OAB vai pedir a cassação de Marco Feliciano e Jair Bolsonaro 3

Presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB, Wadih Damous

Presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB, Wadih Damous

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) concluiu a denúncia contra os deputados Marco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, (PSC-SP) e Jair Bolsonaro (PP-RJ) por campanha de ódio. A entidade quer que a Corregedoria Parlamentar da Câmara dos Deputados puna os dois por quebra de decoro parlamentar em virtude de divulgação de vídeos considerados difamatórios, o que poderia resultar na cassação de seus mandatos.

Liderando um grupo de mais de vinte entidades ligadas aos direitos humanos, a OAB enviará, na próxima semana, representação ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, contra Feliciano e Bolsonaro. A entidade quer que a Corregedoria Parlamentar da Câmara dos Deputados os processe por quebra de decoro parlamentar em virtude de divulgação de vídeos considerados difamatórios.

Em um dos vídeos, Bolsonaro teria editado a fala de um professor do Distrito Federal em audiências na Câmara para acusá-lo de pedofilia e utiliza imagens de deputados a favor das causas LGBT para dizer que eles são contrários à família.

Para o presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH) da OAB, Wadih Damous, essas campanhas de ódio representam o rebaixamento da política brasileira. “Pensar que tais absurdos partem de representantes do Estado, das estruturas do Congresso Nacional, é algo inimaginável e não podemos ficar omissos. Direitos humanos não se loteia e não se barganha”, disse. Indignado com os relatos feitos por parlamentares e defensores dos direitos humanos durante reunião na sede da entidade, Damous garantiu que “a Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB será protagonista no enfrentamento a esse tipo de atentado à dignidade humana”.

Na reunião com a CNDH da entidade dos advogados estiveram presentes, além dos deputados acusados na campanha difamatória, representantes da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, do Conselho Federal de Psicologia, e ativistas dos movimentos indígena, de mulheres, da população negra, do povo de terreiro e LGBT.

*Com informações do site Anonymous Brasil

Entenda como os políticos evangélicos impedem avanços progressistas no Brasil 4

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Na última sexta-feira (12), na sede da Primeira Igreja Batista de Campo Grande (MS), um exército de homens de terno e gravata com Bíblias a tiracolo se reuniu para um evento. Não era propriamente um culto. Entre os 350 pastores havia 25 parlamentares, como a vereadora Rose Modesto (PSDB), liderança da bancada evangélica local e autora da lei que obriga o poder público a apoiar eventos evangélicos. Herculano Borges (PSC), que aprovou projeto para proibir a instalação de máquinas de preservativos nas escolas, e Alceu Bueno (PSL), opositor do reconhecimento de uma associação de travestis como de utilidade pública, também vieram. Mas o nome mais aguardado era o do pastor Wilton Acosta. Ali para abrir o Encontro Estadual de Lideranças Evangélicas, o presidente do Fórum Evangélico Nacional de Ação Social e Política (Fenasp) prestigiava ao mesmo tempo a criação da Frente Parlamentar Evangélica da cidade. Daí os melhores pastores locais estarem dispostos em fila, como soldados da batalha maior: “Alinhar os evangélicos para disseminar valores cristãos por meio de leis políticas públicas”.

O evento é sinal de um fenômeno bem maior. Enquanto os holofotes da sociedade civil e da imprensa focam na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, desde o mês passado presidida por um pastor, Marco Feliciano (PSC-SP), que já fez declarações homofóbicas, racistas e machistas, um processo mais silencioso se alastra pelo País. Nos moldes da Frente Parlamentar Evangélica do Congresso, com seus 73 parlamentares, o número de bancadas evangélicas em assembleias legislativas e câmaras municipais, em capitais e cidades do interior, tem disparado. Já há frentes parlamentares evangélicas (FPEs) organizadas em 15 estados brasileiros, a maioria criada desde 2012. São mais de cem os deputados estaduais evangélicos organizados. Já o número de FPEs nos municípios é difícil de calcular. “A expectativa é passar de 10 mil vereadores evangélicos”, garante Acosta.

Espécie de tutor do movimento, o pastor coordena um levantamento dos parlamentares ligados à causa em todo o Brasil. Prestes a entrar num voo para o Acre, ele afirma: “O objetivo é verticalizar a pauta parlamentar nacional, aprovando leis em todas as assembleias e câmaras. Todas”. Com oratória fluida e vertida em termos jurídicos, Acosta explica como deve instalar um braço da Associação de Parlamentares Evangélicos do Brasil (Apeb) em cada cidade. “Já temos 15 coordenações estaduais. Logo serão 28. Cada coordenador tem a missão de instalar uma unidade em toda cidade de seu estado. Hoje, quando detectamos um projeto contra nossos valores, contatamos o parlamentar para agir. Mas leva tempo. No futuro será automático.”

*Leia matéria completa na Edição 745 de CartaCapital, já nas bancas

Marco Feliciano diz que direitos das mulheres atingem a família 1

Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) no plenário da Câmara Ailton de Freitas / Agência O Globo© 1996 - 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) no plenário da Câmara Ailton de Freitas / Agência O Globo

As críticas do atual presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados, Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), avançam também em outra direção: o direito das mulheres. Em entrevista para o livro “Religiões e política; uma análise da atuação dos parlamentares evangélicos sobre direitos das mulheres e LGBTs no Brasil”, ao qual O Globo teve acesso, o deputado-pastor critica as reivindicações do movimento feminista e afirma ser contra as suas lutas porque elas podem conduzir a uma sociedade predominantemente homossexual.

“Quando você estimula uma mulher a ter os mesmos direitos do homem, ela querendo trabalhar, a sua parcela como mãe começa a ficar anulada, e, para que ela não seja mãe, só há uma maneira que se conhece: ou ela não se casa, ou mantém um casamento, um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo, e que vão gozar dos prazeres de uma união e não vão ter filhos. Eu vejo de uma maneira sutil atingir a família; quando você estimula as pessoas a liberarem os seus instintos e conviverem com pessoas do mesmo sexo, você destrói a família, cria-se uma sociedade onde só tem homossexuais, você vê que essa sociedade tende a desaparecer porque ela não gera filhos”, diz ele na página 155, em declaração dada em junho de 2012.
Para o pesquisador Paulo Victor Lopes Leite, do Instituto de Estudos da Religião (Iser), um dos autores do estudo, a posição de Feliciano não é exceção: reflete o pensamento majoritário defendido pelos integrantes da Frente Parlamentar Evangélica.

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Nem os evangélicos aguentam Marco Feliciano

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Grupo faz protesto contra deputado Marcos Feliciano na sede da ALE/AM

Em vídeo, Feliciano diz que ‘Satanás está infiltrado no governo brasileiro’

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— Constatamos que os parlamentares evangélicos trabalham com a ideia de pânico moral, que se manifesta sempre que qualquer atitude ou comportamento se mostra diferente do conceito de família patriarcal, com pai, mãe e filhos. É a ideia de pânico moral que faz com que rejeitem qualquer transformação natural da sociedade, como o casamento igualitário e a necessidade de se discutir a legalização do aborto — avalia.
As afirmações de Feliciano causaram revolta nos movimentos feministas. Para Hildete Pereira de Melo, professora da UFF e pesquisadora de relações de gênero e mercado de trabalho, as convicções do parlamentar são atrasadas porque não acompanham as necessidades da sociedade.
— Ele é misógino e homofóbico. Desde a invenção da pílula anticoncepcional, os casais heterossexuais podem manter vida sexual ativa sem que a gravidez ocorra. Atribuir aos homossexuais a responsabilidade pela destruição da família é um delírio. A destruição tem como culpado o homem, que sai de casa e abandona os filhos quando o relacionamento termina. É preciso entender que os filhos são responsabilidade do casal, e não apenas da mulher — critica.

Primeira lésbica assumida do UFC quer diminuir a homofobia nos esportes 1

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Quando Dana White anunciou a rival da campeã Ronda Rousey para a estreia das mulheres no UFC, muita gente torceu o nariz: quem é Liz Carmouche? Com um cartel de dez lutas e oito vitórias, não era das mais famosas, mas ela não está se importando com isso. Ela gosta de ser azarona, quer pegar uma carona no sucesso de sua rival para levar suas ideias ao grande público e chocar o mundo com uma vitória contra a favorita.

Mais que isso, Liz quer usar sua luta no UFC 157, neste sábado (23/2), em Anaheim (EUA), como palanque para a maior de suas bandeiras depois do MMA. Lésbica assumida há muitos anos, Carmouche vai aproveitar os holofotes para tentar reduzir a homofobia dentro do MMA.

“Estou recebendo um grande apoio da comunidade gay, elogiando meu trabalho. Eu realmente acho que posso ajudar a diminuir o preconceito contra homossexuais nas lutas e nos esportes em geral. Não esperava ter essa missão, liderando a comunidade homossexual, mas eu aceitei e espero fazer bem esse trabalho”, explicou a lutadora ao blog.

E ela ganhou o apoio para isso dentro do próprio UFC. Acusado algumas vezes de ser homofóbico, o presidente Dana White fez questão de elogiar a postura da lutadora. “Eu a aplaudo por ter se revelado e por ser a primeira [lésbica do UFC]. Bom para ela. Espero que mais o façam. Não me incomoda nem um pouco. Não devia incomodar ninguém.”

O UOL conversou em duas oportunidades com a lutadora no final do ano passado, em Las Vegas, na época no UFC 155. A primeira e mais interessante foi em um jantar com a imprensa da América Latina promovido pelo evento. Maquiada e muito bem vestida em traje social, ela não conseguia esconder o incômodo com a aquilo. Tímida no começo, era o centro das atenções, todo mundo queria falar com ela.

Depois de uns 30 minutos, estava mais solta e não pensava duas vezes antes de revelar detalhes de sua vida pessoal. Militar de carreira, a lutadora nascida no Japão contou que a namorada não gosta de lutas e de MMA, não vê e não deixa ninguém em casa ver. Sua mãe é uma pacifista convicta, “uma hippie de verdade”, e ela divide sua paixão pelas lutas com a pintura abstrata.

Dois dias depois, pouco antes do UFC 155, falei com ela um pouco mais sobre a luta em si – e sobre a questão da homofobia fala acima. Confira os melhores momento.

Como você recebeu a notícia da luta contra a Ronda? Eu estava tomando café da manhã, tomando meu café. Pensei: ‘Ligando a essa hora, ou é uma notícia muito boa, ou é uma notícia muito ruim’. Foi algo realmente inacreditável.

Mas você já esperava por ela? Não esperava ser chamada. Estava amolando o Dana White no Twitter, no Facebook, meus seguidores e fãs também. Foi uma reação muito rápida. Não esperava.

Como encarar o favoritismo da Ronda? Eu estou superpreparada. Desde que desliguei aquela ligação eu comecei a me preparar. Estou pronta para ser campeã. Acho que meu treino e minha experiência vão me levar ao título. Estou pronta para mostrar que eu sou uma lutadora mais completa.

Você disse cola as fotos de suas rivais para mentalizá-las para a luta. Fez o mesmo com a Ronda? Não preciso de uma foto dela para mentalizar. Ela está em todos os lugares. (Risos) Assisti muitas vezes aos vídeos das lutas dela. Não são muitos e estou fazendo um trabalho incrível em cima deles.

E como é encarar as críticas sobre vocês não mereceram fazer uma luta principal? Não é frustrante esse questionamento, eu mesmo fiquei surpresa quando ele me falou que valeria título e que seria uma luta principal, mas desde o começo ele me mostrou o quanto isso era importante e o quanto as pessoas vão se impressionar.

Elas falam se ficariam com um bissexual Resposta

Para as mulheres, a experiência é válida, mas seria difícil lidar com a insegurança caso a relação ficasse sériaFoto: Getty Images

Para as mulheres, a experiência é válida, mas seria difícil lidar com a insegurança caso a relação ficasse séria
Foto: Getty Images

Fernanda Frozza*

Você sabe que ele é gay, tem ex-namorado e faz comentários sobre o ator bonitão que vê na novela. Nem por isso ele deixa de trocar olhares com as amigas e tentar conquistar as mulheres. A regra do relacionamento é clara entre heterossexuais e homossexuais, mas pode gerar dúvidas no universo feminino na hora de investir ou não em uma relação que envolve os dois lados. Por isso, o Terra foi atrás das mulheres para saber se elas ficariam com um bissexual e descobriu que, segundo as entrevistadas, a experiência pode valer a pena.

“No Brasil o fato de homem beijar homem ainda não é visto com bons olhos nem com naturalidade, então é difícil admitir isso para outras pessoas. Com certeza deve ter mulher que tem preconceito, da mesma forma que um ‘homem machão’ teria. Outras talvez não gostem do fato por acharem que a concorrência duplica, já que eles têm muito mais opções”, defende a designer Renata A.. Para ela, não existe diferença entre se envolver com um bissexual ou heterossexual desde que haja atração e vontade mútua.

Renata não é a única a pensar dessa forma. A fotógrafa Mirella F. também encararia a experiência. “Não pensaria duas vezes. A gente tem que se preocupar com quem a pessoa é e não com as suas preferências sexuais”, disse. Ainda assim, ela conta que, apesar de tentar ser liberal nos relacionamentos, tem dificuldade para controlar o ciúme. “Esse seria o maior problema para mim. Se já é difícil controlar o ciúme de outras mulheres, de outros homens seria quase uma tortura”, brinca.

Na mente feminina, a relação é válida, mas pode gerar dificuldade. É o caso da secretária Mônica M., que garante que nunca tinha pensando em se relacionar com qualquer homem que não fosse heterossexual, até conhecer um amigo gay. Claro que, nesse caso, a situação é ainda mais complicada. “O interessante é que ele nunca esteve com uma mulher, então seria como se o estivesse desvirginando. O desafio é convencê-lo a mudar de lado”. Mesmo assim, a experiência seria só por diversão, já que ela teria medo de se envolver e “disputar o mesmo homem com o ficante”.

 Relacionamento sério

E se a relação começasse a ficar séria? Questionadas sobre um possível namoro com um bissexual, as entrevistadas pelo Terra se mostraram mais receosas em viver a experiência. “Tudo bem se fosse só por uma noite, mas relacionamento sério é diferente. Seria difícil não ficar insegura sabendo que não poderia oferecer tudo o que o cara gosta. Competir com outra mulher é natural, mas com um homem é injusto”, opinou a personal trainer Cristiane N.

Além de Cristiane, Mirella e Mônica também acham que o envolvimento seria proveitoso para matar a curiosidade, mas isso não envolve um cineminha a dois, troca de mensagens no celular e nem almoço com a família. “Relacionamento sério para mim tem um número par”, justifica a secretária.

Das entrevistadas pelo Terra, Renata é a única que não vê barreiras em viver esse tipo de relação. “Namoro é namoro né? Não é só porque o cara é bi que ele tá liberado pra ficar com outros caras. Até acho que, por ficarem com pessoas do mesmo sexo ou do sexo oposto, os bissexuais acabam se aceitando melhor e explorando melhor suas relações como um todo”, disse. “Já conheci muitos homens heterossexuais que não podem nem pensar em beijar outro homem ou ter experiências sexuais com uma mulher, mas focando “na parte de trás”. E no fundo no fundo, eles nem sabem o que estão perdendo. Não dá pra falar que não gosta, se nunca experimentou“, justificou a designer.

*Terra

Em discurso de posse, Obama louva avanços em direitos dos gays, mas esquece dos travestis e transexuais Resposta

Em discurso de posse, presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, destacou o progresso recente nos direitos para homossexuais no país.Foto: Andrew Kelly / Reuters

Em discurso de posse, presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, destacou o progresso recente nos direitos para homossexuais no país.
Foto: Andrew Kelly / Reuters

Pela primeira vez na história, um presidente norte-americano usou seu discurso de posse para louvar avanços nos direitos dos homossexuais, num sinal de uma nova postura da sociedade a respeito da questão.

Em seu pronunciamento da segunda-feira, Barack Obama equiparou a luta pelos direitos humanos a dois outros movimentos sociais marcantes na história dos EUA: dos negros e das mulheres.

“A mais evidente das verdades – que todos nós somos criados iguais – é a estrela que ainda nos guia”, disse ele. “Assim como guiou nossos antepassados em Seneca Falls, em Selma e no Stonewall.”

A convenção de 1848 em Seneca Falls, Nova York, foi uma conferência pioneira na discussão dos direitos femininos. Selma, em Alabama, foi o local de uma importante passeata de 1965 contra a discriminação racial nos EUA. Os distúrbios do Stonewall, em 1969, foram protestos contra uma batida policial em um bar gay com esse nome em Nova York, num marco do ativismo homossexual.

A inclusão por Obama dos direitos dos homossexuais – ainda alvo de oposição de muitos conservadores – na sua lista de prioridades poderia ser impensável há apenas quatro anos, quando ele tomou posse no primeiro mandato.

“Isso realmente mostra como a opinião pública evoluiu nos últimos quatro anos na questão dos direitos dos gays”, disse Patrick Egan, professor de Ciência Política da Universidade de Nova York. “Você não vê esse tipo de mudança na opinião pública acontecer com muita frequência.”

Em dezembro, uma pesquisa USA Today/Gallup mostrou que o apoio ao casamento homossexual passou de menos de 40 por cento em 2005 para 53 por cento. Os jovens adultos são os mais abertos a isso.

Nove Estados e o Distrito de Columbia (Distrito Federal) já legalizaram o casamento civil gay. Em novembro passado, Maryland, Maine e Washington se tornaram os primeiros Estados a fazerem isso por referendo.

Mas em várias regiões dos EUA, especialmente no Sul, ainda há forte oposição ao casamento homossexual. Em 2011, com aval de seu eleitorado, a Carolina do Norte incluiu um veto explícito a essa prática na Constituição estadual. Cerca de 30 Estados aprovaram emendas constitucionais restringido o casamento à união entre um homem e uma mulher.

Durante seu primeiro mandato, Obama já havia se tornado o primeiro presidente a declarar apoio ao casamento homossexual, posição que ele enfatizou no discurso de segunda-feira.

“Nossa jornada não está completa até que nossos irmãos e irmãs homossexuais sejam tratados como qualquer outra pessoa perante a lei”, disse ele.

Um poeta assumidamente gay, Richard Blanco, leu um poema na posse. O pastor originalmente escalado para fazer uma bênção se retirou da programação após sofrer críticas em decorrência de comentários homofóbicos.

Ativistas elogiaram Obama por seu apoio tão incisivo à causa. “O presidente Barack Obama fez história hoje ao vincular as vidas de casais amorosos de gays e lésbicas lutando pela igualdade no casamento à orgulhosa tradição deste país de direitos iguais para todos”, disse Chad Griffin, presidente da Campanha de Direitos Humanos, que faz lobby no Congresso pelos direitos dos homossexuais.

Travestis e transexuais

Muito bacana o discurso do Obama, mas faltou ele mencionar os travestis e os transexuais. A inclusão deve ser para todos.

Gay e negro, vice-presidente da Câmara de Florianópolis promete lutar contra a homofobia 3

Tiago Silva: vereador mais votado de Florianópolis e gay assumido promete lutar pelas mulheres e contra a homofobia

Tiago Silva: vereador mais votado de Florianópolis e gay assumido promete lutar pelas mulheres e contra a homofobia

As moradoras e os moradores de Florianópolis têm muito o que comemorar no que tange aos direitos humanos. Apesar de não elegerem nenhuma mulher vereadora, os florianopolitanos elegeram um deputado negro e assumidamente gay, Tiago Silva (PDT). Detalhe: Tiago foi o vereador mais votado da cidade. Tiago recebeu 6860 votos, quase 3% dos votos válidos.

Eleito vice-presidente da Câmara, Tiago Silva reafirmou orientação sexual gay e disse que vai fazer dos assuntos das mulheres sua bandeira. Pretende criar uma comissão permanente em defesa da mulher. “A cidade ainda é muito machista, já que não elegeu uma mulher vereadora. Como único vereador gay assumido na câmara, quero debater também a questão da homofobia”, disse.

A cidade agradece!

Madonna: “Ajudei grupos marginalizados, como as mulheres e os gays, a mostrarem quem são” 1

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Expondo sua intimidade ao receber Luciano Huck (41) no banheiro de seu quarto de hotel em Miami, Madonna (54) fez um convite irrecusável para o apresentador do Caldeirão do Huck e para a presidente Dilma Rousseff (64). “Será inspirador para as mulheres e divertido para os homens”, brincou a cantora ao formalizar o convite. Durante uma conversa informal, enquanto Madonna tomava sopa após uma desgastante noite de show (“Estou exorcizando meus demônios nessa turnê”, contou a artista), Luciano comentou que ela sempre deu voz às mulheres e que, hoje, é uma vitória o Brasil ser comandado por uma. “Eu tenho muito orgulho de ter feito as pessoas se orgulharem de si mesmas”, declarou a diva. “Ajudei grupos marginalizados, como as mulheres e os gays, a mostrarem quem são”, ressaltou.

A paixão pelo Brasil permeou boa parte da entrevista. Madonna, que fará uma série de shows em terras tupiniquins, declarou amor pelas favelas brasileiras. “Adoro as favelas do Rio de Janeiro e de São Paulo”, revelou. “Acontecem loucuras por lá, mas existe uma beleza, um talento, um amor que as tornam únicas no mundo”. Um dos desejos da cantora é realizar um documentário sobre as favelas. “Mas eu preciso de tempo para isso”, explicou.

Férias, aliás, é o que a estrela mais quer no momento. “Estou desesperada por descanso”, disparou. “Depois da turnê, eu vou tirar duas semanas de férias. O destino é segredo de estado”, disse com bom humor. Um lugar que Madonna adoraria passar suas férias no Brasil é Angra dos Reis, no litoral do Rio, embora a presença dos paparazzi a incomode muito. “Em todo lugar novo que eu vou, eles estão por lá. Acho que eu morasse muitos anos no Brasil, eles enjoariam de mim”, riu. Questionada sobre as surpresas que ela levará aos shows no país, ela brincou: “Se eu te contar, não será surpresa. Não sei se terá uma surpresa, seria bom, né? Mas acho que a minha presença já é uma grande surpresa”, afirmou, antes de fazer o anúncio em português: “Brasil, eu estou chegando!”.

Assista à entrevista toda, clicando aqui.

*Fonte: Caras