Projeto que criminaliza homofobia aguarda relator Resposta

Paulo Paim vai escolher o relator do PLC 122/06


O projeto de lei que criminaliza a homofobia (PLC 122/06), cujo relatório estava sendo elaborado pela senadora Marta Suplicy (PT-SP), aguarda desde o dia 18 designação de um novo relator na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).
No dia 13 deste mês, Marta Suplicy assumiu o Ministério da Cultura em substituição à cantora e compositora Ana de Holanda. 

Marta: Largou o PLC 122, para se tornar ministra

Marta sempre quis um alto cargo no governo Dilma e ficou contrariada pelo PT ter escolhido Haddad e não ela para se candidatar à Prefeitura e São Paulo. A então senadora condicinou o apoio a Haddad, ao recebimento de um cargo no governo Dilma, e foi o que aconteceu. Houve um acordo, que Marta, naturalmente, nega. O primeiro suplente de Marta é o vereador paulista Antônio Carlos Rodrigues, do PR, ainda não empossado no cargo. 

Antônio Carlos Rodrigues, suplente de Marta


Ele já deixou claro que é católico e contra os direitos gays por isso. Que seguirá as orientações da Igreja Católica Apostólica Romana, enquanto senador. Esquece-se de que o Estado é laico.
Em declarações feitas à imprensa em maio, Marta Suplicy afirmou que há entre os senadores uma “maioria silenciosa” favorável ao projeto, ou pelo menos neutra, que não se posiciona por receio de desagradar os eleitores. O senador Magno Malta, evangélico fundamentalista, (PR-ES) é um dos maiores opositores da proposta, assim como setores religiosos e conservadores da sociedade.
A designação do relator será feita pelo presidente da CDH, Paulo Paim (PT-RS).

Deputado e pastor Marcos Feliciado, chama Aids de doença gay, compara ativistas LGBT com propaanda nazista e diz que é coisa do diabo 5

Pastor deputado e cantor Marco Feliciano

O que você pode fazer:

1) Denunciar o vídeo na Safernet: http://www.safernet.org.br/site/denunciar, clicando em “homofobia” no campo “denúncia”;
2) Denunciar o vídeo do Youtube sinalizando como impróprio, depois clicando em “conteúdo abominável ou abusivo”, depois em “estimula ódio ou violência” e por fim em “orientação sexual”;
2) Protestar EDUCADAMENTE no Twitter dele: @marcofeliciano;
3) Ligar para o gabinete do pastor e deputado, na Câmara dos deputados: (61) 3215-5366 ou enviar um Fax: 3215-2366
4) Não votar e NINGUÉM do PSC-SP, que aceita ter um homofóbico no partido
5) Enviar mensagem para dep.pastormarcofeliciano@camara.gov.br

Lembre-se que o ciberativismo funciona! Senão o pastor-deputado-cantor não estaria reclamando.


O deputado fundamentalista e pastor Marco Feliciano (PSC/SP) cheio de ódio e rancor, se referiu ao ativismo gay dentro da política e na sociedade brasileira, em um vídeo que foi postado no Youtube nesta segunda-feira (17). Decidi divulgar tudo, pois, apesar de asqueroso, é importante que nos, LGBT, saibamos de tudo o que está ocorrendo em relaç˜åo a nós, ainda mais vindo de um deputado.


O vídeo foi de uma pregação feita no Congresso dos Gideões Missionários da Última Hora e divulgado pelo próprio deputado em sua conta no Twitter. Pregação de quem desconhece o valor cristão do amor, pois da boca do deputado só saiu ódio, rancor. Por que tanta raiva dos LGBTs?

“Satanás tem levantado homens e mulheres e a igreja não tem se atinado a isso, enquanto a igreja se preocupa com seus redutos, enquanto o rei se preocupa com seus pequenos reinos, enquanto crentes não saem para evangelizar…. satanás levantou o seu ativismo neste país. Ação de satanás contra a família brasileira”, disse ele.

Marco Feliciano afirma que o ativismo gay é “promovido por satanás” e está “infiltrado” no governo brasileiro.

“Me apavora chegar em Brasília toda a terça-feira, me apavora entrar dentro da câmara dos deputados deste país e saber como o diabo está infiltrado no governo brasileiro. E não só no governo brasileiro mas no governo do mundo.”

Enquanto isso, ele afirma que a igreja não está desperta e avisa que “se não houver hoje uma mudança hoje na consciência da igreja, se não houver uma consciência hoje na consciência dos crentes e cristãos, nós vamos afundar neste barco”.

Marco Feliciano explica que ele precisou recentemente do apoio de 1/3 da casa para a sua proposta de um plebiscito para que o povo brasileiro vote se ele quer ou não o casamento homossexual.

Entretanto, ele diz que tentou contar com a assinatura dos deputados cristãos presentes para o levantamento do plebiscito mas teve ajuda negada, com alguns justificando que isso seria “nadar contra a correnteza”.

Marco fala contra o ativismo gay mas deixa claro que não é contra os gays, mas sim contra os ativistas. “Os homossexuais precisam do nosso apoio, de nossas orações”.

Imagina se fosse contra os gays.

“O problema é o ativismo gay, o problema são pessoas que têm na sua cabeça o engendramento de satanás.”

O deputado ainda compara a sua tática dos ativistas, com as de Stanley e Hitler. “São homens e mulheres que usam dos mesmos mecanismos que Stanley usou no seu comunismo nazista, usam a mesma linguagem de Hitler”. Ele explica que Hitler foi aquele que criou a frase “uma mentira contada várias vezes com muita ênfase se torna verdade”.

Marco denuncia que tais ativistas clamam pelo direito de liberdade de expressão, mas querem ser exclusivos do direito. “Fale qualquer coisa deles para você ver. Dê um arranhão no braço deles, no dia seguinte está estampada a sua cara na televisão. Nos chamam de homofóbicos, nos chamam de ditadores, de fundamentalistas, e de que nós encitamos ao ódio.”

Segundo o deputado, durante 20 anos o ativismo gay conseguiu “travar a boca” da igreja não só evangélica como a católica. A igreja católica, diz ele, também tem que ser chamada para a responsabilidade, bem como os professores, denunciando que tiraram o ensino religioso das escolas.

Para encerrar sua abordagem sobre o ativismo gay, ele lembra que a Aids, é uma doença da qual muitos evitam falar e que muito não tem se falado nem pelo governo, mesmo com 30% de pessoas a mais que no ano passado tendo sido acometidas pela doença.

“Por quê ninguém fala, por quê o governo tampouco toca no assunto?” pergunta ele.

E responde: “É porque a Aids é uma doença gay. A Aids é uma doença que veio desse povo. Mas se você falar vai colocar eles numa situação constrangedora que eles não vão conseguir verba”.

Marco proclama que a igreja “precisa se levantar, a igreja precisa acompanhar a política.” E deixa o recado. “Você que passa o dia todo na internet, você que passa o dia todo ‘desgraçando’ os seus irmãos na internet: Faça algo pelo reino, infeliz! Faça algo pelo Reino!”

“Até quando os nossos cantores gospel (…), até quando nós pregadores que temos aí graça do povo no Twitter, vamos passar o dia todo pintando ‘futilidades’?

“Os crentes se calam. Buscam santidade nas suas igrejas mas não têm coragem de fazer um simpósio para ensinar seus filhos sobre esta artimanha.”

Marco urge que todos os crentes se despertem e não se calem. “Se a igreja se calar, não vai ter igreja amanhã. (…) É preciso despertar”.


Que mente satânica a do deputado pastor, não?



Marido de Ana Maria Braga é candidato a vereador: "Representarei gays, periguetes e evangélicos" 1


Marcelo Frisoni, conhecido pelo casamento com a apresentadora Ana Maria Braga, vai se candidatar novamente ao cargo de vereador de São Paulo pelo PP. Em entrevista à revista Veja São Paulo desta semana, ele diz que vai representar as periguetes, gays e evangélicos.
“Sou [o candidato das periguetes], mas também representarei evangélicos e gays”, declarou ele, explicando o motivo de ter levado mais de 30 meninas vestidas de shortinho e camiseta em sua campanha no centro da cidade, na semana passada.
Segundo ele, na ocasião, não havia apenas periguete. “Havia [também] sessenta pastores com a Bíblia na mão me apoiando, mas só falaram das meninas porque é moda ser periguete”. 
Marcelo diz que pagou apenas um lanchinho, refrigerante e “bancou a condução para as apoiadoras”, e negou que vá levar Ana Maria Braga para pedir votos. “Não vou expor a Ana a isso. Amo minha mulher, mas ela não me dá votos”. 
Vale lembrar que em 2008 ele tentou se candidatar, mas recebeu pouco mais de 4.000 votos.

Como uma pessoa pode querer representar segmentos da sociedade tão diversos? E o que seria representar as periguetes?

#ChupaMalafaia: Avon retira livros da editora de Silas Malafaia do seu novo catálogo 1


No início do mês de abril, ativistas LGBT, reunidos em um grupo no facebook, iniciaram um abaixo-assinado para que a a Avon deixasse de revender qualquer livro da Editora Central Gospel, cujo dono é o pastor homofóbico Silas Malafaia, que se auto-intitula aparentemente com muito orgulho do título de inimigo público número um dos LGBTs brasileiro.

Em meados do segundo semestre de 2011 já havia notícias da compra de um lote de 400 mil livros da Editora Central Gospel por parte da Avon. Ativistas LGBTs iniciaram a manifestação após constatarem pessoalmente que tais livros realmente estavam sendo comercializados nos catálogos da empresa, paralelamente ao lançamento, pela Editora Central Gospel, de um livro explicitamente homofóbico e sem base científica alguma, denominado “A Estratégia: Os planos dos homossexuais para transformar a sociedade”, cujo autor, um pastor norte-americano, envolvia-se com esquemas de corrupção ao mesmo tempo em que fazia sua cruzada contra os direitos LGBTs.

Os protestos contra a revenda de tais livros pela Avon se espalharam pelas redes sociais na medida em que as respostas individuais dadas pela empresa via e-mail aos ativistas LGBT eram padronizadas e insatisfatórias, o que levou a Avon a emitir uma nota no seu facebook sobre o “respeito á diversidade” da empresa, informando que a empresa estava avaliando as ponderações recebidas e buscando a melhor solução para seguir atendendo nossos consumidores com base em nossos valores.



Enquanto tal avaliação era realizada e a solução não era apresentada, o protesto ganhava adesão internacional e repercussão na imprensa nacional, com direito a uma brilhante resposta do editorial da revista Carta Capital aos ataques infundados do Pastor Silas Malafaia enviados diretamente à revista. 

Após toda essa organização, manifestação e repercussão, a Avon divulgou  dia 13/06/12 o seu novo folheto “Moda e Casa” –  Campanha  12/2012 – e, ao verificar a seção “Livraria”, nota-se que não há mais nenhum livro da Editora Central Gospel sendo revendido nesta atual campanha, como era revendido até a campanha anterior. 

A Avon ainda não emitiu nenhuma nota se posicionando oficialmente e esclarecendo formalmente os motivos que levaram a retirada dos livros da Editora Central Gospel do seu atual catálogo e campanha, nem se tal retirada é provisória ou definitiva. Esperamos que tal comunicado seja feito, devido à proporção que o caso tomou e em respeito a todos os seus clientes, sejam eles simpatizantes da causa LGBT ou não.

Até que a Avon dê um pronunciamento final e encerre este caso, parabenizamos pontualmente a multinacional por retirar do seu catálogo livros de uma editora cujo dono utiliza parte do que arrecada financeiramente para promover e financiar uma campanha de ódio contra os direitos da população LGBT brasileira.

Parabenizamos também a cada um, ativista LGBT e simpatizante, que acreditou e ajudou de alguma forma a levar adiante essa campanha de boicote e alerta à Avon que, diferente de livrarias tradicionais, é reconhecida internacionalmente como uma empresa pró-LGBT.

Para encerrar, aos críticos à campanha de boicote, deixo uma transcrição de parte de um brilhante textodo jornalista e ativista Luiz Henrique:

“Este é um boicote para que uma empresa cuja matriz é considerada pró-LGBT pare de oferecer nacionalmente o portfólio de um líder evangélico cujas ações rotineiras são a de um ativista antigay. De um senhor que disse, para o jornal mais importante do mundo: eu sou o inimigo número 1 do movimento gay brasileiro. Porque ele usa este dinheiro para barrar a cidadania LGBT. Porque ele usa este dinheiro para transmitir programas em que ataca o movimento LGBT brasileiro em rede nacional aberta. Porque ele usa este dinheiro para viajar (de jatinho) para quantas audiências e seminários quiser no Congresso Nacional. Porque, afinal, ele usa este dinheiro para fortalecer ainda mais seu lobby anti-LGBT nas duas Casas Legislativas deste país e mesmo no Executivo Federal.

Se estas razões não são suficientes para alguém que ou é ativista LGBT ou se considera um aliado combater esta pessoa, penso que seja necessário rever o que é ser homofóbico e o que não é –independentemente do que ele tenha escrito nos livros.” 






Evangélico fundador de grupo de ‘cura de homossexuais’ se assume gay Resposta


Nada melhor do que um exemplo para refutar a eficiência de tratamentos para a conversão de orientação sexual, que dizem que gays podem se ‘converter’ em heteros. O professor de inglês, filosofia e teólogo carioca Sergio Viula, 42 anos, foi um dos fundadores do Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), ONG evangélica que dá auxílio a pessoas que desejam abandonar a homossexualidade. Ele casou-se, teve dois filhos e viu de perto os métodos de ‘reorientação sexual’. Sergio conversou com William De Luca, repórter de economia do Jornal da Paraíba com exclusividade, e mostra que os métodos de mudança de orientação sexual são ineficazes e causam dor e sofrimento a quem se dispõe a passar por qualquer deles.

Leia também: Pastora famosa por pregar a conversão de gays, assume ser lésbica

 
Como começou sua vida junto à igreja evangélica? Como foi a sua entrada?

 – Eu comecei aos 16 anos, numa igreja noepentecostal, mas depois migrei para a igreja batista. Eu me converti a partir da pregação de colegas, não era de família, que era católica. Hoje parte é católica e parte é evangélica.
Nessa época você já sabia que era gay? Já tinha tido relacionamentos com guris?

 – Havia tido relacionamentos gays, sim, mas não assumia, eu pensava que fosse passageiro. Meu primeiro relacionamento foi aos 12 anos, com um garoto um pouco mais velho, de forma escondida, é claro, durante dois anos. Na verdade, queria pensar que tudo isso fosse passageiro, por causa das pressões em casa. Minha família era muito tradicional.
Como foi o processo de “virar ex-gay”?

 – Na verdade, ex-gay não existe, é pura auto-sugestão. Eu comecei a ir à igreja e percebi que os homossexuais não tinham como lidar com suas ‘dificuldades’, por falta de orientação das lideranças, então decidi fundar o Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), junto com João Luiz Santolin e Liane França. Foi aí que comecei realmente a dizer em momentos oportunos que era ex-gay.
Você nunca se convenceu que tinha virado ex gay? Sempre soube que estava se enganando?

 – Hoje sei que estava me enganando. Na época, pensava que qualquer sentimento ou atração fosse mera ‘tentação’ e que isso poderia ser superado com oração e dedicação a deus. No grupo, basicamente, pensávamos que ser gay fosse pecado, que devia ser confessado e abandonado e para isso, fazíamos proselitismo, aconselhamento, oração, pregação, recomendávamos certos livros, leitura bíblica, coisas que os crentes geralmente fazem, mas com foco na homossexualidade, sempre demonizando a homoafetividade, infelizmente. Eu trabalhei com a igreja num total de 18 anos, o Moses começou em 1997, em 2003 eu estava fora, foram quase sete anos. Tínhamos psicólogos parceiros e contávamos com vários voluntários. Uma vez enchemos um ônibus e levamos para o Miss Brasil Gay em Juiz de Fora só para evangelizarmos os LGBT que foram ao evento, mas na diretoria eram cerca de 10 pessoas.

Mas como era esse processo de ‘abandonar o pecado’? Era como um tratamento?
 – Isso não acontecia de fato, era o que se chamava discipulado, acaba sendo uma lavagem cerebral. Você tem que se isolar do seu antigo círculo de amigos, começar a se enfiar nas reuniões da igreja, fazer sessões de aconselhamento, orar, jejuar, essas coisas. Quando acontecia de alguém se envolver com outro homossexual, ele tinha que confessar o que fez, UMA LOUCURA DO CARALHO! Desculpe, mas ainda hoje tenho até raiva de lembrar disso.
Por que raiva?
 – Ninguém deixava de ser gay, houve relacionamentos até dentro do grupo, entre uma atividade e outra da igreja, eles sempre arrumavam tempo pra isso. Você consegue imaginar quanto sofrimento para mim mesmo e para todos os que atuaram ou foram influenciados por esse trabalho? É irritante! E tem gente até hoje repetindo esse discurso imbecil.
O que tu sente quando vê pessoas como o pastor Silas Malafaia fazendo pregações do tipo que você fazia? É um discurso parecido?
 – Ele é um idiota! Eu era um garoto quando me envolvi com tudo isso, tinha pouquíssima experiência de vida e não ainda não havia tanta informação como hoje. Agora, ele atua na base da má-fé mesmo, com interesses financeiros, projetos de poder, etc. E diz ele que nunca foi gay, será? Fico muito desconfiado de gente que gasta tanta energia e dinheiro para combater algo que não tenha nada a ver consigo mesma. Entendo heterossexuais que compreendem os riscos da homofobia, mas não entendo heterossexuais que quase surtam só por saberem que os gays estão felizes, saudáveis e produzindo para o país…
Será que não é pra ter uma bandeira atualmente? Ganhar visibilidade, sei lá…
 – Não deixa de ser má-fé. Só confirma minha tese.
Quando você decidiu que era momento de parar? Você saiu do movimento ao mesmo tempo em que saiu do armário?
 – Sim, saí ao mesmo tempo. Tudo aconteceu quando eu tive certeza de que já tinha feito e crido ao máximo. A gota d’água foi uma viagem a Cingapura, durante a qual conheci um filipino e fiquei com ele. Já voltei decido que iria colocar um fim nessa panacéia. Fiz isso e comecei imediatamente a repensar diversas das minhas posturas e crenças, levou ainda dois anos para que eu dissesse tudo o que digo até hoje. Houve perseguição por parte do Moses, muita gente ficou em choque, mas eles tiveram que se dobrar, pois minha atuação no movimento era grande. Minha maior projeção, porém, se dava na igreja. Eu era pastor, editor do jornal Desafio das Seitas, que teve seu auge durante minha atuação, e por aí vai…
E na sua família? Qual foi a reação?
 – Houve um choque por parte dos meus pais, mas meus filhos nunca criaram problema, só ficaram perplexos, porque eu saí da igreja, já que eu era tão dedicado. Separei-me da mãe deles, mas isso não criava grandes problemas, aparentemente. Só me perguntaram francamente sobre o assunto aos 12 (ela) e aos 11 (ele). Ambos compreenderam numa boa e sempre foram meus amigos. Relacionam-se muito bem comigo e com meu parceiro Emanuel.
Você hoje se sente completo, feliz?
 – Sim, hoje me sinto em paz comigo mesmo, feliz e me pergunto como pude ter suportado tanta castração inútil por tanto tempo.
Você acha que o que vocês faziam era uma violência, contra vocês mesmos, e contra os outros?
 – Sim, era uma violência contra nós mesmos, por termos internalizado a homofobia que nos circundava desde cedo, e contra os outros, porque reproduzíamos essa mesma homofobia que eles mesmos já tinham internalizado. Só reforçávamos ainda mais isso.
Você não apenas largou a igreja, o movimento, como deixou de acreditar em deus… Como se deu isso?

 – Isso se deu em função de questionamentos honestos e ousados sobre deus/deuses, escrituras cristãs e de outras religiões, igreja e outras instituições religiosas. Meu pensamento e atitude com relação a ideia de deus/deuses não é mero fruto de sofrimento com essa ou aquela igreja ou crença. Na verdade, muitas igrejas se abriram para mim quando saí do armário e confessaram seu interesse em que eu, não só participasse da vida da igreja, como ministrasse como pastor dela. O próprio bispo fundador da Metropolitan Community Church, Troy Perry, me disse isso pessoalmente. Também não foi por ver mau comportamento de crentes em geral, uma vez que conheço alguns que considero pessoas fantásticas até hoje (tanto do mainstream evangélico e protestante, como das modernas igrejas inclusivas). Tendo isso em mente, nem deus, nem escrituras, nem igrejas passam pelo crivo da razão, e não me refiro à razão de uma mente brilhante como a de Nietzsche, Darwin, Sartre, Hopkins, Dawkins, etc., refiro-me à razão de uma mente mediana como a minha. Não posso ir contra mim mesmo e contra aquilo que enxergo tão distintamente. No entanto, defendo a liberdade. E por isso, crer e não crer são coisas que não podem ser controladas, coibidas, exceto quando colocam os direitos humanos em xeque.

Pra terminar, o que você diria pra um jovem gay que está passando por este processo de ‘cura espiritual da homossexualidade’? Vale a pena?

 – Conversão religiosa que não admite e CELEBRA sua homossexualidade não merece seu tempo e talento. Se quiser frequentar alguma comunidade, procure uma que tenha maturidade até para questionar a validade das assertivas religiosas. Mas, preferencialmente, viva sem depender de muletas existenciais quaisquer que sejam elas. Aproveito para sugerir a leitura de um post escrito por mim. Esse post nasceu do esboço de uma palestra que dei na Igreja Ecumênica de Copacabana por ocasião das comemorações do dia da Bíblia no calendário católico. Foi esse ano.



Entrevista dada ao William De Luca, repórter de economia do Jornal da Paraíba. Jornalista, ativista LGBT.