Projeto de lei para banheiro ‘unissex’ causa polêmica em Florianópolis Resposta

Um projeto de lei para a criação de banheiros “unissex” está gerando polêmica em Florianópolis. Escrito na terça-feira (4) pelo vereador Deglaber Goulart (PMDB), o documento especifica, no artigo 1º, que “ficam os shoppings centers, supermercados, restaurantes, cinemas e locais de diversões, no âmbito do Município de Florianópolis, obrigados a instalar banheiros masculino, feminino e unissex”. Questionando o projeto, o também vereador da capital Tiago Silva (PDT) diz que a iniciativa “reforça o preconceito”.

No documento, não está especificado quem usaria o banheiro “unissex”, apenas que a utilização do mesmo seria proibida por criança, a não ser que estivessem acompanhadas de um responsável. O projeto também obriga que esses locais estejam de acordo com as normas da Vigilância Sanitária e que nenhuma construção ou reforma em estabelecimentos citados no artigo 1º será licenciada pelo município caso não haja a instalação do banheiro.

Na justificativa do projeto, o vereador Deglaber afirmou que “impor o seu direito aos demais é ditadura, o que não pode ser tolerado. É o caso de homens que já utilizam o banheiro feminino sob o argumento de que se identificam com o outro sexo, ou seja, se sentem mulheres”. O parlamentar citou um caso ocorrido com o cartunista Laerte Coutinho, que, segundo o texto, “decidiu acionar o dono de uma padaria em São Paulo que o repreendeu por utilizar o banheiro feminino”.

Por fim, o vereador disse que “se a escolha do banheiro feminino depender do livre arbítrio de homens indefinidos quanto à identidade sexual, nossas mães, esposas, filhas e netas não terão mais tranquilidade para frequentar um banheiro público” e que “com a aprovação deste projeto, estaremos mantendo a boa convivência entre todas as pessoas, independentemente de suas preferências sexuais”.

Em entrevista ao Jornal do Almoço desta quinta-feira (6), o vereador Deglaber afirmou que o banheiro seria usado por simpatizantes do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). “Não há discriminação. Se tem no Rio de Janeiro, em Curitiba, em outras cidades, por que só em Florianópolis que existe discriminação?”, questionou o vereador.

“Eu acredito que há constrangimento do movimento gay às vezes de até entrar no banheiro masculino, então pode usar esse aí”, continua Deglaber. Por fim, ele afirma que “isso é atualizar a cidade hoje, que é o nosso dever” e que o documento “vai sofrer emendas para melhorar”.

Questionando o projeto, o também vereador de Florianópolis Tiago Silva acredita que a iniciativa “reforça o preconceito, o retrocesso, o apartheid do século 21”. Para ele, “nós temos tantos problemas aqui na cidade, mobilidade, plano diretor, transporte público, que deve ser discutido. Nós vamos gastar energias e esforços para um projeto desse”?

Como eu saí do armário: Daniel Manson 6

Daniel Manson

Daniel Manson

Achei muito interessante esta iniciativa de incentivar as pessoas a contarem sobre como foi a sua experiência ao assumir a sua sexualidade, pois bem, aqui vai a minha história, que poderia virar um filme ou um livro rs.

Meu nome é Daniel, tenho 20 anos, sou de Florianópolis (SC) e desde muito pequeno, creio que com oito anos eu já me sentia atraído por pessoas do mesmo sexo, eu gostava muito de garotos um pouco mais velhos que eu, mas com o passar do tempo fui me sentido atraído por garotos da mesma idade que a minha. Infelizmente  nasci em uma família machista, evangélica e preconceituosa, por este motivo, durante a minha infância e a minha adolescência, sempre lutei contra essa minha atração natural. Um detalhe engraçado é que eu tinha um jeitinho afeminado e  meu pai, com medo de eu virar gay, me colocava para jogar futebol e fazer tudo que um homem  “macho”, na cabeça dele, fazia.

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Com 13 anos descobri que na verdade eu era adotado (bem que sempre achei estranho, meus pais eram morenos e eu bem branquinho). Não vou entrar em detalhes de como é a história da minha adoção por ser bem longa, mas com 14 anos fui morar com a minha mãe biológica e sempre visitando meus pais adotivos. A minha família biológica não tinha religião e era formada de pessoas muito bem educadas, cultas e tinha uma situação econômica muito superior a minha família adotiva. Nesse lar eu me sentia à vontade para me expressar e dizer o que pensava, era incentivado a ser quem eu era de verdade. Assim, assumi a minha homosexualidade que foi muito bem recebida por todos, minha orientação foi aceita como uma coisa natural e fui tratado com muito amor e carinho.

Com 18 anos decidi contar aos meus pais adotivos e evangelicos que era gay, como já esperava, fui descriminado e sofri preconceito por parte deles, minha mãe chorou muito e custou a aceitar, na verdade até hoje ela não aceita. Depois de muito tempo ela disse que se eu sou feliz assim ela também é feliz e me aceita, porém, ela acha que um dia deixarei de ser gay, porque é o diabo que esta por trás disto.

Quando contei ao meu pai que é um evangelico fervoroso e coloca Deus acima e a frente de tudo, pude ver o ódio que ele sentia por min, ele disse que eu morreria e que ele não carregaria o meu caixão. Na época eu estava passando férias na casa deles e ele queria me expulsar e não queria nunca mais me ver, porém, o amor da minha mãe (mesmo sendo adotiva e evangélica) fez com que ela ficasse do meu lado.

O tempo passou e o destino fez com que essa família adotiva e humilde acabasse dependendo de mim financeiramente. Sou universitário, tenho uma boa profissão, moro sozinho e ganho o suficiente para viver uma vida confortavel e ajudá-los pagando o aluguel da casa deles e outras coisas (a verdade é que eu os sustento).

Hoje em dia o meu pai tem medo de me contrariar com seu fanatismo religioso. Já chegou até ao ponto de eu jogar fora todas as Bíblias e envelopes de igreja da casa dele fora e proibir de verem programas televisivos de igreja, este fato ja passou, não faço mais isto, porém, exijo que eles (principalmente o meu pai) respeitem a minha orientação sexual, atualmente quando vou à casa deles, sou muito bem tratato e respeitado.

Gay e negro, vice-presidente da Câmara de Florianópolis promete lutar contra a homofobia 3

Tiago Silva: vereador mais votado de Florianópolis e gay assumido promete lutar pelas mulheres e contra a homofobia

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As moradoras e os moradores de Florianópolis têm muito o que comemorar no que tange aos direitos humanos. Apesar de não elegerem nenhuma mulher vereadora, os florianopolitanos elegeram um deputado negro e assumidamente gay, Tiago Silva (PDT). Detalhe: Tiago foi o vereador mais votado da cidade. Tiago recebeu 6860 votos, quase 3% dos votos válidos.

Eleito vice-presidente da Câmara, Tiago Silva reafirmou orientação sexual gay e disse que vai fazer dos assuntos das mulheres sua bandeira. Pretende criar uma comissão permanente em defesa da mulher. “A cidade ainda é muito machista, já que não elegeu uma mulher vereadora. Como único vereador gay assumido na câmara, quero debater também a questão da homofobia”, disse.

A cidade agradece!