Caetano Veloso vai gravar depoimento apoiando o casamento civil entre homossexuais Resposta

Caetano Veloso (Foto: Reprodução)
Segundo a coluna de Felipe Patury, da revista Época, Caetano Veloso é o próximo artista a gravar um depoimento defendendo o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. O vídeo faz parte de uma campanha elaborada pelo deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), e já contou com participações de Sandra de Sá, Zélia Duncan e da atriz Arlete Sales. 

O projeto é uma proposta de emenda constitucional que permite o casamento civil entre homossexuais e precisa de mais de 70 assinaturas de parlamentares para começar a tramitar nas comissões técnicas da Câmara. A campanha de Jean Wyllys será veiculada na internet a partir do mês que vem. 
Ótima iniciativa do deputado Jean Wyllys. Acredito que artistas tenham um papel importante na formação de opinião do público de massa, por mais que alguns desses que já gravaram a campanha, não atinjam diretamente a massa popular do país. Mas é um início, e espero que o deputado tenha grande êxito na campanha e consiga fazer com que vários outros artistas de diversos segmentos também participem. A campanha já tem o apoio do blog Entre Nós!

Jean Wyllys associa Bento XVI ao nazismo e o chama de genocida 1



O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) ficou indignado com as declarações do Papa Bento XVI contra o casamento civil gay e comparou o pontífice aos nazistas e ainda o chamou de genocida.
“O papa suspeito e acusado de ser simpático ao nazismo disse que o casamento civil igualitário é uma ameaça à humanidade. Ameaça ao futuro da humanidade são o fascismo, as guerras religiosas, a pedofilia e os abusos sexuais praticados por membros da Igreja e acobertados por ele mesmo”.
A resposta foi dada em relação aos recentes comentários de Bento XVI que afirmou que o casamento gay é uma ameaça e coloca em xeque “o próprio futuro da humanidade”. O líder da Igreja Católica ainda afirmou a relação homoafetiva atrapalha na educação das crianças que precisam de ambientes adequados. “O lugar de honra cabe à família, baseada no casamento de um homem com uma mulher”, disse ele.
Mas o deputado brasileiro, um dos principais defensores da causa LGBT se incomodou com a maior autoridade do Vaticano e protestou dizendo que Bento XVI é como  “genocida em potencial”. “Espero que os estados laicos do Ocidente não cedam à pressão desse genocida em potencial”.

Com informações Jornal do Brasil e do Notícias Gospel

Ativista pede ação do Ministério Público contra homofobia na internet Resposta

Ativistas reagiram ao tomar conhecimento de páginas na internet que incitam à prática de violência sexual e de homofobia. Entre as manifestações questionadas, estão uma campanha que pede a morte do deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) e um blogue que defende “penetração corretiva de lésbicas”.

A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) recorreu à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal (MPF). A demanda, assinada por Toni Reis, presidente da organização, é por investigação e providências para que o blogue e as páginas sejam retirados do ar e para que os autores respondam pelos atos criminosos.

O blogue Silvio Koerich, fora do ar nesta quinta-feira (29), apresentava recomendações para se estuprar lésbicas com o intuito de supostamente “corrigir” sua orientação sexual. A “receita” inclui uso de “toca ninja”, luva, lenço e éter. E sugere que, se a vítima for conhecida pelo agressor, seria recomendável usar preservativo para evitar identificação.

Em outros textos, o mesmo blogue defendia que gays fossem enterrados vivos e incluía manifestações racistas, afirmando que os negros são uma “raça inferior” à dos brancos.



A Polícia Federal afirmou, por meio do Grupo de Combate aos Crimes de Ódio e Pornografia Infantil, ser impossibilitada de avançar nas investigações. Por se tratar de apologia a crime, com pena de detenção, e não infração mais grave, não há meios para se obter a identidade do dono do domínio. Além disso, por ter final “.com”, registrado nos Estados Unidos, a apuração seria ainda mais difícil.

A campanha pela morte de Jean Wyllys tem um perfil no Twitter. Criado no último dia 23, há atualizações apenas até segunda-feira (26), com ataques a homossexuais e a defensores de direitos humanos. Homossexual assumido, o parlamentar é coordenador da frente parlamentar mista de diversidade e tem posição central na discussão do projeto de lei que criminaliza a homofobia.


Reportagem: Brasil Atual

PLC 122 é sepultado com ajuda de Marta Suplicy 1

Marta tenta explicar o inexplicável



Depois do Programa Escola sem Homofobia do MEC ter sido suspenso pela presidenta Dilma Rousseff, agora o enterro do PLC 122 – ele não será arquivado, será “abandonado”, como foi o projeto de união civil, nunca arquivado mas já perdido pela pauta da Câmara – cai como uma bomba na cabeça lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e todos os militantes dos direitos humanos.

O PLC 122 foi sepultado de forma definitiva pela própria relatora, senadora Marta Suplicy (PT/SP) durante almoço no gabinete do senador Magno Malta (PR/ES), presidente da Frente Parlamentar Mista Permanente em Defesa da Família Brasileira. Participaram também da reunião o senador Walter Pinheiro (PT/BA), deputada federal Benedita da Silva (PT/RJ), deputado federal Lauriete Almeida (PSC/ES) e o deputado Gilmar Machado (PT/MG).


Caberá a Demóstenes Torres, do DEM, a missão de apresentar um novo projeto de lei que agrade tanto a comunidade gay quanto às lideranças evangélicas, como se isso fosse possível, já que o que o grupo fundamentalista quer mesmo é continuar discriminando homossexuais. A intenção deste novo projeto é criar um texto em conjunto, assessorado pelas lideranças evangélicas mais moderadas, que inclua a criminalização da homofobia mas também a criminalização da discriminação contra idosos, deficientes físicos e de respeito a fé (são grupos ainda não contemplados na lei que já inclui o racismo como punível).

Em entrevista concedida na tarde desta terça-feira ao “Mix Brasil”, o deputado federal Jean Wyllys classificou como uma “derrota” a decisão de engavetar o PLC 122 pela relatora do projeto, a senadora Marta Suplicy.


“Do mesmo modo como aconteceu na Câmara Federal, em que o projeto foi aprovado graças ao protagonismo dos LGBT, deveria ter sido no Senado, mas nas últimas semanas a senadora Marta Suplicy e o Toni Reis [presidente da ABLGT] passaram a negociar diretamente com os senadores e deputados da oposição, sem qualquer tipo de consulta ou participação dos demais parlamentares apoiadores do projeto. Até mesmo membros da Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT ficaram de fora”, criticou o deputado. “A senadora Marta Suplicy está desconsiderando os outros parlamentares e os demais segmentos da militância LGBT”, completou.

Jean Wyllys ainda definiu como lamentável a decisão de abandonar o projeto por conta da chamada “demonização”. “Não dá para admitir que agora deputados e senadores que historicamente sempre se opuseram aos direitos LGBT venham querer apresentar um projeto que contemple as nossas reivindicações. Os negros não aceitaram, as mulheres não aceitaram. Por que nós temos que aceitar?”, questionou o deputado.

Levando em conta as dificuldades em se aprovar o PLC 122, o deputado Jean Wyllys sugeriu que uma alternativa seria reunir os parlamentares apoiadores da causa, a mídia LGBT e os mais diversos segmentos da militância, e não somente a ABGLT, para criarem juntos um novo projeto.

Para discutir esta alternativa e os rumos a serem tomados após os últimos acontecimentos, o deputado pretende se reunir nesta quarta-feira, em Brasília, com alguns membros da Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT. “De lá, poderá sair um esboço para um futuro projeto que será amplamente discutido com deputados e senadores e com toda a militância”, revela.

Em entrevista, Jean Wyllys critica Dilma por suspensão do kit Escola sem Homofobia Resposta

Segundo deputado federal assumidamente homossexual, Jean Wyllys (PSOL-RJ) criticou a presidenta Dilma Rousseff (PT) por ter cedido à “pressão chantagista” da bancada fundamentalista e ter recuado na proposta do governo de distribuir kit Escola sem Homofobia. “Lamentei que a presidenta Dilma tenha cedido a esse tipo de pressão chantagista feita pela bancada da direita religiosa. O episódio só serviu para o desgaste do governo porque há uma pressão popular pelas explicações do ministro Antonio Palocci”, disse o ex-participante do programa Big Brother Brasil.


Em entrevista para “A Gazeta”, na última terça-feira (31/05), ele também disparou contra o senador Magno Malta (PR-ES) e os deputados Jair Bolsonaro (PP-RJ) e Anthony Garotinho (PR-RJ), que são contrários às causas defendidas pela comunidade LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros). “Acho um discurso hipócrita que só serve para tirar dividendos eleitorais”.

Na próxima sexta-feira (10/06), Jean Wyllys estará em Vitória (ES) para participar do Seminário de Direito Homoafetivo, promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil seccional capixaba (OAB-ES). Ele será um dos palestrantes do evento.

O que o senhor achou do recuo do governo na distribuição do kit aEscola sem Homofobia?


Lamentei que a presidenta Dilma tenha cedido a esse tipo pressão chantagista feita pela bancada da direita religiosa. O ministro Palocci é uma pessoa pública e tem que se explicar. Essa blindagem, essa vontade deliberada do governo federal de blindar Palocci só serviu para desgastar, porque a moeda de troca foi uma política pública de educação importantíssima, que já havia sido aprovada pelo Ministério da Educação e já havia sido apresentada numa audiência pública no ano passado no Senado. O episódio só serviu para o desgaste do governo porque há uma pressão popular pelas explicações de Palocci.

Em seu site, o senhor até pediu que a comunidade não vote mais em Dilma…


Não foi dessa maneira que eu pedi. O que eu disse no meu site, na integra, é que essas próprias forças da direita conservadora religiosa que desmoralizaram a presidenta na época das eleições, numa campanha subterrânea de difamação, essas forças apresentaram a conta hoje por ter apoiado ela. O acordo naquela época foi: ou a senhora cede em relação às questões da legalização do aborto e dos direitos de homossexuais ou nós não apoiamos a senhora nas eleições e não barramos a campanha subterrânea que vem sendo feita. Naquele momento ela cedeu. A campanha foi barrada e eles apresentaram a conta agora para ela. O que eu disse foi que, já que eles apresentaram a conta, os LGBTs que votaram nela e que entraram nas redes sociais em defesa sistemática dela contra a campanha difamatória deveriam apresentar a sua conta. E a conta que o LGBT pode apresentar neste momento é nas próximas eleições não votar, porque esse é o nosso instrumento de pressão numa democracia. Só isso. A Dilma não pode negociar uma política pública tão importante para a comunidade desta maneira. Não havia justificativa para ela suspender o projeto. As justificativas foram sendo inventadas. Depois ela dizer que é uma questão de costumes, que o governo tem o direito de tratar das questões de costumes. Não é questão de costumes, é questão de assassinatos, de uma proporção de 200 mortes por ano. Assassinatos de homossexuais não é uma questão de costumes.

Qual o caminho para acabar com a violência e o preconceito contra homossexuais no Brasil?


O caminho é o da educação e o da conquista dos direitos. São os dois caminhos possíveis. A conquista de direitos aqui no Congresso Nacional, ou seja, assegurar alguns direitos como no projeto de lei 122, que combate a discriminação por orientação sexual, altera a lei do racismo no sentido de incluir as discriminações por orientação sexual; assegurar o direito ao casamento civil, que é para poder combater a desigualdade no plano jurídico, é importante isso principalmente depois da decisão do STF. E o outro caminho são políticas de educação que façam das novas gerações mais solidárias, conscientes e respeitosas das diferenças culturais e das diferentes sexualidades humanas que existem.

Como o senhor avalia o discurso de Bolsonaro, Garotinho e Magno Malta, que têm uma postura contrária à causa LGBT?


Acho um discurso hipócrita que só serve para tirar dividendos eleitorais na medida em que joga com os preconceitos da população e com o senso comum, que deveria ser desconstruído. É um discurso lamentável porque é um discurso de ódio, que fere os princípios constitucionais. O discurso dos três é de incitação ao ódio. É um discurso eleitoreiro porque quer jogar com os preconceitos que a população conserva.

O Supremo reconheceu a união estável para casais do mesmo sexo, mas no Congresso há resistência em aprovar projeto de lei que criminaliza a homofobia. Como o senhor vê isso?


Ainda bem que nós temos estes dois Poderes: o Judiciário dando pareceres favoráveis à união estável, a adoção de crianças; e o Executivo com políticas públicas importantes para a comunidade LGBT. Porque se dependesse do Congresso Nacional, a comunidade LGBT não só não teria direitos como perderia alguns dos que gozam hoje, como é, por exemplo, o direito de liberdade de associação. Se deixar que o Congresso defina os rumos da comunidade, essa maioria aqui que é de deputados conservadores, reacionários e de um dogmatismo e de um fundamentalismo religioso absurdo, os homossexuais sequer teriam direito de livre associação. Se deixar que essa direita religiosa avance no Brasil, nós vamos penalizar a homossexualidade, vai tornar a homossexualidade crime pelo andar da carruagem. E os porta-vozes desse atraso, dessa ignorância, desse obscurantismo, desse espírito anti-republicano são o senador Magno Malta e os deputados Garotinho e Bolsonaro.

O senhor sofre preconceito por parte de colegas de plenário por assumir sua homossexualidade?


Não. Pelo menos na frente ninguém nunca me discriminou.

Quem é Jean Wyllys


Começo. Jean Wyllys tem uma história de envolvimento com trabalhos em favor da justiça social e das liberdades civis, que remonta à sua adolescência, quando pertencia às pastorais da Juventude Estudantil e da Juventude do Meio Popular, e atuava nas comunidades eclesiais de base da Igreja Católica.


LGBT. Parceiro dos movimentos LGBT, negro e de mulheres, ele participa de ações que combatem a homofobia, a intolerância e o fundamentalismo religiosos, o trabalho escravo, a exploração sexual de crianças e adolescentes, e as violências contra a mulher.


Formação. Comunicação Social, Jornalismo, pela Universidade Federal da Bahia; mestrado em Letras e Linguísticas, pela mesma instituição.


Livros. É escritor, com três livros publicados (“Aflitos”, “Ainda lembro” e “Tudo ao mesmo tempo agora”); professor na Escola Superior de Propaganda e Marketing e Universidade Veiga de Almeida, ambas no Rio. Foi vencedor do programa de reality-show Big Brother Brasil, em 2005.


A barganha com o kit Escola sem Homofobia


Pressão. Pressionada pela bancada religiosa no Congresso, a presidente Dilma Rousseff mandou suspender, no último dia 25, a produção e a distribuição de vídeos e cartilhas contra a homofobia, organizado pelo Ministério da Educação.

Troca. Diante da decisão de Dilma, o deputado Garotinho afirmou que seriam suspensas as medidas anunciadas pelas bancadas religiosas em protesto contra o kit. Os parlamentares haviam decidido colaborar com a convocação do ministro Antonio Palocci para que ele explicasse sua evolução patrimonial.


Elogios. Crítico ferrenho do kit, o deputado Bolsonaro (foto) comentou a decisão. “Veio bastante tarde, mas vou ser obrigado a elogiar a Dilma”. Ele afirmou que o material foi totalmente confeccionado por grupos LGBT. “Qual pai tem orgulho de ter um filho gay? É um demagogo, quem já tem que vai dizer que tem. Comigo, no começo, como já falei, moleque que vem com comportamento delicado dava-lhe uma porrada logo no começo pra mudar o caminho dele e acabou. É a minha maneira de ser. Se não gostar que se exploda”, disse.


Não viu filmes. Um dia depois de suspender o kit, Dilma assume que nem viu os filmes. Ela explicou que o material entregue ao MEC não atende ao que foi exigido. “Não concordo com esse kit. Porque eu não acho que faça a defesa de práticas não homofóbicas”. E acrescentou: “Não vai ser permitido a nenhum órgão do governo fazer propaganda de opões sexuais. Não podemos intervir na vida privada das pessoas”.


“Terceiro sexo”. O senador Magno Malta diz que o Senado não pode criar o “terceiro sexo”. “O Supremo prestou um desserviço à sociedade e está longe de ser o supra sumo da verdade. Deus criou o macho e a fêmea, não é o Congresso Nacional que vai criar o terceiro sexo”.


Leia trecho do livro Ainda Lembro, de Jean Wyllys

Parece óbvio e também oportunista que um escritor, ao fim de um confinamento de oitenta dias numa casa, com um grupo de pessoas que diminuía a cada semana, escreva um livro sobre essa experiência. Mas o que pode um escritor fazer de suas experiências a não ser transformá-las em palavras e, depois, em livro? Sim, sou escritor, com livro publicado e tudo (em minha opinião, escritor é todo aquele que escreve, mesmo que seja para encher gavetas empoeiradas; se eu considerar a opinião daqueles para os quais escritor é apenas quem já publicou, continuo sendo um escritor). E, como todo escritor – embora alguns finjam que não -, quero ser lido, circular, estar nas prateleiras das livrarias; quero ser Paulo Coelho. Como bem diz Antônio Torres, em Um táxi para Viena d’Áustria, o escritor é um artista, e artista é igual a puta do cais do porto: tem de estar na janela para aparecer.


Pensei muito antes de aceitar o convite para escrever este livro, que mistura memórias do confinamento na casa e de minha vida em Alagoinhas e Salvador – uma certa reflexão sobre a existência e as voltas que o mundo dá. Primeiro, pensei na pressa com que o faria e no fato de que ela, a pressa, sempre conspira contra a perfeição (mas quem é e o que é a perfeição?): queria fazer um livro que não virasse papel para embrulhar peixe no dia seguinte; espero que tenha conseguido. Em seguida, pensei nas críticas ou na indiferença dos que definem o que é boa ou má literatura (para mim, eles deveriam se perguntar quando é literatura). Pensei, então, que alguém que venceu a fome e a pobreza, que sobreviveu às chacotas e à violência física contra gays, e que conquistou um lugar ao sol depois de um confinamento de oitenta dias, também há de sobreviver à maledicência, à arrogância, à hipocrisia e ao cinismo de intelectuais não premiados pela vida. Aceitei, portanto, escrever este livro. Como diz o povo, ladram os cães e a caravana segue.


Quando me perguntam por que quero escrever, costumo citar uma fala do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, que também serviu para responder por que participei do Big Brother Brasil. No momento, ela serve também para responder por que aceitei escrever este livro: “Para chatear os imbecis; para não ser aplaudido depois de seqüência dó de peito; para viver à beira do abismo; para correr o risco de ser desmascarado pelo grande público; para que conhecidos e desconhecidos se deliciem; para que os justos e os bons ganhem dinheiro, sobretudo eu mesmo porque, de outro jeito, a vida não vale a pena; para ver e mostrar o nunca visto, o bem e o mal, o feio e o bonito”.


A idéia de fazer este livro surgiu depois que o apresentador Luciano Huck, muito gentilmente, pediu-me que escrevesse um texto para ser lido em seu programa, sobre os meus anseios e as impressões após a saída da casa. O texto emocionou os presentes, em especial a apresentadora Ana Maria Braga e os atores Christiane Torloni e Edson Celulari. Edson chegou a elogiar a minha lucidez e, em seguida, citar o poeta Fernando Pessoa. O texto chamou a atenção dos editores, que consideraram a possibilidade de as pessoas que torceram por mim (e até das que não torceram) estarem interessadas em ler exatamente o que eu tenho a dizer sobre aquela experiência.


Portanto, aqui estou eu contando e refletindo da maneira mais honesta possível; e, ao mesmo tempo, tentando construir beleza e emoções com palavras; em síntese, aqui estou eu tentando fazer literatura, seja ela o que for ou quando for. Escrever é imperativo em minha vida, embora eu prefira viver, já que a vida é sempre mais bonita, mais feia ou mais intensa que qualquer representação literária. Ao contrário de Clarice Lispector, que afirmava só estar viva quando escrevia, adoro a vida propriamente dita, louca às vezes, e com o risco de ser breve, pois, quando escrevo, sempre morro um pouco, porque acabo cedendo parte de meu sopro vital na construção de outras vidas em palavras.

Jean Wyllys: ¨A primeira vez que percebi meu desejo foi aos 16 anos¨ Resposta

(Foto: Reprodução)
Em entrevista que vai ao ar no próximo domingo (05/06) no De Frente Com Gabi, no SBT, o deputado Jean Wyllys famoso por vencer o Big Brother Brasil e hoje ter se tornado um dos maiores defensores da causa LGBT na política brasileira falou sobre sexualidade, família e política.

Jean revelou que a primeira vez que percebeu seu desejo ele tinha 16 anos, e que é o único gay da família e que chegou a ser discriminado dentro do seio familiar.
O deputado disse ainda que chegou a sofrer bullying na escola:
– Queria entender por que era chamado de gay. Se a escola fosse inclusiva, eu teria sido protegido de uma série de violências. Das surras, dos insultos.

Relembre momentos de machismo, homofobia e racismo de Bolsonaro 6

O presidente da Câmara dos Dputados, Marco Maia (PT-RS), encaminhou na última quarta-feira (30/03), quatro representações contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) para serem analisadas pela Corregedoria da Casa. As ações dizem respeito às declarações homofóbicas e racistas do deputado em entrevista ao programa “CQC” (Band).

Jair Bolsonaro disse que seus filhos não namorariam gays, porque foram bem educados e não tiveram pais ausentes e, respondendo a uma pergunta da cantora e apresentadora Preta Gil, afirmou que seus filhos não namorariam uma negra, pois ele é contra essa “promiscuidade”. Após Preta Gil afirmar que irá processá-lo, o deputado, que sabe que racismo é crime no Brasil e homofobia não, disse que entendeu apenas que a pergunta sobre se o filho namorasse um gay. O deputado também disse que torturaria seu filho se o encontrasse fumando maconha.

As ações encaminhadas foram protocoladas pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, pela sccional do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), pelo deputado Edson Santos (PT-RJ) e pela Comissão de Direitos Humanos, assinada por um grupo de 19 deputados. Nesta quinta-feira, deve ser protocolada mais uma representação, da Procuradoria da Mulher da Câmara dos Deputados.

Com o encaminhamento, caberá ao corregedor, Eduardo Fonte (PP-PE), dar um parecer à Mesa Diretora sobre o tema para que seja decidido se Jair Bolsonaro vai ou não para o Conselho de Ética. O deputado, que disse estar se “lixando” para o movimento gay, mesmo depois de toda a repercussão negativa de suas declarações, terá cinco dias para se defender após ser notificado pela Corregedoria.
Jair Bolsonaro disse, na última quarta-feira (30/03), que não teme ser cassado por racismo. Bolsonaro também disse que não tem medo de ser destituído da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Sim, ele faz parte da comissão!
“Quem manda na minha cadeira é o líder do meu partido. Ele é quem decide, eu não saio de lá. Estou lá para não ser uma comissão só voltada para a demagogia e para defender interesses de quem está à margem da lei, como presidiários. Eu nunca vi defenderem direitos de famílias de vítimas de assassinos”, afirmou Bolsonaro.
A principal voz Câmara contra a discussão sobre direitos dos homossexuais (que faz parte da discussão sobre direitos humanos) tem sido a do deputado Jair Bolsonaro, que está em seu sexto mandato e é capitão do Exército. Representantes da Frente Evangélica e os da Família, em geral, medem as palavras ao tecer críticas aos projetos voltados aos interesses dos LGBT (lésbica, gay, bissexual e transgênero).
Desde o final do ano passado (2010), Jair Bolsonaro aumentou os seus ataques à comunidade LGBT. Tudo porque ele ficou indignado com a iniciativa do Ministério da Educação (MEC), de distribuir material didático, a princípio a 6 mil escolas públicas do ensino médio. O material, chamado pejorativamente por Bolsonaro de “kit gay”. é composto de três vídeos educativos e um guia de orientação aos professores.
O material foi exibido para especialistas e parlamentares em seminário sobre o tema realizado na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados em novembro do ano passado (2010). Em sessão realizada no Plenário, se valendo da imunidade parlamentar e do fato de a homofobia não ser crime, Bolsonaro disse o seguinte que o “kit gay” é um “estímulo ao homossexualismo e um incentivo à promiscuidade”. Ele disse, também, que dá “nojo” discutir o conteúdo do filme. E completou: “Esses gays e lésbicas, querem que nós, a maioria, intubemos, como exemplo de comportamento, a sua promiscuidade”. Antes do episódio do “CQC”, nada foi feito contra ele.
No passado, durante discussão com a então deputada, Maria do Rosário (PT-RS), disse que ela era uma vagabunda, empurrou a deputada e disse que só não estupraria ela, porque ela não merece.
Jair Bolsonaro, que defende a ditadura militar, já defendeu, também, o fuzilamento do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Além de milhares de pessoas que protestaram contra o deputado Jair Bolsonaro, vários políticos como Jean Wyllys e Marta Suplicy também manifestaram sua indignação:
“Ele é um hipócrita. Fala em nome da família, mas ele está se lixando – para usar expressão dele – para as famílias de homossexuais. Mães e pais que estão neste momento ferido, ofendidos”, disse Jean.
“Para tudo tem limite! Principalemnte para um representante do povo que deve ter como regra o respeito à Constituição Brasileira e prezar pelo decoro parlamentar”, escreveu, em nota, a senadora Marta Suplicy.
A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) fez um ato de repúdio às falas do deputado Jair Bolsonaro. Além dos religiosos, estiveram presentes autoridades como a chefe da Polícia Civil, Marta Rocha, o promotor Marcos Kac, o delegado Henrique Pessoa, entre outros.
O interlocutor da comissão, o babalaô Ivanir dos Santos, disse que a atitude de Jair Bolsonaro foi “um ato fascista e que ameaça de novo, a democracia, a liberdade de expressão e a liberdade religiosa”.
A chefe da Polícia Civil, delegada Marta Rocha, disse que, enquanto cidadã, acha que “todas as pessoas devem se posicionar contra qualquer tipo de intolerância”. E lembrou de quando estava à frente da 12ª DP (Copacabana) e ajudou a organizar a Caminhada Contra a Intolerância Religiosa, que reúne milhares de pessoas há três: “Aquele dia foi mais do que um dia festivo, foi a realização do estado democrático de direito. Foi para nos lembrar que todo poder emana do povo e em seu nome será exercido. Esse povo não pode ser entendido sob a ótica da cor, da orientação sexual, da raça, da etnia ou da condição econômica.
O vereador Carlos Bolsonaro, chamou todos os que protestaram contra o seu pai de oportunistas. E completou:
“Enquanto discordar de que crianças de sete anos aprendam lições de homossexualismo for mais grave do que ser ladrão, o Brasil estará perdendo”.

Jean Wyllys: Bolsonaro só é corajoso para ofender 1

O deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) comentou as declarações racistas e homofóbicas ditas pelo seu colega, o também deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ). “Agora Bosonaro está tão amedrontado. Ele que sempre foi tão corajoso para ofender os homossexuais, para debochar das vítimas da ditadura militar”. Para Jean, há uma tentativa do Bolsonaro, de substituir o racismo pela homofobia, porque ofensa aos LGBT (lésbica, gay, bissexual e transgênero) ainda não é considerada um crime no Brasil.
Em entrevista ao programa “CQC”, o deputado Jair Bolsonaro disse que os filhos dele não correm o risco de namorar uma negra e nem de ser gay porque foram muito bem educados.
Um grupo de 20 deputados está levando adiante cinco medidas que pretendem tomar em relação a Bolsonaro: ingressar com uma representação junto ao Ministério Público Federal, recorrer ao Conselho de Promoção da Igualdade Racial, recorrer também ao Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana e, por fim, pedir ao Partido Progressista (PP) que o destitua da cadeira a qual ele tem direito na Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
A cantora Preta Gil, ofendida por Bolsonaro durante a entrevista ao “CQC”, disse que vai processar o deputado por racismo.
A OAB-RJ ingressou nesta quarta-feira (30/03) com uma representação na Câmara dos Deputados contra Bolsonar.
Apesar de tudo isso, Bolsonaro voltou a atacar os gays hoje, em entrevista durante o velório do ex-vice-presidente José de Alencar. Ele disse que está se lixando para os grupos gays.
Jean Wyllys disse que “é preciso desmascarar a estratégia de Bolsonaro: ele está tentando se safar de um crime de racismo que ele cometeu. Por que é que ele está assumindo com todas as letras ser homofóbico e injuriando os homossexuais de maneira grotesca, violenta e odiosa? Porque ele sabe que no Brasil homofobia não é crime. Então, ele se assume homofóbico e pede descolpa pelo crime de racismo, porque ele sabe que homofobia não é crime. Ele não teve coragem de assumir a sua própria posição, reiterando as declarações que deu ao CQC. E mais, o argumento de que ele não entendeu a pergunta da cantora Preta Gil é acreditar que as pessoas são muito ingênuas ou burras. Até foneticamente não há nenhum tipo de proximidade entre mulher negra e filho gay.

Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT quer tornar homofobia crime e levar debate à sociedade Resposta

Na última terça-feira (29/03), a Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT (lésbica, gay, bissexual e transgênero) foi relançada na Câmara dos Deputados. O evento reuniu militantes e parlamentares ligados à causa e trouxe ao Brasil parlamentares estrangeiros que conseguiram aprovar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. O deputado Jean Wyllys (Psol-RJ) coordenou o evento e frisou as prioridades do grupo, que já reúne 175 parlamentares. A frente defente a aprovação do PLC 122/06 (Projeto de Lei da Câmara), da ex-deputada Iara Bernardi considera crime o preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero.

O texto foi aprovado na Câmara em 2006, mas até hoje não foi analisado pelos senadores.
Além disso, a união e o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a mudança de nome social feita por transexuais e travestis são prioridades do movimento LGBT e da frente.
A senadora Marta Suplicy (PT-SP), lembrou que quando era deputada, nos anos 1990, foi à Argentina e o conservadorismo era maior que no Brasil, mas os vizinhos conseguiram fazer avançar o debate que a frente agora se propões a recomeçar.
O presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, Toni Reis, ao falar sobre a união entre pessoas do mesmo sexo, citou o Supremo Tribunal Federal (STF). Ele esteve com o ministro Carlos Ayres Britto, relator de um processo que avalia conceder esse direito a parceiros homossexuais.
O vereador espanhol de Madri, Pedro Zerolo, que também é assessor do presidente da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, disse que na Espanha as coisas não foram fáceis; o segredo, segundo ele, é distanciar o debate do tema religioso.
Toni Reis e Jean Wyllys ressaltaram que não querem briga com os evangélicos, e que as reivindicações são para um reconhecimento do Estado brasileiro, que é laico.
*Com informações da Agência Câmara

Deputado evangélico confronta acusações de Jean Wyllys sobre a abertura da contabilidade das igrejas que recebem dízimo 1

Deputado Marco Feliciano (Foto: Reprodução)
O palco está armado. Por um lado, fanáticos religiosos tentam de tudo para impedir que os homossexuais tenham os mesmos direitos que os heterossexuais na sociedade. Em atos descarados de preconceito, estes políticos que usam o nome de Deus para governar um país, como se toda a população acreditasse em um Deus, lutam para impedir os avanços já conquistados pelos homossexuais. Do outro a bancada dos simpatizantes às causas gays, que acreditam que as leis são para todos, que não é correto usar de opiniões pessoais para governar um país e que os gays merecem os mesmos direitos e o mesmo respeito na sociedade que os heterossexuais.

Com base nesta trama, o deputado Marco Feliciano, respondeu às afirmações de Jean Wyllys (mesmo sem citar nomes), sobre as indagações a respeito da imunidade fiscal das igrejas evangélicas que recebem dízimos. Conforme alguns políticos religiosos estão tentando derrubar a portaria do Ministério da Fazenda que permite a partir deste ano casais homossexuais de união estável de fazerem a declaração conjunta do imposto de renda, alegando que a permissão é uma excessão e que faz dos homossexuais pessoas especiais, o que é ilegal na Constituição, Jean Wyllys promete usar do mesmo argumento e questionar o motivo das igrejas não prestarem contas à sociedade, coisa que todos os partidos políticos fazem.
O deputado Marco Feliciano falou em sessão na Câmara Federal sobre essa questão das igrejas e convidou Jean Wyllys para um debate de idéias. Confira o discurso: 
É com grande satisfação que uso desta tribuna, neste momento, para manifestar minha preocupação com atitudes e posições de colegas que dizem representantes de minorias e tentam inverter valores, visando instalar uma ditadura de minorias nesta Casa, em contraponto com a grande maioria de deputados representantes de grupos de pessoas que prezam pelos bons costumes, não se reduzindo a apenas Deputados da Frente Evangélica.
Quando o assunto passa para questionamento da prestação de contas das igrejas, o nobre deputado envereda pelo campo do confronto, demonstrando vontade de atuar em todas as direções, falta de abstração intelectual para apresentar motivos mais substanciais para justificar sua lide e aconselho o nobre colega a verificar na internet, a prestação de contas de todas as igrejas, pois possuem um corpo de administração, com tesouraria e relatório de prestação de contas. Muitas com trabalho social tão relevantes, tirando drogados das ruas e amparado órfãos e idosos, muitas vezes as despesas superando em muito, as receitas.
Sabemos que a mídia sempre dá destaque para posições polêmicas. Entendemos e respeitamos, mas não estamos aqui para municiar debates midiáticos e sim, para bem representar os milhões e milhões de brasileiros que professam uma fé calcada no que Ensina o Livro Sagrado – Uma família é constituída por pai, mãe e filhos – base para qualquer sociedade se desenvolver no trabalho, na educação e ser feliz. Esse é o objetivo de quem foi constituído pelo povo para representá-lo nesta Casa de Leis.
Graças à Deus, esta Casa é um parlamento democrático e convido o nobre colega para um debate de idéias, sem preconceitos e para que possamos como gente civilizada e hoje, na posição de legisladores, podermos encontrar um caminho para o bem comum, com respeito à posição individual de cada um, desde que não intencionemos fazer com que, por causa da impressão que se quer dar, de fragilidade de determinados grupos, venhamos a renunciar a valores inegociáveis de nosso caráter e formação.

Deputado Federal Jean Wyllys recebe ameaça de morte por defender causas gays no Congresso Resposta

(Foto: Reprodução)
O Deputado Federal Jean Wyllys (PSOL -BA), vem recebendo ameaças de morte através de seu twitter. Ele, que apóia as causas gays no Congresso, incluindo o PL122, que criminaliza a homofobia, o casamento gay e o kit anti-homofobia nas escolas, atribui os ataques aos fanáticos religiosos que são contra os homossexuais.

Só ontem (18/03), Jean Wyllys recebeu três ameaças pelo twitter. A primeira dizia: ¨é por ofender a vontade de Deus que você deve morrer¨. Um outra dizia: ¨cuidado ao sair de casa, você pode não voltar¨. E, por fim, a tercira ameaça dizia: ¨a morte chega, você não tarda por esperar¨.

É óbvio que tais mensagens partem dos fanáticos homofóbicos e religiosos que têm receio que a comunidade gay ganhe força. Jean, que é homossexual assumido, já avisou que vai denunciar os casos à Delegacia de Crimes Virtuais. 


Jean diz que não pode minimizar a responsabilidade dos pastores evangélicos sobre os ataques, porque eles conduzem as pessoas demonizando minorias, e que isso parte de pessoas fanáticas e doentes.

Para aqueles que acham que o preconceito e a homofobia são atitudes isoladas, está aí a prova que vivemos em uma guerra descarada, onde o povo mata em nome de Deus. É algo que, há um tempo atrás, a gente achava que só existia nos países muçulmanos, mas a realidade é que moramos com o inimigo. Por isso quanto mais os homossexuais se ajudarem, se unirem, mais forte vai ser o poder sobre esses fanáticos religiosos que não respeitam a diversidade e a liberdade.

Reportagem de "O Globo" aborda a briga entre deputados e senadores que defendem os direitos LGBT e a bancada evangélica 1

A partir da esquerda, os deputados Jean Wyllys e Arthur Bruno
e as senadoras Marinor Britto e Marta Suplicy

Reportagem de Isabel Braga, do jornal “O Globo” deste domingo (06/03) aborda a briga entre os parlamentares liberais e defensores dos direitos humanos, incluindo os direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT) e a bancada evangélica. O jornal afirma que o embate deve se acirrar a partir da chegada do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), segundo deputado homossexual a assumir uma vaga na Câmara – o primeiro foi o estilista Clodovil, Hernandes (1937-2009) – e a volta da ex-deputada e agora senadora Marta Suplicy (PT-SP).

No dia 08/02, a senadora Marta Suplicy, que há décadas luta pelos direitos LGBT, desarquivou o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/2006, de autoria da então deputada Iara Bernardi (PT-SP), que criminaliza a homofobia em território nacional. A senadora conseguiu o número de assinaturas necessários para desarquivar o projeto e disse que o debate irá acontecer “com muita calma e sem pressa e com ampla espaço para o contraditório”.

O PLC 122/06 havia sido enviado ao arquivo, porque o Regimento Interno do Senado estabelece que, ao final de uma legislatura, todas as propostas em tramitação há mais de duas legislaturas sejam arquivadas. Ele tinha sido aprovado na Câmara em dezembro de 2006. A proposta altera a Lei n 7.716, de 5 d ejaneiro de 1989, que tipifica “os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. A proposta inclui entre esses crimes o de discriminação por gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.

No último dia 24, o deputado Jean Wyllys foi à tribuna da Câmara, intitulou-se primeiro representante legítimo da comunidade LGBT e avisou que irá coletar assinaturas para a proposta de emenda constitucional (PEC) que garante casamento civil homossexual.

Do outro lado, a frente parlamentar evangélica fez sua primeira reunião na quinta-feira passada (03/03), quando traçou a estratégia de ação conjunta dos 75 parlamentares que compõem o colegiado (72 deputados e três senadores). Em relação à última legislatura, quando foram eleitos 36 parlamentares evangélicos, segundo “O Globo”, a bancada recuperou sua capacidade de articulação no Congresso. Na pauta da primeira reunião, discutiu-se o acompanhamento de projetos que tramitam no Congresso e contrariam os princípios que a bancada defende.

Entre os alvos da bancada conservadora, que mistura religião com Estado, está o projeto que criminaliza a homofobia. A proposta tem como relatora a senadora Marta Suplicy, que desarquivou o projeto. De acordo com o deputado João Campos (PSDB-GO), o PLC 122/06 tem que ser modificado porque fere a liberdade de expressão. Segundo o parlamentar, não é possível aceitar que os pastores e evangélicos não possam dizer que “homossexualismo é pecado”, porque esse é um dos princípios que defendem e que estaria na Bíblia.

A reportagem mistura o assunto com aborto, o que não tem nada a ver e deveria ser incluído em outra reportagem.

Voltando ao assunto que interessa, os deputados João Campos e Ronaldo Fonseca (PR-DF) foram à Justiça contra a decisão da Receita Federal de estender a todos os parceiros do mesmo sexo o direito de inclusão como dependentes na declaração do Imposto de Renda. Isso fere os princípios evangélicos? Em que isso afeta a vida deles? Mas, não, claro, eles não misturam religião com estado e nem são preconceituosos…

Deputados da bancada evangélica também foram ao Ministério da Saúde, na última quarta-feira, pressionar por mudanças na campanha de carnaval da pasta. Entre eles estava Anthony Garotinho (PR-RJ), que, durante o encontro, manifestou preocupação com o desarquivamento, no Senado, do PLC 122/06:
– Temos que avaliar o pensamento de todos, sem discriminação, mas com ponderação, já que nem portadores de deficiência, idosos e crianças têm tantos privilégios em nosso país.
O deputado Jean tem conversado com colegas de plenário para tentar reativar a frente mista em defesa da cidadania, além do apoio à PEC do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.
– Não quero integrantes da bancada evangélica como meus inimigos. Quando há um conflito de ideias, temos opositores, e uma parte vence a outra com argumentos – disse o parlamentar.
A adesão à frente vem crescendo, e mais de 70 parlamentares já assinaram o documento para a sua criação. No entanto, à PEC do casamento civil encontra resistência. A deputada evangélica Benedita da Silva (PT-RJ) foi uma das que não assinou.
– Eu disse ao Jean: pegue minha história, veja minha luta contra a homofobia, o que fiz como secretária (estadual de Assistência Social) no Rio. Não jogue fora essa parceria.
A deputada Benedita é favorável ao direito do parceiro do mesmo sexo à herança do patrimônio. Mas ela afirma que “o que não podemos é obrigar, com lei, pastores a fazer casamento”. Como assim? Casamento civil não tem nada a ver com religioso. Existem igrejas inclusivas que aceitam casamento religioso homossexual. Uma coisa independe da outra. Quem está jogando no ralo “a própria história” é a deputada, misturando alhos com bugalhos.
A senadora Marta Suplicy, admite que a iniciativa do casamento civil, sugerida por Jean, é mais ampla:
– Decidi desarquivar o projeto de união estável. Acho que tem mais possibilidade no Senado, não é PEC. Mas é importante caminharmos juntos. Se passar o casamento civil, a união cai. O casamento é o objetivo dos homossexuais. A iniciativa do Jean é ousada e corajosa, provoca discussão necessária.
O jornal não aborda a luta de deputados evangélicos e conservadores contra material didático que o Ministério da Educação (MEC) pretende distribuir em seis mil escolas públicas do ensino médio. Deputados como Jair Bolsonaro (PP-RJ) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ) já se manifestaram contra, o primeiro em violentos discursos com teor homofóbico, na Câmara dos Deputados.
Mas você pode ajudar na luta a favor da educação e contra o preconceito: Assine o manisfesto e apóie o kit de combate à homofobia. Faça a sua parte!

Jean Wyllys: "Clodovil tinha homofobia internalizada" Resposta

O site da revista VEJA, publicou uma matéria em que apresenta uma entrevista com o deputado Jean Wyllys, onde ele comenta sobre seus planos em defesa do casamento gay cita Clodovil como um gay que tinha homofobia internalizada. Confira na íntegra a matéria de Gabriel Castro:

Jornalista, professor e ganhador do BBB, deputado do PSOL defende casamento gay e critica “fundamentalismo” cristão no Congresso

(Foto: Diógenis Santos/Agência Câmara)
O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) é uma figura peculiar no Congresso. Primeiro, por ser o único homossexual assumido entre os 594 parlamentares. Segundo, por ser um dos três integrantes da minúscula bancada do estridente PSOL. Terceiro: como ex-participante do Big Brother Brasil, programa do qual foi vencedor em 2005, é um integrante da chamada “bancada dos famosos”, embora se sinta desconfortável com o rótulo. Na semana passada, em seu primeiro discurso na Câmara, levantou uma bandeira polêmica: a institucionalização do casamento gay – e não só da união civil, ele ressalta – na Consituição Federal. Wyllys conversou com o site de VEJA.

Em discurso, o senhor prometeu trabalhar para aprovar uma proposta de emenda à Constituição que institucionalize o casamento gay. Será sua principal bandeira? Pretendo ter uma atuação ampla na defesa dos direitos humanos e sociais. Antes de ser deputado, sempre fui ligado ao movimento GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Travestis). Tenho que prosseguir e atender às demandas desse grupo. E a PEC do casamento civil é uma demanda do movimento há muito tempo. Este é o primeiro projeto na área de direitos humanos e de minorias que eu proponho.

Já há um projeto no Senado tratando da união civil. A proposta do senhor é diferente? Tem diferença, sim. Os heterossexuais podem optar pelo casamento ou pela união estável. Os homossexuais não podem optar por nada porque eles não têm direito a nada. O Judiciário está em vias de fazer valer a união estável para todo o Brasil, mas os gays precisam recorrer à Justiça para ter o direito a isso. Estou propondo uma coisa diferente: uma alteração na Constituição que passa a estender o direito do casamento civil ao conjunto da população. Se o estado é laico, se os homossexuais têm todos os deveres civis, ele tem que ter todos os direitos civis. Eu faço questão de falar em casamento civil entre homossexuais. A simples expressão “casamento gay” gera um equívoco na cabeça das pessoas, a ideia de que está se pleiteando o casamento nas igrejas cristãs. Não é isso. É o casamento civil.

O senhor tachou a maior parte dos deputados de “fundamentalistas cristãos”. Não teme criar uma animosidade com um grupo influente? Não marquei posição de maneira a criar animosidades. Mas o que obstrui a extensão da cidadania a grupos minoritários no Brasil é uma interpretação equivocada dos parlamentares fundamentalistas. E eu faço uma distinção: existem parlamentares cristãos que não são fundamentalistas. Os fundamentalistas são aqueles que nem sequer querem sentar para um debate. Nenhum valor cristão está sendo violado, é uma questão de tratamento civil. Como pedir, hoje, para os negros sentarem nos bancos traseiros dos ônibus. É simples assim. Não estou fazendo uma crítica dos cristãos de uma maneira geral.

Mas há quem argumente que o casamento é uma instituição que nasceu com a religião, e que não pode ser dissociada de sua origem. Uma pessoa que não quer dissociar o casamento civil da relação religiosa é alguém que quer fundar um estado teocrático, que vai contra o princípio republicano: a ideia de que estado e igreja vivem separados, e de que o estado não tem paixão religiosa nem pode se orientar por princípios de uma religião. Ainda mais num país diverso culturalmente, com a pluralidade religiosa com a nossa. É um absurdo.

O senhor rompeu com a Igreja Católica por causa da homossexualidade? Eu me engajei muito cedo no movimento pastoral da Igreja Católica. A teologia da Libertação é muito forte, especialmente nos bolsões de pobreza. Muito cedo, eu me engajei na fé católica e no movimento pastoral. Era uma igreja muito mais comprometida com a questão social, entendia que a gente precisava construir aqui o reino dos céus. Mas chegou um momento em que, do ponto de vista pessoal, o Cristianismo já não me dava mais as respostas que eu queria. Na medida em que o papa insiste numa demonização da homossexualidade, não me cabia mais seguir. E aí me abri para as regiões afro-brasileiras. Estudei isso, sou professor de cultura brasileira. E hoje eu posso dizer que sou um simpatizante dessas religiões.

O senhor disse ser o primeiro homossexual militante e “sem homofobia internalizada” a chegar ao Congresso. Foi uma referência direta ao ex-deputado Clodovil? O Clodovil nunca teve um engajamento gay. Ele acabou fazendo um ativismo involuntário, porque era homossexual assumido e estava na TV. Ele era adorado pelas senhoras que votaram nele, pelas donas de casa. Se o Clodovil se levantasse como um ativista, não seria adorado pelas senhoras. O Clodovil tinha homofobia internalizada. Ia a público se colocar contra as bandeiras do movimento. Não foi uma nem duas vezes que ele deu declarações à imprensa contra o casamento gay. Fazia até deboche disso. “Detonou” a parada do orgulho gay, quando foi perguntado. Embora fosse homossexual assumido, ele não levou essa discussão para o Congresso Nacional. Eu tinha até uma relação pessoal com ele, era um cara que me respeitava bastante, mas a verdade é que ele não carregava nem defendia essas bandeiras.

Em seu discurso, o senhor lembrou fases da sua vida, mas não fez referência ao Big Brother Brasil. Como vê a participação no progama? Minha participação no Big Brother tem uma grande relevância na minha vida e na vida de muita gente, levou para a sala de estar um debate que ninguém tinha travado, sobre a representação da homossexualidade na TV. Entrei não em busca de fama imediata ou efêmera na carreira artística, entrei em busca de um objeto de estudo e porque queria estudar o reality show – é meu objeto de doutorado. De bônus, veio o impacto político. Em todos os lugares em que eu vou as pessoas falam da importância da participação, de ampliar o leque de representação da homossexualidade. Tenho o maior orgulho de ter feito aquele programa, mas não fiz uso disso na minha campanha. A candidatura aconteceu seis anos depois da minha participação, depois de uma ausência voluntária minha doshow business. Não tem porque agora eu ficar ressuscitando isso em cada entrevista que dou. O Big Brother é uma obsessão de vocês, jornalistas. Qual é a relevância disso hoje, ainda mais nesse outro espaço que eu ocupo?

Ser colocado na lista dos famosos da Câmara, junto com deputados como Romário e Tiririca, é um incômodo? Não me sinto incomodado, só acho que não há termos de comparação entre a gente, a não ser por essa coisa sem consistência da fama. Fora isso não, existe coincidência entre nossa história de vida, nossas propostas, nossas campanhas, nossos partidos. Não há qualquer termo de comparação. Acho legítimo que os dois estejam lá. A Constituição garante o direito de se candidatar para representar os interesses do povo brasileiro. Acho lamentável que a imprensa fique dando atenção demasiada e jocosa aos nossos mandatos e esqueça de vigiar os outros deputados. Não somos nós que vamos fazer negociatas. Não fomos nós que fomos eleitos pela força da grana, pela compra de votos.

Em primeiro discurso na Câmara, deputado Jean Wyllys promete lutar pelo casamento civil gay Resposta

Veja o pronunciamento do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ). Ele falou em inclusão e justiça social e direitos LGBT (lésbica, gay, bissexual e transgênero) e disse que apresentará um projeto de emenda constitucional (PEC) que garanta o direito ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo:
“Eu sou o primeiro homossexual assumido, sem homofobia internalizada e ligado ao movimento LGBT a se eleger deputado federal”.
“Em parceria com outros sete parlamentares, eu estou reestruturando a Frente Parlamentar Mista de Cidadania LGBT e apresentando uma proposta de emenda constitucional que assegura dos homossexuais ao casamento civil.
“Se o Estado é laico, se os homossexuais têm todos os direitos civis, então, por uma questão de justiça os homossexuais têm que ter todos os direitos civis garantidos, inclusive o direito ao casamento civil.
“Se um casal pode se divorciar e em seguida partir cada um para novos casamentos é porque o casamento civil não é da competência de igrejas e religiões”.

A frente gay no paredão do Congresso Resposta

Deputado Jean Wyllys (Foto: Reprodução)
Vencedor do programa BBB, o deputado Jean Wyllys tenta criar uma bancada em defesa dos direitos dos homossexuais, mas esbarra na resistência dos parlamentares com aversão ao tema.

A chegada do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), primeiro gay assumido a levantar a bandeira do movimento, provocou agitação no Congresso. Liderado pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), um grupo começa a se alinhar em uma bancada informal antigay. Ela é formada por deputados da Frente Evangélica, somados aos da Frente da Família e a outros que compartilham a contrariedade em ver a discussão sobre direitos homossexuais avançar.

Wyllys começou seu mandato na ofensiva. Ele vai propor um projeto de lei que institui o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, em vez de insistir apenas na regulamentação da “união civil” – termo adotado por alguns integrantes do movimento gay, para evitar a discussão no campo religioso. “Tem de ser casamento civil porque é o mesmo direito para todos”, afirma. “Quando um cônjuge morre, o parceiro da união estável só tem direito a herança se não houver nenhum herdeiro direto. Já no casamento, ele é herdeiro direto.” Sua primeira ação, como deputado, foi recolher assinaturas para a Frente Parlamentar pela Cidadania GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros).
Na semana passada, Wyllys sentiu uma pequena demonstração do incômodo gerado por sua movimentação. Menos de 24 horas depois de ter começado a percorrer a Câmara pedindo assinaturas para a Frente, sua página no Facebook foi bloqueada. Isso ocorreu porque uma série de usuários da rede fez uma ação coordenada para denunciar a página como falsa. Wyllys diz que sabia que sua presença iria provocar reação e que está preparado para o embate. Jornalista e professor universitário, ele demonstrou habilidade para o debate público quando ganhou o programa Big Brother, em 2005, contra um grupo de participantes que tinham em comum o orgulho da masculinidade. Na arena política, porém, vai enfrentar opositores mais experientes.
A principal voz na Câmara contra a discussão sobre direitos dos homossexuais é a de Bolsonaro, deputado no sexto mandato e capitão do Exército. Enquanto os representantes da Frente Evangélica e os da Família medem as palavras ao tecer críticas aos projetos que combatem a homofobia, Bolsonaro é desabrido e promete enterrar os projetos do colega (leia as entrevistas de Wyllys e Bolsonaro abaixo).
Segundo João Campos (PSDB-GO), líder da bancada evangélica, o grupo respeitará as posições de Wyllys e de sua Frente. Um dos pontos de atrito entre eles é o material contra a homofobia, a ser distribuído pelo Ministério da Educação nas escolas. “Somos contra discriminação, mas não queremos que o governo faça apologia da homossexualidade”, diz Campos.
No Senado, a Frente Parlamentar pela Cidadania GLBT é liderada pela senadora Marta Suplicy (PT-SP), que desarquivou o projeto de lei que torna a homofobia crime. Marta e Wyllys começam a procurar parlamentares simpáticos a seus projetos. “Vamos atrás dos que se inclinam a nos apoiar, mas não têm coragem por questões eleitorais”, diz Marta. Não foi difícil mapear o inimigo. Wyllys precisa, agora, encontrar os aliados para o dia do paredão.
Jean Wyllys: “O movimento GLBT chegou”
O deputado estreante pretende propor o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, uma evolução da união civil.
ÉPOCA – Qual é a pauta da Frente GLBT?

Jean Wyllys – Primeiro, a defesa do projeto Escola Sem Homofobia. Depois, também vou protocolar o projeto de casamento civil [entre pessoas do mesmo sexo]. Vou propor e protocolar no dia do lançamento da frente. Existe um projeto tramitando de união estável, nós vamos propor outro. Não é “casamento gay”. Quando a imprensa coloca assim, provoca um equívoco quanto à noção do sacramento do casamento. Não estamos tratando disso, mas de um direito civil. O Estado é laico e o casamento é um direito civil, ele tem que ser estendido ao conjunto da população, independente da orientação sexual e identidade de gênero. Se os homossexuais têm todos os deveres civis, então têm que ter todos os direitos. É assim que funciona uma república democrática de verdade. 

ÉPOCA – E o projeto que criminaliza a homofobia?

Jean Wyllys – O projeto que criminaliza a homofobia foi desarquivado agora pela senadora Marta Suplicy, que faz parte da Frente no Senado. Esse projeto altera a lei do racismo e inclui discriminações por identidade de gênero e orientação sexual. Essa lei não vai proibir ninguém de continuar odiando homossexual, para aqueles que odeiam. Quem quiser que continue alimentando seus ódios, privadamente. É um direito. Agora, publicamente ela não pode impedir um homossexual de acessar um direito e nem de expressar publicamente a sua sexualidade. E quase sempre o homossexual é impedido de acessar um direito e expressar sua homossexualidade de maneira violenta.
ÉPOCA – Como é a reação a suas ideias?

Wyllys – Meu Facebook foi tirado do ar em uma ação orquestrada. É natural que minha presença na Câmara provoque uma reação. O movimento GLBT chegou ao Congresso. Por enquanto, não tive muito contato com os deputados da bancada evangélica e cristã. Vou ter esse contato porque estou reestruturando a Frente Parlamentar pela Cidadania GLBT. Ela existiu com o nome Frente Parlamentar pela Livre Expressão Sexual, mas como a maioria das frentes aqui, não tinha uma agenda de atividades e ação concreta. A primeira decisão que tive, depois de uma conversa com a Associação GLBT, é que a frente vai funcionar de verdade. Acho que há condições de criar um ambiente propício. Mesmo no contato com a bancada evangélica, embora muitos deputados tenham se colocado publicamente. Eu acredito no meu papel pedagógico, de sentar e explicar as questões que merecem ser explicadas para que os preconceitos sejam derrubados. Eu não sei se vai haver terreno fértil do outro lado. Mas para mim o exercício da política é esse.

ÉPOCA – Como vê a reação contra o programa que combate a homofobia na escola?

Wyllys – É uma ignorância que persiste por má-fé. O material não ameaça os valores cristãos. Pelo contrário, ele assegura algo que é valoroso para os verdadeiros cristãos: o valor da vida e o respeito ao outro. Quem fala o contrário fala por má-fé, porque não quer ver seus espaços de poder ameaçados. Bolsonaro é a caricatura de um deputado nostálgico de tempos sombrios de ditadura e repressão às liberdades. Às vezes penso que nem ele acredita no que diz.

ÉPOCA – O deputado Bolsonaro diz que o material incentiva a homossexualidade.

Wyllys – Bolsonaro é a caricatura de um deputado nostálgico de tempos sombrios de ditadura e repressão às liberdades. Às vezes penso que nem ele acredita no que diz. É mais para produzir um efeito midiático e despertar o que há de pior nas pessoas para ter ganho eleitoral. Ele faz uso da ignorância popular e dos preconceitos que são reproduzidos e dos quais as pessoas não se livram exatamente porque não há um projeto sério que radicalize na defesa dos direitos humanos no país.

ÉPOCA – Como avaliou o material do kit Escola Sem Homofobia?

Wyllys – O material cumpre a função a que se propõe. Ao contrário do que alguns deputados de orientação evangélica têm falado, cumpre muito bem o que se propõe sem ferir brios, sem ferir a moral. É um material muito bem elaborado que contribui para construir uma cultura livre de direitos humanos e diversidade na orientação sexual nas escolas, que é hoje o espaço privilegiado de reprodução da homofobia.

ÉPOCA – Como o material vai mudar essa realidade?

Wyllys – Ele é destinado aos formadores de opinião dos alunos, aos monitores e professores. Hoje o bullying e a homofobia são praticados largamente pelos alunos, mas também pelos professores que não reconhecem outras sexualidades que a heterossexualidade. Quando reconhecem, é sempre numa perspectiva de discriminação, de algo menor. Por exemplo, os professores de ensino médio tem uma dificuldade enorme de lidar com as transexuais e travestis. Não deixam que usem o nome social e, quando usam, transformam em objeto de injúria – o que faz essas alunas abandonar a escola. Os professores não sabem lidar com os alunos afeminados, que fogem dos papéis de gênero definidos pela sociedade. 
Eu fui um menino que fugia das normas. Não curtia futebol, das brincadeiras de briga. Eu gostava de desenhar e de ler e por isso eu sofria muito e não era protegido pelos meus professores. Muito pelo contrário, eu era constrangido a me enquadrar naquele modelo ali.

ÉPOCA – Alguma vez o senhor sofreu violência por parte dos professores?

Wyllys – Violência física não, mas simbólica constantemente. Os professores sempre me constrangeram. Eles diziam ‘tome jeito de menino’. Só não sofria mais porque era um excelente aluno. O material do projeto Escola sem Homofobia incide no imaginário desses professores, sensibiliza-os para outras realidades. Principalmente os vídeos que dramatizam as histórias de vida. Em um país como o nosso, em que a telenovela tem papel preponderante na formação das mentalidades, a dramatização das histórias das vítimas da homofobia é fundamental para sensibilizar o professor para essa outra existência violentada permanentemente. Além disso, tem um material escrito que explica o que é identidade de gênero de maneira didática. Para que as pessoas compreendam, por exemplo, que existem pessoas como as transexuais e que a maneira delas se perceberem não está de acordo com o que a natureza lhes deu. A saúde psíquica dessas pessoas depende da aceitação do outro. O professor tem que entender que existem diferentes orientações sexuais e que o papel de gênero do menino pode ser dilatado. Quem foi que recebeu um fax dos céus dizendo que menino se comporta dessa e não daquela maneira? Que tem que gostar dessa ou daquela cor? A escola tem que ser um campo aberto para a pluralidade de comportamentos e existências. 
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Jair Bolsonaro: “Vamos fazer de tudo para enterrar”
Capitão do Exército, o deputado não reconhece a legitimidade da discussão sobre direitos dos homossexuais

ÉPOCA – Como vê a criação da Frente Parlamentar pela Cidadania GLBT? 
Jair Bolsonaro – O primeiro passo para desgraçar um país é mexer na célula da família. Eles vão atacar agora o ensino fundamental, com o “kit gay”, que estimula o “homossexualismo” e a promiscuidade. Tem muito mais violência no país contra o professor do que contra homossexuais. Quando eles falam em agressões, é em horário avançado, quando as pessoas que têm vergonha na cara estão dormindo. A regra deles é a porrada e querem acusar nós, os normais, os héteros.

ÉPOCA – O senhor não teme estimular a violência com essa retórica? 

Bolsonaro – Negativo. Só quero que a opção sexual se revele na intimidade do quarto, não obrigar um padre a casar um gay. O bigodudo vai dar um beijo na boca do careca, na frente dos convidados, e isso é legal?

ÉPOCA – Como vai ser o diálogo com o deputado Jean Wyllys? 

Bolsonaro – Vou ter atrito com ele no campo das ideias e dos projetos, que vamos fazer de tudo para enterrar nas comissões. Se depender de mim, e de muitos outros, não vai para a frente. Em nome da família e dos bons costumes. Eles vão querer o quê? Vamos colocar um espanador na orelha? Vão vender os serviços de “homossexualismo” deles, é isso? 

ÉPOCA – Se a homofobia virar crime, o senhor vai parar de criticar os gays? 

Bolsonaro – Tenho imunidade para falar. Não vou medir palavras. Eu defendo a pena de morte, que é mais grave que criticar homossexual. O pessoal me chama de retrógrado, dinossauro, mas a verdade é que o Brasil está piorando desde o fim do regime militar.

ÉPOCA – O kit contra homofobia nas escolas não é importante para reduzir a violência contra os alunos gays?

Bolsonaro – Não tem nada a ver. Ele está é estimulando o homossexualismo e a promiscuidade. Dependendo do público que você permite a informação, vai deturpar. Nesse kit, consta três filmetes, um deles é o “Encontrando Bianca”. A história é esquisita. É um menino, que pinta as unhas, que quer ser chamado de Bianca, que quer frequentar o banheiro feminino. E no final ele passa a ser uma referência na escola. Eles alegam que é da 5ª série em diante, mas não tem como você botar uma linha porque os prédios são de 1ª à 9ª série, como vai dizer que aqui só pode ver quem está na 5ª série para cima?

ÉPOCA – Qual é o problema do filme?

Bolsonaro – É um estímulo ao homossexualismo. É uma porta aberta para a pedofilia. Você vai aguçar a curiosidade dessa molecada numa idade muito precoce. Acho que a garotada vai para escola para aprender matemática, língua portuguesa, história e, se possível, um pouquinho de educação moral e cívica, que hoje não existe mais.

ÉPOCA – Em discurso, o senhor disse que “se um garoto tem um desvio de conduta (de orientação sexual), ele tem que ser direcionado para o caminho certo. Nem que seja pelas palmadas”. O senhor não teme estimular casos de violência dentro de casa, que podem levar a agressões físicas graves e até a morte?

Bolsonaro – Essa política de defender o coitadinho já está aí desde que o Figueiredo saiu e olha como está a situação da educação no país hoje em dia. O professor tem preocupação de dar nota baixa porque ele pode apanhar do aluno. No meu tempo, os meus colegas tinham medo de comentar nota baixa com os pais. Eu não quero abrir mão de dar umas palmadas na minha filha se preciso for. Tem um projeto de lei criminalizando isso aí. O espancamento, que é uma lesão física, está previsto em lei que você não pode, é crime. Mas, quando um filho nosso começa a ter desvios, ter comportamento violento, você pega uma cinta, dá três lambadas e ele se endireita. E se você pode direcionar o comportamento agressivo, porque não o comportamento delicado demais? Eu tenho pavor, Deus me livre um filho meu começar a entrar para esse lado de ser delicado demais.

ÉPOCA – O senhor acha que falar mal de gays publicamente é um direito?

Bolsonaro – Qual o problema? Eu vou continuar criticando porque eles querem ser uma classe de primeira categoria. É o plano do Projeto de Lei 122 [que criminaliza a homofobia] que está no Senado. Se aprovar aquele projeto e um dia eu tiver que aprovar alguém comissionado, eu já nem pego o funcionário se perceber que joga no outro time. Isso porque, na hora de ser mandado embora, você nunca sabe o que ele vai alegar. Olha que absurdo, numa escola, dois moleques de 16 anos começam a trocar beijos e, se o diretor advertir, começa com três anos de detenção. Quer dizer, começa com “kit gay” na escola, uma proibição como do PL 122, mais a lei da palmada, esse país vai virar terra de ninguém.
*Com informações da Revista Época