e preto sendo substituídas por outras cores. A ideia não agradou aos atleticanos, que disseram que a mudança teria sido feita por cruzeirenses.

“Boa noite, por favor tenha respeito ao escudo do Clube Atlético Mineiro, se você tem ideologia liberalista quanto simbologia sexual, faça o seu movimento sem o escudo e o nome do clube. Tire o escuto do Atlético Mineiro urgente ou aproveite e exclui a pagina”, escreveu Alexandre Moreno na página do movimento no Facebook.

Criação da página no facebook de combate à homofobia estimulou o debate do tema via twitter

Criação da página no facebook de combate à homofobia estimulou o debate do tema via twitter

A criação e divulgação do “Galo Queer” criou uma onda de revolta e polêmica por parte dos atleticanos no twitter. Vários torcedores resolveram se mostrar contra a iniciativa e chegaram a atribuir o fato à torcida do Cruzeiro, que teria criado o perfil no Facebook.

“Por que a GaloQueer apareceu só agora? Pegar o embalo que o Galo se encontra hoje? Pra aparecer, sei lá”, escreveu David Galo Vingador , no twitter. “Futebol sempre foi coisa máscula. Machismo ou não, sempre foi. Eu não concordo, não quero, e nem aceito esse tal de GaloQueer. Me respeitem”, disse João Paulo Cheab.

Por outro lado, outros torcedores do clube mineiro mostraram contentamento com a campanha e deram força para a criação. Como Gustavo Bicalho. “Viva o movimento Galo Queer! Iniciativa mais bonita e corajosa dos últimos anos no futebol. # Galoqueer”. Elen Campos também aprovou a ideia. “E em apenas dois dias, a Galoqueer fazendo sucesso no Facebook. Que orgulho!”, postou.

Fonte: UOL Esportes

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Torcedores do St. Pauli se manifestam contra homofobia, em apoio a Robbie Rogers Resposta

Manifestação dos torcedores do St. Pauli contra homofobia

Manifestação dos torcedores do St. Pauli contra homofobia

Quando alguém te disser que o alemão St. Pauli é o clube mais legal do mundo, acredite, porque é verdade. Um dia após a entrevista de Robbie Rogers, jogador americano que se declarou gay e disse ser impossível continuar no futebol depois disso, os torcedores do time da segunda divisão alemã fizeram uma manifestação nas arquibancadas contra homofobia e em apoio ao jogador. Sim, é isso mesmo. E olha que Rogers não passou nem perto de jogar no time – o americano jogou na Holanda, Inglaterra e nos Estados Unidos.

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Foi no jogo contra o Paderborn, no domingo. Os cartazes fazem apologia ao casamento gay e trazem balões coloridos e mensagens de apoio aos gays, banners com arco-íris e uma mensagem que dizia: “Futebol é tudo, até gay”. E é bom lembrar que o St. Pauli foi o primeiro clube a ter um presidente assumidamente homossexual, Cornelius Littmann, conhecido como Corny Littman.

O jogo acabou 2 a 2. Tudo igual. Como a torcida do St. Pauli acha que tem que ser em relação aos gays. Que todos tenham direitos iguais de praticar seus esportes, ter suas profissões e poder manifestar sua sexualidade como quiser. Veja o vídeo:

Jogador de futebol, Robbie Rogers, assume ser gay e se aposenta aos 25: “Impossível continuar” Resposta

Robbie Rogers deu entrevista ao jornal Guardian e posou para fotos. Depois de abandonar o futebol, ele pensa em seguir nova carreira no mundo da moda (Foto: Tom Jenkins/Guardian)

Robbie Rogers deu entrevista ao jornal Guardian e posou para fotos. Depois de abandonar o futebol, ele pensa em seguir nova carreira no mundo da moda (Foto: Tom Jenkins/Guardian)

Um jogador de futebol abandonar a carreira aos 25 anos é sempre um fato surpreendente. Mas essa foi a decisão de Robbie Rogers, americano que atuava na Inglaterra. O motivo? Ele assumiu que é gay em fevereiro. Quantos jogadores gays assumidos jogam profissionalmente? Os que jogam estão escondidos sob o medo. Um medo justificado e isso fica evidente no relato de Robbie Rogers, que jogou por Columbus Crew, dos Estados Unidos, Heerenveen, da Holanda, Leeds e Stevenage, da Inglaterra.

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“No futebol é obviamente impossível se assumir gay”, disse o jogador, de 25 anos, em entrevista ao jornal Guardian. “Imagine ir para o treino todos os dias e estar com esse holofote?”, comentou o jogador. “É um circo todo dia”. Rogers relatou que a reação dos companheiros de time era um problema que ele tinha que lidar por ter revelado ser gay enquanto sua carreira ainda estava em curso.

Nascido em Rancho Palos Verdes, na Califórnia, o jogador começou a carreira no Orange County Blue Star antes de se transferir para o Heerenveen, da Holanda. Jogou então no Columbus Crew entre 2007 e 2011, onde chamou a atenção do Leeds, que o contratou em 2012. Sem conseguir ter sequência de jogos por suas lesões, foi emprestado ao Stevenage, mas também não conseguiu sucesso. Acabou dispensado em janeiro. Rogers foi parte do elenco da seleção dos Estados Unidos na Copa Ouro de 2011. O meia-atacante não entrou em campo naquele torneio, mas jogou 18 partidas pela seleção americana e marcou dois gols.

“As coisas irão mudar. Haverá jogadores gays”

“Eu sei que as coisas irão mudar. Haverá jogadores gays. Eu só não sei quando e como e quanto tempo levará”, afirmou o americano. “O próximo passo é como criar uma atmosfera onde homem ou mulher sintam que não há problema em assumir sua sexualidade e continuar a jogar? É uma grande pergunta”, disse ainda o agora ex-jogador. “O futebol tem muita história. É um grande esporte com muita cultura e tradição. Mas eu estou otimista que haverá mudanças”, disse, esperançoso, Rogers.

Tomar a decisão de se assumir gay em um meio onde isso não é bem aceito é um desafio que fez Robbie Rogers hesitar antes de se decidir por sair do armário. “Eu tive medo sobre como meus companheiros iriam reagir. Isso os faria mudar?”, contou Rogers. “Mesmo eu sendo a mesma pessoa, isso iria mudar o modo como eles agem comigo quando estamos no vestiário ou no ônibus?”, disse ainda o americano.

“Adicionar o aspecto gay não torna as coisas mais fáceis”, disse Rogers, que admitiu que não sabia se aguentaria ter que aguentar as possíveis ofensas que ele ouviria se continuasse jogando. “Eu posso ser forte o suficiente, mas eu não sei se isso é o que realmente quero. Eu quero apenas ser um jogador de futebol. Eu não quero lidar com o circo. As pessoas virão me ver só por que sou gay?”, desabafou.

Em entrevista ao New York Times, Rogers falou sobre uma das questões que são sempre faladas como um impeditivo aos jogadores gays: o momento de tomar banho no vestiário. “Eu tomei banho com homens no vestiário a minha vida inteira. E eu nunca fiquei excitado, como “Oba, é hora de tomar banho com os caras”. Não é assim. Não há interesse. Você não pensa em caras do seu time desse jeito. Simplesmente não pensa”, contou.

Ele contou que desconfiava ser diferente dos garotos que conhecia aos 10 anos e que com 14 tinha certeza que era gay. Mas tentou evitar que isso fosse revelado a público. Ele não contou para ninguém. Ninguém da sua família sabia, nem seus amigos mais próximos. “Eu sou um católico, conservador, jogador de futebol e gay”, disse, mostrando por que ele tinha receio de revelar a sua sexualidade. “Imagine viver o tempo todo com uma cãibra no estômago. Eu ficava pensando, eu espero que eu não faça nada que faça as pessoas pensarem ‘o Robbie é gay?’”, contou. “Eu nunca estive perto de me assumir antes. Nunca. Eu nunca fui a nenhum bar gay, nunca fiquei com um cara. Era tão pouco saudável e tão ruim me sentir assim. Dois anos atrás, eu pensava que nunca iria assumir na minha vida inteira”.

“Eu pensei em pegar um avião para casa e contar a todo mundo, mas eu precisava apenas fazer isso e tirar do meu peito”, conta. “A única vez que eu realmente chorei durante todo esse processo foi quando eu contei à minha mãe e ele disse apena: ‘Robbie, nós não nos importamos com isso. Nós amamos você’”.

Preocupação com a repercussão na carreira

Rogers também se preocupava com a reação dos torcedores e da imprensa sobre o fato de ele ser gay. “Se estivesse jogando bem, os relatos seriam: ‘O jogador gay está jogando bem’. E se eu jogasse mal, seria: ‘Ah, aquele cara gay, ele está com problemas porque é gay’”, avaliou o agora ex-jogador, que irá tentar ganhar a vida no mundo da moda. Ele é dono de uma marca de roupas masculinas, a Halsey.

Apesar de todos os problemas que tem que enfrentar um jogador que assume ser gay, Rogers não acredita que o esporte seja homofóbico. “Não acho que o futebol é homofóbico. Mas claramente há algo ali. Porque ninguém estendeu a mão. Nenhum outro jogador disse que era gay. Então definitivamente ainda há trabalho a ser feito, certo?”, concluiu.

A constatação de Rogers é clara. Não é o primeiro caso de jogador gay, mas é evidente que a reação do mundo do futebol a isso ainda está longe do ideal. O ambiente é masculinizado e machista e há um excesso de preocupação com um jogador gay, como se isso fosse interferir no time.

O preconceito ainda é forte em ambientes como o futebol, muito machistas e onde a força física e virilidade são vistos com bons olhos – e são características não associadas aos gays, por um preconceito que homossexuais do sexo masculino são afeminados, algo que não tem embasamento algum.

Está na hora de superar isso. Mas esse não é um problema só do futebol. Esse é só um exemplo de uma sociedade que ainda tem problemas em reconhecer liberdades individuais. Há gays em qualquer área profissional e isso não é problema algum. A qualidade do jogar dentro de campo não é influenciada pelo fato do jogador ser heterossexual ou homossexual. O que deveria importar é apenas o desempenho em campo. Será que um dia só isso já será suficiente?

Informações: Trivela

Dana considera lutadora transexual ‘longe de estar no UFC’ Resposta

Fallon Fox, a lutadora transexual que buscareconhecimento (Foto: Divulgação/Site Oficial)

Fallon Fox, a lutadora transexual que busca
reconhecimento (Foto: Divulgação/Site Oficial)

Na semana passada, a batalha da lutadora transexual Fallon Fox para ser liberada para lutar entre as mulheres ganhou as manchetes do mundo inteiro. O presidente do UFC, Dana White, foi indagado sobre as chances de a lutadora de 37 anos chegar ao Ultimate e se tornar a primeira transexual a atuar na organização. O dirigente, todavia, não vê isso acontecendo tão cedo.

– Entenda isso primeiro: todo mundo que Fallon Fox enfrentou tem um cartel negativo. Então antes de você pensar em lutar ou não no UFC, ou se ele era um homem e agora era uma mulher, ele está enfrentando garotas que tem mais derrotas que vitórias.Antes de você ficar todo louco sobre ele lutar ou não no UFC, ele está tão longe de estar no UFC que não tem nem graça – comentou White, em entrevista ao programa de rádio “Abe Kanan Show”.

Fonte: SporTV.com

Primeira lésbica assumida do UFC quer diminuir a homofobia nos esportes 1

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Quando Dana White anunciou a rival da campeã Ronda Rousey para a estreia das mulheres no UFC, muita gente torceu o nariz: quem é Liz Carmouche? Com um cartel de dez lutas e oito vitórias, não era das mais famosas, mas ela não está se importando com isso. Ela gosta de ser azarona, quer pegar uma carona no sucesso de sua rival para levar suas ideias ao grande público e chocar o mundo com uma vitória contra a favorita.

Mais que isso, Liz quer usar sua luta no UFC 157, neste sábado (23/2), em Anaheim (EUA), como palanque para a maior de suas bandeiras depois do MMA. Lésbica assumida há muitos anos, Carmouche vai aproveitar os holofotes para tentar reduzir a homofobia dentro do MMA.

“Estou recebendo um grande apoio da comunidade gay, elogiando meu trabalho. Eu realmente acho que posso ajudar a diminuir o preconceito contra homossexuais nas lutas e nos esportes em geral. Não esperava ter essa missão, liderando a comunidade homossexual, mas eu aceitei e espero fazer bem esse trabalho”, explicou a lutadora ao blog.

E ela ganhou o apoio para isso dentro do próprio UFC. Acusado algumas vezes de ser homofóbico, o presidente Dana White fez questão de elogiar a postura da lutadora. “Eu a aplaudo por ter se revelado e por ser a primeira [lésbica do UFC]. Bom para ela. Espero que mais o façam. Não me incomoda nem um pouco. Não devia incomodar ninguém.”

O UOL conversou em duas oportunidades com a lutadora no final do ano passado, em Las Vegas, na época no UFC 155. A primeira e mais interessante foi em um jantar com a imprensa da América Latina promovido pelo evento. Maquiada e muito bem vestida em traje social, ela não conseguia esconder o incômodo com a aquilo. Tímida no começo, era o centro das atenções, todo mundo queria falar com ela.

Depois de uns 30 minutos, estava mais solta e não pensava duas vezes antes de revelar detalhes de sua vida pessoal. Militar de carreira, a lutadora nascida no Japão contou que a namorada não gosta de lutas e de MMA, não vê e não deixa ninguém em casa ver. Sua mãe é uma pacifista convicta, “uma hippie de verdade”, e ela divide sua paixão pelas lutas com a pintura abstrata.

Dois dias depois, pouco antes do UFC 155, falei com ela um pouco mais sobre a luta em si – e sobre a questão da homofobia fala acima. Confira os melhores momento.

Como você recebeu a notícia da luta contra a Ronda? Eu estava tomando café da manhã, tomando meu café. Pensei: ‘Ligando a essa hora, ou é uma notícia muito boa, ou é uma notícia muito ruim’. Foi algo realmente inacreditável.

Mas você já esperava por ela? Não esperava ser chamada. Estava amolando o Dana White no Twitter, no Facebook, meus seguidores e fãs também. Foi uma reação muito rápida. Não esperava.

Como encarar o favoritismo da Ronda? Eu estou superpreparada. Desde que desliguei aquela ligação eu comecei a me preparar. Estou pronta para ser campeã. Acho que meu treino e minha experiência vão me levar ao título. Estou pronta para mostrar que eu sou uma lutadora mais completa.

Você disse cola as fotos de suas rivais para mentalizá-las para a luta. Fez o mesmo com a Ronda? Não preciso de uma foto dela para mentalizar. Ela está em todos os lugares. (Risos) Assisti muitas vezes aos vídeos das lutas dela. Não são muitos e estou fazendo um trabalho incrível em cima deles.

E como é encarar as críticas sobre vocês não mereceram fazer uma luta principal? Não é frustrante esse questionamento, eu mesmo fiquei surpresa quando ele me falou que valeria título e que seria uma luta principal, mas desde o começo ele me mostrou o quanto isso era importante e o quanto as pessoas vão se impressionar.

Torcida santista hostiliza Ganso com manifestação homofóbica Resposta

Manifestação homofóbica da torcida santista

Manifestação homofóbica da torcida santista

A torcida santista criou um clima hostil para Paulo Henrique Ganso na Vila Belmiro. Os torcedores chegaram ao local com gritos, xingando o jogador, e ofensas em faixas. Uma delas, armada na sede de uma torcida organizada do clube ao lado da Vila exibia a figura de um cisne ao lado de uma nota de R$ 100.

A faixa foi interpretada como homofóbica pela Polícia Militar que impediu o acesso ao estádio. A torcida santista prometeu picotar a faixa com a tentativa de a transformar em um mosaico para entrar na Vila e exibir a manifestação.

A PM trabalha com alto risco de problemas com o torcedor santista por conta da volta de Ganso ao estádio. Por conta disso, o policiamento foi reforçado, e oficiais foram designados para conversar com o camisa 8 do São Paulo pouco antes do jogo na tentativa de pedir para que o mesmo não provoque o torcedor.

“Reforçaremos a parte onde fica a Torcida Jovem (principal organizada santista) para evitar que joguem objetos e fiquem próximos do jogador, mas teremos uma conversa com ele antes do jogo. Vamos concientizá-lo que não pode incitar a violência, esperamos que entenda”, afirmou o capitão responsável pelo policiamento, Alexandre Antonelli.

Em meio ao clima hostil no estádio, chamava a atenção o vendedor ambulante Dirceu. Ele trajava uma camisa do Santos com a figura de Paulo Henrique Ganso na frente ao lado de Neymar e Pelé.

“Não tenho medo. A torcida do Santos tem que entender que esse é um ídolo nosso, e temos que saber respeitar”, disse o vendedor de camisas e faixas do Santos. “Ninguém reclamou, mas as vendas não estão boas. Talvez seja por isso”, complementou Dirceu.

Ganso trocou o Santos pelo rival São Paulo por cerca de R$ 24 milhões em setembro do ano passado. Esse é o primeiro duelo que o jogador faz contra o ex-clube.

Jogador da NFL fará trabalho voluntário após declarações homofóbicas Resposta

Chris Culliver dá declarações antes do Super Bowl; jogador entrou em controvérsiaFoto: Getty Images

Chris Culliver dá declarações antes do Super Bowl; jogador entrou em controvérsia
Foto: Getty Images

Cornerback ( jogador de secundária ou também defensive back field do futebol americano) do San Francisco 49ers, o americano Chris Culliver terá de fazer trabalho voluntário e frequentar aulas de reeducação depois do Super Bowl (jogo do campeonato da National Football League (NFL) americana que decide o campeão da temporada do ano anterior) que opôs a equipe e o Baltimore Ravens pelo título da NFL neste domingo, em Nova Orleans. O jogador em questão se envolveu em uma controvérsia por declarações homofóbicas.

Culliver se tornará um voluntário do Trevor Project, organização sem fins lucrativos que trabalha com esforços na prevenção de suicídio entre jovens gays, lésbicas, bissexuais travestis e transexuais.

Segundo informou à agência AP o representante de relações públicas de Culliver, Theodore Palmer, o atleta “é muito apaixonado pela juventude e pelo conforto das pessoas” e “está empolgado para aprender” com o projeto.

A decisão foi tomada porque na última terça-feira (29/1), questionado pelo comediante Arte Lange se havia jogadores gays no elenco dos 49ers, o cornerback negou e disse que, se houvesse algum , deveria sair da equipe.

Bastante criticado pelas declarações, Culliver pediu desculpas, por meio de um comunicado divulgado pelos 49ers. “Esses sentimentos discriminatórios não estão realmente no meu coração”, disse ele.