Mulher barrada em porta de boate de Piracicaba (SP) diz que sofreu homofobia Resposta

Estudante foi barrada ao tentar entrar em bar de Piracicaba (Foto: Fernanda Zanetti/G1)

Estudante foi barrada ao tentar entrar em bar de Piracicaba (Foto: Fernanda Zanetti/G1)

A estudante Ariane Regina Gonzales Lucas (25), afirma que foi proibida de entrar em um bar, na madrugada deste domingo (28), por ser lésbica e vestir bermuda. A casa noturna fica na Rua Bom Jesus, na área central de Piracicaba (SP), e normalmente permite a entrada de mulheres com shorts, segundo a jovem, que fez boletim de ocorrência sobre o caso.

Jovem foi barrada (Foto: Ariane Regina Gonzales Lucas/acervo pessoal)

Jovem foi barrada (Foto: Ariane Regina
Gonzales Lucas/acervo pessoal)

Ariane afirma que estava sozinha no momento em que foi barrada. “O argumento usado pelos porteiros foi o de que eu não poderia entrar de bermuda, o que é permitido para mulheres. Eu disse que sou mulher, mas mesmo assim eles negaram a minha entrada.” A jovem disse que pediu para falar com o gerente da casa noturna.

“Ele apareceu, olhou para a minha cara, não falou nada e simplesmente foi embora. E os porteiros continuaram não me deixando entrar. Eu saí de lá e procurei a polícia. Nos meus 25 anos de idade, foi a primeira vez que passei por uma situação homofóbica como esta”, disse Ariane.

A estudante contou ainda que, em outra ocasião, entrou na mesma casa noturna vestindo bermuda. Ela disse acreditar que, por estar com um grupo de amigos da primeira vez, os funcionários da portaria ficaram intimidados e não tentaram barrar sua entrada na época.

A reportagem do G1 tentou falar com responsáveis pelo bar, mas ninguém foi encontrado para comentar o assunto.

O que é que tem colocar uma saia ou uma calça? Resposta

Não é a primeira vez que casos como o do colégio Bandeirantes ou da USP Leste chamam a atenção do cotidiano brasileiro.

Os jovens estão vivos e a sociedade precisa de suas vozes e gestos de contestação.

Generificar o vestuário é uma forma de manter-se a homofobia e preconceitos patriarcais arraigados na sociedade há bastante tempo.

O que é que tem colocar uma saia ou uma calça?

Não é a roupa que incomoda, até porque a saia que foi utilizada nem era curta, como muitas mulheres utilizam para chamar a atenção sobre as suas pernas torneadas.

A questão é contracultural. Usar saias, pintar unhas, usar batom, usar calcinhas em vez de cuecas, desestabiliza a questão relacional de gênero em sua normatividade.

Homens vestem isto, mulheres aquilo. E os homossexuais e travestis subvertem esse sistema, porque não se enquadram no que a sociedade obriga os sujeitos a vivenciar no dia a dia público.

É preciso haver uma discussão mais profunda sobre essa contestação. Há casos em que o jovem exposto a deboches e piadinhas se fecha, vai para os guetos, se evade das aulas, corre para as drogas, se entristece. Às vezes se mata, como já vimos em trabalhos feitos por nós da Unesp (Assis, Ourinhos e Prudente com o ensino médio) sobre o homosuicídio.

Engraçado é que isto é cultural. Em outras sociedades, a saia faz parte da vida cotidiana, como os ingleses. O problema não é a saia. É ter direito de vestir o que se quiser. Amar a quem se quiser, desde que se respeite o outro.

Alguém reclama dos héteros vestirem o que quiserem, extravagantemente? Uma loira colocar um collant bem apertado ou um homem vestir-se de caubói com a calça ultrapertada? São valores condicionados a uma moral pouco cidadã.

ARILDA INES MIRANDA RIBEIRO é coordenadora do Núcleo de Diversidade Sexual na Educação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Unesp de Presidente Prudente.

Parada Gay em Itaquaquecetuba (SP) luta por igualdade e contra preconceito 2

Participantes desfilam com a bandeira do arco-íris (Foto: Jenifer Carpani/G1)

Participantes desfilam com a bandeira do arco-íris (Foto: Jenifer Carpani/G1)

“Mato 50 leões por dia por causa do preconceito é uma luta diária”. Um pouco afastado da multidão colorida que dançava e cantava animada o professor Mário Grego parece ser um representante daqueles que batalham no dia a dia pela igualdade de tratamento e pela justiça. “Está escrito na constituição que somos iguais, mas eu não sou tratado como igual”, declara.

Ele e o marido, Gledson Perrone, técnico de enfermagem, se declaram o primeiro casal a se casar no Estado de São Paulo. “Aconteceu de sermos os primeiros, casamos em agosto de 2012”, declara. Segundo Mário, o casal está junto há 10 anos e desde 2010 vive em união estável. “O casamento foi uma conquista nossa e uma conquista coletiva, do Movimento LGBT”, diz.

Mário e Gledson vieram de São Paulo para participar da Parada Gay em Itaquaquecetuba (Foto: Jenifer Carpani/G1)

Mário e Gledson vieram de São Paulo para participar
da Parada Gay em Itaquaquecetuba
(Foto: Jenifer Carpani/G1)

O casal veio da capital para prestigiar a Parada Gay em Itaquaquecetuba (SP). O evento foi realizado na tarde deste domingo (9/6) e, segundo a Secretaria de Cultura, reuniu cerca de 3,5 mil pessoas só na concentração. Segundo o secretário de Cultura Marcus Vinicius de Menezes Lima, Itaquaquecetuba é a única a realizar a Parada Gay no Alto Tietê.”É importante respeitar a diversidade. Temos que atender e tratar o público LGBT como tratamos qualquer outro”, argumenta. De acordo com o secretário, a expectativa é que 7 mil pessoas compareçam até o final do evento.

Ao som de música eletrônica, “Show das Poderosas” e “I Will Survive” o público saiu da concentração por volta das 15h30 e caminhou pelas ruas da cidade em direção à Praça Padre João Álvares. Atrás do Trio Elétrico que agitava a multidão, uma bandeira gigante com as cores do movimento chamava atenção por onde passava e tremulava de acordo com o gosto dos participantes que faziam questão de brincar com o tecido.

Na Praça Padre João Alvares, no centro de Itaquaquecetuba , um palco esperava os participantes que seguiram o trio elétrico. A festa tem programação extensa até o final da noite, e deve ser encerrada com o show de Léo Aquila.

De acordo com o coordenador geral do fórum LGBT no Alto Tietê, Ghe Santos, este tipo de evento é essencial para dar visibilidade à luta contra o preconceito. “Não adianta a cidade lidar com estas questões só politicamente”, argumenta. “Nós temos que ir para as ruas. Eventos como este são essenciais para mostrar para a sociedade civil a nossa causa”. Segundo ele este é o sétimo ano da Parada Gay na cidade.

O copeiro Lucas Lopes Ferreira comparece todos os anos ao evento e desta vez não foi diferente. “É o quarto ano que compareço”, explica. “A parada é um grito de cidadania. Lutamos pela independência e lutamos por nós mesmos”, destaca. Já para o professor Mário Grego, apesar dos avanços que aconteceram na luta pela igualdade e contra o preconceito, o caminho ainda é muito longo. “A briga é gigante”, lamenta.

Sorocaba (SP) registra um casamento homoafetivo a cada quatro dias 4

Celina Aparecida Dias (esq.) e Vera Lúcia Batista Alvarez estão casadas desde 4 de maio - Por: Acervo pessoal/Cortesia

Celina Aparecida Dias (esq.) e Vera Lúcia Batista Alvarez estão casadas desde 4 de maio – Por: Acervo pessoal/Cortesia

Os quatro cartórios de registro civil de Sorocaba (SP) celebraram 22 casamentos homoafetivos nos últimos três meses na cidade, número que corresponde a um matrimônio gay a cada quatro dias no município. Todas essas cerimônias foram feitas após 1/3, data do início da norma que regulamenta a união civil entre pessoas do mesmo sexo no estado de São Paulo.

Segundo o ranking da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais de São Paulo (Arpen-SP), Sorocaba é a segunda colocada no interior do estado na relação entre casamentos homoafetivos por habitante, entre março e maio. A cidade possui a média de uma união gay para cada 27.272 pessoas e está atrás somente de São José do Rio Preto, com um matrimônio para cada 11.034 moradores. Em terceiro aparece Campinas, com média de uma cerimônia para cada grupo de 27.934 pessoas.

O 2º Cartório de Registro Civil de Sorocaba, na Vila Carvalho, foi o que mais celebrou casamentos homoafetivos desde o início da norma estadual. São 14 uniões – oito entre mulheres e seis entre homens. Segundo o oficial de registro Gerson Maia da Silva, havia demanda antes mesmo da regulamentação. “A procura já existia, mas os processos precisavam ser submetidos ao juiz corregedor do cartório”, comenta.

Quem aproveitou a nova regulamentação foi a supervisora de logística Celina Aparecida Dias (57), e a assistente social aposentada Vera Lúcia Batista Alvarez (63). Ambas se casaram em 4/5 do 2º Cartório de Registro Civil de Sorocaba e oficializaram uma união que dura um ano e três meses. “Nós não queríamos fazer um contrato, pois não é a mesma coisa que um casamento”, relata Celina. Mesmo com o casamento civil, ambas preferiram manter os mesmos sobrenomes de solteiras. “Pois já temos uma idade avançada e não quisemos mudar para evitar dores de cabeça na alteração de mais documentos”, completa.

O casal vive junto em Sorocaba e está prestes a se mudar para Angra dos Reis (RJ), onde mora Vera Lúcia. De acordo com Celina, o fato de ter se casado com uma pessoa do seu mesmo sexo não a fez sofrer preconceito. “Eu nunca sofri muito com isso. Sempre tive a confiança das pessoas e tanto a minha vida quanto a dela sempre seguiu um ritmo normal. Isso levou as pessoas a nos respeitaram.”

Mesma paz e tranquilidade não são vividas pelo casal B.A.S.A. e R.C.S.M., ambas de 18 anos, com casamento civil marcado para o próximo dia 14. “Eu precisei sair de casa porque a minha mãe bateu em mim e não aceita essa relação. Na minha família, só tive o apoio do meu pai e também dos meus verdadeiros amigos”, comenta B., que preferiu não divulgar o nome das duas com medo de algum tipo de represália e de sofrer preconceito. As garotas estão juntas há dois anos e dividem o mesmo teto há um ano e meio em Sorocaba. “Sempre tivemos a vontade de nos casar e esperamos essa lei para oficializar a nossa união”, diz B. “Depois do cartório, queremos celebrar a nossa união na igreja”, acrescenta.

O único cartório que ainda não celebrou casamento civil homoafetivo em Sorocaba foi o de Brigadeiro Tobias. Porém, o escrevente Fernando Jesus Ascencio Ramos disse que a procura é grande. “As pessoas têm telefonado para saber de mais informações.”

Primeiro casal homoafetivo da cidade se separou


Durou um ano e dois meses o primeiro casamento civil homoafetivo de Sorocaba. A sentença para oficializar o divórcio ocorreu em março deste ano e decretou o fim da união do casal de homens R. A. J. F. e W. R. R. M., celebrada em 18/01/2012 no Cartório de Registro Civil do Éden.

Segundo a escrevente Andréa Regina da Silva, os trâmites do divórcio foram feitos pelo Centro Judiciário de Resolução de Conflitos e Cidadania de Sorocaba – que funciona na Casa do Cidadão do Éden. “Para ser feito lá é preciso ser de comum acordo e o casal não pode ter filhos menores de idade”, comenta. De acordo com Andréa, esse divórcio do casal sorocabano pode ter sido o primeiro no Brasil nesse estilo entre pessoas do mesmo sexo. “Não conhecemos outros casos no País”, diz.

O primeiro casamento civil homoafetivo de Sorocaba foi autorizado pela Justiça em 19/12/2011, antes mesmo da norma que regulamentou a união civil entre pessoas do mesmo sexo no Estado de São Paulo. A decisão foi tomada por Carlos Alberto Maluf, juiz de Direito da 1ª Vara da Família e Sucessões de Sorocaba, que também atua como corregedor permanente do Cartório Oficial de Registro Civil do Éden, de Araçoiaba da Serra e de Brigadeiro Tobias.

Para Maluf, essa nova norma facilitou a vida dos casais do mesmo sexo interessados na união civil. “Com o casamento é mais fácil de se provar essa união para garantir direitos futuros e, eventualmente, para uma partilha de bens, questão sucessória ou previdenciária”, comenta. Maluf disse que, na época, tomou a decisão “entendendo que seria possível pelas decisões do Supremo Tribunal Federal e pela decisão do Superior Tribunal de Justiça”. “Na ocasião, o casal procurou o cartório de registro civil e fez o pedido para a habilitação. Com base nisso, o oficial encaminhou o pedido para que o Ministério Público apresentasse o parecer dele e depois eu pudesse decidir sobre viabilidade ou não do pedido.”

Separação

Existem registros de separações homoafetivas no Brasil, mas todas ocorreram com relacionamentos sem um casamento civil legalizado pela Justiça. Os casais somente vivam juntos e tinham a chamada união afetiva. Um desses casos ocorreu em Minas Gerais. De acordo com o site JusBrasil, o juiz da 26ª Vara Cível de Belo Horizonte, Genil Anacleto Rodrigues Filho, reconheceu em 27/03/2012 o fim da união afetiva de sete anos entre duas moradoras da capital.

Em sua sentença, Genil Anacleto julgou procedente o pedido de uma delas, que pretendia ter reconhecida a união, de fato já desfeita, para requerer parte dos bens adquiridos conjuntamente. Com base nas provas apresentadas, a relação homoafetiva foi reconhecida, homologada e finalmente dissolvida.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

DJ que tocou na Parada diz que tatuagens não são nazistas e que imagem de Mussolini é de soldado 1

Reprodução: Rash-SP

“Foto do DJ com imagem do fascista Mussolini e símbolos neonazistas no site Rash-SP”

Após a divulgação de imagens que fazem alusão ao fascismo e nazismo serem divulgadas em redes sociais, o DJ EnricoTank, que tocou em um trio da Parada Gay no domingo, divulgou nota afirmando que se trata de uma tentativa de denegrir sua imagem.

Ele dá explicações para cada uma das tatuagens. Afirma que uma conhecida imagem do fascista italiano Benito Mussolini é a de “um combatente desconhecido, uma vez que o DJ é aficionado pela temática da guerra”.

Nas fotos, divulgadas no site do grupo anti-intolerância Rash-SP, Tank tem uma tatuagem com o número 88, representação da oitava letra do alfabeto, usado para simbolizar a saudação nazista “Heil Hitler”. De acordo com a nota enviada pela assessoria dele, é uma referência ao ano de 1988, quando fez a primeira viagem ao exterior. “Ao retornar ao Brasil recentemente, sendo informado da possível interpretação deste número como algo ligado ao nazismo, decidiu reformular a sua tatuagem, modificando-a com o número 8 e o desenho de uma bola de bilhar”, afirma a nota.

Também há símbolos usados pela organização racista white power e a imagem da bandeira confederada americana (adotada por grupos racistas). O primeiro, de um punho cerrado, é um sinal de resistência, segundo ele. A bandeira é uma homenagem ao estilo country rock.

Pelas fotos, também é possível encontrar simbologia muito similar a grupos neonazistas internacionais, como Combat 18 e Blood and Honour. O primeiro, segundo a nota, foi uma alusão à guerra e o outro, a um filme de mesmo nome.

A assessoria de Tank afirma que, mesmo sendo heterossexual, ele fez toda a carreira em clubes gays da Europa. O DJ é ex-integrante da boy band Twister e já posou na G Magazine.

Depois da divulgação das imagens, a apresentação dele prevista para a Parada Gay de Santo André, no ABC, foi cancelada. A organização encaminhou o caso para a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) e para a Secretaria de Estado da Justiça.

Chuva, política e Daniela Mercury marcam Parada Gay mais vazia 1

Márcio Fernandes/Estadão Daniela Mercury e sua mulher, Malu Verçosa

Márcio Fernandes/Estadão
Daniela Mercury e sua mulher, Malu Verçosa

Notícia um pouco atrasada. O blogueiro está viajando e pede desculpas aos leitores.

A 17.ª edição da Parada Gay foi marcada por uma chuva insistente que afastou parte do público, muitos protestos contra o deputado e pastor Marco Feliciano e Daniela Mercury como grande personagem. A cantora baiana arrastou o público da Avenida Paulista, transformou a Rua da Consolação em um grande bloco, cantou o Hino Nacional e dedicou o show à companheira, Malu Verçosa.

A organização do evento estimou o público em 3 milhões de pessoas – 1,5 milhão a menos do que em 2012. A medição da Polícia Militar foi bem inferior: 1,5 milhão de participantes – o mesmo número de 2004.

De capa, guarda-chuva – muitos com as cores do arco-íris – ou sem nenhuma proteção, quem participou do evento deste ano ouviu um discurso contundente de Daniela Mercury. “Se a gente não vai para a rua dizer que não quer certas pessoas na Comissão de Direitos Humanos, não vai tirar ele (Feliciano) de lá. A gente já tirou um presidente da República. Não é possível que o governo brasileiro continue mantendo pessoas que não nos representam”, discursou no microfone.

O show da cantora começou com duas horas de atraso e só na Rua da Consolação porque o trio dela, que foi trazido de Salvador e patrocinado pelo governo baiano, não foi autorizado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) a cruzar a Paulista. O veículo tem 4,8 metros de altura, mas o máximo permitido na via é 4,5 metros. Ela, então, cantou em um outro trio.

O pastor também foi alvo de piadas por parte do público. Como protesto às declarações do deputado, o enfermeiro Rogério Rocha, de 43 anos, carregava consigo a cartilha dos “defeitos humanos”. “O Feliciano fala muito dos direitos humanos e diz que nós, gays, somos os defeitos. Pois fiz uma sátira a ele.”

O tom político começou antes mesmo do evento. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) aproveitou a coletiva de imprensa para desmentir a informação de que é do prelado católico Opus Dei, Marta Suplicy (PT) classificou a gestão de Feliciano na Comissão de Direitos Humanos como “tragédia grega” e o deputado Jean Wyllys (PSOL) discursou contra o “fundamentalismo religioso”. Já o prefeito Fernando Haddad (PT) decidiu subir em um trio elétrico – no ano passado, o então prefeito Gilberto Kassab (PSD) preferiu ficar no camarote. “Existe amor em São Paulo. Vamos lutar contra a intolerância e resgatar os direitos civis”, disse Haddad.

Religião

Homossexuais da Igreja Cristã Evangélica Para Todos fizeram a campanha Para Deus, Somos Todos Iguais. Jair Simão de Souza, de 27 anos, que há cinco milita na causa, defendeu que as igrejas sejam mais inclusivas. “Deus nos fez livres, então o outro tem de ser livre como Deus manda. É possível, sim, ser cristão de tendência evangélica e homossexual”.

Não só os evangélicos foram alvo de protestos. A Igreja Católica também. O estilista José Roberto Fernandes, de 62 anos, fantasiou-se de papa. Não foi o único. Já seu companheiro, Marcos Oliveira, de 40, vestiu-se de São Francisco. Na Avenida Paulista, também era possível encontrar várias pessoas fantasiadas de freiras e padres.

Esticada

Ao todo, foram 16 carros alegóricos. Por volta das 18 horas, por causa de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que estabelece horário para o fim do evento, a Avenida Paulista já estava praticamente vazia.

A festa, porém, acabou mais tarde. Boa parte do público desceu a Consolação rumo à Praça da República, onde foi montado o palco para o show de encerramento da parada.

O principal nome da apresentação foi a cantora Ellen Oléria, vencedora do programa The Voice Brasil, da TV Globo, que sempre deixou clara sua orientação sexual no programa. A expectativa era de que o evento durasse três horas mais do que no ano passado.

O efeito Daniela Mercury levou muito mais casais de mulheres a esta edição da Parada, tradicionalmente dominada pelo público masculino.

Parada Gay de SP deve ter protesto contra Feliciano, Bolsonaro e Malafaia Resposta

Parada Gay 2012

Parada Gay 2012

A Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOGLBT) divulgou nesta quinta-feira (2/5) o cartaz da Parada Gay deste ano, agendada para o dia 2 de junho. O tema da parada será “Para o armário nunca mais! União e Conscientização na luta contra a homofobia”. Um dos carros alegóricos deve protestar contra pessoas que tentaram diminuir os direitos conquistados pelos homossexuais ao longo do ano, como o deputado federal Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) Divulgação/APOGLBT

A associação que organiza a Parada Gay de São Paulo, a APOGLBT, divulgou nesta quinta-feira (2/5) que um dos trios elétricos que participarão do desfile deste ano terá protestos contra os deputados federais Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) e Jair Bolsonaro (PP-RJ), e o pastor evangélico Silas Malafaia, além de outras pessoas que tenham agido contra os direitos conquistados pelos homossexuais.

“Esses indivíduos [Feliciano, Bolsonaro e Malafaia] são apenas a ponta do iceberg. Eles conseguiram ressonância em uma sociedade que diz que não é racista nem preconceituosa, mas mostra que é racista e preconceituosa”, diz Nelson Matias Pereira, diretor-executivo e um dos fundadores da associação. “São representantes dos que pensam igual a eles.”

A APOGLBT estima que entre 20 e 22 trios elétricos vão participar do desfile, marcado para 2 de junho. O prazo de inscrição termina no dia 15 de maio e 17 já foram confirmados. Todos os carros alegóricos do desfile são usados para protestar contra a homofobia.

O último, no entanto, chamado de “Trio da Paz”, tradicionalmente traz mensagens de reforço ao tema da parada, que este ano é ‘Para o armário, nunca mais! União e conscientização na luta contra a homofobia’.

Feliciano, Bolsonaro e Malafaia não serão temas exclusivos do último trio elétrico, mas certamente serão lembrados em faixas e outras formas de protesto. “Não tenho nada contra aqueles que querem manifestar sua fé; o que não pode é isso ser usado como arma contra os outros”, diz Pereira.

O deputado Pastor Marco Feliciano, atual presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, colocou na pauta da comissão a votação do projeto chamado de ‘cura gay’, e recebeu apoio do deputado Bolsonaro durante as reuniões da comissão em que houve protestos. O pastor Silas Malafaia chegou a comparar homossexuais a bandidos e assassinos na TV aberta. Para Pereira, “isso é um retrocesso de um país democrático como o nosso”.

O show de encerramento do desfile será feito pela cantora Ellen Oléria, vencedora da primeira temporada do reality show The Voice Brasil, da TV Globo, no ano passado. Ellen é homossexual e levou sua namorada ao programa de TV.

A organização da parada também procurou a cantora Daniela Mercury, que assumiu publicamente ter um relacionamento amoroso com uma mulher, em abril. Daniela faria a apresentação do hino nacional ou ficaria em um dos trios, mas sua participação ainda não foi confirmada.

Opinião

As paradas do orgulho LGBT têm se mostrado ineficazes como instrumento de protesto contra a homofobia e a transfobia, e de visibilidade da comunidade ou reivindicação por maior inclusão social. O que se vê é um carnaval fora de época com a presença de muitos heterossexuais que lá vão, não para apoiarem os direitos humanos, mas para assistirem ao “show” ou se divertirem com ele.

OAB-SP repudia sessões fechadas de comissão presidida por Feliciano Resposta

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo, Marcos da Costa, divulgou nesta segunda-feira uma nota de repúdio à decisão da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados de realizar sessões fechadas. O fechamento foi aprovado na quarta-feira (3/4), atendendo a um requerimento verbal do presidente da comissão, Marco Feliciano (PSC-SP), após protestos contra a permanência dele no cargo.

De acordo com a nota, a decisão de realizar sessões fechadas “abre um precedente perigoso porque o Congresso Nacional está alijando os cidadãos de seus debates”. Segundo Costa, a população não pode ser impedida de opinar sobre decisões tomadas em seu nome nem de acompanhar o trabalho dos representantes no Poder Legislativo. “Esse cerceamento remete a tempos obscuros e arbitrários de nossa história política, onde os direitos humanos somente podiam ser discutidos a portas fechadas.”

Conforme ele, o episódio arranha a imagem do Parlamento e não deixa claros os motivos que levam à Câmara a proteger “um parlamentar sem qualquer representatividade na área dos direitos humanos, nem histórico de luta, e que tem externado continuadas manifestações de intolerância, demonstrando total incompatibilidade com o cargo para o qual foi investido”.

Conheça a história de Beatriz, transexual e lésbica: “Eu gosto e sempre gostei de meninas” 2

Beatriz Calore nasceu homem e virou mulher - lésbica. E enfrenta preconceitos dentro do universo LGBTT Foto: André Giorgi

Beatriz Calore nasceu homem e virou mulher – lésbica. E enfrenta preconceitos dentro do universo LGBTT Foto: André Giorgi

“Eu vou virar mulher”. Foi com essa afirmação meio fora do ritmo que um estudante de composição na Universidade do Estado de São Paulo (Unesp) informou aos colegas que começaria a tomar hormônios para encontrar a sua identidade sexual. A garota que agora responde por Beatriz entrou na faculdade ainda como um menino e fez a revelação à sua turma no fim do primeiro semestre. Com a ajuda das amigas, comprou roupas femininas e maquiagem para, no primeiro dia de aula depois das férias de julho, chegar à universidade já vestida como Beatriz. “O pessoal perguntava se eu tinha dado uma de Laerte”, diz a jovem, se referindo ao cartunista que se tornou adepto do cross dressing (prática na qual alguém passa a se vestir com figurino do sexo oposto). Vamos omitir o nome masculino de Beatriz, porque ele é uma das reminiscências do passado que ela prefere não dividir com (mais) ninguém.

A segunda surpresa referente à mudança de sexo de Beatriz é que, mesmo na pele de uma mulher, ela segue interessada sexualmente em mulheres. “Eu gosto e sempre gostei de MENINAS”, deixa claro Beatriz Calore, de 22 anos. Há apenas um ano fazendo o tratamento de mudança de sexo, a garota é uma prova de que orientação e identificação sexual são coisas completamente diferentes. Desde cedo, a estudante soube que gostava de mulheres, mas não se sentia confortável em um corpo masculino. “Quando era adolescente, eu via um desenho japonês sobre um colégio de lésbicas e achava aquilo o paraíso. Queria ser uma das meninas, se relacionando com outras meninas”, explica, rindo, a jovem violonista.

Atualmente, após passar por uma cirurgia plástica para feminilizar o rosto, Beatriz quer encontrar o amor, como qualquer garota, mas, além do preconceito generalizado contra gays, ela é uma nota destoante dentro da própria população LGBTT. “Eu perguntava para as meninas no Leskut, o Orkut das lésbicas, se elas sairiam com uma trans e a resposta era: ‘Eu não saio com homens’”, explica Beatriz. “As pessoas veem o que era antes e não o que é agora”. A seguir a entrevista que ela deu ao iGay .

iG: Como sua família lidou com a sua decisão?

Beatriz: Eu sou quase orfã. Minha mãe faleceu há uns quatro anos e meu pai não fala comigo. Eu sei onde ele mora, ele sabe da situação em que estou, mas não quer me ver. A última vez que o vi foi no ano passado, quando ainda não tinha contado que eu sou… eu. Quanto ao meu padrasto, que era o marido de minha mãe, é difícil ficar com a família dele. Algumas pessoas se sentem incomodadas, acham que o convívio como uma trans pode atrapalhar a criação do filho. Minha tia também demorou para aceitar. Ela tinha muitos preconceitos baseados em noções erradas, achando que a prostituição era a única opção. Mas ela viu que eu não vou largar os meus estudos para me prostituir.

iG: Quando percebeu que tinha algo de diferente em você?

Beatriz: Quando criança, eu era bem afeminada, mas até uns sete, oito anos, eu não sacava nada. Depois, aprendi a me relacionar com os garotos e por um bom tempo andei com eles. Porque eu gostava e gosto de meninas. Meninas. Na adolescência, fui passando a perceber que as coisas não eram muito bem assim, que eu me sentia diferente. Comecei a ter interesses diferentes.

iG: Que tipo de interesses?

Beatriz: Pode parecer muito ridículo, mas enquanto os meninos assistiam desenhos japoneses de ação, eu tinha me interessado muito por um que era de romance e era sobre um colégio em que só tinha meninas lésbicas. E me apaixonei por aquilo, pensava: “Nossa, como eu queria ser uma dessas meninas”. Não é que eu queria ser um menino dentro desse colégio, eu queria ser uma das alunas, se relacionando com outras alunas. Achava aquilo um paraíso (risos).

iG: Você conseguiu lidar bem com a situação?

Beatriz: Mais ou menos. Comecei a me sentir mal por ser homem, passei a desprezar os homens. Uma espécie de preconceito que se voltava contra mim, de certa maneira. E em certo momento, percebi que gostaria realmente de ser uma mulher. Antes disso, eu tinha muitos problemas com o meu corpo, especialmente com as reações sexuais do corpo masculino, que eu achava que não condiziam com a maneira que eu pensava sobre o amor, o romance, as relações. Eu achava que era algo totalmente diferente, impulsivo, que não tinha nada a ver comigo. Depois que eu comecei a tomar hormônio, acabou.

iG: Você pensa em fazer cirurgia de mudança de sexo?

Beatriz: Eu quero tirar o pênis porque para mim ele não serve para nada (risos). É uma coisa muito inútil, de que não vou sentir absolutamente nenhuma falta. Mas algumas pessoas resolvem fazer cirurgia, outras não. Não é porque quer manter o pênis que ela vai deixar de ser, de pensar e de se vestir como mulher.

iG: No que o pênis te atrapalha?

Beatriz: Estou há 9 meses sem manifestar nada. Tipo: “Por favor, saia daí, que eu preciso viver a minha vida sexual de uma maneira normal”. As pessoas que querem sair com trans que não é operada quase sempre é por causa da ideia da mulher com um pênis. Então é uma coisa fetichista.

iG: Você já teve algum relacionamento anterior?

Beatriz: Não. Já tive um rolo uma vez, quando ainda não tinha começado o meu tratamento, com uma travesti. Eu não tenho problema em sair com uma menina trans. Eu a vejo apenas como uma garota. Nem lembro o que aconteceu depois. Acho que não deu certo, né? (risos).

iG: Que outra mudança física você espera?

Beatriz: Estou procurando uma fonoaudióloga que me ajude na transição de voz porque eu quero poder cantar. Se for profissionalmente, melhor. É mais uma opção para mim como musicista. Não me identifico mais com o violão, que é o instrumento que eu toco. E o canto é super versátil, posso fazer qualquer tipo de música. Me interesso muito pela voz em geral, até porque ela está ligada com a minha transição.

iG: Você sonha em se casar?

Beatriz: Eu penso a respeito. Já pensei que teria filhos, queria poder engravidar, se fosse possível. Mas, por enquanto, é fora da realidade. Estão fazendo testes na Rússia de transplante de útero, mas não sei se é com transexuais ou apenas com mulheres. De qualquer forma, também penso em adotar.

iG: Você quer ser ativista?

Beatriz: Não tenho estilo de ativista. Se posso falar alguma coisa, falo. Acho legal poder dividir minha experiência, mas não sou o tipo de pessoa que vai em passeata, que milita mesmo. Me importo com a causa, me importo quando vejo um pastor Marco Feliciano lá na Comissão de Direitos Humanos. Tem coisas que me preocupam e algumas que não são tão relacionadas a mim. Por exemplo, em alguns movimentos transfeministas, enfatizam muito a quebra da separação de gêneros, o que eu acho muito positivo, mas não me encaixo nessa questão. Não me vejo como uma pessoa que está no meio dos dois sexos, me vejo como mulher mesmo. Eu sou mulher e é isso aí.

iG: Como você escolheu o nome Beatriz?

Beatriz: O primeiro critério foi que eu não queria um nome que tivesse correspondente masculino. Não existe Beatriz masculino. Então sobraram algumas opções e eu escolhi o mais bonito. Eu ainda não tenho RG com esse nome, mas consegui fazer o bilhete único como Bia, com uma foto minha. Eu fico mostrando para todo mundo (risos).

Número de casamentos gays quase triplica em SP no mês de março Resposta

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O número de casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo quase triplicou na cidade de São Paulo no primeiro mês após o início da norma que regulamenta a união gay em todo o estado. Segundo a Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (Arpen-SP), desde o dia 1º de março, quando a nova lei entrou em vigor, 41 casamentos gays foram registrados na capital paulista.

Nos primeiros dois meses de 2013, os cartórios paulistas haviam realizado 22 casamentos homoafetivos – uma média de apenas 11 por mês. Ainda de acordo com Arpen-SP, o cartório de Santa Cecília é o que mais oficializa uniões do tipo.

Antes de a norma começar a valer, alguns processos de casamento gay em São Paulo precisavam ser submetidos ao juiz corregedor do cartório. Caso aprovada, a união era realizada. Muitos casais precisaram recorrer à segunda instância do Tribunal de Justiça (TJ). Agora, a concordância do magistrado não é mais necessária, assim como ocorre num casamento entre homem e mulher.

A pessoa que, sem motivo aparente, não conseguir registrar o pedido de casamento em qualquer um dos 832 cartórios espalhados pelo estado pode fazer uma denúncia à Corregedoria Geral da Justiça.

Fonte: G1

Filho de Daniela Mercury já manifestou apoio a casais gays em post na web 2

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Gabriel Povoas, filho de Daniela Mercury, já tinha demonstrado apoio a casais gays em um post feito em seu Facebook e falado sobre o preconceito em Salvador, cidade onde mora.

“Que coisa bonita, acabei de ver um casal gay (homens) passando na rua de mãos dadas aqui em Sampa. Que a nossa Salvador acorde em 2013 menos preconceituosa. Já disse Milton ‘Toda forma de amor vale a pena…'”, escreveu no dia 31 de dezembro.

Em entrevista ao portal EGO, a mulher de Gabriel falou sobre a relação do músico com a mãe: “Daniela já está viajando com a Malu há um mês. Agora o Gabriel e a Giovanna foram encontrar com ela para fazer os shows. Os dois são grandes… Posso te dizer que o Gabriel, pelo menos, vive a vida dele, não se mete nas coisas da mãe. Eles têm uma relação legal”.

Daniela usou o Instagram para assumir o relacionamento nesta quarta-feira (3/4). Ela postou imagens românticas suas com a jornalista Malu Verçosa, editora da Rede Bahia, e fez uma verdadeira declaração de amor a ela: “Malu agora é minha esposa, minha família, minha inspiração pra cantar”, escreveu Daniela, que aparece muito sorridente nas fotos e mostra que já está até usando aliança.

Daniela Mercury e sua mulher, Malu Verçosa

Daniela Mercury e sua mulher, Malu Verçosa

Casal é impedido de doar sangue por ser gay em São José do Rio Preto Resposta

Casal João Gabriel Araújo e Diego Branco reclama de discriminação (Foto: Reprodução / TV Tem)

Casal João Gabriel Araújo e Diego Branco reclama de discriminação (Foto: Reprodução / TV Tem)

Um casal gay, inconformado por não conseguir doar sangue, denunciou e questionou a Anvisa e os critérios de doação nesta semana em São José do Rio Preto (SP). Eles alegam terem sido vítimas de discriminação sexual porque foram impedidos de doar sangue no Hemocentro da cidade. As autoridades dizem que cumpriram a lei, mais dois afirmam que foram vítimas de preconceito.

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A Resolução – RDC nº. 153, de 14.06.2004 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que regulamenta os procedimentos de hemoterapia no Brasil, considera que homens que tiveram relações sexuais com outros homens (HSH) nos últimos 12 meses que antecedem a triagem clínica devem ser considerados inaptos temporariamente para doação de sangue.

Mas segundo a Portaria MS nº 1.353, de 13.06.2011 DOU 1 de 14.06.2011, a orientação sexual (heterossexualidade, bissexualidade, homossexualidade) não deve ser usada como critério para seleção de doadores de sangue, por não constituir risco em si própria.

Por causa dos riscos, os Hemocentros de todo o país seguem regras estabelecidas pelo Ministério da Saúde. Antes da doação, a pessoa passa por uma triagem rigorosa. Se estiver gripada, com dengue, com infecção ou se tiver feito uma tatuagem recentemente, por exemplo, não pode fazer a doação por um período determinado.

No ano passado, o operador de caixa João Gabriel Araújo procurou o Hemocentro  para doar, mas durante a triagem foi impedido. “Fizeram um monte de questionamentos e perguntaram se eu tinha namorado. Eu disse que tinha, aí falaram que não poderia doar por ter menos de um ano de relacionamento estável. Falaram que a partir de um ano poderia vir doar normalmente”, afirma o operador de caixa.

Depois de um ano de relacionamento estável, o rapaz voltou ao Hemocentro com o parceiro. Os dois saíram de lá sem conseguir fazer a doação. “A gente falou que tinha mais de um ano de uma relação estável. Aí eles negaram e falaram que além da relação estável, tinha de ficar um ano sem relação sexual com o parceiro do mesmo sexo”, afirma João Gabriel.

Inconformados, os dois procuraram a imprensa. Segundo ambos, o fato de serem gays poderia ter influenciado a negativa da doação. Os jovens foram chamados nesta quarta-feira (3) pela direção do Hemocentro para esclarecimentos. “Homossexuais masculinos, que tenham tido relação sexual nos últimos 12 meses, tem de permanecer 12 meses sem doar sangue, isso é a norma atual do Ministério da Saúde”, diz a hemoterapeuta Roberta Fachini.

Pessoas heterossexuais que tenham relações com desconhecidos também não podem doar sangue durante um ano. “Não existe discriminação alguma, não é esse o sentimento. Tanto que homossexual masculino pode doar sangue, depende das condições do relacionamento. Isso tem de ser individualizado”, afirma a hemoterapeuta.

As explicações não convenceram o casal. “Perguntamos se homossexual não pode doar sangue. Eles disseram que simplesmente não. E os que doam e omitem a opção sexual, o que é feito com o sangue? Ele é usado, não é?”, diz Araújo.

O infectologista Renato Ferneda de Souza explica que os critérios são estabelecidos para garantir mais segurança aos pacientes que vão receber o sangue. “Com a entrevista feita e os exames criados o risco é muito baixo, até por isso temos poucos casos de infecções por doenças notificadas”, afirma Souza.

Em nota, o Hemocentro de Rio Preto reafirmou em nota que segue as normas do Ministério da Saúde, mas que incentiva a doação feita por homens e mulheres de qualquer opção sexual. O Ministério de Saúde, também através de nota, falou sobre os procedimentos da triagem.

Leia na íntegra:

“A Portaria 1.353 do Ministério da Saúde, publicada em junho de 2011, estabelece que os serviços de hemoterapia devem acolher aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), evitando o preconceito e a discriminação. A portaria deixa claro que a orientação sexual (heterossexualidade, bissexualidade, homossexualidade) não deve ser usada como critério para seleção de doadores de sangue.

Para assegurar a qualidade do sangue coletado, a portaria define os critérios para situações de risco acrescido à saúde do doador que oferecem risco à pessoa que receberá o sangue. Por isso, a portaria torna inapto para doação de sangue, por 12 meses, o candidato que tenha se exposto a algumas situações.

Alguns exemplos dessas situações são pessoas que tenham feito sexo em troca de dinheiro ou de drogas ou com seus respectivos parceiros sexuais; que tenha feito sexo com um ou mais parceiros ocasionais ou desconhecidos ou com seus respectivos parceiros sexuais; e homens que tiveram relações sexuais com outros homens e/ou com as parceiras sexuais destes.

O Ministério da Saúde reforça que essas medidas visam a qualidade do sangue coletado. Isso porque o sangue não é comercializado, o sangue não é fabricado, o sangue é sempre retirado de uma pessoa para ser infundido numa outra pessoa que está numa situação bastante vulnerável, de bastante necessidade.”

Acusado de morte por homofobia é condenado em Andradina, SP Resposta

A Justiça de Andradina (SP) condenou a 30 anos de prisão um dos acusados de matar um homem e tentar matar outro, em agosto de 2009. O pedreiro Naycon Paulo da Rosa, 22 anos, foi condenado em regime fechado pela morte do restaurador J. D. P. e também por tentar matar o amigo dele, E. L. S.. O motivo do crime, segundo denúncia do Ministério Público, foi homofobia.

O condenado foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio e tentativa de homicídio duplamente qualificado. O julgamento só aconteceu neste ano porque o advogado do réu recorreu a sentença de pronúncia, mas, sem sucesso.

Outro homem envolvido no crime, o pintor Cristiano Batista, de 26 anos, foi condenado a 24 anos de prisão em fevereiro do ano passado por homicídio duplamente qualificado. Ele recorreu, mas o Tribunal de Justiça manteve a sentença proferida em primeira instância.

De acordo com a denúncia, as vítimas foram atraídas para um local ermo, onde os réus, juntamente com dois adolescentes, iniciaram as graves agressões com facas e pedras, causando a morte de uma delas e lesões corporais em outra.

Nas sentenças ficou reconhecida a existência de crime de ódio, por conta da orientação sexual das vítimas. “O acusado, conluiado com outros terceiros agentes, atuou de maneira premeditada para maquiavelicamente dar cabo à vida de vítimas, impelido simplesmente pelo ódio e intolerância decorrente da opção sexual definida pelo seu semelhante”, descreveu a sentença.

Grupo Copacabana Club protesta contra deputado Pastor Marco Feliciano no Lolla Palooza 1

A banda Copacabana Club faz protesto contra o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos, durante sua apresentação (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

A banda Copacabana Club faz protesto contra o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos, durante sua apresentação (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

O grupo brasileiro Copacabana Club aproveitou seu show, que aconteceu às 15h15 desta sexta (29/3) no Palco Alternativo, para fazer um protesto. Integrantes da banda subiram ao palco com cartazes contra o deputado federal Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias.

Em entrevista ao portal G1, a vocalista do Copacabana Club, Camila Cornelsen, disse que tomou essa decisão logo depois de assistir a um show da Elza Soares, que também criticou o deputado durante sua performance. “Na verdade, toda essa história do Feliciano não passa na garganta. O Brasil precisa mudar algumas coisas, e essa com certeza é uma delas. É vergonhosa essa situação”, afirma. Camila diz que a banda tem um público muito diversificado e fiel, por isso o show é um momento “legal de demonstrar e se posicionar”. “Acho que a classe artística tem que se manifestar. É importante a gente poder fazer isso num festival como o Lolla”, afirma.

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+ Presidente da Câmara não está disposto a rever a escolha do pastor para Comissão de Direitos Humanos e Minorias

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A cantora conta que ela mesma comprou papéis, canetinha e preparou toda a ideia do protesto sozinha. “Eu pedi só para minha banda apoiar. Eu comprei o material durante esta semana. Eu fiz meia hora antes do show. A gente escreveu ‘Homofobia basta’, ‘Racismo chega’, ‘Mais amor, menos Feliciano’, e ‘Pró felicidade, não Feliciano’. Eu fiz sete cartazes, mas só entraram seis no palco”, diz a vocalista da banda.

Sobre a resposta do público, ela acha que foi ótima. “Na hora em que a gente começou a falar sobre isso no palco, o pessoal foi a loucura. No twitter, começaram a se manifestar também, recebi várias mensagens de amigos dando apoio, que estavam orgulhosos e que foi uma atitude bacana. Não ouvi nada negativo em relação a isso.”

Camila aproveitou a entrevista para se posicionar politicamente. “Eu espero que a gente consiga tirar ele de alguma forma. Acho que as pessoas que têm algum poder, que façam alguma coisa para tirá-lo. Como que uma pessoa que é racista, homofóbica e acha que mulher não pode trabalhar tem esse cargo? A gente não quer uma pessoa de cabeça tão fechada nos representando”, desabafa.

A vocalista do Copacabana afirma que este foi um “protesto superpacífico e super do bem”. “Eu não acho que o festival enxergue isso como um protesto negativo, de maneira alguma. Em todos os momentos, a gente prefere falar em amor, alegria e coisas de paz. E, em nenhum momento, falei o nome dele. Coloquei no cartaz, mas só falei que queria alguém que representasse a gente. Foi um protesto supereducado”, completa.

Desde sua indicação, Feliciano sofre pressão para deixar o posto por conta de declarações consideradas homofóbicas e racistas. A pressão se avolumou após o deputado ter divulgado vídeo que equipara as manifestações a “rituais macabros”. Nesta terça (27), no entanto, o PSC confirmou que Feliciano será mantido no comando da Comissão de Direitos Humanos, contrariando recomendação do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

“Conseguimos vencer uma barreira e mostramos que democracia é isso e, às vezes é preciso tomar medidas, não medidas austeras, mas à luz do regimento interno. Um parlamentar precisa ser respeitado, como todo ser humano precisa ser respeitado”, afirmou Feliciano durante audiência pública em Brasília.

Informações: G1

Campinas oficializa união de 16 casais gays em cerimônia coletiva 1

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A prefeitura de Campinas (SP) realizou na última quinta-feira (21/3) o primeiro casamento comunitário gay do município. As uniões de 16 casais do mesmo sexo – dois de homens, 12 de mulheres e dois de transexuais – foram formalizadas pela juíza de paz Aline Priego, no 3º Cartório de Registro Civil.

Cada casal teve direito a levar 10 convidados para a cerimônia. A organização da festa foi feita pelos noivos, com auxílio do centro de referência e espaço cedido pelo município. Há 10 anos, Campinas foi a primeira cidade do Brasil a instituir um serviço público para atender a lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.

A norma que regulamenta o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo foi publicada pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) em dezembro do ano passado. Desde 1º de março, casais gays que querem oficializar a união não precisam mais recorrer à Justiça. O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu o casamento gay em maio de 2011.

Prefeitura de São Paulo deve aplicar programa Escola sem Homofobia do governo do estado Resposta

A Secretaria de Educação da cidade de São Paulo pode aplicar o programa anti-homofobia criado pelo governo estadual. Segundo o secretário de Educação, Cesar Callegari, o material, que já é usado por professores estaduais, poderá servir também a professores da rede municipal para trabalhar questões relativas a diversidade sexual e preconceito.

“Se for compatível com aquilo que nós acreditamos que seja adequado, dentro de uma discussão ampla com os próprios educadores, a intenção é pedir autorização do governo do estado para utilizar na nossa rede”, disse Callegari na manhã desta quinta-feira (21), durante o desfile do estilista Ronaldo Fraga no CEU Butantã, na Zona Oeste, ao lado do prefeito Fernando Haddad (PT).

A Secretaria Estadual da Educação evita a expressão “kit gay” (termo que José Serra usou durante a campanha, para acusar Fernando Haddad, hoje prefeito, e na época seu opositor eleitoral, de ter criado o kit, quando material anti-homofobia distribuído, em 2009, para escolas pelo governo do estado de São Paulo na administração do tucano José Serra (2007-2010), tinha pelo menos dois vídeos iguais ao chamado “kit gay”, do Ministério da Educação, elaborado na época da gestão do petista Fernando Haddad e suspenso pela presidenta Dilma Rousseff), com razão, já que a alcunha foi dada por opositores da educação anti-homofobia e inclusiva. O material é composto por vídeos e cartilha que tratam de prevenção da gravidez na adolescência, violência, diversidade sexual e preconceito e tem aval da UNESCO.

“Nós não estamos elaborando o kit gay (sic). A questão da homofobia é uma questão curricular, como a questão ambiental. Se trata é de um esforço da Secretaria Municipal de Educação como estão sendo orientados os professores que também são nossos, além de serem professores do estado. E nós precisamos conhecer essas orientações curriculares, inclusive sobre o combate á homofobia”, explicou o secretário municipal de Educação para o G1

Rio de Janeiro e São Paulo têm novas manifestações contra deputado Pastor Marco Feliciano 3

Manifestantes protestam em Copacabana contra a nomeação do pastor Marcos Feliciano para a Presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Divulgação

Manifestantes protestam em Copacabana contra a nomeação do pastor Marcos Feliciano para a Presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Divulgação

Cerca de 300 pessoas se reuniram na tarde de hoje, em Copacabana, no Rio de Janeiro,, num protesto contra o deputado Pastor Marcos Feliciano (PSC-SP) na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Carregando cartazes de repúdio ao deputado, e ao som do grupo de maracatu e candomblé Tambores do Olokun, os manifestantes saíram do Posto 5 da Praia de Copacabana em direção ao Posto 2, na altura do Hotel Copacabana Palace. Duas das três faixas de rolamento da Avenida Atlântica, no sentido Leme, foram interditadas.

Em São Paulo, a manifestação reuniu 500 pessoas que fecharam três pistas da Avenida Consolação, no Centro, e seguiram até a Praça Roosevelt.

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Informações: O Globo

Brasil tem conselhos de direitos gays só em cinco estados 1

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Apenas cinco Estados brasileiros – Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e Pará – tinham conselhos para tratar dos direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais em 2012, revela o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa de Informações Básicas Estaduais (ESTADIC), divulgada nesta sexta-feira.

Esses conselhos são os mais recentes, com 2,8 anos de existência em média. Já os conselhos de educação, os mais antigos entre os 13 tipos listados, existem há 47 anos e estão presentes nas 27 unidades da federação. Depois dos conselhos de direitos de LGBT, os mais escassos no País são os de Transporte, que existem em 10 Estados, e os de Promoção da Igualdade Racial, que estão em 13. Conselhos são instâncias que permitem, em tese, maior participação da sociedade na estrutura da gestão pública.

É a primeira vez que o IBGE divulga a ESTADIC, realizada nos moldes da Pesquisa de Informações Básicas Municipais. O estudo traz informações sobre as gestões estaduais a partir da coleta de dados sobre temas como recursos humanos, conselhos e fundos estaduais, política de gênero, direitos humanos, segurança alimentar e nutricional e inclusão produtiva.

A pesquisa mostra que apenas São Paulo não tinha órgão ou setor específico para tratar de políticas de gênero. O Estado, no entanto, possuía o maior número de delegacias especializadas no atendimento à mulher (121, ante 12 no Rio, por exemplo). Só o Amapá declarou não ter órgão específico para tratar da política de direitos humanos e seis estados (Rondônia, Amazonas, Roraima, Amapá, Ceará e Espírito Santo) não tinham canais de denúncia de violação desses direitos na estrutura do governo estadual.

Além disso, somente 11 Unidades da Federação tinham planos estaduais e previsão de recursos específicos para a área de direitos humanos. “Não ter uma estrutura formal não significa necessariamente que nada é feito. A política pode ser transversal a outras áreas”, diz a gerente da pesquisa, Vânia Maria Pacheco. A maior parte dos recursos humanos da administração direta era composta por servidores estatutários: 2 2 milhões de servidores ou 82,7% do total. Do pessoal ocupado na administração direta, 53,5% tinham nível superior ou pós-graduação (1,4 milhão de servidores).

Outros 31,9% tinham o nível médio (834,4 mil) e 9,1% (238,6 mil) apenas o ensino fundamental. A pesquisa também traz um Suplemento de Assistência Social: em 2012, todas as 27 unidades da Federação tinham órgão para tratar de política de assistência social, mas oito estados não ofertavam nenhum tipo de serviço nessa área: Tocantins, Rio Grande do Norte, Alagoas, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Paraná e Mato Grosso.

Fonte: Agência Estado

Crítica a reforma em reduto gay cria ‘mal-estar’ na Câmara de Piracicaba (SP) 1

Laércio Trevisan negou ter sido homofóbico(Foto: Fabrice Desmonts/Câmara de Piracicaba)

Laércio Trevisan negou ter sido homofóbico
(Foto: Fabrice Desmonts/Câmara de Piracicaba)

O chefe de gabinete da vereadora travesti Madalena (PSDB), cujo nome de batismo é Luiz Antônio Leite, criticou os vereadores Laércio Trevisan (PR) e Luiz Arruda (PV) durante coletiva de imprensa na Câmara de Piracicaba (SP) nesta segunda-feira (11/3).

Felipe Bicudo, representando a parlamentar, que está afastada por motivo de saúde, atacou a postura dos políticos contra um requerimento feito por Madalena para a revitalização da Avenida Renato Wagner.

O requerimento protocolado na Câmara por Madalena pede a construção de uma área de lazer, iluminação e a estruturação da avenida que é frequentada, geralmente, por casais gays. O trecho, às margens do Rio Piracicaba, é conhecida entre os gays como “matinha”. Trevisan e Arruda argumentaram que há prostituição e uso de drogas, além de infestação de carrapatos estrela (que transmitem a febre maculosa) no local.

De acordo com nota da assessoria de imprensa da Câmara, um dos convidados do gabinete para a coletiva disse que os parlamentares fizeram discursos “homofóbicos” e “transfóbicos” contra Madalena. Os acusados negaram as críticas e pediram providências à mesa diretora do Legislativo.

Com Madalena afastada, assessor chamoucoletiva (Foto: Thomaz Fernandes/Arquivo G1)

Com Madalena afastada, assessor chamou
coletiva (Foto: Thomaz Fernandes/Arquivo G1)

 

Trevisan, em nota, disse que a proposta de Madalena visa “dar condições ‘mascaradas’ para a prostituição”. Já Arruda disse, em plenário, que não apoiaria a “baderna” e atitudes contra o “pudor social”.

Críticas

De acordo com a assessoria da Câmara, que participou da coletiva, integrantes de Organizações Não-Governamentais (ONGs) que realizam ações na avenida falaram durante a entrevista.

Bruno Campos, presidente do E-Jovem, foi o convidado que chamou as declarações dos vereadores de “homofóbicas” e “transfóbicas” . O chefe de gabinete de Madalena, Felipe Bicudo, defendeu que o requerimento não foi feito para estimular a prostituição, mas para revitalizar a área. Ele chamou o local de ponto de encontro para os gays que temem ser discriminados em outros locais da cidade.

Reação

Trevisan, durante a sessão realizada na noite desta segunda, não só negou que sua fala tenha sido homofóbica como questionou o fato de o assessor convocar uma coletiva e usar o espaço da Câmara para realizá-la sem a presença da própria vereadora. O presidente do Legislativo, João Manoel dos Santos (PTB), disse que apuraria a situação. Arruda também afirmou que sua declaração não foi preconceituosa.

Afastamento

Madalena pegou 20 dias de afastamento da Câmara nesta segunda-feira para iniciar o tratamento de quimioterapia contra um câncer de próstata. Ela está internada na Santa Casa de Piracicaba.

Fonte: G1

Casal de mulheres de Santa Bárbara D’Oeste (SP) cita inveja e preconceito em ameaça: ‘Incomoda’ 1

Boletim de ocorrência reproduz ameaça enviada acasal lésbico de Santa Bábara (Foto: Reprodução)

Boletim de ocorrência reproduz ameaça enviada a
casal de mulheres de Santa Bábara (Foto: Reprodução)

O casal de mulheres de Santa Bárbara D’Oeste (SP) que recebeu uma carta com ameaças e um símbolo nazista atribuiu o envio da mensagem não apenas à homofobia, mas também à inveja. “Incomoda ver duas mulheres vivendo juntas, independentes e felizes”, disse uma das parceiras, de 33 anos. O caso será investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

A duas mulheres, de 25 e 33 anos, receberam a carta com conteúdo homofóbico e ameaças no sábado (9/3). A mensagem, de autoria de um grupo que se autodenomina Movimento Homofobia Já (MHJ), foi digitada e traz ainda a imagem de uma suástica, símbolo do nazismo. “Queremos vocês fora daqui. Vão ser felizes no inferno. Gays e negros são lixo. Coisas vão acontecer”, relata o documento.

Conforme o boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil, o casal vive há dois anos no bairro Mollon 4. Na carta, o grupo diz que as mulheres são vigiadas 24 horas por dia e reclama ainda de músicas em volume alto, gritarias e beijos entre pessoas do mesmo sexo no local. O G1 teve acesso ao boletim nesta segunda-feira (11/3).

O bilhete também traz insinuações relacionadas à filha de uma das vítimas, de nove anos de idade. “A polícia e o Conselho Tutelar vão adorar saber que existe uma criança que vive no meio de orgia e drogas”, escreveu o grupo na carta, entregue no final da tarde de sábado na casa das vítimas.

Uma das mulheres procurou a Polícia Civil horas depois para registrar ocorrência. Ela informou desconhecer quem possa ter enviado a mensagem. À polícia, a mulher também negou as acusações contidas na carta. O caso será investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher de Santa Bábara.

Confira trechos da carta, conforme o registro policial:

“Primeiro aviso: nossa comunidade não admite mais estas atitudes imorais em nosso bairro. O Mollon, que sempre foi um bairro de família respeitado com seus idosos e crianças, hoje está habitado ou empesteado por gays, lésbicas, sapatões, seja lá que merda for.”

“Já conseguimos ficar livres de duas casas assim, temos nossos métodos. Vocês estão sendo vigiadas 24 horas pela vizinhança. Conhecemos todos que frequentam esta pocilga. Os vizinhos não aguentam mais som alto com músicas de baixo calão, brigas e gritarias até altas horas. Se isso não bastasse, temos fotos e filmes de lésbicas se beijando em frente da casa.”

“Como já disse, temos crianças e pessoas de família que não são obrigadas a conviver com isso. Se esta é a vida que escolheram viver, vão ter que sofrer as consequências da repugnação das pessoas de bem. Queremos vocês fora daqui. Vão ser felizes no inferno.”

“Em sua casa nada vai acontecer, mas quando saírem na rua prestem atenção. A polícia e o Conselho Tutelar vão adorar saber que existe uma criança que vive no meio da orgia e drogas. Como eu disse, temos fotos de tudo isso, não somos amadores. Sempre tem um primeiro aviso, depois ação. Gays e negros são lixo. Coisas vão acontecer.”

Vigiadas

“O que mais nos preocupou é que escreveram que estamos sendo vigiadas 24 horas por dia. Não vamos mudar nossa rotina de vida, mas é claro que a partir de agora vamos prestar mais atenção nas coisas, principalmente na rua”, afirmou a mulher de 33 anos. Ela ainda disse que “Não devemos nada a ninguém. Somos homossexuais e temos a nossa vida. Lutamos e trabalhamos bastante para chegar onde estamos hoje”, disse.

Sobre drogas e brigas, ela disse: “Isso não é verdade. Trabalhamos das 6h às 18h. Não fazemos festa aqui. Quanto às drogas, nem cigarro a gente fuma”, afirmou a mulher, que vive com a companheira há quatro anos.