A Lei do Amor termina com recorde de casai gays, mas sem beijo na boca Resposta

ALeidoAmor

“A Lei do Amor”, novela das 21h, de Maria Adelaide Amaral e Vicent Villari, exibiu seu último capítulo nesta sexta-feira (31) com um recorde: o maior número de casais gays de uma novela do horário nobre. Apesar da representatividade maior, com três romances homossexuais, a abordagem foi sutil e não passou nem perto do beijo protagonizado por Mateus Solano e Thiago Fragoso em Amor à Vida.

“Vejo isso como um retrocesso. Quando você mostra um casal gay, mas não se aproxima da realidade em que ele vive, é uma espécie de omissão à homofobia”, opina Agripino Magalhães, líder estadual da Aliança Nacional LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Intersexuais).

“Dentro do estilo melodramático, considero que ‘A Lei do Amor’ cumpriu a sua função social na teledramaturgia. Também considero que o beijo gay deixou de ser exatamente uma questão”, contrapõe Mauro Alencar, doutor em teledramaturgia brasileira e latino-americana pela Universidade de São Paulo.

Na novela, Zelito (Danilo Ferreira) conquistou o coração de Wesley (Gil Coelho) logo nos primeiros capítulos. O frentista se encantou pelo DJ, que foi assassinado a mando de Tião (José Mayer), e o romance foi abortado tragicamente.

Os autores deixaram para formar os outros dois casais gays só nesta última semana. Aliás, muitos casais gays são formados somente em finais de novela.

No capítulo de segunda (27), Wesley chamou Gledson (Raphael Ghanem) para sair, mas a cena teve só troca de olhares e sorrisos entre os dois, sem carinhos explícitos ou beijo. Por fim, depois de terminar com Misael (Tuca Andrada), Flávia (Maria Flor) aparecereu com uma namorada, Gabi (Fernanda Nobre), mas o romance também não foi explorado.

“Apesar da representatividade maior, o gay ainda é mostrado como aquela pessoa que ‘dá pinta’, que é motivo de chacota, ou muito superficialmente. Normalmente, não são personagens como um bancário, empresário, balconista, por exemplo, uma pessoa que pode constituir uma família e ter direito como qualquer outro”, analisa Magalhães.

Alencar acredita que o núcleo em que os personagens homossexuais são apresentados e a forma como se relacionam está relacionado ao estilo de cada escritor, não à imposição de rótulos. “Qualquer tema abordado na história da ficção mundial é retratado com diferentes intensidades. É isso o que diferencia um autor de outro”, opina.

*Com informações do “Notícias da TV”.

 Opinião

Quem acompanha o blog sabe que eu sempre reclamei da falta de beijo gay em telenovelas. Mas mostrar casais gays, desde que não seja nos últimos capítulos, ou até mesmo uma família homoafetiva é melhor do que nada. No mais, já existem seriados inúmeros retratando de maneira honesta e aberta a homossexualidade.

E para você, beijo gay é importante ou não em uma novela?

Lula manda mensagem a trabalhadores LGBT: “Somos iguais e merecemos respeito” Resposta

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Veja o vídeo clicando aqui

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou um vídeo nesta sexta-feira (31) com uma mensagem aos trabalhadores LGBT pelo apoio ao 4º Encontro de Trabalhadores e Trabalhadoras LGBT, realizado pela CUT de São Paulo entre 30 de março e 1º de abril.

“Eu tenho muito respeito por todos os gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais do nosso querido Brasil. É por isso que uma das primeiras medidas que tomei quando cheguei à presidência da República foi dar à Secretaria dos Direitos Humanos o status de ministério. Assim colocamos os Direitos Humanos no mesmo patamar das outras áreas do Executivo e demos mais espaço aos direitos da população LGBT”, lembrou Lula, citando ainda outras iniciativas de seu governo e da gestão de Dilma Rousseff.

“Mas não podemos parar por aí. Ainda temos muito a conquistar. Estamos só no começo. E eu tenho muito orgulho de lutar ao lado de vocês”, acrescentou Lula no vídeo. “Eu sei que na hora de pagar o Imposto de Renda ou votar ninguém trata o povo LGBT com preconceito, mas duarnte todo o dia tem uma parte da sociedade que trata esse grupo como pária da sociedade”, destacou.

“Vamos à luta porque somos iguais e merecemos tratamento digno nesse país”, finaliza Lula. Assista acima.

Opinião

Houve avanços durante os governos Lula e Dilma, mas quando ele tinha mais de 80% de aprovação e o Congresso “nas mãos”, não moveu uma palha para colaborar para a aprovação da criminalização da homofobia, porque estava aliado aos fundamentalistas evangélicos.

No governo Dilma houve veto do programa Escola Sem Homofobia. Dilma chegou a o kit anti-homofobia de “propaganda de opção sexual”.

Conselho Estadual LGBT critica Crivella Resposta

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Prefeito do Rio, Marcelo Crivella

Deu na coluna da jornalista Berenice Seabra, do jornal “Extra” que o Conselho Estadual LGBT está insatisfeito com o prefeito do Rio, Marcelo Crivella. “Sem recursos não tem como executar políticas públicas. Com uma coordenadoria, não tem status para se articular com outras secretarias”, disse Júlio Moreira, presidente do Conselho.

O coordenador da Diversidade Sexual, Nélio Georgini, da prefeitura do Rio foi elogiado.

Morre Gilbert Baker, criador da bandeira LGBT Resposta

Gilbert Baker

Gilbert Baker enrolado na bandeira do Arco-Íris

Gilbert Baker, artista e ativista de direitos LGBT, morreu aos 65. A causa da morte ainda não foi confirmada oficialmente.

Baker se envolveu intensamente no movimento LGBT dos EUA nos anos 70, junto com ativistas como Harvey Milk. Ele criou a bandeira com o arco-íris que virou o símbolo LGBT para a parada gay de San Francisco em 1978 e depois símbolo LGBT mundial.

Seu amigo e também ativista gay Cleve Jones lamentou a morte em seu perfil no Twitter. “Meu amigo mais querido no mundo se foi. Gilbert Baker deu ao mundo a Bandeira do Arco-Íris; ele me deu quarenta anos de amor e amizade.”

De acordo com a biografia postada em seu site oficial, ele estava morando em Nova York.

Baker nasceu no Kansas em 1951, se baseou em San Francisco no início dos anos 1970, enquanto servia o Exército dos EUA, no começo do movimento pelos direitos LGBT.

Baker começou a fazer cartazes para o direito dos LGBTs muitas vezes a pedido de Milk, que se tornaria o primeiro gay assumido eleito para cargos públicos na Califórnia.

Daniel Newman sai do armário Resposta

Daniel

Daniel Newman é gay

Daniel Newman resolveu sair do armário aos 35 anos por meio de sua conta no Twitter. O ator é responsável por dar vida a Daniel, membro do O Reino, na série da AMC “The Walking Dead”.

“Eu sou #OUTandPROUD #LGBT, amo vocês, tenham orgulho de serem vocês mesmos”, escreveu. Depois do anúncio, o ator recebeu vários comentários em seu apoio. “Nós precisamos de todos do jeito que você é! Eu conversarei com vocês”, completou.

E realmente, mais tarde, Newman voltou a falar sobre assumir-se gay. Ele postou um vídeo no YouTube se explicando melhor. “Eu cresci em uma casa muito conservadora do sul da Geórgia, e realmente não importava o que era a sua sexualidade – não era conversa aberta, era sempre ‘Não fale sobre sua vida privada’, então eu estava tão acostumado a isso”, revelou.

Bem-vindo ao clube, lindo!

Veja o vídeo:

Rio sem homofobia capacita policiais para apoio à comunidade LGBT Resposta

Desde junho de 2013, mais de 3,2 mil policiais do Estado do Rio estão aprendendo a acolher melhor a comunidade LGBT tanto nas delegacias quanto nas ruas. O programa estadual Rio Sem Homofobia vem tentando mudar o perfil de atendimento a este público na Jornada Formativa de Segurança Pública e Cidadania LGBT. No total, até o fim do ano, cerca de 8 mil policiais vão passar pelo curso, que está sendo ministrado em todas as Áreas Integradas de Segurança Pública (AISPs), pelo coordenador do programa, Claudio Nascimento, além da equipe dos quatro Centros de Cidadania LGBT no Rio.

Esta é a segunda edição da jornada, que já foi realizada entre 2009 e 2011, e formou mais de quatro mil policiais. De acordo com Nascimento, a iniciativa pioneira no estado, que visa garantir os direitos dos homossexuais, surgiu da necessidade de melhorar a formação dos servidores públicos.

– Trabalhamos os direitos e a cidadania, as práticas respeitosas e cidadãs de atendimento, além das principais demandas do público – afirmou Nascimento.

São realizados, em média, seis encontros mensais da Jornada, nos batalhões e delegacias de todo o estado. Até dezembro, ainda serão realizados cerca de 70 encontros. Na Academia Estadual de Polícia (Acadepol), serão nove encontros. O aluno da Diogo Sobral Cunha acredita que o curso serve para ampliar e reforçar o conhecimento que os aspirantes a policiais civis já recebem nas aulas de direitos humanos durante seis meses.

– A minha turma tem 48 alunos e isso é unanimidade. Todos acham que essas aulas são muito importantes para garantir os direitos da comunidade LGBT. Nós já aprendemos muito nas aulas de direitos humanos – disse o aluno.

Fonte: O Fluminense

SUS começa a fazer registro de violência contra LGBTs este mês Resposta

SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS), vai começar a registrar casos de violência contra a população LGBT em prontuários de atendimento a partir deste mês. A iniciativa tem como objetivo ampliar a notificação de casos de homofobia e transfobia no país a fim de futuramente subsidiar políticas públicas de prevenção e combate à violência sofrida por gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros. As informações são do Ministério da Saúde.

Essa foi uma iniciativa da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual/CEDS-RIO através do decreto 35816 assinado pelo prefeito Eduardo Paes no dia 28 de junho de 2012. Através de ofício entregue em mãos, foi solicitado ao ministro da saúde Alexandre Padilha que essa norma fosse federal e que no relatório SINAN constasse o item homofobia ( o que também está sendo feito, pois quando a solicitação foi feita, o decreto era na categoria outros).

Para a realização do registro, todas as fichas de atendimento das unidades de saúde vão ganhar um campo especial para a notificação de ocorrências, que deverão ser preenchidas com o nome social (caso houver), a identidade de gênero e a orientação sexual do paciente.

O registro de casos de violência contra LGBTs pelo SUS tem início seis meses após a divulgação de um relatório sobre violência homofóbica feito pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. De acordo com o documento, no período de um ano, as denúncias de agressões e crimes motivados por homofobia aumentaram 166% no país, subindo de 1.159 casos em 2011 para 3.084 em 2012.

Segundo o relatório, jovens entre 15 e 29 anos figuram entre os mais vulneráveis à violência e representam 61% das vítimas em casos registrados de discriminação. A principal queixa, que aparece em 83% das ocorrências, é a de violência psicológica, uma vez que são alvos de humilhações, hostilizações e ameaças, calúnia, injúria e difamação.

Para a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, a alta incidência de casos registrados reflete maior reconhecimento social em relação a tal tipo de discriminação, o que consequentemente induz à denúncia.

A iniciativa faz parte da disseminação de um projeto piloto integrado ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), que registra casos de violência contra crianças, adolescentes, mulheres e idosos desde agosto de 2013, nos estados de Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul.

*Com informações do Mix Brasil

Joey Barton é indicado a ‘Oscar Gay’ na Inglaterra por sua campanha contra a homofobia no futebol Resposta

Joey Barton

Joey Barton

Joey Barton, o meia do Queens Park Rangers, foi indicado para o ‘Oscar Gay’ distribuído anualmente pela revista Out in the City, voltada para o público LGBT. O motivo da indicação é a forte participação de Barton em campanhas para erradicar o preconceito no futebol.

Barton apareceu entre os finalistas na categoria ‘Straight Ally of the Year‘ (Aliado Hétero do Ano). O vencedor será conhecido em uma grande festa de gala no dia 25 de abril, em um hotel em Londres.

“O trabalho de Joey Barton para acabar com a homofobia no futebol é memorável, então não é nenhuma surpresa que ele esteja entre os indicados. Espero que outros jogadores sigam o seu exemplo,” disse a organizadora do evento, Linda Riley.

No ano passado, Joey Barton esteve a frente de uma campanha ao lado da rede de apostas Paddy Power para levantar atenção para a causa.

“Os burocratas são responsáveis por não tomarem uma atitude mais enérgica para acabar com o problema. Vivemos uma democracia bastante liberal e é incrível que nós ainda precisemos ter esse tipo de conversa em pleno 2013. O jogador de futebol moderno tem a mente bem aberta, eu acho. A sexualidade das pessoas é um problema cada vez menor. Espero que um grnade número de jogadores nos apoiem,” declarou Barton ao jornal Metro em setembro.

*Com informações da Goal

Falta de acordo no Senado trava avanço de lei que criminaliza homofobia Resposta

Manifestante levanta cartaz a favor dos direitos dos homossexuais em Comissão de Direitos Humanos do Senado José Cruz/Agência Senado

Manifestante levanta cartaz a favor dos direitos dos homossexuais em Comissão de Direitos Humanos do Senado José Cruz/Agência Senado

O projeto de lei que torna crime a discriminação ou o preconceito pela orientação sexual e identidade de gênero foi retirado da pauta da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado nesta quarta-feira (20). O substitutivo, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS) não agradou as lideranças evangélicas.  “Um dos argumentos que ouvi aqui hoje foi de que uma celebração religiosa pode ser realizada em um ginásio de esporte, que não é um templo. Nesse caso, como é que fica? Eles querem que fique mais clara essa questão – explicou, ao reafirmar sua disposição ao diálogo”, disse.

Paim disse já ter realizado diversas conversas para a elaboração do substitutivo, tanto com entidades religiosas como com grupos do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). Para agradar os evangélicos, ele já alterou, por exemplo, o artigo que torna crime “impedir ou restringir a manifestação de afetividade de qualquer pessoa em local público ou privado aberto ao público”, incluindo ressalva para que seja “resguardado o respeito devido aos espaços religiosos”.

A tentativa de votar o texto na Comissão hoje foi marcada por manifestações de deputados da bancada evangélica e de representantes de igrejas, medida que não foi suficiente para o entendimento.

A senadora Ana Rita (PT-ES), presidente da Comissão, disse que buscará promover o entendimento, para que o projeto seja aprovado ainda este ano. Já senador Magno Malta (PR-ES), membro da bancada evangélica, afirma que o texto atual “não contempla ninguém” com interesse na questão. “Acompanhamos o esforço do senador Paim. Realmente, não é matéria fácil. Nem vou entrar no mérito, mas não podemos deixar um legado infame para as gerações futuras. Queremos um texto que trate de tolerância e não de intolerância”, disse.

Já Gustavo Bernardes, representante do Conselho Nacional LGBT, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, considera que o substitutivo é fruto de entendimento, onde cada setor cedeu um pouco, e deve ser votado, para que o país possa ter uma legislação de proteção às minorias. “Apesar de, em 2012, terem sido registrados 310 assassinatos motivados por homofobia no Brasil, ainda há setores que se negam a reconhecer que exista violência contra a população LGBT”, frisou.

Fonte: Último Segundo, com Agência Senado

Movimento LGBT faz protesto contra a homofobia e Feliciano em Maricá (RJ) Resposta

O feriado de Proclamação da República amanheceu no Centro de Maricá (RJ) com um protesto do Movimento LGBT  contra a homofobia e, aproveitando a vinda do presidente da comissão de Direitos Humanos da Câmara, o Deputado e Pastor Marco Feliciano à cidade, o grupo também proclamou que o mesmo não os representam.

Cartazes foram colocados em forma de protesto contra a homofobia. (Foto: João Henrique | Maricá Info)

Cartazes foram colocados em forma de protesto contra a homofobia.
(Foto: João Henrique | Maricá Info)

Marco Feliciano, que é pastor evangélico e deputado federal, tem causado muita revolta acerca de suas colocações sobre a homossexualidade e já foi acusado de ser homofóbico e racista em suas pregações e postagens em sua conta na rede social Twitter.

Ele estará em Maricá justamente nesta sexta-feira (15) em uma igreja evangélica no bairro Parque Nanci, onde haverá um culto com a presença de pastores da cidade e cantores gospel.

Homofobia e homossexualidade no futebol ainda são tabus nas arquibancadas Resposta

O ano de 2013 foi expressivo para a discussão de dois grandes tabus do futebol brasileiro: a homossexualidade e a homofobia. Em 9 de abril, torcedores do Atlético-MG fundaram a Galo Queer, uma página no Facebook que reúne torcedores alvinegros com uma postura anti-homofobia e anti-sexismo. “Galo” é o apelido do clube de Minas Gerais e “Queer”, em inglês, significa gay. Em 15 dias, a página ganhou cinco mil fãs, e hoje conta com mais de 6.600.

O gesto da torcida atleticana motivou outras a fazerem o mesmo. Ao longo do mês de abril, surgiram páginas semelhantes de torcidas de todo o país: Cruzeiro, São Paulo, Náutico, Grêmio,Vitória, Bahia, Internacional, Palmeiras, Corinthians, Flamengo, entre outros. A lista é extensa e mostra que a discussão da homofobia no futebol, até então, ainda estava dentro do armário.

Integrante da Galo Queer no Mineirão Facebook/Reprodução

Integrante da Galo Queer no Mineirão Facebook/Reprodução

“O estádio é um ambiente super homofóbico. Lá não se vê nenhuma manifestação de diversidade afetiva”, diz o jornalista – e palmeirense – William de Lucca, colaborador da Folha de S. Paulo em João Pessoa, na Paraíba. Ele é homossexual assumido e se esforça para prestigiar os jogos do Palmeiras em cidades próximas, como Recife ou Natal. William já era militante LGBT e, assim que ouviu falar, aderiu à página anti-homofóbica “Palmeiras Livre”.

“Em 2008, eu morei alguns meses em São Paulo e tinha um namorado que era palmeirense também. A gente foi até aconselhado por um amigo dele da torcida organizada a não ter nenhuma demonstração de afeto dentro do estádio, porque a gente poderia ser agredido”, lembra. “A gente sempre fica com medo. Em outros ambientes, sou muito seguro quanto a manifestar meu afeto: ando de mão dada e tal, inclusive na rua, mas acho que o estádio de futebol é mais hostil do que a própria rua, sabe? A homofobia é muito mais explícita”, conta.

“A gente só não tem mais relatos disso porque os homossexuais que torcem nos estádios não arriscam nenhum tipo de demonstração afetiva”, conclui William.

Dentro da Palmeiras Livre, assim como nas outras organizações, ainda se discute quais serão os próximos passos. Os integrantes querem ocupar as arquibancadas, mas temem agressões físicas, já que as verbais ocorrem diariamente. “Dia sim e outro também nós recebemos ameaças”, conta a fotógrafa e analista de mídias sociais Thaís Nozue, também integrante da Palmeiras Livre. “As pessoas vem ameaçando, dizendo que estão mexendo com o time errado, que eles vão descobrir quem é, que não sei o quê”. Por enquanto, a hostilidade está restrita a mensagens no Facebook como: “Vão morrer”, “Experimenta aparecer na torcida e vocês vão apanhar”, “A Mancha [maior organizada do Palmeiras] bate em polícia e não vai bater em um monte de bicha?” – o que não significa que a ameaça venha da Mancha, como explica Thaís.

Segundo ela, a causa da Palmeiras Livre também foi rechaçada pelas organizadas alviverdes. “A gente até tentou uma aproximação com as organizadas, mas elas deram um recado para a gente não se meter com elas. Às vezes aparecem pessoas se dizendo das organizadas nos ameaçando, mas a gente não tem como comprovar se são mesmo”, diz.

A homofobia veste verde?

Procurado pela Pública, Marcos Ferreira, o Marquinhos, presidente da Mancha Alviverde, não quis dar uma entrevista sobre a polêmica da homofobia e sobre um episódio envolvendo o volante e lateral Richarlyson, hoje no Atlético-MG e tido como homossexual, apesar de sempre se declarar heterossexual.

No início de 2012, o Verdão estudava a possibilidade de contratar Richarlyson. A Mancha Verde convocou um protesto no dia 4 de janeiro, na frente do Centro de Treinamento (CT) do Palmeiras, zona oeste de São Paulo. Segundo a torcida o motivo era uma rixa antiga com o jogador, que estava à beira de um acordo com o Alviverde, mas acabou indo jogar no rival São Paulo. Porém, uma grande faixa estendida por duas pessoas durante aquele ato dizia: “A homofobia veste verde”.

Ao telefone, Marquinhos negou repetidas vezes que a Mancha tenha algo a ver com a faixa – ela seria obra de duas pessoas desconhecidas da organizada que foram ao protesto. Mas ele disse que “não via nada de agressivo na faixa”. A Pública também tentou contato com Richarlyson, mas foi informada pelo seu empresário, Julio Fressato, que ele estava se recuperando de uma cirurgia.

O selinho de Sheik e o voo das gaivotas

Sheik deu selinho em amigo e causou a ira de torcedores do Corinthians

Sheik deu selinho em amigo e causou a ira de torcedores do Corinthians

Na esteira das iniciativas anti-homofóbicas, dois episódios jogaram o Corinthians no centro da discussão. O atacante Emerson Sheik, herói corintiano da inédita conquista da Libertadores em 2012, foi vítima de uma onda de ataques homofóbicos depois da vitória do Corinthians sobre o Coritiba por 1 a 0, no Pacaembu, no dia 18 de agosto. Para comemorar, Sheik postou uma foto em seu perfil oficial no Instagram em que aparecia dando um selinho em um amigo de longa data, o empresário Isaac Azar. “Tem que ser muito valente para celebrar a amizade sem medo do que os preconceituosos vão dizer. Tem que ser muito livre para comemorar uma vitória assim, de cara limpa, com um amigo que te apoia sempre”, escreveu.

No dia seguinte, cinco integrantes da Camisa 12, segunda maior torcida organizada do Corinthians, foram ao CT do clube protestar contra a atitude de Sheik, levando três faixas que diziam “Vai beijar a P.Q.P. Aqui é lugar de homem”, “Respeito é pra quem tem” e “Viado não”.

Dois meses depois, o jornalista e apresentador Luiz Felipe de Campos Mundin, que assina como Felipeh Campos, anunciou que faltava pouco para fundar a já polêmica Gaivotas Fiéis, primeira torcida organizada com conceito gay do Corinthians.

A Pública conseguiu entrevistar um personagem importante em ambos os episódios, Marco Antônio de Paula Rodrigues, de 34 anos. Conhecido pelo apelido “Capão”, por ter crescido no Capão Redondo, bairro periférico da zona sul de São Paulo, ele é presidente da Camisa 12, e foi um dos cinco que protestaram contra o selinho de Sheik. Ele revela ter sido o autor da faixa que dizia “Viado não” – a única, dentre as três, que considera agressiva. “Só essa foi um pouco mais forte, foi um excesso. Eu que risquei com o spray essa faixa, eu até pensei [que era agressiva], mas depois que nós já estávamos lá, a gente não podia voltar atrás”, diz. Trajado da cabeça aos pés com roupas da Camisa 12 (boné, camiseta, agasalho, bermuda e até meias da torcida), Capão é assertivo, olha nos olhos e tem a voz rouca. Aceitou falar durante uma hora e meia com a reportagem da Pública na sede da torcida, no bairro paulistano do Pari, região central, para “dar a explanação” sobre os dois episódios.

Sobre a iniciativa de Felipeh Campos, Capão vê a nova torcida gay como puro marketing. “Acredito que ele está pensando mais numa autopromoção do que numa torcida organizada. Porque para nós, uma torcida organizada começa como a gente sempre troca ideia nas torcidas: o cara vai para uma caravana, o cara participa de vários jogos do Corinthians na arquibancada e não na numerada, a pessoa participa de inúmeras manifestações corintianas que teve nesses últimos anos, tanto de protesto contra diretoria, contra jogador. Tem uma caminhada ideológica dentro de uma instituição para você fundar uma torcida organizada. Torcida organizada não é um comércio, mano”, argumenta.

“Tomei muita borrachada da polícia por aí, passei muita fome na estrada, nunca fomos pra qualquer lugar e fomos bem recebidos por qualquer órgão que cuida da organização do jogo no estádio, da segurança pública, nós sempre fomos maltratados por muitos deles, então a torcida organizada não é simplesmente chegar e falar: ‘Ó, vou criar uma torcida hoje. Vou criar uma camisa e vou pro estádio’”.

Torcedores foram ao CT exigir pedido de desculpa de Emerson Sheik por selinho em amigo

Torcedores foram ao CT exigir pedido de desculpa de Emerson Sheik por selinho em amigo

Para Capão, é “inaceitável” a escolha do nome da torcida gay e a corruptela do símbolo do Corinthians – no brasão da Gaivotas, além da nova ave, o símbolo do Corinthians tem como fundo um espelho de maquiagem com direito a pincel e lápis, e a bandeira do Estado de São Paulo foi pintada com as cores do arco-íris, ícone do movimento gay.

Símbolos da Gaviões da Fiel e da Gaivotas Fiéis. Para a Gaviões, houve plágio do jornalista Felipeh Campos (Foto: Reprodução)

“Eu acho que o rapaz lá acaba beirando até o ridículo… Ele está transmutando as nossas coisas. Tanto pelo nome que ele coloca se referindo a uma torcida que tem uma puta tradição [Gaviões da Fiel, a maior organizada do Corinthians, fundada em 1969] quanto do nosso símbolo do Corinthians, ele colocar um espelho e uns negócios de maquiagem no símbolo… Numa entrevista que eu vi, perguntaram: ‘Mas por que isso daí?’ E ele: ‘Ah, porque na verdade o corintiano vai gostar de se pintar na arquibancada’. Meu, torcida do Coringão é 90 minutos, mano. A gente gosta é de cantar, de sofrer, de chorar pelo Coringão. Não é de se pintar. Com todo o respeito, nem as nossas mulheres fazem isso”, afirma Capão, que é contra a existência de uma torcida gay. “Já digo de pronto que eu não sou favorável a ter uma torcida gay, porque eu acho que os gays não precisam disso daí pra poder se achar numa sociedade que já está abrangendo todo mundo”.

Perguntado se existem gays na Camisa 12, Capão não hesita: “Nós não temos gays na torcida, mano. Pelo menos nunca soubemos, entendeu. Meu, se o cara tá lá, tá assistindo o jogo. Tudo bem, nós vamos respeitar, mas qualquer faixa assim, nós somo contra mano. Nós não queremos, de verdade mano, aqui dentro da 12. Pra nós é sério o estádio, não é só pra brincar”. Capão, explicando que, se “no meio de um gol os dois de repente se beijarem no meio da nossa torcida”, seria “ruim”: “O estádio pra nós é um templo”.

O lastro, para Capão – que não se considera homofóbico –, é sempre a tradição. “O cara ir pro jogo, se for um homem, de shortinho amarradinho, camisa amarradinha e todo pintado… Pra nós não rola meu, de verdade. Porque o nosso tradicionalismo, infelizmente, meio ogro, tá ligado, até beirando homem da caverna não permite isso daí, certo?”. Se a Camisa 12 fosse homofóbica, exemplifica Capão, “a gente juntava os associados da 12 e ia lá na passeata gay quebrar todo mundo. No entanto que ninguém tá muito se manifestando [sobre a Gaivotas Fiéis], certo? Por quê? Porque tudo que a gente fala, a mídia distorce”.

Sobre o episódio do selinho do Sheik, Capão diz que o problema foi o atacante ter declarado que o beijo era para comemorar a vitória do Corinthians. “Quando ele falou que ele estava fazendo aquilo pra comemorar o jogo ele já transferiu a responsa pro Corinthians”, afirma, explicando que, depois do episódio, onde quer que o Timão jogue é recebido com gritos de “beija beija beija” pelos torcedores rivais. “Estávamos ali [no protesto] representando muitos torcedores. Muitos pediram para que a gente tomasse a frente, tanto que eu recebi inúmeras congratulações depois”, diz.

Gaviões X Gaivotas

A Gaviões da Fiel, maior organizada do Corinthians, fez uma denúncia de crime contra a propriedade industrial no 1º DP de Guarulhos, contestando a sátira à marca da torcida, que é registrada. A torcida reclama que a proximidade dos nomes e símbolos das duas pode induzir ao erro. “Eu não sei onde eles enxergaram plágio”, contesta Felipeh Campos, da Gaivotas. “A minha torcida chama Gaivotas Fiéis, não é gavioa. Já começa que Gaivota é feminino, não é masculino. Se eu tivesse colocado cílios e salto alto no gavião, aí eu até acredito que poderia ter sido uma questão de plágio. Porém eu não estou utilizando as peças do emblema para plagiar alguma coisa. Entendo isso como uma retaliação homofóbica”, diz.

Feliphe Campos apresenta novo logo da torcida Gaivotas Fiéis

Feliphe Campos apresenta novo logo da torcida Gaivotas Fiéis

Felipeh conta que vem sendo ameaçado nas redes sociais, e que foi agredido verbalmente na semana passada, na Avenida Paulista. “As ameaças são coisas do tipo ‘Cuidado, eu vou te matar’, ‘Você já tá jurado de morte’, ‘Abre teu olho’. Então você vê que são atitudes extremamente homofóbicas e preconceituosas, elas não têm outros motivos”, diz. Sobre a agressão ao vivo, ele conta que ocorreu na saída de seu trabalho, na sede da TV Gazeta, na avenida Paulista. “Eu estava com um amigo meu na Paulista e um cara passou, me esbarrou e começou a me xingar. E eu falei: ‘É comigo que você tá falando?’ E ele: ‘ Você acha que é com quem? Tá pensando que você e a sua turminha vai entrar em estádio? Não vai não, mano’. E eu falei: ‘Bom, vamos conversar, abaixa o tom de voz’. E aí ele continuou a gritar e eu falei: ‘Ótimo, a polícia está vindo ali, eu vou te incriminar agora em crime de homofobia e você vai sair daqui para a cadeia’. Aí na hora que ele viu que a polícia vinha vindo a pé, ele meio que saiu de canto e deu um pinote”, relata.

Felipeh Campos conta que desde pequeno frequenta estádios. “O futebol nas décadas de 70 e 80 era uma grande festa. Mas foi crescendo de uma forma tão grande que deixou de olhar para a questão democrática. Não está escrito na porta do estádio que só é permitida a entrada de homens, né? Eu acredito que não só os gays têm que frequentar os estádios, como a mulher, as crianças, entendeu? O futebol é pra todos”, diz. “Mas é claro que o conceito da torcida é gay e o meu objetivo maior é inserir o público gay no estádio de futebol. Eles [as organizadas] monopolizaram os estádios”, diz.

De fato, a divisão do estádio do Pacaembu é um dos argumentos de Capão para rejeitar a convivência com as Gaivotas. Por determinação da Federação Paulista de Futebol, as organizadas do Corinthians têm que ocupar as arquibancadas Verde e Amarela, atrás de um dos gols, nos jogos em que o clube é mandante. Se ficasse fora desse setor, a Gaivotas estaria violando a regra. “Mas dentro desse setor, nós já temos seis torcidas: temos a Gaviões da Fiel, temos a Camisa 12, a Pavilhão 9, a Estopim da Fiel, a Coringão Chopp e a Fiel Macabra. São seis torcidas que estão ali e todas elas obtiveram a caminhada. Ninguém chegou do nada não”, argumenta Capão.

Felipeh garante que o objetivo não é “fazer represália com qualquer tipo de segmento sexual”. Porém, sobre dividir espaço com as outras organizadas, ele é enfático. “Nem que eu tiver que pedir segurança para o exército. Mas que a minha torcida vai entrar nos estádios, isso vai, com certeza. Nem que a gente tenha que chegar de carro-forte, de tanque”. Ele ressalta que a sua torcida será profissional e que todo o corpo diretivo será remunerado, diferentemente das outras organizadas.

Procurado pela Pública, Jerry Xavier, diretor da Gaviões da Fiel, disse que a torcida não se pronuncia sobre esse tema. O Corinthians também afirmou, via assessoria, que não se manifesta a respeito de torcidas.

Homofobia bate recorde no Brasil

O Brasil, o país do futebol, vem sendo líder no ranking de mortes por homofobia. Segundo dados do relatório “Assassinatos de Homossexuais (LGBT) no Brasil”, de 2012, do Grupo Gay da Bahia, o Brasil concentra 44% do total de assassinatos por motivação homofóbica no mundo. Em 2012, foram registradas 3.084 denúncias de violações ligadas à homofobia e 310 homicídios por esse motivo.

Estádio: a terra do macho

“Por ser o estádio um ambiente que tem uma série de permissões nas relações masculinas – carinhos, afetos, às vezes até mesmo agressões – é necessário que esse ambiente seja considerado seguro para os homens. Para garantir essa suposta ‘segurança’, os torcedores precisam reforçar a sua masculinidade. E uma das coisas que melhor reforça a masculinidade na nossa cultura é a homofobia. Por isso ela aparece de forma tão gritante”, afirma o pedagogo e professor da UFRGS, Gustavo Andrada Bandeira, autor da tese de mestrado “‘Eu canto, bebo e brigo…alegria do meu coração’: currículo de masculinidades nos estádios de futebol”.

Para Bandeira, esse é o motivo da rejeição às torcidas gays: “Se a torcida do Corinthians, do Grêmio ou do Internacional for a primeira a levantar uma bandeira pró ações afirmativas, ela poderá ser chamada de a ‘torcida gay’, e as torcidas acham que isso é um problema”, diz.

Para Marco Antonio Bettine de Almeida, professor livre docente na Pós-graduação em Mudança Social e Participação Política da EACH-USP, a reação é “natural” num espaço que sempre foi dominado pelo masculino. “A partir do momento que as agendas de visibilidades desses grupos excluídos, que tiveram seus direitos cerceados, que são espancados, é natural, vendo a representação que o futebol tem no Brasil, começar toda essa movimentação de garantir uma representação nesse espaço eminentemente masculino, do macho, do falo”. Para ele, no entanto, há espaço para negociação entre os grupos LGBT e as organizadas. “Uma mulher no estádio é aceita, por exemplo, mas tem que representar os papéis dentro do estádio, que é torcer, xingar, participar. As torcidas gays ou não gays têm que incorporar um pouco da história desse espaço do torcer. E conhecer, minimamente, os códigos, senão vai gerar conflito. Porque o espaço é um espaço sagrado e tem uma carga cultural muito forte”.

Bandeira discorda. “Se é uma torcida gay, que ela tenha comportamentos diferentes das torcidas não gays. É sempre complicado quando a gente quer transgredir as regras de gênero sexual num ambiente muito marcado. Mas me parece que seria muito mais interessante se eles fizessem algo diferente”. Foi essa a aposta da Coligay, a primeira torcida homossexual do país, que em plena ditadura militar conquistou seu espaço dentre os torcedores do Grêmio (leia Box).

Uma inspiração para o caso brasileiro pode ser a GFSN (Gay Football Supporters Network, Rede de Torcedores de Futebol Gays, numa tradução livre). Fundada em 1989, a associação do Reino Unido tem diversas iniciativas para a inserção do público LGBT no futebol. “Estamos em contato permanente com muitos clubes para recomendar políticas anti-homofóbicas por parte deles”, afirma Simon Smith, do departamento de comunicação. “Ajudamos, por exemplo, a consolidar os Gay Gooners, a torcida LGBT do Arsenal e conseguimos o apoio formal de representantes do Liverpool e do Everton para a parada do orgulho LGBT da cidade de Liverpool. Dentro de campo, organizamos há dez anos campeonatos de futebol voltados ao público LGBT para a inclusão no esporte”, conta Smith.

A GFSN também registra com precisão britânica a ocorrência de gritos e cânticos homofóbicos nos estádios – e faz campanha permanente contra eles. “Na temporada passada, os torcedores do Brighton & Hove Albion FC sofreram com cantos homofóbicos em 72% dos jogos que disputaram. Nós documentamos isso e enviamos à FA (Football Association, a CBF inglesa), que ainda não tomou nenhuma atitude. Mas nós continuamos pressionando”, diz.

No próximo ano, a Copa do Mundo promete ser palco de discussão sobre homossexualidade – pelo menos em São Paulo, onde mais de 40 mil pessoas são esperadas para acompanhar a transmissão dos jogos nos telões da Fan Fest, no Vale do Anhangabaú, centro da cidade. Ali, a prefeitura planeja realizar uma intervenção para discutir homofobia, com direito a exibição de vídeos em telas e distribuição de folhetos sobre o tema. Outra ação que está sendo estudada é transmitir os jogos em telões no Largo do Arouche, um “point” LGBT da cidade, para esses torcedores.

Fonte: Ig Esporte

Jean Wyllys pede que homofobia no futebol seja tratada igual a racismo Resposta

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A Fifa colocou o combate ao racismo como um de seus objetivos nas últimas temporadas, começando a punir atletas e clubes. O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), militante das causas LGBT e dos direitos humanos, pede que a entidade trate a homofobia no futebol da mesma forma.

“Em casos de racismo nos estádios, a Fifa determina que o árbitro paralise ou até suspenda a partida. Os clubes também ser punidos com a perda de pontos devido a ofensas raciais da torcida. Eu me pergunto: por que a Fifa não pode proceder da mesma maneira em relação a homofobia?”, questionou o deputado nesta sexta-feira, em São Paulo.

Jean Wyllys participou da nona edição do Fórum de Direito Desportivo promovido pelo Instituto Brasileiro de Direito Desportivo ao lado da Associação dos Advogados de São Paulo. Ele preparou um texto para o evento e traçou alguns paralelos entre racismo e homofobia.

“Nos tornamos muito sensíveis ao racismo e isso é bom. Quando as torcidas italianas jogaram bananas para o Balotelli, chamando-o de macaco, muitos de nós ficamos chocados. Mas quase todos acharam absolutamente natural que ele fosse chamado de veado em Salvador na Copa das Confederações”, comparou.

Sem pudores para chamar um jogador de homossexual, os torcedores não costumam entoar coros racistas, ainda que alguns o sejam, afirmou Jean Wyllys, usando a situação como argumento para acreditar que no futuro as piadas e brincadeiras homofóbicas podem ser banidas.

“Muitos torcedores pensam que os jogadores negros são macacos e não merecem ganhar os salários que ganham, mas quem hoje tem coragem de puxar o coro racista no estádio? É que hoje a prática do racismo é socialmente condenada. Então, somos capazes de condenar socialmente também a prática da homofobia”, disse.

Jean Wyllys lembrou sua primeira tentativa de se aproximar do futebol e diz ter sido afastado pela homofobia dos garotos que praticavam o esporte. Ele torce pela Seleção Brasileira nas Copas do Mundo, mas não gosta da modalidade, nem mesmo para admirar o físico dos atletas.

“Não sou aquele tipo de gay que assiste futebol só por causa dos jogadores, até porque vamos combinar que os jogadores brasileiros são muito feios. O único que eu salvaria é o Alexandre Pato. O Adriano está enorme agora, mas antes era bonito também. Fora isso, está ruim. Então, nem para ver os homens vale a pena”, declarou o deputado, sorrindo.

Mato Grosso: Grupo de Combate a Homofobia discute ações Resposta

Acontece nesta quinta-feira (31/10), em Mato Grosso, na sede da Diretoria Geral da Polícia Judiciária Civil, a primeira reunião de trabalho do Grupo Estadual de Combate à Homofobia (Greco). Na reunião, serão apresentados balanço das atividades desenvolvidas e os resultados obtidos. Além da prestação de contas para os membros do colegiado.

O secretário executivo do Grupo Estadual de Combate à Homofobia, Rodrigues de Amorim Souza, explica que os membros são formados pelas instituições policiais de Segurança Pública e por grupos do movimento LGBT. O Greco é uma estrutura de Governo Colegiada, subordinado a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP) e atualmente o único voltado as demandas LGBT no âmbito da Segurança Pública.

Durante o encontro será debatido o plano de ação e a colaboração da polícia para a Parada Gay. Também em pauta está a estruturação e readequação de modernização do Greco, debate sobre o fluxo de estatística para a violência e homicídios contra LGBT, entre outros assuntos que envolvem o público em vulnerabilidade.

A abertura da reunião foi feita pelo delegado geral da Polícia Civil, Anderson Aparecido dos Anjos Garcia, que destacou a importância do Grupo pelo trabalho desenvolvido desde a sua criação. “Quando se trabalha com o preconceito surgem muitas dificuldades. Mas atualmente tivemos bastante avanço na questão da homofobia e estamos conseguindo conquistar e garantir o respeito e a compreensão. Afinal servimos a sociedade e o agente de segurança pública deve ser orientado de como tratar o cidadão”.

O delegado geral também agradeceu a presença dos membros, colocando à Polícia Civil disposição para colaborar e ajudar.

O Estado de Mato Grosso é o primeiro da Federação a inserir a tipificação homofobia no Sistema de Registro de Ocorrência Policial (SROP), desde o ano de 2009. No Sistema há um campo específico para o registro de vítima com “nome social”.

*Informações: O Documento

Muitos casos de homofobia não chegam ao Judiciário, diz defensora pública Resposta

A coordenadora do Núcleo da Defesa da Diversidade Sexual e dos Direitos Homoafetivos (Nudiversis)  da Defensoria Pública Geral do Estado do Rio de Janeiro, Luciana Mota, disse nesta terça-feira (3) que o Judiciário está preparado para atuar nos casos de homofobia. O que ocorre, segundo ela, é que muitos deles não chegam à Justiça.

“Muitas pessoas não têm conhecimento dos seus direitos. Muitas têm vergonha de denunciar, porque se sentem humilhadas com aquela situação”, disse Luciana. Ela alertou também que há casos em que o agredido não tem como provar a violação, porque “quando a pessoa vai ofender alguém, dificilmente o faz na presença de testemunha”. Com isso, a vítima acaba perdendo a ação por falta de provas. “É um problema que a gente tem [na Defensoria Pública]”, disse.

Há ainda casos em que o homossexual agredido se sente inibido para fazer uma denúncia de agressão por medo de represália. “O homossexual é vulnerável por natureza. Ele vive em uma sociedade que o oprime, que é preconceituosa. Ele já se sente, de alguma forma, constrangido, porque sabe que vai sair na rua e vai ouvir piadinha, vai sofrer agressão e vai ser ofendido. Por isso, fica sem coragem de denunciar”, diz Luciana.

Segundo Luciana Mota, é preciso mudar a mentalidade da sociedade. As pessoas têm que ser orientadas sobre as consequências de uma conduta homofóbica. “Se praticar homofobia, vai receber uma punição”. Do mesmo modo, ela diz que o homossexual, sofrendo discriminação, deve ser orientado da importância de levar isso às autoridades competentes.

Luciana participou na noite de terça da primeira edição do ciclo de debates Discutindo a Homofobia, que a Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual (Ceds) da prefeitura do Rio promove no Parque Madureira, zona norte da cidade, com transmissão ao vivo pela internet para todo o país. O evento foi criado em função do crescimento de 46,6% dos crimes de caráter homofóbico no Brasil entre 2011 e 2012, segundo dados de um relatório da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH-PR) divulgado em junho.

O aumento foi definido por Luciana como uma “questão de educação da população em relação aos direitos humanos”. Para ela, as pessoas têm que aprender a respeitar a dignidade do homossexual. “Ele tem que ser respeitado como ser humano. Acho que é uma questão de educação da população”.

A defensora pública defendeu o aumento de políticas públicas do estado para divulgar os direitos da população LGBT e, do lado do Judiciário, que as leis sejam aplicadas com rigor para que o cidadão que pratica crime de homofobia seja punido e sirva de exemplo para os demais, para que não venham a ter a mesma conduta. A defensora pública reiterou que o problema da intolerância está vinculado de forma direta à educação.

Luciana diz que os próprios homossexuais não têm conhecimento, muitas vezes, dos seus direitos, porque não recorrem à polícia para fazer denúncias e queixas de agressões. Muitas pessoas também praticam homofobia sem saber, enquanto outras têm noção do que fazem e não são punidas por esse crime.

A presidenta do Movimento de Gays, Travestis e Transformistas (MGTT), Loren Alexsander, também participará do debate promovido pela Ceds. Loren celebrou a iniciativa, em entrevista à Agência Brasil. “Não é só uma boa iniciativa. É uma necessidade. Essa inclusão da sociedade civil e do poder público, que contribui junto ao governo do estado, que nada faz para nós, é muito importante para a sociedade ver as lutas contra a homofobia que cada vez vem matando mais gays e travestis”.

A presidenta do MGTT considerou que as ações de política pública e da sociedade privada vão beneficiar todos os segmentos da população e não apenas os homossexuais.

OAB vai pedir a cassação de Marco Feliciano e Jair Bolsonaro 3

Presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB, Wadih Damous

Presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB, Wadih Damous

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) concluiu a denúncia contra os deputados Marco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, (PSC-SP) e Jair Bolsonaro (PP-RJ) por campanha de ódio. A entidade quer que a Corregedoria Parlamentar da Câmara dos Deputados puna os dois por quebra de decoro parlamentar em virtude de divulgação de vídeos considerados difamatórios, o que poderia resultar na cassação de seus mandatos.

Liderando um grupo de mais de vinte entidades ligadas aos direitos humanos, a OAB enviará, na próxima semana, representação ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, contra Feliciano e Bolsonaro. A entidade quer que a Corregedoria Parlamentar da Câmara dos Deputados os processe por quebra de decoro parlamentar em virtude de divulgação de vídeos considerados difamatórios.

Em um dos vídeos, Bolsonaro teria editado a fala de um professor do Distrito Federal em audiências na Câmara para acusá-lo de pedofilia e utiliza imagens de deputados a favor das causas LGBT para dizer que eles são contrários à família.

Para o presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH) da OAB, Wadih Damous, essas campanhas de ódio representam o rebaixamento da política brasileira. “Pensar que tais absurdos partem de representantes do Estado, das estruturas do Congresso Nacional, é algo inimaginável e não podemos ficar omissos. Direitos humanos não se loteia e não se barganha”, disse. Indignado com os relatos feitos por parlamentares e defensores dos direitos humanos durante reunião na sede da entidade, Damous garantiu que “a Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB será protagonista no enfrentamento a esse tipo de atentado à dignidade humana”.

Na reunião com a CNDH da entidade dos advogados estiveram presentes, além dos deputados acusados na campanha difamatória, representantes da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, do Conselho Federal de Psicologia, e ativistas dos movimentos indígena, de mulheres, da população negra, do povo de terreiro e LGBT.

*Com informações do site Anonymous Brasil

Comitê de combate à homofobia será instalado no Amazonas 1

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Com a presença de integrantes da comunidade LGBT, o Comitê de Enfrentamento à Homofobia do Estado do Amazonas será lançado, na próxima segunda-feira (29), em Manaus. O lançamento será as 14h30 na sede da Ordem dos Advogados do Brasil, SeccionalAmazonas, na Avenida Umberto Calderaro Filho, Zona Centro-Sul de Manaus.

Segundo o TJAM, o comitê terá integrantes do Fórum amazonense LGBT, Secretaria Estadual de Articulação de Políticas Públicas aos Movimentos Sociais e Populares (Searp) e Gerência de Promoção dos Direitos Relativos à Livre Orientação Sexual  vinculado à Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh).

O objetivo do Comitê é garantir os direitos humanos de forma universal, indivisível e interdependente, assegurando a cidadania plena; a promoção e defesa dos direitos humanos do público LGBT; o enfrentamento à homofobia, o machismo e sexismo; a garantia da igualdade na diversidade; a prevenção e enfrentamento à violência homofóbica contra a população LGBT; além do fortalecimento dos princípios democráticos e dos direitos humanos.

Fonte: G1

Rede de sex shops na Rússia oficializa casamentos gays Resposta

O proprietário de uma rede de sex shops na Rússia achou uma maneira de driblar as leis cada vez mais duras com a comunidade LGBT no país e ainda ganhar algum dinheiro. O Ponto G, que possui lojas em Moscou, São Petersburgo e Arkhangelsk, instituiu o casamento gay nos estabelecimentos da rede.

O dono dos sex shops, Aleksandr Donskoi, criou um registro fictício de uniões de casais homossexuais, já que a união civil oficial não está permitida pela Federação Russa. O registro de casamentos entre pessoas do mesmo sexo custa mil rublos (62 reais) em Moscou e 600 rublos (37 reais) na filial de São Petersburgo.

Os valores incluem apenas as taxas mínimas, mas o sex shop oferece ainda serviços como uma certidão de casamento, fotos e um discurso solene. A festa depois da cerimônia também é organizada pelo sex shop, com direito a banda, strippers, bufê em restaurante e animadores. Vale destacar que o registro para o casamento “tradicional” (homem e mulher) na Rússia custa módicos 200 rublos (12 reais), incluindo o certificado.

De acordo com Donskoi, apesar da cerimônia não ter nenhum efeito legal, quase uma dezena casais procurou o sex-shop no mês de março. “Muitas pessoas querem ter esta cerimônia simbólica”. O primeiro casamento foi realizado no início de fevereiro. “Alguns acham que isso é piada, mas o primeiro casal levou isso a sério. Um jovem pediu a mão do seu parceiro e eles se casaram aqui no sex shop”.

A ideia do certificado emitido pelo sex shop não é, no entanto, de se especializar no público homossexual. “As pessoas podem vir aqui e registrar a amizade, por exemplo”, conta o empresário.

No entanto, nem todos veem com bons olhos a iniciativa do sex shop. Em entrevista ao Opera Mundi, Ivan Savvine, escritor e historiador russo residente nos Estados Unidos, explica que o fato da cerimônia ser realizada em um sex shop levará a mais estigmatização e marginalização da comunidade LGBT na Rússia.

“Para a maioria dos russos, um sex shop ainda é um local frequentado apenas por pessoas com algum desvio sexual”. E completa: “A associação direta da comunidade gay russo com a indústria do sexo pode aumentar os sentimentos homofóbicos e levar o público a equiparar a homossexualidade à promiscuidade”. Savvine recebeu asilo nos Estados Unidos devido à sua orientação sexual.

Para o historiador, o casamento igualitário ainda não é nem mesmo uma pauta na agenda da luta pelos direitos LGBT na Rússia. “Antes de fazer lobby pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo como nos países ocidentais, temos que lutar por direitos e liberdades mais básicos, como a proteção contra a discriminação no local de trabalho e uma legislação contra crime de ódio”, explica Savvine.

Os direitos LGBT na Rússia tomaram as manchetes internacionais no último ano depois de que uma série de regiões do país, incluindo São Petersburgo, a segunda maior cidade russa, aprovassem leis “anti-propaganda gay”, com sanções administrativas à “promoção de sodomia, lesbianismo, bissexualidade e pedofilia a menores”.

Desde a aprovação da lei anti-propaganda gay, apenas uma pessoa foi multada. O conhecido ativista LGBT Nikolai Alekseev teve que pagar 5 mil rublos (313 reais) por carregar um cartaz do movimento gay em um local público de São Petersburgo onde havia menores de idade.

A nova cruzada anti-gay perpetrada pelas autoridades russas também atingiu a pop star Madonna. Um juiz disse que a cantora “violou brutalmente” a lei de São Petersburgo. Na sua turnê pela cidade, em 2012, Madonna criticou a lei e foram distribuídas pulseiras rosas durante o show, em apoio à comunidade gay. Ninguém foi multado.

O autor da lei anti-propaganda gay de São Petersburgo, Vitaly Milonov, não vê nenhuma violação legal ao surgimento do serviço de “casamento” entre pessoas do mesmo sexo na rede de sex-shops. No entanto, Milonov acredita que o empresário apenas queira se aproveitar de gays e lésbicas para ganhar dinheiro.

Fonte: Opera Mundi

Festival Libercine, na Argentina, aposta na diversidade sexual 1

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O Festival Libercine, que acontece nesta semana, transforma Buenos Aires em uma vitrine internacional de produções que apostam na diversidade sexual, mas também buscam visualizar todo o caminho que falta percorrer para erradicar a violência por razões de gênero e identidade.

Cerca de 150 filmes serão exibidos na 5ª edição do festival, que tem como convidado especial o diretor americano Mark Freeman, que apresentará o premiado documentário “Transgender tuesdays”, ainda inédito na América Latina.

Os argentinos Marcelo Mónaco e Marco Berger apresentarão em estreia mundial “Violetas”, enquanto a compatriota Mónica Lairana assina o curta-metragem inaugural, “María”, um cruel olhar sobre as redes de tráfico de mulheres e sobre o exploração que são submetidas.

“Não foi casual, foi uma decisão política”, disse à Agência Efe o diretor do Libercine, Néstor Granda, sobre a seleção da filme de abertura do festival. “Queríamos nos posicionar pelo caso de Marita Verón”, explicou o diretor hispânico-argentino, em referência ao emblemático julgamento por tráfico humano que em dezembro gerou uma forte comoção na Argentina pela absolvição de todos os condenados.

O aborto, outro dos temas presentes na agenda argentina no último ano, é o eixo central do documentário “Regarde, Elle a les Yeux grand ouverts”, do francês Yann Le Masson, que foi projetado no domingo.

Le Masson reivindicou neste filme de 1977 o direito das mulheres para decidir sobre seu próprio corpo através de um coletivo francês que pratica abortos e partos fora de casa. A militância pelos direitos humanos e do coletivo LGTB é uma das características do festival há cinco anos, por conta de um caso ocorrido na Universidade Nacional de Córdoba (uns 800 quilômetros ao noroeste de Buenos Aires).

Granda recebeu um chamado da Universidade por um caso de discriminação contra uma aluna transexual e usou o cinema para descrever a tensão gerada pelo episódio. A pequena mostra de 1998 se transformou em festival intenerante dois anos depois, com edições em distintas cidades do país.

“Nos parece importante sair de Buenos Aires porque nas províncias acontecem coisas piores, há mais discriminação, sobretudo nas nortistas, que são muito conservadoras e a Igreja Católica tem muita influência”, explicou o diretor.

Nos últimos cinco anos, a Argentina aprovou a lei do casamento igualitário entre pessoas do mesmo sexo e a lei de identidade de gênero, que permite aos argentinos mudar o nome para se adequar a sua real identidade.

“Avançamos muito, mas segue existindo homofobia e transfobia”, disse Granda após destacar que o festival mantém “um propósito educativo” para que sejam reconhecidos os direitos de todas as pessoas.

Os cineastas latino-americanos se destacam na programação do festival e participam, entre outros, o mexicano Jaime Fidalgo com “Animal within”; o chileno Julio Jorquera, com “Meu último round”; o brasileiro Marcelo Caetano, diretor de “Na sua companhia”; o venezuelano J.G. Hernández, “La gran victoria”, e José Ignacio Correa, do Equador, autor do curta “Jackie”.

Além disso, o Libercine conta também com mesas redondas e exposições e ao longo de 2013, será reeditado em outras províncias argentinas.

Fonte: EFE

A homofobia na região de Sorocaba (SP) e seu enfrentamento 1

Marcos Roberto Vieira Garcia*

Em que pesem algumas discordâncias em relação ao seu uso, o conceito de homofobia se popularizou no Brasil para designar o preconceito direcionado a lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT). O enfrentamento deste preconceito, como o de todos os outros, é condição indispensável para a construção de uma sociedade na qual os direitos de todos possam ser reconhecidos.

Pesquisa coordenada por mim e pelas profas.Viviane Mendonça e Kelen Leite, todos docentes do Departamento de Ciências Humanas e Educação da UFSCar de Sorocaba, revelou que a situação da homofobia na região de Sorocaba é tão grave quanto em outros grandes municípios brasileiros. Realizada por meio de questionário padronizado aplicado em 350 pessoas durante a Parada do Orgulho LGBT de Sorocaba, seus resultados preliminares indicam que aproximadamente duas em cada três pessoas que se identificam como LGBT em Sorocaba já foram agredidas verbalmente devido a isso, que uma em cada seis já foi agredida fisicamente pelo mesmo motivo, e que uma em cada vinte sofreu agressão sexual devido a sua sexualidade. Tais resultados não diferem significativamente dos obtidos em pesquisas semelhantes realizadas em paradas de outros grandes municípios brasileiros, como é o caso de São Paulo, Rio de Janeiro e Recife.

Não obstante estes dados evidenciarem claramente a necessidade de enfrentamento da homofobia no contexto local, é comum que muitos segmentos da sociedade civil não reconheçam a necessidade deste enfrentamento. Os argumentos contrários à defesa dos direitos da população LGBT vão desde um posicionamento explícito, existente, por exemplo, em discursos de religiosos fundamentalistas, que consideram a homossexualidade por si só como algo a ser combatido, até posicionamentos mais brandos – e por isso menos fáceis de serem percebidos em relação ao preconceito neles implícitos – como é o caso da argumentação que prega a aceitação da homossexualidade em troca de sua invisibilidade social. Este último tipo de argumentação pode ser percebido por meio de um exemplo, que externa a opinião de parte da opinião pública da região de Sorocaba. A propósito da realização da Parada do Orgulho LGBT de Sorocaba, o editorial de um jornal diário local externou a opinião que “os homossexuais precisam entender que historicamente a sociedade foi feita somente para os heterossexuais e o momento é de aprendizado e aceitação”. Transformemos a mesma frase em relação a outras modalidades de preconceito como o machismo e o racismo e perceberemos como traduz claramente um posicionamento preconceituoso, na medida em que estabelece o lugar de poder como atributo do grupo que tem um status dominante e que caberia ao grupo com status inferior se conformar com esta situação: “as mulheres precisam entender que historicamente a sociedade foi feita somente para os homens e o momento é de aprendizado e aceitação”; ou “os negros precisam entender que historicamente a sociedade foi feita somente para os brancos e o momento é de aprendizado e aceitação.”

O enfrentamento da homofobia não pode prescindir do direito à visibilidade das diferentes formas de expressão da homossexualidade, sob o risco de um reconhecimento dos direitos “pela metade”. A expressão da homoafetividade, portanto, deveria ser tolerada sob os mesmos parâmetros de decoro que a heteroafetividade: andar de mãos dadas, beijo em público e outros tipos de contato corporal não poderiam ser direitos apenas de casais heterossexuais. Da mesma forma, a visibilidade na mídia é fundamental para que o preconceito direcionado às pessoas LGBT diminua, pois facilita a aceitação das diferenças em relação às múltiplas formas de se expressar afeto.

Por este motivo, cabe ao poder público assumir um papel ativo no combate à homofobia presente em diversas instituições, sob a forma de programas de prevenção a sua manifestação. Faz-se mister, por exemplo, a realização de ações neste campo na escola, ambiente onde um terço das pessoas LGBT da região de Sorocaba pesquisadas relataram terem sido discriminadas.

Finalmente, é importante ressaltar a necessidade de que os gestores e legisladores saiam da posição de acovardamento em que muitos atualmente se encontram em relação à defesa do enfrentamento da homofobia, por receio de que tenham suas eleição comprometida pela perda do voto de grupos religiosos fundamentalistas. A pesquisa realizada em Sorocaba mostra que tal receio é infundado, haja vista que os três políticos mais citados como apoiadores da causa LGBT são politicos em exercício de mandato atualmente – os deputados federais Iara Bernardi (PT-SP) e Jean Wyllys (Psol-RJ) e a senadora Marta Suplicy (PT-SP). Tal fato mostra o nítido reconhecimento por parte da maioria da população brasileira – e também local – de que a defesa dos direitos das pessoas LGBT é vista como uma necessidade de todos que se preocupam com uma sociedade verdadeiramente mais democrática e mais justa.

* Marcos Roberto Vieira Garcia é doutor em Psicologia Social (USP) e professor da UFSCar – Sorocaba.

* Artigo publicado no Jornal Cruzeiro do Sul

Bielorrússia: Grupo LGBT não consegue legalizar-se 1

Embora um país recente e independente da Rússia, na Bielorrússia vive-se um clima de homofobia social e institucional similar.

Um grupo de defesa dos direitos das pessoas LGBT viu o seu pedido de legalização recusado pelo Ministério da Justiça. Os grupos de defesa dos direitos humanos e outros não podem operar no país sem estarem legalizados.

+ É melhor ser ditador do que ser gay¨, diz presidente da Bielorrússia

Enquanto que em Portugal qualquer grupo de amigos é livre de se reunir em acções de apoio social sem problemas de maior, na Bielorrússia tal não é permitido e por isso este novo grupo apresentou o seu pedido de legalização junto dos serviços, um pedido que viram recusado alegando que “a organização não tem em consideração o desenvolvimento dos jovens Bielorrussos, em nenhuma alínea dos seus estatutos”.

Os referidos estatutos indicam que as atividades principais do grupo serão dedicadas a defender os direitos de homossexuais, bissexuais e transexuais.

A Bielorrússia descriminalizou a homossexualidade em 1991 a quando da queda da União Soviética, mas isso por si só não serve para evitar que jovens LGBT recebam ameaças e ataques homofóbicos, ou permite que instituições interpretem os propósitos de cada associação.

Perante a resposta do Ministério da Justiça, o grupo decidiu recorrer da decisão para o Supremo.