Personagem gay faz parte da trama central de “Malhação” Resposta

Pedro Vinicius

‘Não há sentido algum em ser preconceituoso’, diz Pedro Vinicius, o Michel de “Malhação”.

O personagem Michael (Pedro Vinicius) está no centro da atual trama de “Malhação: vidas brasileiras”. Em entrevista ao Gshow, a autora da novela Patrícia Moretzsohn adiantou que a nova fase promete trazer muita emoção.

“Michael vai viver uma bela história de amor. Era isso o que a gente pretendia fazer, fugir dos preconceitos e falar de um romance tocante. E acho que conseguimos”, assegurou a autora.

A trama também abordará a homofobia.

Pais devem ser os primeiros a ajudar filho a lidar com homofobia na escola Resposta

Os pais devem mostrar que estão abertos para conversar e apoiar o filho quanto a sua orientação sexual Getty Images/Pixland

Os pais devem mostrar que estão abertos para conversar e apoiar o filho quanto a sua orientação sexual Getty Images/Pixland

Se o bullying nas escolas já é um grande problema na vida dos adolescentes, nos casos de homofobia, a situação é bem pior. Segundo estudo realizado em 501 escolas de 27 estados do país pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), em 2009, 87,3% das pessoas apresentaram algum nível de preconceito em relação à orientação sexual.

O estudo foi feito com questionários aplicados a 18.599 pessoas (entre estudantes, professores, diretores e pais) e revelou também que 98,5% dos entrevistados desejavam manter algum nível de distância dos homossexuais.

Além de sofrerem com a homofobia nas escolas, o que agrava a situação é que os filhos dificilmente encontram o apoio de que precisam em casa. “Se uma criança sofre preconceito por ser negra, ela chega em casa e fala com a mãe, que vai reclamar com a professora, a diretora. Os jovens gays, geralmente, não têm com quem falar, porque os próprios pais não aceitam sua orientação sexual”, declara Edith Modesto, terapeuta especialista em diversidade sexual e questões de gênero e fundadora e diretora do Grupo de Pais de Homossexuais (GPH).

Segundo Edith, que é autora de “Mãe Sempre Sabe? – Mitos e Verdades sobre Pais e seus Filhos Homossexuais” (Editora Record), o primeiro passo para ajudar os filhos é aceitá-los completamente. “O preconceito está diminuindo, mas, dentro de casa, mudou muito pouco. Os jovens ainda têm medo de contar para família que são gays. Se tiverem a aceitação dos pais, saberão que podem contar com eles para ajudá-los”, afirma.

De acordo com o educador Caio Feijó, autor dos livros “Pais Competentes, Filhos Brilhantes” e “Os Dez Erros que os Pais Cometem” (Editora Novo Século), o primeiro preconceito que os jovens gays sofrem acontece em casa. “A primeira discriminação acontece quando os pais sabem. Por mais que eles tenham uma cabeça aberta, a maioria não fica feliz, pois tem receio de que o filho sofra com o preconceito da sociedade”, diz.  Para Feijó, os pais devem buscar ajuda para conseguir lidar com a homossexualidade do filho, ou ele irá esconder sua orientação.

“O primeiro lugar que pode e deve oferecer segurança para o jovem é a casa dele. É preciso ouvir quando ele falar sobre sua orientação, e sem recriminá-lo. O jovem está cansado de ouvir piadas e ver os gays serem apresentados de modo preconceituoso na TV. Ele tem muita angústia dentro dele”, afirma Maria Cristina Cavaleiro, professora de políticas públicas da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) coordenadora do grupo de estudo sobre gênero e diversidade da instituição e participante do grupo Estudos de Gênero, Educação e Cultura Sexual (Edges) da Universidade de São Paulo (USP).

“Há uma dificuldade muito grande de aceitação por parte dos pais. Eles foram criados para terem filhos héteros, e os filhos aprendem, desde criança, que devem ser assim, que os sonhos dos pais foram construídos para isso”, diz Edith. “Muitos jovens me procuram perguntando como fazem para serem héteros, iguais ao pai, à mãe. Os filhos ficam tristes ao ver que os pais têm dificuldade para aceitá-los. Os adultos precisam entender que eles são assim, não escolheram ser.”

Filhos confiantes

Pensar em possíveis situações que o filho pode enfrentar na escola e prepará-lo para elas não é a melhor saída para ajudá-lo, segundo os especialistas. Para Edith Modesto, só se deve conversar se a situação acontecer. “Por mais que pareça que os jovens não ouvem os pais, tudo o que a família diz tem grande importância para eles. Se os pais sugerirem possíveis problemas, eles podem ficar com medo e se sentirem ansiosos sem necessidade”.

Segundo Klecius Borges, psicólogo pós-graduado pela USP que atua na área de terapia afirmativa para gays e orientação familiar desde 2001, os pais preparam os filhos para possíveis situações preconceituosas ao aceitá-los como são, sem críticas ou opressão, e ao ensiná-los que as pessoas são diferentes e não há nada de errado nisso. Com amor e apoio, os filhos acabam tendo maior autoconfiança para lidar com os problemas, incluindo a homofobia.

Para Feijó, se os adultos ensinarem os filhos a terem autonomia, a saberem lidar com frustrações e passarem a eles valores como cidadania, moral e ética, os jovens terão capacidade para se protegerem sozinhos.

Quanto o pai pode interferir

Ao perceber que o jovem é vítima de homofobia na escola, é natural que o primeiro impulso dos pais seja o de ir ao colégio e cobrar satisfações e, até mesmo, tentar conversar com os pais do colega que maltrata o seu filho. No entanto, é preciso ter cuidado para respeitar o espaço e a vontade do adolescente.

“Os pais só podem falar na escola se o filho permitir. Eles não podem chegar dizendo que o filho é gay e está sendo vítima de preconceito, a única pessoa que pode dizer isso é o próprio jovem, que, muitas vezes, não quer sair do armário ainda”, diz Edith.

Além disso, principalmente na fase da adolescência, é comum que o jovem queira resolver sozinho os seus problemas e tenha vergonha que os pais tentem fazer isso por ele. “Se os pais vão à escola, o jovem fica com fama de dedo duro, de covarde. Quanto mais os pais fortalecerem a autoestima do filho, mais ele mesmo irá se defender e falar com a direção sozinho, se for o caso”, diz ela.

Para Klecius Borges, nem sempre o filho adolescente deve resolver sozinho todos os problemas da sua vida. “É preciso avaliar se o que ele está sofrendo é grave e o quanto isso o está machucando. Se o pai ou a mãe perceber que ele está sofrendo e não sabe lidar com isso, cabe ao adulto ajudar”, diz.

Se, por exemplo, a discriminação é praticada pelos próprios professores, os pais devem comunicar imediatamente o ocorrido à direção da escola. “A Constituição fala que todos devem ser tratados sem preconceito. O adulto precisa saber que seu filho tem direito a expressar sua sexualidade e deve lutar por isso. É nessa fase que o jovem forma sua identidade, é fundamental que ele não sofra rechaço”, afirma Maria Cristina.

Nova escola

De acordo com a terapeuta Edith Modesto, se o adolescente já foi vítima de preconceito em uma escola e for mudar de colégio, os adultos devem conversar com a direção da nova instituição para avaliar sua filosofia. No entanto, a orientação sexual do filho só deve ser mencionada caso o jovem os autorize a falar sobre isso.

Para Borges, cabe aos pais escolher, no momento da matrícula, uma escola que saiba lidar com a diversidade de uma maneira geral. Os adultos devem perguntar, sem expor os filhos, se algum aluno já sofreu bullying e como isso foi tratado.

Sinais de que algo não vai bem

Com a tentativa de independência que é comum durante a adolescência, é normal que muitos jovens que sofrem preconceito na escola evitem contar o problema para os pais. Mas há sinais comportamentais que podem ajudar a família a identificar se algo errado acontece. Não querer ir à escola, sempre se atrasar para se arrumar, ter dificuldade de acordar e apresentar uma queda repentina no desempenho escolar são alertas que jovens que sofrem bullying começam a dar. “Se o jovem não conta, mas apresenta uma mudança de comportamento muito evidente e abrupta, é preciso conversar com ele”, fala Borges.

Nesse caso, o ideal seria que os filhos vissem espaço para conversar com os pais sobre o problema. “Mas, se os pais percebem que a situação é grave, é preciso tomar uma atitude, afirma Maria Cristina. Segundo ela, caso o adolescente ainda não tenha se assumido, há formas de mostrar para ele que se está aberto para esse tipo de conversa. “Hoje tem a novela que mostra personagens homofóbicos, por exemplo. Os pais podem mostrar que acham a atitude deles horrível, e os filhos entendem o recado sem que o espaço deles seja invadido”, diz.

Já quando a orientação do filho é algo aberto para a família e, mesmo assim, ele não fala sobre o que acontece na escola, vale ir ao colégio, sondar o que está acontecendo e ouvir o que os profissionais têm a dizer, segundo Maria Cristina. “Provavelmente, a primeira atitude da escola é negar, mas, caso se tenha certeza da homofobia, os pais devem buscar ajuda na Secretaria de Diversidade, nos disques-denúncia, na delegacia de ensino”. Também existe o Disque 100, para qualquer caso de homofobia.

Informações: UOL

O que é que tem colocar uma saia ou uma calça? Resposta

Não é a primeira vez que casos como o do colégio Bandeirantes ou da USP Leste chamam a atenção do cotidiano brasileiro.

Os jovens estão vivos e a sociedade precisa de suas vozes e gestos de contestação.

Generificar o vestuário é uma forma de manter-se a homofobia e preconceitos patriarcais arraigados na sociedade há bastante tempo.

O que é que tem colocar uma saia ou uma calça?

Não é a roupa que incomoda, até porque a saia que foi utilizada nem era curta, como muitas mulheres utilizam para chamar a atenção sobre as suas pernas torneadas.

A questão é contracultural. Usar saias, pintar unhas, usar batom, usar calcinhas em vez de cuecas, desestabiliza a questão relacional de gênero em sua normatividade.

Homens vestem isto, mulheres aquilo. E os homossexuais e travestis subvertem esse sistema, porque não se enquadram no que a sociedade obriga os sujeitos a vivenciar no dia a dia público.

É preciso haver uma discussão mais profunda sobre essa contestação. Há casos em que o jovem exposto a deboches e piadinhas se fecha, vai para os guetos, se evade das aulas, corre para as drogas, se entristece. Às vezes se mata, como já vimos em trabalhos feitos por nós da Unesp (Assis, Ourinhos e Prudente com o ensino médio) sobre o homosuicídio.

Engraçado é que isto é cultural. Em outras sociedades, a saia faz parte da vida cotidiana, como os ingleses. O problema não é a saia. É ter direito de vestir o que se quiser. Amar a quem se quiser, desde que se respeite o outro.

Alguém reclama dos héteros vestirem o que quiserem, extravagantemente? Uma loira colocar um collant bem apertado ou um homem vestir-se de caubói com a calça ultrapertada? São valores condicionados a uma moral pouco cidadã.

ARILDA INES MIRANDA RIBEIRO é coordenadora do Núcleo de Diversidade Sexual na Educação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Unesp de Presidente Prudente.

Crianças transgêneros desafiam leis e políticas escolares nos EUA Resposta

Ryan faz acrobacias com suas amigas no recreio do colégio, num subúrbio de Chicago; nascida menino, ela se identifica como menina desde os primeiros anos de vida (Foto: AP Photo/M. Spencer Green)

Ryan faz acrobacias com suas amigas no recreio do colégio, num subúrbio de Chicago; nascida menino, ela se identifica como menina desde os primeiros anos de vida (Foto: AP Photo/M. Spencer Green)

Para incluir e tratar igualmente todos os alunos e alunas, inclusive os que se identificam com gêneros diferentes aos seus biológicos, escolas dos Estados Unidos estão aprendendo empiricamente a se adaptar a uma realidade longe do branco e preto que definem que roupas, brinquedos e atitudes são de meninos ou de meninas. O assunto foi tema de longa reportagem da agência de notícias Associated Press. O blog publica abaixo um resumo feito pelo G1 com os principais trechos da reportagem da AP:

A presença de crianças e adolescentes que adotam outra identidade de gênero é pequena nas escolas, mas tem crescido. No distrito escolar da cidade de São Francisco, por exemplo, o gerente de programas de saúde escolar Kevin Gogin afirmou à reportagem que, de acordo com uma pesquisa com os estudantes, 1,6% dos alunos de ensino médio e 1% dos alunos dos anos finais do ensino fundamental se identificavam como transgênero ou variante de gênero.

As crianças dos anos iniciais não foram incluídas na pesquisa, mas Gogin disse à AP que o distrito já havia identificado alunos e alunas nesta situação nestes anos.

Com Ryan, que hoje cursa o quarto ano do fundamental em um subúrbio da cidade americana de Chicago, a adoção de outro gênero aconteceu ainda mais cedo. Desde os dois anos de idade, ela mostrava atração pela cor rosa e usava as calças do pijama para improsivar uma peruca de cabelos compridos. Na época, ela foi diagnosticada com desordem de identidade de gênero, e os pais começaram a incentivar atividades e objetos típicos de meninos. Quando a estratégia não deu certo, passaram a proibir qualquer menção ou brincadeira tipicamente feminina. Ao perceberem que o efeito da repressão não seria benéfico, decidiram aceitar as escolas da filha.

Desde 2012, a “desordem de identidade de gênero” foi removida da lista de doenças de saúde mental, e outros pais de crianças que não se encaixam no padrão polarizado de meninos e meninas recebem o apoio de médicos e especialistas que não enxergam mais esse fenômeno como algo a ser consertado.

Para alguns deles, a evolução da percepção sobre pessoas transgênero (em suas várias formas, desde que quem se identifica com o gênero oposto até quem se considera parte homem e parte mulher) vai evoluir da mesma forma como a visão a respeito da homossexualidade, que há cerca de 40 anos deixou de ser considerada uma doença mental.

Contra o bullying na escola e na família

Ainda no jardim de infância, ela decidiu, com o apoio dos pais, abandonar a rotina de vestir roupas de menino na escola e trocá-las, assim que chegava em casa, por saias e uma blusa combinando. No primeiro dia da mudança, a mãe dela, Sabrina, foi à sala de aula explicar aos coleguinhas que Ryan gostava de se vestir como menina e fazer coisas de menina.

Algumas crianças contaram suas próprias histórias que quando vestiram roupas indicadas a outros gêneros por motivos variados, e o grupo superou a notícia. As crianças do ensino fundamental, porém, começaram a perseguir Ryan na hora do recreio. Para evitar aborrecimentos, a diretoria da escola garantiu a aplicação da política de intolerância ao bullying.

O processo, porém, não foi totalmente fácil, segundo contou a mãe da criança, Sabrina, à reportagem da AP. Antes da escola, Ryan começou a vestir roupas convencionalmente atribuídas a meninas em parques, no bairro e com a família.

Algumas pessoas não aceitaram a mudança, criticaram o apoio dos pais por acharem Ryan nova demais para saber o que queria, ou simplesmente pararam de reconhecer a criança. “Era como se ela não existisse mais”, disse a mãe. A posição dela e do pai foi, além de mudar de bairro e buscar uma escola que parecesse mais aberta, enfrentar o problema de frente e com uma posição clara: eles reuniram os parentes e lhes informaram que estariam do lado da criança.

“Nosso compromisso é que nossos filhos estejam em um ambiente acolhedor e amoroso, e se alguém não concorda com isso, então não vai estar por perto”, explicou o pai de Ryan, Chris.

Ryan, Scott Morrisson, Eli Erlick e Coy Mathis; aluno e alunas transgêneros nos EUA (Fotos: AP Photo/ M. Spencer Green/Don Ryan/Rich Pedroncelli/ Brennan Linsley)

Ryan, Scott Morrisson, Eli Erlick e Coy Mathis; aluno
e alunas transgêneros nos EUA (Fotos: AP Photo/
M. Spencer Green/Don Ryan/Rich Pedroncelli/
Brennan Linsley)

A tolerância na prática
“Por uma margem grande, a maioria dos educadores quer fazer a coisa certa e quer saber como tratar todas as suas crianças igualmente”, afirmou à reportagem da AP Michael Silverman, diretor-executivo do Fundo de Defesa Legal e Educação Transgênero da cidade de Nova York. Segundo ele, atualmente 16 estados americanos e o Distrito de Columbia (capital dos EUA) já contam com leis que garantem os direitos de pessoas transgêneros. Mas, mesmo nos estados que não contam com essa legislação, os distritos escolares estão geralmente abertos à orientação para a diversidade.

O problema, porém, é que as práticas de aceitação e tolerância à diversidade ainda não são muito difundidas. Entre as perguntas mais comuns estão a definição de qual banheiro a criança vai usar, onde ela vai se trocar para a aula de educação física e que pronome os professores e colegas devem usar para chamar a criança transgênero.

Dados recentes mostram que a falta de informação e socialização entre os estudantes transgêneros podem ter resultados alarmantes.

Um pesquisa nacional feita em 2010, feita em conjunto entre o Centro Nacional pela Igualdade Transgênero e pela Força Tarefa Gay e Lésbica Nacional, mostrou que 41% das pessoas transgêneros entrevistadas no país admitiram que já tentaram cometer suicídio. Mais da metade (51%) delas afirmou que sofreu bullying, assédio, agressão ou expulsão da escola por serem transgêneros.

Scott Morrison, que mora no estado de Oregon há três anos, e há dois fez a transição de menina para menino, afirma que o apoio da família, dos amigos e de sua nova escola, inclusive da ajuda de um conselheiro escolas, fez toda a diferença no processo, inclusive evitando que ele considerasse tirar a própria vida.

“A identidade de gênero é provavelmente a parte mais importante de mim, é a descoberta mais importante que fiz sobre mim mesmo”, disse o formando do ensino médio à AP.

Para Eli Erlick, uma aluna transgênero que vai terminar o ensino médio neste ano em Willits, uma pequena cidade no norte da Califórnia, a transição de menino para menina começou aos 8 anos. Na época, há cerca de dez anos, a sensação que ela descreveu à agência era de ser “a única pessoa desse jeito”. Além de ser ridicularizada em público pelos próprios professores, a aluna não tinha permissão para usar o banheiro das meninas. Para contornar o problema, ela fingia alguma doença para poder ser liberada e usar o banheiro de casa.

Em geral, porém, ela afirma ter notado uma mudança geral nas atitudes em relação às diferenças entre identidades de gênero. Hoje, Eli coordena uma organização que treina e orienta escolas a lidar com pessoas como ela, além de ter ajudado seu próprio distrito escolar, além de outros na Califórnia, a definir políticas sobre o tema.

A inclusão escolar na Justiça

Ainda que haja mais conscientização, nem todas as relações entre alunos transgêneros e suas escolas são pacíficas, e algumas já foram parar na Justiça. Michael Silverman, de Nova York, representa a família de Coy Mathis, uma garota transgênero de seis anos do estado de Colorado.

O motivo do processo foi o fato de a escola ter definido que a criança seria obrigada a usar um banheiro separado das demais meninas.

“Se fosse só um banheiro, então a opção neutra estaria bem. Mas é sobre realmente ser aceita”, disse a mãe de Coy, Kathryn Mathis. “O que acontece agora é que eles te chamam de garota, mas você não é realmente uma garota, então não te deixam agir como uma. E isso faz um estrago incrível.”

A reportagem da Associated Press procurou a escola de Coy, mas ela não se pronunciou.

Os precedentes abertos nos últimos anos e a evolução da posição de especialistas sobre a condição de pessoas transgêneros têm feito com que as crianças e adolescentes que se identificam com um gênero diferente do biológico possam viver mais abertamente e com maior apoio.

“Essas crianças estão começando a ter uma voz, e acho que isso é o que tem feito as coisas interessantes e desafiadoras –e difíceis, às vezes–, dependendo da família, da criança ou da escola”, afirmou à AP Roberto Garofalo, diretor do Centro de Gênero, Sexualidade e Prevenção de HIV do Hospital Infantil Lurie, de Chicago.

No caso de Ryan, sua integração escolar tem tido, até agora, poucas consequências negativas. Uma de suas colegas do quarto ano do fundamental resumiu tudo com uma frase: “A maioria das pessoas esqueceu que um dia ela já foi um menino”, disse a garota.

Fonte: G1

Aluna lésbica é espancada por família em Goiás 6

Aluna é espancada dentro de sala de aula

O vídeo (forte) a seguir mostra como a homofobia pode ser ensinada em casa. Uma estudante espanca sua colega de 15 anos, com a ajuda da mãe e do avô. Motivo: a aluna teria cantado a colega. O crime ocorreu na sala de aula de uma escola estadual na cidade de Bela Vista, região metropolitana de Goiânia (GO).

O vídeo foi feito por celular e mostrado por reportagem da emissora Serra Dourada.

O que mais choca é que a cena de selvageria tenha sido protagonizada por uma família e em uma escola. Isso mostra o quão arraigada está a homofobia em nossa cultura.