Justiça marca para outubro interrogatório de acusado de matar transexual a paulada em SP Resposta

Jonatas Araújo dos Santos

A Justiça marcou para 17 de outubro a audiência para interrogar o motorista de aplicativo preso sob a acusação de matar a pauladas uma transexual em maio deste ano na Zona Sul de São Paulo. A decisão é deste mês. 

Jonatas Araújo dos Santos, de 25 anos, está detido preventivamente acusado do assassinato de Larissa Rodrigues da Silva, de 21. O crime foi cometido em 4 de maio na Alameda dos Tacaúnas com a Avenida Indianópolis, no bairro da Saúde, área nobre da capital. 

O réu alega que agiu em legítima defesa, mas está preso por feminicídio, que é uma qualificadora do homicídio. O feminicídio é o crime cometido contra a vítima pelo fato dela ser ou se identificar com o sexo feminino. 

A audiência de instrução precede um eventual julgamento. Nessa etapa serão ouvidos os depoimentos das testemunhas de acusação e defesa, bem como ocorrerá o interrogatório do acusado. 

A Justiça também ouvirá o Ministério Público (MP), responsável por acusar Jonatas, além dos advogados de defesa do réu. 

A audiência está marcada para começar às 15h30 no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste. O juiz Luís Filipe Vizotto Gomes, da 1ª Vara do Júri, irá conduzir essa etapa do processo para depois decidir se levará o motorista a júri popular pelo crime.

Larissa Rodrigues da Silva

O crime

De acordo com a Promotoria, o crime foi cometido na noite 4 de maio, quando Larissa e uma amiga transexual faziam programa na rua. 

Segundo o MP, Jonatas parou o carro para fazer programa com Larissa, mas ela recusou ao notar o comportamento violento dele. 

Em seguida, pela denúncia, o motorista de aplicativo teria voltado e tentado atropelar as duas transexuais. Depois, Jonatas voltou armado com um pedaço de madeira com cerca de um metro e agrediu Larissa. 

“Caminhando sorrateiro, o denunciado novamente se aproximou da ofendida e de sua amiga e, sem nada dizer, começou a desferir golpes na cabeça da vítima”, escreveu o promotor de Justiça Romeu Galiano Zanelli Junior na acusação.

O que diz a defesa

Jonatas fugiu após o crime. Ele se apresentou à Polícia Civil na noite de 6 de maio, dois dias após o crime. Aos policiais, alegou que agiu em legítima defesa, versão sustentada nesta semana pelo advogado dele, Celso Regis Francisco. 

“Meu cliente agiu em legítima defesa depois de ter sido roubado pela transexual”, falou o advogado Celso ao G1

O advogado ainda contou outra história para explicar a morte de Larissa. 

“Jonatas tinha parado o carro, que estava identificado com um adesivo de aplicativo de celular, porque ela queria uma corrida”, falou Celso. “Como estava sem dinheiro, a transexual ofereceu pagar a corrida com um programa sexual, mas meu cliente recusou e a deixou de volta onde havia pegado”. 

Mas ao ir embora, de acordo com o advogado, Jonatas notou que R$ 200 tinham sumido da carteira dele que estava no console do automóvel. 

Então, de acordo com Celso, o motorista resolveu voltar para tentar reaver o dinheiro. “Ele não quis atropelar as transexuais. Ficou com medo da reação delas de quebrarem o carro e saiu. Depois pegou um pedaço de pau no meio do caminho para se defender. Elas deveriam estar com canivete. Em nenhum momento a intenção dele foi matar.”