Morre homem agredido em boate gay de Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio Resposta

Luiz Antônio morreu nesta terça (Foto: Rosalina Brito/Arquivo Pessoal)

Luiz Antônio morreu nesta terça
(Foto: Rosalina Brito/Arquivo Pessoal)

Morreu às 15h desta terça-feira (28), de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio de Jesus, de 49 anos, agredido em uma casa noturna na Zona Oeste do Rio na madrugada de domingo (26). Ele estava internado no hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, em estado gravíssimo com traumatismo craniano. O corpo foi encaminhado ao IML no fim da tarde.

Luiz foi encontrado caído na Boate Queen, em Jacarepaguá, com ferimentos no rosto e no pescoço. Nesta terça, segundo a assessoria da Polícia Civil, equipes da 32ª DP (Taquara) fizeram uma vistoria e interditaram o local no início da tarde por falta de documentação adequada.

Procurada pelo G1, Rosalina da Silva Jesus de Brito, jornalista em um jornal comunitário, informou que o irmão Luiz Antônio, que é homossexual, estava muito feliz no domingo e resolveu sair para dançar. Ele pediu à sobrinha levá-lo até a boate em Jacarepaguá, por volta de 1h.

Como o cabeleireiro não voltou para dormir em casa e não avisou nada, a família ficou preocupada e foi até a casa noturna para saber alguma informação. Segundo Rosalina Brito, a dona do estabelecimento, Jade Lima, informou para a filha e para a irmã que Luiz Antônio foi encontrado passando mal e vomitando no banheiro e foi levado pelo Corpo de Bombeiros para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, por volta das 3h. Rosalina contou ainda que elas viram manchas de sangue na porta do banheiro, mas a proprietária disse que a sujeira era antiga. “Ela [Jade] ficou tentando despistar elas.”

Jade Lima confirmou em um site de relacionamento que na madrugada de sábado (25) para domingo um cliente foi encontrado caído em um dos banheiros do estabelecimento. Segundo ela, “havia no momento do ocorrido algumas pessoas na fila, que ouviram o barulho da queda e foram elas que acionaram o staff da casa para socorrer esse cliente. Não houve qualquer tipo de agressão”. O G1 tentou entrar em contato, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

Rosalina Brito informou que a família encontrou Luiz Antônio com o rosto muito machucado. “Debaixo do queixo tem um corte de um lado para o outro. Ele está com o rosto desfigurado, está cheio de ponto, com o pescoço roxo, parece que enforcaram ele”, contou.

De acordo com Rosalina, a dona da boate informou que o local possui 40 câmeras no circuito interno de segurança, mas o equipamento do banheiro não estava funcionando no momento do incidente.

Outro cliente prestou queixa

Segundo informações do RJTV desta terça, outro cliente da boate procurou a 32ª DP no domingo (26) para relatar uma agressão de um suposto agente de segurança da boate. Sobre o segundo caso, Jade Lima disse também em uma rede social que no domingo um cliente foi convidado, pelos seguranças da casa, a se retirar da boate por estar importunando outros clientes. “Também não houve agressão nesse caso, entretando o cliente, decidiu dar queixa na delegacia por se sentir ofendido por tal acontecido”, explicou a proprietária.

A jornalista contou que todos os outros irmãos estão empenhados para resolver o caso. “Não podem ter feito isso com ele porque ele era gay, ninguém merece passar por isso.”

A família fez um apelo para qualquer pessoa que tenha informações sobre o caso ligue para o Disque-Denúncia pelo telefone 2253-1177.

Fonte: G1

Hotel Sauípe Premium, na Bahia, fará sindicância para apurar denúncia de homofobia Resposta

Vítima acusa funcionário do hotel Sauípe Premium de xingá-lo de "fresco e viadinho"

Vítima acusa funcionário do hotel Sauípe Premium de xingá-lo de “fresco e viadinho”

O Hotel Sauípe Premium, que teve um funcionário denunciado por homofobia no último sábado (23/3), informou ao jornal A Tarde a abertura de sindicância interna para apurar as denúncias de um cliente do resort que diz ter sido vítima de xingamentos como “frouxo e viadinho”, por parte de um recepcionista, nas dependências do empreendimento, localizado no Complexo Hoteleiro da Costa do Sauípe (em Mata de São João, no litoral norte do estado da Bahia).

Em nota, o Sauípe Premium destaca que respeita todas as diversidades e que possui em seu “Código de Conduta e Ética” regras claras a respeito do comportamento de seus funcionários perante os hóspedes. “O complexo reúne em seu histórico eventos destinados a todos os públicos, como o Hell&Heaven, Mês da Terceira Idade, show especial de Dia das Mães, Sauípe Folia, Mês de São João e Dia das Crianças, como exemplos, inseridos na sua programação anual, atendendo a todos os perfis de hóspedes”, relatou o Hotel.

A resposta do Hotel Sauípe Premium, emitida à reportagem no final da tarde de segunda-feira, (25/3) se refere à uma denúncia de um leitor publicada no Portal Tarde, na manhã do mesmo dia. Na matéria, o empresário Rodrigo Presas (35), diz ter sido vítima de homofobia, por um funcionário de prenome Fábio .

Segundo a denúncia, as agressões verbais foram ditas após o cliente, que estava acompanhado do parceiro, ter se queixado da falta de organização do hotel, após problemas com a sua reserva feita previamente via internet.

Na Paraíba: Crimes contra LGBT aumentaram em mais de 150% entre 2010 e 2012 3

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Nos últimos três anos crimes com características homofóbicos aumentaram em mais de 150% na Paraíba.
Desde a posse do governador Ricardo Coutinho (PSB) em primeiro de janeiro de 2010, os assassinatos pularam de 11 para 27 em 2012. Os dados referentes a 2013, ainda não foram divulgados.
No segundo ano do Governo socialista (2011) foram mortos 19.  De 1990, data em que começou a ser contabilizado o número de crimes com assassinatos contra LGBT  na Paraíba, soma 160 mortos.
Os números são do Movimento do Espírito Lilás (MEL) que considera ineficiente nas políticas públicas de proteção aos LGBT no estado da Paraíba.
No dia 2 de março de 2013 o MEL realizou uma votação para eleger a sua nova diretoria. A entidade que completará 21 anos em prol da defesa dos direitos humanos e da cidadania dos LGBT no estado.
Fonte: Folha do Sertão

Casal gay é decapitado e queimado dentro de casa no Distrito Federal 6

Casal

Um casal de homossexuais foi decapitado e queimado dentro de casa na madrugada desta segunda-feira (24) no Pedregal, região do Entorno do Distrito Federal. A polícia informou que José Dalvalei Alves Pereira, de 37 anos, morava junto com uma travesti, identificada até o momento somente como Camila, há mais ou menos um ano. O padrasto de Pereira afirmou que nenhum dos dois tinha envolvimento com drogas, mas que costumavam beber.

Na noite deste domingo (23), o casal teria se envolvido em uma confusão depois de tomar cerveja em um bar da região. A mãe de Pereira também informou que o filho teria recebido ameaças da vizinha nos últimos dias, porque estaria saindo com o marido dela. Apesar dessas duas denúncias, a polícia prefere trabalhar com a hipótese de que uma terceira pessoa teria ido à casa do casal nesta madrugada e bebido com eles.

O crime aconteceu por volta das 3h. Inicialmente, os vizinhos acionaram equipes do Corpo de Bombeiros acreditando que se tratava somente de um incêndio. No entanto, depois que os homens do resgate chegaram ao local e controlaram as chamas, dois corpos carbonizados sem as cabeças foram encontrados dentro da residência. Horas depois, por volta das 5h, as duas cabeças foram localizadas jogadas no meio da rua em frente a um lote vazio próximo ao local.

A Polícia Civil foi acionada e uma perícia foi realizada para identificar o quê de fato aconteceu nas cenas do crime. Os resultados devem ficar prontos em até 30 dias. A ocorrência está registrada no Ciops (Centro Integrado de Operações e Segurança) da cidade, que investiga o caso. Até esta postagem, ninguém havia sido preso.

* Com informações da TV Record, do R7 e do LGBTudo

Advogado nega homofobia em agressão em Pinheiros; dupla é transferida para Osasco (SP) 1

André Cardoso Gomes Baliera, 27, disse que foi agredido após discutir com dois jovens que o chamaram de "bicha" em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, na segunda-feira (3)

André Cardoso Gomes Baliera, 27, disse que foi agredido após discutir com dois jovens que o chamaram de “bicha” em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, na segunda-feira (3)

O advogado dos dois jovens presos na noite de segunda-feira (2) após agredirem um estudante de direito em Pinheiros (zona oeste de São Paulo) afirmou nesta quarta-feira (5) que não houve homofobia.

Veja o vídeo da reportagem da Record em que o agressor, Bruno, diz que André apanhou “de  besta”, clicando aqui. REVOLTANTE!!!!!!!!

“Não tem absolutamente nada de homofobia. Não tem como saber a opção (sic) sexual de alguém que está atravessando a rua”, disse o defensor do personal trainer Diego Mosca Lorena de Souza, 29, e do estudante de logística Bruno Paulossi Portieri, Joel Cordaro.

Dá para ver, sim, se a bicha for pintosa, senhor Joel Cordaro. E depois, no meio de uma discussão, é possível, sim, pelo menos desconfiar da orientação sexual do outro.

Os dois foram presos em flagrante e indiciados por tentativa de homicídio de André Cardoso Gomes Baliera, 27. Hoje, eles foram transferidos da carceragem do 91º DP (Ceasa) para o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Osasco (Grande SP).

Diego Mosca: um dos agressores

Diego Mosca: um dos agressores

De acordo com a Polícia Militar, Baliera voltava de uma farmácia a pé quando foi xingado pelos dois rapazes que estavam em um carro parado na esquina das ruas Teodoro Sampaio com a Henrique Schaumann.

Após Baliera revidar os insultos, Portieri e Souza desceram e lhe deram chutes e socos.

PMs que estavam perto do local detiveram os agressores e os levaram ao 91º DP, onde foram autuados em flagrante por tentativa de homicídio.

Baliera sofreu um corte na cabeça e ficou com hematomas. Ele foi levado a um hospital e liberado em seguida.

Cordaro afirmou que a discussão começou após os agressores pararem na faixa de pedestre. O estudante de direito teria mostrado o dedo do meio para os dois.

“O Bruno desceu do carro, discutiu com ele [Baliera], falou para ele ir embora e voltou. Nisso, ele pegou uma pedra e jogou no carro, só que a pedra não acertou no carro. O Diego, que estava dirigindo, entrou no posto de gasolina com o carro, desceu e foi falar com a vitima”, diz o advogado.

Ainda de acordo com o defensor, Baliera está se fazendo de “coitadinho”. “No próprio depoimento da vitima, ele fala que depois que quebraram o fone de ouvido dele, ele quebrou o óculos de um dos meus clientes. Ele está dando versão de que não fez nada, que é coitadinho, mas se ele não quisesse brigar, ele teria virado as costas e ido embora. Ele quis arrumar confusão”, disse Cordaro.

Bruno Potieri

Bruno Potieri: um dos agressores

Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo (saiba mais, clicando aqui), Baliera afirmou que estava voltando da farmácia , com fone de ouvido, quando Portieri mexeu com ele.

“Não consegui entender o que ele estava falando e tirei o fone. Ele disse: ‘Está olhando o que seu viado? Segue seu rumo sua bicha’”, afirmou a vítima ao jornal.

Na delegacia, Portieri e Souza disseram que a briga foi motivada por uma discussão de trânsito.

“O agredido apanhou, apanhou de besta. Se ele tivesse seguido o caminho dele não teria apanhado”, disse Portieri a TV Record, no dia da agressão.

Cordaro entrou com um pedido de liberdade provisória e relaxamento de flagrante, já que os detidos são primários, têm residências fixas e trabalham.

“Não estou falando que eles estão certos, eles agrediram sim. Mas não existe crime de homofobia”, afirmou o advogado.

O caso está sendo investigado pelo 14º DP (Pinheiros).

Protesto

O projeto #EuSouGay, do portal Vila Mundo, lançou uma campanha contra homofobia e está organizando um protesto no mesmo local da agressão no próximo sábado (8), às 15h.

Protesto organizado para o sábado (8) no mesmo local onde o estudante foi agredido

Protesto organizado para o sábado (8) no mesmo local onde o estudante foi agredido

O evento #ChurrascãodasCabras no Facebook já tem mais 600 presenças confirmadas.

“(…) nada se compara à dor de quem sofre na pele a violência da intolerância e do ódio. Um ódio que, vale lembrar, não nasce com ninguém. É um ódio ensinado, às vezes por uma pessoa próxima, às vezes por uma revista semanal… Portanto, vai aqui uma convocação geral para quem tem amor no coração: Gays, Lésbicas, Bisexuais, Transexuais, Heterosexuais, Pansexuais e CABRAsexuais, está na hora de fazer esse ódio de churrasquinho”, diz a página do evento.

Processo Renato Seabra (modelo que matou e castrou namorado) terá “longos” recursos 2

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Você que acompanha o blog já deve ter lido postagem sobre o caso chocante do belo modelo que matou e castrou o namorado, um importante jornalista português, em Nova York (EUA). Leia mais, clicando aqui. Na semana passada ele foi condenado. Mas o processo não para por aí.

Quando o juiz Daniel Fitzgerald proferir a sentença do caso Renato Seabra, no próximo dia 21, os advogados de Defesa irão interpor recurso de imediato para o primeiro departamento do Supremo Tribunal do estado de Nova York.

O jovem de Cantanhede foi considerado, na passada sexta-feira, culpado da morte de Carlos Castro, a 7 de janeiro de 2011.

Renato Seabra

Caso a deliberação do júri seja reconfirmada nessa nova instância, Sinins revela que o processo “poderá prosseguir” no “Court Of Appeals (Tribunal de Recursos) do estado de Nova York.

“Será um processo longo”, antecipa o advogado de defesa.

Silêncio sobre estado de saúde de Renato

O Expresso perguntou ainda sobre o estado de saúde de Renato Seabra, que aguarda a leitura da sentença na prisão de Rikers Island, mas não obteve qualquer comentário.

O site também quis saber se a defesa estaria a reavaliar a sua estratégia – o Expresso sabe que a família de Renato Seabra esteve à beira de dispensar os serviços da dupla de advogados nas vésperas do julgamento -, mas Sinins não respondeu.

O silêncio manteve-se quando o jornal quis saber se estaria a ser equacionado um pedido de deportação do jovem de Cantanhede, para eventual cumprimento da pena em Portugal, caso esta seja igual ou inferior a 25 anos de prisão.

Deportação será “muito difícil”

Sobre uma eventual deportação, Daniel Richman, professor de direito criminal da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, esclareceu, na quinta-feira passada, que será “muito difícil”.

“Ele (Renato Seabra) está a ser julgado pela justiça estadual, cujo sistema está menos preparado para lidar com casos de cidadãos estrangeiros e eventuais deportações. Em tribunal federal seria diferente, mas um caso criminal está fora da sua alçada. Na América, os estados têm sistemas judiciais independentes. É como se fossem países distintos”.

O luso-descendente Paul Silva, advogado de defesa com vasta experiência em casos semelhantes ao de Renato Seabra, concorda com Richman: “Se os criminosos nos EUA soubessem que poderiam ser deportados, principalmente para países com penas bastante mais brandas, como é o caso de Portugal, isso faria disparar a criminalidade”.

Psicólogo reafirma ao Expresso: “Renato Seabra é psicótico”

Entrevistada pelo Expresso, a testemunha chave da Defesa, o psicólogo Jeffrey Singer, reafirmou a tese de que “Renato Seabra é um indivíduo psicótico” e que na altura do crime “não conseguia distinguir o certo do errado”.

Singer recordou a conversa em inglês que teve com Renato Seabra, onde lhe diagnosticou a doença mental. “Fiquei surpreendido com o inglês dele e acho que o advogado estava à vontade com a capacidade do Renato em explicar-se e em entender as perguntas”.

Pouco depois da morte de Carlos Castro, a 7 de Janeiro de 2011, o jovem português confessou em português o crime a três agentes da polícia de Nova York. Um deles, Michael de Almeida, serviu de tradutor.

“É natural que naquela altura ele precisasse de alguém pois ainda estava em fase psicótica”, esclareceu o psicólogo.

Informações: Ricardo Lourenço, correspondente nos EUA do Expresso

Ato contra homofobia em São Paulo homenageia Lucas Fortuna Resposta

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Na semana passada, o militante LGBT Lucas Fortuna foi morto a pancadas em Pernambuco, (o blog noticiou, lembram?); desde 2002, ele usava saias pois dizia que “vestir saia é uma ação transgressora do próprio gênero”, já que se convencionou que a vestimenta só deve ser usada por mulheres.

“Estamos mais uma vez nas ruas para pedir a criminalização da homofobia. Semana passada, o militante LGBT Lucas Fortuna foi morto a pancadas em Pernambuco. Nós sabemos que ele não é o único. Em São Paulo, já tivemos casos aqui na Paulista e na periferia. Não queremos mais mortes no Brasil. É necessário criminalizar a homofobia já, que se aprove o PLC 122.”

A cada momento que o farol da avenida Paulista em frente ao MASP fechava, cerca de 150 homens e mulheres vestindo saias iam a frente dos carros carregando cartazes, faixas e um megafone para denunciar a violência cometida contra os LGBTs no Brasil e pressionar pela aprovação do PLC 122, projeto de lei que propõe a criminalizaçãoda homofobia no país. O ato ocorrido no sábado (24) foi motivado pela morte do jornalista e militante Lucas Fortuna, assassinadoa no dia 17 de novembro, em Pernambuco, pelo fato de ser homossexual. 

“Conheci o Lucas em 2006, em Recife, no primeiro encontro da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (Enecos) que fui, começamos a beber e conversar, e ele sempre tinha um bom humor fantástico, sabendo da importância da seriedade política e do bom humor, e eu tive uma empatia com ele muito grande. Inclusive quando ficamos sabendo da morte dele, as pessoas da minha geração da Enecos começaram a trazer fotos da época dele na Executiva, da questão do movimento pró-saia, que foi ele quem colocou, e víamos as fotos e relembramos dele e das situações que vivemos juntos. Acho que para toda uma geração que militou com ele foi uma perda muito grande”, relata a militante, jornalista e amiga Luka Franca.

O movimento pró-saia começou em 2004 na Executiva por conta de Lucas. Durante o Congresso Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (Cobrecos), uma saia amarela chamou atenção pelo fato de um homem usá-la. Lucas, na época estudante de jornalismo e que usava saias desde 2002, pois dizia que “vestir saia é uma ação transgressora do próprio gênero”, já que convencionou-se que a vestimenta só deve ser usada por mulheres.

Ele viu no Congresso uma oportunidade para, além de afirmar sua sexualidade, pautar o debate de gênero no movimento estudantil. No entanto, Lucas foi alvo de preconceito por algumas pessoas presentes. Após as manifestações homofóbicas, mais de 100 homens presentes no encontro, em solidariedade ao colega e vendo a importância de se pautar o debate, começaram a ir para as plenárias de saia.

Foi para homenagear Lucas que todos no ato estavam usando saia. E numa tarde quente como a daquele sábado, os homens de saia faziam inveja a quem estava de calça e tinha de suportar o calor. “Eu nunca tinha usado saia antes, e acho que o preconceito de homens em usá-las devia ser quebrado. É muito confortável e refrescante, como se eu estivesse andando só de cueca”, diz Marcos Berto, militante LGBT presente no ato.

 PLC 122 

 A morte de Lucas está longe de ser um caso isolado. O Brasil é o país que registra o maior número de agressões a homossexuais, movidas a puro preconceito, em todo mundo: somente este ano, 301 LGBTs já foram assassinados.

Para o militante LGBT Luiz Arruda, a violência ocorre “porque o Brasil é um país extremamemte machista. Uma pesquisa recente mostrou que a homofobia está mais ligada à transgressão de gênero do que propriamente à homossexualidade. Se a pessoa é homossexual, mas não tem trejeitos de homossexuais nem se assume publicamente, ele sobrevive. Agora, se ele assume ou é mais afeminado, ele é vítima de violência. É preciso lembrar que além dessa violência que culmina em morte, todos os dias muitos LGBTs sofrem xingamentos, espancamentos, constrangimentos, e eles não tem nenhuma arma legal para evitar isso”.

O Projeto de Lei Complementar (PLC) 122/06 é o instrumento legal que a comunidade LGBT espera para diminuir as agressões e o preconceito. O projeto tem como função criminalizar atos de discriminação motivados pela orientação sexual de quem está sendo discriminado.

Se aprovado, o projeto alterará a Lei de Racismo, que atualmente pune a discriminação por cor de pele, etnia, origem nacional ou religião, adicionando a questão de gênero à lista. No entanto, o projeto está parado no Senado Federal, sem persperctiva de quando será votado. A senadora Marta Suplicy (PT), antiga relatora do projeto, assumiu o cargo de Ministra da Cultura, e até agora não se decidiu novo relator para dar continuidade ao processo.

Luiz Arruda acredita que a aprovação do PLC 122 é estratégica e importante, mas o aparato legal é só o primeiro passo. “O avanço vai ser grande mesmo quando a educação nesse país for implementada realmente. A homofobia somente vai acabar com conscientização e educação da sociedade de que a orientação sexual de uma pessoa não é motivo para discriminá-la”.

 Lucas Fortuna, presente!

A forma com que Lucas sempre lidou com o preconceito e a discriminação ao seu redor foi por meio da luta política. Por isso sempre se engajou no movimento estudantil, sendo dirigente da Enecos, na política institucional, militando no PSOL e depois PT, e na causa LGBT.

“O Lucas não estava numa linha de combate do tipo ‘se o meu estiver resolvido, o dos outros não interessa’. Acho que para todo mundo a morte dele é uma coisa que foi tão brutal, pois nunca esperamos que um crime de homofobia aconteça com alguém próximo a nós. A luta do Lucas foi contra a homofobia, foi por causa da homofobia que ele morreu, e nós como amigos e como militantes temos a tarefa de transformar nosso luto em luta. Mesmo que a vontade seja de chorar, precisamos transformar isso em algo efetivo”, finaliza Luka.

Reportagem: José Coutinho Júnior, do Correio do Brasil

Todos vestem saia em enterro de jornalista gay assassinado em Santo Antônio de Goiás (GO) Resposta

Amigos e familiares usaram saias para homenagear Lucas Fortuna, no velório e no enterro. Crédito: Reprodução/TV Anhanguera

O corpo do jornalista goiano e militante LGBT Lucas Fortuna foi sepultado na tarde da última quarta-feira (22), em Santo Antônio de Goiás, na Região Metropolitana de Goiânia. Em homenagem a Lucas, amigos e familiares, inclusive o pai de Lucas, usaram saia durante o velório e o enterro. Confira tudo, clicando aqui.