Beijaço contra homofobia em texto católico reúne 300 manifestantes na Universidade Estadual de Londrina Resposta

Beijaço contra homofobia do padre Antônio Caliciotti
Padre Antônio pregando em Londrina

Estudantes da UEL (Universidade Estadual de Londrina) fizeram no início da tarde desta quarta (28/09), entre 13h e 14h, no RU (Restaurante Universitário), um protesto contra a homofobia, que reuniu cerca de 300 pessoas. Na manifestação, um grupo de 20 casais promoveu um bejaço contra artigo publicado em boletim da Igreja Católica, que considera homossexualidade uma doença.

A manifestação foi organizada pelo Movimento Contra a Homofobia na UEL, que reúne centros acadêmicos de várias faculdades da Universidade. O movimento surgiu depois que o  “Boletim Universitário” jornal editado pela Igreja Católica em Londrina (380 km ao norte de Curitiba) e distribuído para os estudantes da UEL, publicou artigo considerado homofóbico pelos estudantes.

O artigo foi publicado na sétima edição do  “Boletim  Universitário”  e tratava de vocação matrimonial. Nele, a homossexualidade foi considerada uma doença, e a união de pessoas do mesmo sexo “um fato contra a natureza”.

Jonas de Campos, 23, estudante de Ciências Sociais e um dos organizadores do protesto, disse que o movimento vai além do “beijaço”.  “Vamos organizar um  novo protesto no centro de Londrina, para levar nossa indignação com a posição da Igreja para o público externo à universidade” . Segundo Campos, não está descartada a possibilidade de acionar o Ministério Público contra os responsáveis pelo boletim.

O padre Antônio Caliciotti, que assumiu a autoria do artigo disse – em entrevista ao repórter Murilo Pajolla, da Rádio UEL FM (mantida pela Universidade Estadual de Londrina – não entender o motivo da revolta dos estudantes.

“Não sou homofóbico, respeito toda pessoa humana. Eu escrevi apenas que a homossexualidade é um desvio, uma anormalidade da natureza. Não quero dizer que um indivíduo seja diferente dos outros. É como se fosse uma doença”, afirmou.

Segundo o padre, não existe preconceito no artigo, mas a constatação de que a homossexualidade é uma  “doença” que pode acontecer com qualquer um.

A seguir, trecho do texto, no artigo do Boletim Universitário, que gerou polêmica.: “Essas uniões homossexuais de fato, são contra a natureza. A atração que certos indivíduos sentem para com as pessoas do mesmo sexo é uma anormalidade; é como se fosse uma doença. Essas pessoas afetadas por esse desvio não são culpadas, por isso não merecem ser desprezadas, rejeitadas ou condenadas. Seria uma falta de respeito à dignidade humana delas. Pelo contrário, merecem máxima compreensão”.  


Universitário é expulso por cometer crime homofóbico em Porto Alegre Resposta

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) expulsou um aluno por comportamento homofóbico. O caso – mais um envolvendo universitários brasileiros – foi noticiado no blog, ano passado.
O ex-aluno havia mandado um email com conteudo homofeobico para uma lista de alunos da instituição, após uma chapa com dois integrantes homossexuais vencer a eleição para o Centro Acadêmico, em novembro do ano passado. Os emails sugeriam que os futuros médicos não atendam pacientes gays ou o façam de forma incorreta.
“Caros e futuros colegas, e se, somente se, a solução fosse cada um de nós, sensatos, tomarmos alguma atitude, qualquer atitude, no momento em que essa escória nos procurar para curar suas doenças venéreas e qualquer demais praga que se alastre por seus corpos nojentos? Assim como eles, está na hora de unirmos forças e veladamente fazer o que nos couber, para dar fim, pouco a pouco nesta peste! No momento da consulta de uma bicha, ou recuse-se (pelos meios cabíveis em lei) ou trate-os erroneamente!!”, afirmava o texto do ex-aluno, cujo nome não foi divulgado.
Outros estudantes enviaram cópias da mensagem para a reitoria e para a imprensa. “O caso parou na Polícia Federal (PF) e resultou em inquérito civil na Promotoria de Defesa dos Direitos Humanos. A faculdade abriu uma sindicância. Assim, o Conselho Universitário decidiu pela expulsão.

Alunos protestam contra ataque a lésbicas na UFRN Resposta

Protesto dos estudantes, foto Adriano Abreu
Alunos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) protestaram contra atos homofóbicos registrados na instituição de ensino. O protesto aconteceu nesta quinta-feira. No dia 21/02 duas alunas foram agredidas por um homem após se beijarem durante uma festa de calouros.
Cerca de 30 mulheres e alguns homens ocuparam o centro de convivência da UFRN portando cartazes e exigindo respeito. Uma bandeira com ar cores do arco-íris foi estendida sobre o chão.
O protesto foi organizado pelo Coletivo de Mulheres do DCE da UFRN e contou com a colaboração do Grupo Universitário em Defesa da Diversidade e Expressão das Sexualidades (GUDDES), do Grupo Afirmativo de Mulheres Independentes (Gami) e da Marcha Mundial das Mulheres.
Agressão

No dia 21/02, durante festa para recepcionar novos alunos da UFRN, duas mulheres foram atacadas por um rapaz, após se beijarem. A agressão homofóbica gerou comentários em redes sociais e chamou atenção para o debate acerca do preconceito sofrido por lésbicas dentro da universidade.
Após tomar conhecimento da situação a UFRN prestou solidariedade às vítimas e repudiou a violência. Na época, o reitor Ivonildo Rêgo afirmou que esse tipo de atitude é incompatível com o espírito universitário, de respeito às diferenças e à pluralidade e solicitou à Divisão de Sergurança que procedesse investigações para identificar o agressor.

Estudo sugere que homofobia envolve relação de medo e não de ódio Resposta

Um estudo realizado pela pesquisadora Cristina Lasaitis, do departamento de psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), apontou que a homofobia pode ser um comportamento defensivo.

O estudo analisou e comparou as emoções que o tema homossexualidade provoca em diferentes grupos de voluntários (homossexuais e bissexuais, heterossexuais sem preconceito e heterossexuais que se declararam preconceituosos). Trinta e nove voluntários participaram da pesquisa, sendo nove homens heterossexuais, nove homens gays ou bissexuais, 10 mulheres heterossexuais e 11 mulheres lésbicas ou bissexuais.

O experimento foi realizado individualmente, em uma sala onde cada voluntário assistia a uma apresentação de 40 imagens diferentes envolvendo casais heterossexuais e homossexuais e fotos sem cunho sexual.

Enquanto via as cenas, o voluntário relatava o que sentia através de uma escala que media os níveis de prazer, alerta e dominância. Durante a exibição eram tomadas medidas fisiológicas, como suor das mãos, temperatura e movimento dos músculos faciais.

Através de medições, a pesquisa apontou que os homens heterossexuais se sentiram incomodados ao verem especificamente imagens de casais gays. Em contrapartida, as mulheres heterossexuais mostraram desagrado moderado frente a imagens de casais homossexuais, independente se fossem lésbicas ou gays. Já os voluntários homossexuais e bissexuais apresentaram níveis de prazer altos e semelhantes para imagens dos três tipos de casais.

Os resultados sugerem que, diante de um grupo com orientação sexual diferente, as pessoas tendem a ficar mais acuadas ou receosas, indicando que esses sentimentos devem ter maior influência no preconceito do que o ódio propriamente dito.

Harvard: xixi em livros gays é acidente Resposta

A Universidade de Harvard, em Cambridge, Massachusetts, uma das mais tradicionais do mundo, decidiu não mais investigar o caso de 40 livros que foram estragados por urina em sua biblioteca como crime de ódio. A instituição classificou como incidente. Um funcionário teria esbarrado em uma garrafa que estava na prateleira, com urina e, sem querer atingido os livros.

A decana Evelynn M. Hammonds afirmou ao jornal universitário que o incidente não deve ser minimizado, mas a polícia de Harvard não classifica mais o ato como crime de ódio. Todos os livros serão repostos.

Marco Chan, co-presidente da Associação de Alunos Gays de Harvard e Aliados (HCQSA, sigla em inglês) diz que ainda há perguntas a serem respondidas: “Por que uma garrafa de urina estava na prateleira (da biblioteca)? Por que levou duas semanas para a polícia de Harvard concluir que foi apenas um acidente? Quem assumiu a culpa?” Perguntas que o blog também gostariam que fossem melhores esclarecidas.

Tolerância na USP Resposta

A pró-reitoria da USP aprovou um programa para combater a intolerância e a homofobia. A ideia, segundo Maria Arminda Arruda, pró-reitora de Cultura e Extensão, é promover ações educativas, debates, palestras e conferências na universidade para uma “ampla discussão” sobre diversidade sexual, racial e religiosa.

Há cerca de um mês, um estudante do Instituto de Biociências da USP, que é homossexual, foi agredido numa festa da ECA (Escola de Comunicações e Artes), da mesma universidade.

Repúdio

O programa também será “exportado” para escolas públicas e instituições que queiram debater o tema. O conselho de cultura e extensão aprovou ainda uma moção de repúdios a manifestações de homofobia como as da avenida Paulista e as que ocorreram na festa da ECA.

*Nota publicada no jornal Folha de S.Paulo, caderno Ilustrada – coluna de Mônica Bergamo, 13/12/2010