Por uma geração de comédia que não apele ao racismo, ao sexismo, à homofobia… Resposta

POR NELSON DE SÁ

Anos atrás, quando vi Rafinha Bastos e Danilo Gentili pela primeira vez juntos no palco, achei o primeiro conservador e o segundo liberal. Estava errado. Politicamente, Rafinha se mostrou liberal, no sentido americano da palavra, amigo de Thaíde; e Danilo virou um conservador, até reacionário, seguidor de Olavo de Carvalho.

Mas rótulos políticos, no caso, não importam. Desde o princípio, eram ambos _e quase toda aquela geração de stand-up, Diogo Portugal inclusive_ semelhantes nos alvos que escolhiam. Se de um lado Danilo vive hoje de rompantes de racismo e mira sempre os mais fracos, de outro a piada clássica de Rafinha explorava a suposta feiúra das mulheres de Rondônia.

No concurso de comédia stand-up realizado na semana passada, a minha esperança desde o início do projeto era que surgisse uma nova geração, mais para Fábio Porchat, que sempre que pode ataca os preconceitos, do que para Danilo e Rafinha _em que pese ainda admirar neles a comicidade inata, o tempo perfeito etc.

Apareceu de tudo no concurso, inclusive publicitário que, tomando a geração anterior por modelo, transpirava comédia mas já dando sinais de bullying racial, sexual, social. Não é o caso dos dois finalistas, Celo Bechert e Márcio Pial. Eles têm comicidade inata etc. mas os seus textos não confundem piada com agressão nem atiram nos fracos para fazer rir os fortes.

É difícil imaginar hoje, mas em sua primeira “rotina” Danilo Gentili era como Celo Bechert. Fazia piadas obsessivamente sobre a mãe, mas na verdade sobre si mesmo: era capaz de rir de si mesmo. Sobre Celo, agora, é preciso torcer para que mantenha a capacidade de se ridicularizar, nas “rotinas” mais complexas que vêm por aí.

Márcio Pial já é mais desenvolvido e complexo. Durante as suas apresentações no concurso, a primeira de uns dez minutos e a final quase de improviso, de uns três, foi possível vislumbrar alguma coisa das grandes referências americanas das últimas décadas, George Carlin e Louis C.K. O raciocínio engenhoso, o fundo moral, o humor inesperado, que surpreende.

Assista aos vídeos de Celo Bechert e Márcio Pial ou à íntegra de 2h16min

Contra a desculpa recorrente _e aí sim política_ para o humor racista, sexista e homofóbico, odramaturgo Tony Kushner já vacinou quase duas décadas atrás:

A direita tentou transformar [a expressão politicamente correto] num rótulo. A verdadeira ameaça à liberdade de expressão vem, não da esquerda, mas da direita. Basta olhar a direita religiosa. Eles querem controlar aquilo em que você acredita, o que você pensa.

Fonte: Blog de Teatro

Ativismo gay tem interesses financeiros, diz Silas Malafaia 1

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O pastor homofóbico Silas Malafaia concedeu uma entrevista ao jornal “O Povo”, de Fortaleza (CE), onde esteve na semana passada durante a Escola de Líderes Associação Vitória em Cristo (Eslavec) que aconteceu entre os dias 5 e 9 de novembro.

Entre os assuntos abordados na reportagem, o líder religioso falou sobre a polêmica que envolve seu nome e movimentos homossexuais que o acusam de homofobia.

Malafaia rejeita o título e diz que não pode ser considerado homofóbico, pois a “homofobia é uma doença classificada na psiquiatria em que objetivo é matar, destruir, o homossexual” coisas que ele não deseja.

O motivo da discussão entre o pastor evangélico e os ativistas seriam motivos financeiros. “Aqui tem um interesse de grana, mamam grana dos governos federal, estaduais e municipais, de empresas estatais”, disse ele separando os homossexuais dos ativistas que fazem “sindicalismo gay”.

“A gente discute tanto liberdade de expressão e como é que podem rotular uma pessoa de homofóbica, na maior cara de pau, porque eu expresso uma opinião contra uma prática?”, questiona.

O pastor presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC) volta a reafirmar que o homossexualismo não é condição, mas um comportamento. “Não existe uma prova de que alguém nasça homossexual”, afirmou.

Na entrevista o pastor também falou sobre política, dizendo que se manifesta não por ser evangélico, mas por ser cidadão. Também disse que seu chamado é influenciar as pessoas e não se candidatar a um cargo político.

“Não fui chamado para ser deputado, acho isso um absurdo, sou um pastor. Agora, como pastor sou cidadão”, disse.

Curitiba: Clientes acusam cervejaria Devassa de homofobia Resposta

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Três mulheres denunciam que bebiam no Bar Devassa na Praça da Espanha neste Domingo em Curitiba quando foram discriminadas e uma delas teria sido agredida por um garçom do local. Em mensagem no Facebook, Claudia Arzua conta que estava com duas amigas no bar quando o funcionário do local passou com um saco de lixo perto de sua amiga que reclamou por ter pingado o conteúdo do saco nela. O homem então respondeu grosseiramente, jogando o saco próximo à mesa das mulheres e pronunciando palavrões, segundo a versão das moças. Antes, ao perguntarem sobre um sabor de pastel, o mesmo garçom, que estava fazendo bico naquela noite, mandou elas grosseiramente lerem o cardápio se quisessem saber sobre as porções servidas. As garotas teriam ido ao mesmo local no dia anterior e foram bem antendidas.

Ainda segundo o relato: O gerente do local então retirou o garçom para outra área. O tal homem passou a encarar as mulheres. Adriana Crisóstomo foi surpreendida ao ser agredida com um chute quando entrou no local para pagar a conta. O mesmo gerente que antes prestou solidariedade então chamou as garotas de sapatão e deu a entender que elas não eram mais bem vindas, segundo a versão das clientes. As mulheres saíram do local com medo e afirmam que as pessoas da mesa ao lado se prontificaram a testemunhar o fato.

Elas registraram a ocorrência, puxam um boicote ao local pela internet e pretendem processar o estabelecimento. A Lado A conversou com Adriana e com o gerente da casa, que informou que a versão do gerente e dos funcionários apontam que a cliente agrediu o citado garçom, identificado como Márcio, que teria pedido desculpas quanto ao incidente do saco de lixo e foi agredido por duas vezes, primeiro do lado de fora do bar e no interior do mesmo, quando um segurança precisou intervir. A casa informa ainda que há um vídeo que está sendo analisado e que o conceito “Devassa” é inclusivo, sendo bem vindas todas as pessoas e reiterou que há funcionários homossexuais na casa que não tolera preconceito.

Abaixo veja o relato de umas das garotas no Facebook:

VAMOS COMEÇAR A DIVULGAR PARA QUE ESSE TIPO DE COISA NÃO ACONTEÇA MAIS! Hoje, estávamos em 3 amigas no BAR DEVASSA DO FAMOSO BATEL SOHO…. O Garçon já começou a ser grosso desde o início. Mas, tudo bem. De repente ele passa com um saco de lixo em cima da Adriana Crisóstomo, que na hora se levantou e disse: pô cara como vc passa com saco de lixo assim em cima de mim?” O garçon jogou o sao de lixo ao lado da nossa mesa e disse para ela: “Vc não sabe que saco de lixo é furado?”Bem grosseiramente… e começou a nos encarar, falar palavrões… Eu, falei para ele, meu vc é um grosso, saia daqui… e ele nos encarando.

Chamamos o Gerente, que prontamente nos defendeu, pediu desculpas e disse que não aconteceria mais e iria manter o Tal Garçon longe da nossa mesa. Não adiantou muito, ele continuou nos encarando. Enfim, pensamos, vamos embora, ficar num lugar para sermos tratadas assim, tenso demais. A Adriana Crisóstomo, foi pagar a conta dentro do bar. Chegando lá foi agredida com chutes pelo referido Garçon e o Gerente que foi tão simpático, disse, ai nem liga… É UM BANDO DE SAPATÃO… e ainda mandou ver se ela tinha pago a conta mesmo!!! TEMOS UMA AÇAO BOA AÍ NÉ.. BAR DEVASSA DO BATEL SOHO!!!!

Fonte: Lado A

Jean Wyllys pede que homofobia no futebol seja tratada igual a racismo Resposta

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A Fifa colocou o combate ao racismo como um de seus objetivos nas últimas temporadas, começando a punir atletas e clubes. O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), militante das causas LGBT e dos direitos humanos, pede que a entidade trate a homofobia no futebol da mesma forma.

“Em casos de racismo nos estádios, a Fifa determina que o árbitro paralise ou até suspenda a partida. Os clubes também ser punidos com a perda de pontos devido a ofensas raciais da torcida. Eu me pergunto: por que a Fifa não pode proceder da mesma maneira em relação a homofobia?”, questionou o deputado nesta sexta-feira, em São Paulo.

Jean Wyllys participou da nona edição do Fórum de Direito Desportivo promovido pelo Instituto Brasileiro de Direito Desportivo ao lado da Associação dos Advogados de São Paulo. Ele preparou um texto para o evento e traçou alguns paralelos entre racismo e homofobia.

“Nos tornamos muito sensíveis ao racismo e isso é bom. Quando as torcidas italianas jogaram bananas para o Balotelli, chamando-o de macaco, muitos de nós ficamos chocados. Mas quase todos acharam absolutamente natural que ele fosse chamado de veado em Salvador na Copa das Confederações”, comparou.

Sem pudores para chamar um jogador de homossexual, os torcedores não costumam entoar coros racistas, ainda que alguns o sejam, afirmou Jean Wyllys, usando a situação como argumento para acreditar que no futuro as piadas e brincadeiras homofóbicas podem ser banidas.

“Muitos torcedores pensam que os jogadores negros são macacos e não merecem ganhar os salários que ganham, mas quem hoje tem coragem de puxar o coro racista no estádio? É que hoje a prática do racismo é socialmente condenada. Então, somos capazes de condenar socialmente também a prática da homofobia”, disse.

Jean Wyllys lembrou sua primeira tentativa de se aproximar do futebol e diz ter sido afastado pela homofobia dos garotos que praticavam o esporte. Ele torce pela Seleção Brasileira nas Copas do Mundo, mas não gosta da modalidade, nem mesmo para admirar o físico dos atletas.

“Não sou aquele tipo de gay que assiste futebol só por causa dos jogadores, até porque vamos combinar que os jogadores brasileiros são muito feios. O único que eu salvaria é o Alexandre Pato. O Adriano está enorme agora, mas antes era bonito também. Fora isso, está ruim. Então, nem para ver os homens vale a pena”, declarou o deputado, sorrindo.

RJ: Atores e chefe da Polícia Civil participam de campanha pela criminalização da homofobia no Brasil Resposta

Depois de acompanhar o aumento das agressões e mortes de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros o ator e diretor Aloísio de Abreu resolveu iniciar uma campanha pela criminalização da homofobia. Ele reuniu personalidades como os atores Marcelo Serrado, Beth Goulart e Cissa Guimarães, a apresentadora Fernanda Lima, o diretor de Tv Ricardo Waddington e a chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Martha Rocha, em um vídeo com depoimentos e questionamentos sobre a falta de punição para este tipo de crime no Brasil.

A ideia do ator ganhou força depois da divulgação do último relatório da violência contra gays, lésbicas, transsexuais e travestis, divulgado pela Secretaria de Direitos Humanos de Presidência da República. De acordo com o levantamente, os crimes motivados por homofobia tiveram um aumento de 46% .

Aloísio de Abreu: luta contra a homofobia Foto: Guga Melgar / O Globo

Aloísio de Abreu: luta contra a homofobia Foto: Guga Melgar / O Globo

– Criei a campanha porque realmente me questionei e perguntei a algumas pessoas o porquê da homofobia não ser criminalizada e não ouvi resposta. Juntei então algumas pessoas importantes e outras com quem lido no meu dia a dia para fazer o vídeo e iniciar a campanha – contou.

Além dos vídeos, Aloísio lançou também a página “Sente muito, Brasil!”, no Facebook. A ideia é convocar os brasileiros a debater o tema. Serão divulgados 4 filmes por semana, lançados às quintas-feiras.

– Já tivemos mais de 500 likes em apenas 5 dias, mais de 3.000 vizualizações e dezenas de compartilhamentos – comemorou.

Fonte: Extra

Pais devem ser os primeiros a ajudar filho a lidar com homofobia na escola Resposta

Os pais devem mostrar que estão abertos para conversar e apoiar o filho quanto a sua orientação sexual Getty Images/Pixland

Os pais devem mostrar que estão abertos para conversar e apoiar o filho quanto a sua orientação sexual Getty Images/Pixland

Se o bullying nas escolas já é um grande problema na vida dos adolescentes, nos casos de homofobia, a situação é bem pior. Segundo estudo realizado em 501 escolas de 27 estados do país pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), em 2009, 87,3% das pessoas apresentaram algum nível de preconceito em relação à orientação sexual.

O estudo foi feito com questionários aplicados a 18.599 pessoas (entre estudantes, professores, diretores e pais) e revelou também que 98,5% dos entrevistados desejavam manter algum nível de distância dos homossexuais.

Além de sofrerem com a homofobia nas escolas, o que agrava a situação é que os filhos dificilmente encontram o apoio de que precisam em casa. “Se uma criança sofre preconceito por ser negra, ela chega em casa e fala com a mãe, que vai reclamar com a professora, a diretora. Os jovens gays, geralmente, não têm com quem falar, porque os próprios pais não aceitam sua orientação sexual”, declara Edith Modesto, terapeuta especialista em diversidade sexual e questões de gênero e fundadora e diretora do Grupo de Pais de Homossexuais (GPH).

Segundo Edith, que é autora de “Mãe Sempre Sabe? – Mitos e Verdades sobre Pais e seus Filhos Homossexuais” (Editora Record), o primeiro passo para ajudar os filhos é aceitá-los completamente. “O preconceito está diminuindo, mas, dentro de casa, mudou muito pouco. Os jovens ainda têm medo de contar para família que são gays. Se tiverem a aceitação dos pais, saberão que podem contar com eles para ajudá-los”, afirma.

De acordo com o educador Caio Feijó, autor dos livros “Pais Competentes, Filhos Brilhantes” e “Os Dez Erros que os Pais Cometem” (Editora Novo Século), o primeiro preconceito que os jovens gays sofrem acontece em casa. “A primeira discriminação acontece quando os pais sabem. Por mais que eles tenham uma cabeça aberta, a maioria não fica feliz, pois tem receio de que o filho sofra com o preconceito da sociedade”, diz.  Para Feijó, os pais devem buscar ajuda para conseguir lidar com a homossexualidade do filho, ou ele irá esconder sua orientação.

“O primeiro lugar que pode e deve oferecer segurança para o jovem é a casa dele. É preciso ouvir quando ele falar sobre sua orientação, e sem recriminá-lo. O jovem está cansado de ouvir piadas e ver os gays serem apresentados de modo preconceituoso na TV. Ele tem muita angústia dentro dele”, afirma Maria Cristina Cavaleiro, professora de políticas públicas da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) coordenadora do grupo de estudo sobre gênero e diversidade da instituição e participante do grupo Estudos de Gênero, Educação e Cultura Sexual (Edges) da Universidade de São Paulo (USP).

“Há uma dificuldade muito grande de aceitação por parte dos pais. Eles foram criados para terem filhos héteros, e os filhos aprendem, desde criança, que devem ser assim, que os sonhos dos pais foram construídos para isso”, diz Edith. “Muitos jovens me procuram perguntando como fazem para serem héteros, iguais ao pai, à mãe. Os filhos ficam tristes ao ver que os pais têm dificuldade para aceitá-los. Os adultos precisam entender que eles são assim, não escolheram ser.”

Filhos confiantes

Pensar em possíveis situações que o filho pode enfrentar na escola e prepará-lo para elas não é a melhor saída para ajudá-lo, segundo os especialistas. Para Edith Modesto, só se deve conversar se a situação acontecer. “Por mais que pareça que os jovens não ouvem os pais, tudo o que a família diz tem grande importância para eles. Se os pais sugerirem possíveis problemas, eles podem ficar com medo e se sentirem ansiosos sem necessidade”.

Segundo Klecius Borges, psicólogo pós-graduado pela USP que atua na área de terapia afirmativa para gays e orientação familiar desde 2001, os pais preparam os filhos para possíveis situações preconceituosas ao aceitá-los como são, sem críticas ou opressão, e ao ensiná-los que as pessoas são diferentes e não há nada de errado nisso. Com amor e apoio, os filhos acabam tendo maior autoconfiança para lidar com os problemas, incluindo a homofobia.

Para Feijó, se os adultos ensinarem os filhos a terem autonomia, a saberem lidar com frustrações e passarem a eles valores como cidadania, moral e ética, os jovens terão capacidade para se protegerem sozinhos.

Quanto o pai pode interferir

Ao perceber que o jovem é vítima de homofobia na escola, é natural que o primeiro impulso dos pais seja o de ir ao colégio e cobrar satisfações e, até mesmo, tentar conversar com os pais do colega que maltrata o seu filho. No entanto, é preciso ter cuidado para respeitar o espaço e a vontade do adolescente.

“Os pais só podem falar na escola se o filho permitir. Eles não podem chegar dizendo que o filho é gay e está sendo vítima de preconceito, a única pessoa que pode dizer isso é o próprio jovem, que, muitas vezes, não quer sair do armário ainda”, diz Edith.

Além disso, principalmente na fase da adolescência, é comum que o jovem queira resolver sozinho os seus problemas e tenha vergonha que os pais tentem fazer isso por ele. “Se os pais vão à escola, o jovem fica com fama de dedo duro, de covarde. Quanto mais os pais fortalecerem a autoestima do filho, mais ele mesmo irá se defender e falar com a direção sozinho, se for o caso”, diz ela.

Para Klecius Borges, nem sempre o filho adolescente deve resolver sozinho todos os problemas da sua vida. “É preciso avaliar se o que ele está sofrendo é grave e o quanto isso o está machucando. Se o pai ou a mãe perceber que ele está sofrendo e não sabe lidar com isso, cabe ao adulto ajudar”, diz.

Se, por exemplo, a discriminação é praticada pelos próprios professores, os pais devem comunicar imediatamente o ocorrido à direção da escola. “A Constituição fala que todos devem ser tratados sem preconceito. O adulto precisa saber que seu filho tem direito a expressar sua sexualidade e deve lutar por isso. É nessa fase que o jovem forma sua identidade, é fundamental que ele não sofra rechaço”, afirma Maria Cristina.

Nova escola

De acordo com a terapeuta Edith Modesto, se o adolescente já foi vítima de preconceito em uma escola e for mudar de colégio, os adultos devem conversar com a direção da nova instituição para avaliar sua filosofia. No entanto, a orientação sexual do filho só deve ser mencionada caso o jovem os autorize a falar sobre isso.

Para Borges, cabe aos pais escolher, no momento da matrícula, uma escola que saiba lidar com a diversidade de uma maneira geral. Os adultos devem perguntar, sem expor os filhos, se algum aluno já sofreu bullying e como isso foi tratado.

Sinais de que algo não vai bem

Com a tentativa de independência que é comum durante a adolescência, é normal que muitos jovens que sofrem preconceito na escola evitem contar o problema para os pais. Mas há sinais comportamentais que podem ajudar a família a identificar se algo errado acontece. Não querer ir à escola, sempre se atrasar para se arrumar, ter dificuldade de acordar e apresentar uma queda repentina no desempenho escolar são alertas que jovens que sofrem bullying começam a dar. “Se o jovem não conta, mas apresenta uma mudança de comportamento muito evidente e abrupta, é preciso conversar com ele”, fala Borges.

Nesse caso, o ideal seria que os filhos vissem espaço para conversar com os pais sobre o problema. “Mas, se os pais percebem que a situação é grave, é preciso tomar uma atitude, afirma Maria Cristina. Segundo ela, caso o adolescente ainda não tenha se assumido, há formas de mostrar para ele que se está aberto para esse tipo de conversa. “Hoje tem a novela que mostra personagens homofóbicos, por exemplo. Os pais podem mostrar que acham a atitude deles horrível, e os filhos entendem o recado sem que o espaço deles seja invadido”, diz.

Já quando a orientação do filho é algo aberto para a família e, mesmo assim, ele não fala sobre o que acontece na escola, vale ir ao colégio, sondar o que está acontecendo e ouvir o que os profissionais têm a dizer, segundo Maria Cristina. “Provavelmente, a primeira atitude da escola é negar, mas, caso se tenha certeza da homofobia, os pais devem buscar ajuda na Secretaria de Diversidade, nos disques-denúncia, na delegacia de ensino”. Também existe o Disque 100, para qualquer caso de homofobia.

Informações: UOL

Mato Grosso: Grupo de Combate a Homofobia discute ações Resposta

Acontece nesta quinta-feira (31/10), em Mato Grosso, na sede da Diretoria Geral da Polícia Judiciária Civil, a primeira reunião de trabalho do Grupo Estadual de Combate à Homofobia (Greco). Na reunião, serão apresentados balanço das atividades desenvolvidas e os resultados obtidos. Além da prestação de contas para os membros do colegiado.

O secretário executivo do Grupo Estadual de Combate à Homofobia, Rodrigues de Amorim Souza, explica que os membros são formados pelas instituições policiais de Segurança Pública e por grupos do movimento LGBT. O Greco é uma estrutura de Governo Colegiada, subordinado a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP) e atualmente o único voltado as demandas LGBT no âmbito da Segurança Pública.

Durante o encontro será debatido o plano de ação e a colaboração da polícia para a Parada Gay. Também em pauta está a estruturação e readequação de modernização do Greco, debate sobre o fluxo de estatística para a violência e homicídios contra LGBT, entre outros assuntos que envolvem o público em vulnerabilidade.

A abertura da reunião foi feita pelo delegado geral da Polícia Civil, Anderson Aparecido dos Anjos Garcia, que destacou a importância do Grupo pelo trabalho desenvolvido desde a sua criação. “Quando se trabalha com o preconceito surgem muitas dificuldades. Mas atualmente tivemos bastante avanço na questão da homofobia e estamos conseguindo conquistar e garantir o respeito e a compreensão. Afinal servimos a sociedade e o agente de segurança pública deve ser orientado de como tratar o cidadão”.

O delegado geral também agradeceu a presença dos membros, colocando à Polícia Civil disposição para colaborar e ajudar.

O Estado de Mato Grosso é o primeiro da Federação a inserir a tipificação homofobia no Sistema de Registro de Ocorrência Policial (SROP), desde o ano de 2009. No Sistema há um campo específico para o registro de vítima com “nome social”.

*Informações: O Documento

PL que pune homofobia no RJ recebe quase 200 emendas e sai de pauta Resposta

Plenário antes da votação do projeto de lei na Alerj (Foto: Marcelo Elizardo / G1)

Plenário antes da votação do projeto de lei na Alerj
(Foto: Marcelo Elizardo / G1)

O projeto de lei que pune estabelecimentos e agentes públicos por discriminação por orientação sexual, ou homofobia, entrou em pauta pela primeira vez na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), na tarde da última quinta-feira (24/10). O projeto, de autoria do Executivo, sofreu 177 emendas e ainda será encaminhado para análise das comissões. Não há previsão para o projeto voltar à pauta da Alerj e nem para ser votado.

A sessão foi marcada por vaias ao deputado Edino Fonseca (PEN), que insinuou que a homossexualidade seria doença. Grupos em defesa dos LGBT chamaram o deputado de “fascista” e entoaram gritos de “doente é você”. Ao todo, 50 dos 70 deputados estaduais participaram da sessão.

Pouco antes do início da discussão, o deputado Edino Fonseca pediu a palavra. “Nenhum proprietário é obrigado a deixar uma pessoa com essa patologia em seu estabelecimento”, disse o deputado. Os presentes vaiaram muito o parlamentar.

Outros deputados falaram sobre o projeto de lei e se mostraram contrários aos argumentos de Edino. “Mesmo que o homossexualismo fosse doença, e não é, não poderia ser discriminado”, argumentou o deputado Luiz Paulo (PSDB).

O projeto foi encaminhado à Alerj pelo governo do estado. Até mesmo deputados de oposição, como Marcelo Freixo (PSOL) elogiaram a proposta. “Esse projeto tem que ser elogiado mesmo tendo sido feito por este governo péssimo”, disse o deputado, sob aplausos dos presentes.

Misturando religião com política, a deputada Clarissa Garotinho (PR) também se disse contrária ao projeto, apesar de ter deixado claro em seu discurso que é contra qualquer tipo de discriminação. “Tenho meus entendimentos da Bíblia. Jesus pregou tolerância. O não à discriminação também é um princípio do cristianismo. Não podemos deixar que uma pessoa sofra violência por qualquer razão. Esse projeto não discute se o homossexualismo é doença ou não. Mas ele promove atitudes do gênero LGBT”, declarou a deputada.

Bolsonaro acompanha votação
O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) compareceu à Alerj para acompanhar a votação do projeto de lei. Ao avistar o parlamentar, um homem de um grupo em defesa dos homossexuais fez um sinal de negativo em direção ao deputado. Bolsonaro respondeu de maneira debochada abrindo os braços.

Chris Brown volta a ser acusado de homofobia e é preso por agressão Resposta

Cantor já havia se envolvido em polêmicas com a comunidade gay, mas andava bastante respeitoso com os LGBT

Cantor já havia se envolvido em polêmicas com a comunidade gay, mas andava bastante respeitoso com os LGBT

Violência e homofobia são duas coisas que não são novas ao universo de Chris Brown. O cantor foi preso no final de semana após quebrar o nariz de um homem que tentou fotografá-lo com duas mulheres na saída de um clube em Washington D.C., nos Estados Unidos.

A vítima contou ao site “TMZ” que o cantor disse que “não era para aquela merda gay”, antes de agredi-lo e mandá-lo para o hospital. O rapaz não entendeu porque o cantor teve um comportamento homofóbico, mas já avisou que está contratando um advogado para processá-lo.

O problema maior para Chris Brown é que ele está em condicional desde que agrediu a ex-namorada Rihanna, em 2009. Sites internacionais especulam se este incidente pode fazer com que perca a condicional e passe os próximos quatro anos preso. Um de seus seguranças também foi detido.

Em janeiro, o rapper assumido Frank Ocean acusou o cantor de homofobia e de tê-lo ameaçado de morte após uma confusão em um estacionamento.

Depois disso, Brown estava hiper fofo com a comunidade gay. Ele lançou uma música em apoio ao amor gay e postou, há um mês, mensagem em respeito à comunidade LGBT. Vamos ver se o novo incidente manchará sua boa reputação com os cidadãos arco-íris.

Fonte: Parou Tudo

Em documentário de Stephen Fry, Jair Bolsonaro diz que “não existe homofobia no Brasil” Resposta

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“Um dos mais estranhos e sinistros encontros que já tive na vida”: assim o famoso comediante inglês Stephen Fry define a entrevista que fez com o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) para seu documentário Out There, atualmente em exibição pela BBC no Reino Unido. No documentário, Fry mostra como  a homofobia avança em várias partes do mundo. Infelizmente, para nossa vergonha, o Brasil aparece ao lado de Uganda e Rússia como um dos países onde existem políticos e líderes religiosos que perseguem homossexuais.

Fry, que é gay assumido, chegou a tentar o suicídio durante as filmagens, certamente deprimido com o que presenciou. “Ver tanta ignorância, brutalidade, estupidez e horror não ajudou”, reconheceu. No encontro com Bolsonaro, o comediante conta que se concentrou para não perder a calma diante dos absurdos que ouviu. “Nenhum pai tem orgulho de ter um filho gay”, afirma o deputado, atribuindo as agressões a homossexuais em nosso país ao uso de drogas e à prostituição. “Mas não há razão para clamor, não existe homofobia no Brasil”, dispara, antes de cair na gargalhada.

Em documentário para abordar o avanço da homofobia no mundo, o comediante e ator Stephen Fry entrevistou o deputado para falar de seu veto contra a criminalização dos crimes em virtude de orientação sexual.

No vídeo, Bolsonaro insinua que “não existe homofobia no Brasil”, afirmando que a maioria dos homossexuais do Brasil morrem em locais de consumo de drogas, de prostituição e até assassinados por seus próprios parceiros.

Entre as frases mais polêmicas, destacam-se “sua cultura é diferente da nossa. Nós não estamos preparados para isso no Brasil, porque nenhum pai vai comemorar por ter um filho gay”. E, principalmente: “Eles querem que os heterossexuais continuem gerando crianças, para que essas crianças se transformem em gays e lésbicas para satisfazê-los sexualmente no futuro”. 

(Parêntese: não adianta se irritar: o único jeito de se livrar de figuras como Bolsonaro é não votando nele. Espalhe essa ideia.)

Assista o trecho do documentário, com legendas em português, onde Stephen Fry entrevista a mãe de Alexandre Ivo, garoto carioca de 14 anos assassinado em 2010 por skinheads, e Jair Bolsonaro. Íntegra de Out There aqui (sem legendas).

Homofobia: Assassino de Daniel Zamudio pega prisão perpétua no Chile 1

Daniel Zamudio

Daniel Zamudio

“Condena-se o acusado Patricio Ahumada na qualidade de autor do delito qualificado de Daniel Zamudio à pena de prisão perpétua”, proferiu a sentença nesta segunda-feira o juiz do  Quarto Tribunal Oral de Santiago, no Chile. Ahumada foi considerado mentor do crime e líder do bando que em 2012 espancaram e torturaram o estudante Daniel Zamudio, 24 anos, por ele ser homossexual em um parque da capital chilena. Após mais de 20 dias em coma, Zamúdio faleceu devido aos ferimentos que chegaram a amputar uma de suas pernas.

Alejandro Angulo, Raúl López e Fabían Mora, os outros assassinos foram condenados 7 anos e 15 anos de prisão. Ahumada terá direito a pleitear a liberdade condicional ou redução da pena dentro de 20 anos. “É uma pena exemplar, eles irão apodrecer na cadeia”, afirmou o pai de Daniel, Iván Zamudio, após ouvir a sentença.

Em Março de 2012, a capital do Chile amanheceu atordoada com um crime homofóbico chocante que levou o país a criar uma lei contra crimes de ódio e preconceito contra homossexuais com o nome da vítima. Daniel Zamudio, 24 anos, foi encontrado em um parque de Santiago com sinais de tortura, uma perna quebrada e à beira da morte, com suásticas entalhadas em seu corpo. Após 22 dias entre a vida e a morte, o jovem faleceu no hospital.

As investigações mostraram que o crime foi cometido por um grupo de amigos que apesar de não terem nada de arianos gostavam da ideologia nazista. A crueldade fora real: Zamudio foi queimado com cigarros, apedrejado, atacado com garrafas, teve uma das orelhas cortada, a perna dilacerada. Patricio Ahumada Garay, Alejandro Angulo Tapia, Raul Lopez Fuentes e Fabian Mora Mora foram presos dias depois, após o crime ganhar as manchetes internacionais.

“A Justiça chilena considera este um dos crimes mais graves e prevê a pena máxima, que é prisão perpétua qualificada, ou seja, 40 anos de prisão efetiva antes da tentativa de redução da pena”, disse Jaime Silva, advogado da família Zamudio na época. É esta a condenação que a família espera. Ao anunciar a condenação o juiz descreveu o crime como de “extrema crueldade” e “total desrespeito a vida humana”.

Há um antes e depois nas leis do país depois da morte do belo jovem de classe média que reverteu a opinião pública. O projeto de lei contra a homofobia, parado no país por 7 anos, caminhou rapidamente para a aprovação no ano passado depois do crime, com apoio do presidente Sebastian Piñera. Se fosse hoje, todos os assassinos seriam condenados a prisão perpétua, sem direito a revisão da pena.

Fonte: Lado A

Com medo de boicote Putin garante que lésbicas e gays serão bem-vindos nos Jogos de Inverno na Rússia Resposta

Vladimir Putin, presidente da Rússia, garante boas-vindas a gays nos Jogos de Sochi / Reuters

Vladimir Putin, presidente da Rússia, garante boas-vindas a gays nos Jogos de Sochi / Reuters

O homofóbico presidente da Rússia, Vladimir Putin, que criou a lei que bane a “propaganda homossexual”, com o argumento de proteger as crianças, declarou nessa segunda-feira (28/10) que atletas e torcedores lésbicas e gays serão muito bem-vindos durante os Jogos Olímpicos de Inverno, que serão disputados em fevereiro de 2014, na cidade de Sochi. As declarações se dão, porque Putin está com medo de um boicote à competição.

– Vamos fazer de tudo para ter certeza de que atletas, fãs e convidados se sintam confortáveis ​​nos Jogos Olímpicos, independentemente da sua etnia, raça ou orientação sexual – disse Putin em visita ao Comitê Olímpico Internacional (COI).

A criação da lei gerou críticas em muitos países e alguns pedidos de boicotes. Para o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, isso é uma forma de tentar intimidar os homossexuais.

Em caso de desobediência à regra, moradores locais podem ser multados e presos, assim como estrangeiros, que podem pagar até 100 mil rublos, o equivalente a R$ 6 mil, e, até, deportados.

‘Se o Brasil manejar Aids entre gays, estará perto do fim da epidemia’, afirma número 2 do Programa de Aids das Nações Unidas Resposta

O brasileiro Luiz Loures, vice-diretor do Programa de Aids das Nações Unidas, diz que mesmo com toda a discussão em torno do casamento entre homossexuais, não há indício de redução da discriminação de uma forma mais global Unaids

O brasileiro Luiz Loures, vice-diretor do Programa de Aids das Nações Unidas, diz que mesmo com toda a discussão em torno do casamento entre homossexuais, não há indício de redução da discriminação de uma forma mais global Unaids

O vice-diretor do Programa de Aids das Nações Unidas (Unaids), o brasileiro Luiz Loures, é um homem com uma missão: decretar o fim da epidemia até 2030. Não da Aids, como ele sempre gosta de frisar, mas da epidemia da doença. Para o infectologista, basta olhar para os grandes avanços obtidos tanto na prevenção quanto no tratamento nas últimas décadas. O número de novos casos, para se ter uma ideia, caiu em um milhão em menos de dez anos. E a quantidade de gente em tratamento cresceu exponencialmente no mesmo período. Surpreendentemente, no entanto, a infecção volta a crescer no mundo inteiro entre os homossexuais masculinos — o primeiro grupo a ser atingido em cheio pela doença e também o primeiro a dar uma resposta social ao problema. Segundo Loures, para que sua meta seja cumprida, é preciso repensar as estratégias de combate à Aids.

O senhor costuma ser otimista. Acha que até 2030 já poderemos falar no fim da epidemia?

Eu sou um otimista mesmo. Acho que até 2030 já podemos estar falando em fim da epidemia. Não no fim da Aids, claro. Mas da epidemia. Para isso, no entanto, é preciso haver renovação nas estratégias de combate à doença. É como se a epidemia, de certa forma, estivesse se adaptando aos progressos que fizemos. Então, temos que inovar.

De que forma?

Precisamos mudar a rotina de tratamento, tratar imediatamente a população mais vulnerável. Não esperar a contagem das células CD4 (células do sistema imunológico) cair, mas tratar imediatamente. Já sabemos hoje que o tratamento é importante para a sobrevida e a qualidade de vida do paciente, mas também como forma de prevenção. Quem se trata não transmite. Felizmente, claro, não temos pessoas morrendo de Aids o tempo todo. Mas, por conta disso, a percepção de risco de um jovem gay hoje não é a mesma dos anos 80 e 90. Então temos que adaptar as estratégias.

Há uma tendência global de aumento da doença entre os gays. Por que isso está ocorrendo justamente entre o grupo que primeiro foi mais atingido e que respondeu bem à epidemia nos anos 80?

Eu não sei. Devolvo a pergunta para você. Falta a inserção do assunto como prioridade para a comunidade gay. E só faz aumentar. Está acontecendo na Europa, nos Estados Unidos, na China e na África. A tendência é ascendente em toda parte. É preciso que o tema seja tratado com a importância que tem. Há muita ênfase no debate sobre o casamento gay e pouca para esta questão.

A discussão sobre o casamento gay em várias partes do mundo não é um avanço? Não é um sinal da redução da discriminação?

É claro que é um avanço. Mas, com toda a discussão que está rolando hoje no mundo, não há evidência da redução da discriminação, pelo menos não entre aqueles sujeitos mais vulneráveis. Na última reunião da Organização Mundial de Saúde (OMS) houve uma proposta de se colocar como um item da agenda a questão da saúde LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros). E não passou. Houve um bloqueio. O casamento gay é um avanço social muito importante. Mas por que não conseguimos também discutir a saúde como um item de agenda da OMS? É um paradoxo.

É uma surpresa essa tendência de aumento da epidemia entre os homossexuais?

Não sei se é surpresa. Talvez nem seja. Os fatores que contribuem para isso continuam existindo e levando a epidemia à frente. Para se ter uma ideia, os países que mais recebem dinheiro internacional para a Aids são os mesmos que criminalizam a relação entre pessoas do mesmo sexo — alguns deles, inclusive, com pena de morte. Meus amigos gays vão me matar por dizer isso, mas a verdade é que precisamos de mais engajamento. Fora isso, eu não tenho outra coisa a fazer a não ser propor uma nova estratégia de tratamento.

Inclusive para o Brasil? Há também uma tendência de aumento da doença entre os jovens homossexuais no país?

Sim. No Brasil, cerca de metade dos novos casos da doença ocorre entre homossexuais jovens. E o país, que foi o pioneiro na universalização do tratamento, tem agora uma nova possibilidade concreta de ser o primeiro país do mundo a decretar o fim da epidemia; se conseguir manejar a questão entre os gays. E isso é uma chance histórica, uma oportunidade única.

Qual seria o impacto para o país de passar a tratar imediatamente a população de risco que testasse positivo? O país tem como arcar com isso?

Isso representaria, no Brasil, umas 100 mil pessoas a mais. Atualmente, cerca de 300 mil recebem o coquetel. O país tem como arcar com isso. Precisamos que o Brasil, mais uma vez, seja pioneiro e que seja o primeiro país do mundo a começar a tratar imediatamente todas as populações vulneráveis.

Fonte: O Globo

Homofobia: grupo de pais quer impedir show de Elton John na Rússia 1

Elton John

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, recebeu o contato de um grupo de pais que querem impedir o show de Elton John no país, nos dias 6 e 7 de dezembro deste ano.

O motivo é retrógrado: a homossexualidade do cantor incomoda a estes pais, que não querem que seus filhos, os jovens em geral e as leis locais sejam ameaçados por isso.

Mesmo com a perseguição homofóbica que existe na Rússia, Elton John não se intimida e volta ao país pela segunda vez neste ano. A primeira apresentação do cantor e pianista em terras ex-socialistas neste ano aconteceu em julho.

Na ocasião, grupos homofóbicos queriam que John mudasse seu figurino característico. Segundo os protestantes, as roupas do músico realizam uma “propaganda homossexual”, o que é proibido na Rússia.

Formada com destaque em curso para vigilante, travesti diz que transfobia impede trabalho Resposta

Para manter a forma e evitar a depressão, Milena se exercita na academia improvisada pelo companheiro Foto: Rafael Moraes / Extra

Para manter a forma e evitar a depressão, Milena se exercita na academia improvisada pelo companheiro Foto: Rafael Moraes / Extra

É esperado que um vigilante tenha postura firme, coragem e saiba se impor. Essas características não faltam a Milena Sara Sandim. Ela deixou de ser André aos 14 anos e hoje, aos 28, é a primeira travesti formada vigilante no país. A coragem de assumir a identidade de gênero, que marcou a vida pessoal, no entanto, parece atrapalhar a profissional.

– Quando passei a morar com o Alessandro (seu marido), me interessei pela atividade dele, que é vigilante há anos – conta ela, que se formou no curso em maio e, desde então, tenta sem sucesso entrar no mercado de trabalho.

No curso de vigilante, Milena recebeu menção honrosa. Foi nota 10 em prevenção e combate a incêndio e conquistou média 8,51, com aprovação sem ressalvas em armamento em tiro e primeiros socorros. Quando se candidata a uma vaga de trabalho, Milena precisa se identificar como André, com a observação de que é travesti. Nunca foi chamada para uma entrevista sequer.

Milena Sara, formada com menção honrosa no curso profissionalizante para vigilante Foto: Rafael Moraes / Extra

Milena Sara, formada com menção honrosa no curso profissionalizante para vigilante Foto: Rafael Moraes / Extra

– A sociedade me cobra uma profissão que ela considere digna. Me qualifiquei naquilo que gosto e agora a mesma sociedade me fecha as portas e me inclina novamente para as ruas. Entrei para um curso de formação, aprendi a abordar, imobilizar, atirar. Me joguei no chão, rastejei, mas o difícil mesmo é ficar aqui cinco meses, tendo me candidatado a todas as vagas de Barra Mansa e Volta Redonda, e não ter recebido um retorno sequer. Em São Paulo, fiz ponto e consegui ganhar até R$ 4 mil por mês. Já me prostituí quando foi preciso e estou me esforçando para ter uma vida diferente. Travesti não pode ficar restrito à rua ou ao salão de beleza.

Ela mora com Alessandro Mario Sant’Anna (23), em Barra Mansa, na casa que ela construiu com o dinheiro conquistado na rua. A prostituição em São Paulo, onde viveu dos 14 aos 23 anos, também pagou os 600 mililitros de silicone dos seios, o Metacril (substância sintética usada para preenchimento estético) nas nádegas e coxas e a plástica no rosto.

Milena e o companheiro Alessandro: ele não tem dificuldade de encontrar emprego Foto: Rafael Moraes / Extra

Milena e o companheiro Alessandro: ele não tem dificuldade de encontrar emprego Foto: Rafael Moraes / Extra

Desde que se conheceram pela internet em 2010, o marido de Milena nunca ficou desempregado, passando por três firmas diferentes.

– E eu não consigo – lamenta Milena.

Em Volta Redonda, segundo ela, uma travesti consegue R$ 4 mil por mês prostituindo-se. Já o salário base mais benefícios do vigilante, diz Alessandro, chega a R$ 1,4 mil. Mas, enquanto a oportunidade não chega, Milena treina para se manter em forma e longe da depressão.

– Caminho para manter meus 74 quilos. Levantar peso, não é sempre, para não ficar musculosa – conta ela, do alto de seu 1,76m, na academia improvisada pelo marido.

Alessandro herdou o gosto pelo trabalho como segurança do pai adotivo, um oficial do Exército que reprova o casamento do filho. A família de Milena apoia o casal e mora na casa ao lado.

Segundo a diretora do Sindicato dos Vigilantes de Volta Redonda e Sul Fluminense, Valéria Martins, o mercado de trabalho para mulheres já enfrenta preconceitos na profissão.

– As empresas só selecionam homens. Para cada 100 contratados, menos de dez mulheres conquistam uma vaga. Acredito que exista um preconceito ainda maior no caso de uma travesti.

Coordenador do projeto Damas, da Prefeitura do Rio, que busca a capacitação e a inserção de travestis no mercado de trabalho, Carlos Alexandre Lima diz que até mesmo empresas de recurso humanos criam obstáculos para fazer encaminhamento de travestis para vagas de emprego.

– A resistência das empresas é imensa. Nunca deixou de existir. A inexistência de tal dificuldade é exceção.

Cláudio Nascimento, coordenador do programa estadual Rio Sem Homofobia, diz que travestis e transexuais são o segmento mais perseguido na comunidade LGBT.

– Existe um estigma muito grande sobre elas. A maioria não consegue terminar o ensino fundamental. As que conseguem, encontram extremas dificuldades para inserção profissional – afirma Nascimento.

*Informações Extra

RJ: Parque Madureira recebe debate sobre homofobia Resposta

O Parque Madureira recebeu, na última terça-feira, a 1ª edição do ciclo de debates “Discutindo a Homofobia”, promovido pela Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual.

O debate contou com a participação do coordenador especial da Diversidade Sexual, Carlos Tufvesson; Luciana Mota, defensora pública e coordenadora do Núcleo da Defesa da Diversidade Sexual e dos Direitos Homoafetivos (NUDIVERSIS) Mario Luiz da Silva, delegado titular da 77ª Delegacia de Icarai; e Loren Alexsander, presidente do Movimento de Gays, Travestis e Transformistas (MGTT) e organizadora da Parada LGBT de Madureira. A mediação ficou por conta do jornalista Thiago Araujo.

O objetivo do encontro é levar ao público o entendimento sobre a questão da homofobia e debater sobre o aumento do número de crimes contra homossexuais.

O delegado Mario Luiz disse que a polícia está se preparando para este novo cenário da sociedade, já que nenhum policial se forma sem aprovação em disciplinas relativas à diversidade, orientação e identidade sexual.

Carlos Tufvesson, destacou que “não é preciso ser negro para lutar contra o racismo, não é preciso ser mulher para lutar contra o machismo, nem ser gay para lutar contra a homofobia”.

Fonte: SRZD

Mato Grosso prepara Grupo de Combate à Homofobia visando a Copa 2014 Resposta

Darwin Júnior - Olhar Copa

Darwin Júnior – Olhar Copa

 

 

A homofobia também entrou no pacote da capacitação da Segurança Pública em Mato Grosso visando a Copa do Mundo 2014. O Grupo Estadual de Combate à Homofobia (Greco) encerrou, na última sexta-feira (30/8), o seminário de “Nivelamento de Informações sobre Homossexuais, Travestis e Transexuais para profissionais da Segurança Pública”. Desde a sua criação, esta foi a primeira atividade do grupo que deve intensificar suas ações até 2014.

Policiais militares e civis, profissionais da Politec, guardas municipais, bombeiros, membros do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) e servidores da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) participaram da capacitação realizada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
O objetivo do seminário foi preparar os profissionais de segurança pública sobre as especificidades dos movimentos LGBT, além de capacitar os 30 integrantes do Greco empossados no último mês.
O secretário executivo do Greco, Rodrigues de Amorim Souza, explicou que “a capacitação irá colaborar para o policial quando for atender uma ocorrência envolvendo alguém do movimento. Ele deverá estar preparado para diferenciar as especificidades, a motivação criminosa e as providências necessárias a se tomar a partir do primeiro contato. Também vamos preparar nossa força policial para Copa do Mundo, quando receberemos pessoas de várias orientações sexuais”.
Já o coordenador do Greco, coronel BM, Marcos Roberto Weber Hübner, ressalta que os profissionais estão em constante evolução no atendimento das ocorrências que envolvem o público LGBT. Segundo ele, entre as ações que estão sendo desenvolvidas com os profissionais de segurança pública, uma das intenções é oferecer uma capacitação adequada para atender as ocorrências e realizarmos um bom trabalho.
“O evento é importante para conscientizar os policiais no que diz respeito ao atendimento das pessoas LGBT. O policial não pode deixar o preconceito aflorar na execução da atividade, porque a partir do momento em que ele deixa o sentimento surgir, ele deixa de compreender, de ser tolerante e passa a julgar as pessoas. A nossa função não é de julgar ninguém, e sim buscar a verdade”, afirma o delegado geral da Polícia Judiciária Civil, Anderson Garcia.

Estado do Rio Grande do Sul lança campanha contra a homofobia Resposta

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A campanha estadual contra a homofobia “Amor, seja como for: Respeitar a diversidade é promover a igualdade” foi lançada na segunda-feira (26/08), em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. Promovida pela Secretaria da Justiça e dos Direitos Humanos (SJDH), a iniciativa conta com peças temáticas retratando casais gays e uma chamada pelo respeito à diversidade sexual, que passam a estampar outdoors nas ruas da capital e demais municípios da Região Metropolitana, além de oitenta busdoors de várias linhas de Porto Alegre. Já para o interior, haverá distribuição de material impresso sobre homofobia e transfobia. A campanha faz parte do Programa Rio Grande sem Homofobia, promovido pela Coordenadoria de Diversidade Sexual da SJDH.

“Essa campanha é fruto de uma preocupação com a violência contra o público LGBT que tem aumentado. Também deixamos claro que esse amor não se restringe somente ao casamento, o amor pode ser o de uma noite ou de uma vida, e merece respeito”, explicou o coordenador estadual de Diversidade Sexual da SJDH, Fábulo Nascimento da Rosa.

A diretora do Departamento de Direitos Humanos e Cidadania da SJDH, Tâmara Biolo Soares, explicou que a campanha está sendo construída desde o ano passado, quando iniciaram as ações do Rio Grande Sem Homofobia, e agora chega às ruas com o mote do respeito à diversidade sexual. “É tarefa do Estado ser propulsor de campanhas como essa, é também uma forma de dizer para a sociedade que essa cultura homofóbica está ultrapassada”. Tâmara espera que a campanha promova debates e a reflexão das pessoas que ainda acreditam “não ter nada com isso” ou que têm preconceito homofóbico. “Esperamos que a campanha lançada hoje seja uma semente”, completou ela.

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Representante da Associação dos Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul, Marcelly Malta destacou o fato de pela primeira vez uma campanha como essa ir para as ruas e, em um segundo momento, chegar ao Interior. “Pode causar um estranhamento no início, mas vai fazer a sociedade parar e refletir. Eu acredito que a SJDH acertou”, afirmou Marcelly. O casal Valéria e Luís, que estampam uma das três peças da campanha, esteve presente no lançamento. Valéria, que é transexual, diz se sentir “muito feliz em poder contribuir com a questão”. Todas as peças publicitárias são ilustradas com casais reais.

O secretário adjunto de Livre Orientação Sexual de Porto Alegre, Albano Assis, elogiou a iniciativa da SJDH. “Essa campanha é realmente maravilhosa. Nós, representantes do governo, somos obrigados a nos unir por essa luta”, afirmou Albano.

Parceria com a Secretaria de Educação

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A campanha tem o apoio do Comitê Estadual de Enfrentamento à Homofobia, que aproveitou a oportunidade da presença de seus membros e realizou a 2ª reunião do órgão. Na ocasião, a diretora Tâmara Biolo Soares destacou uma parceria com a Secretaria de Educação, em que a SJDH participou de diversas ações, como a capacitação de professores. Segundo uma pesquisa citada por ela, o bullying é hoje uma realidade nas escolas e as principais causas são a homofobia, o racismo e a diversidade religiosa. “Elaboramos com a Secretaria de Educação uma campanha chamada ‘Educar sem discriminar’, que é basicamente um projeto de curso de capacitação de diretrizes diretivas, ou seja, com a direção e os professores das escolas”, acrescentou a diretora.

Itamaraty prorroga prazo para investigar diplomatas acusados de assédio e homofobia Resposta

O ex-cônsul-geral do Brasil em Sydney (Austrália), Américo Fontenelle, e o ex-adjunto dele, Cesar Cidade, ganharam mais tempo para se defender na comissão processante que investiga as acusações sobre eles relativas à discriminação, homofobia e assédio. No boletim interno do Ministério das Relações Exteriores, Itamaraty, foi publicada nesta segunda (2/9) portaria de continuidade determinando mais 60 dias para a conclusão das apurações. O prazo havia acabado no último dia 30.

A comissão processante, que reúne três membros, apura “possíveis irregularidades referentes aos atos e fatos”, segundo o texto publicado no boletim interno. O processo é reservado, de acordo com o Itamaraty, e não foi informada a razão da prorrogação do prazo. Segundo diplomatas, a decisão foi tomada porque a comissão concluiu que os dados levantados até o momento são insuficientes.

Há pouco mais de três meses, Fontenelle recebeu ordens para deixar o posto e foi aberto um  processo administrativo disciplinar contra ele e Cidade. Os dois diplomatas são denunciados, por funcionários, de assédio moral e sexual, homofobia e desrespeito. Inicialmente, a previsão era que as investigações iam durar 60 dias.

As investigações são conduzidas por três embaixadores, com experiência consular e questões administrativas. Ao final das apurações, os dois diplomatas podem ser condenados com uma simples advertência oral ou até exonerados de suas funções. Ao Itamaraty, Fontenelle e Cidade negaram as acusações.

As denúncias surgiram a partir de acusações feitas por funcionários do Consulado de Sydney, que informaram ao Itamaraty situações em que foram humilhados e houve abuso de autoridade por parte do cônsul e do adjunto dele. Desde então, o ministério passou a apurar as informações.

No último dia 28, ao assumir o cargo, o novo chanceler Luiz Alberto Figueiredo Machado disse que não vai tolerar qualquer tipo de discriminação ou assédio na pasta. “Nesta casa [Itamaraty] tampouco há lugar para discriminação nem assédio. Comportamentos desse tipo não serão tolerados”, destacou Figueiredo, na presença de diplomatas estrangeiros e brasileiros, durante a cerimônia de transmissão de cargo no Palácio Itamaraty.

Muitos casos de homofobia não chegam ao Judiciário, diz defensora pública Resposta

A coordenadora do Núcleo da Defesa da Diversidade Sexual e dos Direitos Homoafetivos (Nudiversis)  da Defensoria Pública Geral do Estado do Rio de Janeiro, Luciana Mota, disse nesta terça-feira (3) que o Judiciário está preparado para atuar nos casos de homofobia. O que ocorre, segundo ela, é que muitos deles não chegam à Justiça.

“Muitas pessoas não têm conhecimento dos seus direitos. Muitas têm vergonha de denunciar, porque se sentem humilhadas com aquela situação”, disse Luciana. Ela alertou também que há casos em que o agredido não tem como provar a violação, porque “quando a pessoa vai ofender alguém, dificilmente o faz na presença de testemunha”. Com isso, a vítima acaba perdendo a ação por falta de provas. “É um problema que a gente tem [na Defensoria Pública]”, disse.

Há ainda casos em que o homossexual agredido se sente inibido para fazer uma denúncia de agressão por medo de represália. “O homossexual é vulnerável por natureza. Ele vive em uma sociedade que o oprime, que é preconceituosa. Ele já se sente, de alguma forma, constrangido, porque sabe que vai sair na rua e vai ouvir piadinha, vai sofrer agressão e vai ser ofendido. Por isso, fica sem coragem de denunciar”, diz Luciana.

Segundo Luciana Mota, é preciso mudar a mentalidade da sociedade. As pessoas têm que ser orientadas sobre as consequências de uma conduta homofóbica. “Se praticar homofobia, vai receber uma punição”. Do mesmo modo, ela diz que o homossexual, sofrendo discriminação, deve ser orientado da importância de levar isso às autoridades competentes.

Luciana participou na noite de terça da primeira edição do ciclo de debates Discutindo a Homofobia, que a Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual (Ceds) da prefeitura do Rio promove no Parque Madureira, zona norte da cidade, com transmissão ao vivo pela internet para todo o país. O evento foi criado em função do crescimento de 46,6% dos crimes de caráter homofóbico no Brasil entre 2011 e 2012, segundo dados de um relatório da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH-PR) divulgado em junho.

O aumento foi definido por Luciana como uma “questão de educação da população em relação aos direitos humanos”. Para ela, as pessoas têm que aprender a respeitar a dignidade do homossexual. “Ele tem que ser respeitado como ser humano. Acho que é uma questão de educação da população”.

A defensora pública defendeu o aumento de políticas públicas do estado para divulgar os direitos da população LGBT e, do lado do Judiciário, que as leis sejam aplicadas com rigor para que o cidadão que pratica crime de homofobia seja punido e sirva de exemplo para os demais, para que não venham a ter a mesma conduta. A defensora pública reiterou que o problema da intolerância está vinculado de forma direta à educação.

Luciana diz que os próprios homossexuais não têm conhecimento, muitas vezes, dos seus direitos, porque não recorrem à polícia para fazer denúncias e queixas de agressões. Muitas pessoas também praticam homofobia sem saber, enquanto outras têm noção do que fazem e não são punidas por esse crime.

A presidenta do Movimento de Gays, Travestis e Transformistas (MGTT), Loren Alexsander, também participará do debate promovido pela Ceds. Loren celebrou a iniciativa, em entrevista à Agência Brasil. “Não é só uma boa iniciativa. É uma necessidade. Essa inclusão da sociedade civil e do poder público, que contribui junto ao governo do estado, que nada faz para nós, é muito importante para a sociedade ver as lutas contra a homofobia que cada vez vem matando mais gays e travestis”.

A presidenta do MGTT considerou que as ações de política pública e da sociedade privada vão beneficiar todos os segmentos da população e não apenas os homossexuais.