Advogado que chamou Macarrão de gay é notificado pela Justiça 1

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Rui Pimenta, ex-advogado do goleiro Bruno Fernandes, foi citado pela Justiça nesta semana por ter dito que Luiz Henrique Romão, o Macarrão, de nutre sentimentos homossexuais pelo jogador. Macarrão pede R$ 1 milhão em indenização por danos morais. Pimenta garante que enviará a defesa para o Tribunal de Justiça nos próximos dias.

+ O irmão de Bruno deu entrevista dizendo que Macarrão é gay (saiba mais, clicando aqui).

O advogado vai se defender alegando que não há conotação ofensiva ao chamar alguém de homossexual.

— Hoje em dia não é mais depreciativo chamar alguém de homossexual, é a mesma coisa que dizer que alguém é solteiro ou casado. É muito comum a união estável entre homossexuais, não é desmerecer ninguém. O advogado dele deve estar no século passado para fazer este pedido de R$ 1 milhão.

Além da indenização, o advogado de Macarrão, Leonardo Diniz, entrou com um pedido de explicações em juízo na esfera penal, para que Pimenta “seja obrigado judicialmente a se retratar nos mesmos órgãos em que deu entrevista”. Leonardo não foi encontrado pela reportagem.

A declaração foi feita por Rui Pimenta no dia 9 de julho, logo após a publicação de uma carta que teria sido escrita pelo ex-goleiro Bruno Fernandes, em que ele supostamente pede para o amigo Macarrão assumir a culpa pelo desaparecimento e pela morte de Eliza Samudio. No documento, ele cita a existência de um “plano B”, mas não dá detalhes sobre o significado da expressão.

— O teor da carta, para mim, não é muito significativo, me parece mais tratar de um relacionamento homossexual entre eles, conteúdo sentimental mesmo.

Goleiro do Manchester United: “O futebol precisa de um herói gay” Resposta

Anders Lindegaard: em seu blog, goleiro abordou a homofobia no futebol.

Anders Lindegaard: em seu blog, goleiro abordou a homofobia no futebol.

Em seu blog, Anders Lindegaard, goleiro do Manchester United, escreveu sobre a homofobia, racismo e intolerância religiosa no futebol. “O futebol precisa de um herói gay. Como jogador, penso que um colega homossexual tem, acima de tudo, medo da reação dos torcedores. A minha percepção é a de que os outros jogadores não teriam problemas em aceitá-lo”.

Lindegaard diz que a homossexualidade no futebol “ainda é assunto tabu”, talvez porque, “a atmosfera no gramado e nas arquibancadas seja dura; os mecanismos são primitivos, expressos no clássico estereótipo de que o verdadeiro homem tem de ser forte e agressivo. E essa não é uma imagem que os adeptos do futebol associem a um gay”. Os adeptos estão, diz ele, “presos ao passado”.

O goleiro acrescenta que se aconselhou com a namorada, Misse Beqiri, sobre se deveria tocar no assunto. E decidiu avançar. “Qualquer discriminação é inaceitável, seja sobre a cor de pele, religião ou sexualidade”, justificou-se.

Falta campanha

Muito bacana a iniciativa do goleiro de um dos maiores times do mundo, de abordar a homossexualidade no futebol. Falta uma campanha bacana sobre isso, como já existe contra o racismo, embora a discriminação racial ainda seja muito forte no futebol Europeu. Queria muito ver uma campanha contra a homofobia, ou melhor dizendo, a favor da inclusão dos gays no futebol, conscientizando jogadores e torcedores, feita pela CBF. Seria o máximo e uma demonstração de civilidade e respeito aos direitos humanos, às vésperas da Copa do Mundo de 2014.