‘A maioria dos evangélicos não é homofóbica’, diz Marta Suplicy Resposta

A nova ministra da Cultura, Marta Suplicy, disse, após tomar posse do cargo, que não vê problemas para o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, obter votos de eleitores evangélicos em função do Projeto de Lei da Câmara nº 122 (PLC 122), que torna crime o preconceito a homossexuais. A agora ministra é a principal articuladora do projeto de lei. “Acho que a grande maioria dos evangélicos não é homofóbica. Eles respeitam a diversidade”, afirmou.

Militantes pedem a Suplicy que suplente não assuma projeto contra homofobia


Ainda como senadora, Marta foi procurada por representantes de entidades pelos direitos dos homossexuais que se disseram preocupados com a chegada de seu suplente ao Senado, o vereador Antônio Carlos Rodrigues (PR-SP). Ligado a religiosos da zona sul de São Paulo, seu reduto eleitoral, o novo senador é contra  a união civil entre pessoas do mesmo sexo.
Os ativistas dizem ter medo de que Rodrigues prejudique o andamento do PLC 122 no Congresso, caso assuma a relatoria do projeto de lei. A proposta já havia tramitado na Câmara dos Deputados entre 2001 e 2010, quando foi arquivada. Em 2011, Marta retirou o projeto da gaveta e o colocou na pauta, assumindo a relatoria.
Marta foi flagrada mostrando e-mail de ativistas preocupados com seu suplente para a senadora Lídice da Mata (PSB-BA). Fotos do jornal Correio Braziliense mostram que a mensagem dizia “está havendo muitas críticas pelo suplente, que é evangélico e homofóbico”. Lídice foi convidada por Marta para substituí-la na relatoria do PLC 122.

Embora o tema homofobia seja apontado como uma pedra no caminho de Haddad para o segundo turno, o líder petista na Câmara federal, Jilmar Tatto (PT-SP), nega que o candidato possa ser influenciado nas pesquisas eleitorais nesta reta final da primeira etapa do pleito. “Isso não tem impacto nenhum nas eleições”, afirma.
A ministra minimizou o fato de seu suplente ser de um partido da ala dos “independentes” em relação ao governo federal no Congresso. Marta se recusou também a comentar o apoio de Rodrigues a José Serra (PSDB), opositor de Haddad. “Não tenho nenhum constrangimento ( pelo suplente ser a favor do tucano ). Foi uma decisão partidária ( a escolha para a suplência) . Ele ( Rodrigues ) estava na minha coligação partidária”, disse. “Desejo ao senador que ele faça um bom trabalho”, afirmou.

Lamentável

Marta está equivocada, não só a maior parte dos evangélicos, como a maior parte do povo brasileiro é homofóbico e transfóbico. Lamentavelmente, Marta, que queria ser candidata à Prefeitura e foi barrada pelo PT, pressionou para ganhar um alto cargo no governo Dilma. Conseguiu. Ela não parece estar muito preocupada com o PLC 122 e nem com os gays. O que Marta quer é poder.


Serra diz que é absurdo responsabilizar Igreja Católica por ‘kit-gay’ (sic) Resposta

José Serra

O candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, chamou de absurda a vinculação que o PRB, de Celso Russomanno, fez entre a Igreja Católica e a distribuição do “kit-gay” (sic) (vídeos e material didático feitos com objetivo de combater a homofobia nas salas de aula).

“Me parece absurda a crítica feita à Igreja Católica responsabilizando-a pelo kit-gay. Não tem cabimento”, afirmou o tucano.

Russomanno e bispo Edir Macedo
Russomanno e pastor Marcos Pereira


O vínculo foi feito pelo presidente do PRB, Marcos Pereira, que tem um blog no portal R7, da Igreja Universal, em artigo publicado em maio de 2011 em seu blog e que voltou a circular recentemente nas redes sociais. Pereira é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus.

O tucano, porém, disse não ter lido a nota da Arquidiocese de São Paulo, divulgada ontem,com ataques à candidatura de Russomanno e à Igreja Universal, em reação ao artigo de Pereira. E a gente finge que acredita.

Kit Anti-Homofobia
Fernando Haddad não conta com apoio de nenhum evangélico
Idealizado na gestão de Fernando Haddad (PT) – hoje também candidato a prefeito e único sem apoio de nenhum evangélico – no Ministério da Educação, o “kit”faria parte do programa Escola sem Homofobia despertou reações negativas de evangélicos fundamentalistas (alguns apoiaram Serra na candidatura à Presidência e o apoiam na candidatura a prefeito, já Russomanno tem o apoio da Igreja Universal), o que levou a presidente Dilma Rousseff a determinar sua suspensão.

O “kit” tinha o objetivo de combater a homofobia nas salas de aula com vídeos e material didático.

Por conta do artigo de Pereira, a Igreja Católica atacou Russomanno e a Universal. O candidato lidera as pesquisas de intenção de voto e tem o apoio da igreja, que é ligada ao PRB.

Na nota, a arquidiocese ressaltou o vínculo do candidato com a igreja neopentecostal, que acusa de incitar a intolerância religiosa, e expõe preocupação com sua possível eleição.

“Se já fomentam discórdia, ataques e ofensas sem o poder, o que esperar se o conquistarem pelo voto? É para pensar”, diz a nota assinada pela arquidiocese, que é comandada pelo cardeal dom Odilo Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo.

Hoje, Marcos Pereira rebateu o texto do arcebispo. “Lamento que tal exercício de pensamento publicado há um ano e quatro meses seja usado de maneira indevida às vésperas da eleição para a prefeitura de São Paulo”, escreveu Pereira.