Polícia diz que versão de suspeito de mortes na Oscar Freire é ‘fantasiosa’ Resposta

O Assassino Lucas Rosseti. (Foto: Reprodução)
Lucas Rosseti alegou ter sido dopado e legítima defesa para matar analista. Jovem foi ouvido por 11 horas em São Paulo, mas não convenceu delegado.’

Após ser ouvido durante 11 horas, Lucas Rosseti, de 21 anos, apontado pela Polícia Civil como o principal e único suspeito de matar o analista de sistemas Eugênio Bozola, de 52 anos, e o modelo Murilo Rezende, de 21, na semana passada em um apartamento na Rua Oscar Freire, nos Jardins, em São Paulo, deu um depoimento que não convenceu a investigação do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

O delegado Mauricio Guimarães Soares, divisionário do DHPP, classificou como ‘fantasiosa’ a versão apresentada por Rosseti de que ele só esfaqueou e matou o analista para se defender e que foi Bozola quem matou o modelo a facadas. “É uma versão fantasiosa, mas é um direito constitucional dele dizer o que ele bem entende”, afirmou o delegado Soares, na madrugada desta quarta-feira (31), na capital paulista. Segundo o policial, o jovem não informou em sua tese qual teria sido o motivo que levou o analista a querer matar ele e Rezende.

Rosseti chegou ao DHPP durante a tarde de terça-feira (30). Ele entrou algemado e acompanhado de seus advogados. Após o depoimento, o suspeito foi levado para a carceragem do 77º Distrito Policial, em Santa Cecília, na região central, onde ficará em cumprimento a decretação da sua prisão temporária de 30 dias determinada pela Justiça.

Legítima defesa

A alegação de legítima defesa relatada por Rosseti já havia sido dita aos jornalistas na segunda-feira (29) em Sertãozinho, onde o suspeito foi preso pela polícia após ter ficado escondido desde o dia do crime. Para o DHPP, que investiga o caso, as vítimas foram mortas pelo suspeito entre a noite de segunda e a madrugada de terça. O motivo do crime teria sido um desentendimento entre eles por causa do tempo de permanência do jovem no apartamento do analista.

Peritos da Polícia Técnico-Científica realizam exames para saber se elas foram dopadas. O resultado dos testes ainda não é conhecido. A perícia trabalha com a hipótese de Rosseti ter dado remédio para Bozola e Rezende dormirem.

Mas ao ser interrogado pelo DHPP, Rosseti também afirmou ter sido dopado. E reforçou que quem o fez dormir foi o analista. “Ele [Rosseti] disse que tomou um suco, esse suco estaria com um remédio, enfim, ‘boa noite cinderela’, né? Como ele tomou pouco suco ele acordou antes da hora e viu o modelo sendo esfaqueado já com o saco plástico na cabeça. E aí o dono do apartamento se voltou contra ele, né? Já que pela tese dele ele seria a segunda vítima. E ele conseguiu não ser agredido e, muito pelo contrário, tomar a faca dele e reverter a agressão”, contou o delegado Soares.

“Os ferimentos que ele tem nas mãos e no braço são ferimentos típicos de quem se defendeu de um ataque de faca. Então a perícia é que vai demonstrar”, justificou o advogado César Augusto Moreira.

Investigação

O DHPP, no entanto, não acreditou na tese sustentada pelo suspeito e defendida por seus advogados. Segundo a investigação, Rossetti deixou Igarapava, no interior do estado, onde morava, para ficar uma semana como hóspede de Bozola em São Paulo. De acordo com a polícia, as vítimas e o assassino tinham ido a uma pizzaria e a uma boate gay no fim de semana antes do crime. Câmeras de segurança gravaram os três, que estavam acompanhados de outras pessoas.

Como o jovem queria permanecer mais tempo, teria discutido com o analista e decidiu matá-lo entre os dias 21 e 22. Para não ser impedido, também resolveu matar o modelo. Após o crime, Rosseti fugiu do prédio com o carro de Bozola. O veículo foi encontrado no último domingo (28) em Sertãozinho. O jovem foi detido no dia seguinte na mesma cidade.

A investigação policial deve concluir que Rosseti vai responder pelo duplo homicídio e por roubo. Além do veículo da vítima, outros objetos foram encontrados com o suspeito. “No local onde ele estava escondido, no interior, encontramos roupas e tênis de marca que ele pegou no apartamento. Também apreendemos o computador que ele subtraiu do apartamento. A princípio, o indiciamento será por latrocínio”, disse Soares.

Segundo o delegado, o jovem pode ser indiciado por latrocínio (roubo seguido de morte). A prisão preventiva dele deverá ser pedida apenas com a conclusão do inquérito. O suspeito não tinha antecedentes criminais.

* Com informações do G1.

Mãe de suspeito de mortes na Oscar Freire pede perdão às famílias das vítimas, mas diz que seu filho agiu em legítima defesa 1


A mãe de Lucas Rosseti, de 21 anos, apontado pela Polícia Civil como o principal e único suspeito de ter matado o analista de sistemas Eugênio Bozola, de 52, e o modelo Murilo Rezende, de 21, na semana passada em um apartamento na Rua Oscar Freire, nos Jardins, em São Paulo, pediu desculpas aos parentes das vítimas em entrevista ao ”G1“ concedida na manhã desta terça-feira (30). Apesar disso, Andréia Zanetti de Mendonça, de 39 anos, que trabalha como motorista no interior do estado, disse que acredita que seu filho agiu em legítima defesa. Ela afirmou ainda que ele jamais agrediu gays.


Veja p vídeo da entrevista clicando aqui.


Rosseti havia fugido da cena do crime com o carro de Bozola, que era proprietário do imóvel onde o jovem esteve hospedado por uma semana. O veículo foi achado no domingo (28) em Sertãozinho, no interior de São Paulo. O rapaz acabou preso no dia seguinte na mesma cidade, que fica perto de Igarapava, município onde nasceu e conheceu o analista. O suspeito foi transferido nesta tarde à capital paulista, por volta das 15h15, onde será interrogado na sede do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). A investigação aguarda exames periciais para saber se as vítimas foram dopadas antes de serem mortas. “Queria aproveitar porque de todas as reportagens que eu vi ninguém mostrou que eu entendo a dor das outras famílias, que eles estão sofrendo também com tudo isso. Pedir perdão, se alguma coisa… se eu puder. Mas que eles entendam, que eu, como mãe, também estou sofrendo tanto quanto eles. Porque o que vai acontecer com meu filho eu não sei, é muito duro”, disse Andréia de Mendonça, que conversou na manhã desta terça-feira (30) com a equipe de reportagem do ”G1“ no escritório do advogado de seu filho, Ademar Gomes, na região central de São Paulo.





A defesa sustenta a tese de que Rosseti matou Bosola para se defender, e que o analista foi quem matou Murilo. Ademar Gomes também afirmou que seu cliente alega ter sido dopado.



A mãe de Rosseti chegou à capital paulista na segunda-feira. Saiu de Igarapava, onde mora, com o filho mais novo e a mãe. O suspeito morava com a avó materna para que ela não ficasse sozinha. O pai é ausente, segundo Andréia, que afirmou que o advogado aceitou que ela pagasse o que pode para ele defender o jovem.Demonstrando abatimento, a mãe respondeu a todas as perguntas feitas pelo ”G1“. Não se esquivou nem quando foi questionada se o seu filho deveria ser responsabilizado pelo que fez.



“Infelizmente. É a lei, né? É a lei. Só espero o melhor. Eu como mãe peço a Deus que aconteça o melhor. Que tenha uma explicação para tudo isso. Que realmente tenha sido uma legítima defesa. Até o meu sonho era que um milagre acontecesse e ele não tivesse participado de nada disso. Mas respondendo a sua pergunta, se ele fez, a Justiça tem de ser feita e ele tem que responder”, afirmou Andréia. “Eu tenho que entender, é a lei. Se ele cometeu um crime tem que pagar por ele.”


A motorista contou que acredita na versão de que Rosseti só matou Bozola para se defender de um suposto ataque. “Eu imagino, né? Por ele estar com as mãos machucadas, e por conhecer a índole do meu filho, não sei de maneira alguma o que aconteceu, infelizmente não tenho ideia, mas eu acredito que tenha sido legítima defesa. Ou vai ser a minha vida ou da pessoa”, disse Andréia.



A motorista disse que não vê o filho desde o dia do crime. Até então, afirmou que só havia telefonado para ele antes dos assassinatos, no dia 21, para dar os parabéns por seu aniversário, e depois, quando ele foi preso. “Falei por telefone. Ele só disse para eu ficar tranquila, que estava tudo bem. Eu disse que amava ele, que eu estava aqui esperando quando ele chegasse. ‘Não preocupa mãe, eu to bem, eu to bem’, ele disse”, lembrou Andréia.

A mãe disse que sabia que o filho estava em São Paulo porque ele falou por telefone que ia passear numa cidade que nunca havia ido antes. “Tanto que ele ligou quando conheceu o campo do [estádio de futebol do] Morumbi. Ele é são-paulino e assistiu ao jogo do Palmeiras e São Paulo no domingo e ligou para o meu filho.”

Questionada se perguntou com quem ele plenajeva passear, respondeu: “Perguntei, lógico, como mãe. Com quem você vai, você nunca esteve em São Paulo? ‘Não, mãe! Não se preocupa, não se preocupa que eu estou com amigos, eu estou bem. Estou indo passear”.

Sobre onde o filho ia ficar, disse que não obteve resposta. “Não comentou porque ele era uma pessoa reservada, nesse ponto, sim. Ele era um filho, ele era tranquilo. Só que ele não gostava que, assim: ‘Onde você vai, que horas você volta, com quem você foi?’. Os amigos dele que eu conhecia era dali da cidade. Não conhecia ninguém diferente. Ele só falou que vinha para São Paulo passear.”

Segundo ela, ao ser indagado quando pretendia voltar ao interior, ele disse que iria embora no dia 22 ou 23. “Ele disse que estava tudo bem. Na segunda-feira eu liguei e dei os parabéns. Perguntei quando ele viria embora. ‘Eu estou indo embora amanhã ou depois, fica tranquilo que eu estou indo embora’.”

“Se a gente soubesse que aconteceria uma coisa dessas jamais permitiria meu filho pôr os pés nessa cidade”, lamentou Andréia, que informou que seu filho trabalhou no ano passado como assistente administrativo, mas trancou a faculdade de direito neste ano porque ficou desempregado e não tinha mais dinheiro para pagar o curso.

“O sonho dele era se formar em direito. E ele falava sempre que queria ser ou delegado ou juiz”, contou a mãe, que prefere lembrar do filho enaltecendo as qualidades dele. “Estudioso, amoroso, atencioso, nunca fez mal a ninguém Fez parte do grupo de jovens da igreja católica de Igarapava. Tinha programa na rádio AM, visitava abrigo dos velhos e idosos, abraçado com os idosos.”

“Meu filho sempre foi uma pessoa normal, tranquila. Uma criança normal. Sempre quando criança, amoroso. E cresceu e nunca me deu nenhum tipo de problema. Estudante, tinha amigos. Como ele estava desempregado, ele promovia bailes na cidade para poder se manter. Nunca teve problema com droga, nunca teve passagem pela polícia. Não vou dizer que era perfeito porque perfeito ninguém é. Igual eu falei: brigou com alguém algum dia? Quem é que não fez isso, de criança? Nunca vi alguma coisa que dissesse: Meu filho tem um distúrbio, vou precisar levar ele num psiquiatra, né? Já que está acontecendo tudo isso. Infelizmente a única coisa que aconteceu na vida do meu filho foi isso agora que a gente não consegue entender. Mas o comportamento dele sempre foi o comportamento de uma pessoa normal.”

Questionada se considera que falhou em algum momento na educação de Rosseti, Andréia respondeu que não. “Eu procurei dar a melhor a educação possível. A gente sempre foi pobre. Quando ele tinha um mês de nascido, trabalhei como frentista durante 15 anos. Nunca faltou nada a meu filho. Ele estudou em escola particular até a oitava série. Eu sempre dei o melhor possível. Agora a gente dar amor e carinho, poder dar o melhor possível para o filho da gente, acho que isso não é mimar. Meu filho nunca foi mimado, nunca”, disse.“Mas a gente sempre querer o melhor para o filho não é errar. Eu não posso me culpar porque até então meu filho nunca tinha feito nada de errado. Tanto que ele estava aqui. Quando a polícia chegou à minha casa eu estava sendo vendo novela, não tinha visto uma entrevista, não tinha ouvido nada, eu estava totalmente tranquila. Então, se eu imaginasse que ele estava fazendo alguma coisa errada, eu jamais iria estar tranquila do jeito que tava na hora. Foi um susto muito grande que eu levei.”



Andréia também negou a informação da investigação policial de que Rosseti já havia sido proibido de se aproximar de uma ex-namorada porque a agrediu. “Agressão de maneira alguma. Eles namoraram durante um tempo, ia a minha casa, ela ia a minha casa. Namoro foi rompido, mas passou. Um dia chegou um oficial de Justiça na porta da minha casa e falou que o pai da menina pediu para meu filho se afastar dela porque teria ameaçado ela, mas meu filho negou isso”, disse Andréia.

Ela não soube falar sobre os comentários postados na internet. “Olha, eu não posso falar para o senhor que não. Eu só posso falar para o senhor o seguinte. O meu filho tem amigo homossexual. Que desde a idade de 10, 11 anos, são amigos. E o menino frequentou minha casa. Quando aconteceu do menino falar que era homosseuxaul, ele falou: ‘É mãe, da nossa turmo o único que é homossexual é ele’. Mas continua sendo nosso amigo, mas não mexe com nós não, você para lá e nós para cá”, disse ela, que afirma desconhecer qualquer agressão que Rosseti tenha feito a homossexuais.

“É muito difícil. Coração de mãe sempre acredita no melhor. No melhor. Enquanto eu não ouvir o que o meu filho tem a dizer, eu não posso falar. O que levou meu filho a fazer uma coisa dessa, se é que ele fez. Meu coração de mãe só tem esperança que isso tudo é um pesadelo e que vai acabar. Porque se alguém chegasse e dissesse, ‘Andréia, o seu filho Lucas vai cometer um crime,’ eu diria ‘não. O meu filho não!”, disse. “A única coisa que eu quero é abraçar meu filho e dizer que amo ele. E queria que nada disso tivesse acontecido. Que ele tem mãe e família e a gente vai estar ao lado dele para o resto da vida.”



O advogado Ademar Gomes, que defende Rosseti, afirmou que seu cliente alegou legítima defesa. “Falei com o Lucas, que estava preso em Sertãozinho. O delegado, gentilmente, deixou que eu falasse com Lucas. Eu perguntei: ‘Você cometeu esse crime?’ Ele disse: ‘De fato, doutor, eu não matei Murilo. Eu matei Eugênio, Murilo eu não matei’. Como você não matou? Você está sendo acusado de duplo homicídio. Ele falou: ‘Não, não fui eu que matei Murilo. Eu matei Eugênio’. Mas como é que foi que aconteceu o fato? Ele falou assim: ‘Eu sou do interior, eu conheci Eugênio, ele me convidou para vir para São Paulo para conhecer São Paulo. Meu sonho era conhecer São Paulo. Então eu vim para São Paulo conhecer e passar uns dias em São Paulo.”

“No dia dos fatos, Eugênio havia preparado um suco para ele, se não me engano suco de laranja, se não me engano. Nesse suco ele percebeu que tinha alguma coisa. Assim que ingeriu o suco, ele teve uma sonolência, ele ficou grogue. E caiu no sono. E acordou depois de um tempo, que ele não sabe quanto, quando ouviu um barulho. E ele viu que Murilo estava morto. Aí houve realmente uma discussão entre ele e o Eugênio, aonde ele acabou realmente em legítima defesa vitimando o Eugênio, segundo ele.”



A defesa agora espera que ele seja ouvido oficialmente na presença de seus advogados. “Ele vai responder o processo na Justiça e faremos de tudo para que a Justiça seja feita.”


“Que isso sirva de exemplo para os jovens nossos que não acreditem em ilusão, contos de fadas, de promessas, ‘venha para São Paulo, você vai ficar rico, você vai conhecer São Paulo’. Não existe almoço de graça, algum interesse tem por trás. Não vou dizer que ele foi induzido por alguém, mas tudo leva a crer que rapaz simples do interior, ingênuo, acreditou no ‘canto da sereia’ e levou a essa tragédia.


Indagado porque Rosseti fugiu, já que a defesa alega que ele é vítima, Gomes respondeu: “Cada pessoa tem uma reação quando comete um delito. Um jovem, rapaz despreparado, rapaz do interior. Ele ficou apavorado, deve ter sido isso, né? E resolveu procurar abrigo na sua terra.”

Suspeito de matar dois na Oscar Freire será transferido para São Paulo nesta segunda Resposta


Suspeito de matar dois homens em um apartamento da rua Oscar Freire na última terça-feira (23), Lucas Cintra Rossetti, detido nesta segunda-feira (29) em Sertãozinho, no interior de SP, deve chegar ao DHPP (Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa), na cidade de São Paulo, na noite de hoje.


O delegado Mauro Gomes Dias, do DHPP, vai viajar à cidade do interior paulista para buscar o suspeito. Ele deve prestar depoimento à polícia de São Paulo ainda hoje, quando chegar à cidade. Lucas foi preso na casa de duas mulheres no bairro Vila Áurea por volta das 12h30 após uma denúncia anônima. Ainda não se sabe que relação ele tinha com as mulheres, mas elas serão investigadas por esconder o suspeito. O carro do analista de sistemas Eugenio Bozola, de 52 anos, morto junto com o modelo Murilo Rezende na terça, já havia sido encontrado no mesmo bairro na madrugada de domingo (28). O Honda Civic da vítima foi usado pelo suspeito para fugir após o crime, segundo a polícia. Ele passou por duas praças de pedágio em uma rodovia que liga a capital paulista ao interior.



No sábado (27), o irmão do suspeito, Alex Rosseti, contou que seu irmão dormiu na casa da família na madrugada de quarta-feira (24), também em Sertãozinho.


– Ele estava com as mãos machucadas e minha mãe fez um curativo nele. Ele contou para gente que um cachorro tinha mordido as mãos dele. A Polícia Civil diz que uma briga entre o proprietário do apartamento na rua Oscar Freire e o principal suspeito do crime motivou o duplo homicídio. De acordo com Dias, as imagens do circuito interno de TV de uma pizzaria foram decisivas para identificar Lucas Cintra Rosseti, de 21 anos, como o principal suspeito de ter assassinado a facadas o analista de sistemas e o modelo Murilo Rezende, também de 21 anos. O suspeito aparece nas imagens, gravadas no último domingo (21) na pizzaria, utilizando um tênis preto que foi encontrado sujo de sangue no local do crime. De acordo com o delegado, Lucas, que já havia tido um relacionamento amoroso com Eugenio, brigou com ele por não poder mais ficar hospedado no apartamento.

André Fischer chama analista assassinado na Oscar Freire de asno, mané e carente 5



Li, estarrecido, o texto do jornalista André Fischer, sobre o analista de sistema Eugênio Bozola, de 52 anos, assassinado na última terça-feira (23/08) na Oscar Freira, endereço nobre de São Paulo. Um texto equivocado, repleto de preconceito contra gays com mais de 50 anos. André chama Eugênio de asno, mané e carente. Abaixo, o texto na íntegra (clique aqui e leia no blog dele), com comentários do blogueiro em vermelho:

“Conhecia Eugenio Bozola de vista da academia. Ele malhava na Competition da Oscar Freire. Nunca conversei com ele, tenho pouco a dizer sobre a não ser pelo que se comenta agora entre os aparelhos.”

Apesar de malhar na mesa academia que o analista de sistema Eugênio Bozola malhava e no mesmo horário, André nunca conversou com ele. André diz que tem “pouco a dizer”. Na verdade, ele não tem nada a dizer. Tudo que ele dirá é baseado em fofoca ou, como ele prefere escrever, no “que se comenta agora entre os aparelhos”.

“Ele ficava à noite mais batendo papo que malhando. Aos 52 anos, solteiro, gay de classe média alta, era carente, aliás como a maioria dos caras com esse perfil.”

Se ele malhava ou não, é uma informação totalmente desnecessária, já que não acrescenta em nada. E como dizer que Eugenio era carente, se André mesmo escreveu que não conversou sequer uma vez com ele? E como dizer que a maioria dos solteiros gays, com mais de 50 anos e de classe media alta são carentes?

“Ao que tudo indica Murilo nunca teve nada com ele. Eles teriam se conhecido no Rio com um grupo de amigos e como o modelo estava se mudando para São Paulo, Eugenio o teria convidado a dividir seu apartamento para chegar melhor na cidade.
 Devia querer a companhia de um moço bonito. Infelizmente Murilo estava no lugar errado na hora errada.”

Murilo, que André conhecia, tanto que já havia sido capa da revista “Junior”, do André, “estava no local errado e na hora errada”. E o Eugenio, André? Eugenio estava no local certo, na hora certa? E o assassino?

“Eugênio, como muitos homens de meia idade, gostava de caras mais novos. E cometeu a asneira de colocar dentro de casa um psicopata homossexual-homofóbico, que dizia em seu twitter que estava “infiltrado” no meio gay.”

Existem muitos homens gays de meia idade que gostam de caras mais novos. Ok. Existem muitos homens heterossexuais de meia idade que gostam de mulheres mais novas, também, assim como existem mulheres de meia idade que gostam de homens mais novos. E nem por isso a gente vê, o tempo todo, homens gays ou heterossexuais e mulheres de meia idade sendo assassinados, André. E outra, dizer que o Eugenio “cometeu a asneira de colocar um psicopara homosexual-homofóbico que dizia em seu twitter que estava ‘infiltrado’ no meio gay”, é afirmar que o suspeito é culpado. Isso não é tarefa sua, André. Além disso, todos estamos sujeitos a tal tragédia. Pesquisas apontam que o número de psicopatas é bem maior do que imaginamos. Tudo bem, podemos até questioner o fato de pessoas – independente da orientação sexual – levarem desconhecidos para a casa, logo no primeiro encontro. Mas nesse caso a gente não pode afirmar que o Eugênio e o assassim não se conheciam, até porque ainda não sabemos quem é o assassin e, mesmo que seja o Lucas Rossetti, a gente ainda não sabe se ele conhecia ou não o Eugênio. E mais: Eugênio não estava sozinho. Ele estava com o modelo Murilo Rezende. Não sabemos, de fato, o que aconteceu. Então precisamos esperar a apuração dos fatos. E mesmo que o Eugênio tenha sido descuidado, chamá-lo de asno é, no mínimo, deselegante.

“Homens gays mais velhos solteiros, classe média e que gostam de garotos são presas fáceis para oportunistas. Pior ainda para os que têm fantasias de pegar ‘héteros’.”


Apesar de não dizer que o Eugênio tinha tal fantasia, André, que nunca falou com ele, deixa isso subentendido, já que o texto é sobre o Eugênio.

“Conheço vários que se expõem a esse risco e são constantes vítimas de boa-noite-cinderelas, pequenos furtos, agressões. Na melhor das hipóteses perdem apenas o dinheiro com presentes. E se machucam emocionalmente quando se iludem com possibilidades de amor.

“Falar de homofobia no caso do crime da Oscar Freire é um engano, ainda que sem dúvida haja uma boa parcela de homofobia internalizada neste caso.”

Falar que não foi homofobia, também é um engano. Não sabemos o que aconteceu de fato e nem quem é o assassino, apesar dos indícios.

“Colocar dentro de casa um garoto desconhecido, um possível psicopata, é abrir as portas para o inimigo. Trata-se de mais um triste caso de violência urbana. Heterossexuais fazem a mesma coisa, mas é mais difícil que mulheres sejam violentas.”

É mais difícil que as mulheres sejam violentas? Talvez, mas e as mulheres que levam garotos jovens para dentro de casa? Ninguém deve levar desconhecidos para dentro de casa.

“‘Pode acontecer com qualquer um’, me repetem aqui. Mas com qualquer um que for mané o suficiente para se expor a esse tipo de situação.”

Chamar uma pessoa que foi brutalmente assassinada de “mané” é de péssimo gosto. Agora, vamos supor que o Eugênio levasse rapazes para o seu apartamentos. Neste caso, o Murilo que foi morar na casa do Eugênio, sabendo, provavelmente, do estilo de vida dele, era mané também? Ah!, o Murilo o André conhecia…

Mãe de suspeito de assassinato na Oscar Freire pede que ele se entregue 2



A DHPP (Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa) de São Paulo ouviu na noite desta sexta-feira (26/08), em Sertãozinho, o depoimento de familiares do suspeito de ter matado o analista de sistemas Eugênio Bozola, 52, e o modelo Murilo Rezende da Silva, 21, na rua Oscar Freire, em São Paulo. Lucas Cintra Zanetti Rosseti, 21, continua foragido.




A polícia suspeita que ele esteja escondido na região de Ribeirão Preto, onde moram seus pais. Um dia após o crime, o irmão de Lucas, Alex Rosseti, 20, publicou em seu perfil do twitter que a mãe dele fazia um curativo em Lucas. A polícia suspeita que o ferimento tenha ocorrido no dia do crime.


A prima do suspeito afirma que ele é agressivo. “Não podia mexer com ele, que ficava bem nervoso. Esses dias, ele brigou com o meu irmão”, afirma Jéssica Rosseti.

Lucas Rosseti é suspeito de ter matado a facadas o analista de sistema Eugênio Bozola, de 52 anos, e o modelo Murilo Rezende, de 21 anos, na última terça-feira (23), em um apartamento na Rua Oscar Freire, no Jardins, em São Paulo. Desde então, ele está sendo procurado em Sertãozinho por policiais da capital e de cidades da região. Delegados e investigadores da Polícia passaram esta sexta-feira (26) em diligências.

As buscas tiveram início depois de a polícia ter sido informada de que Rosseti havia fugido com o carro de uma das vítimas. A passagem do Honda Civic foi registrada em várias praças de pedágio, o que levou as investigações a Sertãozinho.

Segundo o irmão do suspeito Alex Rosseti, o jovem apareceu na cidade sem avisar. “Ele falou que estava chegando de São Paulo e que havia comprado um carro. Aí, vimos nos noticiários o ocorrido e minha mãe acabou ligando tudo. Ele foi embora e não conseguimos mais contato”.

A madrasta dele, Solange Fernandes, chegou a fazer um curativo em Rosseti, que esteve em sua casa no dia do crime. “Ele chegou com todos os dedos cortados e eu perguntei o que tinha acontecido. Ele só me respondeu que tinha sido atacado por um cachorro”.

De acordo com a polícia, as investigações mostram que Rosseti era hóspede no apartamento onde moravam as vítimas. No inquérito, fotos apontam os três em uma pizzaria, momentos antes do crime. A polícia também rastreou mensagens postadas pelo suspeito há um mês em uma rede de relacionamento, onde várias mensagens violentas e homofóbicas foram postadas.

Andreia Rosseti, mãe do suspeito, quer que ele se entregue:

“Eu quero que ele se entregue, para não acontecer nada de sério, de mais greve, para gente ouvir a versão dele. Porque eu tenho certeza absoluta, se ele fez alguma coisa, pelo o que eu conheço do meu filho, foi pra se defender”.

Com informações do “EPTV” e do “ToSabendo”

Twitter de suspeito de matar 2 na Oscar Freire fala de homofobia Resposta

Lucas Rosseti


Uma conta no Twitter em nome do suspeito apontado nesta quinta-feira pela polícia como responsável por duas mortes na rua Oscar Freire (zona oeste de São Paulo), Lucas Cintra Zanetti Rosseti, 21, (@LZRosseti), mostra um jovem deslumbrado com a cidade e que diz não ser gay.


De acordo com a polícia, Rosseti misturou medicamentos tarja preta (de uso controlado) nas bebidas do analista de sistemas Eugênio Bozola, 52, e do modelo Murilo Rezende da Silva, antes de matá-los. Ele ainda escreveu CV, ZO e viado nas paredes do imóvel com sangue.

No dia 28 de julho, o autor da conta no Twitter postou: “eu nao sou gay, sou um espião! hahaha”; “estou infiltrado no mundo gay!”; e “ainda bem q homofobia ainda nao é crime kakaka” (sic).

Os últimos tuítes são do dia 22 de agosto e se referem ao aniversário de Lucas.

No dia 14, o autor dos tuítes escreveu: “paradinha rapida em campinas pra um lanche rapido! Jaja to em Sampa!” (sic). Segundo a polícia, essa é a data em que o suspeito chegou ao apartamento da vítima.



Murilo Rezende

Já na cidade, o autor diz estar em um quarto no 6º andar –mesmo andar em que fica o apartamento de Bozola.

“Acordei com vontde de cometer um crime, o de pena mais longa!” (sic), diz o autor em 14 de julho.

No celular informado na conta no microblog, de Igarapava (interior de SP), ninguém atende.

De acordo com a polícia, Rosseti é natural de Igarapava e passava uma temporada no apartamento de Bozola, que também é natural daquela cidade. Não há como confirmar se a conta no microblog é de fato de Rosseti.



Eugênio Bozola


As duas vítimas morreram a facadas. O corpo de Bozola estava na cozinha do apartamento e o de Rezende em um quarto, com a cabeça parcialmente coberta com um saco plástico. A motivação do crime, conforme os investigadores, foi um desentendimento entre esse rapaz e o dono do apartamento.

A namorada de Rezende, a promoter Jaqueline Sampaio, 40, disse que por volta das 21h de segunda-feira, recebeu uma mensagem de texto do modelo em seu celular no qual ele dizia que não se sentia bem, que estava grogue.

“Tentei falar com ele mais tarde, umas 22h15, mas não consegui. Liguei na casa do Eugênio e a pessoa que atendeu disse que os dois já estavam dormindo. Acho que ele pode ter sido vítima do golpe boa noite cinderela”, afirmou Sampaio.

Segundo ela, o modelo deveria se mudar para o Rio de Janeiro, onde começou sua carreira, nos próximos meses. “Estávamos planejando morar juntos”, contou.

Natural de Minas Gerais, Rezende foi eleito Mister Piauí neste ano e ficou em sexto lugar no concurso Mister Brasil. O analista de sistemas é irmão do diretor-presidente da Prodesp (Companhia de Processamento de Dados de São Paulo), Célio Bozola.

No Twitter, os organizadores do Mister Brasil disseram que o modelo era uma pessoa de “caráter irretocável, admirado por todos”.

O analista assassinado é irmão do diretor-presidente da Prodesp (Companhia de Processamento de Dados de São Paulo) Célio Borzola. Segundo seus familiares, ele não tinha inimigos e nunca relatou ter sido ameaçado.

Conforme a Polícia Civil, Bozola morava sozinho havia 20 anos. Há cerca de três meses, ofereceu sua casa para o amigo Rezende viver enquanto fazia algumas campanhas publicitárias em São Paulo.

*Com informações da “Folha de São Paulo”