A Lei do Amor termina com recorde de casai gays, mas sem beijo na boca Resposta

ALeidoAmor

“A Lei do Amor”, novela das 21h, de Maria Adelaide Amaral e Vicent Villari, exibiu seu último capítulo nesta sexta-feira (31) com um recorde: o maior número de casais gays de uma novela do horário nobre. Apesar da representatividade maior, com três romances homossexuais, a abordagem foi sutil e não passou nem perto do beijo protagonizado por Mateus Solano e Thiago Fragoso em Amor à Vida.

“Vejo isso como um retrocesso. Quando você mostra um casal gay, mas não se aproxima da realidade em que ele vive, é uma espécie de omissão à homofobia”, opina Agripino Magalhães, líder estadual da Aliança Nacional LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Intersexuais).

“Dentro do estilo melodramático, considero que ‘A Lei do Amor’ cumpriu a sua função social na teledramaturgia. Também considero que o beijo gay deixou de ser exatamente uma questão”, contrapõe Mauro Alencar, doutor em teledramaturgia brasileira e latino-americana pela Universidade de São Paulo.

Na novela, Zelito (Danilo Ferreira) conquistou o coração de Wesley (Gil Coelho) logo nos primeiros capítulos. O frentista se encantou pelo DJ, que foi assassinado a mando de Tião (José Mayer), e o romance foi abortado tragicamente.

Os autores deixaram para formar os outros dois casais gays só nesta última semana. Aliás, muitos casais gays são formados somente em finais de novela.

No capítulo de segunda (27), Wesley chamou Gledson (Raphael Ghanem) para sair, mas a cena teve só troca de olhares e sorrisos entre os dois, sem carinhos explícitos ou beijo. Por fim, depois de terminar com Misael (Tuca Andrada), Flávia (Maria Flor) aparecereu com uma namorada, Gabi (Fernanda Nobre), mas o romance também não foi explorado.

“Apesar da representatividade maior, o gay ainda é mostrado como aquela pessoa que ‘dá pinta’, que é motivo de chacota, ou muito superficialmente. Normalmente, não são personagens como um bancário, empresário, balconista, por exemplo, uma pessoa que pode constituir uma família e ter direito como qualquer outro”, analisa Magalhães.

Alencar acredita que o núcleo em que os personagens homossexuais são apresentados e a forma como se relacionam está relacionado ao estilo de cada escritor, não à imposição de rótulos. “Qualquer tema abordado na história da ficção mundial é retratado com diferentes intensidades. É isso o que diferencia um autor de outro”, opina.

*Com informações do “Notícias da TV”.

 Opinião

Quem acompanha o blog sabe que eu sempre reclamei da falta de beijo gay em telenovelas. Mas mostrar casais gays, desde que não seja nos últimos capítulos, ou até mesmo uma família homoafetiva é melhor do que nada. No mais, já existem seriados inúmeros retratando de maneira honesta e aberta a homossexualidade.

E para você, beijo gay é importante ou não em uma novela?

Lula manda mensagem a trabalhadores LGBT: “Somos iguais e merecemos respeito” Resposta

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Veja o vídeo clicando aqui

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou um vídeo nesta sexta-feira (31) com uma mensagem aos trabalhadores LGBT pelo apoio ao 4º Encontro de Trabalhadores e Trabalhadoras LGBT, realizado pela CUT de São Paulo entre 30 de março e 1º de abril.

“Eu tenho muito respeito por todos os gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais do nosso querido Brasil. É por isso que uma das primeiras medidas que tomei quando cheguei à presidência da República foi dar à Secretaria dos Direitos Humanos o status de ministério. Assim colocamos os Direitos Humanos no mesmo patamar das outras áreas do Executivo e demos mais espaço aos direitos da população LGBT”, lembrou Lula, citando ainda outras iniciativas de seu governo e da gestão de Dilma Rousseff.

“Mas não podemos parar por aí. Ainda temos muito a conquistar. Estamos só no começo. E eu tenho muito orgulho de lutar ao lado de vocês”, acrescentou Lula no vídeo. “Eu sei que na hora de pagar o Imposto de Renda ou votar ninguém trata o povo LGBT com preconceito, mas duarnte todo o dia tem uma parte da sociedade que trata esse grupo como pária da sociedade”, destacou.

“Vamos à luta porque somos iguais e merecemos tratamento digno nesse país”, finaliza Lula. Assista acima.

Opinião

Houve avanços durante os governos Lula e Dilma, mas quando ele tinha mais de 80% de aprovação e o Congresso “nas mãos”, não moveu uma palha para colaborar para a aprovação da criminalização da homofobia, porque estava aliado aos fundamentalistas evangélicos.

No governo Dilma houve veto do programa Escola Sem Homofobia. Dilma chegou a o kit anti-homofobia de “propaganda de opção sexual”.

Conselho Estadual LGBT critica Crivella Resposta

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Prefeito do Rio, Marcelo Crivella

Deu na coluna da jornalista Berenice Seabra, do jornal “Extra” que o Conselho Estadual LGBT está insatisfeito com o prefeito do Rio, Marcelo Crivella. “Sem recursos não tem como executar políticas públicas. Com uma coordenadoria, não tem status para se articular com outras secretarias”, disse Júlio Moreira, presidente do Conselho.

O coordenador da Diversidade Sexual, Nélio Georgini, da prefeitura do Rio foi elogiado.

Morre Gilbert Baker, criador da bandeira LGBT Resposta

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Gilbert Baker enrolado na bandeira do Arco-Íris

Gilbert Baker, artista e ativista de direitos LGBT, morreu aos 65. A causa da morte ainda não foi confirmada oficialmente.

Baker se envolveu intensamente no movimento LGBT dos EUA nos anos 70, junto com ativistas como Harvey Milk. Ele criou a bandeira com o arco-íris que virou o símbolo LGBT para a parada gay de San Francisco em 1978 e depois símbolo LGBT mundial.

Seu amigo e também ativista gay Cleve Jones lamentou a morte em seu perfil no Twitter. “Meu amigo mais querido no mundo se foi. Gilbert Baker deu ao mundo a Bandeira do Arco-Íris; ele me deu quarenta anos de amor e amizade.”

De acordo com a biografia postada em seu site oficial, ele estava morando em Nova York.

Baker nasceu no Kansas em 1951, se baseou em San Francisco no início dos anos 1970, enquanto servia o Exército dos EUA, no começo do movimento pelos direitos LGBT.

Baker começou a fazer cartazes para o direito dos LGBTs muitas vezes a pedido de Milk, que se tornaria o primeiro gay assumido eleito para cargos públicos na Califórnia.

“Doctor Who”terá viajante lésbica Resposta

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Cena da nova temporada da série com Pearl Mackie e Peter Capaldi Imagem: reprodução BBC

 

A série “Doctor Who” retorna no próximo dia 15 de abril. Uma das principais novidades é que o personagem terá uma acompanhante lésbica pela primeira vez.

Bill Pots será interpretada pela atriz Pearl Mackie. “Sim, Bill é gay. E isso não deveria ser uma grande questão no século XXI. Já estava na hora, não estava?”, questionou Mackie. “Essa representação é importante. Lembro-me de assistir TV enquanto uma jovem menina de origem miscigenada e não ver muitas pessoas como eu. Então acho que ter uma oportunidade de se reconhecer na TV é importante”, disse a atriz.

A série já teve personagens gays em outras ocasiões, mas Posts será a primeira viajante abertamente gay.

Esta é a última temporada com Peter Capaldi.

Grindr cria gaymojis para usuários Resposta

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O criador do Grindr, Joel Simkhai, resolveu disponibilizar 500 novos ícones que representam expressões e símbolos comuns entre a comunidade LGBT.

Segundo Joel, os símbolos hoje são bastante limitado (e são mesmo!) e não evoluíram com seus usuários (não mesmo!). “Se eu quero dizer alguma coisa relacionada a sair para dançar, eu preciso usar a mulher de vestido vermelho. Por que não existe uma cara dançando? Isso sempre foi estranho para mim”, explicou Simkhai

“O que está por trás dos emojis, ou gaymojis, é que eles tiram a pressão de ter que dizer alguma coisa em uma conversa online”, explicou a linguista Gretchen McCulloch, em uma conferência do festival SXSW, um dos maiores na área da tecnologia.

“É tipo: ‘Segue aqui uma imagem legal para eu não ter que criar uma frase espirituosa’. A pessoa não está tentando comunicar nada em particular mas quer deixar claro que deseja continuar a conversa. É como dizer: ‘Hey, ainda estou aqui!’”, disse McCulloch.

Doug Myers, professor do Departamento de Mulher, Gênero e Sexualidade da Universidade de Virgínia, alerta para o problema de se ter uma linguagem que não foi criada organicamente por uma minoria. “Ter gírias comuns pode beneficiar um grupo, mas também pode excluir pessoas, criando formas particulares e normativas de pensar sobre sexo”, disse ele ao “New York Times”.

Muito bacana a ideia!

Daniel Newman sai do armário Resposta

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Daniel Newman é gay

Daniel Newman resolveu sair do armário aos 35 anos por meio de sua conta no Twitter. O ator é responsável por dar vida a Daniel, membro do O Reino, na série da AMC “The Walking Dead”.

“Eu sou #OUTandPROUD #LGBT, amo vocês, tenham orgulho de serem vocês mesmos”, escreveu. Depois do anúncio, o ator recebeu vários comentários em seu apoio. “Nós precisamos de todos do jeito que você é! Eu conversarei com vocês”, completou.

E realmente, mais tarde, Newman voltou a falar sobre assumir-se gay. Ele postou um vídeo no YouTube se explicando melhor. “Eu cresci em uma casa muito conservadora do sul da Geórgia, e realmente não importava o que era a sua sexualidade – não era conversa aberta, era sempre ‘Não fale sobre sua vida privada’, então eu estava tão acostumado a isso”, revelou.

Bem-vindo ao clube, lindo!

Veja o vídeo:

Livro infantil terá Papai Noel gay e negro Resposta

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Ilustração do livro

Neste ano de 2017 teremos um Papai Noel que foge à regra (padrão heteronormativo norte-americado. O selo Harper Desing, da Editora Harper Collings, anunciou que vai publicar um Papai Noel Negro que vive um romance inter-racial com um velhinho branco. Um urso, não e, gente?

“Santa’s Husband”(Marido do Papai Noel) foi escrito por Daniel Kibblesmith, um dos roteiristas do programa “The Late Show”. Além disso, Daniel é co-autor do livro “How to Win at Everylhing”(“Como Vencer Tudo”) e autor da série em quadrinhos “Valiant Hight”. As ilustrações são de autoria de AP Quach.

“Eu e (minha esposa) Jean Ashley Wright decidimos que nosso futuro filho só vai aprender que Papai Noel é negro. Se vir algum Papai Noel branco na rua, vamos responder que esse é o namorado dele”, disse Kibblesmith.

Polêmica antiga

Em 2013 a âncora do canal Fox News, Megyn Kelly, atordoada com a possibilidade de um Papai Noel negro levantada pela colunista Aisha Harris, insistiu que ele era branco, assim como Jesus. Só que Papai Noel é derivado de São Nicolau, um monge do século IV que vivia na Turquia. Jesus, como todos sabem, era um judeu que nasceu no Oriente Médio. Não há muito de caucasiano nessas figuras históricas.

O livro será lançado em 10 de outubro.

Opinião

Papai Noel deve ser criado com todas as etnias, para que as crianças sejam realmente representadas. E por que não gay? Afinal, existem famílias homoafetivas, não é mesmo.

Aqui no Brasil, clima tropical, Papai Noel deveria estar trajado de bermuda.

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Após casamento gay, homofobia cresce assustadoramente na França 1

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As queixas de atos de homofobia aumentaram 78% em 2013 na França, em relação ao ano anterior, de acordo com um relatório da associação francesa SOS Homofobia. A organização avalia que a alta é uma consequência dos debates sobre a legalização do casamento entre casais homossexuais, aprovada em 2013 pelo Parlamento.

“Nos últimos 20 anos, as denúncias de homofobia recebidas pela nossa associação só aumentaram. Mas esse número literalmente explodiu em 2013”, afirma o documento, que relata 3.500 casos.

Os atos de discriminação incluem insultos recebidos na internet, no ambiente profissional ou na rua (39%), e ameaças ou agressões físicas (6%). A cada dois dias, uma agressão física foi registrada pela associação no território francês, um aumento de 54% em relação a 2012.

A SOS Homofobia percebeu também uma “explosão” do número de agressões verbais realizadas através da internet – eram 656 casos em 2012 e foram 1.723 ocorrências em 2013. O número de queixas de atos homofóbicos feitos no ambiente escolar subiu 25%.

Efeito colateral

“Nós comemoramos a aprovação da lei sobre o casamento para todos e todas, um novo passo em direção à igualdade. Mas essa vitória deixou um gosto amargo”, diz a entidade, segundo a qual “os argumentos” pronunciados pelos opositores ao casamento homoafetivo, durante os debates sobre o assunto, “legitimaram os insultos e as violências homofóbicas”. Na época, centenas de milhares de franceses religiosos e conservadores foram às ruas para protestar contra a aprovação da lei.

A associação destaca que, para muitos homossexuais ou transsexuais, a homofobia faz parte do cotidiano, como receber cartas anônimas ofensivas de vizinhos ou ouvir frases desrespeitosas na rua. “Em duas ocasiões, uma vizinha já me disse que todos os gays deveriam ter aids e que seria melhor para mim se eu gostasse de mulher”, relatou o parisiense Antonin, à ONG.

Opinião

O casamento homoafetivo foi uma grande conquista dos franceses. Resta ao governo fazer programas educativos e punir com rigor os casos homofônicos e transfóbicos.

*Com informações da RFI

Rio sem homofobia capacita policiais para apoio à comunidade LGBT Resposta

Desde junho de 2013, mais de 3,2 mil policiais do Estado do Rio estão aprendendo a acolher melhor a comunidade LGBT tanto nas delegacias quanto nas ruas. O programa estadual Rio Sem Homofobia vem tentando mudar o perfil de atendimento a este público na Jornada Formativa de Segurança Pública e Cidadania LGBT. No total, até o fim do ano, cerca de 8 mil policiais vão passar pelo curso, que está sendo ministrado em todas as Áreas Integradas de Segurança Pública (AISPs), pelo coordenador do programa, Claudio Nascimento, além da equipe dos quatro Centros de Cidadania LGBT no Rio.

Esta é a segunda edição da jornada, que já foi realizada entre 2009 e 2011, e formou mais de quatro mil policiais. De acordo com Nascimento, a iniciativa pioneira no estado, que visa garantir os direitos dos homossexuais, surgiu da necessidade de melhorar a formação dos servidores públicos.

– Trabalhamos os direitos e a cidadania, as práticas respeitosas e cidadãs de atendimento, além das principais demandas do público – afirmou Nascimento.

São realizados, em média, seis encontros mensais da Jornada, nos batalhões e delegacias de todo o estado. Até dezembro, ainda serão realizados cerca de 70 encontros. Na Academia Estadual de Polícia (Acadepol), serão nove encontros. O aluno da Diogo Sobral Cunha acredita que o curso serve para ampliar e reforçar o conhecimento que os aspirantes a policiais civis já recebem nas aulas de direitos humanos durante seis meses.

– A minha turma tem 48 alunos e isso é unanimidade. Todos acham que essas aulas são muito importantes para garantir os direitos da comunidade LGBT. Nós já aprendemos muito nas aulas de direitos humanos – disse o aluno.

Fonte: O Fluminense

Projeto de lei anti-homofobia empaca no Rio de Janeiro e preocupa LGBTs Resposta

O presidente do Grupo Arco-Íris, Julio Moreira, e seu companheiro, Clayton Alexandre Cassiano / Agência O Globo

O presidente do Grupo Arco-Íris, Julio Moreira, e seu companheiro, Clayton Alexandre Cassiano / Agência O Globo

 

Um dos primeiros estados do Brasil a estender aos companheiros homossexuais de servidores estaduais os direitos sobre pensão e previdência reservados aos héteros, o Rio de Janeiro está no meio de um impasse que deixa desprotegidas as minorias sexuais. Tramita há sete meses na Assembleia Legislativa, sob forte oposição da bancada religiosa fundamentalista, um projeto de lei estadual para punir estabelecimentos públicos e privados que discriminarem pessoas em função de sua orientação sexual.

Apresentado ano passado pelo então governador Sérgio Cabral, o PL 2054/2013 quer substituir a lei 3.406, de autoria de Carlos Minc, que vigorou de 2000 a 2012 e foi considerada inconstitucional pelo Tribunal de Justiça numa ação patrocinada por grupos ultraconservadores. A decisão se ateve a um tecnicismo: como a lei previa punições a servidores públicos em caso de manifestações de homofobia, ela deveria ter partido do Executivo.

Os defensores da proposta atualmente em tramitação na Assembleia argumentam que a aprovação de uma lei estadual é fundamental para reforçar o combate à discriminação nos 92 municípios fluminenses. Entre as alegações está o fato de não existir ainda uma legislação de maior abrangência, em âmbito federal, que puna a discriminação contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros. O texto do projeto apresentado na Alerj prevê advertência e multas, que vão de 50 Ufirs (R$ 127) a 50 mil Ufirs (R$ 127 mil), a estabelecimentos que barrarem ou constrangerem em função de orientação sexual, além de cassação de alvará, em caso de reincidência.

Mudança para agradar a evangélicos

Depois de passar pelas comissões e de receber nada menos que 117 emendas ainda no ano passado, o projeto ganhou um defensor de peso: o próprio deputado Minc (PT-RJ), autor da lei original invalidada. Ele critica o pesado lobby religioso no Legislativo estadual e já cogita até fazer concessões, incluindo no texto punições para discriminação religiosa ou étnica.

— Quando a lei original foi derrubada pela Justiça, o argumento era de que, como definia punições também para o funcionário público que discriminasse, a iniciativa tinha que ser do Executivo. Por isso o ex-governador Sérgio Cabral reapresentou o texto. Agora, no entanto, o problema é político. Há muitos deputados evangélicos que não querem a aprovação — critica.

Para Júlio Moreira, presidente do Grupo Arco-Íris, que milita pelos direitos civis de minorias sexuais, a expectativa é grande pela aprovação da proposta. Ele crê que o projeto faz justiça à antiga lei suspensa, uma das primeiras aprovadas no país, de caráter “educativo e de cidadania”.

— A proposta em tramitação agora mostra que é preciso acolher a todos, em qualquer espaço público. Ela não leva em conta um viés econômico, que trata de poder de consumo, mas aborda a questão da cidadania, educando mais do que punindo — pondera o ativista, que diz, no entanto, estar temeroso: — Neste momento de pré-eleição, acho muito difícil que o projeto seja aprovado, uma vez que existe um forte cenário de barganha política. Como é um tema delicado, não deve passar neste momento.

O coordenador do programa estadual Rio Sem Homofobia, Cláudio Nascimento, discorda: ele afirma crer que há chances de o projeto ser aprovado na Casa. Nascimento admite existirem fortes obstáculos em função do alto número de emendas apresentadas, que acabaram atrasando a tramitação. No entanto, o ativista observa que os acréscimos e as modificações e não partiram de um número muito amplo de parlamentares.

— Tudo é possível, mas estou confiante. É fundamental a aprovação da nova lei. Hoje, para se ter ideia, 40% das denúncias que chegam para nós no Rio Sem Homofobia são de discriminação por orientação sexual. Contamos com a sensibilidade da Assembleia. Não estamos inventando nada, a lei existiu por 12 anos — lembra.

‘Eu voto contra’, diz opositora da ideia

Se depender de uma ala considerável da Alerj, no entanto, os obstáculos serão mesmo grandes. A própria vice-presidente da Comissão de Combate à Discriminação e Preconceitos de Raça, Cor, Etnia, Religião e Procedência Nacional, Rosângela Gomes (PRB), defende a derrubada da matéria. Ela chegou a participar, no final do mês passado, de uma reunião na Alerj que discutiu o projeto, a convite do deputado Carlos Minc, presidente da mesma comissão, mas se retirou logo no início do encontro. A parlamentar alega que, apesar de ser contra qualquer tipo de discriminação — “a índios, negros, mulheres ou pessoas pela sua orientação sexual” —, sua formação conservadora não lhe permite apoiar a iniciativa:

— A gente tem que respeitar a posição dos proprietários de estabelecimentos comerciais, que não são obrigados a receber dois homens se beijando. Eu voto contra. Que eu saiba ainda não existe o terceiro sexo. Não tenho nada contra a pessoa, mas a minha visão conservadora é essa.

Quem faz coro é o deputado Flávio Bolsonaro (PP), filho de Jair Bolsonaro, um dos mais conhecidos representantes do ultraconservadorismo na Câmara dos Deputados, em Brasília. Segundo ele, não há diferença entre discriminar um gay ou um hétero num estabelecimento aberto ao público, como um restaurante. Para o deputado estadual, o que os militantes querem é levantar uma bandeira ideológica e política:

— Não é uma bandeira social, é palanque político. Os militantes ficam querendo justificar seus salários bancados pelas ONGs que vivem disso (defender os homossexuais). A pessoa que agride tem que ser responsabilizada independentemente da sexualidade de quem é agredido.

Opinião

Está na Constituição que todos devem ser tratados da mesma maneira, então é um verdadeiro absurdo um estabelecimento comercial permitir que casais heterossexuais se beijem e troquem carícias e casais homoafetivos não. Isso é discriminação. Como pode a vice-presidente da Comissão de Combate à Discriminação e Preconceitos de Raça, Cor, Etnia, Religião e Procedência Nacional defender uma coisa dessas. Claro que pode, a comissão não trata, pelo menos no nome dela não consta ORIENTAÇÃO SEXUAL e IDENTIDADE DE GÊNERO. Rosângela Gomes é negra, imagina se um estabelecimento impedisse os negros de entrarem lá só por causa da cor de suas peles? Vamos enviar uma mensagem, via Twitter, para a deputada, protestando? O twitter dela é @rosangelasgomes. O email dela é rosangelagomes@alerj.rj.gov.br

Já o Flávio Bolsonaro é um caso perdido, nem adianta mandar mensagem para ele.

Não se trata de opinião conservadora, mas de direitos humanos, é lamentável que algumas pessoas ainda vejam os LGBTs como aberrações.

Então quer dizer que um casal homoafetivo não pode demonstrar carinho em público, pois pode ser expulso de um estabelecimento comercial no Rio de Janeiro? É bom lembrar que a cidade do Rio é um dos destinos mais procurados por LGBTs, a cidade perderá turistas e consequentemente, dinheiro, se o PL 2054/2013 não for aprovado.

Com informações do jornal O Globo

Danielle Winits: “Ninguém é obrigado a expor a sua sexualidade” Resposta

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Longe dos palcos desde a trágica temporada do musical “Xanadu”, em que despencou do teto em cima da plateia por causa de um dos cabos, Danielle Winits está radiante com sua volta aos palcos, desta vez numa comédia. “É muito bom mudar”, confirma ela, que ainda não se recuperou totalmente do susto. Agora, Danielle encarna uma agente de talentos que precisa encobrir a homossexualidade de seu cliente na peça “O cachorro riu melhor”, com direção de Cininha de Paula e texto adaptado por Artur Xexéo. Muito comum no meio artístico, o tema merece ser tratado com respeito, segundo a atriz. “Ninguém é obrigado a expor sua sexualidade”, ela acredita. Confira a entrevista que a loira deu ao jornal O Globo:

O GLOBO: Como está sendo a volta aos palcos depois de “Xanadu”? Ficaram feridas?

DANIELLE WINITS: Vinha fazendo muitos musicais. Adorei que o Sandro Chaim (produtor) me chamou para esta comédia. A gente tá se divertindo muito… Ficam traumas de algumas coisas do “Xanadu”, mas virei essa página.

O GLOBO: Você interpreta uma agente de atores que precisa esconder a homossexualidade de um cliente?

DANIELLE WINITS: É uma agente que tenta manipulá-lo. Já vi isso acontecer, embora nunca tenha passado por isso. A minha personagem não respeita a opção dele. E ele acaba encaminhado para uma vida dupla.

O GLOBO: O que você acha de gente como Daniela Mercury, que resolveu sair do armário publicamente?

DANIELLE WINITS: Se ela está feliz, eu acho válido. Ela pode ajudar muitas pessoas com essa atitude. Existe o preconceito. Acho que ninguém é obrigado a expor sua sexualidade. As pessoas têm suas limitações e seus quereres. A gente tem que respeitar. Você não precisa se expor se não quiser. Cada um tem um registro familiar e uma história diferente e deve fazer como se sentir confortável.

Com adaptação de Artur Xexéo e direção de Cininha de Paula, a comédia conta a história de uma agente de atores que faz de tudo para colocar em evidência seu pupilo, mas ele se apaixona por um garoto de programa e ela acha que o melhor caminho é esconder do público a sexualidade do cliente.

 

O cachorro riu melhor

Tempo de Duração: 90 minutos

Classificação: Não recomendado para menores de 14 anos
Texto: Douglas Carter Beane
Adaptação: Artur Xexéo
Direção: Cininha de Paula
Elenco: Danielle Winits, Julio Rocha e outros

 

Teatro dos Quatro (Gávea, Rio de Janeiro)
De 17 abr 2014 até 27 jul 2014
sex e sáb 21:30 | qui 21:00 | dom 20:00
qui R$ 60.00; sex R$ 70.00; dom R$ 80.00; sáb R$ 90.00

Frases típicas de homofóbicos que se dizem amigos dos gays 1

As frases típicas dos homofóbicos que possuem homofobia velada, geralmente começam com “Não tenho nada contra, mas…”.

“Ele é gay, mas ninguém diz, se veste igual a todo o mundo”, parece um elogio, mas na verdade é uma ofensa velada.

“Não tenho preconceito, tenho até amigos que são gays”. A condescendência dessa frase não a impede de ser homofóbica e ofensiva.

“Tudo bem ser gay, mas não precisa ficar desmunhecando”. A não aceitação da orientação sexual se reproduz em frases como essa.

“Adoro gays, mas não gosto que fiquem se beijando na minha frente”. A troca pública de afeto Ainda causa incômodo em pessoas que se dizem simpatizantes da comunidade LGBT.

“Pode ser lésbica, mas não precisa se vestir como homem”. Por que tanto desconforto com o modo de se vestir de alguém?

Todos os gays deviam ser como Ricky Martin”. A imposição de padrões heteronormativos aparece nas frases de homofobia velada.

Vocês podem não se tocar ou beijar? Meus filhos não vão entender.” É mesmo tão difícil explicar para uma criança um gesto de carinho entre duas pessoas do mesmo sexo?

Não precisa ficar contando para todo mundo que você é gay.” Pode ser homossexual, mas fique quietinho no seu canto. Este é o recado que essa frase passa.

Ele é tão bonito que nem parece que é gay”. Beleza é uma característica exclusiva dos heterossexuais.

Outra frase que eu detesto é “Que desperdício. Se fosse homem…” Além de revelar um desespero da mulher por um parceiro, afirma que o gay não é homem.

E você tem alguma frase de homofobia velada que detesta? Conte para o blog. Comente.

Com informações do iGay

 

Em tempos de homofobia na bola, Alemanha é o arco-íris do futebol Resposta

Fotos: Getty Images/Arte: Gabriel Lucki/ESPN.com.br

Fotos: Getty Images/Arte: Gabriel Lucki/ESPN.com.br

Uma mudança cultural extrema em um período de sete décadas. De um país nazista, intolerante e palco de uma das maiores atrocidades da humanidade, a Alemanha hoje vive uma realidade completamente diferente. Com uma população imigrante cada vez maior, o território germânico é também referência na proteção quanto ao direito dos homossexuais, e o futebol é uma plataforma que reflete este cenário.

Hitzlsperger assumiu a homossexualidade após a aposentadoria

Hitzlsperger assumiu a homossexualidade após a aposentadoria

 

“Eu sou gay, e isso é bom.”

A frase parece algo isolado na luta pela igualdade entre pessoas de diferentes orientações sexuais. No entanto, ela teve grande impacto, já que foi dita por Klaus Wowereit, do Partido Social-Democrata da Alemanha, durante a campanha eleitoral.

Isso esteve longe de interferir negativamente em sua candidatura a prefeito de Berlim, capital alemã, tanto que foi eleito para o cargo em 2001 e reeleito em 2006. Atualmente, continua na posição e é um dos nomes cotados a substituir Angela Merkel como chanceler do país.

Corny Littmann presidiu o St Pauli entre 2002 e 2010

Corny Littmann presidiu o St Pauli entre 2002 e 2010

Wowereit não é o único neste sentido. Afinal, muitos políticos já assumiram publicamente a homossexualidade no país europeu. Entre eles estão Guido Westerwelle, ex-ministro de Relações Exteriores, e Barbara Hendricks, que responde pela pasta de Meio Ambiente desde dezembro de 2013.

Uli Hoeness, então presidente do Bayern, Merkel e Rauball, presidente do Dortmund e da Liga Alemã de Futebol, durante a campanha 'Siga o seu caminho'

Uli Hoeness, então presidente do Bayern, Merkel e Rauball, presidente do Dortmund e da Liga Alemã de Futebol, durante a campanha ‘Siga o seu caminho’

A polícia é outro departamento que mostra estar um passo à frente. Afinal, em 1995, foi criada a Vespol, Associação de Policiais Gays e Lésbicas que passou a combater os problemas dos homossexuais dentro da instituição no país.

“Tenho que ser um ator todo dia”

Se a homossexualidade deixou de ser um tabu na política e na sociedade em geral, o futebol germânico também caminha a passos largos para ser outra plataforma de reconhecimento de igualdade. E os últimos três anos formam um período importante para o tema.

Na terceira rodada do Campeonato Alemão de 2012/2013, em setembro de 2012, todos os clubes entraram em campo sem patrocínio em suas camisas. No lugar das propagandas com imagens de empresas aparecia um logo com as palavras “Geh Deinen Weg” (em português, Siga Seu Próprio Caminho.

A campanha, que no lançamento juntou o então presidente do Bayern de Munique, Uli Hoeness, e o presidente do Borussia Dortmund e da Bundesliga, Reinhard Rauball, contou com a participação da chanceler e foi motivada após um atleta – não revelado – dar uma entrevista à revista “Fluter” que comoveu o país.

“O preço que pago por viver meu sonho como um jogador da Bundesliga é alto. Eu tenho que ser um ator todo dia e entrar em autonegação”, disse o jogador à publicação.

Por sua vez, Merkel posicionou-se prometendo todas as condições para o desconhecido atleta ter uma vida normal. “Você não precisa ter medo. Eu sou da opinião que todo mundo que tem força e coragem [de assumir que é homossexual] deveria saber que nós vivemos em um estado no qual ele essencialmente não tem o que temer. Essa é minha declaração política.”

Neste ano, o assunto ganhou proporções maiores em janeiro, quando o ex-jogador Thomas Hitzlsperger, com passagens por Stuttgart, Aston Vila, Lazio e seleção alemã, assumiu a homossexualidade. “Senti que, agora, após minha aposentadoria, o momento havia chegado. Falo porque quero impulsionar a discussão sobre o tema no esporte profissional”, disse ao jornal do país “Die Zeit”, revelando sua orientação sexual.

A decisão foi muito elogiada tanto por personalidades do futebol como também por políticos. “Durante seus anos na seleção alemã, ele foi sempre um exemplo, porque teve o máximo respeito. Agora esse respeito se faz ainda maior”, declarou o presidente da Federação Alemã de futebol, Wolfgang Niersbach.

Outro bom exemplo da luta contra a homofobia dentro do futebol vem de longa data. O St.Pauli, da cidade de Hamburgo, é uma equipe conhecida no mundo inteiro pelas suas plataformas contra racismo, fascismo e sexismo e já teve um presidente, Corny Littmann, assumidamente gay entre 2002 e 2010.

No vôlei de praia, os campeões mundiais Julius Brink e Jonas Reckermann também deram sua contribuição na luta contra a homofobia ao posarem para uma foto se beijando. Ambos são heterossexuais e casados.

Como toda regra tem uma exceção, um fato lamentável ocorreu na Allianz Arena durante o duelo de volta entre Bayern de Munique e Arsenal, pelas oitavas de final da Uefa Champions League. Alguns torcedores ergueram uma bandeira com conteúdo homofóbico contra Mesut Ozil. Porém, a Uefa já aplicou uma punição. Vale lembrar que, semanas antes, no mesmo estádio, uma faixa com os dizeres “futebol é tudo, inclusive gay” fora erguida.

Ainda há muito a se fazer

Apesar de o tabu parecer algo execrado em solo germânico, os direitos ainda rendem discussões na Alemanha. Em fevereiro, os ativistas gays lamentaram a rejeição por parte da Corte Constitucional da Alemanha da liberação para que casais do mesmo sexo adotassem uma criança.

Atualmente, um alemão homossexual pode adotar uma criança e só depois disso viver conjuntamente a alguém. Isto é, após um casal se unir, ele não pode acolher um filho, da mesma forma que dois homens ou duas mulheres podem até viver juntos(as), porém, não têm a permissão para se casarem.

Ex-ministro de Relações Exteriores, Guido Westerwelle também é homossexual

Ex-ministro de Relações Exteriores, Guido Westerwelle também é homossexual

“A Alemanha pode ser considerada uma referência em relação à repressão na proteção dos direitos dos homossexuais. Porém, ela ainda não reconhece todos os direitos”, disse ao ESPN.com.br a advogada especializada em direitos homoafetivos Maria Berenice Dias. “Lá, existe em lei a criminalização de quem infringe a lei que protege o homossexual. Recentemente, o país até chegou a oferecer asilo aos gays e lésbicas discriminados na Rússia. O [presidente Vladimir] Putin não gostou e falou que a Alemanha não tinha esse direito”, explicou.

Embora ainda restem esses dois direitos a serem conquistados, é inegável que a Alemanha é um dos lugares mais preparados no mundo a receberem a população gay. Segundo uma pesquisa de 2013 do instituto Pew Research Center, 87% das pessoas no país acham que a socidade deve aceitar a homossexualidade. Apenas a Espanha, com um porcento a mais, fica à frente. Para outros outros gigantes que jogarão a Copa do Mundo, como Brasil (60%), Argentina (74%) e França (77%), os alemães levam boa vantagem.

Confira os direitos dos homossexuais na Alemanha:

Direito à atividade legal a homossexuais (sim)

Leis antidiscriminatórias no emprego (sim)

Leis antidiscriminatórias na disponibilização de bens e serviços (sim)

Leis antidiscriminatórias em todas as outras áreas (sim)

Casamento entre pessoas do mesmo sexo (não)

Reconhecimento de casais do mesmo sexo (sim)

Adoção de uma criança por um casal do mesmo sexo, desde que o pai/mãe já tivessem a guarda do filho(a) antes do relacionamento homossexual (sim)

Adoção conjunta por casais do mesmo sexo (não)

Homens e mulheres gays no serviço militar (sim)

Direito de mudar de sexo (sim)

Direito de lésbicas engravidarem por inseminação artificial (sim)

Uso de barriga de aluguel comercialmente por casais de homens homossexuais (não)

Mais que homossexuais, país acolhe o diferente

A relação com a homossexualidade é um reflexo de como a Alemanha se tornou um território aberto a diferenças. Afinal, após o fim da Segunda Guerra Mundial e o colapso do nazismo, o país foi reconstruído pelos imigrantes que se instalaram a partir da década de 50.

Hoje, cerca de dez milhões de imigrantes vivem em solo germânico, o que representa 11,5% dos 86,7 milhões de habitantes – vale lembrar que o número não engloba descendentes de estrangeiros, mas apenas pessoas que nasceram em outros lugares. Além disso, segundo dados do Ministério do Interior, 1,08 milhão de pessoas imigraram para a Alemanha em 2012, um número 13% maior que no ano anterior e o maior desde 1995.

“Na segunda metade do século 20, há um processo de imigração rápido, um fenômeno europeu que atinge a Alemanha, que sofria com a falta de mão de obra. Neste contexto, os movimentos sociais entraram para evitar a xenofobia. A nova Alemanha, criada de 1949 para cá, tem uma mensagem de grande nível”, declarou ao ESPN.com.br o professor titular de História e membro do corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Estevão Chaves de Rezende Martins.

Prova desta realidade miscigenada é a própria seleção alemã, na qual Jerome Boateng, filho de pai ganês, é titular, assim como Mesut Ozil, de origem turca. O caso é o mesmo do volante Ilkay Gundogan. Já os atacantes Lukas Podolski e Miroslv Klose nasceram na Polônia. Sami Khedira, com raízes tunisianas, é também mais um exemplo de que a Alemanha superou o seu passado e é um país que hoje respeita sua população. Não importando a origem ou a orientação sexual.

Fonte: ESPN Brasil

O pior preconceito é o que vem de dentro de casa Resposta

Anteontem (madrugada de sábado para domingo) passei parte da madrugada conversando com um amigo do Facebook que tem a identidade de gênero feminina, mas não pode assumi-la devido ao preconceito que sofre dentro da própria família – ele contou que é gay para o pai, mas mesmo assim é mal interpretado e, por ter cabelos longos, sofre discriminação na rua também, pois mora em uma cidade muito pequena. Fiquei pensando como deve ser difícil ter a alma aprisionada dentro de um corpo que não pertence a você, mesmo você tendo nascido com ele.

Por depender financeiramente da família, esse amigo não pode fazer nada, tem que viver feito homem, mesmo se sentindo mulher.

O pior preconceito não é o que vem das ruas, mas o que existe dentro da própria família.

Como eu gostaria que a discriminação fosse vencida através do diálogo, mas isso é utópico demais. Um dia o nosso planeta estará mais evoluído e chegaremos lá.

Eu, dono de uma página com mais de 40 mil seguidores (Entre Nós), que luta pela inclusão social dos LGBTs, fui dormir com uma sensação de impotência diante do problema do meu amigo, melhor dizendo, da minha amiga. Se nos colocássemos no lugar do outro, certamente seríamos mais respeitosos ou tolerantes, pelo menos.

Homofobia e homossexualidade no futebol ainda são tabus nas arquibancadas Resposta

O ano de 2013 foi expressivo para a discussão de dois grandes tabus do futebol brasileiro: a homossexualidade e a homofobia. Em 9 de abril, torcedores do Atlético-MG fundaram a Galo Queer, uma página no Facebook que reúne torcedores alvinegros com uma postura anti-homofobia e anti-sexismo. “Galo” é o apelido do clube de Minas Gerais e “Queer”, em inglês, significa gay. Em 15 dias, a página ganhou cinco mil fãs, e hoje conta com mais de 6.600.

O gesto da torcida atleticana motivou outras a fazerem o mesmo. Ao longo do mês de abril, surgiram páginas semelhantes de torcidas de todo o país: Cruzeiro, São Paulo, Náutico, Grêmio,Vitória, Bahia, Internacional, Palmeiras, Corinthians, Flamengo, entre outros. A lista é extensa e mostra que a discussão da homofobia no futebol, até então, ainda estava dentro do armário.

Integrante da Galo Queer no Mineirão Facebook/Reprodução

Integrante da Galo Queer no Mineirão Facebook/Reprodução

“O estádio é um ambiente super homofóbico. Lá não se vê nenhuma manifestação de diversidade afetiva”, diz o jornalista – e palmeirense – William de Lucca, colaborador da Folha de S. Paulo em João Pessoa, na Paraíba. Ele é homossexual assumido e se esforça para prestigiar os jogos do Palmeiras em cidades próximas, como Recife ou Natal. William já era militante LGBT e, assim que ouviu falar, aderiu à página anti-homofóbica “Palmeiras Livre”.

“Em 2008, eu morei alguns meses em São Paulo e tinha um namorado que era palmeirense também. A gente foi até aconselhado por um amigo dele da torcida organizada a não ter nenhuma demonstração de afeto dentro do estádio, porque a gente poderia ser agredido”, lembra. “A gente sempre fica com medo. Em outros ambientes, sou muito seguro quanto a manifestar meu afeto: ando de mão dada e tal, inclusive na rua, mas acho que o estádio de futebol é mais hostil do que a própria rua, sabe? A homofobia é muito mais explícita”, conta.

“A gente só não tem mais relatos disso porque os homossexuais que torcem nos estádios não arriscam nenhum tipo de demonstração afetiva”, conclui William.

Dentro da Palmeiras Livre, assim como nas outras organizações, ainda se discute quais serão os próximos passos. Os integrantes querem ocupar as arquibancadas, mas temem agressões físicas, já que as verbais ocorrem diariamente. “Dia sim e outro também nós recebemos ameaças”, conta a fotógrafa e analista de mídias sociais Thaís Nozue, também integrante da Palmeiras Livre. “As pessoas vem ameaçando, dizendo que estão mexendo com o time errado, que eles vão descobrir quem é, que não sei o quê”. Por enquanto, a hostilidade está restrita a mensagens no Facebook como: “Vão morrer”, “Experimenta aparecer na torcida e vocês vão apanhar”, “A Mancha [maior organizada do Palmeiras] bate em polícia e não vai bater em um monte de bicha?” – o que não significa que a ameaça venha da Mancha, como explica Thaís.

Segundo ela, a causa da Palmeiras Livre também foi rechaçada pelas organizadas alviverdes. “A gente até tentou uma aproximação com as organizadas, mas elas deram um recado para a gente não se meter com elas. Às vezes aparecem pessoas se dizendo das organizadas nos ameaçando, mas a gente não tem como comprovar se são mesmo”, diz.

A homofobia veste verde?

Procurado pela Pública, Marcos Ferreira, o Marquinhos, presidente da Mancha Alviverde, não quis dar uma entrevista sobre a polêmica da homofobia e sobre um episódio envolvendo o volante e lateral Richarlyson, hoje no Atlético-MG e tido como homossexual, apesar de sempre se declarar heterossexual.

No início de 2012, o Verdão estudava a possibilidade de contratar Richarlyson. A Mancha Verde convocou um protesto no dia 4 de janeiro, na frente do Centro de Treinamento (CT) do Palmeiras, zona oeste de São Paulo. Segundo a torcida o motivo era uma rixa antiga com o jogador, que estava à beira de um acordo com o Alviverde, mas acabou indo jogar no rival São Paulo. Porém, uma grande faixa estendida por duas pessoas durante aquele ato dizia: “A homofobia veste verde”.

Ao telefone, Marquinhos negou repetidas vezes que a Mancha tenha algo a ver com a faixa – ela seria obra de duas pessoas desconhecidas da organizada que foram ao protesto. Mas ele disse que “não via nada de agressivo na faixa”. A Pública também tentou contato com Richarlyson, mas foi informada pelo seu empresário, Julio Fressato, que ele estava se recuperando de uma cirurgia.

O selinho de Sheik e o voo das gaivotas

Sheik deu selinho em amigo e causou a ira de torcedores do Corinthians

Sheik deu selinho em amigo e causou a ira de torcedores do Corinthians

Na esteira das iniciativas anti-homofóbicas, dois episódios jogaram o Corinthians no centro da discussão. O atacante Emerson Sheik, herói corintiano da inédita conquista da Libertadores em 2012, foi vítima de uma onda de ataques homofóbicos depois da vitória do Corinthians sobre o Coritiba por 1 a 0, no Pacaembu, no dia 18 de agosto. Para comemorar, Sheik postou uma foto em seu perfil oficial no Instagram em que aparecia dando um selinho em um amigo de longa data, o empresário Isaac Azar. “Tem que ser muito valente para celebrar a amizade sem medo do que os preconceituosos vão dizer. Tem que ser muito livre para comemorar uma vitória assim, de cara limpa, com um amigo que te apoia sempre”, escreveu.

No dia seguinte, cinco integrantes da Camisa 12, segunda maior torcida organizada do Corinthians, foram ao CT do clube protestar contra a atitude de Sheik, levando três faixas que diziam “Vai beijar a P.Q.P. Aqui é lugar de homem”, “Respeito é pra quem tem” e “Viado não”.

Dois meses depois, o jornalista e apresentador Luiz Felipe de Campos Mundin, que assina como Felipeh Campos, anunciou que faltava pouco para fundar a já polêmica Gaivotas Fiéis, primeira torcida organizada com conceito gay do Corinthians.

A Pública conseguiu entrevistar um personagem importante em ambos os episódios, Marco Antônio de Paula Rodrigues, de 34 anos. Conhecido pelo apelido “Capão”, por ter crescido no Capão Redondo, bairro periférico da zona sul de São Paulo, ele é presidente da Camisa 12, e foi um dos cinco que protestaram contra o selinho de Sheik. Ele revela ter sido o autor da faixa que dizia “Viado não” – a única, dentre as três, que considera agressiva. “Só essa foi um pouco mais forte, foi um excesso. Eu que risquei com o spray essa faixa, eu até pensei [que era agressiva], mas depois que nós já estávamos lá, a gente não podia voltar atrás”, diz. Trajado da cabeça aos pés com roupas da Camisa 12 (boné, camiseta, agasalho, bermuda e até meias da torcida), Capão é assertivo, olha nos olhos e tem a voz rouca. Aceitou falar durante uma hora e meia com a reportagem da Pública na sede da torcida, no bairro paulistano do Pari, região central, para “dar a explanação” sobre os dois episódios.

Sobre a iniciativa de Felipeh Campos, Capão vê a nova torcida gay como puro marketing. “Acredito que ele está pensando mais numa autopromoção do que numa torcida organizada. Porque para nós, uma torcida organizada começa como a gente sempre troca ideia nas torcidas: o cara vai para uma caravana, o cara participa de vários jogos do Corinthians na arquibancada e não na numerada, a pessoa participa de inúmeras manifestações corintianas que teve nesses últimos anos, tanto de protesto contra diretoria, contra jogador. Tem uma caminhada ideológica dentro de uma instituição para você fundar uma torcida organizada. Torcida organizada não é um comércio, mano”, argumenta.

“Tomei muita borrachada da polícia por aí, passei muita fome na estrada, nunca fomos pra qualquer lugar e fomos bem recebidos por qualquer órgão que cuida da organização do jogo no estádio, da segurança pública, nós sempre fomos maltratados por muitos deles, então a torcida organizada não é simplesmente chegar e falar: ‘Ó, vou criar uma torcida hoje. Vou criar uma camisa e vou pro estádio’”.

Torcedores foram ao CT exigir pedido de desculpa de Emerson Sheik por selinho em amigo

Torcedores foram ao CT exigir pedido de desculpa de Emerson Sheik por selinho em amigo

Para Capão, é “inaceitável” a escolha do nome da torcida gay e a corruptela do símbolo do Corinthians – no brasão da Gaivotas, além da nova ave, o símbolo do Corinthians tem como fundo um espelho de maquiagem com direito a pincel e lápis, e a bandeira do Estado de São Paulo foi pintada com as cores do arco-íris, ícone do movimento gay.

Símbolos da Gaviões da Fiel e da Gaivotas Fiéis. Para a Gaviões, houve plágio do jornalista Felipeh Campos (Foto: Reprodução)

“Eu acho que o rapaz lá acaba beirando até o ridículo… Ele está transmutando as nossas coisas. Tanto pelo nome que ele coloca se referindo a uma torcida que tem uma puta tradição [Gaviões da Fiel, a maior organizada do Corinthians, fundada em 1969] quanto do nosso símbolo do Corinthians, ele colocar um espelho e uns negócios de maquiagem no símbolo… Numa entrevista que eu vi, perguntaram: ‘Mas por que isso daí?’ E ele: ‘Ah, porque na verdade o corintiano vai gostar de se pintar na arquibancada’. Meu, torcida do Coringão é 90 minutos, mano. A gente gosta é de cantar, de sofrer, de chorar pelo Coringão. Não é de se pintar. Com todo o respeito, nem as nossas mulheres fazem isso”, afirma Capão, que é contra a existência de uma torcida gay. “Já digo de pronto que eu não sou favorável a ter uma torcida gay, porque eu acho que os gays não precisam disso daí pra poder se achar numa sociedade que já está abrangendo todo mundo”.

Perguntado se existem gays na Camisa 12, Capão não hesita: “Nós não temos gays na torcida, mano. Pelo menos nunca soubemos, entendeu. Meu, se o cara tá lá, tá assistindo o jogo. Tudo bem, nós vamos respeitar, mas qualquer faixa assim, nós somo contra mano. Nós não queremos, de verdade mano, aqui dentro da 12. Pra nós é sério o estádio, não é só pra brincar”. Capão, explicando que, se “no meio de um gol os dois de repente se beijarem no meio da nossa torcida”, seria “ruim”: “O estádio pra nós é um templo”.

O lastro, para Capão – que não se considera homofóbico –, é sempre a tradição. “O cara ir pro jogo, se for um homem, de shortinho amarradinho, camisa amarradinha e todo pintado… Pra nós não rola meu, de verdade. Porque o nosso tradicionalismo, infelizmente, meio ogro, tá ligado, até beirando homem da caverna não permite isso daí, certo?”. Se a Camisa 12 fosse homofóbica, exemplifica Capão, “a gente juntava os associados da 12 e ia lá na passeata gay quebrar todo mundo. No entanto que ninguém tá muito se manifestando [sobre a Gaivotas Fiéis], certo? Por quê? Porque tudo que a gente fala, a mídia distorce”.

Sobre o episódio do selinho do Sheik, Capão diz que o problema foi o atacante ter declarado que o beijo era para comemorar a vitória do Corinthians. “Quando ele falou que ele estava fazendo aquilo pra comemorar o jogo ele já transferiu a responsa pro Corinthians”, afirma, explicando que, depois do episódio, onde quer que o Timão jogue é recebido com gritos de “beija beija beija” pelos torcedores rivais. “Estávamos ali [no protesto] representando muitos torcedores. Muitos pediram para que a gente tomasse a frente, tanto que eu recebi inúmeras congratulações depois”, diz.

Gaviões X Gaivotas

A Gaviões da Fiel, maior organizada do Corinthians, fez uma denúncia de crime contra a propriedade industrial no 1º DP de Guarulhos, contestando a sátira à marca da torcida, que é registrada. A torcida reclama que a proximidade dos nomes e símbolos das duas pode induzir ao erro. “Eu não sei onde eles enxergaram plágio”, contesta Felipeh Campos, da Gaivotas. “A minha torcida chama Gaivotas Fiéis, não é gavioa. Já começa que Gaivota é feminino, não é masculino. Se eu tivesse colocado cílios e salto alto no gavião, aí eu até acredito que poderia ter sido uma questão de plágio. Porém eu não estou utilizando as peças do emblema para plagiar alguma coisa. Entendo isso como uma retaliação homofóbica”, diz.

Feliphe Campos apresenta novo logo da torcida Gaivotas Fiéis

Feliphe Campos apresenta novo logo da torcida Gaivotas Fiéis

Felipeh conta que vem sendo ameaçado nas redes sociais, e que foi agredido verbalmente na semana passada, na Avenida Paulista. “As ameaças são coisas do tipo ‘Cuidado, eu vou te matar’, ‘Você já tá jurado de morte’, ‘Abre teu olho’. Então você vê que são atitudes extremamente homofóbicas e preconceituosas, elas não têm outros motivos”, diz. Sobre a agressão ao vivo, ele conta que ocorreu na saída de seu trabalho, na sede da TV Gazeta, na avenida Paulista. “Eu estava com um amigo meu na Paulista e um cara passou, me esbarrou e começou a me xingar. E eu falei: ‘É comigo que você tá falando?’ E ele: ‘ Você acha que é com quem? Tá pensando que você e a sua turminha vai entrar em estádio? Não vai não, mano’. E eu falei: ‘Bom, vamos conversar, abaixa o tom de voz’. E aí ele continuou a gritar e eu falei: ‘Ótimo, a polícia está vindo ali, eu vou te incriminar agora em crime de homofobia e você vai sair daqui para a cadeia’. Aí na hora que ele viu que a polícia vinha vindo a pé, ele meio que saiu de canto e deu um pinote”, relata.

Felipeh Campos conta que desde pequeno frequenta estádios. “O futebol nas décadas de 70 e 80 era uma grande festa. Mas foi crescendo de uma forma tão grande que deixou de olhar para a questão democrática. Não está escrito na porta do estádio que só é permitida a entrada de homens, né? Eu acredito que não só os gays têm que frequentar os estádios, como a mulher, as crianças, entendeu? O futebol é pra todos”, diz. “Mas é claro que o conceito da torcida é gay e o meu objetivo maior é inserir o público gay no estádio de futebol. Eles [as organizadas] monopolizaram os estádios”, diz.

De fato, a divisão do estádio do Pacaembu é um dos argumentos de Capão para rejeitar a convivência com as Gaivotas. Por determinação da Federação Paulista de Futebol, as organizadas do Corinthians têm que ocupar as arquibancadas Verde e Amarela, atrás de um dos gols, nos jogos em que o clube é mandante. Se ficasse fora desse setor, a Gaivotas estaria violando a regra. “Mas dentro desse setor, nós já temos seis torcidas: temos a Gaviões da Fiel, temos a Camisa 12, a Pavilhão 9, a Estopim da Fiel, a Coringão Chopp e a Fiel Macabra. São seis torcidas que estão ali e todas elas obtiveram a caminhada. Ninguém chegou do nada não”, argumenta Capão.

Felipeh garante que o objetivo não é “fazer represália com qualquer tipo de segmento sexual”. Porém, sobre dividir espaço com as outras organizadas, ele é enfático. “Nem que eu tiver que pedir segurança para o exército. Mas que a minha torcida vai entrar nos estádios, isso vai, com certeza. Nem que a gente tenha que chegar de carro-forte, de tanque”. Ele ressalta que a sua torcida será profissional e que todo o corpo diretivo será remunerado, diferentemente das outras organizadas.

Procurado pela Pública, Jerry Xavier, diretor da Gaviões da Fiel, disse que a torcida não se pronuncia sobre esse tema. O Corinthians também afirmou, via assessoria, que não se manifesta a respeito de torcidas.

Homofobia bate recorde no Brasil

O Brasil, o país do futebol, vem sendo líder no ranking de mortes por homofobia. Segundo dados do relatório “Assassinatos de Homossexuais (LGBT) no Brasil”, de 2012, do Grupo Gay da Bahia, o Brasil concentra 44% do total de assassinatos por motivação homofóbica no mundo. Em 2012, foram registradas 3.084 denúncias de violações ligadas à homofobia e 310 homicídios por esse motivo.

Estádio: a terra do macho

“Por ser o estádio um ambiente que tem uma série de permissões nas relações masculinas – carinhos, afetos, às vezes até mesmo agressões – é necessário que esse ambiente seja considerado seguro para os homens. Para garantir essa suposta ‘segurança’, os torcedores precisam reforçar a sua masculinidade. E uma das coisas que melhor reforça a masculinidade na nossa cultura é a homofobia. Por isso ela aparece de forma tão gritante”, afirma o pedagogo e professor da UFRGS, Gustavo Andrada Bandeira, autor da tese de mestrado “‘Eu canto, bebo e brigo…alegria do meu coração’: currículo de masculinidades nos estádios de futebol”.

Para Bandeira, esse é o motivo da rejeição às torcidas gays: “Se a torcida do Corinthians, do Grêmio ou do Internacional for a primeira a levantar uma bandeira pró ações afirmativas, ela poderá ser chamada de a ‘torcida gay’, e as torcidas acham que isso é um problema”, diz.

Para Marco Antonio Bettine de Almeida, professor livre docente na Pós-graduação em Mudança Social e Participação Política da EACH-USP, a reação é “natural” num espaço que sempre foi dominado pelo masculino. “A partir do momento que as agendas de visibilidades desses grupos excluídos, que tiveram seus direitos cerceados, que são espancados, é natural, vendo a representação que o futebol tem no Brasil, começar toda essa movimentação de garantir uma representação nesse espaço eminentemente masculino, do macho, do falo”. Para ele, no entanto, há espaço para negociação entre os grupos LGBT e as organizadas. “Uma mulher no estádio é aceita, por exemplo, mas tem que representar os papéis dentro do estádio, que é torcer, xingar, participar. As torcidas gays ou não gays têm que incorporar um pouco da história desse espaço do torcer. E conhecer, minimamente, os códigos, senão vai gerar conflito. Porque o espaço é um espaço sagrado e tem uma carga cultural muito forte”.

Bandeira discorda. “Se é uma torcida gay, que ela tenha comportamentos diferentes das torcidas não gays. É sempre complicado quando a gente quer transgredir as regras de gênero sexual num ambiente muito marcado. Mas me parece que seria muito mais interessante se eles fizessem algo diferente”. Foi essa a aposta da Coligay, a primeira torcida homossexual do país, que em plena ditadura militar conquistou seu espaço dentre os torcedores do Grêmio (leia Box).

Uma inspiração para o caso brasileiro pode ser a GFSN (Gay Football Supporters Network, Rede de Torcedores de Futebol Gays, numa tradução livre). Fundada em 1989, a associação do Reino Unido tem diversas iniciativas para a inserção do público LGBT no futebol. “Estamos em contato permanente com muitos clubes para recomendar políticas anti-homofóbicas por parte deles”, afirma Simon Smith, do departamento de comunicação. “Ajudamos, por exemplo, a consolidar os Gay Gooners, a torcida LGBT do Arsenal e conseguimos o apoio formal de representantes do Liverpool e do Everton para a parada do orgulho LGBT da cidade de Liverpool. Dentro de campo, organizamos há dez anos campeonatos de futebol voltados ao público LGBT para a inclusão no esporte”, conta Smith.

A GFSN também registra com precisão britânica a ocorrência de gritos e cânticos homofóbicos nos estádios – e faz campanha permanente contra eles. “Na temporada passada, os torcedores do Brighton & Hove Albion FC sofreram com cantos homofóbicos em 72% dos jogos que disputaram. Nós documentamos isso e enviamos à FA (Football Association, a CBF inglesa), que ainda não tomou nenhuma atitude. Mas nós continuamos pressionando”, diz.

No próximo ano, a Copa do Mundo promete ser palco de discussão sobre homossexualidade – pelo menos em São Paulo, onde mais de 40 mil pessoas são esperadas para acompanhar a transmissão dos jogos nos telões da Fan Fest, no Vale do Anhangabaú, centro da cidade. Ali, a prefeitura planeja realizar uma intervenção para discutir homofobia, com direito a exibição de vídeos em telas e distribuição de folhetos sobre o tema. Outra ação que está sendo estudada é transmitir os jogos em telões no Largo do Arouche, um “point” LGBT da cidade, para esses torcedores.

Fonte: Ig Esporte

Associação promove “Jogos Gays” na Rússia para obter apoio à causa homossexual Resposta

Homossexuais fundaram associação de esportistas gays em protesto contra a lei anti-gay russa

Homossexuais fundaram associação de esportistas gays em protesto contra a lei anti-gay russa

Uma associação russa que promove o esporte e a defesa aos direitos dos homossexuais divulgou nesta terça-feira o plano de realizar os “Jogos Gays” no país em 2014, após as Olimpíadas de Inverno, que ocorrerão na cidade de Sochi em fevereiro.

O objetivo é obter apoio à causa gay, em um país no qual existe lei que proíbe a “propaganda homossexual”. O evento deve ser iniciado no dia 26 de fevereiro de 2014, três dias depois do encerramento das Olimpíadas, e durará até o dia 2 de março – antes, portanto, do início dos Jogos Paraolímpicos de Inverno, dia 7 de março.

Segundo a associação, os jogos não feririam a lei anti-gay. “Não convidamos menores aos nossos eventos”, declarou Elvina Yuvakaieva, presidente da Federação desportiva LGBT local, em referência à proibição da “propaganda homossexual ante menores” citada na lei.

“Esperamos captar a atenção de todos os esportistas e de quem cobrir os Jogos de Sochi”, continuou a russa. “Temos certeza de que não teremos problema”, completou Konstantin Yablotski, um dos fundadores do grupo.

Os primeiros Jogos Gays foram realizados em 1982, em San Francisco (EUA).

Sobre o apoio de atletas famosos russos, os organizadores mostraram pouca esperança. Vale lembrar que Yelena Isinbayeva, campeã mundial do Salto com Vara, foi alvo de polêmica ao defender a lei anti-gay durante o Mundial deste ano, que foi realizado em Moscou

Fonte: UOL Esportes

Vídeo de coral da polícia russa cantando Daft Punk vira hit. Assista Resposta

PoliciaRussa

Um coral formado por policiais russos ganhou fama instantânea na internet ao gravar a canção Get Lucky, do grupo francês Daft Punk.

Mais de 2 milhões de internautas já assistiram ao vídeo pelo YouTube.

A maioria dos comentários são positivos, embora há quem veja no vídeo uma estratégia para melhorar a imagem da polícia russa, com fama de truculenta.

A escolha do coral também chama atenção: o grupo francês de música eletrônica Daft Punk é famoso na cena gay. E a Rússia se tornou, nos últimos tempos, também famosa pela repressão a homossexuais.

Ativismo gay tem interesses financeiros, diz Silas Malafaia 1

silas-malafaia

O pastor homofóbico Silas Malafaia concedeu uma entrevista ao jornal “O Povo”, de Fortaleza (CE), onde esteve na semana passada durante a Escola de Líderes Associação Vitória em Cristo (Eslavec) que aconteceu entre os dias 5 e 9 de novembro.

Entre os assuntos abordados na reportagem, o líder religioso falou sobre a polêmica que envolve seu nome e movimentos homossexuais que o acusam de homofobia.

Malafaia rejeita o título e diz que não pode ser considerado homofóbico, pois a “homofobia é uma doença classificada na psiquiatria em que objetivo é matar, destruir, o homossexual” coisas que ele não deseja.

O motivo da discussão entre o pastor evangélico e os ativistas seriam motivos financeiros. “Aqui tem um interesse de grana, mamam grana dos governos federal, estaduais e municipais, de empresas estatais”, disse ele separando os homossexuais dos ativistas que fazem “sindicalismo gay”.

“A gente discute tanto liberdade de expressão e como é que podem rotular uma pessoa de homofóbica, na maior cara de pau, porque eu expresso uma opinião contra uma prática?”, questiona.

O pastor presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC) volta a reafirmar que o homossexualismo não é condição, mas um comportamento. “Não existe uma prova de que alguém nasça homossexual”, afirmou.

Na entrevista o pastor também falou sobre política, dizendo que se manifesta não por ser evangélico, mas por ser cidadão. Também disse que seu chamado é influenciar as pessoas e não se candidatar a um cargo político.

“Não fui chamado para ser deputado, acho isso um absurdo, sou um pastor. Agora, como pastor sou cidadão”, disse.

RJ: Atores e chefe da Polícia Civil participam de campanha pela criminalização da homofobia no Brasil Resposta

Depois de acompanhar o aumento das agressões e mortes de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros o ator e diretor Aloísio de Abreu resolveu iniciar uma campanha pela criminalização da homofobia. Ele reuniu personalidades como os atores Marcelo Serrado, Beth Goulart e Cissa Guimarães, a apresentadora Fernanda Lima, o diretor de Tv Ricardo Waddington e a chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Martha Rocha, em um vídeo com depoimentos e questionamentos sobre a falta de punição para este tipo de crime no Brasil.

A ideia do ator ganhou força depois da divulgação do último relatório da violência contra gays, lésbicas, transsexuais e travestis, divulgado pela Secretaria de Direitos Humanos de Presidência da República. De acordo com o levantamente, os crimes motivados por homofobia tiveram um aumento de 46% .

Aloísio de Abreu: luta contra a homofobia Foto: Guga Melgar / O Globo

Aloísio de Abreu: luta contra a homofobia Foto: Guga Melgar / O Globo

– Criei a campanha porque realmente me questionei e perguntei a algumas pessoas o porquê da homofobia não ser criminalizada e não ouvi resposta. Juntei então algumas pessoas importantes e outras com quem lido no meu dia a dia para fazer o vídeo e iniciar a campanha – contou.

Além dos vídeos, Aloísio lançou também a página “Sente muito, Brasil!”, no Facebook. A ideia é convocar os brasileiros a debater o tema. Serão divulgados 4 filmes por semana, lançados às quintas-feiras.

– Já tivemos mais de 500 likes em apenas 5 dias, mais de 3.000 vizualizações e dezenas de compartilhamentos – comemorou.

Fonte: Extra