Mulher trans interpreta Jesus em peça em Osasco (SP) Resposta

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Dia 22 será encenada no SESC de Osasco (SP) o espetáculo “O Evangelho Segundo Jesus – Rainha do Céu”, da dramaturga transexual Jo Clifford.

Quem interpretará Jesus vai ser a atriz e ativista trans Renata Carvalho.

A identidade de gênero tem papel chave no espetáculo que busca transformação do olhar diante do grupo LGBT e construção de uma sociedade mais inclusiva e igualitária.

Ao recontar algumas parábolas bíblicas, como “ O Bom Samaritano”, “A semente de mostarda” e “A Mulher Adúltera”, o monólogo propõe uma reflexão sobre a opressão e intolerância sofridas por transgêneros e outras minorias e reitera valores cristãos como amor, perdão e aceitação.

Na Escócia

“O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu” estreou na Escócia em 2009 sob ameaças de censura e de ataque à autora.

Desde então, Clifford, que é católica fervorosa e ativista transgênero, recebeu prêmios como o Scottish Arts Club e LGBT Award, alcançando projeção internacional para seu trabalho.

Recepção no Brasil

Assim como na Escócia, a recepção da peça no Brasil teve certa resistência por parte de entidades religiosas.

Na maioria das cidades por onde passou houve alguma manifestação contrária ao espetáculo, seja por parte das comunidades católicas e também das evangélicas. Em Osasco não houve nenhuma tentativa de boicote, por enquanto.

Ingressos a partir de 14/4 na internet, e 15/4 nas bilheterias
22/4, ás 20h
Sesc Osasco: Av. Sport Club Corinthians Paulista, 1.300, Jardim das Flores.
R$ 20

Opinião

Se a intenção é passar uma mensagem de inclusão, tolerância e respeito, escrita por uma cristã ativista, não vejo problema, apesar de não ter assistido à peça. Aliás, mesmo que a autora não fosse cristã, mas houvesse respeito, não teria problema algum.

Quem não se lembra do episódio em que a trans Viviany Beleboni saiu na 19a Parada Gay de São Paulo crucificada? Viviany chegou a ser agredida perto de sua casa, após o episódio, mas, por outro lado, teve os pés lavados pelo padre católico Júlio Lancellotti e o pastor evangélico da Igreja Batista José Barbosa Júnior.

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Padre Júlio Lancellotti e pastor José Barbosa Júnior lavam os pés de Viviany Beleboni

Depois de pedido do Papa, católicos franceses contra casamento gay agridem pessoas em manifestação Resposta

No sábado, também houve contra-manifestações; esta foi em Paris (THOMAS SAMSON/AFP)

Dois dias de manifestações a favor e contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo na França culminaram ontem de manhã com uma cena de pancadaria entre um grupo feminista e católicos integristas. Alguns jornalistas também foram espancados.

“Uma dezena de militantes da associação feminista Femen decidiram fazer um protesto pacífico e chegaram vestidas de freiras e com frases humoristicas. Quando se aproximaram dos manifestantes [católicos da Civitas] eles começaram a bater”, disse à AFP a jornalista e escritora Caroline Fourest.

“As mulheres levaram pancada no corpo todo” e também alguns jornalistas que filmavam os protestos. “Sim, os fotógrafos também foram espancados”, confirmou um fotógrafo da AFP.

A marcha anti-casamento gay foi organizado pela organização Civitas, ligada aos católicos integristas, um dia depois da grande manifestação que juntou 100 mil pessoas em Paris e noutras cidades francesas contra estas uniões.

Ontem, milhares de pessoas juntaram-se junto do Ministério da Família, começando depois uma marcha em direção à Assembleia Nacional (Parlamento). Na cabeça da manifestação um grande cartaz dizia “Uma mamãe e um papai para todas as crianças”. Os manifestantes — um grupo muito heterogéneo, com jovens, idosos e famílias — levavam bandeiras com cruzes cristãs e flores-de-lis.

“O nosso objetivo — disse a um pequeno grupo de jornalistas Alain Escada, da Civitas — é travar uma verdadeira batalha pela salvaguarda da família e das crianças”. “O casamento homossexual é a caixa de Pandora que vai permitir que outros reivindiquem o casamento poligamo”, disse Escada acrescentando que o objetivo da sua organização é “libertar a voz dos franceses”.

Para Alan Escada, a homossexualidade é “um mal que deve ser corrigido, devendo as pessoas que têm este pecado optar pela abstinência”.

A ministra dos Assuntos Sociais, Marisol Touraine, disse respeitar a “preocupação” dos manifestantes mas sublinhou que o Governo não abdicará da nova lei, que aguarda aprovação, legalizando o casamento civil igualitário — neste momento é apenas permitida uma união civil, que priva os cônjuges de muitos dos direitos de que os casais heterossexuais usufruem, por exemplo o direito sucessório e a adoção.

No sábado, o Papa Bento XVI incitara a igreja católica francesa a reagir, fazendo-se “ouvir sem parar e com determinação nos debates da sociedade”.

Uma sondagem publicada na imprensa francesa na quinta-feira da semana passada revela que 61% dos cidadãos é a favor do casamento gay, mas apenas 48% defende a adoção por parte de casais do mesmo sexo.