Brasil: pela primeira vez, travesti negra conquista título de doutora Resposta

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Megg Rayara Gomes Foto: Bruno Covello/Folha de São Paulo

Foram quatro anos de estudo na Universidade Federal do Paraná para Megg Rayara Gomes de Oliveira defender sua tese sobre racismo e homofobia nessa última quinta-feira (30) – e, assim, conquistar, de forma inédita no país, o título de doutora. Sua longa pesquisa foi feita com quatro professores negros gays, de ensino fundamental e médio, e abordou a resistência de homossexuais e negros na educação. Na banca, ela, que não revela a idade exata, usou um vestido vermelho que exibia nomes de travestis mortas. Formada em Desenho pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná, Megg tem duas especializações, em história da arte e história da cultura africana, e é mestra em educação também pela UFPR.

Professora substituta nessa mesma universidade, Megg diz ainda enfrentar preconceito e pretende lutar pela inserção de travestis no ensino superior. “A nossa presença [dos travestis], fora da prostituição, não é naturalizada. Por causa disso, eu encenei, por muito tempo, uma existência masculina que não era minha, para poder sobreviver. Foi um processo de resistência. (…) Fui percebendo que, se não tivesse boa formação acadêmica, não ia ter lugar nenhum no mundo. A minha existência era um fracasso absoluto. À medida que fui progredindo academicamente, fui me construindo como travesti negra, expressando minha identidade. Aí tinha um repertório para me proteger. (…) Hoje, sou professora da UFPR. Mas o espaço que me sobra é no serviço público, porque a iniciativa privada não contrata.(…) A defesa da minha tese é uma conquista coletiva. Do movimento negro e, principalmente, de travestis e transexuais. (…) A gente tem que ter voz, queremos ser tratas como pessoas que pensam e produzem conhecimento”, afirmou, em depoimento à Folha de S. Paulo.

Em discurso de posse, Obama louva avanços em direitos dos gays, mas esquece dos travestis e transexuais Resposta

Em discurso de posse, presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, destacou o progresso recente nos direitos para homossexuais no país.Foto: Andrew Kelly / Reuters

Em discurso de posse, presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, destacou o progresso recente nos direitos para homossexuais no país.
Foto: Andrew Kelly / Reuters

Pela primeira vez na história, um presidente norte-americano usou seu discurso de posse para louvar avanços nos direitos dos homossexuais, num sinal de uma nova postura da sociedade a respeito da questão.

Em seu pronunciamento da segunda-feira, Barack Obama equiparou a luta pelos direitos humanos a dois outros movimentos sociais marcantes na história dos EUA: dos negros e das mulheres.

“A mais evidente das verdades – que todos nós somos criados iguais – é a estrela que ainda nos guia”, disse ele. “Assim como guiou nossos antepassados em Seneca Falls, em Selma e no Stonewall.”

A convenção de 1848 em Seneca Falls, Nova York, foi uma conferência pioneira na discussão dos direitos femininos. Selma, em Alabama, foi o local de uma importante passeata de 1965 contra a discriminação racial nos EUA. Os distúrbios do Stonewall, em 1969, foram protestos contra uma batida policial em um bar gay com esse nome em Nova York, num marco do ativismo homossexual.

A inclusão por Obama dos direitos dos homossexuais – ainda alvo de oposição de muitos conservadores – na sua lista de prioridades poderia ser impensável há apenas quatro anos, quando ele tomou posse no primeiro mandato.

“Isso realmente mostra como a opinião pública evoluiu nos últimos quatro anos na questão dos direitos dos gays”, disse Patrick Egan, professor de Ciência Política da Universidade de Nova York. “Você não vê esse tipo de mudança na opinião pública acontecer com muita frequência.”

Em dezembro, uma pesquisa USA Today/Gallup mostrou que o apoio ao casamento homossexual passou de menos de 40 por cento em 2005 para 53 por cento. Os jovens adultos são os mais abertos a isso.

Nove Estados e o Distrito de Columbia (Distrito Federal) já legalizaram o casamento civil gay. Em novembro passado, Maryland, Maine e Washington se tornaram os primeiros Estados a fazerem isso por referendo.

Mas em várias regiões dos EUA, especialmente no Sul, ainda há forte oposição ao casamento homossexual. Em 2011, com aval de seu eleitorado, a Carolina do Norte incluiu um veto explícito a essa prática na Constituição estadual. Cerca de 30 Estados aprovaram emendas constitucionais restringido o casamento à união entre um homem e uma mulher.

Durante seu primeiro mandato, Obama já havia se tornado o primeiro presidente a declarar apoio ao casamento homossexual, posição que ele enfatizou no discurso de segunda-feira.

“Nossa jornada não está completa até que nossos irmãos e irmãs homossexuais sejam tratados como qualquer outra pessoa perante a lei”, disse ele.

Um poeta assumidamente gay, Richard Blanco, leu um poema na posse. O pastor originalmente escalado para fazer uma bênção se retirou da programação após sofrer críticas em decorrência de comentários homofóbicos.

Ativistas elogiaram Obama por seu apoio tão incisivo à causa. “O presidente Barack Obama fez história hoje ao vincular as vidas de casais amorosos de gays e lésbicas lutando pela igualdade no casamento à orgulhosa tradição deste país de direitos iguais para todos”, disse Chad Griffin, presidente da Campanha de Direitos Humanos, que faz lobby no Congresso pelos direitos dos homossexuais.

Travestis e transexuais

Muito bacana o discurso do Obama, mas faltou ele mencionar os travestis e os transexuais. A inclusão deve ser para todos.