Homem muda de sexo e se diz lésbica. Filha se diz orgulhosa de ter um ¨pai mulher¨ Resposta

Jane Fae, à esquerda, com a filha Natasha. (Foto: David Sillitoe)
Natasha Ozimek tinha 16 anos quando foi surpreendida pelo seu pai com a notícia de que ele iria mudar de sexo. Ela disse que não recebeu bem a novidade logo de início, e que ela chorou muito e se viu em um estado de choque. Hoje, aos 18 anos, ela lembra que isso é a última coisa que que uma filha espera um pai fazer, pôr fim a única figura masculina da sua vida. 

Com o passar do tempo, as pessoas da sua cidade, no estado americano de Illinois, também receberam a notícia. Ela ficou três semanas sem ir à escola. Quando realmente decidiu enfrentar a situação, ela disse que passou um grande sufoco: 
– Algumas pessoas na escola faziam piadas, até que eu saí com eles um pouco e disse que não era uma decisão minha, e sim, do meu pai, e que eles não me julgassem por isso. Um menino que eu gostava muito parou de falar comigo por cerca de duas semanas, mas as ao mesmo tempo, as pessoas estavam dizendo que eu e meu pai éramos muito corajosos. No entanto, eu pensava o quanto meu pai era realmente corjoso e eu acabei colocando isso na minha mente. Não havia nada que eu pudesse fazer sobre isso, mesmo não querendo que isso acontecesse. 
Foi uma transição difícil na vida de Tash, mas com o tempo ela superou o choque. Disse que nunca foi contra o pai, e embora ainda se espante em alguns momentos, ela diz que é a garota que tem um ¨pai mulher¨. 
Segundo ela, seu pai que agora é conhecido como Jane Fae, está muito mais feliz com a nova vida: 
– Eu sempre amei meu pai incondicionalmente, mas eu gosto mais dele agora. Ele é muito mais confiante e mais agradável para estar ao redor, então eu desfruto muito mais de sua companhia. Antes da mudança, ele não estava interessado na vida ou no que estava fazendo, porque ele estava, obviamente, no corpo errado. Ele era como uma toupeira, todo encurvado, silencioso e sombrio, ia para o escritório e voltava para o jantar e não falava nada. Nós costumávamos nadar juntos quando eu era criança, mas por outro lado ele sempre vivia trabalhando e não tinha nenhum amigo. Agora ele sorri muito, ele vai para aulas de zumba e yoga e tem muitas amigas. 
Agora legalmente reconhecida como uma condição médica, dismorfia de gênero (também conhecida como disforia) é um profundo desconforto com o sexo com que a pessoa nasceu. Segundo médicos, a condição pode levar à depressão grave, que por sua vez pode fazer com que algumas pessoas cometam suicídio. 
Em julho passado, Jane realizou a cirurgia para a retirada de seus órgãos masculinos e iniciou uma terapia hormonal com estrogênio para feminilizar seu corpo. 
Mas engana-se quem pensa que Jane agora é atraída por homens: 
– Não, agora eu sou lésbica. Eu fui diagnosticada em 2009 com disforia de gênero que havia sido reprimida. Embora estivesse sempre sexualmente atraído por mulheres, nunca fui particularmente feliz com tudo que envolvesse a penetração. Houve um pouco de cross-dressing na minha adolescência, mas era mais em torno de querer mudar a minha forma. Eu sempre odiei qualquer coisa que indicasse que eu fosse uma travesti. Eu tive uma séria preocupação em contar para Tash, nunca ia ser uma hora certa, porque a cada mês que passava eu era atormentada diariamente com a questão de que eu estava ficando mais velha e tudo ia ficando mais difícil, por isso tive que soltar. Mas eu estou orgulhosa da maneira com que Tash se adaptou e se ajustou – mesmo quando ela me deu um cartão de Dia dos Pais. 
Jane e sua ex-esposa Miranda, mãe da Tash, se separaram quando ela tinha dois anos de idade. Por sete anos viveram próximos um do outro, compartilhando a guarda das crianças entre eles, mas quando Tash fez nove anos seu pai se mudou para um lugar a mais de 100 quilômetros de distância de Lincolnshire, com sua nova mulher, Andrea. Tash passou a viver com eles.

EUA: Illinois se torna hoje o décimo segundo estado americano a reconhecer a união civil entre casais homossexuais Resposta

Pat Quinn, governador de Illinois
O governador de Illinois, Pat Quinn vai assinar durante uma cerimônia na tarde desta segunda-feira (31/01), o que vai ser um marco na legislação de direitos de uniões civis, dando aos casais gays de Illinois muitos dos direitos legais concedidos aos casais heterossexuais. O acontecimento histórico será realizado perante uma multidão de pessoas no Centro Cultural de Chicago.

“Nosso maior problema agora é a resposta das pessoas que querem estar lá para testemunhar a cerimônia. Eles consideram que isto é parte da história do estado”, disse o Representante do Estado, Greg Harris.
Com a assinatura de Quinn, Illinois se torna o décimo segundo estado ou distrito dos EUA que vai reconhecer juridicamente as relações entre pessoas do mesmo sexo, seja através de uniões civis ou casamento.
A deputada estadual Deborah Mell disse que a atitude é ¨ótima para o estado e para o avanço de uma verdadeira igualdade. Ela foi responsável por fazer um apelo emocional para que seus colegas políticos a favor do projeto de lei. A Assembleia Geral aprovou a legislação no início de dezembro de 2010.
A nova lei entra em vigor a partir do dia 1º de junho de 2011, no entanto, ainda há trabalho a ser feito antes da primeira união civil ser reconhecida. A Secretaria Estadual de Saúde Pública está trabalhando nos documentos que serão necessários para as pessoas interessadas em uniões civis.
A lei não reconhece casamentos homossexuais, mas vai proporcionar os mesmos direitos do cônjuge para parceiros do mesmo sexo, quando se trata de substituição de tomada de decisão para tratamento médico, adoções, acidentes e seguros de saúde.
O evento de hoje vai contar com a presença prefeito de Chicago, Richard M. Daley, o Presidente do Senado de Illinois John Cullerton, o Presidente da Câmara, Mike Madigan, entre outros políticos.
O defensor e co-fundador dos direitos gays de Illinois, Rick Garcia, comemora:
– Estou muito feliz que o governado está assinando esta lei. Este projeto nos coloca um passo mais perto da plena igualdade.