Após discutir aborto, ‘Saramandaia’ discutirá homofobia, bullying e mensalão Resposta

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No ar há menos de dois meses, a nova versão da novela “Saramandaia” (Globo) se propõe a ser mais do que uma atualização da obra original, exibida em 1976.

Para além dos tipos curiosos criados por Dias Gomes para denunciar desmandos da ditadura militar, como o político corrupto que espirra formiga pelo nariz ou a jovem que queima os lençóis a cada lampejo de prática sexual, a adaptação de Ricardo Linhares tem promovido um debate aberto de temas sociais.

O folhetim já tratou do direto à prática do aborto, por meio da adolescente Stela (Laura Neiva), que bradou que “a mulher é dona do próprio corpo” após descobrir que a tia sofrera por causa de um procedimento mal feito.

A defesa da legalização da prostituição também encontrou eco em “Saramandaia”, em um relato de Risoleta (Débora Bloch). “Se há consenso entre as pessoas, se não existe violência nem exploração, é uma profissão tão digna quanto todas as outras”, afirmou a personagem, uma ex-profissional do sexo.

“Sou um escritor progressista. Acredito que a TV pode estimular a discussão de ideias, ao mesmo tempo em que entretém”, diz Linhares.

Para ele, esse é o seu trabalho “mais contestador”. “Tenho 30 anos de carreira. Quando comecei, era proibido adultério na novela das 18h. O mundo mudou e a televisão acompanhou essas mudanças, algumas vezes abrindo caminho na modernização dos costumes, outras vezes pegando carona em movimentos da vida real.”

“VEM PRA RUA, VEM”

Logo na estreia de “Saramandaia”, lembra o autor, houve a coincidência entre as manifestações que tomaram conta do Brasil e um movimento de jovens da trama, em busca de novos direitos e com uma bandeira clara de repúdio à corrupção.

Essas cenas haviam sido escritas e gravadas com meses de antecedência.

“Comecei em sintonia com o que estava acontecendo no país e sigo tratando de temas que estão na ordem do dia. É hipocrisia negar a realidade”, diz o autor. “Aproveito a liberdade que o horário proporciona para tocar em determinados temas que considero relevantes. A dramaturgia não pode ser chapa-branca.”

Segundo Mauro Alencar, doutor em teledramaturgia brasileira e latino-americana pela USP e membro da Academia Nacional de Artes da Televisão e Ciências de Nova York (uma das responsáveis pelo prêmio Emmy), o caráter progressista de “Saramandaia” está em sintonia com as telenovelas do país, a partir de 1970.

“Tem sido este um grande diferencial e exemplo da telenovela brasileira ao redor do mundo. Uma contribuição que teve seu início na década de 1970, particularmente com a vinda de dramaturgos para a TV”, afirma.

Alencar e Ricardo Linhares concordam, no entanto, que a sociedade brasileira e mundial tornou-se mais conservadora nas últimas décadas.

“Tenho em mente que o grande público [brasileiro] não mora na zona sul do Rio, nem nos Jardins de São Paulo. É heterogêneo e deve ser tratado com respeito”, diz o autor, que colocará a homofobia, o bullying e o mensalão no foco dos próximos capítulos de “Saramandaia”.

‘Marcha das Vadias’ pede fim da violência contra a mulher e homofobia no Espírito Santo Resposta

Marcha das Vadias passou pelas ruas de Vitória (Foto: Mariana Perim / G1 ES)

Marcha das Vadias passou pelas ruas de Vitória (Foto: Mariana Perim / G1 ES)

Com a intenção de repudiar todo o tipo de violência contra a mulher e também em protesto por uma sociedade igualitária e livre de preconceitos, a segunda edição da Marcha das Vadias em Vitória percorreu, neste sábado (20/07), a Rua da Lama e a ponte Ayrton Senna, em direção à Praça dos Namorados, na Praia do Canto. Centenas de pessoas se reuniram na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), onde foram preparados cartazes e realizadas pinturas corporais.

Segundo a organização do evento, as mulheres são ensinadas desde muito novas a sentir culpa e vergonha pela expressão da própria sexualidade e a intenção do evento é quebrar tais preconceitos. O grupo saiu da Ufes por volta das 17h e encerrou o ato às 18h10. No fim, a organização mobilizou os demais participantes a darem apoio às famílias dos manifestantes presos durante o protesto de sexta-feira (19/07), ocorrido no Centro da capital.

Durante toda a caminhada, os manifestantes fizeram batucada e utilizaram megafones para gritar palavras de ordem contra o machismo, o racismo e a homofobia. O grupo reforçou a oposição a projetos do Congresso, como a ‘cura gay,’ e também criticou a Igreja Católica, considerando a questão do aborto. A manifestação recebeu demonstrações de apoio durante o trajeto, como aplausos, buzinaços e gestos positivos nas varandas dos edifícios.

Mapa da violência
De acordo com o Mapa da Violência 2012, realizado pelo Instituto Sangari, o Espírito Santo é o estado com o maior número de homicídios de mulheres no Brasil. A taxa capixaba, de 9,4 mortes em cada 100 mil mulheres, é maior que o dobro da média nacional.

Marcha histórica
O movimento acontece em várias partes do Brasil, mas já é uma ação mundial. Começou quando um professor, no Canadá, durante uma palestra, disse que as mulheres sofriam estupro por causa da maneira como se vestiam. Essa afirmação gerou uma polêmica no mundo inteiro, sendo o que motivou a marcha e a maneira como as mulheres, e até alguns homens, se vestem na passeata: muitas vezes sem roupa e com o corpo pintado, em sinal de protesto.

Milhares protestam em Brasília contra aborto e casamento gay 6

Evangélicos fazem ato por liberdade religiosa no gramado em frente ao Congresso Nacional, em Brasília (Foto: Valter Campanato/ABr)

Evangélicos fazem ato por liberdade religiosa no gramado em frente ao Congresso Nacional, em Brasília (Foto: Valter Campanato/ABr)

Sob um sol intenso, milhares de evangélicos (40 mil, de acordo com o comando da Polícia Militar; 70 mil, segundo os organizadores) ocuparam nesta quarta-feira (5) os gramados da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para protestar contra a descriminalização do aborto e o casamento gay e pedir liberdade de expressão religiosa.

O palco montado em frente ao Congresso Nacional atraiu líderes evangélicos, políticos de vários partidos e artistas gospel.

O evento organizado pelo pastor Silas Malafaia, um dos líderes da igreja Assembleia de Deus, foi realizado em um dos dias de maior movimentação no Legislativo. Dezenas de parlamentares ligados à bancada evangélica se revezaram para discursar no ato religioso.

Um dos temas mais recorrentes dos oradores do evento foi o casamento entre casais homoafetivos. Recentemente, decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que os cartórios do país oficializem casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Durante as manifestações ao público aglomerado diante do palco, os líderes evangélicos criticaram os esforços de parlamentares ligados a movimentos sociais de tentar criminalizar a homofobia.

Os pastores e políticos defenderam que qualquer cidadão tenha o direito de se expressar contra as uniões entre homossexuais. Durante o evento, alguns defensores dos direitos dos homossexuais chegaram a bater boca com evangélicos. A polícia interveio e controlou a situação.

Para Silas Malafaia, “o ativismo gay quer criminalizar a opinião”. O pastor evangélico ressaltou que, na opinião dele, “não existe delito de opinião”.

“Não existe opinião homofóbica. Existe homofobia. A sociedade é livre para criticar evangélico, criticar católico, criticar deputado. Agora, se criticar a prática homossexual é homofobia. Vai ver se eu estou na esquina”, discursou Malafaia.

Alvo de protestos por conta de declarações publicadas em redes sociais consideradas racistas e homofóbicas, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputado Marco Feliciano (PSC-SP), disse que os críticos do casamento homossexual não lutam contra os gays, e sim “a favor da família”.

“[O evento] é uma resposta aos governantes e a todas as pessoas que chamam de progresso aquilo que não é, que é retrocesso. A família é a base de toda a sociedade. A minha permanência na Comissão de Direitos Humanos é a favor da família. Eu mostrei isso sem xingamento, sem briga, sem nada”, afirmou Feliciano.

Deputado Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, durante a manifestação evangélica na Esplanada dos Ministérios (Foto: Valter Campanato/Abr)

Deputado Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, durante a manifestação evangélica na Esplanada dos Ministérios (Foto: Valter Campanato/Abr)

Louvor e discursos

O evento evangélico teve início com breve discurso do pastor Silas Malafaia, que defendeu a “família tradicional” e a liberdade religiosa. Em seguida, o público ouviu de pé o Hino Nacional. Vários evangélicos carregavam bandeiras, a maioria com mensagens em defesa do casamento heterossexual e contra o aborto.

Após pregações de vários pastores, Silas Malafaia voltou ao palco para um último discurso antes dos shows de bandas gospel. O pastor da Assembleia de Deus fez duras críticas a decisões do Supremo Tribunal Federal, defendeu o direito de protestar contra a união homossexual e condenou o aborto.

No discurso, Malafia afirmou que o “ativismo gay” é “lixo moral”. “Eles nos chamam de fundamentalistas. Fundamentalistas porque defendemos a família, defendemos valores morais, somos contra as drogas. Sabe o que eles são? Os fundamentalistas do lixo moral! Escreve aí que o pastor Silas Malafaia chamou o ativismo gay de fundamentalismo do lixo moral”, disse.

O pastor criticou o Supremo Tribunal Federal por ter considerado constitucional a união civil entre pessoas do mesmo sexo, e o Conselho Nacional de Justiça por ter determinado que cartórios realizem casamento civil de homossexuais.

“O Supremo, que nós sustentamos, na caneta deu o casamento gay. O CNJ obriga cartório a casar. Uma mudança de paradigma tem que ser feita ou no Congresso ou por plebiscito. Isso é uma vergonha! Isso é uma afronta à sociedade, é uma afronta à maioria.”

Manifestante segura bandeira do Brasil com as cores do movimento gay durante manifestação de evangélicos na Esplanada dos Ministérios nesta quarta (5) (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Manifestante segura bandeira do Brasil com as cores do movimento gay durante manifestação de evangélicos na Esplanada dos Ministérios nesta quarta (5) (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Malafaia também criticou o advogado constitucionalista Luís Roberto Barroso, indicado pela presidente Dilma Rousseff para uma vaga no Supremo. A indicação foi aprovada nesta quarta pelo plenário do Senado. Barroso atuou como advogado no STF pela defesa da união homoafetiva e a liberação do aborto de anencéfalos.

“Agora mesmo estão sabatinando o novo candidato ao Supremo. O cara diz: ‘Sou a favor do aborto porque as mulheres sofrem’. Eu nunca vi uma resposta imbecil como essa. Diga a ele que qualquer tipo de aborto traz sofrimento para a mulher. Diga a ele, que defendeu gay como advogado, é ele que defende aborto”, afirmou Malafaia.

Malafaia também defendeu o deputado Marco Feliciano (PSC-SP). “Esse jogo contra Feliciano não é contra ele, é contra nós. Esses deputados hipócritas que defenderam tirar o Feliciano defendem o aborto.”

Ele criticou ainda tentativas de regulamentar a atividade da imprensa. “Esses esquerdopatas querem controlar a imprensa. Estão pensando que somos uma Bolívia, uma Venezuela. Aqui não! Aqui é imprensa livre. Os esquerdopatas querem um novo marco regulatório para controlar a imprensa, o Estado e a sociedade. Querem colocar a mão na gente, querem colocar a mão em nós. E ninguém vai nos calar. Para calar a nossa voz, vai ter que rasgar a Constituição do Brasil.”

Malafaia encerrou o discurso dizendo que os evangélicos voltarão a se reunir em Brasília se for preciso protestar.

Divergências sobre aborto, drogas e homofobia travam novo Código Penal Resposta

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As polêmicas relacionadas à reforma do Código Penal devem atrasar a tramitação do projeto de Lei 236/2012. Oficialmente, o relator do projeto, senador Pedro Taques (PMDB-MT), acredita que a proposta irá a plenário ainda no final do ano. No entanto, juristas e integrantes do Senado e da Câmara que acompanham a tramitação da matéria avaliam que ela somente irá a plenário para aprovação em 2014.

Quando a comissão especial de juristas começou a elaborar a reforma do Código Penal, em outubro de 2011, a expectativa era que esse trabalho fosse concluído em um ano e meio até se chegar a uma proposta legislativa que contemplasse as principais mudanças. Hoje, praticamente ao final desse prazo, a reforma do Código Penal ainda trava em diversos aspectos. E não há data para que um projeto de lei definitivo seja apresentado.

O novo Código Penal traz 542 artigos, mas já recebeu 500 emendas. Todas precisam ser discutidas. Agora, a proposta passará pelo menos seis meses sendo avaliada em audiências públicas em todo o Brasil. Somente após essas audiências é que será formatado um projeto para ir a plenário. “Teremos muitos debates ainda. E não podemos dizer que existem aspectos consensuais. Mas acredito que até o final do ano, teremos uma proposta aprovada”, afirmou Pedro Taques. “O Código Penal inteiro é polêmico. Direito Penal é polêmico”, disse o relator geral da Comissão de Juristas do projeto de Reforma do Código Penal, o jurista Luiz Carlos dos Santos Gonçalves.

A proposta elaborada pelo grupo de juristas encabeçados por Gonçalves recebeu críticas da própria comunidade jurídica. O ex-ministro da Justiça Miguel Reale Jr., por exemplo, classificou o novo código como um “risco de uma vergonha internacional” pelo seu rigor na punição de crimes ambientais. A nova proposta também não tem consenso quando trata de temas como a legalização (embora parcial) do aborto, a descriminalização do uso privado de drogas ou o estabelecimento do crime de homofobia.

Nem mesmo as propostas que são consideradas como maiores avanços do Novo Código Penal são consensuais entre juristas, Senado e Câmara. A nova legislação pretende punir, com mais vigor, qualquer crime de corrupção. O novo código aglutina os crimes de corrupção passiva, ativa, pune o enriquecimento ilícito (algo que não ocorre no código atual) e atribui responsabilidades à figura da Pessoa Jurídica (PJ), envolvido em qualquer tipo de ilícito. Essas propostas foram pensadas antes mesmo de uma visão mais dura para crimes de corrupção determinada durante o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado.

A proposta ligada à regulamentação do aborto, por exemplo, tem sido alvo de diversos protestos em todo o Brasil. Uma corrente mais conservadora, ligada a grupos religiosos, pedem uma punição mais rígida para mulheres que praticam aborto; a outra, aliada a movimentos sociais, pediu a legalização do aborto. O projeto de lei regulamenta uma posição intermediária: o aborto não se configuraria crime caso fosse realizado até a décima segunda semana de gestação, em caso de impossibilidade de vida do feto após o nascimento, quando a gravidez fosse resultado de estupro ou quando há risco de morte para a mãe.

Nessa semana, o Conselho Federal de Medicina (CFM) encaminhou um documento à comissão especial do Senado que elabora o Novo Código Penal manifestando-se favorável a essa proposta. No entanto, nem mesmo membros que elaboram o Código Penal são a favor dela. O próprio relator, Pedro Taques, é contra a liberação do aborto. E quando se fala da regulamentação do crime de homofobia, que, pelo novo Código Penal, seria análogo ao racismo, também existem resistências de alguns deputados e senadores, principalmente aqueles ligados à bancada evangélica.

Mesmo diante de pontos conflitantes, o jurista Luiz Carlos dos Santos Gonçalves acredita que o novo Código Penal vai trazer avanços para a sociedade brasileira, principalmente no que se refere ao endurecimento de certos crimes como o de corrupção. “O grande norte do projeto é o combate à corrupção. “A grande herança do novo Código Penal é trazer uma lei penal que acompanhe a sociedade brasileira. E a sociedade brasileira é cada vez menos tolerante com a corrupção e com a impunidade”, disse Gonçalves. “O Novo Código Penal dá uma sinalização muito clara de que a impunidade não pode prosseguir”, finalizou.

Entenda as polêmicas do novo Código Penal

– Descriminalização do uso de drogas: o usuário de drogas não é mais punido quando pego com uma quantidade pequena de entorpecentes. Mas a quantidade máxima de drogas por usuário ainda será regulamentado. Hoje, o usuário de drogas não é preso, mas sofre sanções penais como, por exemplo, prestação de serviços à comunidade.

– Legalização parcial do aborto: hoje o aborto é considerado crime contra a vida prevendo punição de um a dez anos, dependendo do consentimento ou não da mulher. O aborto não é considerado crime quando há risco de morte para a mulher, quando a gravidez é resultante de estupro ou se o feto é anencéfalo. No entanto, nas duas primeiras hipóteses, é necessário uma autorização judicial para o ato. Com o novo código, isso não seria necessário e a nova lei ainda abre brechas para o aborto até a 12ª semana de gravidez quando a mãe não tiver preparo psicológico para continuar com a gestação. Mas existe uma corrente que defende a legalização do aborto nesse período sem necessidade de laudos médicos.

– Homofobia: a homofobia seria elevada ao crime de racismo, ou discriminação ligada à procedência regional. Para esse crimes, o Código Penal prevê pena de um a cinco anos de prisão. O Código Penal atual prevê a punição por discriminação racial, mas não por homofobia.

– Progressão de pena: o novo Código Penal amplia o tempo de punição antes de o condenado ter direito à progressão de pena. Hoje, um condenado à prisão por homicídio pode ter progressão de pena para o regime semiaberto após cumprir 1/6 da pena. Com o novo Código Penal, essa progressão será somente após o cumprimento de 1/3 da pena. A medida também vale para condenados a crimes que levem à lesão do patrimônio público. Exemplo: uma pessoa condenada a 30 anos de prisão por um assassinato, pode ganhar o benefício do regime semiaberto após cumprir cinco anos de cadeia. No novo código, essa progressão de regime se dará apenas após dez anos de prisão.

– Crimes de corrupção: o novo Código Penal é mais rígido quanto aos crimes de corrupção. Pela primeira vez existe a tipificação do crime de enriquecimento ilícito, passível de um a cinco anos de prisão. Essa pena pode ser aumentada da metade e até 2/3, se a pessoa condenada por enriquecimento ilícito fizer o uso de “laranjas”. Também o Código Penal não distingue as figuras do corruptor ativo e passivo (algo que existe no atual código) e ainda pune as entidades privadas que participam de ato de corrupção. Hoje, apenas os proprietários ou funcionários respondem por crimes de corrupção, com o novo código, a empresa também pode ser multada ou até fechada. Uma outra inovação do Código Penal é a criminalização de atos de corrupção dentro de entidades privadas. Hoje, somente é considerado corrupção ato envolvendo dinheiro público.

Fonte: Paraiba.com.br

Festival Libercine, na Argentina, aposta na diversidade sexual 1

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O Festival Libercine, que acontece nesta semana, transforma Buenos Aires em uma vitrine internacional de produções que apostam na diversidade sexual, mas também buscam visualizar todo o caminho que falta percorrer para erradicar a violência por razões de gênero e identidade.

Cerca de 150 filmes serão exibidos na 5ª edição do festival, que tem como convidado especial o diretor americano Mark Freeman, que apresentará o premiado documentário “Transgender tuesdays”, ainda inédito na América Latina.

Os argentinos Marcelo Mónaco e Marco Berger apresentarão em estreia mundial “Violetas”, enquanto a compatriota Mónica Lairana assina o curta-metragem inaugural, “María”, um cruel olhar sobre as redes de tráfico de mulheres e sobre o exploração que são submetidas.

“Não foi casual, foi uma decisão política”, disse à Agência Efe o diretor do Libercine, Néstor Granda, sobre a seleção da filme de abertura do festival. “Queríamos nos posicionar pelo caso de Marita Verón”, explicou o diretor hispânico-argentino, em referência ao emblemático julgamento por tráfico humano que em dezembro gerou uma forte comoção na Argentina pela absolvição de todos os condenados.

O aborto, outro dos temas presentes na agenda argentina no último ano, é o eixo central do documentário “Regarde, Elle a les Yeux grand ouverts”, do francês Yann Le Masson, que foi projetado no domingo.

Le Masson reivindicou neste filme de 1977 o direito das mulheres para decidir sobre seu próprio corpo através de um coletivo francês que pratica abortos e partos fora de casa. A militância pelos direitos humanos e do coletivo LGTB é uma das características do festival há cinco anos, por conta de um caso ocorrido na Universidade Nacional de Córdoba (uns 800 quilômetros ao noroeste de Buenos Aires).

Granda recebeu um chamado da Universidade por um caso de discriminação contra uma aluna transexual e usou o cinema para descrever a tensão gerada pelo episódio. A pequena mostra de 1998 se transformou em festival intenerante dois anos depois, com edições em distintas cidades do país.

“Nos parece importante sair de Buenos Aires porque nas províncias acontecem coisas piores, há mais discriminação, sobretudo nas nortistas, que são muito conservadoras e a Igreja Católica tem muita influência”, explicou o diretor.

Nos últimos cinco anos, a Argentina aprovou a lei do casamento igualitário entre pessoas do mesmo sexo e a lei de identidade de gênero, que permite aos argentinos mudar o nome para se adequar a sua real identidade.

“Avançamos muito, mas segue existindo homofobia e transfobia”, disse Granda após destacar que o festival mantém “um propósito educativo” para que sejam reconhecidos os direitos de todas as pessoas.

Os cineastas latino-americanos se destacam na programação do festival e participam, entre outros, o mexicano Jaime Fidalgo com “Animal within”; o chileno Julio Jorquera, com “Meu último round”; o brasileiro Marcelo Caetano, diretor de “Na sua companhia”; o venezuelano J.G. Hernández, “La gran victoria”, e José Ignacio Correa, do Equador, autor do curta “Jackie”.

Além disso, o Libercine conta também com mesas redondas e exposições e ao longo de 2013, será reeditado em outras províncias argentinas.

Fonte: EFE

Papa diz que eutanásia e casamento gay afetam a paz mundial Resposta

Papa Bento XVI

O Papa Bento XVI atacou o aborto, o casamento gay e a eutanásia, que segundo o pontífice colocam em perigo a paz, na mensagem que será lida no primeiro dia do ano por ocasião da Jornada Mundial da Paz, divulgada com antecedência pelo Vaticano.

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Papa pede que católicos brasileiros se posicionem contra o casamento gay

“Os que trabalham pela paz são os que amam, defendem e promovem a vida em sua integridade”, escreveu o Papa na mensagem que será lida em todas as paróquias no dia 1º de janeiro de 2013.

“Aqueles que não apreciam suficientemente o valor da vida humana e, em consequência, defendem por exemplo a liberação do aborto, talvez não percebam que, deste modo, propõem a busca de uma paz ilusória. (…) A morte de um ser inerme e inocente nunca poderá trazer felicidade ou paz”, afirma o Papa.

“Quem quer a paz não pode tolerar atentados e delitos contra a vida”, completou.

“Qualquer agressão à vida, em especial em sua origem, provoca inevitavelmente danos irreparáveis ao desenvolvimento, à paz e ao meio ambiente”, sentencia o pontífice.

“Como é possível pretender conseguir a paz, o desenvolvimento integral dos povos ou a própria salvaguarda do ambiente, sem que seja tutelado o direito à vida dos mais frágeis, começando pelos que ainda não nasceram?”, questiona o chefe da Igreja Católica.

“Tampouco é justo codificar de maneira sub-reptícia falsos direitos ou liberdades, que, baseados em uma visão reducionista e relativista do ser humano, e por meio do uso hábil de expressões ambíguas encaminhadas a favorecer um suposto direito ao aborto e à eutanásia, ameaçam o direito fundamental à vida”, adverte.

Na mensagem, o Papa elogia os “artesãos da paz” e pede a construção da paz “por meio de um novo modelo de desenvolvimento e de economia”.

Bento XVI afirma que “para sair da atual crise financeira e econômica, que tem como efeito um aumento das desigualdades, são necessárias pessoas, grupos e instituições que promovam a vida, favorecendo a criatividade humana para aproveitar inclusive a crise como uma oportunidade de discernimento e um novo modelo econômico”.

Ele convida os católicos a “atender a crise alimentar, muito mais grave que a financeira” e a apoiar os agricultores para que desenvolvam sua atividade “de modo digno e sustentável”.

O Papa reitera na mensagem que “a paz não é um sonho, não é uma utopia: é possível”.

De que paz fala o Papa?

Atacar pessoas que querem ter direito sobre os seus corpos, atacar o amor é disseminar a paz? A Igreja Católica, que tanta atrocidade cometeu ao longo dos anos deveria ter revisto vários de seus conceitos. Proibir o uso de preservativos, é preservar a vida? Outra: se o homem foi feito para acasalar e procriar, os padres, inclusive o Papa, deveriam fazer o mesmo, correto? E os casos de pedofilia envolvendo lideranças católicas e acobertados pelo Papa? Não é por acaso que a Igreja Católica está em franca decadência.

*Com informações da AFP