Pesquisa americana aponta que 1 entre 3 gays não se assume no local de trabalho por medo de discriminação Resposta

Uma porcentagem alarmante de pessoas homossexuais enfrentam preconceito no emprego e muitas vezes decide não revelar sua orientação sexual no local de trabalho, de acordo com uma perquisa realizada pelo Instituto Williams, nos Estados Unidos. 

De acordo com uma revisão de estudos recentes e antigos, O instituto anunciou ontem (25/07), que 38% das lésbicas, funcionários gays e bissexuais assumidos, relataram que já foram assediados no trabalho por causa de sua orientação sexual. Mais de um terço dos entrevistados disseram que não eram assumidos para niinguém no ambiente de trabalho.

Pesquisas voltadas especificamente para trabalhadores transgêneros nos últimos anos descobriram a discriminação no emprego ainda maior: um estudo de 2011, por exemplo, descobriu que 78% dos funcionários trans relataram pelo menos uma forma de assédio no trabalho, com cerca de metade já ter passado por discriminação na contratação, promoção e retenção. 

Entre os entrevistados, 42% haviam sofreram algum tipo de discriminação no emprego em algum momento de suas vidas, e 27% apenas durante o período de cinco anos anteriores à pesquisa. 

De acordo com um dos autores do estudo, Christy Mallory, ¨estes novos dados mostram que ainda é arriscado assumir a homossexualidade no local de trabalho. Portanto, não é surpreendente que os dados também mostram que um terço dos empregados gays não são para qualquer pessoa no local de trabalho.¨ 

Por causa do medo de serem discriminados, muitos funcionários LGBT escondem suas identidades, ganham menos e têm menos oportunidades de emprego do que os heterossexuais.

Primeira escola de samba gay de SP luta contra o preconceito Resposta

Luana Campos: rainha de bateria (Foto: Bruno Martins)
“Uma escola de diversidade, feita para todos, desde que não tenham nenhum tipo de preconceito”. Assim o Grêmio Recreativo Cultural e Escola de Samba Arco-Íris é definido por Eduardo Corrêa, de 28 anos, presidente da agremiação. Fundada em 25 de janeiro de 2008, essa é a primeira escola de samba gay da cidade de São Paulo.

Instalada na Rua Marquês de Itu, no Largo do Arouche, a agremiação tem como principal objetivo a luta contra o preconceito em relação aos homossexuais e, apesar de ser gay, não é composta somente por integrantes cujas opções sexuais são por pessoas do mesmo gênero. “Na verdade, a escola é contra o preconceito em geral, como étnico, de classe social, orientação, etc”, disse Luana Santos, 24 anos, rainha da escola e do Carnaval de São Paulo.
A Arco-Íris, que está em seu terceiro ano de vida, nasceu da junção de alguns amigos “todos gays, lésbicas, bissexuais e transexuais”, contou Corrêa. Hoje, são mais de 12 mil inscritos no mailing, interessados em participar da escola e desfilar por ela.
Por enquanto, a escola ainda é um bloco. Fará seu terceiro Carnaval de rua dia 27 de fevereiro, tendo como concentração o Largo do Arouche, mas os planos para o futuro são ambiciosos. “Estamos seguindo o que a tradição manda. Todas as escolas que estão hoje no grupo de acesso passaram por esse mesmo processo no passado. Se tudo correr bem, dentro de uns cinco anos completamos todas as etapas do grupo. Temos que ir lá disputar e ganhar o Carnaval”, afirmou o presidente.
Quanto às fantasias e alegorias, por enquanto a Arco-Íris não tem nada disso. “O Carnaval de rua é sem compromisso. Sem aquele compromisso do integrante da escola ser julgado, sem o compromisso de ser avaliado. É isso que forma a escola de samba. Tem que começar fazendo o Carnaval de rua para que a comunidade cresça com sustentabilidade. Então, não tem fantasia, é todo mundo livre, todos podem participar”, disse Eduardo Corrêa.
Mas, para aqueles que têm interesse em participar da escola, só que sem a necessidade de se comprometer com algum departamento da agremiação, existe a Torcida Frenética do Arco-Íris. “É para o integrante que torce pelo crescimento da escola. É ele que vai para a arquibancada torcer com a gente, levantar a nossa bandeira. Esse é o objetivo da torcida organizada. Visitar as escolas de samba para passear, visitar as escolas do Rio de Janeiro. Esse é o espírito da torcida organizada”, afirmou Corrêa.
“A comunidade é muito grande e precisa desse espaço. O Carnaval é feito pela comunidade gay. Em todos os barracões que você for, você vai ver carnavalesco gay, aderecista gay, diretores gays. Dentro dessa comunidade ainda existe preconceito e aqui não. Aqui a gente vem do jeito que quer, do jeito que gosta, é bem-vindo e sai feliz”, disse Ioiô Vieira de Carvalho (30), passista de ouro e uma das co-fundadoras do Grêmio.
Rio de Janeiro

Não é só em São Paulo que o público GLBT tem uma escola para chamar de sua. Fundada em 7 de julho de 2007, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Arco-Íris de Amor nasceu como um tributo. “A minha intenção foi prestar uma homenagem aos verdadeiros artistas do Carnaval que são os carnavalescos, o pessoal do barracão que faz realmente a festa. Não só com a arte, mas com a alegria”, explicou Rhichahs, 50 anos, presidente e fundador da agremiação.
Com três anos de vida, a Arco-Íris de Amor ainda não desfila. De acordo com o presidente, a escola ainda está se estruturando para, no Carnaval de 2012, entrar na avenida bem preparada. “Enquanto eu não puder colocar um carnaval a altura, a gente não vai desfilar. Não criei uma escola para fazer homenagem e colocar qualquer coisa na rua. Afinal de contas, o povo não é qualquer coisa e não merece qualquer coisa.”
*Com informações do site Terra.

Tema da 15ª Parada LGBT de São Paulo questiona o conservadorismo religioso Resposta

Parada Gay de São Paulo (Foto: Reprodução)
“Amai-vos uns aos outros: basta de homofobia!” propõe uma reflexão acerca da constante oposição da Igreja nos avanços dos direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. 

A 15ª edição do Mês do Orgulho LGBT de São Paulo tem seu tema definido: “Amai-vos uns aos outros: basta de homofobia! – 10 anos da Lei Estadual 10.948/01”. O objetivo dos organizadores é questionar a moral religiosa conservadora, que vem se reafirmando como uma das principais oposições ao avanço da cidadania e dos direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) no Brasil e no mundo. O lema também aponta para a lei paulista anti-homofobia, que completa 10 anos, e destaca a necessidade de ampliação da conquista para o nível federal. Neste ano, a Parada do Orgulho LGBT ocorre em 26 de junho, tradicionalmente na Avenida Paulista e Rua da Consolação.
“A ideia é tocar no ponto das Igrejas de uma forma abrangente, universal. Ao dizermos ‘amai-vos uns aos outros’ estamos protestando pela igualdade social entre todos os homens, com um apelo fraterno. Soma-se a isso a valorização e a prática dos direitos humanos”, explica Ideraldo Beltrame, presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT), entidade responsável pela organização da atividade.
Esta é a sexta vez consecutiva que o tema do Mês do Orgulho LGBT de São Paulo aborda o problema da homofobia. Desde que o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/2006 foi apresentado pela então deputada federal Iara Bernardi (PT-SP), o movimento LGBT tem tratado a criminalização da homofobia no âmbito nacional como sua principal reivindicação.
10 anos da lei paulista anti-homofobia
O tema do 15º Mês do Orgulho LGBT de São Paulo também faz referência aos 10 anos da Lei Estadual 10.948/01 – de autoria do ex-deputado Renato Simões (PT) e sancionada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) – que penaliza indivíduos, organizações e empresas públicas ou privadas que praticam a discriminação contra LGBT. A lei proíbe atos de violência, constrangimento e intimidação em razão da orientação sexual, incluindo a vedação de ingresso a locais abertos ao público, seleção e sobretaxa de atendimento em comércio e a inibição da livre expressão e manifestação de homoafetividade.
“Vamos destacar a importância da apropriação da lei por parte da população LGBT. O Legislativo paulista cumpriu a sua parte, mas depende da gente fazer valer nossos direitos”, diz Beltrame.
Para a escolha do tema, membros da APOGLBT se reuniram entre o período da manhã e tarde do último sábado (5), na sede da entidade. Durante o debate foram consideradas todas as demandas atuais discutidas pelas diversas instâncias da militância LGBT.
15º Mês do Orgulho LGBT de São Paulo
O Mês do Orgulho LGBT de São Paulo é o calendário anual de atividades sócio-politico-culturais promovido pela APOGLBT a fim de defender a cidadania e direitos humanos da população LGBT, assim como educar a sociedade para o fim da discriminação e preconceito. Nos últimos anos, os temas abordados foram “Vote contra a homofobia : defenda a cidadania!” (2010), “Sem homofobia, mais cidadania – Pela isonomia de direitos! (2009), “Homofobia mata! Por um Estado Laico de fato!” (2008), “Por um mundo sem machismo, racismo e homofobia”!” (2007) e “Homofobia é crime! Direitos sexuais são direitos humanos” (2006).
Além da 15ª Parada do Orgulho LGBT, em 2011 é realizada a 9ª edição do Ciclo de Debates, a 11ª Feira Cultural LGBT, o 11º Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade e o 11º Gay Day.
*Com informações da Associação da Parada do Orgulho Gay de São Paulo

EUA: Obama menciona gays e lésbicas durante discurso Resposta

O presidente Barack Obama fez uma referência a homossexuais durante o seu discurso de 25 de janeiro sobre o Estado da União.

“As nossas tropas vêm de todos os cantos deste país”, disse o presidente. “Eles são negros, brancos, hispânicos, asiáticos, nativos americanos. Eles são cristãos e hindus, judeus e muçulmanos. E, sim, sabemos que alguns deles são gays. A partir deste ano, nenhum americano será proibido de servir o país que ama por causa de quem ama. E com essa mudança, eu apelo a todas as nossas universidades a abrir as suas portas para os nossos recrutadores militares. É tempo de deixar para trás as batalhas divisivas do passado. É hora de andar para a frente como uma nação. “
O presidente da Human Rights Campaign Joe Solmonese disse: “O anúncio de hoje é uma boa notícia para todos os americanos prontos para fecharem o livro sobre a discriminação… Hoje foi o culminar de uma promessa mantida por este presidente.”
Solmonese acrescentou, no entanto, que Obama também precisa se comprometer a “acabar com a tributação injusta de benefícios de saúde de parceiros, proibir a discriminação no trabalho com base na orientação sexual e identidade de gênero, e a garantir que todos os casais tenham acesso aos mesmos benefícios e proteções federais para suas famílias. “
Diretor da GetEQUAL, Robin McGehee, expressou desapontamento com o discurso:
“Hoje, o presidente Barack Obama perdeu uma oportunidade de apresentar uma agenda e uma estratégia para um progresso continuado no sentido da igualdade LGBT – remover o fardo de sermos cidadãos de segunda classe e reconhecendo as nossas famílias”, disse ela. “Infelizmente a verdade é que o herói nacional Daniel Hernandez sentou-se com a Primeira Dama para testemunhar este discurso histórico, mas não teve o luxo de ficar sentado em pé de igualdade – e isto deveria envergonhar os nossos representantes eleitos. É hora para o presidente colocar o poder da Casa Branca a apoiar a aprovação da legislação que daria o direito a igualdade federal total para os LGBT norte-americanos. “
“Nós nos recusamos a aceitar as desculpas políticas que ‘agora não é o momento” para questões “difíceis” como a igualdade ou que estas questões são demasiado “complicadas” ou “polêmicas” para assumir neste momento”, disse McGehee. “A igualdade nunca é conveniente. A justiça nunca é fácil. Cada dia que esperamos até que a discriminação seja ‘mais fácil’ de combater, outra pessoa LGBT morre devido à desigualdade. Cada dia que esperamos, um outro casal é separado na fronteira pelas políticas de imigração americanas. Cada dia que esperamos, outro dos nossos vizinhos transexuais é deixado sem um ordenado no âmbito das políticas de emprego discriminatório. “
A Diretora Executiva da National Gay and Lesbian Task Force, Rea Carey disse que “se o presidente está verdadeiramente empenhado sobre a criação de empregos e impulsionar a América do bem-estar econômico, ele tem de disponibilizar liderança e ação para ajudar a aprovar as proteções de emprego para lésbicas, gays, bissexuais e pessoas transgêneras e acabar com a injusta proibição federal do casamento.”
“A verdade é que o estado da União para os LGBT continua a ser, em grande parte, de desigualdade, como a situação de poder ser demitido ou negado emprego em muitas partes do país por nenhuma razão que não o preconceito, e coloca a desigualdade do casamento das nossas famílias para um status de segunda classe “, disse ela.
O National Center for Transgender Equality emitiu um comunicado assinalando que a revogação em breve do Don’t Ask, Don’t Tell, a proibição de gays e lésbicas servirem abertamente nas forças militares “ainda não permite que as pessoas transexuais possam servir abertamente ou de entrar no Exército.”

São Paulo e Brasília vão comemorar Dia da Visibilidade Trans Resposta

Instituido em 2004 pelo Ministério da Saúde, 29 de janeiro ficou marcado como o dia para ressaltar a importância da diversidade e do respeito a travestis, transexuais e transgêneros. Em São Paulo e Brasília haverão debates, mostra artística e seminário. Confira a programação a seguir.

São Paulo:
– 27/01, 16h – Vídeo-debate sobre transexualidade (CRD)
– 28/01, 16h – Lançamento do livro “Diversidade Revelada” e exposições de fotos de travestis e transexuais da cidade de São Paulo (CRD)
– 29/01/2010, 19h – Exposição de Artes Multimídias Sobre Travestis e Transexuais no Brasil. Show Performático com a Marcela Volpe homenageando o ícone Dalida(*Casarão Brasil)
– 01/02/2010, 19h. – Exibição do filme “O T da questão” (CRD)
– 02/02/2010, 19h. Terças Trans Especial – Os caminhos da Cidadania de Travestis e Transexuais de SP – Resolução 208/2009 Cremesp / Decreto n.º 51.180 (CRD)
– 03/02/2010, 19h. – Roda de conversa. Tema: Homens Trans Exibição Filme Surpresa (Casarão Brasil)
– 04/02/2010, 19h. – Peça Teatral “Um Dia, Um Cisne” (Casarão Brasil)
– 05/02/2010, 19h. – Encerramento com a exibição do filme “Meu amigo Cláudia” (CRD)
Serviço:
CRD – Centro de Referência da Diversidade
Endereço: Rua Major Sertório, 292,294 – República. 
Telefone: (11) 3151-5786
Casarão Brasil
Rua Frei Caneca, 1057
Tel.: (11) 3171.3739
E-mail: contato@casaraobrasil.com.br
Brasília:
A capital do país vai receber no próximo dia 28 o 3º Seminário da Visibilidade de Travestis e Transexuais do Distrito Federal. Começa às 19h, no auditório da Central Única dos Trabalhadores do Distrito Federal (CUT-DF). O evento faz parte das comemorações do Dia de Visibilidade das Pessoas Trans, 29 de janeiro, e vai girar em torno da realidade dessa população em Brasília e seu entorno.
O foco do debate será o fim da transexualidade como doença e a transfobia que essas pessoas enfrentam na região. A CUT fica na SDS Edifício Venâncio V subsolo – lojas 4,14 e 20. Mais informações pelos telefones (61) 8424-3878 e 8487-1315.
*Com informações da Agência de Notícias da AIDS

Número de assassinatos de homossexuais bate recorde no país Resposta

O número de homossexuais assassinados no Brasil superou 250 casos em 2010, um recorde histórico, conforme o Grupo Gay da Bahia (GGB). O dado faz parte do relatório anual – ainda em fase de conclusão – elaborado pela entidade e que será apresentado oficialmente em março.
Em entrevista a Terra Magazine, o fundador do GGB e decano do movimento homossexual brasileiro, Luiz Mott, destaca que foi a primeira vez que a quantidade de homicídios ultrapassa a casa das 200 notificações. Em 2009, foram 198, cerca de 50 a menos do que registrado no ano passado.
– Na década anterior, matava-se, em média, um homossexual a cada três dias. Nos últimos anos, essa média passou para um assassinato a cada um dia e meio. Há uma escalada que reflete a violência crescente no Brasil, sobretudo, no que se refere aos crimes letais. Em geral, a impunidade é grande, mas é maior quando a vítima é homossexual, já que as pessoas não querem se envolver, testemunhar. Ainda há muito tabu, muito preconceito – detalha o ativista.
Para Mott, o País convive com uma contradição na medida em que apresenta “mais de 150 paradas gays, abriga a maior associação de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (lgbt) da América Latina”, mas, ao mesmo tempo, é líder mundial de mortes contra essa população. Segundo ele, “a homofobia cultural é forte no Brasil”.
– Na prática, a população continua com o mesmo alto índice de intolerância que se reflete não só nos homicídios, mas no bullying ocorrido nas escolas, por exemplo. Existe toda uma homofobia cultural e institucional que ainda se mantém e que tem, nas igrejas evangélicas e católicas, os grandes centros de fabricação dessas munições ideológicas.
Na avaliação do fundador do GGB, a situação dos LGBTs piorou ao longo dos oito anos de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
– Foram anos marcados por muitas declarações e ações afirmativas através do Programa Brasil sem Homofobia, da Conferência Nacional LGBT, da criação do Conselho Nacional LGBT. Porém, poucas propostas saíram do papel. As conquistas importantes, como nome social para travesti, são resultado de uma ou duas décadas de militância do movimento. Em termos concretos, a situação dos gays piorou, apesar da festa. Nunca tanto sangue homossexual foi derramado quanto no governo Lula. A contaminação por HIV aumentou também. Uma situação calamitosa. Apesar de toda boa vontade, declarações e programas, propostas e ações afirmativas, a esperança de vida dos homossexuais diminui.
Mott critica o que chamou de “falta de vontade política”:
– Há mais de uma dezena de leis no Congresso Nacional, orientadas para a cidadania homossexual. Para aprovar essas leis, é necessário vontade política e pressão do poder Executivo junto ao Legislativo. A bancada evangélica e a Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) são extremamente homofóbicas e impedem a aprovação dessas propostas. Lula, infelizmente, não teve coragem e ousadia para pressionar sua base aliada, fazendo com que essas leis fossem aprovadas.
Subnotificação
Luiz Mott enfatiza que os números compilados pelo GGB, baseados em notícias veiculadas na imprensa nacional, não traduzem o real quadro da violência contra homossexuais no Brasil. Para ele, os LGBT são as principais vítimas do ódio cultural, pois “não recebem apoio nem mesmo dentro de casa”.
– No Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH 2), aprovado durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), havia 11 medidas afirmativas que, infelizmente, o governo Lula não cumpriu. A primeira era documentação, a implementação de coleta sistemática de dados sobre violência, assassinatos de homossexuais. Não havendo no Brasil estatísticas oficiais de crime de ódio, que deveriam ser realizadas pelo Ministério da Justiça, Secretaria de Direitos Humanos nacional e dos estados, unicamente o GGB, com toda limitação de recursos é quem tem feito esse trabalho heroico. Com certeza, esse número é muito maior.
Mesmo com a subnotificação, o Brasil supera países como México, que é o segundo lugar no ranking de assassinatos de homossexuais (média de 35 casos/ano) e Estados Unidos, terceiro da lista (cerca de 25 notificações anuais), conforme Mott.
– Juntando todos os países onde há pena de morte para os homossexuais, as execuções não chegam a 20 por ano. O Brasil tem uma pena de morte diluída e, na prática, muito mais severa do que as praticadas nos países mais homofóbicos do mundo.
Denúncia
Mott adianta que o GGB estuda a possibilidade de denunciar o país em função do alto índice de homicídios de LGBT (em 2010, 65% das mortes foram de gays; 32%, de travestis e 3%, de lésbicas).
– No nosso entender, houve prevaricação por parte da Presidência da República por não ter efetivado as 11 medidas propostas pelo PNDH 2. O governo, apesar da boa vontade, não enfrentou o principal, que é a garantia de vida para os homossexuais. Havia previsão de medidas práticas que, se aplicadas, com certeza, teríamos um número mais preciso desses homicídios. Havia propostas para enfrentar a homofobia e os crimes letais.
*Com informações do Terra Magazine

Com a ajuda dos EUA, voto anti-LGBT é revertido na ONU Resposta

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) reverteu a sua recente votação que havia retirado uma referência à orientação sexual da resolução contra as execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias.

A resolução insta os Estados membros a protegerem o direito à vida de todas as pessoas e apela aos governos para investigar homicídios com base em motivos discriminatórios. Nos últimos 10 aos, o documento inclui orientação sexual numa lista de motivos discriminatórios que servem de base a muitos assassinatos.

Em novembro, uma comissão da Assembleia Geral composta por todos os países membros da ONU removeu a referência LGBT numa votação de 79 votos a favor da remocão, 10 contra, 17 abstenções e 26 ausências. Isso levou a uma intensa campanha, liderada pelos Estados Unidos da América (EUA), para reinserir a referência.

A votação pela reinserção ocorreu no último dia 21/12. Foram 93 votos a favor, 55 contra, 27 abstenções e 17 ausências. Em seguida, a votação para aprovar a resolução completa com a referência a lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT) de volta no seu lugar foi de 122 votos a favor, 1 contra e 62 abstenções.

A maioria de oposição ao reconhecimento de assassinatos contra gays vieram de países árabes, islâmicos e africanos, cujos representantes se queixaram de que eles não sabem o que é orientação sexual. É bom lembrar que a palavra “homossexualdiade” nem existe em língua árabe. Eles também alegaram que o comportamento sexual é uma forma inadequada de reconhecimento oficial ou proteção dos direitos humanos.

Notavelmente, a África do Sul e Ruanda inverteram os seus votos anteriores contra a inclusão de LGBT.

O secretariado de imprensa do presidente Barack Obama divulgou um comunicado que dizia: “O presidente Obama aplaude os países que apoiaram a emenda apresentada pelos EUA para assegurar que a orientação sexual permaneça coberta pela resolução das Nações Unidas sobre execuções extrajudiciais, sumárias e execução arbitrária. Matar pessoas por causa de sua orientação sexual não pode ser racionalizado por diversos valores religiosas ou diferentes perspectivas regionais. Matar pessoas porque são gays não é culturalmente defensável, é criminoso. Apesar da aprovação desta resolução ser importante, também são os debates que já começaram em diversas capitais de todo o mundo sobre igualdade, inclusão e discriminação. Proteger gays e lésbicas de discriminação patrocinada pelo Estado não é um direito especial, é um direito humano. A votação de hoje na ONU constitui um momento importante na luta pelos direitos civis humanos. Chegou a hora de todas as nações redobrarem os nossos esforços para acabar com a discriminação e a violência contra lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros”.

A Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexos (LGBTI) disse: “Queremos celebrar a vitória sobre as forças que tentaram empurrar a referência à orientação sexual para o esquecimento há um mês atrás e ainda se recusam, na teoria e na prática, a reconhecer que os direitos humanos são realmente para todos, incluindo as pessias LGBTI, e – o que talvez seja pior – grotescamente mascarar a sua homofobia e transfobia, referindo-se à universalidade da Declaração dos Direitos Humanos.