Em novo discurso na Alerj, Myrian Rios tenta explicar declarações sobre gays 1

Uma semana após ter relacionado, de maneira cínica, dissimulada, ignorante e mentirosa a pedofilia com homossexualidade ao declarar-se contra a PEC 23/2007, a deputada estadual Myrian Rios (PDT – RJ) voltou ao plenário da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) nesta terça-feira (28) para tentar explicar o que havia dito. A PEC 23/2007 muda a constituição do estado do Rio incluindo a orientação sexual como direito fundamental.

“Repudio veementemente o pedófilo e não quis igualar o criminoso à homossexualidade, assim como condeno a violência contra os homossexuais”, afirmou a deputada nesta tarde, acrescentando ter sido “mal interpretada” por sua declaração anterior.

“Não sou uma pessoa preconceituosa”, completou Myrian Rios, afirmando ser religiosa e que a religião que segue acredita que “Deus ama todas as pessoas sem distinção”.

Na última terça-feira (21), ao discursar na Alerj, ela disse que não contrataria empregados gays para trabalhar em sua casa, já que eles poderiam praticar pedofilia contra seus filhos e utilizar a prerrogativa da PEC para se manter no emprego, mesmo após cometer o crime.

“Eu tenho que ter o direito de não querer um funcionário homossexual na minha empresa, se for da minha vontade. Digamos que eu tenho duas meninas em casa, seja mãe de duas meninas, e resolva contratar uma babá. E essa babá mostra que a orientação sexual dela é de ser lésbica. Se a minha orientação sexual não for essa, for contrária, e eu querer demiti-la, eu não posso. Eu vou estar enquadrada nessa PEC, como preconceituosa e discriminativa. Ué são os mesmos direitos”, afirmou na ocasião.

Myrian Rios continuou o seu discurso da semana passada, dizendo que “o direito que a babá tem de se manifestar da orientação sexual dela como lésbica, eu tenho como mãe, de não querê-la na minha casa, para ser babá das minhas filhas. Me dá licença? São os mesmo direitos. Com essa PEC, eu vou ter que manter a babá na minha casa, cuidando das minhas meninas, e sabe Deus, se ela inclusive não vai cometer a pedofilia com elas. E eu não vou poder fazer nada. Eu não vou poder demiti-la”.

Este é o primeiro mandato de Myrian Rios como deputada estadual. Em sua ficha no site da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), ela diz que tem duas formações – atriz e missionária católica.

Motorista homossexual


Na semana passada, Myrian Rios disse ainda que caso contratasse um motorista para seus filhos, e ele fosse gay, ele poderia também cometer pedofilia contra seus filhos.

“Aqui em casa, eu gostaria que meus filhos crescessem pensando em namorar uma menina para perpetuar a espécie, como está em Gênesis. No momento em que eu descobrir que o motorista é homossexual e poderia, de uma maneira ou de outra, tentar bolinar o meu filho, eu não sei. De repente, poderia partir para uma pedofilia com os meninos. Eu não vou poder demiti-lo. A PEC não permite porque eu vou estar causando um prejuízo a esse rapaz homossexual”.

Parentes gays


Ao final de seu discurso na terça-feira passada (21), a deputada disse que tem parentes gays, mas mesmo assim é contra a PEC 23/2007.

“Agora é um testemunho. Eu na minha casa, eu tenho primos e familiares lésbicas e homens homossexuais. O que eu posso fazer? São pessoas íntimas da minha família, que eu respeito, que eu amo, oro, rezo, clamo e vou fazer o que? É a opção sexual deles. Agora não os desrespeito, não sou preconceituosa, não deixo de conversar com eles, não deixo de amá-los como seres humanos e filhos de Deus. Mas não vou permitir que por uma desculpa de querer proteger ou para que se acabe com a violência e a homofobia, a gente abra uma porta para a pedofilia.”

“Mal-entendido”, diz assessoria


A assessoria de imprensa da deputada informou, nesta segunda-feira (27), que houve um “mal-entendido” em relação ao discurso. Ainda segundo os assessores de Myrian Rios, ela não é contra o homossexualismo e defende o direito de liberdade sexual.

A segunda votação da PEC 23/2007, de autoria do deputado Gilberto Palmares (PT-RJ), não aconteceu por falta de quórum. Segundo a assessoria de imprensa da Alerj, o presidente da casa, o deputado Paulo Melo (PMDB-RJ) vai definir uma nova data para votação, o que deve acontecer apenas em agosto, após o recesso dos parlamentares que se inicia em 1º de julho.

Nota de repúdio do Conselho Estadual dos Direitos da População LGBT

O presidente do Conselho Estadual dos Direitos da População LGBT, Cláudio Nascimento afirmou, por meio de nota, que repudia “veementemente as declarações – irresponsáveis e equivocadas da deputada estadual Myrian Rios no plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) a respeito da homossexualidade, relacionando-a à prática de pedofilia”.

Ele disse ainda que “homossexualidade e a pedofilia são totalmente distintas entre si” e que “jamais em uma entrevista de emprego devemos levar em consideração a orientação sexual do profissional , mas sim a sua capacidade de execução das tarefas. Tal postura se configura como um atentado violento à cidadania e aos direitos humanos de lésbicas, gays, travestis e transexuais e que deve ser combatida”.

*Com informações do G1

Veja o vídeo em resposta à deputada:

Autor Walcyr Carrasco detona Myrian Rios em blog Resposta

Walcyr Carrasco (Foto: Reprodução)
O autor de novelas da Rede Globo, Walcys Carrasco, que atualmente escreve ¨Morde e Assopra¨, se manifestou em seu blog vinculado à revista Veja, a respeito das palavras homofóbicas que a ex-atriz Myrian Rios utilizou em seu discurso contra a PEC que visa incluir a orientação sexual como forma de discrminação.


O autor não poupou palavras e disse, sem dó e nem piedade, o que ele achou sobre a atitude da deputada:

– Myrian Rios tornou-se deputada pelo Rio de Janeiro. E, agora, foi divulgado um discurso onde ela ataca a anti-discriminação aos gays. Myrian Rios falou contra a PEC 23/2007, segundo a qual seria discriminação a recusa contratar um empregado por ser gay ou lésbica. Inclusive, misturou orientação sexual e pedofilia, dizendo que o funcionário gay poderia assediar seu filho ou uma babá lésbica, as meninas. Pura discriminação. Acaso acredita que um motorista heterossexual atacaria também suas filhas?

E continuou:

– Eu tenho certeza de que ao longo de sua vida Myrian Rios conviveu com inúmeros homossexuais. Talvez ainda conviva. Provavelmente, agiu como amiga. O que a fez assumir essa posição preconceituosa? Se foi só para conquistar votos, buscando um espaço político conservador, é triste. Mas a minha impressão é uma só: Myrian Rios deve ser muito burra. Nunca foi boa atriz. Para dizer sinceramente, era medíocre, pelo menos na minha opinião, mas graciosa. A idade chegou, separou-se de Roberto, e os papeis escassearam. Ou ela abandonou a carreira. Ou as duas coisas aconteceram ao mesmo tempo.

Myrian relacionou gays a pedófilos no meio do seu discruso. Em nota, ela afirma ter sido mau interpretada, e que nunca relacionaria gays a criminosos. Aham.

ABGLT irá denunciar Myrian Rios à Comissão de Ética da Alerj Resposta

PARA PROTESTAR CONTRA A DEPUTADA, envie email para: myrianrios@alerj.rj.gov.br

Myrian Rios, ex-atriz que caiu no ostracismo e encontrou na religião um modo de recuperar a fama que havia perdido, inclusive valendo-se de sua fé para se candidatar, misturando religião com Estado, representando o que há de pior, junto com os corruptos, na democracia brasileira, ofendeu lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros, em um discurso repugnante, valendo-se de sua imunidade parlamentar, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Agora, ela pode ser processada pelas asneiras que falou.

Myrian discursou em plenário no dia 21, quando a Alerj votava a PEC 23/2007, que incluía a orientação sexual entra aas características pelas quais um cidadão não poderia ser discriminado. Da mesma forma que alguns bandidos tentam justificar os seus crimes, a deputada, de uma maneira cínica e dissimulada começou dizendo que não é preconceituosa. Se não fosse, não precisaria se justificar, já que as atitudes dela falariam por si só.

Logo depois, a deputada mostra toda a sua homofobia em um discurso asqueroso, dignos de um Bolsonaro da vida:

“Se somos todos iguais, como os mesmos direitos (se?), eu também tenho que ter o direito, de não querer um funcionário homossexual na minha empresa, se for da minha vontade. E vamos nos colocar aqui, nos posicionar de uma maneira franca e direta: digamos que eu tenha duas meninas em casa, que eu seja mãe de duas meninas e eu contrate uma babá e essa babá se mostra que a orientação sexual dela é ser lésbica. É a opção dela (não Myrian, você não é burra, não minta, opção sexual não existe, ninguém opta entre ser gay ou heterossexual. Você optou por ser heterossexual?). A orientação sexual dela é ser lésbica, ela escolheu e ela é livre. E eu tenho duas meninas em casa, que ela tá cuidando. Se a minha orientação sexual em casa não for essa, for contrária e querer demiti-la eu não posso. Eu vou tá enquadrada nessa PEC, eu vou tá enquandrada como preconceituosa, discriminativa. Ué, são os mesmos direitos! O direito que essa babá tem de manifestar a orientação sexual dela como lésbica, eu tenho como mãe, de não querê-la, na minha casa para ser babá das minhas filhas”.

A deputada tenta fazer um contraponto entre mãe e lésbica. Só se esquece de dizer que uma lésbica pode, inclusive, ser mãe! E uma boa mãe! Pode amar as crianças! Enquanto uma heterossexual pode não ser mão ou ser uma péssima mãe. Exemplos não faltam!

Para completar, Myrian diz o seguinte: Com essa PEC eu vou ter que manter a babá em minha casa, trabalhando com as meninas e “sabe Deus, se ela não vai inclusive cometer a pedofilia com ela, eu não vou poder fazer nada”!


Só mesmo uma mente muito perversa para associar homossexualidade com pedofilia! Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Aliás, a pedofilia é um crime horrendo, praticado por uma mente pervertida, tão pervertida quanto a de Myrian. Porque para fantasiar tal fato, ela deve estar com a alma muito perturbada.


Além disso, a ignorante Myrian confunde orientação sexual com identidade de gênero, ao falar sobre travesti. E cita Gêneses, dizendo que “Deus fez o homem e a mulher para perpetuarem a espécie”. Ela só esquece lembrar de inúmeras pessoas heterossexuais que optam por não terem filhos e outras tantas que são estéreis. E outra, nem todos os brasileiros são cristãos. O Estado é laico!



É inconcebível que uma deputada possa falar o que ela falou e sair impune! Myrian merece ter o seu mandato cassado! Faça-se cumprir o Decreto 109-A, de 17 de janeiro de 1890, que estabelece a Laicidade do Estado!

Agora, vamos voltar um pouco no tempo e lembrar quem é Myrian Rios. Uma ex-atriz que já posou trêss vezes nua. Ainda iniciante em sua carreira, Myrian fez fotos nuas para ensaio da revista Lui, lançado em julho de 1978. No ano seguinte, voltou a posar nuas por duas vezes, para as edições da revista “Ele & Ela”. Esses ensaios causaram constrangimento ao seu noivo Roberto Carlos. Além disso, a deputada tem um filho com o ator André Gonçalves. Mas ela não era casada! O que a Igreja Católica fala sobre isso? A Igreja condena preservativo (um absurdo!) e sexo é só para procriação e depois do casamento. Então Myrian não deveria ter transado! Além disso, a Igreja Católica tem inúmeros casos de padres pedófilos e nem por isso Myrian deixa de frequentar a igreja. Seria tão ignorante ligar a Igreja à pedofilia, quanto ela fez com relação aos homossexuais.

A deputada que milita no movimento católico fundamentalista da Renovação Carismática, ainda disse que existe uma orientação sexual “pedófila”. A reação de alguns representantes dos movimentos LGBT foi imediata. O presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), disse que a entidade vai analisar o teor do discurso e encaminhar o caso à Comissão de Ética da Alerj.

O PDt, partido da deputada, não se manifestou sobre o assunto.

A deputada Myrian Rios, por meio de sua assessoria, divulgou nota em que nega ter vinculado a homossexualidade à pedofilia e condenou a violência contra homossexuais, mas reiterou sua oposição à PEC 23/2007. Leia a seguir a íntegra da nota:


“Iniciei meu discurso de 21 de junho na tribuna da Alerj relatando a minha condição de católica, missionária consagrada da comunidade Canção Nova e, como tal, eu prego o respeito, o amor ao próximo, o perdão. Destaco que Deus ama a todas as pessoas, pois Ele não faz diferenciação. Em um dos trechos, afirmo: não sou preconceituosa e não descrimino.

“Repudio veementemente o pedófilo e jamais tive a intenção de igualar esse criminoso com o homossexualismo. Se entenderam desta maneira, peço desculpas. Conto na minha família com parentes e amigos homossexuais e os amo, respeito como seres humanos e filhos de Deus. Da mesma forma repudio a agressão aos homossexuais, pois nada justifica tamanha violência.

“Votei contra a PEC-23 por minhas convicções e não contra este ou aquele segmento de determinada orientação sexual.

Myriam Rios
Dep. estadual PDT