Mulher trans interpreta Jesus em peça em Osasco (SP) 1

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Dia 22 será encenada no SESC de Osasco (SP) o espetáculo “O Evangelho Segundo Jesus – Rainha do Céu”, da dramaturga transexual Jo Clifford.

Quem interpretará Jesus vai ser a atriz e ativista trans Renata Carvalho.

A identidade de gênero tem papel chave no espetáculo que busca transformação do olhar diante do grupo LGBT e construção de uma sociedade mais inclusiva e igualitária.

Ao recontar algumas parábolas bíblicas, como “ O Bom Samaritano”, “A semente de mostarda” e “A Mulher Adúltera”, o monólogo propõe uma reflexão sobre a opressão e intolerância sofridas por transgêneros e outras minorias e reitera valores cristãos como amor, perdão e aceitação.

Na Escócia

“O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu” estreou na Escócia em 2009 sob ameaças de censura e de ataque à autora.

Desde então, Clifford, que é católica fervorosa e ativista transgênero, recebeu prêmios como o Scottish Arts Club e LGBT Award, alcançando projeção internacional para seu trabalho.

Recepção no Brasil

Assim como na Escócia, a recepção da peça no Brasil teve certa resistência por parte de entidades religiosas.

Na maioria das cidades por onde passou houve alguma manifestação contrária ao espetáculo, seja por parte das comunidades católicas e também das evangélicas. Em Osasco não houve nenhuma tentativa de boicote, por enquanto.

Ingressos a partir de 14/4 na internet, e 15/4 nas bilheterias
22/4, ás 20h
Sesc Osasco: Av. Sport Club Corinthians Paulista, 1.300, Jardim das Flores.
R$ 20

Opinião

Se a intenção é passar uma mensagem de inclusão, tolerância e respeito, escrita por uma cristã ativista, não vejo problema, apesar de não ter assistido à peça. Aliás, mesmo que a autora não fosse cristã, mas houvesse respeito, não teria problema algum.

Quem não se lembra do episódio em que a trans Viviany Beleboni saiu na 19a Parada Gay de São Paulo crucificada? Viviany chegou a ser agredida perto de sua casa, após o episódio, mas, por outro lado, teve os pés lavados pelo padre católico Júlio Lancellotti e o pastor evangélico da Igreja Batista José Barbosa Júnior.

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Padre Júlio Lancellotti e pastor José Barbosa Júnior lavam os pés de Viviany Beleboni

Em 2014 jogue seu preconceito no lixo Resposta

 

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Luto por um Brasil sem homofobia e transfobia. Isso não quer dizer que eu não me preocupe com outros problemas do país, como a fome e a corrupção. Lutar contra a violência que mata praticamente um LGBT por dia é lutar por um Brasil melhor, mais justo para todos. Você não precisa ser lésbica, gay, bissexual, travesti, transexual, transgênero para lutar contra a violência praticada contra os LGBTs, basta se colocar no lugar do outro e ter um pouco de sensibilidade. Não queremos privilégios e não nos achamos melhores do que ninguém, apenas queremos direitos iguais, queremos poder andar nas ruas sem medo e manifestar o nosso amor livremente. Comece o ano de 2014 de uma forma diferente: JOGUE O SEU PRECONCEITO NO LIXO!

‘Se o Brasil manejar Aids entre gays, estará perto do fim da epidemia’, afirma número 2 do Programa de Aids das Nações Unidas Resposta

O brasileiro Luiz Loures, vice-diretor do Programa de Aids das Nações Unidas, diz que mesmo com toda a discussão em torno do casamento entre homossexuais, não há indício de redução da discriminação de uma forma mais global Unaids

O brasileiro Luiz Loures, vice-diretor do Programa de Aids das Nações Unidas, diz que mesmo com toda a discussão em torno do casamento entre homossexuais, não há indício de redução da discriminação de uma forma mais global Unaids

O vice-diretor do Programa de Aids das Nações Unidas (Unaids), o brasileiro Luiz Loures, é um homem com uma missão: decretar o fim da epidemia até 2030. Não da Aids, como ele sempre gosta de frisar, mas da epidemia da doença. Para o infectologista, basta olhar para os grandes avanços obtidos tanto na prevenção quanto no tratamento nas últimas décadas. O número de novos casos, para se ter uma ideia, caiu em um milhão em menos de dez anos. E a quantidade de gente em tratamento cresceu exponencialmente no mesmo período. Surpreendentemente, no entanto, a infecção volta a crescer no mundo inteiro entre os homossexuais masculinos — o primeiro grupo a ser atingido em cheio pela doença e também o primeiro a dar uma resposta social ao problema. Segundo Loures, para que sua meta seja cumprida, é preciso repensar as estratégias de combate à Aids.

O senhor costuma ser otimista. Acha que até 2030 já poderemos falar no fim da epidemia?

Eu sou um otimista mesmo. Acho que até 2030 já podemos estar falando em fim da epidemia. Não no fim da Aids, claro. Mas da epidemia. Para isso, no entanto, é preciso haver renovação nas estratégias de combate à doença. É como se a epidemia, de certa forma, estivesse se adaptando aos progressos que fizemos. Então, temos que inovar.

De que forma?

Precisamos mudar a rotina de tratamento, tratar imediatamente a população mais vulnerável. Não esperar a contagem das células CD4 (células do sistema imunológico) cair, mas tratar imediatamente. Já sabemos hoje que o tratamento é importante para a sobrevida e a qualidade de vida do paciente, mas também como forma de prevenção. Quem se trata não transmite. Felizmente, claro, não temos pessoas morrendo de Aids o tempo todo. Mas, por conta disso, a percepção de risco de um jovem gay hoje não é a mesma dos anos 80 e 90. Então temos que adaptar as estratégias.

Há uma tendência global de aumento da doença entre os gays. Por que isso está ocorrendo justamente entre o grupo que primeiro foi mais atingido e que respondeu bem à epidemia nos anos 80?

Eu não sei. Devolvo a pergunta para você. Falta a inserção do assunto como prioridade para a comunidade gay. E só faz aumentar. Está acontecendo na Europa, nos Estados Unidos, na China e na África. A tendência é ascendente em toda parte. É preciso que o tema seja tratado com a importância que tem. Há muita ênfase no debate sobre o casamento gay e pouca para esta questão.

A discussão sobre o casamento gay em várias partes do mundo não é um avanço? Não é um sinal da redução da discriminação?

É claro que é um avanço. Mas, com toda a discussão que está rolando hoje no mundo, não há evidência da redução da discriminação, pelo menos não entre aqueles sujeitos mais vulneráveis. Na última reunião da Organização Mundial de Saúde (OMS) houve uma proposta de se colocar como um item da agenda a questão da saúde LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros). E não passou. Houve um bloqueio. O casamento gay é um avanço social muito importante. Mas por que não conseguimos também discutir a saúde como um item de agenda da OMS? É um paradoxo.

É uma surpresa essa tendência de aumento da epidemia entre os homossexuais?

Não sei se é surpresa. Talvez nem seja. Os fatores que contribuem para isso continuam existindo e levando a epidemia à frente. Para se ter uma ideia, os países que mais recebem dinheiro internacional para a Aids são os mesmos que criminalizam a relação entre pessoas do mesmo sexo — alguns deles, inclusive, com pena de morte. Meus amigos gays vão me matar por dizer isso, mas a verdade é que precisamos de mais engajamento. Fora isso, eu não tenho outra coisa a fazer a não ser propor uma nova estratégia de tratamento.

Inclusive para o Brasil? Há também uma tendência de aumento da doença entre os jovens homossexuais no país?

Sim. No Brasil, cerca de metade dos novos casos da doença ocorre entre homossexuais jovens. E o país, que foi o pioneiro na universalização do tratamento, tem agora uma nova possibilidade concreta de ser o primeiro país do mundo a decretar o fim da epidemia; se conseguir manejar a questão entre os gays. E isso é uma chance histórica, uma oportunidade única.

Qual seria o impacto para o país de passar a tratar imediatamente a população de risco que testasse positivo? O país tem como arcar com isso?

Isso representaria, no Brasil, umas 100 mil pessoas a mais. Atualmente, cerca de 300 mil recebem o coquetel. O país tem como arcar com isso. Precisamos que o Brasil, mais uma vez, seja pioneiro e que seja o primeiro país do mundo a começar a tratar imediatamente todas as populações vulneráveis.

Fonte: O Globo

É hora de discutir a homofobia no futebol 1

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O selinho do jogador corintiano Emerson Sheik no amigo Isaac Azar trouxe à tona a questão da homofobia no futebol em função da reação agressiva de torcedores do clube que protestaram contra a atitude do herói da Libertadores de 2012.

Mas não é uma questão nova, ainda que não tenha merecido a atenção devida nem dos dirigentes esportivos da CBF e das federações, tampouco das equipes profissionais. “Os clubes de futebol, a imprensa esportiva e outros atores envolvidos com o futebol legitimam a homofobia ao silenciarem sua existência. Ao não serem citados, os xingamentos homofóbicos acabam sendo naturalizados”, acredita Gustavo Andrada Bandeira, pedagogo e autor da dissertação intitulada Eu canto, bebo e brigo… alegria do meu coração: currículo de masculinidades nos estádios de futebol. “Os nossos grandes clubes possuem origens e histórias mais ou menos semelhantes. Não vejo, neste momento, condições para que um clube de futebol brasileiro levante qualquer bandeira política que o diferencie dos demais.”

O surgimento das torcidas queer, que combatem a homofobia nas redes sociais, teve o mérito de tirar esse tema da invisibilidade. Mas, mesmo ganhando inúmeros adeptos e o apoio de outros tantos, reconhecem dificuldades para fazerem coisas simples, como manifestar o amor pelo seu time em um estádio de forma coletiva.

“Frequentamos o estádio e temos sim esse objetivo [de comparecer como organizada]. Mas queremos fazer tudo com calma e no momento certo, é preciso garantir a integridade física de todos os participantes. Infelizmente a intolerância é muito grande e, a julgar pelas ameaças que recebemos na página, sabemos que não será fácil fazer protestos no estádio. Estamos pensando na melhor forma de fazer isto”, diz Milena Franco, da Galo Queer, torcida considerada precursora do movimento atual.

Algumas torcidas já tentaram ir aos estádios levando a temática LGBT. Muito antes da internet e das redes sociais, em 1977, surgiu a primeira organizada gay do Brasil, a Coligay,  fundada por Volmar Santos, então dono da boate Coliseu, para apoiar o Grêmio. Hostilizada pelos próprios torcedores do clube, foi extinta na década de 1980. Outro exemplo que também não foi adiante é a FlaGay, fundada pelo carnavalesco botafoguense Clóvis Bornay e que teve idas e vindas entre o final da década de 1970 e os anos 1990.

Quanto ao comparecimento em estádios, a Bambi Tricolor enfrenta a mesma dificuldade da Galo Queer, mas em um nível talvez pior, já que são-paulinos são muitas vezes alvo de ofensas homofóbicas por parte dos rivais. “Há uma forte resistência entre os torcedores, agravada, inclusive, pela escolha do nome Bambi Tricolor. E embora a maioria que se manifesta tenha consciência de que as provocações e ofensas contra os são-paulinos tem um forte caráter homofóbico, não é muito clara a ideia de que a reação da torcida, de modo geral, tende a reforçar a homofobia”, conta Aline, representante da Torcida.

Confira nos links abaixo as três entrevistas feitas pelo Futepoca em abril e maio deste ano sobre a homofobia no futebol brasileiro.

“Nossa cultura ainda é muito permissiva em relação à homofobia”

Entrevista com Gustavo Andrada Bandeira, pedagogo e autor da dissertação intitulada Eu canto, bebo e brigo… alegria do meu coração: currículo de masculinidades nos estádios de futebol.

“Em questões que envolvem violência, todo silêncio é, na verdade, uma omissão”

Entrevista com Aline, representante da Bambi Tricolor

“A rivalidade faz parte do futebol, mas a homofobia não”

Fonte: EBC

Casal de lésbicas do Equador entra na justiça em busca do direito de se casar Resposta

Duas mulheres que tiveram negado o pedido de casamento no Registro Civil do Equador anunciaram nesta quinta-feira (8/8) que vão recorrer a instâncias nacionais e internacionais para que o direito de casarem-se seja respeitado.

‘Estaremos na próxima terça na sala de sorteios da Função Judicial para apresentar uma ação de proteção’ por causa da recusa do Registro Civil de formalizar o casamento, disse nesta quinta-feira Pamela Troya. Ela não descartou, inclusive, levar o caso à Corte Interamericana de Direitos Humanos para garantir o direito de se casar com sua companheira, Gabriela Correa.

Para Pamela haveria uma ‘violação de direitos’, sobretudo do que garante igualdade de todas as pessoas perante a lei. Se a reivindicação não for atendida na justiça, o casal pretende ir até a Corte Provincial e a Corte Constitucional, máximo organismo de controle legal do país e que, segundo Pamela, pode fazer uma interpretação do caso.

‘Não estamos pedindo que se modifique a Constituição, pedimos que haja uma leitura interpretativa’ do artigo que estabelece que o casamento só se contrai entre um homem e uma mulher, ‘o que viola outras considerações constitucionais como a igualdade de direitos perante a lei’, apontou.

O casal entrou com uma ação de proteção, que ‘é um recurso que qualquer cidadão pode utilizar quando sente que seus direitos foram negados’, acrescentando que o caso pode criar a jurisprudência necessária para que outros casais homossexuais possam contrair matrimônio.

‘Não se trata só de reivindicar o casamento, mas de reivindicar que todos somos iguais perante a lei’, disse. ‘Estamos no século XXI, superamos o obscurantismo há muito tempo’, ao citar que 16 países no mundo já incluíram o casamento homossexual na legislação.

O Registro Civil de Quito divulgou ontem um comunicado no qual pedia que Pamela e Gabriela que completem ‘os requisitos estabelecidos na Constituição da República e no Código Civil’, para dar continuidade ao trâmite de casamento.

A agência de identificação lembrou que a Constituição estabelece que ‘o casamento é a união entre homem e mulher’ e que o Código Civil diz que o ‘casamento é um contrato solene pelo qual um homem e uma mulher se unem a fim de viver juntos, procriar e ajudarem-se mutuamente’.

O casal interpretou essa resposta como uma negativa ao pedido, embora Pamela também a tenha qualificado como ‘confusa’. ‘Que parte que somos lésbicas não entenderam?’.

O pedido de casamento delas faz parte de uma ação de grupos que reivindicam o ‘casamento igualitário’ e o direito constitucional ao casamento para pessoas homossexuais.

Segundo a Rede de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Transgêneros (LGBTI) do Equador, até julho Argentina, Brasil, Espanha, Uruguai, Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Holanda, Inglaterra, Gales, Islândia, Noruega, Nova Zelândia, Portugal, África do Sul e Suécia reconheceram o casamento entre homossexuais, assim como alguns estados do EUA e do México, além de o tema estar sendo discutido em outros 18 países.

O presidente equatoriano, Rafael Correa, levantou a possibilidade de aproveitar as eleições locais de fevereiro de 2014 para submeter à consulta popular a questão do casamento gay. Os coletivos GLBTI do Equador rejeitam a proposta, por considerar que esse é um direito humano, e assim não caberia submetê-lo à consulta da população.

Fonte: EFE

Roberto Gurgel pede ao STF a absolvição de Marco Feliciano Resposta

O procurador-geral da república, Roberto Gurgel, pediu no último dia 27, ao Supremo Tribunal Federal, a absolvição do deputado federal Marco Feliciano, do PSC de São Paulo.

Ele foi acusado de estelionato por ter recebido R$ 13 mil para participar de um culto evangélico, mas não compareceu.

Segundo o procurador, as investigações não revelaram provas de que Feliciano tenha participado ou soubesse das negociações entre a organização do evento e sua assessoria. O relator do caso no Supremo, ministro Ricardo Lewandowski, vai analisar os argumentos do deputado e do Ministério Público antes de levar o processo para julgamento em plenário.

Renan Calheiros diz que projetos contra tortura e homofobia serão prioritários no Senado Resposta

O presidente do Senado, Renan Calheiros, afirmou que passará a dar prioridade à votação de propostas contra a tortura e de projetos que criminalizam a homofobia

O presidente do Senado, Renan Calheiros, afirmou que passará a dar prioridade à votação de propostas contra a tortura e de projetos que criminalizam a homofobia

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), afirmou nesta terça-feira (4/6) que passará a dar prioridade à votação de propostas contra a tortura e de projetos que criminalizam a homofobia.

Ele anunciou a decisão ao discursar durante encontro com a ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário. De acordo com o senador, o pedido de votação prioritária de propostas sobre esses temas partiu da própria ministra.

“Assumi com a ministra o compromisso de priorizarmos a apreciação de alguns projetos dessa agenda de direitos humanos. Eu considero fundamental que vá adiante, para esse aumento do diálogo com a sociedade”, declarou.

A ministra foi ao Senado para entregar a Renan Calheiros e ao presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, o substitutivo do projeto de lei que cria o Estatuto da Pessoa com Deficiência.

Segundo Maria do Rosário, o texto garante o acesso de pessoas com deficiência ao mercado de trabalho e à educação. Henrique Alves afirmou que o texto deve ser votado até outubro, para em seguida ser analisado no Senado.

Homofobia

Questionado sobre as divergências que o projeto que criminaliza a homofobia gera no Congresso, Renan Calheiros afirmou que será preciso levar o texto para votação.

“O processo legislativo caminha mais facilmente pelo acordo, pelo consenso , pelo entendimento. Quando isso não acontece, você tem que submetê-lo à votação, à apreciação, à deliberação. É o que vai acontecer com relação ao projeto da homofobia”, disse.

Atualmente, projeto que criminaliza a homofobia tramita na Comissão de Direitos Humanos do Senado.

“Os projetos de tortura e de homofobia, essas coisas terão de ser priorizadas, a exemplo do que estamos fazendo com a pessoa com deficiência”, declarou Renan.

Tortura

Também tramita no Senado sem previsão de votação no plenário,projeto de autoria do Executivo que cria o Sistema Nacional de Combate à Tortura.

A proposta estabelece a criação de um comitê que terá livre acesso, sem aviso prévio, a instituições de privação de liberdade ou de longa permanência – como presídios, delegacias e hospitais psiquiátricos – para verificação de incidência de tortura.

Países não têm estratégia comum para combater violência contra homossexuais Resposta

 

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A violência contra os homossexuais passa por diferentes formas de enfrentamento no mundo. Representantes de países da União Europeia e das Américas trocaram ontem (4/4) experiências sobre o combate ao problema e mostraram que é grande a diversidade de políticas e ações adotadas pelos governos.

Em todo o mundo, 76 países criminalizam as relações sexuais consensuais entre pessoas do mesmo sexo e cinco países impõem até mesmo pena de morte a esses casos. O levantamento foi apresentado pela chefe da delegação da União Europeia no Brasil, Ana Paula Zacarias. Ela também apresentou a experiência positiva da União Europeia que aprovou legislação que proíbe discriminação no trabalho incluindo a discriminação por orientação sexual. Para ingressar no bloco, o país tem que concordar com essa determinação.

“A União Europeia tem feito um grande trabalho nessa área, sobretudo nas últimas duas décadas. É um trabalho que exige uma mudança de mentalidade”, disse Ana Paula.

Também na Europa, a Espanha tem um caso bem sucedido na área de violência aos homossexuais. Em Barcelona, a polícia tem sido preparada para atender de forma diferenciada casos de homofobia. “A polícia garante o registro da violência respeitando as especificidades dessa população de forma que as pessoas não sejam vítimas de violências duas vezes”, explica Miguel Vale que apresentou no encontro a experiência europeia de combate à violência homofóbica.

A diretora do Centro Nacional de Educação Sexual de Cuba e filha do presidente Raúl Castro, Mariela Castro, relatou que Cuba teve uma colonização fortemente patriarcal e homofóbica, mas o governo trabalha em legislações e com estratégicas educativas para garantir os direitos dos homossexuais. Todos os meses de maio acontece no país uma jornada de eventos e discussões sobre o tema motivado pelo Dia Internacional contra a Homofobia, celebrado no dia 17 do mesmo mês.

“Estamos trabalhando em leis, em diferentes tipos de normas e a mais forte é uma estratégia educativa permanente para promover o respeito à livre orientação sexual e identidade de gênero que começamos em 2007. Isso está ajudando muito toda a sociedade cubana a discutir o tema”, contou Mariela Castro.

No Brasil, o pacto estabelecido com 15 estados para formar policiais para ações em crimes de caráter homofóbico foi citado pela ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário. A ministra destacou que o Brasil precisa agora priorizar a aprovação de uma legislação especifica para os crimes motivados pela orientação sexual.

“Se não tivéssemos a Lei Maria da Penha estaríamos ainda falando de violência doméstica como algo que não diz respeito à esfera pública do Estado. Assim, o Brasil precisa também ter uma legislação específica contra a homofobia”, disse a ministra.

O Seminário LGBT Brasil – União Europeia segue até amanhã (5) com a troca de experiências entre os participantes.

Fonte: Agência Brasil

Evangélicos, aliados do PT, impõem no Brasil o conservadorismo, diz Le Figaro 4

Jornal francês afirmou que "democraciabrasileira está infiltradas de evangélicos"

Jornal francês afirmou que “democracia
brasileira está infiltradas de evangélicos”

O jornal francês Le Figaro publicou reportagem de seu correspondente no Brasil informando que os evangélicos aliados do PT, o partido governista, estão impondo a sua visão conservadora ao país.

Com o título “A democracia brasileira está infiltrada de evangélicos”, a reportagem cita no começo, como exemplo, a declaração do pastor e deputado Marco Feliciano segundo a qual “as mulheres querem trabalhar, o que destrói a família e cria uma sociedade de homossexuais”.

Feliciano pertence ao PSC (Partido Social Cristão), que faz parte da base de apoio do governo de Dilma Rousseff. O próprio pastor, na campanha eleitoral, defendeu em cultos a então candidatura da petista.

Le Figaro explicou aos franceses que Feliciano não é um simples deputado, porque se tornou o presidente da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias da Câmara.

O jornal também informou que a multipartidária Frente Parlamentar Evangélica montou uma estratégia que tem funcionado: se fazer representar em comissões relacionadas a questões sensíveis à pregação religiosa, como a união entre pessoas do mesmo sexo e a discussão sobre a liberação do aborto.

Explicou ainda que a presença de evangélicos na política brasileira é recente, ocorrendo após o fim da ditadura militar.

Contou que os pastores decidiram ter um papel político a perceberam o grande poder que têm sobre os fiéis, em um momento histórico em que se acelerou a decadência no país da Igreja Católica.

Fonte: Paulopes

Grupo Gay da Bahia divulga Relatório Anual de Assassinato de LGBT relativo a 2012 2

Grupo Gay da Bahia

O Grupo Gay da Bahia (GGB) divulga mais um Relatório Anual de Assassinato de Homossexuais (LGBT) relativo a  2012. Foram documentados 338 assassinatos de gays, travestis e lésbicas no Brasil, incluindo duas transexuais brasileiras mortas na Itália. Um assassinato a cada 26 horas!  Um aumento de 27% em relação ao ano passado (266 mortes) crescimento de 177% nos últimos sete anos.

Os gays lideram os “homocídios”:  188 (56%), seguidos de 128 travestis (37%), 19 lésbicas (5%) e 2 bissexuais (1%). Em 2012 também foi assassinado brutalmente um jovem heterossexual na Bahia, confundido com gay, por estar abraçado com seu irmão gêmeo. O Brasil confirma sua posição de primeiro lugar no ranking  mundial de assassinatos homofóbicos, concentrando 44% do total de execuções de todo o planeta. Nos Estados Unidos, com 100 milhões a mais de habitantes que nosso país, foram registrados 15 assassinatos de travestis em 2011, enquanto no Brasil, foram executadas 128 “trans”.O risco, portanto, de uma trans ser assassinada no Brasil é 1.280% maior do que nos Estados Unidos.

O GGB, que há mais três décadas coleta informações sobre homofobia no Brasil denuncia a irresponsabilidade dos governos federal e estadual em garantir a segurança da comunidade LGBT: a cada 26 horas um homossexual brasileiro foi barbaramente assassinado em 2012, vítima da homofobia. Nunca antes na história desse país foram assassinados e cometidos tantos crimes homofóbicos. A falta de políticas públicas dirigidas às minorias sexuais mancha de sangue as mãos de nossas autoridades.

Crimes por região, estado e capital. Apesar de São Paulo ser o estado onde mais LGBT foram assassinados,  45 vítimas, Alagoas com 18 homicídios é o estado mais perigoso para homossexuais em termos relativos, com um índice de 5,6 assassinatos por cada milhão de habitantes, sendo que para toda a população brasileira, o índice é 1,7 vítimas LGBT por milhão de brasileiros.  Paraíba ocupa o segundo lugar, com 19 assassinatos e 4,9 crimes por milhão, seguido do Piauí com 15 mortes, 4,7 por milhão de habitantes. No outro extremo, os estados onde registraram-se menos  homicídios de LGBT foram o Acre – aparentemente nenhuma morte nos últimos dois anos, seguido de Minas Gerais, cujas 13 ocorrências representam 0,6 mortes para cada milhão de habitantes, Rio Grande do Sul e  Maranhão com 0,7, Rio de Janeiro com 0,8 e São Paulo, 1,07 mortes por cada milhão de habitantes.

Como nos anos anteriores, o Nordeste confirma ser a região mais homofóbica do Brasil, pois abrigando 28% da população brasileira, aí concentraram-se 45% das mortes, seguido de 33% no Sudeste e Sul , 22% no Norte e Centro Oeste. Embora Manaus tenha sido a capital onde foi registrado o maior número de assassinatos, 14, numero altíssimo se comparado com os 12 de  São Paulo, em termos relativos, Teresina é a capital mais homofóbica do Brasil, com 15,6 homicídios para pouco mais de 800 mil habitantes, seguida de Joao Pessoa, com 13,4 mortes para 700 mil. Maceió ocupa o terceiro lugar, com 10,4 assassinatos para pouco mais de 900 mil habitantes, enquanto S.Paulo  teve 12 mortes de lgbt, o que representa 1,05 para mais de 11 milhões de moradores.

Não se observou correlação evidente entre desenvolvimento econômico regional, escolaridade, religião,  raça, partido político do governador e maior índice de homofobia letal.

A pesquisa. Segundo o coordenador desta  pesquisa,  o Prof. Luiz Mott, antropólogo da Universidade Federal da Bahia, “a subnotificação destes crimes é notória, indicando que tais números representam apenas a ponta de um iceberg de violência e sangue, já que nosso banco de dados é construído a partir de notícias de jornal, internet e informações enviadas pelas Ongs LGBT, e a realidade deve certamente ultrapassar em muito tais estimativas.  Dos 338 casos, somente em 89 foram identificados os assassinos, sendo que em 73%  não há informação sobre a captura dos criminosos, prova do alto índice de impunidade nesses crimes de ódio e gravíssima homofobia institucional/policial que não investiga em profundidade tais homicídios. Impunidade observada não apenas  no pobre e homofóbico Nordeste, como no Rio Grande do Norte, com 9 dentre 10 crimes impunes, mas também no rico e civilizado Sul, como no Paraná, que dos 19 homocídios, 15 permanecem impunes. Para o Presidente do Grupo Gay da Bahia, Marcelo Cerqueira, “o mau exemplo vem da própria  Secretária Nacional de Segurança Pública, Regina Mick, que declarou recentemente que ‘não existem no Brasil crimes com conotação homofóbica’, ignorando a crueldade da homofobia cultural que estigmatiza e empurra as travestis para a marginalidade, assim como o efeito pernicioso dos sermões dos fundamentalistas ao demonizar os gays,  acirrando sobretudo entre os jovens o ódio anti-homossexual.”

Perfil das vítimas: Quanto a idade, 7% dos LGBT tinham menos de 18 anos ao serem  assassinados, sendo o mais jovem um adolescente  gay  paulista de 13 anos que se suicidou por não aguentar o bullying que vinha sofrendo em casa e na escola.  Suicidas homossexuais  também são considerados vítimas da homofobia. 44% desses mortos tinham menos de 30 anos e 8% mais de 50.  A faixa etária que apresenta maior risco de assassinato, 57%, situa-se entre 20-40 anos. A vítima mais velha tinha 77 anos, Wilson Brandão de Castro, proprietário de uma sauna em Belo Horizonte, assassinado com 7 tiros.

Quanto à composição racial, chama a atenção o desinteresse dos jornalistas e policiais em registrar a cor dos LGBT assassinados, apenas 42% das vítimas são identificadas e dentre estas, há pequena superioridade de pardos e pretos, 53% para 47% de brancos. Os/as pretos são o menor grupo vítima da homofobia letal, 7,5%, estando ausentes no segmento das lésbicas.

Os homossexuais assassinados exerciam 48 diferentes profissões, confirmando a presença do “amor que não ousava dizer o nome” em todas as ocupações e estratos sociais. Predominam as travestis profissionais do sexo, 72 das vítimas (45%), seguidas de 19 comerciantes, 16 professores, 9 cabeleireiros e empresários, 7 pais de santo, 2 políticos e jornalistas, etc.

Quanto à causa mortis, repete-se a mesma tendência dos anos anteriores, confirmando pela violência extremada, tratar-se efetivamente tais mortes do que a Vitimologia chama de crimes de ódio: 115 dos assassinatos foram praticados com armas de fogo, 88 com arma branca (faca, punhal, canivete, foice, machado, tesoura), 50 espancamentos (paulada, pedrada, marretada), 8 foram queimados. Constam ainda afogamentos, atropelamentos, enforcamentos, degolamentos,asfixia, empalamentos e violência sexual, tortura.  Oito das vítimas levaram mais de uma dezena de golpes ou projéteis: José Pedro do Santos, de Ibititá, Ba, morreu com mais de 30 facadas; Dimitri Cabral,  gay de 20 anos de Campina Grande, PB, foi morto com 19 tiros.

O padrão predominante é o gay ser assassinado dentro de sua residência, com armas brancas ou objetos domésticos, enquanto as travestis e transexuais são mortas na pista, a tiros. Um dos crimes mais chocantes ocorreu em fevereiro de  2012:  gay Wilys Vitoriano, negro, 26 anos, foi encontrado morto, dentro da casa em que morava,  no centro de Vila Velha, ES:  “o cenário na casa era de horror. Havia manchas de sangue em várias partes da residência. A vítima estava apenas de sunga e apresentava 68 perfurações no corpo, causadas por diferentes objetos cortantes e na parede da casa de um dos vizinhos, apareceu uma pichação com os dizeres: VIADOS”.

Em Alagoas, no município sertanejo de Olivença, 10 mil habitantes, a travesti Soraia, 39 anos,  foi amordaçada, teve pedaços de madeira introduzidos no ânus e o pênis queimado com álcool. Sobreviveu alguns dias, com muitas dores, exalando odor de podridão, até que foi operada, sendo retirado do intestino grosso um pedaço de madeira de  15 cm,  morrendo logo a seguir com infecção generalizada.

Em abril, outro crime bárbaro chocou a cidade de Bequimão, no Maranhão. Um adolescente de 14 anos foi assassinado pelo padrasto de 25 anos porque não aceitava que o enteado fosse gay assumido. A vítima foi encontrada enterrada em um terreno nas proximidades de onde morava e segundo a polícia, havia indícios que o garoto teria sido enterrado vivo pelo padrasto, que conseguiu fugir.

2012 fica marcado como o ano em que mais lésbicas foram assassinadas em toda história do Brasil: 19, sendo que nos anos anteriores oscilaram os crimes lesbofóbicos entre 1 a 10 casos anuais. Durante os mandatos de FHC foram assassinadas 27 lésbicas, enquanto no governo Lula/Dilma mataram 44, um aumento de 63% nos últimos 9 anos. Na Bahia, em agosto último, duas  lésbicas de 22 e 25 anos, vivendo juntas com a aprovação de suas famílias,  foram covardemente assassinadas a tiros quando andavam de mãos dadas no centro comercial de Camaçari. Em Salvador, após uma discussão, um vizinho invadiu a casa de outro casal de lésbicas de 19 e 22 anos, esfaqueando-as, causando a morte da mais jovem. Dentro do segmento LGBT, as travestis e transexuais são as mais vulneráveis face aos crimes letais: contando com uma população estimada em 1 milhão de pessoas, o risco de uma trans ser assassinada é 9.354% maior do que a soma das demais categorias, gays/lésbicas/bissexuais, que juntas devem representar por volta de 19 milhões de pessoas, ou seja, 10% da população brasileira, tomando como referência  o Relatório Kinsey.

Assassinos: Quanto aos autores destes crimes homofóbicos, a mídia é extremamente lacunosa, já que apenas 1/4 dos homicidas foram identificados nos inquéritos policiais. Destes, 17% tinham menos de 18 anos, demonstrando o altíssimo índice de homofobia entre os jovens, 85%  abaixo de 30 anos. 21% desses crimes foram praticados por 2 a 4 homens, aumentando ainda mais a vulnerabilidade da vítima. Predominam entre estes criminosos,  seguranças particulares, rapazes de programa e ocupações de baixa remuneração, muitos destes crápulas já com passagem pela polícia e uso de revólver, já que 44% das mortes foram praticadas com arma de fogo.

Crimes Homofóbicos. Seriam todos esses 338 assassinatos crimes homofóbicos? O Prof.Luiz Mott é categórico: “99% destes homocídios contra LGBT têm como agravante seja a homofobia individual, quando o assassino tem mal resolvida sua própria sexualidade e quer lavar com o sangue seu desejo reprimido; seja a homofobia cultural, que pratica bullying  e expulsa as travestis para as margens da sociedade onde a violência é endêmica; seja a homofobia institucional, quando o Governo não garante a segurança dos espaços freqüentados pela comunidade lgbt ou como fez a Presidente Dilma, vetou  o kit anti-homofobia, que deveria ter capacitado mais de 6milhões de jovens  no respeito aos direitos humanos dos homossexuais.” Para o analista de sistemas Dudu Michels,  “quando o Movimento Negro, os Índios ou as Feministas divulgam suas estatísticas, não se questiona se o motivo de todas as mortes foi racismo ou machismo, porque exigir só do movimento LGBT atestado de homofobia nestes crimes hediondos? Ser travesti já é um agravante de periculosidade dentro da intolerância  machista dominante em nossa sociedade, e mesmo quando um gay é morto devido à violência doméstica ou latrocínio, é vítima do mesmo machismo que leva as mulheres a serem espancadas e perder a vida pelas mãos de seus companheiros, como diz o ditado, ‘viado é mulher tem mais é que morrer!”

Um crime emblemático. Na avaliação dos responsáveis  pela manutenção deste Banco de Dados, dentre os 338 assassinatos de LGBT documentados em 2012, o mais emblemático é o caso de Lucas Fortuna, 28 anos, jornalista de Goiânia, destacado ativista gay, morto aos 19-11-2012 por dois assaltantes numa praia na região metropolitana de Recife. Seu corpo com o rosto desfigurado foi encontrado com profundas marcas de espancamento. Irresponsavelmente o Departamento de Homicídios de  Pernambuco declarou tratar-se de latrocínio, descartando ódio homofóbico. Presos os dois assassinos confessaram ter na mesma noite assaltado quatro indivíduos, limitando-se a roubar-lhes o celular. No caso de Lucas, espancaram-no, saltaram encima de seu corpo e jogaram-no ao mar de um penhasco de dez metros. Porque mataram com tanto ódio apenas o gay? Homofobia! A imprensa considerou Lucas Fortuna o “Herzog dos gays”!

O Grupo Gay da Bahia disponibiliza em seu site http://homofobiamata.wordpress.com/  o banco de dados completo com  todas as notícias de jornal, vídeos, tabelas e gráficos sobre todos os 338 assassinatos de LGBT de 2012, assim como o manual “Gay vivo não dorme com o inimigo” como estratégia para erradicar esse “homocausto”.

Solução contra crimes homofóbicos

Para o Presidente do GGB, Marcelo Cerqueira, “há quatro soluções emergenciais para a erradicação dos crimes homofóbicos: educação sexual para ensinar à população a respeitar os direitos humanos dos homossexuais; aprovação de  leis afirmativas que garantam a cidadania plena da população LGBT, equiparando a homofobia ao crime de racismo; exigir que a Polícia e Justiça investiguem e  punam com toda severidade os crimes homo/transfóbicos  e finalmente,  que os próprios gays, lésbicas e trans  evitem situações de risco, não levando desconhecidos para casa e acertando previamente todos os detalhes da relação. A certeza da impunidade e o estereótipo do gay como fraco, indefeso, estimulam a ação dos assassinos.”

Para ler o relatório completo, clique aqui.

Manifestantes protestam contra a homofobia e a transfobia em São Paulo Resposta

André Baliera durante manifestação contra homofobia e transfobia (Foto: Tadeu Meniconi/G1)

André Baliera durante manifestação contra homofobia e transfobia (Foto: Tadeu Meniconi/G1)

Manifestantes se reuniram neste sábado em um protesto, chamado #ChurrascãodasCabras, contra a homofobia e a transfobia em São Paulo. O nome do evento faz referência à matéria de novembro da revista Veja, na qual compara a relação entre um homem e uma cabra em argumento contra a união homossexual. O ato ocorreu no local em que o universitário André Baliera foi agredido por Bruno Portieri e o personal trainer Diego Mosca (veja a foto dos dois, clicando aqui). O estudante alega ter sido vítima de homofobia (veja o vídeo, clicando aqui). Os agressores negam que a agressão tenha sido motivada por homofobia.

Além de serem indiciados por tentativa de homicídio qualificado, por motivo torpe, os suspeitos serão processados pela Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania de São Paulo. De acordo com a pasta, se condenados, cada um dos agressores poderá levar multa que varia de mais de R$ 18 mil a R$ 55 mil.

Segundo a pasta, a multa por homofobia tem como base a lei paulista número 10.948/01, que pune “toda manifestação atentatória ou discriminatória praticada contra cidadão homossexual, bissexual ou transgênero”. A lei abrange todo tipo de ação “violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica” contra o homossexual.

Um dos organizadores do protesto, o advogado Luís Arruda, disse ao portal G1 que o PLC 122/06 precisa ser votado e aprovado pelo Senado: “A gente pede que a sociedade nos ouça e que o PLC 122, que iguala a homofobia e a transfobia ao racismo, seja votado pelo Senado e aprovado. A gente não quer privilégios, a gente só quer equiparação”.

Manifestantes protestam contra a homofobia e a transfobia (Foto: Tadeu Meniconi/G1)

Manifestantes protestam contra a homofobia e a transfobia (Foto: Tadeu Meniconi/G1)

“Essa discussão, que a gente tenta travar a todo o momento, infelizmente ela só acontece quando a violência acontece também. Ela só vem acompanhada da violência e isso é muito triste. Muito triste, principalmente para quem sofre ela”, completou o próprio André Baliera, durante a manifestação.

Casos de homofobia e transfobia são comuns

Segundo outros participantes da manifestação, episódios de homofobia e transfobia são comuns. Luís Arruda contou que já passou por agressões verbais “pelo menos três vezes em São Paulo”. “Só que, talvez porque eu tenho 1,91 m de altura, ninguém desceu do carro para me bater”, argumentou o advogado.

O artista plástico José Cavalhero e o professor de inglês John Bartholomew, que estão juntos há dez anos, também se lembraram de uma agressão assim. Eles contaram que, certa vez, jantaram juntos em um restaurante e, quando estavam no estacionamento, dois homens que estavam em outra mesa tentaram atropelá-los e fizeram agressões verbais.

“Acontece bastante, mas só que a gente fica com muito medo de tornar isso público, até para a família”, disse Bartholomew.

“Isso tem muito a ver com educação, com moral, com ideais de vida, com valores que a pessoa leva e prega para si. Enfim, é uma consequência de coisas, não é pontual”, completou Cavalhero.

Para os dois, mesmo com toda a militância, a situação dos gays no Brasil ainda é mais difícil do que nos países europeus, como Inglaterra e Alemanha. “Tem muito o que fazer, mas eu ainda acredito no Brasil”, concluiu Bartholomew.

Confira as polêmicas da atual turnê de Madonna 1

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Na estrada desde maio, a “MDNA Tour”, atual turnê mundial da cantora Madonna, chega ao País nesta semana. A etapa brasileira começa neste domingo (2 de dezembro), no Parque dos Atletas, no Rio de Janeiro. Na sequência, vai para São Paulo, nos dias 4 e 5, no estádio do Morumbi, e se despede em Porto Alegre, no estádio Olímpico, em 9 de dezembro.

Leia também: Madonna chega ao Rio de Janeiro com o maior show já produzido para um artista solo

Além das canções que fizeram de Madonna a “rainha do pop”, a turnê, como não poderia deixar de ser em se tratando de Madonna, acumula algumas polêmicas. O iG compilou as mais marcantes. Veja mais fotos, clicando aqui.

Suástica no telão

No primeiro show da turnê, realizado em Tel Aviv, Israel, Madonna aproveitou a música “Nobody Knows Me” para colocar no telão uma imagem da presidente da Frente Nacional da França, a política de direita Marine Le Pen, com uma suástica sobreposta em seu rosto.

Após o ocorrido, o partido ameaçou processar a cantora caso a imagem fosse utilizada na etapa francesa da turnê. Para evitar problemas legais, Madonna colocou uma interrogação no lugar do símbolo nazista.

Nudez no palco

Durante a apresentação em Istambul, na Turquia, em 7 de junho, Madonna levou o público ao delírio ao  mostrar o seio durante a canção “Human Nature” . Apesar das críticas, que apontam a nação muçulmana como um local pouco apropriado para esse tipo de controvérsia, a cantora não parou por aí.

No show realizado em Roma, poucos dias depois, Madonna abaixou a calça e mostrou o bumbum durante a mesma música. Em suas costas a pop star exibia a frase “no fear” (“sem medo”, em português). No mês seguinte, em Paris, ela voltaria a exibir o seio e o bumbum.

Armas de fogo

Na primeira parte do show da “MDNA Tour”, Madonna utiliza armas de foto durante três canções. Em “Girl Gone Wild” ela usa um rifle para quebrar um confessionário de vidro. Depois, em “Revolver”, suas dançarinas empunham metralhadoras. Por último, na música “Gang Bang”, ela atira em seus dançarinos (com direito a sangue de mentira jorrando).

O ato recebeu diversas críticas, principalmente após o tiroteio na cidade norte-americana de Aurora , em que um rapaz abriu fogo contra a plateia de um cinema que assistia ao filme “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” . Mesmo assim, Madonna não mudou essa parte do show.

Provocando Lady Gaga

Apesar de não travar uma guerra declarada, Madonna não deixa de provocar a cantora Lady Gaga nas apresentações de sua atual turnê. Aproveitando as comparações feitas pela crítica da canção “Born This Way”, de Gaga, com o seu hit “Express Yourself”, Madonna misturou as duas em um remix.

A cutucada acaba quando Madonna encaixa na sequência a música “She’s Not Me” (“Ela não sou eu”, em tradução livre). Apesar de tudo, Lady Gaga hasteou a bandeira de paz ao dizer durante uma apresentação que “as coisas estão bem diferentes do que eram 25 anos atrás. Não precisamos nos odiar mais”.

Protestos na Rússia

Durante a passagem da “MDNA Tour” pela Rússia, Madonna aproveitou seus shows para se posicionar a favor da banda de rock Pussy Riot , cujas três integrantes haviam sido presas após um protesto contra Vladmir Putin.

Em Moscou e em São Petersburgo, a cantora usou um capuz semelhante aos utilizados pelas integrantes do grupo, além de escrever “Pussy Riot” em seu corpo. “Sei que todos nesse auditório, todos os meus fãs, acreditam quem elas merecem ser libertadas”, afirmou.

Desgostosas com o ocorrido, autoridades russas xingaram Madonna pelo apoio dado à banda. “Conforme fica velha, toda ex-p… tenta dar lição de moral nos outros, especialmente durante viagens ao exterior”, escreveu o vice-primeiro-ministro da Defesa, Dmitri Rogozin.

Soco na cara

Durante a passagem da “MDNA Tour” pela Colômbia, na quarta-feira (28), Madonna foi atingida com um soco dado por um de seus dançarinos durante performance da música “Gang Bang”. Normalmente neste momento do show ambos simulam uma briga.

Porém, o soco de mentira acertou em cheio o rosto da cantora e abriu um corte perto de seu olho. Apesar do acidente, Madonna continuou a apresentação até o fim, sem interrupções, mesmo sangrando.

Madonna leva soco no rosto durante apresentação na Colômbia 3

Madonna

A maré não anda boa para a diva Madonna. Depois de ser eleita a terceira personalidade menos influentes de 2012 (saiba mais aqui), a diva deu um passo errado e levou um soco no rosto, que deixou seu supercílio sangrando. Na verdade, a cantora deveria levar um soco falso durante a performance de uma música. Mas tudo saiu errado, tadinha! Mesmo sangrando, Madonna não perdeu o rebolado e fez questão de continuar a apresentação. Isso que é demonstração de respeito ao público, não? O incidente rolou na Colômbia.

Quarenta e sete mil pessoas acompanhavam o show, quando Madonna foi atingida no olho esquerdo. Ela continuou cantando, como se nada houvesse acontecido, abafa!

Madonna já chegou ao Brasil, para apresentar-se. O figurino da loira tem mais de 700 elementos. Além disso, a diva exigiu que três fisioterapeutas ficassem de prontidão para atender os seus dançarinos e também, que fossem colocados 16 tipos de molhos de sala diferentes para o jantar dela e de toda a sua equipe.

Madonna fará quatro shows no Brasil. O primeiro no domingo (2) no Rio de Janeiro, nos dias 4 e 5 em São Paulo e no dia 9 em Porto Alegre.

Revisão metodológica indica prevalência de HIV no Brasil por volta de 0,4%, menor que os 0,6% previstos anteriormente Resposta

Até o ano passado estimada em 0,6%, a prevalência de pessoas vivendo com HIV e aids no Brasil está mais próxima dos 0,42%, informa o Ministério da Saúde. De acordo com as Nações Unidas, a média nacional deve ser ainda menor, por volta de 0,3%. No entanto, esse ajuste nos cálculos, observado em uma revisão metodológica, não deve ser encarado como “guerra vencida” contra a epidemia, alertaram autoridades sanitárias nesta terça-feira, 20 de novembro, em Brasília.

Segundo os dados apresentados pelo Secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, durante coletiva de imprensa, 530 mil pessoas vivem com HIV hoje no Brasil, o que dá uma média de 0,42% da população. Quando separado por gênero, a estimativa é de 0,52% de homens infectados e 0,31% de mulheres.

Os dados do Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e Aids (Unaids), divulgados pelo coordenador Pedro Chequer, mostra uma taxa de 0,3%. “Isto representa que o Brasil tem hoje uma das menores prevalências de HIV da região do Mercosul, ficando atrás do Uruguai (0,6%) e Chile (0,5%)”, comentou.

Para casos de aids apenas, ou seja, pessoas que já apresentam sintomas da doença, a média nacional, segundo o Ministério da Saúde, é de 20 notificações para cada grupo de 100 mil habitantes.

De 2006 para 2011, o montante de soropositivos que começaram a fazer o tratamento antirretroviral precocemente (com mais de 500 cópias de células de defesa do organismo para cada mililitro cúbico de sangue) passou de 32% para 36,7%. Durante o mesmo período, a porcentagem de pacientes que ficou com a carga do vírus HIV indetectável após seis meses de tratamento subiu de 63,8% para 72,4%.

“Essas conquistas são boas para os pacientes infectados e para toda a sociedade”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Conforme explicou o chefe da Pasta, o tratamento precoce diminui os riscos de doenças oportunistas e mortes em decorrência da aids, assim como as chances de transmissão do vírus para outras pessoas, já que a quantidade de HIV no organismo diminui.

Padilha destacou que a expansão do tratamento precoce da aids no Brasil superou os Estados Unidos. “Mesmo assim, ainda precisamos e queremos mais”, afirmou.

No entanto, o ministro chama a atenção para os novos casos de HIV, em especial, entre os homens jovens que fazem sexo com homens, que segundo ele, representa e metade das novas infecções no País. “Mais uma vez nossas campanhas na TV, no Rádio, na Internet e nos demais veículos de comunicação visam sensibilizar, sobretudo, esta geração que não presenciou o início da epidemia, quando várias pessoas perderam amigos, familiares e ídolos por conta da aids”, lembrou.

O diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Dirceu Greco, apresentou as campanhas focadas no 1° de dezembro, Dia Mundial de Luta contra a Aids. Neste ano, o lema será “Eu vivo com HIV e descobri a tempo de me cuidar”. Pessoas vivendo com o vírus protagonizam os vídeos, spots e cartazes que irão ser divulgados na mídia a partir de hoje.

Em paralelo à campanha midiática, Dirceu anunciou a realização da semana de mobilização para o aconselhamento e testagem voluntária para o HIV, sífilis e hepatites B e C em todo o País. “Nossa estimativa é que ainda existem 135 mil pessoas infectadas pelo HIV que não sabem”, lembrou Dirceu.

A partir de hoje, cerca de 2.200 municípios de todos os estados brasileiros começam a promover gratuitamente o teste rápido para a detecção dessas doenças. A campanha vai até o dia 1° de dezembro.

*Reportagem: Lucas Bonanno, da Agência de Notícias da Aids

Turnê de Lady Gaga termina com pouco mais da metade dos ingressos vendidos Resposta

Lady Gaga durante a performance da canção “Born this Way” no Rio de Janeiro

Não adiantou promoção “leve dois e pague um” nem “10 vezes sem juros”. Os ingressos disponíveis para os três shows de Lady Gaga no Brasil tiveram um encalhe de 43%, de acordo com números disponibilizados pela Time for Fun, empresa que trouxe a artista para o país.

A maior lotação foi do show de São Paulo: 50 mil pessoas de 64.995 ingressos postos à venda. Lotação de 77%. Já o maior encalhe foi no Rio. De 90.330 tíquetes disponíveis, apenas 40 mil foram vendidos, ou seja, 44%. Já em Porto Alegre, Gaga vendeu 16 mil das 30 mil entradas oferecidas ao público.

Comparando-se com outras divas pop de sua faixa etária como Katy Perry e Rihanna, que já passaram por São Paulo, os números podem ser considerados um êxito, já que a primeira trouxe cerca de 25 mil pessoas a seu show na Chácara do Jóquei, enquanto a segunda atraiu cerca de 15 mil ao Anhembi. Já Britney Spears, que tem 13 anos de carreira como artista solo, não passou da casa dos 30 mil na mesma arena. No total, no entanto, Katy Perry e Rihanna levaram a melhor devido a suas apresentações no Rock in Rio, que atrai públicos de outros artistas. Na capital fluminense, cantaram para cerca de 100 mil pessoas cada uma.

Na comparação com grandes astros do pop, com décadas de experiência, Gaga fica no meio do caminho. A comparação mais óbvia é Madonna. Sua “Sticky & Sweet Tour”, que passou pelo Brasil em 2008, atraiu mais de 65 mil pessoas a cada um de seus três shows em São Paulo e cerca de 54 mil a cada um dos dois shows no Rio.

Já a banda U2 levou ao Morumbi, em 2011, 270 mil pessoas para três apresentações de sua turnê “360º”, todas esgotadas. O Coldplay, em 2010, teve 60 mil. E no mesmo ano, até Beyoncé, que já fez dueto com Gaga, lotou mais o estádio do Morumbi. Seu público foi de 60 mil em SP, 25 mil em Florianópolis e 50 mil em Salvador (embora na capital baiana tenha havido um encalhe de 20 mil ingressos na época). No Rio, Beyoncé cantou para 15 mil pessoas, mas sua apresentação foi na casa de shows HSBC, cuja capacidade é a mesma.

Mas, passado o furacão ‘mother-monster’ (que deixou nosso país com maiôs da Blue Man nas malas, uma tatuagem com o nome ‘Rio’ na nuca e promessas de um breve retorno), qual será o futuro profissional de Lady Gaga?

Seu próximo álbum deve nascer no início de 2013 e, provavelmente, vem por aí um livro de fotos da ‘Born This Way Ball Tour’, assinado pelo fotógrafo e fiel escudeiro Terry Richardson, que vem acompanhando a diva em seu giro pelo mundo desde o início da turnê (ele assinou também um livro com registros da ‘Monster Ball Tour’).

O Brasil, claro, deve entrar neste mosaico de lembranças e, ontem, Lady Gaga divulgou, no Youtube, um teaser do projeto. “The Haus of Gaga e Terry Richardson têm uma surpresa para vocês”, postou a popstar, referindo-se ao link do vídeo batizado “Lady Gaga XX Terry Richardson”.

Não se sabe onde foram captadas as imagens do teaser, mas uma equipe de filmagens seguiu os passos de Gaga por todos os dias em que esteve no nosso país. Confira: