O pior preconceito é o que vem de dentro de casa Resposta

Anteontem (madrugada de sábado para domingo) passei parte da madrugada conversando com um amigo do Facebook que tem a identidade de gênero feminina, mas não pode assumi-la devido ao preconceito que sofre dentro da própria família – ele contou que é gay para o pai, mas mesmo assim é mal interpretado e, por ter cabelos longos, sofre discriminação na rua também, pois mora em uma cidade muito pequena. Fiquei pensando como deve ser difícil ter a alma aprisionada dentro de um corpo que não pertence a você, mesmo você tendo nascido com ele.

Por depender financeiramente da família, esse amigo não pode fazer nada, tem que viver feito homem, mesmo se sentindo mulher.

O pior preconceito não é o que vem das ruas, mas o que existe dentro da própria família.

Como eu gostaria que a discriminação fosse vencida através do diálogo, mas isso é utópico demais. Um dia o nosso planeta estará mais evoluído e chegaremos lá.

Eu, dono de uma página com mais de 40 mil seguidores (Entre Nós), que luta pela inclusão social dos LGBTs, fui dormir com uma sensação de impotência diante do problema do meu amigo, melhor dizendo, da minha amiga. Se nos colocássemos no lugar do outro, certamente seríamos mais respeitosos ou tolerantes, pelo menos.

Pais devem ser os primeiros a ajudar filho a lidar com homofobia na escola Resposta

Os pais devem mostrar que estão abertos para conversar e apoiar o filho quanto a sua orientação sexual Getty Images/Pixland

Os pais devem mostrar que estão abertos para conversar e apoiar o filho quanto a sua orientação sexual Getty Images/Pixland

Se o bullying nas escolas já é um grande problema na vida dos adolescentes, nos casos de homofobia, a situação é bem pior. Segundo estudo realizado em 501 escolas de 27 estados do país pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), em 2009, 87,3% das pessoas apresentaram algum nível de preconceito em relação à orientação sexual.

O estudo foi feito com questionários aplicados a 18.599 pessoas (entre estudantes, professores, diretores e pais) e revelou também que 98,5% dos entrevistados desejavam manter algum nível de distância dos homossexuais.

Além de sofrerem com a homofobia nas escolas, o que agrava a situação é que os filhos dificilmente encontram o apoio de que precisam em casa. “Se uma criança sofre preconceito por ser negra, ela chega em casa e fala com a mãe, que vai reclamar com a professora, a diretora. Os jovens gays, geralmente, não têm com quem falar, porque os próprios pais não aceitam sua orientação sexual”, declara Edith Modesto, terapeuta especialista em diversidade sexual e questões de gênero e fundadora e diretora do Grupo de Pais de Homossexuais (GPH).

Segundo Edith, que é autora de “Mãe Sempre Sabe? – Mitos e Verdades sobre Pais e seus Filhos Homossexuais” (Editora Record), o primeiro passo para ajudar os filhos é aceitá-los completamente. “O preconceito está diminuindo, mas, dentro de casa, mudou muito pouco. Os jovens ainda têm medo de contar para família que são gays. Se tiverem a aceitação dos pais, saberão que podem contar com eles para ajudá-los”, afirma.

De acordo com o educador Caio Feijó, autor dos livros “Pais Competentes, Filhos Brilhantes” e “Os Dez Erros que os Pais Cometem” (Editora Novo Século), o primeiro preconceito que os jovens gays sofrem acontece em casa. “A primeira discriminação acontece quando os pais sabem. Por mais que eles tenham uma cabeça aberta, a maioria não fica feliz, pois tem receio de que o filho sofra com o preconceito da sociedade”, diz.  Para Feijó, os pais devem buscar ajuda para conseguir lidar com a homossexualidade do filho, ou ele irá esconder sua orientação.

“O primeiro lugar que pode e deve oferecer segurança para o jovem é a casa dele. É preciso ouvir quando ele falar sobre sua orientação, e sem recriminá-lo. O jovem está cansado de ouvir piadas e ver os gays serem apresentados de modo preconceituoso na TV. Ele tem muita angústia dentro dele”, afirma Maria Cristina Cavaleiro, professora de políticas públicas da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) coordenadora do grupo de estudo sobre gênero e diversidade da instituição e participante do grupo Estudos de Gênero, Educação e Cultura Sexual (Edges) da Universidade de São Paulo (USP).

“Há uma dificuldade muito grande de aceitação por parte dos pais. Eles foram criados para terem filhos héteros, e os filhos aprendem, desde criança, que devem ser assim, que os sonhos dos pais foram construídos para isso”, diz Edith. “Muitos jovens me procuram perguntando como fazem para serem héteros, iguais ao pai, à mãe. Os filhos ficam tristes ao ver que os pais têm dificuldade para aceitá-los. Os adultos precisam entender que eles são assim, não escolheram ser.”

Filhos confiantes

Pensar em possíveis situações que o filho pode enfrentar na escola e prepará-lo para elas não é a melhor saída para ajudá-lo, segundo os especialistas. Para Edith Modesto, só se deve conversar se a situação acontecer. “Por mais que pareça que os jovens não ouvem os pais, tudo o que a família diz tem grande importância para eles. Se os pais sugerirem possíveis problemas, eles podem ficar com medo e se sentirem ansiosos sem necessidade”.

Segundo Klecius Borges, psicólogo pós-graduado pela USP que atua na área de terapia afirmativa para gays e orientação familiar desde 2001, os pais preparam os filhos para possíveis situações preconceituosas ao aceitá-los como são, sem críticas ou opressão, e ao ensiná-los que as pessoas são diferentes e não há nada de errado nisso. Com amor e apoio, os filhos acabam tendo maior autoconfiança para lidar com os problemas, incluindo a homofobia.

Para Feijó, se os adultos ensinarem os filhos a terem autonomia, a saberem lidar com frustrações e passarem a eles valores como cidadania, moral e ética, os jovens terão capacidade para se protegerem sozinhos.

Quanto o pai pode interferir

Ao perceber que o jovem é vítima de homofobia na escola, é natural que o primeiro impulso dos pais seja o de ir ao colégio e cobrar satisfações e, até mesmo, tentar conversar com os pais do colega que maltrata o seu filho. No entanto, é preciso ter cuidado para respeitar o espaço e a vontade do adolescente.

“Os pais só podem falar na escola se o filho permitir. Eles não podem chegar dizendo que o filho é gay e está sendo vítima de preconceito, a única pessoa que pode dizer isso é o próprio jovem, que, muitas vezes, não quer sair do armário ainda”, diz Edith.

Além disso, principalmente na fase da adolescência, é comum que o jovem queira resolver sozinho os seus problemas e tenha vergonha que os pais tentem fazer isso por ele. “Se os pais vão à escola, o jovem fica com fama de dedo duro, de covarde. Quanto mais os pais fortalecerem a autoestima do filho, mais ele mesmo irá se defender e falar com a direção sozinho, se for o caso”, diz ela.

Para Klecius Borges, nem sempre o filho adolescente deve resolver sozinho todos os problemas da sua vida. “É preciso avaliar se o que ele está sofrendo é grave e o quanto isso o está machucando. Se o pai ou a mãe perceber que ele está sofrendo e não sabe lidar com isso, cabe ao adulto ajudar”, diz.

Se, por exemplo, a discriminação é praticada pelos próprios professores, os pais devem comunicar imediatamente o ocorrido à direção da escola. “A Constituição fala que todos devem ser tratados sem preconceito. O adulto precisa saber que seu filho tem direito a expressar sua sexualidade e deve lutar por isso. É nessa fase que o jovem forma sua identidade, é fundamental que ele não sofra rechaço”, afirma Maria Cristina.

Nova escola

De acordo com a terapeuta Edith Modesto, se o adolescente já foi vítima de preconceito em uma escola e for mudar de colégio, os adultos devem conversar com a direção da nova instituição para avaliar sua filosofia. No entanto, a orientação sexual do filho só deve ser mencionada caso o jovem os autorize a falar sobre isso.

Para Borges, cabe aos pais escolher, no momento da matrícula, uma escola que saiba lidar com a diversidade de uma maneira geral. Os adultos devem perguntar, sem expor os filhos, se algum aluno já sofreu bullying e como isso foi tratado.

Sinais de que algo não vai bem

Com a tentativa de independência que é comum durante a adolescência, é normal que muitos jovens que sofrem preconceito na escola evitem contar o problema para os pais. Mas há sinais comportamentais que podem ajudar a família a identificar se algo errado acontece. Não querer ir à escola, sempre se atrasar para se arrumar, ter dificuldade de acordar e apresentar uma queda repentina no desempenho escolar são alertas que jovens que sofrem bullying começam a dar. “Se o jovem não conta, mas apresenta uma mudança de comportamento muito evidente e abrupta, é preciso conversar com ele”, fala Borges.

Nesse caso, o ideal seria que os filhos vissem espaço para conversar com os pais sobre o problema. “Mas, se os pais percebem que a situação é grave, é preciso tomar uma atitude, afirma Maria Cristina. Segundo ela, caso o adolescente ainda não tenha se assumido, há formas de mostrar para ele que se está aberto para esse tipo de conversa. “Hoje tem a novela que mostra personagens homofóbicos, por exemplo. Os pais podem mostrar que acham a atitude deles horrível, e os filhos entendem o recado sem que o espaço deles seja invadido”, diz.

Já quando a orientação do filho é algo aberto para a família e, mesmo assim, ele não fala sobre o que acontece na escola, vale ir ao colégio, sondar o que está acontecendo e ouvir o que os profissionais têm a dizer, segundo Maria Cristina. “Provavelmente, a primeira atitude da escola é negar, mas, caso se tenha certeza da homofobia, os pais devem buscar ajuda na Secretaria de Diversidade, nos disques-denúncia, na delegacia de ensino”. Também existe o Disque 100, para qualquer caso de homofobia.

Informações: UOL

Filho de Daniela Mercury já manifestou apoio a casais gays em post na web 2

gabriel_face

Gabriel Povoas, filho de Daniela Mercury, já tinha demonstrado apoio a casais gays em um post feito em seu Facebook e falado sobre o preconceito em Salvador, cidade onde mora.

“Que coisa bonita, acabei de ver um casal gay (homens) passando na rua de mãos dadas aqui em Sampa. Que a nossa Salvador acorde em 2013 menos preconceituosa. Já disse Milton ‘Toda forma de amor vale a pena…'”, escreveu no dia 31 de dezembro.

Em entrevista ao portal EGO, a mulher de Gabriel falou sobre a relação do músico com a mãe: “Daniela já está viajando com a Malu há um mês. Agora o Gabriel e a Giovanna foram encontrar com ela para fazer os shows. Os dois são grandes… Posso te dizer que o Gabriel, pelo menos, vive a vida dele, não se mete nas coisas da mãe. Eles têm uma relação legal”.

Daniela usou o Instagram para assumir o relacionamento nesta quarta-feira (3/4). Ela postou imagens românticas suas com a jornalista Malu Verçosa, editora da Rede Bahia, e fez uma verdadeira declaração de amor a ela: “Malu agora é minha esposa, minha família, minha inspiração pra cantar”, escreveu Daniela, que aparece muito sorridente nas fotos e mostra que já está até usando aliança.

Daniela Mercury e sua mulher, Malu Verçosa

Daniela Mercury e sua mulher, Malu Verçosa

Como saí do armário: Joana (nome fictício) 1

Antes de tudo, Rafael, queria que por favor colocasse o meu nome em anonimato. Eu queria muito poder colocar meu nome verdadeiro, mas sofro crises com a minha família na minha aceitação, e tenho recreio caso alguém deles acabe entrando aqui sem querer. Moro no Rio de Janeiro, sou estudante do 1° ano do Ensino Médio e já estou por volta dos meus 15 anos de idade. Sou bem nova, até.

Acho que como a maioria dos homossexuais, a gente acaba tendo noção que é “diferente” na infância. Quando eu era pequena, eu era mais apegada com os brinquedos dos meninos do que das meninas. Eu sempre tive um jeito bem moleque de ser, e provavelmente meus pais nunca perceberam isso na minha infância, ou fingiam não ver. E eu ainda tenho esse “jeitinho”. Na minha escola o pessoal comentava, mas era tudo muito inocente. Estudava nesse colégio há mais de 5 anos, e todos sempre me aceitaram, conheço todos. Os meus familiares também comentavam, e minha mãe quando percebeu isso, começou nessa luta terrível de tentar me “mudar”. Constantemente nós brigávamos, a ponto de eu tentar evitar a todo custo sair apenas com meus pais.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Mas o meu sentimento por garotas mesmo foi descoberto um tempinho depois, na minha entrada na pré-adolescência. Eu sempre olhava os homens como se fosse “obrigada” a gostar deles. Eu os olhava, e no fundo, eu sabia que não sentia tudo isso. Eu sabia que tinha algo diferente, mas sempre guardei isso pra mim. Eu me relacionei com alguns homens, mas nunca senti “aquilo” mesmo, sabe? Não me sentia confortável. E quando via fotos de mulheres, aí sim eu sentia algo. Só que quando eu percebi isso, eu tive medo. Medo, porque naquela época os meus pais, que são extremamente conservadores e preconceituosos, faziam a minha cabeça. Daí então, no ano retrasado, entrou uma garota nova na sala. E foi aí que eu realmente me descobri. Era ela linda, ela me encantava de uma forma que ninguém teria feito antes comigo… Foi minha primeira paixão… platônica. Tinha de ser hétero, claro, né?

Com o tempo, me abri com os meus amigos. E algo que eu agradeço todos os dias é por terem eles no meu lado. Não só meus amigos, mas como meus professores também. Eles me aceitaram, me apoiaram, sempre estiveram aqui ao meu lado quando eu precisei. Eu os amo tanto, do fundo do meu coração. 

Os meus pais são super homofóbicos e das poucas vezes que eu tentei me abrir com eles, fui totalmente discriminada. A maior discriminação que sofro aliás, é dentro da minha própria casa. Das últimas vezes que aconteceram brigas aqui, minha mãe encontrou mensagens minhas e discutimos a ponto de ela me bater e por pouco não fui expulsa de casa. Vivo com essa máscara, tendo que ser uma pessoa totalmente diferente do que sou na frente dos meus pais e constantemente dizendo mentiras. Repito, se não fosse meus amigos, eu talvez não estaria aqui agora, não teria forças para me manter de pé.

Bom, a questão é que atualmente, as coisas andam bem calmas por aqui. A minha única preocupação agora é que me mudei de escola, e vou conhecer pessoas totalmente diferentes, ainda não me acostumei com a ideia de retirar aquelas pessoas que eu tanto convivia da minha rotina, apenas as encontrar às vezes. Tenho medo dessas novas pessoas não se acostumarem comigo, pois como disse, eu tenho trejeitos, né. Mas torço para tudo ocorrer bem e eu conhecer novas e boas amizades lá. 

Sem dúvida, sair do armário foi uma das melhores coisas que já me ocorreu na vida. É um sentimento de liberdade tão bom, que chega a ser inexplicável.

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Conte para o blog como foi a sua experiência de sair do armário. Envie uma mensagem com o seu nome, a sua profissão, a sua cidade, o seu estado e uma foto (opcional) para o email oblogentrenos@gmail.com. A mensagem deve ter o seguinte título: Como eu saí do armário. Se quiser anonimato, basta pedir.

Como eu saí do armário: Cadu 6

Cadu

Sou de São Paulo (SP) e estudo Psicologia. Prefiro ficar no anonimato, embora eu seja assumido pra 95% das pessoas. Eu comecei a perceber tendências homossexuais desde pequeno, tive uma experiência com um amigo aos 12 anos, mas na época eu não me aceitava, achava que era um grande erro, que eu estava doente e tal. Só comecei a me aceitar mesmo com uns 14 anos. Até ai já tinha tentado suicídio duas vezes, ainda bem que não consegui.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

No dia em que sai do armário para a minha mãe foi muito emocionante, eu tinha acabado de terminar um namoro, tinha 15 anos na época ( hoje tenho 17). Estava ouvindo música e chorando no meu quarto, eis que minha mãe chegou e perguntou porque eu estava chorando. Tentei disfarçar, disse que tinha terminado com minha namorada, mas claro que ela não acreditou, e soltou um ” eu sei que você namorava o Igor, pode me falar” aí eu desmoronei, alias, nós dois desmoronamos, ficamos mais de meia hora chorando. Hoje em dia ela aceita de boa, mas ela ainda acha que é só um fase.

Para meu pai eu não pretendo me assumir nunca. Eu moro sozinho, e longe dele, não vale o sofrimento, levando em conta que ele é muito homofóbico.

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Em Fortaleza, 5% dos casos de homofobia ocorrem entre familiares 1

Luanna Marley - Coordenadora do Centro de Referência LGBT

Luanna Marley – Coordenadora do Centro de Referência LGBT

No município de Fortaleza, 5% dos casos de homofobia registrados pelo Centro de Referência LGBT ocorrem dentro da casa das vítimas e são praticados pela própria família.

Segundo informações da coordenadora do centro de referência, Luanna Marley, a maioria dos casos tem como agressores a mãe, irmã ou padastro. Grande parte das denúncias ocorre entre adolescentes de 14 a 16 anos. “Fazemos um trabalho articulado com conselhos tutelares, serviço social, centro de referência e o setor de psicologia”, explica Luanna.

Outro grande fator que tem preocupado o centro de referência são as denúncias relacionadas ao ambiente de trabalho. “São atitudes preconceituosas de colegas de trabalho e pelo chefe. Há casos de demissão de pessoas por serem LGBT, mas que são camuflados por outras justificativas. Quando ocorre uma investigação acaba sendo constatado por meio de testemunhas que foi homofobia”, ressalta a coordenadora.

União estável

Mais de 30% dos atendimentos do centro são referente a união estável e casamento civil. Segundo a coordenadora houve um crescimento considerável entre os ano de 2011 e 2012, quando a Prefeitura, por meio da Coordenadoria da Diversidade Sexual realizou o primeiro mutirão da união estável juntamente com a defensoria pública.