Jairo Bouer: “Pai pode proteger filhx LGBT de efeitos nocivos da discriminação” Resposta

Crédito: Fotolia

Gays, lésbicas e bissexuais que já sofreram discriminação, mas têm o apoio paterno, têm níveis mais baixos de um marcador inflamatório que está ligado a doenças cardiovasculares. A descoberta, feita por cientistas norte-americanos, revela como a presença do pai pode ter efeito protetor sobre o estresse enfrentado pelas minorias sexuais.

O trabalho, publicado no periódico Psychoneuroendocrinology, foi feito por uma equipe da Faculdade de Saúde Pública Global da Universidade de Nova York.

Os cientistas encontraram uma forte associação entre episódios de discriminação e níveis mais altos de proteína C reativa, um marcador associado a risco mais alto de infartos e derrames. Isso mostra como o preconceito pode levar a população LGBTQIA a ter uma condição pior de saúde.

Mas eles perceberam que os indivíduos que tinham o apoio dos pais apresentavam níveis mais baixos que aqueles que não tinham esse privilégio. Curiosamente, as mães não exerceram esse tipo de papel protetor.

A equipe utilizou dados de um grande estudo com adultos de 24 a 33 anos, que tinham passado por exames médicos e respondido questões sobre relacionamento com os pais e discriminação. Os pesquisadores se concentraram em 3.167 que relataram se dar bem com os pais e 3.575 que se davam melhor com as mães.

Para os autores, os resultados sugerem que as pessoas têm negligenciado o papel dos pais no bem-estar de minorias sexuais. De qualquer forma, eles ressaltam que o apoio social é fundamental para essa população, qualquer que seja a fonte.

Jairo Bouer

Fonte: Blog do Jairo Bouer

Jogo do Bahia ganhou bandeiras arco-íris de escanteio em ato contra homofobia Resposta

O Esporte Clube Bahia foi o protagonista no último fim de semana de uma campanha de promoção dos direitos humanos. O time baiano fez uma manifestação pública no último domingo (15) contra a homofobia durante uma partida contra o Fortaleza.

A ideia da campanha é combater o preconceito e discriminação contra a comunidade LGBTQe diminuir a agressividade, sejam elas físicas ou verbais nas arquibancadas. Diversas bandeiras do arco-íris estiveram presentes nas linhas de escanteio durante a partida, que terminou empatada (1 a 1 ), válida pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro.

O Bahia também usou uma hashtag de promoção à campanha nas redes sociais, além de produzir um vídeo e divulgar um manifesto coletivo. Os torcedores puderam acompanhar online toda a preparação para o evento seguindo a hashtag #LevanteBandeira.

No vídeo, um torcedor homossexual expõe os preconceitos que vivencia devido à sua orientação sexual. Ele relata sua história enquanto costura uma bandeira arco-íris para ser usada em campo.

Em seguida, explana sobre a importância da igualdade e do respeito mútuo. “Sempre que alguém disser onde acaba meu campo, eu levantarei bandeira”, diz o rapaz no vídeo. O vídeo termina com a frase “Não existem linhas que limitem o amor. Diga não a homofobia”.

Homofobia nos estádios

Neste ano, vários clubes brasileiros têm organizado campanhas de repúdio e combate aos gritos homofóbicos disparados nos estádios.

Reações preconceituosas são punidas com desconto de pontos no campeonato. O Vasco, por exemplo, está sendo investigado por conta de músicas que a torcida cantou durante a partida contra o São Paulo em 25 de agosto.

Para acompanhar a mudança, o Bahia fez uma reestruturação do departamento de marketing e realizou diversas ações nos últimos meses em defesa de temas direitos humanos. Ele já se manifestou contra o racismo ao lado do Grêmio.

Altivo, o clube também fez ações contra a violência no futebol, em favor da demarcação das terras indígenas e contra a LGBTfobia. Também tornou mais acessível ao público torcedor denunciar o assédio sofrido nos estádios após saberem de um caso através das redes sociais. E fez uma ação em sua loja oficial oferecendo a realização de exames de DNA em campanha sobre abandono paterno.

Fonte: Meia Hora e Razões para acreditar.

Catro (CE): manifestantes protestam contra homofobia de empresário Resposta

Foto: Wagner Pereira

Uma manifestação aconteceu na noite do último domingo (15), na cidade de Crato, interior do Ceará, contra o proprietário de um restaurante que disse palavras homofóbicas. A mensagem foi dita em áudio transmitido no WhatsApp e tomou conta das redes sociais no último final de semana. Ao todo, 26 organizações, a maioria de apoio às causas LGBT, participaram do ato. Segundo os organizadores, 2 mil pessoas estiveram presentes.

No áudio, o empresário diz o seguinte: “O que o Bolsonaro faz aqui em oito meses, se o Lula ficasse mais trinta não ia fazer. Ele ia virar isso aqui em uma Venezuela, numa Bolívia, como tá acontecendo lá (…) Tem que acabar com ‘viados’, matar esses safados, esses ‘viados’ ‘tudinho’“.

A mensagem causou revolta dos movimentos sociais que retransmitiram o áudio durante a manifestação em um carro de som, em frente ao estabelecimento do empresário. Com cartazes, faixas e gritando palavras de ordem, o ato aconteceu após a missa e durou duas horas. “Muitos heterossexuais participaram dando apoio, solidariedade”, enfatiza André Lacerda, representante da Associação em Defesa e Cidadania dos Homossexuais de Crato (Adacho)

“Os nossos inimigos estão bem unidos contra nós, os LGBTs caririenses. Infelizmente, ainda estamos desorganizados. Precisamos compreender que a homofobia é agradável para os ‘heterossexista’. Eles esquecem as diferenças raciais, étnicas, religiosas e políticas, por quê? Porque eles colocam o identitarismo heterossexual hegemônico acima de tudo. Eles se unem para acabar com os LGBTs  e para fazer das nossas vidas um inferno”, desabafou André.

O representante da Adacho espera que este ato, que foi pacífico, sirva para fortalecer a identidade LGBT no Cariri. “Não há espaço para ser moderado, há espaço apenas para ser radical e lutar para dizer LGBTfobia é crime. Apenas uma identidade radical consegue viver em tempos difíceis. Radicalize-se para viver”, enfatizou.

Crime

No último dia 13 de junho, o Supremo Tribunal Federal determinou que a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero passe a ser considerado um crime. A conduta passou a ser punida pela Lei do Racismo (7716/89), que prevê delitos de discriminação ou preconceito por “raça, cor, etnia, religião e procedência nacional”. Inafiançável e imprescritível, a pena pode ser de um a cinco anos de prisão e, em alguns casos, multa.

O protesto mobilizou toda a comunidade LGBT da cidade (FOTOS: Reprodução/Facebook)

Censura de obras LGBT é tentativa de negar que gays são “pessoas normais”, diz autor francês Resposta

Sessão de autógrafos no 4° Salão de Revista em Quadrinhos & Imagens LGBT Paris 05/06/16. O próximo evento acontece no dia 30 de novembro de 2019.

Acostumado a acompanhar polêmicas envolvendo a liberdade de expressão dos LGBTs, o autor e crítico francês Jean-Paul Jennequin, editor da revista LGBT BD, não chega a se surpreender com a tentativa de censura de um quadrinho que continha um beijo gay, na Bienal do Rio de Janeiro. Ele nota que a cada vez que o público LGBT é apresentado como “normal” pelas artes, governos autoritários de viés conservador tendem a reagir com rigor.

Para políticos como Jair Bolsonaro ou o russo Vladimir Putin, o combate ao que consideram uma “propaganda gay” nada mais é do que a tentativa de evitar que os homossexuais e transgêneros sejam vistos como pessoas ordinárias pelo restante da sociedade. “O poder deles é baseado no medo”, ressalta Jennequin, autor de “A História dos Livros de Quadrinhos”.

Leia a entrevista concedida à repórter Lúcia Müzell, da RFI:

Você soube do incidente da proibição dos livros na Bienal do Rio de Janeiro?

Jean-Paul Jennequin: Sim, eu soube vagamente. Não sei dos detalhes, nem conheço a lei brasileira. Mas, na França, temos uma lei de 1949 que já foi utilizada para censurar quadrinhos, muito tempo atrás. Ela regulamenta a proibição da venda, da exposição ou da publicidade e faz muito tempo que não é evocada para proibir uma história em quadrinhos – a última vez foi há mais de 20 anos, quando foi usada para proibir mangas japoneses eróticos. Essa lei ainda existe, mas ninguém mais faz referência a ela.

Para você, o que exatamente são quadrinhos LGBT? Basta ter um beijo gay para ser considerado LGBT?

A minha visão é bastante vasta. Na minha revista LGBT BD, eu publico quadrinhos que tenham temáticas ou personagens LGBT. Para mim, a Marvel Vingadores: A Cruzadas das Crianças tem personagens LGBT e corresponde perfeitamente à minha definição.

A maior parte desses quadrinhos é para o público adulto ou para o público em geral?

Depende. No caso desse livro que gerou problemas no Brasil, são personagens que integram um grupo de jovens super-heróis que foram criados em 2006. Aliás, percebemos que Bolsonaro e sua turma não estão muito atualizados e me parece que sequer leem quadrinhos Marvel, o que é lamentável porque eles teriam cabeças mais abertas. O fato é que são personagens que existem há 13 anos. Praticamente desde o início da série, eles apareceram como personagens abertamente gays.

Jean-Paul Jennequin do Festival de Quadrinhos de Angoulême, um dos maiores do mundo.

Numa feira literária ou nas livrarias, esse tipo de HQ costuma ser acessível a todos ou fica escondido?

Sim, todos podem pegar. É claro. Assim como em qualquer HQ, há os que são para adolescentes, para adultos ou para todos. Por exemplo, o autor francês Hugues Barthe lançou recentemente “Meus anos hétero”, que conta a história de um gay que hoje tem cerca de 70 anos e durante muito tempo viveu “no armário”, fingindo ser hétero. O livro conta a sua vida. Essa história é para o público em geral e pode ser comprada em qualquer livraria. Em Paris, tem uma livraria LGBT imensa, Les Mots à la Bouche, no bairro Marais, onde qualquer um pode entrar, inclusive crianças.

Muita gente ainda pensa que uma literatura LGBT é obrigatoriamente erótica?

Sim, são pessoas que tem 40 ou 50 anos de atraso em relação à realidade. Nos anos 1970, quando começaram os quadrinhos abordando a homossexualidade, os transgêneros etc, com frequência eles eram eróticos, embora nem sempre.

Para muitas pessoas, o fato de que a palavra “homossexual” conter a palavra “sexual” é um problema, como se se tratasse de falar de sexo. Mas eu, por exemplo, vivi 28 anos com o mesmo homem, que faleceu, e agora sou casado com outro. E veja que curioso: passo a maior parte do tempo fazendo coisas banais, como olhar televisão, lavar a louça e arrumar a casa. Não estamos o tempo transando como animais.

A prefeitura do governo do Rio de Janeiro alegou uma preocupação com uma suposta “propaganda LGBT”, um argumento encontrado também em países ultraconservadores, não é?

Sim, como Vladimir Putin na Rússia. Para os inimigos dos LGBT, tudo o que possa dar uma imagem “normal” e ordinária da homossexualidade e das pessoas LGBT significa propaganda. Inclusive, eles usam esse termo fora de contexto, porque a propaganda em geral é feita pelo Estado.

Na França, a lei sobre a censura de 1949 apareceu justamente para proibir uma revista chamada Arcadie, publicada por um grupo que queria normalizar a homossexualidade. O que as pessoas como Putin e Bolsonaro mais temem é que aquelas pessoas que não conhecem homossexuais e só têm uma imagem caricata deles possam passar a ter uma outra imagem dos LGBT, mais “normal”. No fim, o poder deles é baseado no medo. Se as pessoas que têm medo das pessoas LGBT, que representam tipos de monstros que só pensam em sexo, passarem a vê-las como pessoas banais como quaisquer outras, Putin e Bolsonaro não terão mais tanto poder assim. Portanto, os LGBT precisam virar os inimigos a serem combatidos.

Os quadrinhos LGBT contribuem para combater a homofobia?

A partir do momento em que representamos as pessoas LGBT em todo o tipo de papéis, que costumam ser representadas por pessoas não-LGBT – como o super-herói -, sim, estamos lutando contra a homofobia. Estamos fazendo as pessoas se questionarem sobre o fato de que o super-herói não necessariamente precisa ser heterossexual.

Como é a aceitação dos quadrinhos LGBT em países mais conservadores, como os muçulmanos? E nos Estados Unidos de Donald Trump?

É preciso notar que, de uma maneira geral, nem todos os países apreciam quadrinhos. Na Alemanha, por exemplo, tem muitos quadrinhos nas livrarias, mas são todos traduções de franceses, belgas ou americanos; não há uma tradição de autores alemães.

Nos Estados Unidos, os primeiros livros LGBT apareceram nos anos 1970 e, nos anos 1980, surgiu a revista Gay Comics, que durou 18 anos. E pouco a pouco, os personagens LGBT que ficavam restritos aos quadrinhos específicos e para adultos, se difundiram nos quadrinhos em geral. O X-Men, por exemplo, que é superconhecido e vendido, mostrou em 2012 o casamento gay de um dos super-heróis. Desde 2007, DC Comics publica as aventuras de Batwoman, que é lésbica.

Polônia: partido conservador e Igreja Católica incentivam a homofobia Resposta

Marcha pela Igualdade em apoio à comunidade LGBT em Szczecin, Polônia, 14 de setembro de 2019.
 Cezary Aszkielowicz/Agencja Gazeta via REUTERS

Em menos de um mês a Polônia vai às urnas para participar de eleições gerais que decidirão os rumos do país. Governado desde 2015 pelos ultraconservadores do Partido Lei e Justiça (PiS), o país aparentemente não está disposto a mudar de liderança. O PiS apresenta ampla vantagem nas pesquisas de intenção de voto, embalado pelo medo ao novo inimigo público número 1 dos conservadores: a chamada “peste LGBT”.

Ataques contra LGBTs estão ocorrendo há meses na Polônia. Em julho, a primeira passeata do orgulho LGBT na cidade de Białystok, no leste do país, foi atacada brutalmente por centenas de neonazistas. Imagens mostram os extremistas perseguindo e espancando pessoas. Naquele mesmo mês, o semanário polonês Gazeta Polska distribuiu adesivos com a mensagem “Zona Livre de LGBT”. A edição da revista foi um sucesso de vendas. Várias localidades no interior do país se declararam “livres de LGBTs”.

O partido governista é tido como um criador dessa onda, e não somente surfa nela, como também a incentiva. Esse governo, que venceu a eleição de 2015 pregando contra os refugiados, agora vê nos LGBTs um novo alvo para conseguir mais votos. A estratégia está funcionando: o Pis deve manter uma maioria parlamentar.

Enquanto o premiê polônes, Mateusz Morawiecki, declara timidamente rejeitar a violência e a intolerância, o chefe do partido, considerado o verdadeiro homem forte do governo, Jaroslaw Kaczynski, diz que a chamada “ideologia LGBT” – veja que coisa, lá eles também usam o termo “ideologia” – é uma ameaça para a família e a tradição polonesas. A religião também influencia esse comportamento. A Igreja Católica é especialmente poderosa na Polônia e uma importante aliada do governo. Ela apoia a luta contra essa suposta ideologia LGBT e joga ainda mais lenha na fogueira. 

Nova ameaça para o país

Num sermão no mês passado, o arcebispo da Cracóvia, Marek Jedraszewski, afirmou que existe uma nova ameaça no país, que não é mais a vermelha, dos marxistas, mas uma praga neomarxista na cor do arco-íris, se referindo à bandeira do movimento LGBT. As entidades gays realizam regularmente passeatas contra intolerância, mas essas manifestações costumam se restringir a grandes centros urbanos, como Varsóvia, onde geralmente o Pis não faz parte do governo. 

E a oposição?

A força do PiS está nas áreas rurais, no interior da Polônia, principalmente no leste do país. Nesses lugares, a resistência é grande, como mostra o que ocorreu em Białystok. Na cidade de Szczecin, perto da fronteira com a Alemanha, a passeata do orgulho gay reuniu milhares de pessoas neste sábado. Foi um recorde de público e muitos viajaram da Alemanha para participar da manifestação. No ano passado, o mesmo evento só conseguiu reunir pouco mais de 100 pessoas e a passeata foi perturbada pela presença maciça de extremistas de direita.

Os liberais e a esquerda criticam a postura do governo, mas também não querem perder a parcela conservadora de seu eleitorado. Quase 90% da população polonesa católica e bastante apegada a valores como tradição e família.

Com informações de Márcio Damasceno, correspondente da RFI em Berlim.

Nany People diz que já sofreu preconceito dos gays Resposta

Nany People é a química transexual Marcos Paulo de “O Sétimo Guardião” (Foto: Marcos Guimarães)

Nany People começou a despertar os olhares curiosos do público quando ainda trabalhava como drag queen nas casas noturnas de São Paulo e pelo país. Só na capital paulista, ela foi hostess por mais de 20 anos em uma tradicional boate LGBT e ganhou renome nacional depois que foi convidada para se sentar no sofá de Hebe Camargo por causa de uma entrevista dada à Marie Claire de 1998.

Só que sua vida não foi apenas este mar de rosas. Natural de Machado, no interior de Minas Gerais, ela se mudou para a cidade vizinha Serrania, depois Poços de Caldas, onde sofreu com o preconceito desde a época da escola quando sua mãe, dona Yvone, foi chamada para uma reunião a fim de resolver o “problema” do filho que era “muito diferente”.

Minha diretora, dona Elvira, afirmou que eu tinha um problema. Muito sábia, minha mãe retrucou que não era um problema e sim a minha condição. Sempre tive uma aceitação materna e ser trans foi uma solução de vida. Eu quis fazer a cirurgia [de redesignação sexual] aos 26 anos, mas não o fiz a pedido de minha mãe e me assumi mulher aos 37 anos. Ela já me dizia ‘se você acha que vagina é a garantia que vai segurar o homem da sua vida ou seu sonho ideal, saiba que isso não segura ninguém e não garante que alguém seja feliz’. Ela era uma mulher muito a frente de seu tempo”, lembra com carinho de dona Yvone que morreu em 2004.

A atriz também conta que já sofreu com a não aceitação do público gay e foi impedida, por duas vezes, de estrelar seu programa de televisão por preconceito. Segundo ela, a notícia de que não estava mais no casting chegou às vésperas do trabalho começar.

“Sou uma pessoa com um temperamento forte que bate de frente e não leva desaforo para casa. Este é um preconceito velado que não tem como você se defender porque não sabe de onde vem. Na vida pessoal tive preconceito dos próprios gays quando me tornei uma pessoa transexual. Era uma drag queen muito conhecida e foi um Deus nos acuda porque diziam que eu não era mais drag. Acredite se quiser, mas sobrevivi fazendo telegrama animado para heterossexuais”, lamenta.

“Sobreviver a gente vai”

De acordo os dados do Mapa dos Assassinatos de Travestis e Transexuais, da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), em 2017 foram assassinados 179 transexuais e travestis, a maior taxa já registrada nos últimos 10 anos, o que deixa o Brasil em primeiro lugar no ranking deste tipo de crime de ódio.

Nany se mostra preocupada com este número alarmante de pessoas que são mortas quase que diariamente apenas por serem quem são. Ela opina que este seja uma época terrorista e salienta que a homofobia tira mais vida no Brasil do que em guerras pelo mundo.

“A gente vive de teimosa. Só consigo lamentar porque é triste e tenebroso. É uma intolerância e desrespeito que existe pela vida de gays e transexuais no país. Não temos leis que punam e que fazem os autores pagarem por seus atos.”

Uma mulher superfamília, a atriz conta que nunca perdeu o vínculo com seus irmãos e mãe, mesmo quando partiu para a capital paulista na década de 1980.

“Tenho 53 anos, vivo sozinha em São Paulo desde os 20, nunca abandonei a minha família. Ajudei a criar e formar quatro sobrinhos como se fossem meus filhos. Família é a base tudo e sou muito ligada à minha. Já vi mais gays cuidarem de seus clãs do que os héteros”, brada.

Para finalizar, ela ressalta que é de uma geração em que amigos foram criados pelos avós porque os pais sumiram durante o período da ditadura que foi de 1964 a 1985.

“Sobreviver a gente vai, mas o que me dói é a ignorância cega das pessoas em achar que estão defendendo um bem comum. Isso é coisa de quem está pensando apenas no bem dela. A gente não pode servir de comida de piranha. Não vou bater boca com quem não tem lucidez. Não se pode dar luz para quem está na sombra.”

Fonte: Marie Claire

Deputados pedem impeachment de ministros que votaram a favor da criminalização da homofobia 1

Deputados com pedido de impeachment de ministros. (Foto: Reprodução / Twitter)

Parece piada de mau gosto, mas não é. Deputados entregaram nesta ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), pedido de impeachment dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que votaram a favor da criminalização da homofobia.

O pedido pede a destituição de Celso de Mello, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e Alexandre de Moraes.

Encabeçado por Bia Kicis (PSL-DF), o texto afirma que os ministros atuaram “em desacordo com a separação dos Poderes, na medida em que legislam no lugar dos parlamentares eleitos diretamente pelo povo para o exercício dessa função”.

O pedido diz que a decisão não tem a ver com o mérito da questão julgada. “Relevante ressaltar que, com a presente denúncia, não se pretende discutir o mérito da aludida decisão judicial, mas a conduta dos julgadores”, afirma.

O documento é assinado por parlamentares de bancadas conservadoras, como Marco Feliciano (Pode-SP), Alexandre Frota (PSL-SP) e Marcio Labre (PSL-RJ).

Estão em julgamento dois processos que pedem que o STF reconheça a omissão do Congresso ao deixar de criminalizar a homofobia. Os autores são a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transexuais (ABGLT) e o PPS, que acionaram o tribunal em 2012 e 2013.

Para que o tribunal atinja maioria são necessários seis votos. Até o momento, quatro ministros votaram por enquadrar a homofobia e a transfobia na lei que define os crimes de racismo até que o Congresso aprove uma legislação específica para punir quem discriminar, ofender ou agredir homossexuais e transexuais por causa de sua orientação sexual ou identidade de gênero.

*Com informações do site CNI

Haddad pede ao TSE direito de resposta sobre “kit gay” que nunca existiu Resposta

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O candidato à Presidência da República pelo PT, Fernando Haddad, entrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com pedido de direito de resposta contra o presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro, afirmando que a divulgação do suposto ‘kit gay’ é conteúdo falso propagado de maneira criminosa pelo adversário; a defesa da campanha de Fernando Haddad ainda requer que o TSE determine a retirada de postagens que teriam mensagens inverídicas no Facebook, Twitter e YouTube.

O candidato à Presidência da República pelo PT, Fernando Haddad, entrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com pedido de direito de resposta contra o presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro, afirmando que a divulgação do suposto ‘kit gay’ é conteúdo falso propagado de maneira criminosa pelo adversário. A defesa da campanha de Fernando Haddad ainda requer que o TSE determine a retirada de postagens que teriam mensagens inverídicas no Facebook, Twitter e YouTube.

A reportagem do jornal O Estado de S. Paulo destaca que “os advogados do PT afirmam que, em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, no dia 28 de agosto, Bolsonaro mentiu e difundiu a falsa ideia de que o livro ‘Aparelho Sexual e Cia’ seria distribuído em escolas públicas. ‘E que, segundo vídeo que circula em redes sociais, seria inadequado para crianças e jovens brasileiros’, afirmam”.

Segundo a defesa de Haddad, o livro ‘não fez parte de qualquer kit escolar’, nem do material que o candidato do PSL chama de ‘kit gay’, ‘que, por sua vez, era parte de um programa do governo chamado Escola Sem Homofobia, e que nunca chegou a ser posto em prática”.”

O jornal ainda afirma que “na ação, que está sob relatoria do ministro Carlos Horbach, a defesa do petista ressalta que a informação foi desmentida pela editora do material e pelo Ministério da Educação.”

O trecho do requerimento explica: “o candidato vem proferindo essa grave mentira há mais de anos. A informação de que o livro seria distribuído em escolas públicas começou a ser difundida por Bolsonaro no dia 10 de janeiro de 2016 através de um vídeo que publicou no Facebook”.

O candidato à Presidência da República pelo PT, Fernando Haddad, entrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com pedido de direito de resposta contra o presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro, em torno da divulgação do suposto ‘kit gay’, que, segundo a campanha do petista, é conteúdo falso propagado pelo oponente na disputa presidencial. A defesa ainda pede que o TSE determine a retirada de postagens que teriam mensagens inverídicas no Facebook, Twitter e YouTube.

Os advogados do PT afirmam que, em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, no dia 28 de agosto, Bolsonaro mentiu e difundiu a falsa ideia de que o livro “Aparelho Sexual e Cia” seria distribuído em escolas públicas. “E que, segundo vídeo que circula em redes sociais, seria inadequado para crianças e jovens brasileiros”, afirmam.

Segundo a defesa de Haddad, o livro “não fez parte de qualquer kit escolar”, nem do material que o candidato do PSL chama de ‘kit gay’, “que, por sua vez, era parte de um programa do governo chamado ‘Escola Sem Homofobia’, e que nunca chegou a ser posto em prática”.

Na ação, que está sob relatoria do ministro Carlos Horbach, a defesa do petista ressalta que a informação foi desmentida pela editora do material e pelo Ministério da Educação.

“O candidato vem proferindo essa grave mentira há mais de anos. A informação de que o livro seria distribuído em escolas públicas começou a ser difundida por Bolsonaro no dia 10 de janeiro de 2016 através de um vídeo que publicou no Facebook”, observam.

São apontadas também postagens de Bolsonaro e de seus filhos, Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, que falaram sobre o material nas redes sociais.

“As manifestações das representadas atacam Fernando Haddad com informações inverídicas, difamatórias e injuriantes, sem qualquer legitimidade ou fundamento, constituindo-se em um verdadeiro manifesto político que agride o partido representante, sem qualquer possibilidade de contraditório, contraponto ou debate”, assinala a defesa.

 

Homofóbica? (relembre os casos lendo a postagem), Joelma anuncia apresentação em boate LGBT. A casa está quase lotada 2

Joelma

Joelma, a cantora homofóbica (?), que já tentou mudar a orientação sexual de um fã (veja vídeo abaixo) e se disse contra o casamento gay, se apresentará em uma boate LGBT em Recife.

A rede social não perdoa:

Joelma Homofobia

No Instagram, os perfis dos fãs-clubes de Joelma que anunciam o show bloquearam os comentários. Apesar das manifestações contrárias, os ingressos para a apresentação estão quase esgotados. Pelo palco da boate, já passaram nomes como Gretchen, Pabllo Vittar, Lia Clark, Karol Conka e Valesca Popozuda, entre outras musas do público LGBT.

Joelma Homofóbica

Para quem não se lembra, Joelma havia declarado, em entrevista ao programa “Roberto Justus +” que acredita na recuperação dos homossexuais, comparando esse processo ao dos drogados: “É como um drogado tentando se recuperar”.

O que esses fãs LGBTs têm na cabeça? Será que a fofa vai tentar converter todos eles? Eu, hein…

Na época, Joelma se defendeu:

Então tá…

A Lei do Amor termina com recorde de casai gays, mas sem beijo na boca Resposta

ALeidoAmor

“A Lei do Amor”, novela das 21h, de Maria Adelaide Amaral e Vicent Villari, exibiu seu último capítulo nesta sexta-feira (31) com um recorde: o maior número de casais gays de uma novela do horário nobre. Apesar da representatividade maior, com três romances homossexuais, a abordagem foi sutil e não passou nem perto do beijo protagonizado por Mateus Solano e Thiago Fragoso em Amor à Vida.

“Vejo isso como um retrocesso. Quando você mostra um casal gay, mas não se aproxima da realidade em que ele vive, é uma espécie de omissão à homofobia”, opina Agripino Magalhães, líder estadual da Aliança Nacional LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Intersexuais).

“Dentro do estilo melodramático, considero que ‘A Lei do Amor’ cumpriu a sua função social na teledramaturgia. Também considero que o beijo gay deixou de ser exatamente uma questão”, contrapõe Mauro Alencar, doutor em teledramaturgia brasileira e latino-americana pela Universidade de São Paulo.

Na novela, Zelito (Danilo Ferreira) conquistou o coração de Wesley (Gil Coelho) logo nos primeiros capítulos. O frentista se encantou pelo DJ, que foi assassinado a mando de Tião (José Mayer), e o romance foi abortado tragicamente.

Os autores deixaram para formar os outros dois casais gays só nesta última semana. Aliás, muitos casais gays são formados somente em finais de novela.

No capítulo de segunda (27), Wesley chamou Gledson (Raphael Ghanem) para sair, mas a cena teve só troca de olhares e sorrisos entre os dois, sem carinhos explícitos ou beijo. Por fim, depois de terminar com Misael (Tuca Andrada), Flávia (Maria Flor) aparecereu com uma namorada, Gabi (Fernanda Nobre), mas o romance também não foi explorado.

“Apesar da representatividade maior, o gay ainda é mostrado como aquela pessoa que ‘dá pinta’, que é motivo de chacota, ou muito superficialmente. Normalmente, não são personagens como um bancário, empresário, balconista, por exemplo, uma pessoa que pode constituir uma família e ter direito como qualquer outro”, analisa Magalhães.

Alencar acredita que o núcleo em que os personagens homossexuais são apresentados e a forma como se relacionam está relacionado ao estilo de cada escritor, não à imposição de rótulos. “Qualquer tema abordado na história da ficção mundial é retratado com diferentes intensidades. É isso o que diferencia um autor de outro”, opina.

*Com informações do “Notícias da TV”.

 Opinião

Quem acompanha o blog sabe que eu sempre reclamei da falta de beijo gay em telenovelas. Mas mostrar casais gays, desde que não seja nos últimos capítulos, ou até mesmo uma família homoafetiva é melhor do que nada. No mais, já existem seriados inúmeros retratando de maneira honesta e aberta a homossexualidade.

E para você, beijo gay é importante ou não em uma novela?

Lula manda mensagem a trabalhadores LGBT: “Somos iguais e merecemos respeito” Resposta

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Veja o vídeo clicando aqui

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou um vídeo nesta sexta-feira (31) com uma mensagem aos trabalhadores LGBT pelo apoio ao 4º Encontro de Trabalhadores e Trabalhadoras LGBT, realizado pela CUT de São Paulo entre 30 de março e 1º de abril.

“Eu tenho muito respeito por todos os gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais do nosso querido Brasil. É por isso que uma das primeiras medidas que tomei quando cheguei à presidência da República foi dar à Secretaria dos Direitos Humanos o status de ministério. Assim colocamos os Direitos Humanos no mesmo patamar das outras áreas do Executivo e demos mais espaço aos direitos da população LGBT”, lembrou Lula, citando ainda outras iniciativas de seu governo e da gestão de Dilma Rousseff.

“Mas não podemos parar por aí. Ainda temos muito a conquistar. Estamos só no começo. E eu tenho muito orgulho de lutar ao lado de vocês”, acrescentou Lula no vídeo. “Eu sei que na hora de pagar o Imposto de Renda ou votar ninguém trata o povo LGBT com preconceito, mas duarnte todo o dia tem uma parte da sociedade que trata esse grupo como pária da sociedade”, destacou.

“Vamos à luta porque somos iguais e merecemos tratamento digno nesse país”, finaliza Lula. Assista acima.

Opinião

Houve avanços durante os governos Lula e Dilma, mas quando ele tinha mais de 80% de aprovação e o Congresso “nas mãos”, não moveu uma palha para colaborar para a aprovação da criminalização da homofobia, porque estava aliado aos fundamentalistas evangélicos.

No governo Dilma houve veto do programa Escola Sem Homofobia. Dilma chegou a o kit anti-homofobia de “propaganda de opção sexual”.

Conselho Estadual LGBT critica Crivella Resposta

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Prefeito do Rio, Marcelo Crivella

Deu na coluna da jornalista Berenice Seabra, do jornal “Extra” que o Conselho Estadual LGBT está insatisfeito com o prefeito do Rio, Marcelo Crivella. “Sem recursos não tem como executar políticas públicas. Com uma coordenadoria, não tem status para se articular com outras secretarias”, disse Júlio Moreira, presidente do Conselho.

O coordenador da Diversidade Sexual, Nélio Georgini, da prefeitura do Rio foi elogiado.

Morre Gilbert Baker, criador da bandeira LGBT Resposta

Gilbert Baker

Gilbert Baker enrolado na bandeira do Arco-Íris

Gilbert Baker, artista e ativista de direitos LGBT, morreu aos 65. A causa da morte ainda não foi confirmada oficialmente.

Baker se envolveu intensamente no movimento LGBT dos EUA nos anos 70, junto com ativistas como Harvey Milk. Ele criou a bandeira com o arco-íris que virou o símbolo LGBT para a parada gay de San Francisco em 1978 e depois símbolo LGBT mundial.

Seu amigo e também ativista gay Cleve Jones lamentou a morte em seu perfil no Twitter. “Meu amigo mais querido no mundo se foi. Gilbert Baker deu ao mundo a Bandeira do Arco-Íris; ele me deu quarenta anos de amor e amizade.”

De acordo com a biografia postada em seu site oficial, ele estava morando em Nova York.

Baker nasceu no Kansas em 1951, se baseou em San Francisco no início dos anos 1970, enquanto servia o Exército dos EUA, no começo do movimento pelos direitos LGBT.

Baker começou a fazer cartazes para o direito dos LGBTs muitas vezes a pedido de Milk, que se tornaria o primeiro gay assumido eleito para cargos públicos na Califórnia.

Daniel Newman sai do armário Resposta

Daniel

Daniel Newman é gay

Daniel Newman resolveu sair do armário aos 35 anos por meio de sua conta no Twitter. O ator é responsável por dar vida a Daniel, membro do O Reino, na série da AMC “The Walking Dead”.

“Eu sou #OUTandPROUD #LGBT, amo vocês, tenham orgulho de serem vocês mesmos”, escreveu. Depois do anúncio, o ator recebeu vários comentários em seu apoio. “Nós precisamos de todos do jeito que você é! Eu conversarei com vocês”, completou.

E realmente, mais tarde, Newman voltou a falar sobre assumir-se gay. Ele postou um vídeo no YouTube se explicando melhor. “Eu cresci em uma casa muito conservadora do sul da Geórgia, e realmente não importava o que era a sua sexualidade – não era conversa aberta, era sempre ‘Não fale sobre sua vida privada’, então eu estava tão acostumado a isso”, revelou.

Bem-vindo ao clube, lindo!

Veja o vídeo:

Rio sem homofobia capacita policiais para apoio à comunidade LGBT Resposta

Desde junho de 2013, mais de 3,2 mil policiais do Estado do Rio estão aprendendo a acolher melhor a comunidade LGBT tanto nas delegacias quanto nas ruas. O programa estadual Rio Sem Homofobia vem tentando mudar o perfil de atendimento a este público na Jornada Formativa de Segurança Pública e Cidadania LGBT. No total, até o fim do ano, cerca de 8 mil policiais vão passar pelo curso, que está sendo ministrado em todas as Áreas Integradas de Segurança Pública (AISPs), pelo coordenador do programa, Claudio Nascimento, além da equipe dos quatro Centros de Cidadania LGBT no Rio.

Esta é a segunda edição da jornada, que já foi realizada entre 2009 e 2011, e formou mais de quatro mil policiais. De acordo com Nascimento, a iniciativa pioneira no estado, que visa garantir os direitos dos homossexuais, surgiu da necessidade de melhorar a formação dos servidores públicos.

– Trabalhamos os direitos e a cidadania, as práticas respeitosas e cidadãs de atendimento, além das principais demandas do público – afirmou Nascimento.

São realizados, em média, seis encontros mensais da Jornada, nos batalhões e delegacias de todo o estado. Até dezembro, ainda serão realizados cerca de 70 encontros. Na Academia Estadual de Polícia (Acadepol), serão nove encontros. O aluno da Diogo Sobral Cunha acredita que o curso serve para ampliar e reforçar o conhecimento que os aspirantes a policiais civis já recebem nas aulas de direitos humanos durante seis meses.

– A minha turma tem 48 alunos e isso é unanimidade. Todos acham que essas aulas são muito importantes para garantir os direitos da comunidade LGBT. Nós já aprendemos muito nas aulas de direitos humanos – disse o aluno.

Fonte: O Fluminense

SUS começa a fazer registro de violência contra LGBTs este mês Resposta

SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS), vai começar a registrar casos de violência contra a população LGBT em prontuários de atendimento a partir deste mês. A iniciativa tem como objetivo ampliar a notificação de casos de homofobia e transfobia no país a fim de futuramente subsidiar políticas públicas de prevenção e combate à violência sofrida por gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros. As informações são do Ministério da Saúde.

Essa foi uma iniciativa da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual/CEDS-RIO através do decreto 35816 assinado pelo prefeito Eduardo Paes no dia 28 de junho de 2012. Através de ofício entregue em mãos, foi solicitado ao ministro da saúde Alexandre Padilha que essa norma fosse federal e que no relatório SINAN constasse o item homofobia ( o que também está sendo feito, pois quando a solicitação foi feita, o decreto era na categoria outros).

Para a realização do registro, todas as fichas de atendimento das unidades de saúde vão ganhar um campo especial para a notificação de ocorrências, que deverão ser preenchidas com o nome social (caso houver), a identidade de gênero e a orientação sexual do paciente.

O registro de casos de violência contra LGBTs pelo SUS tem início seis meses após a divulgação de um relatório sobre violência homofóbica feito pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. De acordo com o documento, no período de um ano, as denúncias de agressões e crimes motivados por homofobia aumentaram 166% no país, subindo de 1.159 casos em 2011 para 3.084 em 2012.

Segundo o relatório, jovens entre 15 e 29 anos figuram entre os mais vulneráveis à violência e representam 61% das vítimas em casos registrados de discriminação. A principal queixa, que aparece em 83% das ocorrências, é a de violência psicológica, uma vez que são alvos de humilhações, hostilizações e ameaças, calúnia, injúria e difamação.

Para a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, a alta incidência de casos registrados reflete maior reconhecimento social em relação a tal tipo de discriminação, o que consequentemente induz à denúncia.

A iniciativa faz parte da disseminação de um projeto piloto integrado ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), que registra casos de violência contra crianças, adolescentes, mulheres e idosos desde agosto de 2013, nos estados de Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul.

*Com informações do Mix Brasil

Joey Barton é indicado a ‘Oscar Gay’ na Inglaterra por sua campanha contra a homofobia no futebol Resposta

Joey Barton

Joey Barton

Joey Barton, o meia do Queens Park Rangers, foi indicado para o ‘Oscar Gay’ distribuído anualmente pela revista Out in the City, voltada para o público LGBT. O motivo da indicação é a forte participação de Barton em campanhas para erradicar o preconceito no futebol.

Barton apareceu entre os finalistas na categoria ‘Straight Ally of the Year‘ (Aliado Hétero do Ano). O vencedor será conhecido em uma grande festa de gala no dia 25 de abril, em um hotel em Londres.

“O trabalho de Joey Barton para acabar com a homofobia no futebol é memorável, então não é nenhuma surpresa que ele esteja entre os indicados. Espero que outros jogadores sigam o seu exemplo,” disse a organizadora do evento, Linda Riley.

No ano passado, Joey Barton esteve a frente de uma campanha ao lado da rede de apostas Paddy Power para levantar atenção para a causa.

“Os burocratas são responsáveis por não tomarem uma atitude mais enérgica para acabar com o problema. Vivemos uma democracia bastante liberal e é incrível que nós ainda precisemos ter esse tipo de conversa em pleno 2013. O jogador de futebol moderno tem a mente bem aberta, eu acho. A sexualidade das pessoas é um problema cada vez menor. Espero que um grnade número de jogadores nos apoiem,” declarou Barton ao jornal Metro em setembro.

*Com informações da Goal

Falta de acordo no Senado trava avanço de lei que criminaliza homofobia Resposta

Manifestante levanta cartaz a favor dos direitos dos homossexuais em Comissão de Direitos Humanos do Senado José Cruz/Agência Senado

Manifestante levanta cartaz a favor dos direitos dos homossexuais em Comissão de Direitos Humanos do Senado José Cruz/Agência Senado

O projeto de lei que torna crime a discriminação ou o preconceito pela orientação sexual e identidade de gênero foi retirado da pauta da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado nesta quarta-feira (20). O substitutivo, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS) não agradou as lideranças evangélicas.  “Um dos argumentos que ouvi aqui hoje foi de que uma celebração religiosa pode ser realizada em um ginásio de esporte, que não é um templo. Nesse caso, como é que fica? Eles querem que fique mais clara essa questão – explicou, ao reafirmar sua disposição ao diálogo”, disse.

Paim disse já ter realizado diversas conversas para a elaboração do substitutivo, tanto com entidades religiosas como com grupos do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). Para agradar os evangélicos, ele já alterou, por exemplo, o artigo que torna crime “impedir ou restringir a manifestação de afetividade de qualquer pessoa em local público ou privado aberto ao público”, incluindo ressalva para que seja “resguardado o respeito devido aos espaços religiosos”.

A tentativa de votar o texto na Comissão hoje foi marcada por manifestações de deputados da bancada evangélica e de representantes de igrejas, medida que não foi suficiente para o entendimento.

A senadora Ana Rita (PT-ES), presidente da Comissão, disse que buscará promover o entendimento, para que o projeto seja aprovado ainda este ano. Já senador Magno Malta (PR-ES), membro da bancada evangélica, afirma que o texto atual “não contempla ninguém” com interesse na questão. “Acompanhamos o esforço do senador Paim. Realmente, não é matéria fácil. Nem vou entrar no mérito, mas não podemos deixar um legado infame para as gerações futuras. Queremos um texto que trate de tolerância e não de intolerância”, disse.

Já Gustavo Bernardes, representante do Conselho Nacional LGBT, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, considera que o substitutivo é fruto de entendimento, onde cada setor cedeu um pouco, e deve ser votado, para que o país possa ter uma legislação de proteção às minorias. “Apesar de, em 2012, terem sido registrados 310 assassinatos motivados por homofobia no Brasil, ainda há setores que se negam a reconhecer que exista violência contra a população LGBT”, frisou.

Fonte: Último Segundo, com Agência Senado

Movimento LGBT faz protesto contra a homofobia e Feliciano em Maricá (RJ) Resposta

O feriado de Proclamação da República amanheceu no Centro de Maricá (RJ) com um protesto do Movimento LGBT  contra a homofobia e, aproveitando a vinda do presidente da comissão de Direitos Humanos da Câmara, o Deputado e Pastor Marco Feliciano à cidade, o grupo também proclamou que o mesmo não os representam.

Cartazes foram colocados em forma de protesto contra a homofobia. (Foto: João Henrique | Maricá Info)

Cartazes foram colocados em forma de protesto contra a homofobia.
(Foto: João Henrique | Maricá Info)

Marco Feliciano, que é pastor evangélico e deputado federal, tem causado muita revolta acerca de suas colocações sobre a homossexualidade e já foi acusado de ser homofóbico e racista em suas pregações e postagens em sua conta na rede social Twitter.

Ele estará em Maricá justamente nesta sexta-feira (15) em uma igreja evangélica no bairro Parque Nanci, onde haverá um culto com a presença de pastores da cidade e cantores gospel.

Homofobia e homossexualidade no futebol ainda são tabus nas arquibancadas Resposta

O ano de 2013 foi expressivo para a discussão de dois grandes tabus do futebol brasileiro: a homossexualidade e a homofobia. Em 9 de abril, torcedores do Atlético-MG fundaram a Galo Queer, uma página no Facebook que reúne torcedores alvinegros com uma postura anti-homofobia e anti-sexismo. “Galo” é o apelido do clube de Minas Gerais e “Queer”, em inglês, significa gay. Em 15 dias, a página ganhou cinco mil fãs, e hoje conta com mais de 6.600.

O gesto da torcida atleticana motivou outras a fazerem o mesmo. Ao longo do mês de abril, surgiram páginas semelhantes de torcidas de todo o país: Cruzeiro, São Paulo, Náutico, Grêmio,Vitória, Bahia, Internacional, Palmeiras, Corinthians, Flamengo, entre outros. A lista é extensa e mostra que a discussão da homofobia no futebol, até então, ainda estava dentro do armário.

Integrante da Galo Queer no Mineirão Facebook/Reprodução

Integrante da Galo Queer no Mineirão Facebook/Reprodução

“O estádio é um ambiente super homofóbico. Lá não se vê nenhuma manifestação de diversidade afetiva”, diz o jornalista – e palmeirense – William de Lucca, colaborador da Folha de S. Paulo em João Pessoa, na Paraíba. Ele é homossexual assumido e se esforça para prestigiar os jogos do Palmeiras em cidades próximas, como Recife ou Natal. William já era militante LGBT e, assim que ouviu falar, aderiu à página anti-homofóbica “Palmeiras Livre”.

“Em 2008, eu morei alguns meses em São Paulo e tinha um namorado que era palmeirense também. A gente foi até aconselhado por um amigo dele da torcida organizada a não ter nenhuma demonstração de afeto dentro do estádio, porque a gente poderia ser agredido”, lembra. “A gente sempre fica com medo. Em outros ambientes, sou muito seguro quanto a manifestar meu afeto: ando de mão dada e tal, inclusive na rua, mas acho que o estádio de futebol é mais hostil do que a própria rua, sabe? A homofobia é muito mais explícita”, conta.

“A gente só não tem mais relatos disso porque os homossexuais que torcem nos estádios não arriscam nenhum tipo de demonstração afetiva”, conclui William.

Dentro da Palmeiras Livre, assim como nas outras organizações, ainda se discute quais serão os próximos passos. Os integrantes querem ocupar as arquibancadas, mas temem agressões físicas, já que as verbais ocorrem diariamente. “Dia sim e outro também nós recebemos ameaças”, conta a fotógrafa e analista de mídias sociais Thaís Nozue, também integrante da Palmeiras Livre. “As pessoas vem ameaçando, dizendo que estão mexendo com o time errado, que eles vão descobrir quem é, que não sei o quê”. Por enquanto, a hostilidade está restrita a mensagens no Facebook como: “Vão morrer”, “Experimenta aparecer na torcida e vocês vão apanhar”, “A Mancha [maior organizada do Palmeiras] bate em polícia e não vai bater em um monte de bicha?” – o que não significa que a ameaça venha da Mancha, como explica Thaís.

Segundo ela, a causa da Palmeiras Livre também foi rechaçada pelas organizadas alviverdes. “A gente até tentou uma aproximação com as organizadas, mas elas deram um recado para a gente não se meter com elas. Às vezes aparecem pessoas se dizendo das organizadas nos ameaçando, mas a gente não tem como comprovar se são mesmo”, diz.

A homofobia veste verde?

Procurado pela Pública, Marcos Ferreira, o Marquinhos, presidente da Mancha Alviverde, não quis dar uma entrevista sobre a polêmica da homofobia e sobre um episódio envolvendo o volante e lateral Richarlyson, hoje no Atlético-MG e tido como homossexual, apesar de sempre se declarar heterossexual.

No início de 2012, o Verdão estudava a possibilidade de contratar Richarlyson. A Mancha Verde convocou um protesto no dia 4 de janeiro, na frente do Centro de Treinamento (CT) do Palmeiras, zona oeste de São Paulo. Segundo a torcida o motivo era uma rixa antiga com o jogador, que estava à beira de um acordo com o Alviverde, mas acabou indo jogar no rival São Paulo. Porém, uma grande faixa estendida por duas pessoas durante aquele ato dizia: “A homofobia veste verde”.

Ao telefone, Marquinhos negou repetidas vezes que a Mancha tenha algo a ver com a faixa – ela seria obra de duas pessoas desconhecidas da organizada que foram ao protesto. Mas ele disse que “não via nada de agressivo na faixa”. A Pública também tentou contato com Richarlyson, mas foi informada pelo seu empresário, Julio Fressato, que ele estava se recuperando de uma cirurgia.

O selinho de Sheik e o voo das gaivotas

Sheik deu selinho em amigo e causou a ira de torcedores do Corinthians

Sheik deu selinho em amigo e causou a ira de torcedores do Corinthians

Na esteira das iniciativas anti-homofóbicas, dois episódios jogaram o Corinthians no centro da discussão. O atacante Emerson Sheik, herói corintiano da inédita conquista da Libertadores em 2012, foi vítima de uma onda de ataques homofóbicos depois da vitória do Corinthians sobre o Coritiba por 1 a 0, no Pacaembu, no dia 18 de agosto. Para comemorar, Sheik postou uma foto em seu perfil oficial no Instagram em que aparecia dando um selinho em um amigo de longa data, o empresário Isaac Azar. “Tem que ser muito valente para celebrar a amizade sem medo do que os preconceituosos vão dizer. Tem que ser muito livre para comemorar uma vitória assim, de cara limpa, com um amigo que te apoia sempre”, escreveu.

No dia seguinte, cinco integrantes da Camisa 12, segunda maior torcida organizada do Corinthians, foram ao CT do clube protestar contra a atitude de Sheik, levando três faixas que diziam “Vai beijar a P.Q.P. Aqui é lugar de homem”, “Respeito é pra quem tem” e “Viado não”.

Dois meses depois, o jornalista e apresentador Luiz Felipe de Campos Mundin, que assina como Felipeh Campos, anunciou que faltava pouco para fundar a já polêmica Gaivotas Fiéis, primeira torcida organizada com conceito gay do Corinthians.

A Pública conseguiu entrevistar um personagem importante em ambos os episódios, Marco Antônio de Paula Rodrigues, de 34 anos. Conhecido pelo apelido “Capão”, por ter crescido no Capão Redondo, bairro periférico da zona sul de São Paulo, ele é presidente da Camisa 12, e foi um dos cinco que protestaram contra o selinho de Sheik. Ele revela ter sido o autor da faixa que dizia “Viado não” – a única, dentre as três, que considera agressiva. “Só essa foi um pouco mais forte, foi um excesso. Eu que risquei com o spray essa faixa, eu até pensei [que era agressiva], mas depois que nós já estávamos lá, a gente não podia voltar atrás”, diz. Trajado da cabeça aos pés com roupas da Camisa 12 (boné, camiseta, agasalho, bermuda e até meias da torcida), Capão é assertivo, olha nos olhos e tem a voz rouca. Aceitou falar durante uma hora e meia com a reportagem da Pública na sede da torcida, no bairro paulistano do Pari, região central, para “dar a explanação” sobre os dois episódios.

Sobre a iniciativa de Felipeh Campos, Capão vê a nova torcida gay como puro marketing. “Acredito que ele está pensando mais numa autopromoção do que numa torcida organizada. Porque para nós, uma torcida organizada começa como a gente sempre troca ideia nas torcidas: o cara vai para uma caravana, o cara participa de vários jogos do Corinthians na arquibancada e não na numerada, a pessoa participa de inúmeras manifestações corintianas que teve nesses últimos anos, tanto de protesto contra diretoria, contra jogador. Tem uma caminhada ideológica dentro de uma instituição para você fundar uma torcida organizada. Torcida organizada não é um comércio, mano”, argumenta.

“Tomei muita borrachada da polícia por aí, passei muita fome na estrada, nunca fomos pra qualquer lugar e fomos bem recebidos por qualquer órgão que cuida da organização do jogo no estádio, da segurança pública, nós sempre fomos maltratados por muitos deles, então a torcida organizada não é simplesmente chegar e falar: ‘Ó, vou criar uma torcida hoje. Vou criar uma camisa e vou pro estádio’”.

Torcedores foram ao CT exigir pedido de desculpa de Emerson Sheik por selinho em amigo

Torcedores foram ao CT exigir pedido de desculpa de Emerson Sheik por selinho em amigo

Para Capão, é “inaceitável” a escolha do nome da torcida gay e a corruptela do símbolo do Corinthians – no brasão da Gaivotas, além da nova ave, o símbolo do Corinthians tem como fundo um espelho de maquiagem com direito a pincel e lápis, e a bandeira do Estado de São Paulo foi pintada com as cores do arco-íris, ícone do movimento gay.

Símbolos da Gaviões da Fiel e da Gaivotas Fiéis. Para a Gaviões, houve plágio do jornalista Felipeh Campos (Foto: Reprodução)

“Eu acho que o rapaz lá acaba beirando até o ridículo… Ele está transmutando as nossas coisas. Tanto pelo nome que ele coloca se referindo a uma torcida que tem uma puta tradição [Gaviões da Fiel, a maior organizada do Corinthians, fundada em 1969] quanto do nosso símbolo do Corinthians, ele colocar um espelho e uns negócios de maquiagem no símbolo… Numa entrevista que eu vi, perguntaram: ‘Mas por que isso daí?’ E ele: ‘Ah, porque na verdade o corintiano vai gostar de se pintar na arquibancada’. Meu, torcida do Coringão é 90 minutos, mano. A gente gosta é de cantar, de sofrer, de chorar pelo Coringão. Não é de se pintar. Com todo o respeito, nem as nossas mulheres fazem isso”, afirma Capão, que é contra a existência de uma torcida gay. “Já digo de pronto que eu não sou favorável a ter uma torcida gay, porque eu acho que os gays não precisam disso daí pra poder se achar numa sociedade que já está abrangendo todo mundo”.

Perguntado se existem gays na Camisa 12, Capão não hesita: “Nós não temos gays na torcida, mano. Pelo menos nunca soubemos, entendeu. Meu, se o cara tá lá, tá assistindo o jogo. Tudo bem, nós vamos respeitar, mas qualquer faixa assim, nós somo contra mano. Nós não queremos, de verdade mano, aqui dentro da 12. Pra nós é sério o estádio, não é só pra brincar”. Capão, explicando que, se “no meio de um gol os dois de repente se beijarem no meio da nossa torcida”, seria “ruim”: “O estádio pra nós é um templo”.

O lastro, para Capão – que não se considera homofóbico –, é sempre a tradição. “O cara ir pro jogo, se for um homem, de shortinho amarradinho, camisa amarradinha e todo pintado… Pra nós não rola meu, de verdade. Porque o nosso tradicionalismo, infelizmente, meio ogro, tá ligado, até beirando homem da caverna não permite isso daí, certo?”. Se a Camisa 12 fosse homofóbica, exemplifica Capão, “a gente juntava os associados da 12 e ia lá na passeata gay quebrar todo mundo. No entanto que ninguém tá muito se manifestando [sobre a Gaivotas Fiéis], certo? Por quê? Porque tudo que a gente fala, a mídia distorce”.

Sobre o episódio do selinho do Sheik, Capão diz que o problema foi o atacante ter declarado que o beijo era para comemorar a vitória do Corinthians. “Quando ele falou que ele estava fazendo aquilo pra comemorar o jogo ele já transferiu a responsa pro Corinthians”, afirma, explicando que, depois do episódio, onde quer que o Timão jogue é recebido com gritos de “beija beija beija” pelos torcedores rivais. “Estávamos ali [no protesto] representando muitos torcedores. Muitos pediram para que a gente tomasse a frente, tanto que eu recebi inúmeras congratulações depois”, diz.

Gaviões X Gaivotas

A Gaviões da Fiel, maior organizada do Corinthians, fez uma denúncia de crime contra a propriedade industrial no 1º DP de Guarulhos, contestando a sátira à marca da torcida, que é registrada. A torcida reclama que a proximidade dos nomes e símbolos das duas pode induzir ao erro. “Eu não sei onde eles enxergaram plágio”, contesta Felipeh Campos, da Gaivotas. “A minha torcida chama Gaivotas Fiéis, não é gavioa. Já começa que Gaivota é feminino, não é masculino. Se eu tivesse colocado cílios e salto alto no gavião, aí eu até acredito que poderia ter sido uma questão de plágio. Porém eu não estou utilizando as peças do emblema para plagiar alguma coisa. Entendo isso como uma retaliação homofóbica”, diz.

Feliphe Campos apresenta novo logo da torcida Gaivotas Fiéis

Feliphe Campos apresenta novo logo da torcida Gaivotas Fiéis

Felipeh conta que vem sendo ameaçado nas redes sociais, e que foi agredido verbalmente na semana passada, na Avenida Paulista. “As ameaças são coisas do tipo ‘Cuidado, eu vou te matar’, ‘Você já tá jurado de morte’, ‘Abre teu olho’. Então você vê que são atitudes extremamente homofóbicas e preconceituosas, elas não têm outros motivos”, diz. Sobre a agressão ao vivo, ele conta que ocorreu na saída de seu trabalho, na sede da TV Gazeta, na avenida Paulista. “Eu estava com um amigo meu na Paulista e um cara passou, me esbarrou e começou a me xingar. E eu falei: ‘É comigo que você tá falando?’ E ele: ‘ Você acha que é com quem? Tá pensando que você e a sua turminha vai entrar em estádio? Não vai não, mano’. E eu falei: ‘Bom, vamos conversar, abaixa o tom de voz’. E aí ele continuou a gritar e eu falei: ‘Ótimo, a polícia está vindo ali, eu vou te incriminar agora em crime de homofobia e você vai sair daqui para a cadeia’. Aí na hora que ele viu que a polícia vinha vindo a pé, ele meio que saiu de canto e deu um pinote”, relata.

Felipeh Campos conta que desde pequeno frequenta estádios. “O futebol nas décadas de 70 e 80 era uma grande festa. Mas foi crescendo de uma forma tão grande que deixou de olhar para a questão democrática. Não está escrito na porta do estádio que só é permitida a entrada de homens, né? Eu acredito que não só os gays têm que frequentar os estádios, como a mulher, as crianças, entendeu? O futebol é pra todos”, diz. “Mas é claro que o conceito da torcida é gay e o meu objetivo maior é inserir o público gay no estádio de futebol. Eles [as organizadas] monopolizaram os estádios”, diz.

De fato, a divisão do estádio do Pacaembu é um dos argumentos de Capão para rejeitar a convivência com as Gaivotas. Por determinação da Federação Paulista de Futebol, as organizadas do Corinthians têm que ocupar as arquibancadas Verde e Amarela, atrás de um dos gols, nos jogos em que o clube é mandante. Se ficasse fora desse setor, a Gaivotas estaria violando a regra. “Mas dentro desse setor, nós já temos seis torcidas: temos a Gaviões da Fiel, temos a Camisa 12, a Pavilhão 9, a Estopim da Fiel, a Coringão Chopp e a Fiel Macabra. São seis torcidas que estão ali e todas elas obtiveram a caminhada. Ninguém chegou do nada não”, argumenta Capão.

Felipeh garante que o objetivo não é “fazer represália com qualquer tipo de segmento sexual”. Porém, sobre dividir espaço com as outras organizadas, ele é enfático. “Nem que eu tiver que pedir segurança para o exército. Mas que a minha torcida vai entrar nos estádios, isso vai, com certeza. Nem que a gente tenha que chegar de carro-forte, de tanque”. Ele ressalta que a sua torcida será profissional e que todo o corpo diretivo será remunerado, diferentemente das outras organizadas.

Procurado pela Pública, Jerry Xavier, diretor da Gaviões da Fiel, disse que a torcida não se pronuncia sobre esse tema. O Corinthians também afirmou, via assessoria, que não se manifesta a respeito de torcidas.

Homofobia bate recorde no Brasil

O Brasil, o país do futebol, vem sendo líder no ranking de mortes por homofobia. Segundo dados do relatório “Assassinatos de Homossexuais (LGBT) no Brasil”, de 2012, do Grupo Gay da Bahia, o Brasil concentra 44% do total de assassinatos por motivação homofóbica no mundo. Em 2012, foram registradas 3.084 denúncias de violações ligadas à homofobia e 310 homicídios por esse motivo.

Estádio: a terra do macho

“Por ser o estádio um ambiente que tem uma série de permissões nas relações masculinas – carinhos, afetos, às vezes até mesmo agressões – é necessário que esse ambiente seja considerado seguro para os homens. Para garantir essa suposta ‘segurança’, os torcedores precisam reforçar a sua masculinidade. E uma das coisas que melhor reforça a masculinidade na nossa cultura é a homofobia. Por isso ela aparece de forma tão gritante”, afirma o pedagogo e professor da UFRGS, Gustavo Andrada Bandeira, autor da tese de mestrado “‘Eu canto, bebo e brigo…alegria do meu coração’: currículo de masculinidades nos estádios de futebol”.

Para Bandeira, esse é o motivo da rejeição às torcidas gays: “Se a torcida do Corinthians, do Grêmio ou do Internacional for a primeira a levantar uma bandeira pró ações afirmativas, ela poderá ser chamada de a ‘torcida gay’, e as torcidas acham que isso é um problema”, diz.

Para Marco Antonio Bettine de Almeida, professor livre docente na Pós-graduação em Mudança Social e Participação Política da EACH-USP, a reação é “natural” num espaço que sempre foi dominado pelo masculino. “A partir do momento que as agendas de visibilidades desses grupos excluídos, que tiveram seus direitos cerceados, que são espancados, é natural, vendo a representação que o futebol tem no Brasil, começar toda essa movimentação de garantir uma representação nesse espaço eminentemente masculino, do macho, do falo”. Para ele, no entanto, há espaço para negociação entre os grupos LGBT e as organizadas. “Uma mulher no estádio é aceita, por exemplo, mas tem que representar os papéis dentro do estádio, que é torcer, xingar, participar. As torcidas gays ou não gays têm que incorporar um pouco da história desse espaço do torcer. E conhecer, minimamente, os códigos, senão vai gerar conflito. Porque o espaço é um espaço sagrado e tem uma carga cultural muito forte”.

Bandeira discorda. “Se é uma torcida gay, que ela tenha comportamentos diferentes das torcidas não gays. É sempre complicado quando a gente quer transgredir as regras de gênero sexual num ambiente muito marcado. Mas me parece que seria muito mais interessante se eles fizessem algo diferente”. Foi essa a aposta da Coligay, a primeira torcida homossexual do país, que em plena ditadura militar conquistou seu espaço dentre os torcedores do Grêmio (leia Box).

Uma inspiração para o caso brasileiro pode ser a GFSN (Gay Football Supporters Network, Rede de Torcedores de Futebol Gays, numa tradução livre). Fundada em 1989, a associação do Reino Unido tem diversas iniciativas para a inserção do público LGBT no futebol. “Estamos em contato permanente com muitos clubes para recomendar políticas anti-homofóbicas por parte deles”, afirma Simon Smith, do departamento de comunicação. “Ajudamos, por exemplo, a consolidar os Gay Gooners, a torcida LGBT do Arsenal e conseguimos o apoio formal de representantes do Liverpool e do Everton para a parada do orgulho LGBT da cidade de Liverpool. Dentro de campo, organizamos há dez anos campeonatos de futebol voltados ao público LGBT para a inclusão no esporte”, conta Smith.

A GFSN também registra com precisão britânica a ocorrência de gritos e cânticos homofóbicos nos estádios – e faz campanha permanente contra eles. “Na temporada passada, os torcedores do Brighton & Hove Albion FC sofreram com cantos homofóbicos em 72% dos jogos que disputaram. Nós documentamos isso e enviamos à FA (Football Association, a CBF inglesa), que ainda não tomou nenhuma atitude. Mas nós continuamos pressionando”, diz.

No próximo ano, a Copa do Mundo promete ser palco de discussão sobre homossexualidade – pelo menos em São Paulo, onde mais de 40 mil pessoas são esperadas para acompanhar a transmissão dos jogos nos telões da Fan Fest, no Vale do Anhangabaú, centro da cidade. Ali, a prefeitura planeja realizar uma intervenção para discutir homofobia, com direito a exibição de vídeos em telas e distribuição de folhetos sobre o tema. Outra ação que está sendo estudada é transmitir os jogos em telões no Largo do Arouche, um “point” LGBT da cidade, para esses torcedores.

Fonte: Ig Esporte