SUS começa a fazer registro de violência contra LGBTs este mês Resposta

SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS), vai começar a registrar casos de violência contra a população LGBT em prontuários de atendimento a partir deste mês. A iniciativa tem como objetivo ampliar a notificação de casos de homofobia e transfobia no país a fim de futuramente subsidiar políticas públicas de prevenção e combate à violência sofrida por gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros. As informações são do Ministério da Saúde.

Essa foi uma iniciativa da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual/CEDS-RIO através do decreto 35816 assinado pelo prefeito Eduardo Paes no dia 28 de junho de 2012. Através de ofício entregue em mãos, foi solicitado ao ministro da saúde Alexandre Padilha que essa norma fosse federal e que no relatório SINAN constasse o item homofobia ( o que também está sendo feito, pois quando a solicitação foi feita, o decreto era na categoria outros).

Para a realização do registro, todas as fichas de atendimento das unidades de saúde vão ganhar um campo especial para a notificação de ocorrências, que deverão ser preenchidas com o nome social (caso houver), a identidade de gênero e a orientação sexual do paciente.

O registro de casos de violência contra LGBTs pelo SUS tem início seis meses após a divulgação de um relatório sobre violência homofóbica feito pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. De acordo com o documento, no período de um ano, as denúncias de agressões e crimes motivados por homofobia aumentaram 166% no país, subindo de 1.159 casos em 2011 para 3.084 em 2012.

Segundo o relatório, jovens entre 15 e 29 anos figuram entre os mais vulneráveis à violência e representam 61% das vítimas em casos registrados de discriminação. A principal queixa, que aparece em 83% das ocorrências, é a de violência psicológica, uma vez que são alvos de humilhações, hostilizações e ameaças, calúnia, injúria e difamação.

Para a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, a alta incidência de casos registrados reflete maior reconhecimento social em relação a tal tipo de discriminação, o que consequentemente induz à denúncia.

A iniciativa faz parte da disseminação de um projeto piloto integrado ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), que registra casos de violência contra crianças, adolescentes, mulheres e idosos desde agosto de 2013, nos estados de Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul.

*Com informações do Mix Brasil

Aids: quatro em cada dez jovens dispensam uso de camisinha em relacionamento estável Resposta

Camisinha

Quatro em cada dez jovens brasileiros acham que não precisam usar camisinha em um relacionamento estável. Além disso, três em cada dez ficariam desconfiados da fidelidade do parceiro caso ele propusesse sexo seguro. A informação é da pesquisa Juventude, Comportamento e DST/Aids realizada pela Caixa Seguros com o acompanhamento do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

O estudo ouviu 1.208 jovens com idades entre 18 e 29 anos em 15 estados (Rondônia, Amazonas, Pará, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Goiás) e no Distrito Federal. As mulheres correspondem a 55% da amostra e os homens, a 45%.

O estudo foi repassado à Agência Brasil para divulgação antecipada hoje (1º), Dia Mundial de Luta contra a Aids. A pesquisa será oficialmente lançada na próxima segunda-feira (3).

Ao todo, 91% dos jovens entrevistados já tiveram relação sexual; 40% não consideram o uso de camisinha um método eficaz na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DST) ou gravidez; 36% não usaram preservativo na última vez que tiveram relações sexuais; e apenas 9,4% foram a um centro de saúde nos últimos 12 meses para obter informações ou tratamento para DST.

Os dados mostram que falta aos jovens brasileiros o conhecimento de algumas informações básicas, já que um em cada cinco acredita ser possível contrair o HIV utilizando os mesmos talheres ou copos de outras pessoas e 15% pensam que enfermidades como malária, dengue, hanseníase ou tuberculose são tipos de DST.

Em entrevista à Agência Brasil, o coordenador da pesquisa, Miguel Fontes, destacou que o grau de escolaridade dos jovens também influencia na adoção de atitudes e práticas responsáveis em relação ao sexo seguro. Outra constatação, segundo ele, é que ter pais ou profissionais de saúde como principais fontes de informação sobre sexo é um fator determinante para que os jovens adotem melhores práticas em relação a DST.

“Notamos que os jovens menos vulneráveis são aqueles que conversam com os pais sobre sexualidade e que têm maior escolaridade. Mas pouquíssimos conversam com os pais sobre isso e a maioria não está estudando, repetiu alguns anos na escola. Embora eles não percebam, essa vulnerabilidade em relação à aids existe e é latente”, disse.

As recomendações feitas pelo estudo incluem maiores investimentos em conteúdos de qualidade sobre sexo e aids na internet; programas sociais que tenham a juventude como público-alvo e que envolvam a família dos participantes; estreitar laços com professores que trabalham com jovens, a fim de proporcionar algum tipo de formação ou capacitação para tratar temas relacionados a DST e aids; e massificar a informação de que existe uma relação direta entre o consumo de álcool e o aumento da vulnerabilidade dos jovens em relação ao sexo seguro.

“No lugar de campanhas massivas na TV e no rádio, precisamos de canais diretos na internet. Ela age hoje como um gancho muito forte e é necessário levá-la em consideração como uma ferramenta educativa, além de reforçar o papel dos pais, fonte de educação mais confiável, e dos profissionais de saúde. Muitas vezes, os amigos são a principal fonte de informação do jovem, mas isso não implica em um melhor nível de conhecimento”, ressaltou o coordenador do estudo.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que os brasileiros com idade entre 15 e 29 anos representam 40% da população, totalizando 50 milhões de jovens. Levantamentos do Ministério da Saúde mostram uma tendência de crescimento de novas infecções pelo HIV nessa faixa etária desde 2007, chegando a 44,35 registros para cada grupo de 100 mil pessoas.

Atualmente, entre 490 mil e 530 mil pessoas vivem com HIV no Brasil. Dessas, 135 mil não sabem que têm o vírus. A incidência da aids no país, em 2011, chegou a 20,2 casos para cada 100 mil habitantes. No ano passado, foram registrados 38,8 mil novos casos da doença – a maioria nos grandes centros urbanos.

Reportagem: Paula Laboissière, da Agência Brasil

Protesto para que gays e bissexuais possam doar sangue no Brasil Resposta

Protesto para que gays e bissexuais possam doar sangue no Brasil.

O Grupo Matizes realizou nesta segunda-feira (26) mais uma manifestação pela revogação da portaria do Ministério da Saúde, que proíbe gays e bissexuais doar sangue. A ação é realizada todos os anos em menção ao dia 25 de novembro, quando se comemora o Dia Nacional do Doador de Sangue. Além do protesto contra a portaria, o grupo chama atenção para a importância da doação de sangue.

A portaria de 2010 apresenta um ‘regulamento técnico de procedimentos hemoterápicos’ onde considera inapto por um período de 12 meses o candidato ‘homem que manteve relação sexual com outro homem e ou as parceiras sexuais destes’. Afirmando portanto que homens gays e bissexuais podem doar sangue, desde que tenham abstinência sexual pelo período de um ano.

Segundo o Grupo Matizes, essa é uma decisão discriminatória. “Do ponto de vista epidemiológico não há mais grupo de risco e sim práticas de risco, nós alegamos que um homem independente da orientação sexual pode estar ou realizando práticas de risco, esse é o 3° ato sobre essa questão da doação de sangue, nós estamos usando esse protesto também para chamar atenção para a solidariedade”.

O grupo afirma reconhecer a importância de um controle de qualidade criterioso do sangue coletado nos hemocentros, mas acredita que essa portaria, além de discriminatória, apresenta um caráter científico duvidoso, como comenta a representante do Grupo Piauiense de transexuais e travestis- GPTRANS, Laura dos Reis: “Uma pessoa não assumida, pode vir aqui e mentir, portanto essa portaria nos taxa de promíscuas, e nós fugimos disso, praticamos e incentivamos o sexo seguro com uso de preservativo sempre”, afirma. O ato faz parte da campanha “Nosso sangue pela igualdade”.

Revisão metodológica indica prevalência de HIV no Brasil por volta de 0,4%, menor que os 0,6% previstos anteriormente Resposta

Até o ano passado estimada em 0,6%, a prevalência de pessoas vivendo com HIV e aids no Brasil está mais próxima dos 0,42%, informa o Ministério da Saúde. De acordo com as Nações Unidas, a média nacional deve ser ainda menor, por volta de 0,3%. No entanto, esse ajuste nos cálculos, observado em uma revisão metodológica, não deve ser encarado como “guerra vencida” contra a epidemia, alertaram autoridades sanitárias nesta terça-feira, 20 de novembro, em Brasília.

Segundo os dados apresentados pelo Secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, durante coletiva de imprensa, 530 mil pessoas vivem com HIV hoje no Brasil, o que dá uma média de 0,42% da população. Quando separado por gênero, a estimativa é de 0,52% de homens infectados e 0,31% de mulheres.

Os dados do Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e Aids (Unaids), divulgados pelo coordenador Pedro Chequer, mostra uma taxa de 0,3%. “Isto representa que o Brasil tem hoje uma das menores prevalências de HIV da região do Mercosul, ficando atrás do Uruguai (0,6%) e Chile (0,5%)”, comentou.

Para casos de aids apenas, ou seja, pessoas que já apresentam sintomas da doença, a média nacional, segundo o Ministério da Saúde, é de 20 notificações para cada grupo de 100 mil habitantes.

De 2006 para 2011, o montante de soropositivos que começaram a fazer o tratamento antirretroviral precocemente (com mais de 500 cópias de células de defesa do organismo para cada mililitro cúbico de sangue) passou de 32% para 36,7%. Durante o mesmo período, a porcentagem de pacientes que ficou com a carga do vírus HIV indetectável após seis meses de tratamento subiu de 63,8% para 72,4%.

“Essas conquistas são boas para os pacientes infectados e para toda a sociedade”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Conforme explicou o chefe da Pasta, o tratamento precoce diminui os riscos de doenças oportunistas e mortes em decorrência da aids, assim como as chances de transmissão do vírus para outras pessoas, já que a quantidade de HIV no organismo diminui.

Padilha destacou que a expansão do tratamento precoce da aids no Brasil superou os Estados Unidos. “Mesmo assim, ainda precisamos e queremos mais”, afirmou.

No entanto, o ministro chama a atenção para os novos casos de HIV, em especial, entre os homens jovens que fazem sexo com homens, que segundo ele, representa e metade das novas infecções no País. “Mais uma vez nossas campanhas na TV, no Rádio, na Internet e nos demais veículos de comunicação visam sensibilizar, sobretudo, esta geração que não presenciou o início da epidemia, quando várias pessoas perderam amigos, familiares e ídolos por conta da aids”, lembrou.

O diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Dirceu Greco, apresentou as campanhas focadas no 1° de dezembro, Dia Mundial de Luta contra a Aids. Neste ano, o lema será “Eu vivo com HIV e descobri a tempo de me cuidar”. Pessoas vivendo com o vírus protagonizam os vídeos, spots e cartazes que irão ser divulgados na mídia a partir de hoje.

Em paralelo à campanha midiática, Dirceu anunciou a realização da semana de mobilização para o aconselhamento e testagem voluntária para o HIV, sífilis e hepatites B e C em todo o País. “Nossa estimativa é que ainda existem 135 mil pessoas infectadas pelo HIV que não sabem”, lembrou Dirceu.

A partir de hoje, cerca de 2.200 municípios de todos os estados brasileiros começam a promover gratuitamente o teste rápido para a detecção dessas doenças. A campanha vai até o dia 1° de dezembro.

*Reportagem: Lucas Bonanno, da Agência de Notícias da Aids