E se seu filho fosse gay? Artigo de Arthur Henrique Chioramital 1

E seu filho fosse gay, o que você faria? (Foto: Thinkstock)

E seu filho fosse gay, o que você faria? (Foto: Thinkstock)

O Instituto Data Popular perguntou para 1.264 pessoas de cidades em todas as regiões do Brasil “Como você reagiria se seu filho ou filha se declarasse homossexual?”. Os resultados, divulgados na última sexta-feira (31/5), não poderiam ter me deixado mais feliz: 47% dos brasileiros disseram que não teriam problemas em aceitar os filhos caso eles se assumissem gays. O índice é dez pontos percentuais maior do que o de pessoas que rejeitariam seus filhos em função da orientação sexual.

Sério, gente, vocês não têm noção de como esses números são importantes. Mais do que apontar a diminuição do preconceito contra a população LGBT, o que já seria uma grande notícia a ser comemorada, a pesquisa mostra que, em todo o Brasil, gays e lésbicas correm menos risco de sofrerem agressões físicas e psicológicas no ambiente doméstico ou serem expulsos de casa por simplesmente saírem do armário. Vocês conseguem perceber o avanço que isso representa?

Assumir a homossexualidade para a família é um momento para lá de delicado. Mais do que o medo do preconceito e da violência, nos aterroriza a possibilidade de perder o afeto de algumas das pessoas mais importantes de nossas vidas: nossos pais, irmãos e parentes mais próximos. Não sei se vocês conseguem calcular quão angustiante essa situação pode ser. Imaginem correr o risco de ser afastado do convívio das pessoas que você ama, ser punido por algo que faz parte de você, mas que você não escolheu, como a cor dos seus olhos, o talento para os esportes ou inclinação artística. Agora misture tudo isso com a confusão emocional característica da adolescência. Tenso, né?

Eu mesmo demorei anos para abrir o jogo lá em casa. Com exceção da minha irmã mais velha, só no ano passado minha família ficou sabendo que eu gostava de meninos, oito anos depois de eu ficar com um cara pela primeira vez. E olha que minha mãe é uma mulher moderna e esclarecida, dessas que saem para dançar com as amigas, discutem política na mesa de jantar e não têm medo de mudar de ideia com relação a questões polêmicas diante de bons argumentos. Por que eu demorei tanto? Porque eu não sabia como ela reagiria. Eu sou o primeiro gay assumido da minha família e a falta de referência me deixava inseguro sobre como a situação poderia se desenrolar. Só tive coragem para me abrir depois que fui morar sozinho.

Meu caso está longe de ser trágico ou triste. Olhando para trás, tenho quase certeza que não havia motivos para temer uma reação negativa da minha mãe. Ela levaria um susto, sem dúvida, e precisaria de um tempo para se acostumar com a ideia de que seria apresentada a um genro e não a uma nora em um almoço de domingo qualquer. Nada além disso. Ainda assim demorei quase dez anos para ser honesto com ela.

Por isso o resultado da pesquisa feita pelo Instituto Data Popular é tão importante. Porque mostra a boa parte dos jovens gays e lésbicas de todo o País que não há o que temer, que eles vivem em lares inclusivos onde sua sexualidade é respeitada e a diversidade é vista com bons olhos. Lares onde eles são apenas filhos, com demandas e receios de filhos, com sonhos e anseios de filhos, independentemente do gênero da pessoa por quem se apaixonem. E isso, meus caros, é tudo o que podemos querer.

Engana-se quem pensa que queremos privilégios ou direitos que extrapolam a esfera do sensato. Engana-se quem pensa que queremos chamar atenção, chocar ou agredir quem quer que seja. Queremos apenas existir de forma plena. Queremos andar de mãos dadas na rua e ficar abraçados na fila do cinema. Queremos levar o namorado para dormir em casa e dormirmos juntos ou separados, de acordo com o que ditam as regras da casa, assim como nossos irmãos fazem.

Penso que cada vez mais gente começa a entender o que Boaventura de Souza Santos quis dizer quando afirmou que temos o direito de sermos iguais quando a diferença nos inferioriza e temos o direito de sermos diferentes quando a igualdade nos descaracteriza. Fico feliz em saber que uma parcela importante dessa tomada de consciência está acontecendo dentro das casas, no meio das famílias, de dentro para forma, como toda mudança consistente deve acontecer. Sou um otimista incorrigível. Escolho acreditar, todos os dias, que os bons são maioria. Pesquisas como essa mostram que há grandes chances de eu estar certo. Ainda bem.

Oito marcas brasileiras declaram apoio ao casamento gay 4

Mulheres de mãos dadas usam bandeira do símbolo do movimento gay: marcas têm usado redes sociais para manifestar apoio ao movimento "marriage equality" (casamento igualitário)

Mulheres de mãos dadas usam bandeira do símbolo do movimento gay: marcas têm usado redes sociais para manifestar apoio ao movimento “marriage equality” (casamento igualitário)

Além da adesão oficial de várias multinacionais à causa do casamento igualitário, algumas marcas brasileiras também decidiram se posicionar sobre a questão.

O Ponto Frio, o Itaú, o Walmart Brasil, o Sonho de Valsa, o Halls Brasil, a Bonafont e a Contigo! usaram as redes sociais para manifestar seu apoio à união entre pessoas do mesmo sexo. Todas publicaram versões da imagem que viralizou pela internet mundial como ícone da causa, o símbolo matemático “=” com fundo vermelho.

Desde o começo desta semana, os protestos por direitos igualitários tomaram conta da web. A campanha surge com força exatamente no momento em que os congressistas norte-americanos avaliam a constitucionalidade da Proposição 8, que defende que o casamento só é legalmente possível nos EUA entre pessoas de sexos opostos.  Confira as manifestações das marcas abaixo:

Itaú

O banco publicou em sua conta no Facebook no fim da tarde desta quinta-feira a imagem símbolo dos protestos. Suas cores foram alteradas para o laranja que faz parte da identidade visual da marca. Ao lado da imagem, a legenda esclareceu a intenção do post: “Defender a igualdade #issomudaomundo”.

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Ponto Frio.com

A empresa usou seus perfis no Twitter e no Facebook, capitaneados pelo personagem Pinguim, para declarar seu apoio com a mensagem “Igualdade sempre <3″.

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Sonho de Valsa

O Sonho de valsa, marca de chocolate que pertence à Lacta, também usou sua fanpage para declarar apoio à causa. A fanpage do produto postou na manhã desta quinta-feira o símbolo da campanha ao lado da legenda “Mais igualdade e mais amor. >O<”

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Halls Brasil

A fanpage do Halls Brasil também publicou conteúdo apoiando a causa na tarde desta quinta-feira. Além da igualdade (representada por dois drops) a legenda arremata: “O importante é cada um achar seu par ;)

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Bonafont

A água mineral da Danone preferiu usar o seu Facebook para manifestar-se a favor da causa. Além da foto, a marca postou o texto: “Um mundo mais igual = um mundo mais leve”.

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Walmart

Através do perfil no Facebook Mundo Walmart, o braço brasileiro da empresa manifestou-se: “O Walmart acredita que através da igualdade podemos Viver Melhor. E você? ;)”. A imagem a seguir ilustrou a frase.

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Contigo!

A revista de celebridades e variedades usou seu perfil no Facebook para declarar apoio à causa. A imagem que simboliza a igualdade foi criada com o logotipo adaptado da publicação.

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Coca-Cola

A Coca-Cola Brasil postou em seu Facebook  na manhã da última quarta-feira o símbolo oficial do movimento (devidamente estilizado com as gotinhas de água da lata do refrigerante) acompanhado pela frase “O mundo precisa de mais igualdade”. O conteúdo tem 1.700 likes e 500 compartilhamentos.

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Fonte: Exame