Em Elvis e Madona, gays não são marginais, defende diretor Resposta

Igor Cotrim e Simone Spoladore Foto: Divulgação 



Quase dois anos separam a primeira exibição de “Elvis e Madona” de sua estreia comercial, que ocorreu nesta sexta-feira (26/9). No período, ganhou prêmio de roteiro no Festival do Rio, foi agraciado em Natal e conquistou até os espectadores de Oslo.
Por onde o filme passou, até mesmo na capital norueguesa, cuja paisagem é bem diferente dos tipos de Copacabana, o filme protagonizado por Simone Spoladore e Igor Cotrim conquistou o público. Mesmo que, à priori, essa inusitada história de amor de uma lésbica com uma travesti, conduzida com um humor repleto de traços de Almodóvar e da chanchada, pudesse afastar o espectador.
Para o diretor Marcelo Laffitte, veterano curta-metragista que finalmente estreia em um longa, a explicação para as recepções favoráveis ao filme é a identificação com o espectador. “É uma história de amor e de realizações de sonhos, e isto é universal. Todo mundo se apaixona, ama e sofre por amor; todo mundo tem projetos de vida que luta para realizar”.

Diversidade
No filme, Elvira, ou Elvis, tenta ganhar a vida como fotógrafa, mas precisa fazer bicos como motogirl. Já Adailton, ou Madona, sobrevive como cabeleireira, mas sonha em fazer um grande show num teatro carioca.
Puxando a sardinha para seu lado, o diretor diz que “pela primeira vez no cinema brasileiro, os personagens que sempre foram mostrados como marginais, estão inseridos socialmente e vivem uma história como a de qualquer outro ser humano”.

Além de servir como locação, Copacabana é personagem fundamental para o desenvolvimento de Elvis e Madona. Será que o filme poderia se passar em outro lugar? “Não sei. Já fui sondado por um produtor de Los Angeles se poderia haver um remakenos EUA, e é claro que eu disse que sim. Mas ficamos pensando, sem chegar a nenhuma conclusão, em qual cidade norte-americana poderia ambientar esta história”.
Laffitte justifica o porquê da ambientação carioca. “Copacabana é o bairro mais plural do mundo, pois lá vivem pessoas vindas de todos os países do mundo e de todos os estados brasileiros. Ao mesmo tempo que é cosmopolita e fervilha 24 horas por dia, Copacabana é provinciana. Esta diversidade está no filme e na alma dos personagens. Se o cenário fosse outro, com certeza os temperos culturais seriam outros e haveria outro sabor”.

*Por Heitor Augusto, do “CineClick”