O século XXII será dos gays, diz Lygia Fagundes Telles 5

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Prestes a completar 90 anos no próximo dia 19/4, Lygia Fagundes Telles, uma das maiores escritoras do Brasil, disse o que pensa sobre Daniela Mercury assumir sua bissexualidade.

“Sou super a favor de que o ser humano faça o que ele quiser, todo o mundo é livre, a vida é curta. E o século XXII vai ser o século dos gays, pode escrever isso aí”, afirmou Lygia ao jornal “O Globo”.

A autora do agraciado com o Prêmio Jabuti “As Meninas”, já tratou de lesbianidade em contos como “A Escolha” (1985) e no romance que virou duas vezes novela da Rede Globo, “Ciranda de Pedra” (1954).

Fonte: ParouTudo

Morre Tereska Torrès, escritora da resistência francesa Resposta


Tereska Torres, membro da resistencia francesa e escritora franco-americana cujo sucesso de vendas Women’s Barracks causou escândalo ao tratar das relações lésbicas nos quarteis de mulheres dos Aliados, morreu aos 92 anos, anunciou sua família.

Filha de uma família polonesa de origem judia, em 1940 aderiu à organização França Livre, em Londres. Foi secretária no quartel-general do Charles de Gaulle em Carlton Gardens, na capital britânica, e escreveu vários livros depois da Segunda Guerra Mundial.

Em 1950 publicou nos Estados Unidos uma romance autobiográfica sobre sua experiência na guerra intitulado Women’s Barracks, que foi traduzido em 13 idiomas e vendeu quatro milhões de examplares. O livro revelava as relações lésbicas nos quarteis das voluntárias dos Aliados.


Reportagem: AFP

‘É tanto rótulo que chega dá enjoo’, diz, no Recife, 1º transexual do Brasil Resposta

João W. Nery lança livro no Recife
(Foto: Luna Markman/G1)

Apesar de repudiar rótulos, João W. Nery ganhou um: o de primeiro transexual homem operado no Brasil. Até os 27 anos, o carioca viveu com um corpo de anatomia feminina. Na década de 70, em plena ditadura militar, ele se submeteu a uma cirurgia de mudança de sexo, considerada ilegal na época. Logo em seguida, escreveu o livro autobiográfico “Erro de pessoa: João ou Joana?”. Nesta quinta-feira (1°), o escritor foi ao Recife lançar uma releitura da obra, intitulada “Memórias de um transexual trinta anos depois”. Antes da sessão de autógrafos, houve um debate sobre o tema no auditório da Livraria Cultura, no Cais da Alfândega, que foi bastante prestigiado.



E por que remexer em um passado tão doloroso? “É que eu já vivi muita coisa desde então. Naquele tempo, eu nem sabia direito quem eu era”, disse João W. Nery. Por falta de uma legislação própria para a transexualidade, teve que inventar no cartório que não havia sido registrado ao nascer. Mesmo com a nova identidade, ele perdeu tudo que tinha conquistado até ali. “Sou formado em psicologia, era professor, tinha um consultório. Virei ninguém, um analfabeto. Hoje eu não sou nada. Até escrever o livro, tive que trabalhar como pedreiro, terapeuta corporal, técnico em computador, vendedor de tudo para sobreviver”, disse.



Perguntado se algo mudou nesses 30 anos para um transexual no Brasil, João acredita que houve poucos avanços. “A cirurgia hoje é legalizada, existem as paradas gays, quando as pessoas não têm vergonha de beijar e andar de mãos dadas nas ruas. Porém, avançamos pouco na legislação. Também acho que todos devem passar por uma readequação, metaforicamente falando, já que, logo ao nascer, por causa da nossa anatomia, já nos dizem que nós vamos ser. Hoje tem homo, bi, trans, é tanto rótulo que cheda dá enjoo. Mas as coisas estão caminhando, inclusive, é só olhar para este auditório lotado”, comentou.

Na plateia, profissionais de saúde, acadêmicos, ativistas e curiosos. “Trabalho com adolescentes e saúde mental na pediatria, além de trabalhar com conflitos de identidade sexual, por isso vim. É o tipo de saber que a gente não encontra nos livros”, disse a professora Betinha Fernandes, responsável pelo ambulatório de pediatria do comportamento do Hospital das Clínicas. “Estudo psicologia e sei que no futuro posso encontrar pacientes nessa situação. É importante a gente saber como apoiá-los, com a mente aberta”, falou a estudante Ana Bárbara Araújo. “Sou educador em uma ONG e lá têm jovens travestis, homossexuais. A gente pauta assuntos como gênero, sexualidade e preconceito”, explicou o professor de artes Marconi Bispo.

Romper preconceitos. Esse é o grande objetivo dos livros lançados por João W. Nery. A Associação Brasileira de Homens Trans (ABHT) organizou o evento desta noite com apoio da Prefeitura do Recife. “Estamos aqui para dar visibilidade ao transexual do sexo masculino em virtude das dificuldades que passamos nessa sociedade machista. Eu, por exemplo, estou tentando uma cirurgia há dois anos. Nós somos expulsos de casa, não conseguimos emprego, sofremos bullying na escola, assédio sexual”, comentou Leonardo Tenório, da ABHT.

*Com informações do G1


Em livro, José Paulo Cavalcanti diz que Fernando Pessoa era gay Resposta

Conforme já informou na semana passada o Blog de Jamildo, o advogado e escritor José Paulo Cavalcanti Filho lança seu livro-biografia do escritor português Fernando Pessoa, no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira. Na foto acima, o escritor com sua Lecticia, que vai estar presente ao evento.

A nova biografia revela as dúvidas e a sexualidade do poeta português. Segundo o biógrafo, Pessoa escondia sua homossexualidade e tinha vergonha do próprio corpo. No texto, o autor diz que o poeta tinha vergonha do pinto pequeno, enquanto escritores contemporâneos e próximos afirmavam que ele olhava para rapazes com outros olhos.
O material recolhido ao longo de sete anos de pesquisa faz parte de uma exposição que será aberta no Centro Cultural Correios do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira, quando a obra do advogado pernambucano de 62 anos apresenta o livro à sociedade nacional, especialmente aos escritórios da Academia Brasileira de Letras.
O livro tem 750 páginas e vai custar R$ 80, pela editora Record.
*Com informações do Blog de Jamildo

Michael Cunningham: Muitos heterossexuais têm paixões por pessoas do mesmo sexo Resposta

Foto: Barbara Znon/Getty Images
O escritor nova-iorquini Michael Cunningham, 58 anos, vencedor do Pulitzer com “As Horas” está em Portugal promovendo o último livro, “Ao Cair da Noite”. O livro, que ele levou três anos para concluir, conta a história de um triângulo amoroso no mundo das artes.
Michael, em entrevista ao “ionline”, vai contra o que muitos escritores dizem e aconselha os seus alunos a escrever para os leitores e não para eles próprios:
“Escrevo todos os meus romances para as mesmas seis pessoas: o meu namorado, o Kenny; o meu editor, o Jonathan; os meus amigos Stacey, Marie, Adam e Joe”.
A repórter Joana Stichini Vilela pergunta a Michel – baseada no novo romance dele – se existe um “DNA gay”, já que um dos personagens pensa sobre isso, em determinado momento do livro, ao avaliar o comportamento do seu irmão.
Michael responde que “não. A nossa sexualidade é, sim, tremendamente complicada. E muito particular. Os termos ‘gay’, ‘bissexual’, ‘heterossexual’ quase não fazem sentido. Eu sou gay, mas a minha homossexualidade é muito diferente da do meu amigo Joe. Não penso no Peter (personagem do livro) como gay. Mas muitas das pessoas que são heterossexuais têm paixões ocasionais por alguém do mesmo sexo. Tal como um gay, que pode ter uma queda por uma mulher. Não significa que não seja gay”.
Sobre o fato de quase todos os livros de Michael terem personagens gays, a repórter pergunta se é um “manifesto”. Ele responde:
“Um escritor que cresceu na Somália escreve sobre crescer na Somália. Enquanto escritor estadunidense, branco e gay, faz parte do material que a vida me deu para escrever. Mesmo assim, a maior parte das personagens são heterossexuais”.
A repórter portuguesa diz que “em Portugal – e talvez noutros países mais conservadores – a temática gay faz alguns homens sentirem-se desconfortáveis” e pergunta se ele tinha noção disto. Michael responde:
“N˜ao. Mas sinto que qualquer leitor que se sinta desconfortável a ler um livro sobre pessoas são diferentes dele, sejam gays ou mulheres, não é um leitor para quem eu escreva”.
Achei bem interessantes as declarações de Michael Cunningham. Nós – por convenções, para nos protegermos etc., temos a mania de colocar rótulos e acabamos criando estereótipos. Na verdade, a sexualidade humana é muito mais complexa e tem muita gente mal resolvida nessa área. As palavras de Michael fazem refletir.