CE é o 6º estado com maior número de casais homoafetivos, diz Ipece Resposta



O Ceará é o sexto estado do Brasil e o segundo do Nordeste com maior número de pessoas que declaram manter uma união homoafetiva estável, segundo estudo divulgado nesta quinta-feira (21) pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), com base no censo de 2010, realizado pelo IBGE. De acordo com o estudo, 2.600 disseram conviver com outra de mesmo sexo no Ceará. No Nordeste, apenas a Bahiatem um índice maior, com 3.029 pessoas.
Em número de casais que compõem domicílio, Ceará é o 5º do estado do Brasil e primeiro do Nordeste em número relativos. Segundo o estudo elaborado pelo Ipece, 0,17% dos lares do estado têm casais homossexuais como residentes. Rio de Janeirolidera o ranking, com 0,32% dos domicílios do estado particulares de pessoas do mesmo sexo.
No Nordeste, o número ultrapassou o estado de Pernambuco, que tem população maior que a do Ceará e maior número de casais heterossexuais. São Paulo é estado com maior número de pessoas que declaram manter um relacionamento homoafetivo, com 16.872. Os outros estados com números maiores que o do Ceará são Rio de Janeiro (10.170), Minas Gerais4.098, Rio Grande do Sul 3.661 e Bahia (3.029).
O Ipece constatou também que em 35 dos 184 municípios cearenses pelo menos uma pessoa afirmou ao Censo 2010 manter uma relação homossexual. Na maior parte dos casos, segundo o Ipece, o índice segue a proporção da população, ou seja, quanto maior a população, maior o número de pessoas que declaram manter relacionamento com o mesmo casal. Os municípios que apresentam população acima de 150.000 habitantes (como Caucaia, Maracanaúe Sobral) também concentram a maior parte dos demais registros. Fortalezatem a maior parte dos casos, com 1.560 pessoas.
A exceção, conforme o Ipece, fica na cidade de Juazeiro do Norte. A cidade no Sul do Ceará tem população maior que a de Maracanaú, na Grande Fortaleza, mas tem um número menor de relações homoafetivas (86 em Maracanaú e 64 em Juazeiro do Norte). “Talvez, por ser Juazeiro um dos municípios cearenses de maior tradição católica, haja também uma probabilidade mais alta de haver subnotificação”, avalia Flávio Ataliba, diretor geral do Ipece.

Reportagem: G1

Alagoas: apenas cinco, dos 19 crimes contra LGBTs foram eluciados em 2011 Resposta

Luiz Mott, de blusa quadriculada

O sociólogo Luiz Mott esteve em Alagoas para discutir o elevado índice de homicídios cometidos contra gays no estado e enfatizar a importância de políticas públicas que possam prevenir e até erradicar os crimes de natureza homofóbica, a exemplo de alguns países europeus. Em parceria com o Grupo Gay de Alagoas (GGAL), Mott fez uma retrospectiva de sua militância e se reuniu com a secretária da Mulher, Kátia Born, e o secretário da Defesa Social, Dário César.
Para o sociólogo, Alagoas tem avançado no quesito implementação de políticas públicas, contudo, as mesmas não têm sido suficientes para diminuir os assassinatos. Mott diz ainda que os índices não são elevados apenas em Alagoas, ele relata que dos 26 assassinatos contra homossexuais registrados no Brasil desde o começo deste ano, seis ocorreram na Bahia. O que preocupa o sociólogo no caso de Alagoas é a proporcionalidade. “Num país onde são cometidos crimes contra homossexuais em plena Avenida Paulista, a mais movimenta do Brasil, imagine o que pode acontecer em cidades do interior, principalmente no Nordeste, onde o machismo é mais acentuado. Um estado pequeno como Alagoas registrar 19 crimes somente o ano passado, é um índice realmente muito alto”, comentou Mott.
Ainda de acordo com Mott, o tratamento contra a homofobia deve ser impactante. “A presidente Dilma deveria fazer um pronunciamento oficial sobre este assunto”, disse.
Representando o município, Marcelo Nascimento também convocou o governo federal para intervir na causa. Na visão de Marcelo é preciso um compromisso entre as três esferas do poder. “Já obtivemos avanços importantes no governo Lula, como a primeira conferência gay do mundo, mas é preciso um comprometimento dos governos estaduais e municipais em efetivar as políticas públicas assumidas pelo governo federal. O não cumprimento pode ser caracterizado como homofobia constitucionalizada”, declarou Nascimento. Marcelo lembrou ainda da criação do Plano Municipal da Cidadania LGBT que deverá ser entregue ainda este ano deverá ajudar a diminuir os índices e fortalecer a categoria.
O presidente do GGAL em Alagoas, Nildo Correia, apresentou alguns dados sobre a violência contra grupos LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros). Segundo Correia, dos 19 casos ocorridos no ano passado, apenas cinco foram elucidados, todos réus confessos. Os outros dois casos contra travestis ocorridos já neste ano de 2012 também continuam sem elucidação.
Na ocasião também foi distribuída uma cartilha de prevenção. Sob o título “Gay vivo não dorme com o inimigo”, a cartilha traz dez dicas para que homossexuais possam se prevenir da violência. Segundo o representante do governo, Dino Alves, a Secretaria da Mulher deverá atualizar e produzir novas cartilhas para a distribuição junto à sociedade. Dino lembrou ainda que a exemplo do município, o governo também adotou a criação do núcleo de diversidade social nas escolas.
Por fim, Mott parabenizou a Corregedoria de Justiça de Alagoas pela portaria que obriga os cartórios a reconhecer o casamento de pessoas do mesmo sexo. “Já enviei uma cópia para a corregedoria da Bahia e meu objetivo é disseminar o mesmo em todo o Brasil”, concluiu Mott.