O povo vaiou a presidenta Dilma #CopaSemRacismo #CopaSemHomofobia 1

A presidenta Dilma Rousseff foi xingada três vezes e vaiada uma vez durante o jogo Brasil X Croácia. Claro que ela já esperava algum tipo de manifestação contra ela, tanto que não discursou e nem ficou sentada na primeira fila de sua área VIP do VIP, na Arena Corinthians. Aliás, basta dar uma lida nas redes sociais para ver a insatisfação e a raiva de algumas pessoas. A questão é que Dilma virou bode expiatório para todos os problemas que acontecem no País, nem todos são responsabilidade dela.

Culpar a “elite branca”, culpar a imprensa ou dizer que foi uma manifestação misógina ou machista é ridículo. Lula foi vaiado em pleno Maracanã. Aécio Neves foi agredido em pleno Mineirão, quando Brasil e Argentina jogaram pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2010 e Diego Maradona era o técnico. Na época disseram: “Ei Maradona, vai se f…, o Aécio cheira mais do que você”.

Uma parcela da população está insatisfeita com o governo atual. E os xingamentos partiram da arquibancada e não da área VIP. Eu estava lá e posso garantir que parte da área VIP começou a xingar depois. E a arquibancada era formada por muita gente que se endividou para pagar um ingresso. Pela classe média e não só pela elite. Eu peguei o trem para ir à Arena e vi isso: famílias de classe média indo ao estádio. E mesmo que o estádio estivesse tomado só pela elite, a elite não pode se manifestar? E mais: Dilma faz parte da elite, ela estava em uma área separada da área VIP, com outras pessoas que fazem parte da elite também.

Xingar, vaiar um chefe de Estado vai mudar alguma coisa? Claro que não, é falta de respeito. Não concordo com esse tipo de manifestação. Assim como não concordo com manifestações violentas nas ruas.

Vejo gente criticando as vaias e os xingamentos que a presidenta levou e se calando diante de manifestações violentas nas ruas, com quebra-quebra, arruaça, com depredação de imóveis públicos. São dois pesos e duas medidas?

Aliás, esse papo de “elite branca” é papo furado, pois somos uma mistura de etnias e muitos que usam esse termo fazem parte da elite e são brancos.

Não precisamos xingar, não precisamos fazer arruaça, precisamos, sim, de um debate sério a respeito do que queremos para o nosso Brasil. Sem ódio. E quem está insatisfeito que mostre a sua insatisfação em outubro.

Felipão se declara a favor do casamento gay Resposta

Felipão

Técnico da Seleção Brasileira, Felipão foi o primeiro convidado do novo “Fantástico” (Rede Globo) e falou sobre futebol, claro, e sobre assuntos polêmicos, como o casamento gay. No vídeo da página do Fantástico não aparece ele falando sobre o tema, mas tem uma matéria, na qual ele diz o seguinte sobre casamento gay: “Eu acho que cada um escolhe a sua opção. Se é feliz tendo uma outra pessoa do mesmo sexo ao lado, seja feliz”.

Não é opção, Felipão, mas os LGBTs agradecem o apoio de um dos homens mais influentes do Brasil ao casamento gay.

Homofobia e homossexualidade no futebol ainda são tabus nas arquibancadas Resposta

O ano de 2013 foi expressivo para a discussão de dois grandes tabus do futebol brasileiro: a homossexualidade e a homofobia. Em 9 de abril, torcedores do Atlético-MG fundaram a Galo Queer, uma página no Facebook que reúne torcedores alvinegros com uma postura anti-homofobia e anti-sexismo. “Galo” é o apelido do clube de Minas Gerais e “Queer”, em inglês, significa gay. Em 15 dias, a página ganhou cinco mil fãs, e hoje conta com mais de 6.600.

O gesto da torcida atleticana motivou outras a fazerem o mesmo. Ao longo do mês de abril, surgiram páginas semelhantes de torcidas de todo o país: Cruzeiro, São Paulo, Náutico, Grêmio,Vitória, Bahia, Internacional, Palmeiras, Corinthians, Flamengo, entre outros. A lista é extensa e mostra que a discussão da homofobia no futebol, até então, ainda estava dentro do armário.

Integrante da Galo Queer no Mineirão Facebook/Reprodução

Integrante da Galo Queer no Mineirão Facebook/Reprodução

“O estádio é um ambiente super homofóbico. Lá não se vê nenhuma manifestação de diversidade afetiva”, diz o jornalista – e palmeirense – William de Lucca, colaborador da Folha de S. Paulo em João Pessoa, na Paraíba. Ele é homossexual assumido e se esforça para prestigiar os jogos do Palmeiras em cidades próximas, como Recife ou Natal. William já era militante LGBT e, assim que ouviu falar, aderiu à página anti-homofóbica “Palmeiras Livre”.

“Em 2008, eu morei alguns meses em São Paulo e tinha um namorado que era palmeirense também. A gente foi até aconselhado por um amigo dele da torcida organizada a não ter nenhuma demonstração de afeto dentro do estádio, porque a gente poderia ser agredido”, lembra. “A gente sempre fica com medo. Em outros ambientes, sou muito seguro quanto a manifestar meu afeto: ando de mão dada e tal, inclusive na rua, mas acho que o estádio de futebol é mais hostil do que a própria rua, sabe? A homofobia é muito mais explícita”, conta.

“A gente só não tem mais relatos disso porque os homossexuais que torcem nos estádios não arriscam nenhum tipo de demonstração afetiva”, conclui William.

Dentro da Palmeiras Livre, assim como nas outras organizações, ainda se discute quais serão os próximos passos. Os integrantes querem ocupar as arquibancadas, mas temem agressões físicas, já que as verbais ocorrem diariamente. “Dia sim e outro também nós recebemos ameaças”, conta a fotógrafa e analista de mídias sociais Thaís Nozue, também integrante da Palmeiras Livre. “As pessoas vem ameaçando, dizendo que estão mexendo com o time errado, que eles vão descobrir quem é, que não sei o quê”. Por enquanto, a hostilidade está restrita a mensagens no Facebook como: “Vão morrer”, “Experimenta aparecer na torcida e vocês vão apanhar”, “A Mancha [maior organizada do Palmeiras] bate em polícia e não vai bater em um monte de bicha?” – o que não significa que a ameaça venha da Mancha, como explica Thaís.

Segundo ela, a causa da Palmeiras Livre também foi rechaçada pelas organizadas alviverdes. “A gente até tentou uma aproximação com as organizadas, mas elas deram um recado para a gente não se meter com elas. Às vezes aparecem pessoas se dizendo das organizadas nos ameaçando, mas a gente não tem como comprovar se são mesmo”, diz.

A homofobia veste verde?

Procurado pela Pública, Marcos Ferreira, o Marquinhos, presidente da Mancha Alviverde, não quis dar uma entrevista sobre a polêmica da homofobia e sobre um episódio envolvendo o volante e lateral Richarlyson, hoje no Atlético-MG e tido como homossexual, apesar de sempre se declarar heterossexual.

No início de 2012, o Verdão estudava a possibilidade de contratar Richarlyson. A Mancha Verde convocou um protesto no dia 4 de janeiro, na frente do Centro de Treinamento (CT) do Palmeiras, zona oeste de São Paulo. Segundo a torcida o motivo era uma rixa antiga com o jogador, que estava à beira de um acordo com o Alviverde, mas acabou indo jogar no rival São Paulo. Porém, uma grande faixa estendida por duas pessoas durante aquele ato dizia: “A homofobia veste verde”.

Ao telefone, Marquinhos negou repetidas vezes que a Mancha tenha algo a ver com a faixa – ela seria obra de duas pessoas desconhecidas da organizada que foram ao protesto. Mas ele disse que “não via nada de agressivo na faixa”. A Pública também tentou contato com Richarlyson, mas foi informada pelo seu empresário, Julio Fressato, que ele estava se recuperando de uma cirurgia.

O selinho de Sheik e o voo das gaivotas

Sheik deu selinho em amigo e causou a ira de torcedores do Corinthians

Sheik deu selinho em amigo e causou a ira de torcedores do Corinthians

Na esteira das iniciativas anti-homofóbicas, dois episódios jogaram o Corinthians no centro da discussão. O atacante Emerson Sheik, herói corintiano da inédita conquista da Libertadores em 2012, foi vítima de uma onda de ataques homofóbicos depois da vitória do Corinthians sobre o Coritiba por 1 a 0, no Pacaembu, no dia 18 de agosto. Para comemorar, Sheik postou uma foto em seu perfil oficial no Instagram em que aparecia dando um selinho em um amigo de longa data, o empresário Isaac Azar. “Tem que ser muito valente para celebrar a amizade sem medo do que os preconceituosos vão dizer. Tem que ser muito livre para comemorar uma vitória assim, de cara limpa, com um amigo que te apoia sempre”, escreveu.

No dia seguinte, cinco integrantes da Camisa 12, segunda maior torcida organizada do Corinthians, foram ao CT do clube protestar contra a atitude de Sheik, levando três faixas que diziam “Vai beijar a P.Q.P. Aqui é lugar de homem”, “Respeito é pra quem tem” e “Viado não”.

Dois meses depois, o jornalista e apresentador Luiz Felipe de Campos Mundin, que assina como Felipeh Campos, anunciou que faltava pouco para fundar a já polêmica Gaivotas Fiéis, primeira torcida organizada com conceito gay do Corinthians.

A Pública conseguiu entrevistar um personagem importante em ambos os episódios, Marco Antônio de Paula Rodrigues, de 34 anos. Conhecido pelo apelido “Capão”, por ter crescido no Capão Redondo, bairro periférico da zona sul de São Paulo, ele é presidente da Camisa 12, e foi um dos cinco que protestaram contra o selinho de Sheik. Ele revela ter sido o autor da faixa que dizia “Viado não” – a única, dentre as três, que considera agressiva. “Só essa foi um pouco mais forte, foi um excesso. Eu que risquei com o spray essa faixa, eu até pensei [que era agressiva], mas depois que nós já estávamos lá, a gente não podia voltar atrás”, diz. Trajado da cabeça aos pés com roupas da Camisa 12 (boné, camiseta, agasalho, bermuda e até meias da torcida), Capão é assertivo, olha nos olhos e tem a voz rouca. Aceitou falar durante uma hora e meia com a reportagem da Pública na sede da torcida, no bairro paulistano do Pari, região central, para “dar a explanação” sobre os dois episódios.

Sobre a iniciativa de Felipeh Campos, Capão vê a nova torcida gay como puro marketing. “Acredito que ele está pensando mais numa autopromoção do que numa torcida organizada. Porque para nós, uma torcida organizada começa como a gente sempre troca ideia nas torcidas: o cara vai para uma caravana, o cara participa de vários jogos do Corinthians na arquibancada e não na numerada, a pessoa participa de inúmeras manifestações corintianas que teve nesses últimos anos, tanto de protesto contra diretoria, contra jogador. Tem uma caminhada ideológica dentro de uma instituição para você fundar uma torcida organizada. Torcida organizada não é um comércio, mano”, argumenta.

“Tomei muita borrachada da polícia por aí, passei muita fome na estrada, nunca fomos pra qualquer lugar e fomos bem recebidos por qualquer órgão que cuida da organização do jogo no estádio, da segurança pública, nós sempre fomos maltratados por muitos deles, então a torcida organizada não é simplesmente chegar e falar: ‘Ó, vou criar uma torcida hoje. Vou criar uma camisa e vou pro estádio’”.

Torcedores foram ao CT exigir pedido de desculpa de Emerson Sheik por selinho em amigo

Torcedores foram ao CT exigir pedido de desculpa de Emerson Sheik por selinho em amigo

Para Capão, é “inaceitável” a escolha do nome da torcida gay e a corruptela do símbolo do Corinthians – no brasão da Gaivotas, além da nova ave, o símbolo do Corinthians tem como fundo um espelho de maquiagem com direito a pincel e lápis, e a bandeira do Estado de São Paulo foi pintada com as cores do arco-íris, ícone do movimento gay.

Símbolos da Gaviões da Fiel e da Gaivotas Fiéis. Para a Gaviões, houve plágio do jornalista Felipeh Campos (Foto: Reprodução)

“Eu acho que o rapaz lá acaba beirando até o ridículo… Ele está transmutando as nossas coisas. Tanto pelo nome que ele coloca se referindo a uma torcida que tem uma puta tradição [Gaviões da Fiel, a maior organizada do Corinthians, fundada em 1969] quanto do nosso símbolo do Corinthians, ele colocar um espelho e uns negócios de maquiagem no símbolo… Numa entrevista que eu vi, perguntaram: ‘Mas por que isso daí?’ E ele: ‘Ah, porque na verdade o corintiano vai gostar de se pintar na arquibancada’. Meu, torcida do Coringão é 90 minutos, mano. A gente gosta é de cantar, de sofrer, de chorar pelo Coringão. Não é de se pintar. Com todo o respeito, nem as nossas mulheres fazem isso”, afirma Capão, que é contra a existência de uma torcida gay. “Já digo de pronto que eu não sou favorável a ter uma torcida gay, porque eu acho que os gays não precisam disso daí pra poder se achar numa sociedade que já está abrangendo todo mundo”.

Perguntado se existem gays na Camisa 12, Capão não hesita: “Nós não temos gays na torcida, mano. Pelo menos nunca soubemos, entendeu. Meu, se o cara tá lá, tá assistindo o jogo. Tudo bem, nós vamos respeitar, mas qualquer faixa assim, nós somo contra mano. Nós não queremos, de verdade mano, aqui dentro da 12. Pra nós é sério o estádio, não é só pra brincar”. Capão, explicando que, se “no meio de um gol os dois de repente se beijarem no meio da nossa torcida”, seria “ruim”: “O estádio pra nós é um templo”.

O lastro, para Capão – que não se considera homofóbico –, é sempre a tradição. “O cara ir pro jogo, se for um homem, de shortinho amarradinho, camisa amarradinha e todo pintado… Pra nós não rola meu, de verdade. Porque o nosso tradicionalismo, infelizmente, meio ogro, tá ligado, até beirando homem da caverna não permite isso daí, certo?”. Se a Camisa 12 fosse homofóbica, exemplifica Capão, “a gente juntava os associados da 12 e ia lá na passeata gay quebrar todo mundo. No entanto que ninguém tá muito se manifestando [sobre a Gaivotas Fiéis], certo? Por quê? Porque tudo que a gente fala, a mídia distorce”.

Sobre o episódio do selinho do Sheik, Capão diz que o problema foi o atacante ter declarado que o beijo era para comemorar a vitória do Corinthians. “Quando ele falou que ele estava fazendo aquilo pra comemorar o jogo ele já transferiu a responsa pro Corinthians”, afirma, explicando que, depois do episódio, onde quer que o Timão jogue é recebido com gritos de “beija beija beija” pelos torcedores rivais. “Estávamos ali [no protesto] representando muitos torcedores. Muitos pediram para que a gente tomasse a frente, tanto que eu recebi inúmeras congratulações depois”, diz.

Gaviões X Gaivotas

A Gaviões da Fiel, maior organizada do Corinthians, fez uma denúncia de crime contra a propriedade industrial no 1º DP de Guarulhos, contestando a sátira à marca da torcida, que é registrada. A torcida reclama que a proximidade dos nomes e símbolos das duas pode induzir ao erro. “Eu não sei onde eles enxergaram plágio”, contesta Felipeh Campos, da Gaivotas. “A minha torcida chama Gaivotas Fiéis, não é gavioa. Já começa que Gaivota é feminino, não é masculino. Se eu tivesse colocado cílios e salto alto no gavião, aí eu até acredito que poderia ter sido uma questão de plágio. Porém eu não estou utilizando as peças do emblema para plagiar alguma coisa. Entendo isso como uma retaliação homofóbica”, diz.

Feliphe Campos apresenta novo logo da torcida Gaivotas Fiéis

Feliphe Campos apresenta novo logo da torcida Gaivotas Fiéis

Felipeh conta que vem sendo ameaçado nas redes sociais, e que foi agredido verbalmente na semana passada, na Avenida Paulista. “As ameaças são coisas do tipo ‘Cuidado, eu vou te matar’, ‘Você já tá jurado de morte’, ‘Abre teu olho’. Então você vê que são atitudes extremamente homofóbicas e preconceituosas, elas não têm outros motivos”, diz. Sobre a agressão ao vivo, ele conta que ocorreu na saída de seu trabalho, na sede da TV Gazeta, na avenida Paulista. “Eu estava com um amigo meu na Paulista e um cara passou, me esbarrou e começou a me xingar. E eu falei: ‘É comigo que você tá falando?’ E ele: ‘ Você acha que é com quem? Tá pensando que você e a sua turminha vai entrar em estádio? Não vai não, mano’. E eu falei: ‘Bom, vamos conversar, abaixa o tom de voz’. E aí ele continuou a gritar e eu falei: ‘Ótimo, a polícia está vindo ali, eu vou te incriminar agora em crime de homofobia e você vai sair daqui para a cadeia’. Aí na hora que ele viu que a polícia vinha vindo a pé, ele meio que saiu de canto e deu um pinote”, relata.

Felipeh Campos conta que desde pequeno frequenta estádios. “O futebol nas décadas de 70 e 80 era uma grande festa. Mas foi crescendo de uma forma tão grande que deixou de olhar para a questão democrática. Não está escrito na porta do estádio que só é permitida a entrada de homens, né? Eu acredito que não só os gays têm que frequentar os estádios, como a mulher, as crianças, entendeu? O futebol é pra todos”, diz. “Mas é claro que o conceito da torcida é gay e o meu objetivo maior é inserir o público gay no estádio de futebol. Eles [as organizadas] monopolizaram os estádios”, diz.

De fato, a divisão do estádio do Pacaembu é um dos argumentos de Capão para rejeitar a convivência com as Gaivotas. Por determinação da Federação Paulista de Futebol, as organizadas do Corinthians têm que ocupar as arquibancadas Verde e Amarela, atrás de um dos gols, nos jogos em que o clube é mandante. Se ficasse fora desse setor, a Gaivotas estaria violando a regra. “Mas dentro desse setor, nós já temos seis torcidas: temos a Gaviões da Fiel, temos a Camisa 12, a Pavilhão 9, a Estopim da Fiel, a Coringão Chopp e a Fiel Macabra. São seis torcidas que estão ali e todas elas obtiveram a caminhada. Ninguém chegou do nada não”, argumenta Capão.

Felipeh garante que o objetivo não é “fazer represália com qualquer tipo de segmento sexual”. Porém, sobre dividir espaço com as outras organizadas, ele é enfático. “Nem que eu tiver que pedir segurança para o exército. Mas que a minha torcida vai entrar nos estádios, isso vai, com certeza. Nem que a gente tenha que chegar de carro-forte, de tanque”. Ele ressalta que a sua torcida será profissional e que todo o corpo diretivo será remunerado, diferentemente das outras organizadas.

Procurado pela Pública, Jerry Xavier, diretor da Gaviões da Fiel, disse que a torcida não se pronuncia sobre esse tema. O Corinthians também afirmou, via assessoria, que não se manifesta a respeito de torcidas.

Homofobia bate recorde no Brasil

O Brasil, o país do futebol, vem sendo líder no ranking de mortes por homofobia. Segundo dados do relatório “Assassinatos de Homossexuais (LGBT) no Brasil”, de 2012, do Grupo Gay da Bahia, o Brasil concentra 44% do total de assassinatos por motivação homofóbica no mundo. Em 2012, foram registradas 3.084 denúncias de violações ligadas à homofobia e 310 homicídios por esse motivo.

Estádio: a terra do macho

“Por ser o estádio um ambiente que tem uma série de permissões nas relações masculinas – carinhos, afetos, às vezes até mesmo agressões – é necessário que esse ambiente seja considerado seguro para os homens. Para garantir essa suposta ‘segurança’, os torcedores precisam reforçar a sua masculinidade. E uma das coisas que melhor reforça a masculinidade na nossa cultura é a homofobia. Por isso ela aparece de forma tão gritante”, afirma o pedagogo e professor da UFRGS, Gustavo Andrada Bandeira, autor da tese de mestrado “‘Eu canto, bebo e brigo…alegria do meu coração’: currículo de masculinidades nos estádios de futebol”.

Para Bandeira, esse é o motivo da rejeição às torcidas gays: “Se a torcida do Corinthians, do Grêmio ou do Internacional for a primeira a levantar uma bandeira pró ações afirmativas, ela poderá ser chamada de a ‘torcida gay’, e as torcidas acham que isso é um problema”, diz.

Para Marco Antonio Bettine de Almeida, professor livre docente na Pós-graduação em Mudança Social e Participação Política da EACH-USP, a reação é “natural” num espaço que sempre foi dominado pelo masculino. “A partir do momento que as agendas de visibilidades desses grupos excluídos, que tiveram seus direitos cerceados, que são espancados, é natural, vendo a representação que o futebol tem no Brasil, começar toda essa movimentação de garantir uma representação nesse espaço eminentemente masculino, do macho, do falo”. Para ele, no entanto, há espaço para negociação entre os grupos LGBT e as organizadas. “Uma mulher no estádio é aceita, por exemplo, mas tem que representar os papéis dentro do estádio, que é torcer, xingar, participar. As torcidas gays ou não gays têm que incorporar um pouco da história desse espaço do torcer. E conhecer, minimamente, os códigos, senão vai gerar conflito. Porque o espaço é um espaço sagrado e tem uma carga cultural muito forte”.

Bandeira discorda. “Se é uma torcida gay, que ela tenha comportamentos diferentes das torcidas não gays. É sempre complicado quando a gente quer transgredir as regras de gênero sexual num ambiente muito marcado. Mas me parece que seria muito mais interessante se eles fizessem algo diferente”. Foi essa a aposta da Coligay, a primeira torcida homossexual do país, que em plena ditadura militar conquistou seu espaço dentre os torcedores do Grêmio (leia Box).

Uma inspiração para o caso brasileiro pode ser a GFSN (Gay Football Supporters Network, Rede de Torcedores de Futebol Gays, numa tradução livre). Fundada em 1989, a associação do Reino Unido tem diversas iniciativas para a inserção do público LGBT no futebol. “Estamos em contato permanente com muitos clubes para recomendar políticas anti-homofóbicas por parte deles”, afirma Simon Smith, do departamento de comunicação. “Ajudamos, por exemplo, a consolidar os Gay Gooners, a torcida LGBT do Arsenal e conseguimos o apoio formal de representantes do Liverpool e do Everton para a parada do orgulho LGBT da cidade de Liverpool. Dentro de campo, organizamos há dez anos campeonatos de futebol voltados ao público LGBT para a inclusão no esporte”, conta Smith.

A GFSN também registra com precisão britânica a ocorrência de gritos e cânticos homofóbicos nos estádios – e faz campanha permanente contra eles. “Na temporada passada, os torcedores do Brighton & Hove Albion FC sofreram com cantos homofóbicos em 72% dos jogos que disputaram. Nós documentamos isso e enviamos à FA (Football Association, a CBF inglesa), que ainda não tomou nenhuma atitude. Mas nós continuamos pressionando”, diz.

No próximo ano, a Copa do Mundo promete ser palco de discussão sobre homossexualidade – pelo menos em São Paulo, onde mais de 40 mil pessoas são esperadas para acompanhar a transmissão dos jogos nos telões da Fan Fest, no Vale do Anhangabaú, centro da cidade. Ali, a prefeitura planeja realizar uma intervenção para discutir homofobia, com direito a exibição de vídeos em telas e distribuição de folhetos sobre o tema. Outra ação que está sendo estudada é transmitir os jogos em telões no Largo do Arouche, um “point” LGBT da cidade, para esses torcedores.

Fonte: Ig Esporte

É hora de discutir a homofobia no futebol 1

homofobia-futebol

O selinho do jogador corintiano Emerson Sheik no amigo Isaac Azar trouxe à tona a questão da homofobia no futebol em função da reação agressiva de torcedores do clube que protestaram contra a atitude do herói da Libertadores de 2012.

Mas não é uma questão nova, ainda que não tenha merecido a atenção devida nem dos dirigentes esportivos da CBF e das federações, tampouco das equipes profissionais. “Os clubes de futebol, a imprensa esportiva e outros atores envolvidos com o futebol legitimam a homofobia ao silenciarem sua existência. Ao não serem citados, os xingamentos homofóbicos acabam sendo naturalizados”, acredita Gustavo Andrada Bandeira, pedagogo e autor da dissertação intitulada Eu canto, bebo e brigo… alegria do meu coração: currículo de masculinidades nos estádios de futebol. “Os nossos grandes clubes possuem origens e histórias mais ou menos semelhantes. Não vejo, neste momento, condições para que um clube de futebol brasileiro levante qualquer bandeira política que o diferencie dos demais.”

O surgimento das torcidas queer, que combatem a homofobia nas redes sociais, teve o mérito de tirar esse tema da invisibilidade. Mas, mesmo ganhando inúmeros adeptos e o apoio de outros tantos, reconhecem dificuldades para fazerem coisas simples, como manifestar o amor pelo seu time em um estádio de forma coletiva.

“Frequentamos o estádio e temos sim esse objetivo [de comparecer como organizada]. Mas queremos fazer tudo com calma e no momento certo, é preciso garantir a integridade física de todos os participantes. Infelizmente a intolerância é muito grande e, a julgar pelas ameaças que recebemos na página, sabemos que não será fácil fazer protestos no estádio. Estamos pensando na melhor forma de fazer isto”, diz Milena Franco, da Galo Queer, torcida considerada precursora do movimento atual.

Algumas torcidas já tentaram ir aos estádios levando a temática LGBT. Muito antes da internet e das redes sociais, em 1977, surgiu a primeira organizada gay do Brasil, a Coligay,  fundada por Volmar Santos, então dono da boate Coliseu, para apoiar o Grêmio. Hostilizada pelos próprios torcedores do clube, foi extinta na década de 1980. Outro exemplo que também não foi adiante é a FlaGay, fundada pelo carnavalesco botafoguense Clóvis Bornay e que teve idas e vindas entre o final da década de 1970 e os anos 1990.

Quanto ao comparecimento em estádios, a Bambi Tricolor enfrenta a mesma dificuldade da Galo Queer, mas em um nível talvez pior, já que são-paulinos são muitas vezes alvo de ofensas homofóbicas por parte dos rivais. “Há uma forte resistência entre os torcedores, agravada, inclusive, pela escolha do nome Bambi Tricolor. E embora a maioria que se manifesta tenha consciência de que as provocações e ofensas contra os são-paulinos tem um forte caráter homofóbico, não é muito clara a ideia de que a reação da torcida, de modo geral, tende a reforçar a homofobia”, conta Aline, representante da Torcida.

Confira nos links abaixo as três entrevistas feitas pelo Futepoca em abril e maio deste ano sobre a homofobia no futebol brasileiro.

“Nossa cultura ainda é muito permissiva em relação à homofobia”

Entrevista com Gustavo Andrada Bandeira, pedagogo e autor da dissertação intitulada Eu canto, bebo e brigo… alegria do meu coração: currículo de masculinidades nos estádios de futebol.

“Em questões que envolvem violência, todo silêncio é, na verdade, uma omissão”

Entrevista com Aline, representante da Bambi Tricolor

“A rivalidade faz parte do futebol, mas a homofobia não”

Fonte: EBC

Sheik vai usar chuteira contra homofobia 1

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Após dar um selinho no amigo Isaac Azar e publicar a foto do beijo na internet, o atacante Emerson Sheik foi criticado por muitos torcedores do Corinthians.

Nesta semana, cinco integrantes da torcida organizada “Camisa 12” foram ao CT do clube e levaram cartazes homofóbicos com os seguintes dizeres: “Veado não”, “Aqui é lugar de homem” e “Vai beijar a PQP”.

Em resposta aos comentários, o jogador pediu o fim do ‘preconceito babaca’ no futebol e desculpas aos ofendidos.

Agora, para o jogo contra o Vasco, no próximo domingo, o corintiano vai ‘estrear’ uma chuteira nova, com as seguintes palavras nos calçados: “Fora preconcento” e “Gentileza”.

Nesta semana, a Polícia Cívil de São Paulo chamou o jogador e a “Camisa 12” para falarem sobre o caso. A polícia quer saber se Emerson se sentiu ameaçado pelos torcedores e se deseja representar formalmente uma queixa contra os corintianos.

Opinião

O selinho é válido, as declarações também, assim como a chuteira que Sheik usará, mas ele precisa representar uma queixa formal na polícia contra os torcedores homofóbicos. Preconceito a gente combate com educação e punição.

Torcedores do St. Pauli se manifestam contra homofobia, em apoio a Robbie Rogers Resposta

Manifestação dos torcedores do St. Pauli contra homofobia

Manifestação dos torcedores do St. Pauli contra homofobia

Quando alguém te disser que o alemão St. Pauli é o clube mais legal do mundo, acredite, porque é verdade. Um dia após a entrevista de Robbie Rogers, jogador americano que se declarou gay e disse ser impossível continuar no futebol depois disso, os torcedores do time da segunda divisão alemã fizeram uma manifestação nas arquibancadas contra homofobia e em apoio ao jogador. Sim, é isso mesmo. E olha que Rogers não passou nem perto de jogar no time – o americano jogou na Holanda, Inglaterra e nos Estados Unidos.

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Foi no jogo contra o Paderborn, no domingo. Os cartazes fazem apologia ao casamento gay e trazem balões coloridos e mensagens de apoio aos gays, banners com arco-íris e uma mensagem que dizia: “Futebol é tudo, até gay”. E é bom lembrar que o St. Pauli foi o primeiro clube a ter um presidente assumidamente homossexual, Cornelius Littmann, conhecido como Corny Littman.

O jogo acabou 2 a 2. Tudo igual. Como a torcida do St. Pauli acha que tem que ser em relação aos gays. Que todos tenham direitos iguais de praticar seus esportes, ter suas profissões e poder manifestar sua sexualidade como quiser. Veja o vídeo:

Jogador de futebol, Robbie Rogers, assume ser gay e se aposenta aos 25: “Impossível continuar” Resposta

Robbie Rogers deu entrevista ao jornal Guardian e posou para fotos. Depois de abandonar o futebol, ele pensa em seguir nova carreira no mundo da moda (Foto: Tom Jenkins/Guardian)

Robbie Rogers deu entrevista ao jornal Guardian e posou para fotos. Depois de abandonar o futebol, ele pensa em seguir nova carreira no mundo da moda (Foto: Tom Jenkins/Guardian)

Um jogador de futebol abandonar a carreira aos 25 anos é sempre um fato surpreendente. Mas essa foi a decisão de Robbie Rogers, americano que atuava na Inglaterra. O motivo? Ele assumiu que é gay em fevereiro. Quantos jogadores gays assumidos jogam profissionalmente? Os que jogam estão escondidos sob o medo. Um medo justificado e isso fica evidente no relato de Robbie Rogers, que jogou por Columbus Crew, dos Estados Unidos, Heerenveen, da Holanda, Leeds e Stevenage, da Inglaterra.

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“No futebol é obviamente impossível se assumir gay”, disse o jogador, de 25 anos, em entrevista ao jornal Guardian. “Imagine ir para o treino todos os dias e estar com esse holofote?”, comentou o jogador. “É um circo todo dia”. Rogers relatou que a reação dos companheiros de time era um problema que ele tinha que lidar por ter revelado ser gay enquanto sua carreira ainda estava em curso.

Nascido em Rancho Palos Verdes, na Califórnia, o jogador começou a carreira no Orange County Blue Star antes de se transferir para o Heerenveen, da Holanda. Jogou então no Columbus Crew entre 2007 e 2011, onde chamou a atenção do Leeds, que o contratou em 2012. Sem conseguir ter sequência de jogos por suas lesões, foi emprestado ao Stevenage, mas também não conseguiu sucesso. Acabou dispensado em janeiro. Rogers foi parte do elenco da seleção dos Estados Unidos na Copa Ouro de 2011. O meia-atacante não entrou em campo naquele torneio, mas jogou 18 partidas pela seleção americana e marcou dois gols.

“As coisas irão mudar. Haverá jogadores gays”

“Eu sei que as coisas irão mudar. Haverá jogadores gays. Eu só não sei quando e como e quanto tempo levará”, afirmou o americano. “O próximo passo é como criar uma atmosfera onde homem ou mulher sintam que não há problema em assumir sua sexualidade e continuar a jogar? É uma grande pergunta”, disse ainda o agora ex-jogador. “O futebol tem muita história. É um grande esporte com muita cultura e tradição. Mas eu estou otimista que haverá mudanças”, disse, esperançoso, Rogers.

Tomar a decisão de se assumir gay em um meio onde isso não é bem aceito é um desafio que fez Robbie Rogers hesitar antes de se decidir por sair do armário. “Eu tive medo sobre como meus companheiros iriam reagir. Isso os faria mudar?”, contou Rogers. “Mesmo eu sendo a mesma pessoa, isso iria mudar o modo como eles agem comigo quando estamos no vestiário ou no ônibus?”, disse ainda o americano.

“Adicionar o aspecto gay não torna as coisas mais fáceis”, disse Rogers, que admitiu que não sabia se aguentaria ter que aguentar as possíveis ofensas que ele ouviria se continuasse jogando. “Eu posso ser forte o suficiente, mas eu não sei se isso é o que realmente quero. Eu quero apenas ser um jogador de futebol. Eu não quero lidar com o circo. As pessoas virão me ver só por que sou gay?”, desabafou.

Em entrevista ao New York Times, Rogers falou sobre uma das questões que são sempre faladas como um impeditivo aos jogadores gays: o momento de tomar banho no vestiário. “Eu tomei banho com homens no vestiário a minha vida inteira. E eu nunca fiquei excitado, como “Oba, é hora de tomar banho com os caras”. Não é assim. Não há interesse. Você não pensa em caras do seu time desse jeito. Simplesmente não pensa”, contou.

Ele contou que desconfiava ser diferente dos garotos que conhecia aos 10 anos e que com 14 tinha certeza que era gay. Mas tentou evitar que isso fosse revelado a público. Ele não contou para ninguém. Ninguém da sua família sabia, nem seus amigos mais próximos. “Eu sou um católico, conservador, jogador de futebol e gay”, disse, mostrando por que ele tinha receio de revelar a sua sexualidade. “Imagine viver o tempo todo com uma cãibra no estômago. Eu ficava pensando, eu espero que eu não faça nada que faça as pessoas pensarem ‘o Robbie é gay?’”, contou. “Eu nunca estive perto de me assumir antes. Nunca. Eu nunca fui a nenhum bar gay, nunca fiquei com um cara. Era tão pouco saudável e tão ruim me sentir assim. Dois anos atrás, eu pensava que nunca iria assumir na minha vida inteira”.

“Eu pensei em pegar um avião para casa e contar a todo mundo, mas eu precisava apenas fazer isso e tirar do meu peito”, conta. “A única vez que eu realmente chorei durante todo esse processo foi quando eu contei à minha mãe e ele disse apena: ‘Robbie, nós não nos importamos com isso. Nós amamos você’”.

Preocupação com a repercussão na carreira

Rogers também se preocupava com a reação dos torcedores e da imprensa sobre o fato de ele ser gay. “Se estivesse jogando bem, os relatos seriam: ‘O jogador gay está jogando bem’. E se eu jogasse mal, seria: ‘Ah, aquele cara gay, ele está com problemas porque é gay’”, avaliou o agora ex-jogador, que irá tentar ganhar a vida no mundo da moda. Ele é dono de uma marca de roupas masculinas, a Halsey.

Apesar de todos os problemas que tem que enfrentar um jogador que assume ser gay, Rogers não acredita que o esporte seja homofóbico. “Não acho que o futebol é homofóbico. Mas claramente há algo ali. Porque ninguém estendeu a mão. Nenhum outro jogador disse que era gay. Então definitivamente ainda há trabalho a ser feito, certo?”, concluiu.

A constatação de Rogers é clara. Não é o primeiro caso de jogador gay, mas é evidente que a reação do mundo do futebol a isso ainda está longe do ideal. O ambiente é masculinizado e machista e há um excesso de preocupação com um jogador gay, como se isso fosse interferir no time.

O preconceito ainda é forte em ambientes como o futebol, muito machistas e onde a força física e virilidade são vistos com bons olhos – e são características não associadas aos gays, por um preconceito que homossexuais do sexo masculino são afeminados, algo que não tem embasamento algum.

Está na hora de superar isso. Mas esse não é um problema só do futebol. Esse é só um exemplo de uma sociedade que ainda tem problemas em reconhecer liberdades individuais. Há gays em qualquer área profissional e isso não é problema algum. A qualidade do jogar dentro de campo não é influenciada pelo fato do jogador ser heterossexual ou homossexual. O que deveria importar é apenas o desempenho em campo. Será que um dia só isso já será suficiente?

Informações: Trivela

Federação de Futebol da Holanda faz campanha contra a homofobia Resposta


Federação Holandesa de Futebol acaba de lançar comercial para combater a homofobia no futebol, um essporte superhomofóbico. A campanha “Gay? Não há nada de estranho nisso” busca que os atletas assumam suas orientações sexuais.
No vídeo, a ideia foi relatada de vários métodos, mas o maior destaque foi para um jogador que vive dentro de um armário e é questionado com a pergunta: “Por que não sair? Seu time está ao seu lado”. 

Por aqui, bem que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) poderia lançar uma campanha contra a homofobia nos gramados e nos estádios e redes sociais, porque ela rola solta.

Jogador que saiu do armário nunca mais pôde pisas nos gramados Resposta


David Testo é um raro caso no futebol. Mesmo vivendo o dia a dia esportivo tradicionalmente homofóbico, o atleta norte-americano decidiu, após muito pensar, sair do armário em novembro de 2011. Até então, garantia seu sustento como meio-campista do Montreal Impact, equipe canadense que disputa a Major League Soccer (MLS), nos Estados Unidos.
Em entrevista ao jornal espanhol Marca publicada nesta segunda-feira (8), Testo não demonstra nenhum traço de arrependimento de ter tornado sua homossexualidade pública. “Quando saí do armário, não sabia se iria jogar de novo, mas sabia que não poderia continuar a jogar daquela maneira”.
Sem esperanças de voltar aos gramados, o jogador, que é membro da You Can Play(campanha dedicada a lutar contra a homofobia no esporte), passou a dar aulas de yoga. Foi a forma que ele encontrou para continuar trabalhando, já que os clubes continuam na Idade Média.

Estadunidense da seleção de futebol admite ser lésbica às vésperas dos Jogos Olímpicos Resposta

Menos de um mês antes do início dos Jogos Olímpicos, Megan Rapinoe, jogadora da seleção norte-americana de futebol, declarou publicamente que é lésbica. O momento para a revelação é importante, já que a atleta, que completa 27 anos nesta quinta-feira, quer que sua história encoraje outras na comunidade LGBT.

Rapinoe já se dizia lésbica abertamente para seus familiares e para as companheiras de equipe, mas somente nesta segunda (2) fez a declaração publicamente, em uma entrevista para a Out Magazine. “Para o registro: Eu sou gay”, disse a jogadora, que explicou os seus motivos ao USA Today Sports.

“Para ser honesta, eu tenho pensado nisso há um tempo, tentado encontrar a melhor hora. Agora, chegando as Olimpíadas, as pessoas querem histórias pessoais. Em geral, nossa seleção está em um lugar onde as pessoas e as crianças olham para nós. Eu abraço isso e acho que tenho muitos seguidores LGBT. Trata-se de manter a cabeça erguida e dizer que você tem orgulho de ser quem é”, declarou.
Até o momento, a atleta garante estar feliz porque a recepção de sua revelação tem sido positiva. Rapinoe namora uma australiana, que também é jogadora de futebol, há três anos e no último Natal a levou para conhecer sua família na Califórnia. A atleta ainda disse que sabia ser lésbica desde o primeiro ano da faculdade e assumir isso para seus familiares levou um tempo de adaptação.

“Eu simplesmente sentei e conversei com eles. Minha mãe, certa ou errada, tinha sonhos para que eu tivesse um tipo de vida. Leva tempo para que eles se acostumem a isso. Mas eles têm me apoiado muito e me amam exatamente por quem eu sou”.
Para a jogadora, existe uma grande diferença entre um homem e uma mulher assumir sua homossexualidade no esporte. “Eu nunca quis trazer qualquer drama para o time e acho que minhas companheiras de equipe são maduras o suficiente para lidar com isso. O clima é muito diferente para homens. Esse estigma só vai ser quebrado quando as pessoas assumirem e a recepção for positiva. Não significa que não haverá respostas negativas, mas se alguém tiver a coragem de ser o primeiro, o que é muito difícil, essas barreiras podem ser derrubadas rapidamente”, explicou Rapinoe.

Conheça Roniquito, o personagem gay de Avenida Brasil Resposta

Daniel Rocha (Foto: Divulgação Rede Globo)

Como já era de se esperar, a nova novela das nova da Rede Globo, Avenida Brasil, estréia hoje e já existe pelo menos um personagem gay na trama. 
Roniquito, vivido pelo ator Daniel Rocha, viverá o drama de sair do armário para o seu pai Diógenes, presidente do clube de futebol Divino. A dificuldade do personagem será exatamente essa, a de dizer para o pai que ele é gay e não quer ser jogador de futebol.
Acho que muitos já passaram pelo mesmo problema. (Pelo menos esse blogueiro que vos fala, rs).
Em entrevista para o jornal carioca Extra, Daniel fala da expectativa de sua estréia em novelas, e fala um pouco do seu personagem:
– Vai ser um dilema, principalmente, por ele ter um pai machista e morar no subúrbio, onde a comunidade é mais fechada, e o pessoal tem um pouco menos de instrução. Na Zona Sul, aceitariam de uma forma mais liberal. Roniquito vai viver grandes contradições.
Particularmente eu discordo dessa análise que Daniel faz entre o subúrbio e a zona sul do Rio. Na minha experiência posso garantir que não existe lugar que aceite mais ou aceite menos os homossexuais. Já vi muitas vezes pessoas do subúrbio aceitarem os gays e viverem muito bem com essa questão. Por outro lado, já passei por uma experiência terrível em uma universidade da zona sul junto com meu outro amigo e parceiro do blog Rafa Zveiter. Na minha opinião, não existe diferença entre a aceitação das pessoas do subúrbio e da zona sul.
O personagem Roniquito (que nome!), vai se apaixonar pelo colega de time Leandro, vivido pelo ator Thiago Martins. Daniel acredita que essa paixão vai ajudar o personagem a se descobrir melhor.
Aguardem cenas do próximo capítulo.

Futebol inglês lança cartilha anti-homofobia 14 anos após suicídio de atleta Resposta


Homofobia é lugar-comum nos estádios de futebol da Inglaterra, assim como em outros ao redor do mundo. Mas a partir de agora, se depender da Football Association (FA), a CBF inglesa, torcedor nenhum poderá considerar a arquibancada área de exceção. Ofensas a jogadores passaram a ser enquadradas no novo plano de ação da FA, o LGBT Football, como comportamento discriminatório.



Esta é a primeira vez que a FA, de fato, toca no assunto e tenta por no papel um plano para banir a homofobia do futebol inglês. No entanto, por mais válida e inovadora que seja, a atual iniciativa foi aplaudida no estádio de Wembley, em Londres, como um amistoso que acabou no zero a zero.



No material divulgado pela FA, durante o evento “Opening Doors and Joining In”, no dia 20 de fevereiro, há muita intenções, mas nada de medida prática. Tirando um número de telefone de denúncias homofóbicas, tudo ali é só planejamento.



A cartilha anti-homofobia do futebol inglês tem ao todo 20 páginas – muito mais ambiciosa do que panfleto de 10 maus exemplos, distribuído nos estádios, em 2006. E, mesmo assim, foi alvo de críticas. “Não há nada de concreto ou específico. E é triste dizer, mas não se trata de uma iniciativa que vai causar algum impacto na maioria das pessoas”, avalia o ativista de direitos humanos Peter Tatchell (na foto acima), ex-líder da Gay Liberation Front (GLF), que estava presente no dia do lançamento.



Segundo ele, para entrar em pauta e alcançar os torcedores, a Football Association deveria pressionar os times a incluir mensagens anti-homofóbicas nos ingressos, por exemplo. Ou mais do que isso: exibir frases de campanhas contra esse tipo de discriminação no intervalo entre primeiro e segundo tempo dos jogos.



”Time inglês nenhum apresenta um plano que ofereça algum apoio ao jogador que revelar ser gay ou bissexual, como afirmação pública de sua decisão, assistência a ele e seus colegas em como falar com a imprensa, e como lidar com a reação dos times rivais. Isso sim traria inclusão”, emenda.


Quatorze anos depois


O caso de homossexualidade mais conhecido no futebol inglês teve um trágico final em 1998: o suicídio do jogador Justin Fashanu, o primeiro profissional da série A a admitir em público ser gay. Foram oito anos de uma relação conflituosa com a própria imagem e com a família. Seu irmão, John Fashanu, também era jogador profissional e não aceitava ser ridicularizado pelos colegas.



Pouco antes do suicídio, Justin foi acusado de ter abusado sexualmente de um adolescente, nos Estados Unidos. E se matou deixando uma carta em que dizia que aquilo não era verdade, mas que por ser homossexual, seria tratado injustamente. Por isso, era melhor morrer – uma desgraça que abalou a história do futebol na Inglaterra, e que hoje sobrevive com a The Justin Campaign, uma fundação que luta para combater a homofobia no futebol.

Imagem do Plano LGBT Football, da FA: “quando você é parte de um time, você nunca está sozinho”

O atual plano LGBT chega a ser o começo de uma resposta ou uma medida de prevenção para que casos como o de Justin se repitam. “Já estava ficando vergonhoso para a FA não ter um projeto assim”, revela Tatchell. “Foi um coro de críticas aos comandantes e vários pedidos para que alguma coisa fosse feita que forçou a federação a tomar uma atitude contra homofobia. Vários dirigentes deixaram o assunto de lado, até que não deu mais.” Tardio, mas válido. Válido, mas ainda pouco prático.



Um dos mais ricos do mundo, com investimentos de magnatas russo e árabes, o futebol inglês passa por uma fase polêmica com seus recentes casos de racismo, como o exemplo do uruguaio Luis Suárez, do Liverpoool, contra o francês Patrice Evra, jogador do Manchester United, entre outros. Lançar agora um plano contra a homofobia é importantíssimo pelo caráter do projeto. Mas também pode ser uma boa tática de retomar a imagem, ainda que seja com uma jogada mal acabada.

O vídeo a seguir “Let’s Kick Homophobia Out The Football”, de 2011, é um passo à frente da campanha Let’s Kick Racism Out the Football, de 1996. Nele, o protagonista agride verbalmente o jornaleiro, colegas de escritório, pessoas no elevador. No final, a reflexão: “Se esse tipo de comportamento não é permitido nas ruas e em nenhum outro ambiente, por que está liberado no estádio de futebol? “

Fonte: Opera Mundi

Técnico do Real Madrid é acusado de homofobia Resposta


Um canal de televisão russo captou palavras de José Mourinho, técnico do Real Madrid, durante o empate por 1 a 1 entre Real Madrid e CSKA, que irritaram a FEGLD (Federação Europeia de Gays e Lésbicas Desportistas). Segundo o “Cuatro”, o técnico do time merengue teria dito palavras ofensivas a homossexuais em Moscou, no jogo da última terça-feira, pela Liga dos Campeões.
Ao perceber qual seria a bola utilizada no jogo, Mourinho disse a seguinte frase, direcionada aos russos. “E esses mariconços? Não nos dizem com que bolas vamos jogar?”, indagou o treinador português.
O vice-presidente da FEGLD, Louise Englefield, lamentou o episódio e mostrou sua decepção com Mourinho.
“A homofobia é inaceitável no futebol e ainda mais quando vem de uma grande figura desse esporte. Estamos profundamente decepcionados com o senhor Mourinho pelo uso de termos homofóbicos durante um jogo internacional”, disse.

ABGLT solicita campanha contra a homofobia na Copa do Mundo de 2014 Resposta

A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), enviou carta ao presidente da Federação Internacional de Futebol (FIFA), Joseph Blatter, ao secretário geral da FIFA, Jérôme Valcker, ao presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira e ao membro do Comitê Local Organizador da Copa do Mundo, Rolando Luiz Nazário, solicitando que haja na Copa do Mundo de Futebol de 2014 campanha contra a homofobia, “nos mesmos moldes em que houve campanha contra o racismo em outras” Copas.

A carta ainda diz que “esta necesidade se dá pelo fado do Brasil ser campeão mundial em assassinatos de” gays.

Segundo a carta, assinada por Toni Reis, presidente da ABGLT, no Brasil “são praticados crimes hediondos de tortura, espancamento e mutilação” contra LGBTs. Segundo a ABGLT, crimes homofóbicos “ocorrem na proporção de um por dia”, no Brasil.

Ainda segundo a carta, “o futebol tem sido reduto onde se alimenta a homofobia”.

A carta termina dizendo que nenhum tipo de preconceito é aceitável, “porém, a homofobia mata e, por conta disto, faz-se urgente que o grande evento, a Copa do Mundo de Futebol, seja palco onde o grito dos vulneráveis possa ecoar pelo lindo País tropical e por todo o mundo”.

É bom lembrar que os dados que a ABGLT usa para afirmar que o Brasil é o país mais homofóbico do mundo, não é oficial. Infelizmente, no Brasil, não temos essa estatística oficial, pois a homofobia não é crime em terrotório nacional, só em alguns estados.

Torcida organizada do Palmeiras pode ser multada por homofobia Resposta


A Mancha Alviverde, torcida do Palmeiras, pode ser multada em até R$ 55 mil por ter exibido no início do mês uma faixa com os dizeres “A homofobia veste verde”, conforme mostramos aqui no blog. Era um protesto contra a eventual contratação do volante Richarlyson pela equipe. A Secretaria Estadual da Justiça abriu processo contra a uniformizada para apurar crime de discriminação.

Time inglês demite jogador que fez comentário homofóbico no Twitter Resposta

Lee (esquerda) e Thomas (direita)

O atacante Lee Steele foi dispensado do Oxford City, time de futebol da Inglaterra, após fazer um comentário homofóbico no Twitter sobre Gareth Thomas, ex-jogador profissional de rúgbi e participante do Big Brother inglês de celebridades.

Na rede social o jogador escreveu que “não escolheria a cama ao lado de Gareth Thomas”.

O treinador da equipe, Mike Ford afirmou que a dispensa de Steele foi uma das coisas mais difíceis já feitas por ele no futebol. “Nesta ocasião, Lee teve de pagar por seu erro de julgamento. Fez um comentário homofóbico, mas isso não quer dizer que ele é homofóbico”, lamentou.
O clube divulgou um comunicado justificando a dispensa do jogador por sua “atitude totalmente contrária a ética do clube”. O jogador preferiu não dar declarações sobre o ocorrido.
Atualmente, o Oxford disputa a League Two, o que corresponde a quarta divisão do Campeonato Inglês.

*Reportagem UOL Esportes


Possível reforço do Vasco já posou para revista gay Resposta



O apoiador Jesús Dátolo, possível reforço do Vasco, já posou para a revista gay Romeo Mag, da Itália. Atualmente no Espanyol, o argentino tirou as fotos enquanto atuava no Napoli, e chegou a ser multado.
O presidente do clube negou que houvesse preconceito e explicou: “O jogador violou os direitos de imagem que tem com o clube. É só por isso, não tem nada a ver com ser uma revista para o público gay”, disse Aurelio de Laurentiis, na época.
Na entrevista com o jogador na revista, ele admitiu a possibilidade de ser modelo depois de pendurar as chuteiras.

Fonte: Lancepress

Romário defende casamento gay: "Eu sou a favor da felicidade" Resposta

O deputado federal Romário tirou o terno e abriu as portas de seu condomínio, na Barra, para receber o colunista Leo Dias do jornal O Dia. Num bate-papo descontraído, o Baixinho não fugiu a nenhuma pergunta. Ele dá sua opinião sobre o casamento gay, conta como era a sua época na Seleção Brasileira de Futebol e ainda manda um recado para Renato Gaúcho, que diz ter ficado com cinco mil mulheres: “Parabéns, hein, amigo! Tem que respeitar esse malandro”. E, apesar de não negar que adora mulher, garantiu estar longe da marca divulgada pelo amigo. Confira a entrevista na íntegra:


Leo Dias: Você foi considerado um dos melhores deputados de 2011 por um jornal. Foi uma surpresa para você?


Romário: Sim. Nos últimos tempos, algumas pessoas têm me visto como um inimigo da Globo e da família Marinho. Acho que é o contrário. Sempre respeitei, tive muito carinho e sou grato por tudo que eles fizeram por mim. Pode ter havido, em algum momento, problemas pelo fato de eu ter trabalhado em outra emissora, mas é até bom aproveitar essa oportunidade para dizer que foi um trabalho [ele foi comentarista da Record no Pan].

Leo Dias: Você achou que ficou queimado com a Globo quando assinou com a Record?


Romário: Não. Na verdade, não assinei contrato para receber. Eu fui convidado…

Leo Dias: Mas você ganhou?


Romário: Infelizmente, não. Eu até queria ganhar, porque fui fazer um trabalho, mas 15 dias antes de assinar o contrato, fiquei sabendo que era proibido. A televisão é uma concessão pública e o político não pode receber e ter contrato com uma empresa estatal e muito menos com empresas que são concessão pública.

Leo Dias: Mas e o Wagner Montes,que é apresentador na Record e parlamentar?


Romário: Existem alguns casos de exceção, como Wagner Montes, Tiririca, Garotinho. Pode ser que eles tenham uma outra forma de contrato e que já não vigorava quando fui fazer o trabalho na Record.

Leo Dias: Gostou da experiência?


Romário: Adorei. Existe uma possibilidade de a emissora me convidar mais uma vez.

Leo Dias: Mas… de graça?


Romário: Eu iria. Iria mais amarradão se eu pudesse receber…

Leo Dias: Mas você não recebeu nada mesmo?


Romário: Não. O que recebi foi a minha passagem, as da minha mulher e das minhas filhas. Elas ficaram lá dez dias, eu fiquei 18 e foi uma experiência do c…! Eu já tinha feito comentários sobre futebol na TV, na Globo, em 1998, quando fui cortado da Copa da França. Mas na Record foi diferente. Tive um espaço legal.

Leo Dias: Você recebeu proposta do prefeito do Rio para apoiá-lo na campanha política deste ano? Você se candidataria?


Romário: Não. O meu partido já tem um acordo de apoiar a prefeitura do Rio, no caso o Eduardo Paes, desde a eleição passada. Por isso, é impossível eu vir a ser prefeito.

Leo Dias: O Paes não te ofereceu o cargo de secretário?


Romário: Ele não me ofereceu nada. A minha vida como político, até o dia 2 de fevereiro de 2015, vai ser, em princípio, como deputado federal.

Leo Dias: Você vai ser candidato à reeleição?


Romário: Não. Por isso que eu trabalho 10, 11 horas por dia quando os políticos, em geral, trabalham seis. Não quero deixar de fazer as coisas.

Leo Dias: Sua rotina hoje é diferente de três anos atrás?


Romário: Completamente. Aprendi a acordar cedo e isso era uma coisa que eu odiava. Às vezes, acordo às cinco da manhã. Quando tenho que ir trabalhar em Brasília, chego lá às 9h30, quando muitos políticos chegam às 14h. Em Brasília, às quartas e quintas, às 9h já estou no gabinete trabalhando. Agora, já me acostumei. Eu estava condicionado a acordar tarde. Comecei a acordar cedo a partir de agosto de 2010, quando comecei a campanha. Fui panfletar na Central do Brasil às 4h da manhã.

Leo Dias: Ali você viu que o Rio é diferente?


Romário: Eu já tinha certeza disso. Eu imaginava que seria um mundo muito diferente do que eu vivia, e não deixa de ser, mas o que eu entendi é que, se você quer fazer, quem tem essa bandeira – bandeiras brancas, como as minhas, relacionadas às crianças, aos deficientes e ao combate às drogas – tem menos dificuldades que os outros deputados para concretizar os projetos.

Leo Dias: Você seria deputado se não existisse a Ivy (sua filha portadora da Síndrome de Down)?


Romário: Acho que não. Nunca fui de acompanhar o dia a dia da política, mas sempre li um pouco. Digo que não sou político, sou deputado federal. Continuo sendo o Romário.

Leo Dias: Como você acha que vai ser sua vida daqui a alguns anos se não estiver como deputado federal?


Romário: Quero fazer alguma coisa relacionada ao esporte, principalmente ao futebol.

Leo Dias: O seu discurso, hoje, é diferente?

Romário: Nesses 11 meses aprendi algumas coisas e me comunico diferente, sim. Quando estou com minha rapaziada, eu continuo sendo o Romário. Quando coloco o terno e a gravata, eu já sou outro.

Leo Dias: E quem é esse cara que está aqui agora?


Romário: Os dois. Estou aqui descontraído, à beira da piscina, e falando sobre política.

Leo Dias: E na noite?


Romário: Sempre fui bastante boêmio.

Leo Dias: Bem boêmio…


Romário: Bem, não! Bastante, pra c…, muito! Não estou dizendo que isso é mérito, mas nunca fui de beber, de fumar e tal. Hoje quando tomo duas tacinhas de champanhe, já fico alegre e paro. Mas dei uma parada com a noite. Agora, nas férias, é que estou saindo mais.

Leo Dias: Você sente falta?


Romário: Claro que sinto. Quem é que não gosta de ver uma mulher gostosa na sua frente se mexendo? Mas tive problemas no meu casamento por conta desse negócio de noite e, pra continuar casado, tive que mudar um pouco.

Leo Dias: Você já declarou que é contra a CBF, mas esteve lá para lutar pelos deficientes. Como foi a conversa com eles na ocasião?


Romário: Eu disse pra eles: “Quero deixar uma coisa bem clara. Não estou aqui para fazer acordo com vocês, estou aqui para dizer que se amanhã a CBF fizer alguma merda, eu vou dar porrada em vocês, como sempre fiz”. Mas o que fui fazer lá não se refere só aos deficientes. A Lei da Copa tem 64 artigos e eu sou contra alguns deles. Um diz que, ao adquirir o ingresso para um lugar no estádio, você tem que ir ao jogo. Caso contrário, a Fifa pode te multar e tem o poder de te julgar. A Fifa quer ser um Estado dentro do nosso Estado.

Leo Dias: Há mais pontos problemáticos nesses artigos?


Romário: Sim. Um exemplo: vamos ao Maracanã. Eu vou de camisa branca e vocês, por acaso, também vão. Sentamos no mesmo lugar. A Fifa entende que aquilo é um marketing de emboscada. Se a cerveja do patrocinador não é da cor branca, a Fifa tem o direito de chegar e tirar a gente do estádio. Não posso, como brasileiro e como deputado, deixar que ela determine o que é certo e o que é errado. A Fifa é uma entidade privada que vai sair daqui com 5 bilhões de euros de lucro.

Leo Dias: Como ex-jogador, o que acha de Adriano passar por tudo que tem passado?


Romário: Todo mundo passa por fases positivas e negativas. O Adriano passa por fases negativas, mas parece que ele mesmo acha os problemas.

Leo Dias: Quais foram as suas fases negativas?


Romário: Muitas. Já passei três jogos sem fazer gols.

Leo Dias: Mas fora de campo…


Romário: Há três anos, tive um problema financeiro e passei por um bloqueio judicial.

Leo Dias: Mas é diferente…


Romário: Ah, sim, fases como essa de um tiro na mão de uma pessoa… Parece que uns procuram, o Adriano acha. É f…

Leo Dias: Mudando o assunto: tinha muita mulher na Copa de 1994?


Romário: Mulher tem em todo lugar… As concentrações têm muita segurança. Mas eu, quando tive minha Copa, aproveitei.

Leo Dias: E é a favor do casamento gay?


Romário: Sou, pô. Eu sou a favor da felicidade. Cada um dá o que é seu e f…-se os outros.

Leo Dias: Renato Gaúcho disse que pegou mais de 5 mil mulheres…


Romário: É um direito dele.
Leo Dias: Você também chegou a esse número? Calculou alguma vez?


Romário: Eu, não, pô! Quem me dera! Cinco mil mulheres? Parabéns, hein, amigo! Tem que respeitar esse malandro.

Mancha Alviverde protesta contra o Palmeiras, exaltando a homofobia Resposta

Alvo da faixa seria Richarlyson
Foto: Ricardo Malzukawa/Terra

Uma das faixas que mais chamou atenção no protesto que a torcida organizada Mancha Alviverde promoveu em frente ao portão da Academia de Futebol do Palmeiras nesta quarta-feira (4/1) avisava que ‘a homofobia veste verde’. O adereço ficou exposto por pouco tempo, já que um dos líderes da manifestação ordenou que fosse retirado.
Jogador Richarlyson (que não assume ser gay) seria o alvo do protesto
O assunto veio à tona quando o interesse do Verdão no volante Richarlyson, do Atlético-MG, se tornou público. Antes de acertar com o São Paulo, em 2005, o jogador ficou muito perto de firmar contrato com a equipe do Palestra Itália. O fracasso nas negociações irritou a diretoria palmeirense, que insistia em alfinetar o atleta e, em 2007, levantou a possibilidade de vê-lo assumindo ser gay (o que o meio-campista sempre negou).
A polêmica surgiu em 2007, quando o então diretor administrativo José Ciryllo Jr. insinuou em um programa de televisão que Richarlyson seria gay. Os advogados do jogador entraram com uma queixa-crime contra o dirigente, mas a confusão aumentou quando o juiz Manoel Maximiano Junqueira Filho, da 9Vara Criminal de São Paulo, arquivou o processo dizendo que ‘o que não se mostra razoável é a aceitação de homossexuais no futebol brasileiro, porque prejudicaria a uniformidade de pensamento da equipe, o entrosamento, o equilíbrio, o ideal’.
Na semana passada, durante um jantar entre conselheiros e membros da diretoria, o presidente Arnaldo Tirone foi cobrado por sócios que pertencem a torcidas organizadas do clube por causa da suposta negociação com o ex-são-paulino. O mandatário palmeirense garante que não pensa em contratar o jogador.

Fonte: GazetaPress

Na volta ao Morumbi, Richarlyson ouve vaias e gritos homofóbicos Resposta

Richarlyson ouviu provocações homofóbicas

Uma parte do público são-paulino presente ao Morumbi na última quarta-feira (07/09) recebeu com muitas vaias o volante Richarlyson, hoje jogador do Atlético-MG e que defendeu o São Paulo na sequência do tricampeonato brasileiro. Ao receber cartão amarelo por volta dos 30min da etapa inicial, o camisa 20 ouviu gritos homofóbicos, sobretudo de facções organizadas e do setor de arquibancadas inferiores.

Richarlyson, teria reagido com indiferença às provocações, segundo o portal “Terra”, retornou pela primeira vez ao Morumbi, onde defendeu as cores do São Paulo por quase cinco temporadas. Liberado com o encerramento do contrato, ele deixou o clube no fim de 2010 e assinou com o Atlético-MG.

Em dia de festa para Rogério Ceni, que completou mil jogos pelo São Paulo, Richarlyson fez elogios ao ex-companheiro de equipe na saída do gramado. “Ele é um pai, um homem maravilhoso e só tenho a desejar é mais recordes”, elogiou o volante.

O jogador Richarlyson tem, constantemente, a sua orientação sexual questionada. Em 2009, a apresentadora Silvia Poppovic tirou o moço do armário, mas era alarme falso.