‘Se o Brasil manejar Aids entre gays, estará perto do fim da epidemia’, afirma número 2 do Programa de Aids das Nações Unidas Resposta

O brasileiro Luiz Loures, vice-diretor do Programa de Aids das Nações Unidas, diz que mesmo com toda a discussão em torno do casamento entre homossexuais, não há indício de redução da discriminação de uma forma mais global Unaids

O brasileiro Luiz Loures, vice-diretor do Programa de Aids das Nações Unidas, diz que mesmo com toda a discussão em torno do casamento entre homossexuais, não há indício de redução da discriminação de uma forma mais global Unaids

O vice-diretor do Programa de Aids das Nações Unidas (Unaids), o brasileiro Luiz Loures, é um homem com uma missão: decretar o fim da epidemia até 2030. Não da Aids, como ele sempre gosta de frisar, mas da epidemia da doença. Para o infectologista, basta olhar para os grandes avanços obtidos tanto na prevenção quanto no tratamento nas últimas décadas. O número de novos casos, para se ter uma ideia, caiu em um milhão em menos de dez anos. E a quantidade de gente em tratamento cresceu exponencialmente no mesmo período. Surpreendentemente, no entanto, a infecção volta a crescer no mundo inteiro entre os homossexuais masculinos — o primeiro grupo a ser atingido em cheio pela doença e também o primeiro a dar uma resposta social ao problema. Segundo Loures, para que sua meta seja cumprida, é preciso repensar as estratégias de combate à Aids.

O senhor costuma ser otimista. Acha que até 2030 já poderemos falar no fim da epidemia?

Eu sou um otimista mesmo. Acho que até 2030 já podemos estar falando em fim da epidemia. Não no fim da Aids, claro. Mas da epidemia. Para isso, no entanto, é preciso haver renovação nas estratégias de combate à doença. É como se a epidemia, de certa forma, estivesse se adaptando aos progressos que fizemos. Então, temos que inovar.

De que forma?

Precisamos mudar a rotina de tratamento, tratar imediatamente a população mais vulnerável. Não esperar a contagem das células CD4 (células do sistema imunológico) cair, mas tratar imediatamente. Já sabemos hoje que o tratamento é importante para a sobrevida e a qualidade de vida do paciente, mas também como forma de prevenção. Quem se trata não transmite. Felizmente, claro, não temos pessoas morrendo de Aids o tempo todo. Mas, por conta disso, a percepção de risco de um jovem gay hoje não é a mesma dos anos 80 e 90. Então temos que adaptar as estratégias.

Há uma tendência global de aumento da doença entre os gays. Por que isso está ocorrendo justamente entre o grupo que primeiro foi mais atingido e que respondeu bem à epidemia nos anos 80?

Eu não sei. Devolvo a pergunta para você. Falta a inserção do assunto como prioridade para a comunidade gay. E só faz aumentar. Está acontecendo na Europa, nos Estados Unidos, na China e na África. A tendência é ascendente em toda parte. É preciso que o tema seja tratado com a importância que tem. Há muita ênfase no debate sobre o casamento gay e pouca para esta questão.

A discussão sobre o casamento gay em várias partes do mundo não é um avanço? Não é um sinal da redução da discriminação?

É claro que é um avanço. Mas, com toda a discussão que está rolando hoje no mundo, não há evidência da redução da discriminação, pelo menos não entre aqueles sujeitos mais vulneráveis. Na última reunião da Organização Mundial de Saúde (OMS) houve uma proposta de se colocar como um item da agenda a questão da saúde LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros). E não passou. Houve um bloqueio. O casamento gay é um avanço social muito importante. Mas por que não conseguimos também discutir a saúde como um item de agenda da OMS? É um paradoxo.

É uma surpresa essa tendência de aumento da epidemia entre os homossexuais?

Não sei se é surpresa. Talvez nem seja. Os fatores que contribuem para isso continuam existindo e levando a epidemia à frente. Para se ter uma ideia, os países que mais recebem dinheiro internacional para a Aids são os mesmos que criminalizam a relação entre pessoas do mesmo sexo — alguns deles, inclusive, com pena de morte. Meus amigos gays vão me matar por dizer isso, mas a verdade é que precisamos de mais engajamento. Fora isso, eu não tenho outra coisa a fazer a não ser propor uma nova estratégia de tratamento.

Inclusive para o Brasil? Há também uma tendência de aumento da doença entre os jovens homossexuais no país?

Sim. No Brasil, cerca de metade dos novos casos da doença ocorre entre homossexuais jovens. E o país, que foi o pioneiro na universalização do tratamento, tem agora uma nova possibilidade concreta de ser o primeiro país do mundo a decretar o fim da epidemia; se conseguir manejar a questão entre os gays. E isso é uma chance histórica, uma oportunidade única.

Qual seria o impacto para o país de passar a tratar imediatamente a população de risco que testasse positivo? O país tem como arcar com isso?

Isso representaria, no Brasil, umas 100 mil pessoas a mais. Atualmente, cerca de 300 mil recebem o coquetel. O país tem como arcar com isso. Precisamos que o Brasil, mais uma vez, seja pioneiro e que seja o primeiro país do mundo a começar a tratar imediatamente todas as populações vulneráveis.

Fonte: O Globo

Cartilha da ONU em português orienta governos e sociedade civil sobre direitos de comunidade LGBT 1

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“Viva e deixe amar’, diz o cartaz. Foto: Reprodução da cartilha.

 

O Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) lançou uma nova cartilha sobre orientação sexual e identidade de gênero no direito internacional dos direitos humanos. A edição em português foi realizada pelo Escritório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) no Brasil.

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O livro, de 60 páginas e com o título“Nascidos Livres e Iguais”, foi concebido como uma ferramenta para ajudar os Estados a compreender melhor as suas obrigações e os passos que devem seguir para cumprir os direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT), bem como para os ativistas da sociedade civil que querem que seus governos sejam responsabilizados por violações de direitos humanos internacionais.

“A extensão dos mesmos direitos usufruídos por todos para pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT) não é radical e nem complicado. Ela apoia-se em dois princípios fundamentais que sustentam o regime internacional de direitos humanos: igualdade e não discriminação. As palavras de abertura da Declaração Universal dos Direitos dos Humanos são inequívocas: ‘todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos’”, destaca a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, no prefácio.

A cartilha centra-se em cinco obrigações básicas, onde a ação dos governos é necessária: proteger as pessoas contra a violência homofóbica, prevenir a tortura, descriminalizar a homossexualidade, proibir a discriminação e defender as liberdades de associação, expressão e reunião pacífica para todas as pessoas LGBT.

Manifestação LGBT. Foto: Reprodução da cartilha.

Manifestação LGBT. Foto: Reprodução da cartilha.

O livreto também inclui exemplos de medidas que podem ser tomadas a um nível nacional para desenvolver leis, políticas e práticas em linha com as normas internacionais de direitos humanos.

A publicação conclui: “Apesar do complexo e acalorado debate político sobre igualdade de pessoas LGBT nas Nações Unidas, do ponto de vista legal a questão é simples. As obrigações que os Estados têm de proteger as pessoas LGBT de violações de seus direitos humanos já estão bem estabelecidas e são obrigatórias para todos os Estados-Membros das Nações Unidas.”

Baixe aqui a cartilha em português.

 

Após cura de bebê com vírus da aids, estudo anuncia êxito em 14 adultos 1

Vírus HIV infecta células do sistema imunológico Divulgação / HIV Boehringer-Ingelheim

Vírus HIV infecta células do sistema imunológico Divulgação / HIV Boehringer-Ingelheim

Duas semanas após a divulgação de que um bebê foi “curado” do HIV, um estudo realizado na França revela que 14 adultos infectados pelo vírus parecem estar “funcionalmente curados”, ou seja, ainda carregam pequenos reservatórios do vírus, mas não apresentam sintomas, apesar da interrupção do tratamento, segundo artigo publicado na “NewScientist”. Os pesquisadores acreditam que a chave para alcançar este resultado notável pode ser o início mais cedo possível do tratamento após a infecção.

A equipe começou a monitorar os 14 adultos quando eles recebiam medicamentos antirretrovirais, dentro de 10 semanas após a infecção pelo HIV. Os pacientes interromperam o tratamento, em média, cerca de três anos mais tarde (as drogas foram retirados sob supervisão médica).

Os 14 adultos ainda têm os seus traços de HIV no sangue, mas em níveis tão baixos que o seu corpo pode mantê-lo sob controle, naturalmente, sem drogas.

Uma das razões para o HIV ser tão difícil de lidar é que depois de uma infecção aguda, o vírus estabelece reservatórios em células hospedeiras que permitem esconder e voltar. Mesmo após anos de tratamento, uma vez que as drogas são retiradas, a maioria dos pacientes tem retorno da infecção.

No entanto, há uma pequena minoria de doentes infectados com HIV (menos de 1%), nos quais o vírus praticamente desaparece, sem a ajuda de tratamento. Conhecidos como “controladores de HIV”, estes pacientes espontaneamente reduzem consideravelmente sua carga viral e mantém o controle do vírus a longo prazo, para níveis praticamente indetectáveis.

Na semana passada, foi anunciado que um bebê havia sido “funcionalmente curado” do HIV após ter sido tratada com medicamentos antirretrovirais cerca de 30 horas após seu nascimento, algo que normalmente não é feito. O pesquisador Asier Sáez-Cirión, do Instituto Pasteur, na França, adverte que o tratamento rápido não funciona para todos, mas o novo estudo reforça a conclusão de que a intervenção precoce é importante.

Fonte: O Globo

Estado de Minas lança campanha de conscientização do uso de preservativo no Carnaval Resposta

Festa das mais populares do mundo, o Carnaval é também momento em que as pessoas ficam mais vulneráveis às doenças sexualmente transmissíveis, entre elas a AIDS. Para alertar sobre este risco, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG) começou a divulgar em diversos meios de comunicação a campanha de conscientização da doença que estimula o uso de preservativo.

Intitulada Nesse Carnaval, se prepare que eu vou usar! a ação conta com postais, abadás e adesivos, outdoor, mídia digital em vários portais eletrônicos e mídia nas rodoviárias e metrôs, além de uma marchinha de carnaval sobre o tema, que será divulgada em rádios por todo o Estado. Ao todo, neste mês, serão fornecidos 5 milhões de preservativos e distribuídos 1,5 milhão de folders e 1 milhão de adesivos alusivos.
– Na empolgação da comemoração, as pessoas têm o costume de se excederem, principalmente no uso abusivo do álcool, tornando-se bem mais vulneráveis às doenças sexualmente transmissíveis e à AIDS, diz a coordenadora do Programa Estadual de DSTs e AIDS, Fernanda Junqueira.
Informação nas estradas

A SES/MG, em parceria com a Polícia Militar, a Secretaria de Estado de Esportes e Juventude e a Secretaria de Estado de Turismo, também fará blitze nas entradas das cidades com histórico de Carnaval de rua, distribuindo folheteria e preservativos sobre o tema. O material informativo está sendo distribuídos para todas as 28 Superintendências e Gerências Regionais de Saúde que distribuirão para os municípios de sua jurisdição e também para as 50 instituições da Sociedade Civil do Estado, que farão atividades de prevenção nas ruas e em suas instituições.
Dados epidemiológicos

Dos 34 mil casos registra-dos no Estado desde 1983,  22.957 (67,52 %) são casos notificados em homens e 11.042 (32,48 %) casos em mulheres.  A maioria dos casos de AIDS está concentrada na faixa etária de 20 a 34. São 15.115 casos notificados nessa faixa etária, o que significa 44,5 % dos casos. Na faixa etária que vai de 35 a 49 anos são 13.231 casos, outros 39 % dos casos notificados. De < 01 a 09 anos somam 675 casos (2 %) e entre 10 e 19 anos outros 558 casos (1,90 %).  Na população acima de 50 anos são hoje um pouco mais de 4.200 mil casos notificados (12,60%).

Do total de notificações, na transmissão vertical – via perinatal, contabiliza-se 624 casos de AIDS em crianças. De 2010 a janeiro de 2013, a Secretaria de Estado de Saúde possui registro de 50 crianças com AIDS. No que se refere à categoria de exposição, os casos ainda estão concentrados nos heterossexuais, que contabilizam 17.420 casos notificados (51,23 %).

Entre os homossexuais as notificações somam 5.286  (15,55%); e entre os bissexuais são 2.777 casos  (8,17%). Os hemofílicos, os ignorados, os usuários de drogas injetáveis, bem como as pessoas que se submetem a transfusão de sangue e acidentes com material biológico somam 8.517 casos de AIDS (25,05%).

O Programa de AIDS

A rede estadual de atendimento às pessoas que vivem com AIDS é constituída por 54 municípios que recebem incentivo financeiro fundo a fundo do Ministério da Saúde para ações de prevenção e assistência às DSTs e a AIDS.

Além disso, uma rede de laboratórios dá sustentação ao diagnóstico do Vírus da Imunodeficiência Humana – HIV.  Há os Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), os Serviços de Atendimento Especializados (SAE) e as Unidades Dispensadoras de Medicamentos (UDM), que fazem a coleta de sangue, aconselhamento pré e pós-teste, acompanhamento multidisciplinar ao paciente e distribuição de medicamentos: antirretrovirais, para as infecções oportunistas, para o tratamento da Lipoatrofia e Lipodistrofia facial e para as doenças sexualmente transmissíveis – DSTs.

A Coordenação Estadual também credencia e capacita outros serviços que são portas de entrada para o atendimento de vitimas de violência sexual, de acidentes com materiais biológicos /Biossegurança e maternidades por todo o Estado para o atendimento das gestantes HIV positivas, reduzindo assim a transmissão vertical (de mãe para filho).

Vacina contra aids é testada na França Resposta

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Um hospital em Marselha, na França, vai testar, no próximo mês, uma vacina – pesquisada há 15 anos – para o tratamento da aids pela equipe do professor Erwann Lorett.

Os 50 voluntários serão os primeiros humanos a receberem a vacina, testada até agora em macacos. Os resultados, nos primatas, foram excelentes: em dois meses, o vírus HIV passou a não ser mais detectado nos exames.

Segundo a agência “Folhapress”, os voluntários receberão doses com porcentagens variáveis da vacina por quatro meses. Se o resultado for positivo nesses casos, mais 80 pacientes também serão vacinados.

Fonte: Parou Tudo

Raio X da aids no Litoral Norte de São Paulo: Aumento de casos da doença entre jovens homossexuais preocupa autoridades de São Sebastião Resposta


São Sebastião
População estimada: 76 mil
Pacientes com HIV e aids em atendimento: 435
Desafios: Prevenir novas infecções entre jovens homossexuais e expandir os serviços de saúde especializados.

Renata de Araújo Cruz Melo, de 42 anos, não irá sossegar enquanto não restabelecer o funcionamento legal do Grupo Força Positiva, a única organização não governamental focada no auxílio de pessoas com HIV e aids em São Sebastião. Criado em 2004, o grupo fechou as portas devido ao medo que os participantes têm de dar as caras e se tornarem vítimas do estigma, conta Renata.
“O preconceito é o maior problema para o enfrentamento da aids aqui”, afirmou. “E este preconceito vem das próprias pessoas vivendo com o vírus”, acrescenta.
A ativista realizou uma pesquisa com 100 pessoas de São Sebastião sobre como elas veem as pessoas com HIV e aids e, segundo sua conclusão, o preconceito é maior entre os infectados. Ela cita como exemplo a recusa da Cesta Energética, um pacote com diversos alimentos ricos em energia oferecidos pela Prefeitura aos pacientes soropositivos e/ou com tuberculose que estão com o sistema imunológico debilitado. “Muitos precisam desses mantimentos, mas não aceitam para não ser identificados como portadores do vírus na comunidade”, ressalta.
Renata, que perdeu seu primeiro marido em decorrência do HIV, elogia o trabalho feito pela Coordenação de DST/Aids da Secretaria Municipal de Saúde de São Sebastião, assim como o apoio prestado pelo órgão para o restabelecimento do Grupo Força Positiva. Contudo, ela acredita que seria possível expandir o atendimento especializado para outros pontos da cidade e criar novos projetos visando a saúde integral dos soropositivos, como atividades físicas para diminuir os efeitos da lipodistrofia.
“Assim que regularizarmos juridicamente nosso grupo, o que deve acontecer nos próximos meses, teremos entre as prioridades fazer parcerias  com as academias para que nossos integrantes possam fazer exercícios contra a lipodistrofia”, disse.
Atenção para os jovens gays
De acordo com a Coordenadora de DST/Aids de São Sebastião, Leda Nicolau Correa, o município atende hoje 425 pessoas com HIV e aids, sendo que 303 estão em tratamento com medicamentos antirretrovirais. As outras fazem acompanhamento regulares para prevenir doenças oportunistas e, assim que o médico julgar necessário, irão também começar o tratamento antirretroviral.
Para ela, o maior desafio no enfrentamento da epidemia na cidade é a prevenção entre os jovens gays, já que o Boletim Epidemiológico Municipal mostra aumento de novos casos da doença nessa população.
“O que observamos é que quando os homossexuais estão descobrindo sua orientação sexual, por volta dos 13 anos, eles passam por muitos conflitos pessoais e familiares e acabam se arriscando ao não usar o preservativo”, comenta Leda, que também é psicóloga.
A coordenadora afirma que há dificuldades em promover campanhas de prevenção focadas para os gays da cidade, pois segundo ela, não há bares, casas noturnas ou outros locas de concentração dessa população em São Sebastião. “Estamos trabalhando em parceria com nossos pacientes. Pedimos a eles que tragam seus amigos para fazer o teste de HIV, para assistir palestras e que nos ajudem a distribuir preservativos para este grupo”, explica.
Leda acredita também na educação sexual nas escolas. “Desde 2003 atuamos com a Secretaria da Educação para a realização de atividades de prevenção em gincanas e em outros eventos que atraem a atenção dos estudantes. Temos, inclusive, alguns alunos monitores que replicam informações para seus colegas”, disse.
Segundo dados da Secretaria da Saúde de São Paulo, São Sebastião é o 67º município com mais casos de aids no Estado. Em 2009 foram registrados 29 casos da doença; em 2010, 8; e em 2011, 2.
Desde 1996, uma lei aprovada pela Câmara dos Vereadores de São Sebastião estabeleceu o 1º de junho como o Dia Municipal de Luta contra a Aids.


Fonte: Agência de Notícias Aids

Descoberta da Aids completa 30 anos Resposta

A Aids, uma doença ainda sem cura, foi descoberta há trinta anos e já provocou 30 milhões de mortes. Ela transformou o mundo, gerou um investimento financeiro exemplar, uma mobilização de larga escala e avanços médicos espetaculares.

Há 30 anos, no dia 5 de junho de 1981, o Centro de Controle de Doenças de Atlanta, nos Estados Unidos, descobriu em cinco jovens homossexuais uma estranha pneumonia, que até então só afetava pessoas com o sistema imunológico muito debilitado.
Um mês depois, foi diagnosticado um câncer de pele em 26 homossexuais americanos e se começou a falar de “câncer gay”.
No ano seguinte, a doença foi batizada com o nome de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, Sida, em inglês Aids.
Em 1983, uma equipe francesa isolou o vírus transmitido pelo sangue, secreções vaginais, leite materno ou sêmen, que ataca o sistema imunológico e expõe o paciente a “infecções oportunistas”, como a tuberculose ou a pneumonia.
Nestes 30 anos de Aids e seus milhões de vítimas, também houveram grandes êxitos contra o vírus. Em 1996, com o desenvolvimento dos antirretrovirais, a doença mortal passou a ser uma enfermidade crônica.
O Fundo Mundial, criado em 2002, já distribuiu US$ 22 bilhões em subsídios e um “programa de urgência” foi organizado nos Estados Unidos.
“A Aids mudou o mundo; uma novo relação social foi criada entre os países do norte e do sul de maneira que nenhuma outra doença já tinha provocado”, destacou Michel Sidibé, diretor da ONUAIDS.
A sua maneira, os doentes também participam da luta e se transformam em “pacientes experts”, que relatam aos especialistas sua experiência, definem as necessidades e anotam os efeitos indesejáveis dos tratamentos, segundo Bruno Spire, presidente da associação Aides.
A Aids tem matado menos, no entanto ela não desaparece. Pelo contrário, o número de pessoas infectadas tem aumentado nos últimos anos, exigindo mais pesquisas, mais tratamentos e mais dinheiro.
Por enquanto, apenas uma em cada três pessoas que necessitam de tratamento tem acesso às drogas. Ainda pior é que para cada duas pessoas que iniciam o tratamento, cinco outras pessoas são contaminadas.
Os esforços agora são direcionados para a prevenção com novos métodos: a circuncisão, que segundo pesquisas ainda não conclusivas pode diminuir as chances de contágio; um gel microbicida para as mulheres; e o tratamento dos doentes que diminui em mais de 90% as chances de transmissão do vírus.
No entanto, mesmo com 30 anos de pesquisas, e muitos investimentos, ainda não há cura e a Aids está longe de ser vencida.
Sem contar que, segundo o Fundo Mundial, os financiamentos previstos para os próximos anos são claramente inferiores às necessidades.
Além disso, dois terços dos soropositivos no mundo desconhecem a própria doença e disseminam o vírus. Na França, por exemplo, uma pesquisa revelou que 18% dos clientes de bares e saunas gays estão contaminados e 20% destes desconhecem.
Socialmente, a Aids ainda é uma doença pouco comum, e muitos preferem ignorá-la. “Ainda assim, como há 30 anos, é difícil reconhecer uma ‘doença vergonhosa’, que não quer ser discutida, mostrada, falada e examinada”, diz Bruno Spire, também portador do HIV.
“A Aids foi a maior epidemia do século 20 e é a maior do século 21”, afirma o professor Jean-François Delfraissy, da Agência de Pesquisa sobre a AIDS.
* Com informações do Jornal Floripa.

¨Homofobia gera vulnerabilidade ao HIV¨, diz Gil Casimiro, do Departamento de AIDS do Ministério da Saúde Resposta

No dia em que vários países celebram o combate à homofobia, 17 de maio, a empresa de cosméticos L´Oréal promoveu em São Paulo uma mesa redonda sobre o estigma relacionado à aids. O debate trouxe vários exemplos sobre como a aversão às lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT) se tornam obstáculos para o combate do HIV.

“Aqueles que se sentem discriminados tendem a procurar menos os serviços de saúde”, explica o gerente da área de Direitos Humanos, Risco e Vulnerabilidade do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Gil Casimiro.
Segundo ele, a homofobia tem relação direta com a epidemia de aids. “A exclusão traz vulnerabilidade. E a homofobia é a exclusão da população LGBT”, ressaltou. 
Dados epidemiológicos mostram que de cada 100 mil heterossexuais, 19,4 têm aids; mas de cada 100 mil gays, 226,5 têm a doença.
Cazu Barroz, da Federação de Bandeirante do Brasil, acredita que há mais preconceito contra os homossexuais do que contra as pessoas com HIV. “Quando fui discriminado, as ofensas não eram em relação à aids. Os agressores diziam que eu tinha HIV porque era gay e drogado”, comentou.
Em 2009, Cazu participou da campanha contra a aids do Ministério da Saúde, cujo slogan foi “Viver com Aids é possivel, com o preconceito não”. Ironicamente, ele foi reconhecido por dois rapazes e uma mulher dentro de um ônibus no Rio de Janeiro e chamado de “viado aidético”. Ele registrou boletim de ocorrência na 12ª DP em Copacabana. 
O debate promovido pela L´Oréal com apoio da Unesco (Organização das Nações Unidos para a Educação, a Ciência e a Cultura) se enquadra nas atividades que marcam os 10 anos da campanha Cabeleireiros contra Aids.
Participaram também da mesa redonda intermediada pela gerente de comunicação da LOréal, Mariana Ruiz; a assessora de comunicação da Unesco, Ana Lucia Guimarães; Wanderley Estrella, estilista capilar do salão Helio Diff de Brasília; e Simone Nogueira, da comunicação corporativa da L´Oréal.

Histórico da Campanha Cabeleireiros contra Aids
A capanha de educação preventiva contra as DST/aids promovida pela L´Oréal começou em 2001 na África do Sul, mas foi lançada mundialmente, em 2005, com a assinatura, em Paris, de um acordo entre a presidência da L’Oréal Divisão de Produtos Profissionais e a UNESCO. 
O Brasil foi um dos primeiros países a aderir à campanha, em 2006, tendo o apoio do Ministério da Saúde. Para a campanha nacional, foi desenvolvido também o Calendário Cabeleireiros Contra Aids. O projeto conta com 12 fotos assinadas por fotógrafos de moda. Cada mês é ilustrado por uma artista diferente e por uma mensagem de prevenção ao HIV/aids. Com o slogan “Quem cuida da beleza, cuida da saúde”, os famosos vestem a camisa da campanha, criada especialmente pelo estilista Carlos Tufvesson. Toda a venda do calendário, que custa R$10 por unidade, é revertida para a Sociedade Viva Cazuza.
Segundo estimativas da L´Oréal, 1.3 milhão de profissionais de beleza e estética foram informados sobre a campanha em todo o mundo desde 2005; e aproximadamente 500 mil cabeleireiros são treinados para serem multiplicadores do assunto a cada ano.
Até 2012, espera-se levar a campanha a 50 países, atingindo 3 milhões de profissionais de beleza.
Dia Internacional contra a Homofobia
Em 17 de maio de 1990, a Organização das Nações Unidas retirou a “homossexualidade” da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID). A data é hoje usada para celebrar o Dia Internacional contra a Homofobia, aversão e ódio à população LGBT (Lésbicas, gays, bissexuais e transexuais). No Brasil, um decreto presidencial feito em junho do ano passado incluiu o Dia Nacional de Combate à Homofobia no calendário oficial federal.
A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) convoca os ativistas de suas 237 ONGs afiliadas para a II Marcha Nacional contra a Homofobia. A manifestação será em Brasília nesta quarta-feira, 18 de maio, a partir das 9h, na Esplanada dos Ministérios, e terá como enfoque a aprovação imediata do PLC 122 que prevê punir aqueles que descriminarem pessoas em decorrência da sua raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.
*Com informações da Agência de Notícias da AIDS.

Ministério da Saúde promove concurso de crônicas de travestis que vivem com HIV/Aids Resposta

O Ministério da Saúde está promovendo um concurso que premiará as melhores histórias contadas por travestis que vivem ou convivem com HIV/Aids.

O “Vidas em Crônica” terá duas categorias: uma para quem vive e outra para quem convive com o HIV/Aids. As 10 histórias finalistas serão adaptadas por um escritos e publicadas em uma revista especializada. Os três primeiros colocados de cada grupo ganharão um notebook. Os outros seis melhores trabalhos receberão menção honrosa e serão convidados para a cerimônia de entrega do prêmio.

Cada relato deve ter, no máximo, três mil caracteres. No ato da divulgação dos textos, será preservado o sigilo dos autores, desde que solicitado. Entre os critérios de seleção, serão avaliados a adequação ao tema, o respeito aos Direitos Humanos e a criatividade. A data provável de divulgação do resultado será dia 29 de janeiro de 2011.

Para saber mais sobre o projeto Vidas em Crônicas e contar a sua história, acesse http://sistemas.aids.gov.br/blogvidas/