Secretaria de Estado do Maranhão participa de reunião de enfrentamento à homofobia Resposta

Representantes do poder público e movimentos sociais se reuniram, nesta segunda-feira (25/3), no Palácio Henrique De La Rocque, para articular a Rede de Enfrentamento à Homofobia no Maranhão. Segundo Lúcia Azevedo, supervisora de Intersetorialidade e Descentralização da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Cidadania (Sedihc), a formação da rede é apenas uma das ações de políticas públicas para o combate à homofobia no Estado.

Na ocasião, foi discutida e avaliada a logística da constituição de redes como forma de atuação política dos movimentos sociais. As experiências anteriores dos movimentos presentes foram apresentadas no sentido de fornecer subsídios para a organização estrutural da rede de enfrentamento à homofobia.

Para a secretária de Direitos Humanos, Assistência Social e Cidadania, Luiza Oliveira, a rede é um importante veículo para o diálogo entre a sociedade e o poder público. “Estamos fomentando o diálogo e a interação da população dentro da intersetorialidade dos direitos humanos. Desta maneira, estaremos em caráter estadual combatendo a homofobia”, declarou Luiza Oliveira.

A metodologia será possibilitar a liberação do fluxo de demandas recebidas pelos movimentos e ouvidorias aos devidos órgãos competentes. Dessa maneira, a participação de Secretarias de Estado de Saúde, Direitos Humanos, Educação, Esporte e Lazer, dentre outras, faz-se necessária.

Heberth Sousa, membro do Movimento Passe Livre, levanta a preocupação para a agilidade no processo de implantação da rede. “Enquanto discutimos, existem pessoas que estão sendo massacradas, violentadas e assassinadas. É preciso ter pressa para começarmos nossa atuação”, alertou Heberth Sousa.

Como encaminhamento para próxima reunião, que deve acontecer mensalmente, ficou acordado que haverá uma explanação sobre a atuação dos órgãos e movimentos presentes. Para os membros, esse esclarecimento é importante como forma de conhecer as competências dos órgãos para saber como encaminhar as possíveis vítimas de homofobia. A próxima reunião está marcada para o dia 18 de abril, às 15h, na Sala de Reunião da Vice-Governadoria.

Portaria determina que B.O. registre nome social e teor de crimes homofóbicos no Maranhão Resposta

Cristina Meneses assina portaria que definenomenclatura de crimes contra a homofobia

Cristina Meneses assina portaria que define
nomenclatura de crimes contra a homofobia

A delegada-geral de Polícia Civil do Maranhão, Cristina Meneses, assinou, nesta sexta-feira (15/2), portaria que disciplina o atendimento a ocorrências de crimes contra a comunidade LGBT. O documento determina que os boletins de ocorrência registrem o nome social da vítima e o teor do crime.

A ideia é que a nomenclarura específica direcione melhor as estratégias de segurança, com tratamento diferenciado desde o registro do B.O. “Estamos atendendo uma reivindicação do próprio segmento. Com a motivação de homofobia, as investigações podem chegar de uma maneira mais rápida à autoria desses crimes. Além disso, estamos efetivando uma política de Direitos Humanos”, ressaltou Maria Cristina.

Uma nova reunião ficou agendada para o primeiro semestre de março. O encontro pretende discutir as medidas com a Defensoria Pública e com a Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Cidadania (Sedihc).

Reportagem: G1

Professor é esfaqueado e morto em ataque homofóbico, diz polícia 1

Cleides Antônio Amorim, coordenador do Curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Tocantins
Foto: Reprodução



Um professor da Universidade Federal do Tocantins (UFT) de 42 anos foi assassinado na madrugada de quinta-feira, em Tocantinópolis, cidade na divisa do Tocantins com o Maranhão, a 517 quilômetros de Palmas.

A Polícia Civil do Tocantins acredita que o homicídio teve motivação homofóbica. Segundo o Grupo Ipê Amarelo Pela Livre Orientação Sexual (GIAMA) do Tocantins, o professor foi a 28ª vítima de crime de homofobia em dez anos no Estado.

Pelas informações da Polícia Civil do Tocantins, Cleides Antônio Amorim, coordenador do Curso de Ciências Sociais da UFT, estava em um bar em Tocantinópolis com mais dois amigos. Mais tarde, um homem identificado como Gilberto Afonso de Sousa chegou acompanhado de uma mulher ede  dois homens. Ao ver o professor, Sousa, embriagado na versão da polícia, passou a gritar em direção ao professor universitário: “Nessa mesa só tem veado”.

Testemunhas contaram à polícia que os dois discutiram e Sousa deu uma facada no professor. O autor do crime ainda está foragido.

O professor

Cleides Antônio Amorim era coordenador do curso de Ciências Sociais da UFT e ministrava aulas nas disciplinas de Antropologia, Introdução à Metodologia da Pesquisa em Ciências Sociais e Sociologia da Educação.

Graduado pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Amorim era mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e atuava em pesquisas sobre tambor de mina, medicina popular, educação e relações étnicas. A UFT decretou nesta quinta-feira luto oficial de três dias. O professor será enterrado neste sábado no cemitério municipal de Aparecida de Goiânia, em Goiás.

A Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e GIAMA do Tocantins divulgaram nota de repúdio após o assassinato do professor. A ABA classificou o crime como “covarde” e se manifestou “a favor da lei que criminaliza a homofobia, demanda atuação firme e justa das autoridades”. O GIAMA pediu “justiça exemplar a este crime covarde e torpe”. “São necessárias leis que punam esse tipo de crime. Hoje, se odeia sem motivo e não há lei que coíba isso”, disse o presidente do GIAMA, Renilson Cruz.

*Reportagem Wilson Lima, iG