Polônia: partido conservador e Igreja Católica incentivam a homofobia Resposta

Marcha pela Igualdade em apoio à comunidade LGBT em Szczecin, Polônia, 14 de setembro de 2019.
 Cezary Aszkielowicz/Agencja Gazeta via REUTERS

Em menos de um mês a Polônia vai às urnas para participar de eleições gerais que decidirão os rumos do país. Governado desde 2015 pelos ultraconservadores do Partido Lei e Justiça (PiS), o país aparentemente não está disposto a mudar de liderança. O PiS apresenta ampla vantagem nas pesquisas de intenção de voto, embalado pelo medo ao novo inimigo público número 1 dos conservadores: a chamada “peste LGBT”.

Ataques contra LGBTs estão ocorrendo há meses na Polônia. Em julho, a primeira passeata do orgulho LGBT na cidade de Białystok, no leste do país, foi atacada brutalmente por centenas de neonazistas. Imagens mostram os extremistas perseguindo e espancando pessoas. Naquele mesmo mês, o semanário polonês Gazeta Polska distribuiu adesivos com a mensagem “Zona Livre de LGBT”. A edição da revista foi um sucesso de vendas. Várias localidades no interior do país se declararam “livres de LGBTs”.

O partido governista é tido como um criador dessa onda, e não somente surfa nela, como também a incentiva. Esse governo, que venceu a eleição de 2015 pregando contra os refugiados, agora vê nos LGBTs um novo alvo para conseguir mais votos. A estratégia está funcionando: o Pis deve manter uma maioria parlamentar.

Enquanto o premiê polônes, Mateusz Morawiecki, declara timidamente rejeitar a violência e a intolerância, o chefe do partido, considerado o verdadeiro homem forte do governo, Jaroslaw Kaczynski, diz que a chamada “ideologia LGBT” – veja que coisa, lá eles também usam o termo “ideologia” – é uma ameaça para a família e a tradição polonesas. A religião também influencia esse comportamento. A Igreja Católica é especialmente poderosa na Polônia e uma importante aliada do governo. Ela apoia a luta contra essa suposta ideologia LGBT e joga ainda mais lenha na fogueira. 

Nova ameaça para o país

Num sermão no mês passado, o arcebispo da Cracóvia, Marek Jedraszewski, afirmou que existe uma nova ameaça no país, que não é mais a vermelha, dos marxistas, mas uma praga neomarxista na cor do arco-íris, se referindo à bandeira do movimento LGBT. As entidades gays realizam regularmente passeatas contra intolerância, mas essas manifestações costumam se restringir a grandes centros urbanos, como Varsóvia, onde geralmente o Pis não faz parte do governo. 

E a oposição?

A força do PiS está nas áreas rurais, no interior da Polônia, principalmente no leste do país. Nesses lugares, a resistência é grande, como mostra o que ocorreu em Białystok. Na cidade de Szczecin, perto da fronteira com a Alemanha, a passeata do orgulho gay reuniu milhares de pessoas neste sábado. Foi um recorde de público e muitos viajaram da Alemanha para participar da manifestação. No ano passado, o mesmo evento só conseguiu reunir pouco mais de 100 pessoas e a passeata foi perturbada pela presença maciça de extremistas de direita.

Os liberais e a esquerda criticam a postura do governo, mas também não querem perder a parcela conservadora de seu eleitorado. Quase 90% da população polonesa católica e bastante apegada a valores como tradição e família.

Com informações de Márcio Damasceno, correspondente da RFI em Berlim.

‘Marcha das Vadias’ pede fim da violência contra a mulher e homofobia no Espírito Santo Resposta

Marcha das Vadias passou pelas ruas de Vitória (Foto: Mariana Perim / G1 ES)

Marcha das Vadias passou pelas ruas de Vitória (Foto: Mariana Perim / G1 ES)

Com a intenção de repudiar todo o tipo de violência contra a mulher e também em protesto por uma sociedade igualitária e livre de preconceitos, a segunda edição da Marcha das Vadias em Vitória percorreu, neste sábado (20/07), a Rua da Lama e a ponte Ayrton Senna, em direção à Praça dos Namorados, na Praia do Canto. Centenas de pessoas se reuniram na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), onde foram preparados cartazes e realizadas pinturas corporais.

Segundo a organização do evento, as mulheres são ensinadas desde muito novas a sentir culpa e vergonha pela expressão da própria sexualidade e a intenção do evento é quebrar tais preconceitos. O grupo saiu da Ufes por volta das 17h e encerrou o ato às 18h10. No fim, a organização mobilizou os demais participantes a darem apoio às famílias dos manifestantes presos durante o protesto de sexta-feira (19/07), ocorrido no Centro da capital.

Durante toda a caminhada, os manifestantes fizeram batucada e utilizaram megafones para gritar palavras de ordem contra o machismo, o racismo e a homofobia. O grupo reforçou a oposição a projetos do Congresso, como a ‘cura gay,’ e também criticou a Igreja Católica, considerando a questão do aborto. A manifestação recebeu demonstrações de apoio durante o trajeto, como aplausos, buzinaços e gestos positivos nas varandas dos edifícios.

Mapa da violência
De acordo com o Mapa da Violência 2012, realizado pelo Instituto Sangari, o Espírito Santo é o estado com o maior número de homicídios de mulheres no Brasil. A taxa capixaba, de 9,4 mortes em cada 100 mil mulheres, é maior que o dobro da média nacional.

Marcha histórica
O movimento acontece em várias partes do Brasil, mas já é uma ação mundial. Começou quando um professor, no Canadá, durante uma palestra, disse que as mulheres sofriam estupro por causa da maneira como se vestiam. Essa afirmação gerou uma polêmica no mundo inteiro, sendo o que motivou a marcha e a maneira como as mulheres, e até alguns homens, se vestem na passeata: muitas vezes sem roupa e com o corpo pintado, em sinal de protesto.

“Eu sou um padre do século XXI”, diz padre excomungado em Bauru Resposta

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Semana passada, um padre do interior de São Paulo bateu de frente com a Igreja Católica, à qual jurou obediência, por defender ideias polêmicas sobre sexo fora do casamento e homossexualidade. Acabou excomungado. Padre Beto não se retrata e afirma que em momento algum desrespeitou os dogmas da religião. A reportagem é de Marcelo Canellas.

“Sexo é uma coisa, amor é outra”, diz Beto Daniel, padre excomungado.

“Ele faz pronunciamentos, declarações sobre temas complicados, polêmicos”, comenta dom Caetano Ferrari, bispo de Bauru.

“Eu posso amar uma pessoa e não fazer sexo com ela. Eu posso fazer sexo com uma pessoa e não amá-la”, afirma padre Beto.

“Ele é filho rebelde. Ele avança o sinal”, observa dom Caetano.

Quem é o padre que tirou o bispo do sério, a ponto de ser excomungado?

“Eu sou padre do século XXI. Ponto final”, diz padre Beto.

Na orelha, um piercing. “Já tenho três anéis, colocar mais um, pelo amor de Deus, né? E eu não gosto de anel com pedra, né? Falei: vou fazer um piercing”.

Em casa, Che Guevara na parede. Charutos. E uma salada de entidades místicas, santos e estrelas de cinema. E muitas atividades fora da igreja. Padre Beto se orgulha de ter estudado na Alemanha, no mesmo seminário em que o papa emérito Bento XVI se formou. Servindo à Diocese de Bauru, no interior de São Paulo, desde 2001, ele acaba de ser excomungado por causa de vídeos como esse, em que aparece em uma mesa de bar, falando sobre bissexualidade:

“Do homem se apaixonar por um outro homem, ou da mulher se apaixonar por uma outra mulher. E os dois sendo casados. Aqui existe amor também”, diz no vídeo.

A Diocese de Bauru diz que os vídeos provocaram escândalo, e exigiu que o padre os retirasse da internet.

“Nós não queremos enquadrá-lo também na marra. Mas ele fez um juramento como sacerdote, eu fiz também, de fidelidade aos ensinamentos da Igreja. Se eu sou da Igreja não posso falar contra o ensinamento da Igreja”, explica dom Caetano.

Padre Beto se recusou a cumprir a ordem. “É inegável a existência de bissexuais”.

Ele teve uma semana para voltar atrás. Quando o prazo se esgotou, a diocese instaurou o processo de excomunhão.

“Há quatro anos que eu estou aqui, todo ano eu tenho uma conversa com ele sobre estas coisas porque chegam para mim. O pessoal ouve na homilia, lê, ouve na rádio, ouve não sei o quê. Agora veio do mundo inteiro!  Entende? Então nós tivemos que dizer: Beto, não dá mais, Beto”, diz Dom Caetano.

A excomunhão foi decretada, na terça-feira passada, por um juiz instrutor nomeado pelo bispo. De acordo com a nota oficial da Igreja, padre Beto foi excomungado por violar as obrigações do sacerdócio e por se negar a cumprir a promessa de obediência.

A despedida do sacerdote foi numa igreja lotada, em que os fiéis aplaudiram de pé a última missa do padre Beto.

Ele não pode mais rezar missa e nem fazer casamentos e batizados. Também não tem mais direito a nenhum dos sacramentos católicos. Não pode se confessar, por exemplo, nem comungar. Mas, de acordo com as regras da Igreja, ainda pode ser chamado de padre até que o Vaticano dê a última palavra. A punição pode ser revista imediatamente em caso de retratação pública, o que não parece estar nos planos do padre Beto.

“Eu posso me arrepender, dizer que um casal pode ter relações sexuais antes do casamento? Se eu disser que vou me arrepender disso é de uma infantilidade muito grande e, hoje em dia, uma situação ridícula”.

O que seria, para padre Beto, fidelidade e traição no casamento?

“Em um dos seus comentários, você diz que se alguém tem uma relação extraconjugal com o consentimento do seu parceiro não há traição, é isso?”, pergunta o repórter.

“É isso. Se realmente há um consentimento franco dos dois”.

Para ele, suas opiniões não desrespeitam os dogmas da Igreja.

“Eu não toquei em dogma algum. Eu estou discutindo normas morais. Eu não posso comparar o amor homossexual com o dogma “Jesus Cristo é filho de Deus”. São discussões completamente diferentes”.

E contesta a ideia de pecado na relação homossexual.

“Onde existe pecado entre duas pessoas do mesmo sexo que se querem bem, que se gostam, que se amam?”.

“Agora uma questão pessoal, e você tem todo o direito de não responder se não quiser. No momento em que surgiu esta polêmica, muita gente começa a questionar e justificar a sua postura dizendo que você é gay. Você é gay?”, pergunta o rpórter.

“Não. Eu não sou gay, eu sou heterossexual e nunca senti atração por pessoa do mesmo sexo”, responde.

Muito popular entre os jovens de Bauru, padre Beto divide opiniões na Faculdade de Direito onde dá aula de ética,

“É inadmissível uma pessoa ser escrava de uma doutrina”, defende o estudante Francisco Soares Neto.

“A partir do momento que você se torna padre, pressupõe-se que você é a favor dos ensinamentos da Igreja, que você concorda com isso”, opina a estudante Manoela Veloso.

“Ao meu ver ele não infringiu nada. Ele estava ali refletindo sobre o assunto. E é o que ele nos faz na sala de aula: refletir, pensar”, afirma a estudante Marcela Gallo.

“Para muitos católicos, vai contra a Igreja Católica. Então confunde a cabeça da criança, por exemplo, que vai a uma missa e escuta um padre falar isso, sendo que em casa se prega outra coisa”, comenta a estudante Regina Benatti.

O padre excomungado diz que agora vai se dedicar ao magistério e ao trabalho de comunicador. E que seguirá procurando Deus onde for possível.

“Deus eu encontro em qualquer lugar. Se ele não vai mais estar acessível à minha pessoa pela eucaristia, que era um alimento espiritual fantástico, eu acredito que Deus vai me alimentar de uma outra forma”.

Fonte: Fantástico

Após ataques de pastor Marco Feliciano a católicos, Conferência dos Bispos do Brasil pede respeito 3

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Dom Dimas citou o exemplo do Concílio Vaticano II do diálogo ecumênico Foto: Givaldo Barbosa / Extra

Reunido com a cúpula da Igreja Católica do país na 51ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, Dom Dimas Lara Barbosa, porta-voz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), lembrou a postura ecumênica adotada pela Igreja nas últimas décadas ao comentar os ataques de que os católicos foram vítimas em uma pregação do deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

– Eu li a transcrição do vídeo. Nesse momento é importante lembrarmos que estamos celebrando este ano os 50 anos do Conselho do Vaticano II, que abriu as portas da Igreja para o diálogo ecumênico. O diálogo pressupõe o respeito à liberdade de confiança e à liberdade religiosa das pessoas. A mensagem católica caminha na direção do diálogo e do respeito, não do confronto – afirmou o bispo, em resposta ao deputado.

De acordo com Dom Dimas, a Comissão Brasileira de Justiça e Paz, um organismo de leigos que acompanha os trabalhos da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, decidirá o que fazer sobre o caso.

Procurada, a assessoria de imprensa do deputado do PSC não respondeu quando e onde foi feita a pregação.

‘Corpo entregue à prostituição’

No vídeo, Feliciano afirma que os católicos adoram Satanás e que têm o corpo “entregue à prostituição” e “a todas as misérias dessa vida”. Na pregação, cuja data não é informada, Feliciano chama a religião católica de “morta e fajuta” e critica o hábito de usar crucifixos de Jesus no pescoço, comum entre os católicos.

“Eu conheço o Deus de Paulo (São Paulo). Não é o Deus dessa religião morta e fajuta em que você está. Se há algum católico entre nós aqui, o que eu duvido muito, mas, se tiver, deixa eu explicar uma coisa. Primeiro: você não pode sentir aquilo que nós sentimos sem experimentar o Deus que nós sentimos. ‘Não, pastor, não, pastor, mas eu sou carismático. Eu até aprendi a falar em línguas, colocaram uma fita no rádio e eu decorei.’ Esse avivamento é o avivamento de Satanás”, grita, com raiva, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

“Porque o avivamento que provém de Deus, você não precisa ouvir fita para aprender. Você não pode experimentar o mesmo avivamento que eu porque o seu Deus não é o mesmo Deus que o meu Deus”, prega Feliciano, aos berros, incensando os fiéis.

As imagens originais estavam até semana passada em um canal da Assembleia de Deus no YouTube. No entanto, o vídeo foi removido pelo usuário no fim de semana. Outros internautas, porém, já haviam feito uma cópia e voltaram a postá-la.

“O meu Deus exige santidade. Santidade física e santidade de alma. Não adianta dizer que seu coração é de Deus, mas o seu corpo está entregue à prostituição, à idolatria e a todas as misérias dessa vida. Quem é de Deus louva a Deus até no seu corpo”, grita o pastor ao microfone, enquanto dá um tapa no púlpito e um pulinho.

Embora afirme não ser homofóbico, Feliciano inclui os homossexuais na mesma pregação.

“O meu Jesus não foi feito para ser enfeite de pescoço de homossexual nem de pederasta nem de lésbica”, conclui.

Católicos pelo casamento gay 1

Casamento

Mais e mais países legalizam o casamento gay. Mais e mais Estados e regiões do Brasil também o fazem, através de decisões judiciais. Isto acontece porque muitas pessoas hoje acreditam que este casamento é legítimo e deve ser reconhecido pelo Estado. Entre elas, o presidente norte-americano reeleito Barack Obama. Todos os cidadãos são iguais em dignidade e direitos, e por isso as uniões entre homossexuais devem ter o mesmo reconhecimento das uniões entre heterossexuais, com os mesmos direitos e deveres. Não há concorrência entre estas formas de união, visto que se destinam a pessoas diferentes, e nem ameaça à família ou à sociedade.

Muitos cristãos também acreditam nisso. Sabem que Deus é amor e compreensão, e que Ele quer a felicidade dos seus filhos. Surge então uma questão aos fieis católicos: como lidar com a oposição da alta hierarquia da Igreja ao reconhecimento do casamento gay, considerado por ela uma ameaça à família tradicional e nociva a um reto progresso da sociedade?

O Concílio Vaticano II, iniciado há mais de 50 anos, afirma que as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens e das mulheres de hoje, sobretudo dos pobres e dos que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração (GS 1). É hora de olhar para a realidade humana de tantas lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Há uma história milenar de homofobia, com diversas formas de brutalidade física, hostilidade verbal e exclusão. Não se pode ignorar o anseio da população LGBT por segurança, liberdade e igualdade. Opor-se ao casamento gay é acrescentar mais uma discriminação nesta longa história de exclusões e hostilidades.

O teólogo Karl Rahner refletiu sobre o conceito de ‘cristão adulto’, que pode contribuir bastante nesta questão. No início do século 20, o magistério da Igreja rechaçava a teoria da evolução. Ensinava que os primeiros capítulos da Bíblia, contendo a narração da criação do homem, deveriam ser entendidos de maneira literal. Se nessa época um paleontólogo estivesse plenamente convencido do vínculo entre o ser humano e o mundo animal, como ele deveria proceder? Neste caso, tal cientista não deveria rejeitar toda a fé da Igreja e nem toda a sua doutrina, mas discernir entre o que é fundamental e o que não é. Ele deve saber quais são as convicções de sua fé realmente centrais e existencialmente significativas, para nelas se aprofundar sempre mais; e progressivamente desconsiderar o que se mostra irremediavelmente inaceitável.

Não se deve nunca colocar as coisas em termos de tudo ou nada. O próprio Concílio Vaticano II diz que há uma ‘hierarquia de verdades’, isto é, uma ordem de importância dos ensinamentos da Igreja segundo o seu nexo com o fundamento da fé cristã (UR 11). Há ensinamentos de mais relevância, com um nexo maior; e outros de menos relevância, com um nexo menor. Isto contribui para o discernimento. O cristão adulto, diz Rahner, é um fiel que vive conflitos semelhantes ao daquele paleontólogo. Ele precisa tomar decisões em assuntos importantes, colocando-se diante de Deus e de sua consciência, e enfrentar as consequências, sem ter necessariamente o desejado respaldo da Igreja.

Os cristãos solidários à população LGBT e aos seus direitos devem ser encorajados a viver esta fé inclusiva, tão necessária ao nosso tempo, mesmo que eles não tenham o devido respaldo de suas igrejas. Isto é ser cristão adulto. Eles não estão sós, pois amam e conhecem a Deus que é amor.

Texto: Equipe do Diversidade Católica

Papa quer unir Igreja Católica a outras religiões contra o casamento gay 8

Papa

Depois de dizer que eutanásia e casamento gay afetam a paz mundial, o papa Bento XVI voltou a atacar o casamento gay (leia mais aqui), agora ele quer se juntar a outras religiões para combater o que ele considera um mal. A nova agressão ao casamento gay foi feita no discurso de Natal. Quanta paz e quanto amor no coração do papa, não?

Defensores do casamento gay fazem protesto durante homilia do Papa

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O papa Bento XVI afirmou que o casamento gay é uma ameaça às fundações da família. A declaração se apoiou não só nos preceitos católicos, mas em um estudo produzido por um rabino francês, o que mostra a disposição da Igreja em se aproximar de outras religiões para reforçar a oposição à união homoafetiva. As declarações do papa foram feitas discurso de Natal aos funcionários do Vaticano, realizado no Salão Clementine, um dos pronunciamentos mais importantes do papa durante o ano.

– Não há como negar a crise que ameaça a família e suas bases, principalmente no mundo ocidental – disse o papa, de 85 anos.

Em seu pronunciamento, Bento XVI citou um artigo do rabino chefe da França, Gilles Bernheim. O trabalho “Casamento Gay, paternidade e adoção: o que sempre esquecemos de dizer” foi considerado pelo papa como “profundamente comovente”. A atitude mostra uma aproximação entre a Igreja Católica e outras religiões, ao menos nesse aspecto, em um esforço para combater a ameaça que o papa chamou de “um falso entendimento sobre a liberdade”.

A Igreja tem feito, em alguns países, alianças com outras religiões, como o Judaísmo e o Islamismo, para fortalecer a oposição à legalização do casamento gay, que tem ganhado força.

Nas últimas eleições nos EUA, a união entre pessoas do mesmo sexo foi aprovada pela primeira vez por voto popular, nos estados de Maryland, Maine e Washington. Com isso, o país passa a contar com nove estados onde a união é permitida. Na França, uma lei que libera “casamento para todas” deve ser votada no ano que vem, com forte possibilidade de ser aprovada. Também na Europa, na Espanha, a corte suprema confirmou uma lei que permite o casamento gay.

O papa usou argumentos antropológicos e sociológicos, para fundamentar sua argumentação. Citando o estudo de Bernheim, disse que crianças criadas por casais gays seriam mais “objetos” do que indivíduos. Além disso, o religioso defendeu que o casamento heterossexual é um compromisso para toda a vida, ameaçado pela união gay.

– Quando tal compromisso é repudiado, as figuras-chave da existência humana igualmente desaparecem: pai, mãe, filho – elementos essenciais da experiência de ser humano são perdidos.

Líder de uma comunidade gay da Itália, Franco Grillini disse que as palavras do papa não passam de “uma grande bobagem”:

– Nos lugares onde o casamento gay foi aprovado, não houve consequência ao casamento hetero – disse o líder gay.

Na conta oficial do papa no Twitter, inaugurada recenemente, nenhum comentário sobre o assunto foi postado.

Governo britânico defende casamento gay em igrejas Resposta

Casamento Gay

Apesar da rejeição da Igreja Anglicana e da Católica a esta lei, outros grupos religiosos presentes no Reino Unido como os judeus liberais, os unitaristas ou os quackers receberam o anúncio com satisfação.

O Governo britânico incluirá na lei de casamentos homossexuais a possibilidade de permitir que casais do mesmo sexo possam selar a união em templos religiosos, anunciou nesta sexta-feira o primeiro- ministro do Reino Unido, David Cameron.A normativa, que será apresentada no Parlamento na semana que vem e deve ser votada em 2013, permitirá que as igrejas da Inglaterra e de Gales realizem estas cerimônias, embora não sejam obrigadas.

A normativa, que será apresentada no Parlamento na semana que vem e deve ser votada em 2013, permitirá que as igrejas da Inglaterra e de Gales realizem estas cerimônias, embora não sejam obrigadas.

“Sou um completo partidário do casamento e não quero que os homossexuais sejam excluídos desta grande instituição. Mas se há alguma igreja, sinagoga ou mesquita que não queira celebrar um casamento gay, em nenhum caso serão forçadas”, assegurou o “premier” britânico, que dará liberdade de voto a seu Partido Conservador com relação a esta lei.

O vice-primeiro-ministro e líder do Partido Liberal-Democrata, Nick Clegg, também apoiou a normativa e destacou que “é o momento de permitir que qualquer casal, não importa qual seja, se case conforme a vontade”.

As organizações de defesa dos direitos homossexuais, como “Out4Marriage”, também celebraram a medida que permitirá que as igrejas “decidam livremente se querem permitir que os casais gays se casem ou não”.

De qualquer modo, outros ainda veem algumas lacunas na proposta, como o ativista Peter Tatchell, que lamentou que a lei não contemple as uniões civis entre casais heterossexuais.

Apesar da rejeição da Igreja Anglicana e da Católica a esta lei, outros grupos religiosos presentes no Reino Unido como os judeus liberais, os unitaristas ou os quackers receberam o anúncio com satisfação.

No entanto, alguns membros do Partido Conservador, assim como defensores do casamento “tradicional”, criticaram a legislação, como o deputado Stewart Jackson, que qualificou o primeiro-ministro de “arrogante” por incluir esta cláusula em sua proposta.

Colin Hart, diretor da campanha “Coalition for Marriage” (Coalizão pelo Casamento), assinalou que a decisão de abrir a porta das igrejas para realizar casamentos entre homossexuais é “uma proposição profundamente antidemocrática para reescrever o sentido tradicional do casamento” e a qualificou de “decepcionante”.

Fonte: EFE