Nany People diz que já sofreu preconceito dos gays Resposta

Nany People é a química transexual Marcos Paulo de “O Sétimo Guardião” (Foto: Marcos Guimarães)

Nany People começou a despertar os olhares curiosos do público quando ainda trabalhava como drag queen nas casas noturnas de São Paulo e pelo país. Só na capital paulista, ela foi hostess por mais de 20 anos em uma tradicional boate LGBT e ganhou renome nacional depois que foi convidada para se sentar no sofá de Hebe Camargo por causa de uma entrevista dada à Marie Claire de 1998.

Só que sua vida não foi apenas este mar de rosas. Natural de Machado, no interior de Minas Gerais, ela se mudou para a cidade vizinha Serrania, depois Poços de Caldas, onde sofreu com o preconceito desde a época da escola quando sua mãe, dona Yvone, foi chamada para uma reunião a fim de resolver o “problema” do filho que era “muito diferente”.

Minha diretora, dona Elvira, afirmou que eu tinha um problema. Muito sábia, minha mãe retrucou que não era um problema e sim a minha condição. Sempre tive uma aceitação materna e ser trans foi uma solução de vida. Eu quis fazer a cirurgia [de redesignação sexual] aos 26 anos, mas não o fiz a pedido de minha mãe e me assumi mulher aos 37 anos. Ela já me dizia ‘se você acha que vagina é a garantia que vai segurar o homem da sua vida ou seu sonho ideal, saiba que isso não segura ninguém e não garante que alguém seja feliz’. Ela era uma mulher muito a frente de seu tempo”, lembra com carinho de dona Yvone que morreu em 2004.

A atriz também conta que já sofreu com a não aceitação do público gay e foi impedida, por duas vezes, de estrelar seu programa de televisão por preconceito. Segundo ela, a notícia de que não estava mais no casting chegou às vésperas do trabalho começar.

“Sou uma pessoa com um temperamento forte que bate de frente e não leva desaforo para casa. Este é um preconceito velado que não tem como você se defender porque não sabe de onde vem. Na vida pessoal tive preconceito dos próprios gays quando me tornei uma pessoa transexual. Era uma drag queen muito conhecida e foi um Deus nos acuda porque diziam que eu não era mais drag. Acredite se quiser, mas sobrevivi fazendo telegrama animado para heterossexuais”, lamenta.

“Sobreviver a gente vai”

De acordo os dados do Mapa dos Assassinatos de Travestis e Transexuais, da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), em 2017 foram assassinados 179 transexuais e travestis, a maior taxa já registrada nos últimos 10 anos, o que deixa o Brasil em primeiro lugar no ranking deste tipo de crime de ódio.

Nany se mostra preocupada com este número alarmante de pessoas que são mortas quase que diariamente apenas por serem quem são. Ela opina que este seja uma época terrorista e salienta que a homofobia tira mais vida no Brasil do que em guerras pelo mundo.

“A gente vive de teimosa. Só consigo lamentar porque é triste e tenebroso. É uma intolerância e desrespeito que existe pela vida de gays e transexuais no país. Não temos leis que punam e que fazem os autores pagarem por seus atos.”

Uma mulher superfamília, a atriz conta que nunca perdeu o vínculo com seus irmãos e mãe, mesmo quando partiu para a capital paulista na década de 1980.

“Tenho 53 anos, vivo sozinha em São Paulo desde os 20, nunca abandonei a minha família. Ajudei a criar e formar quatro sobrinhos como se fossem meus filhos. Família é a base tudo e sou muito ligada à minha. Já vi mais gays cuidarem de seus clãs do que os héteros”, brada.

Para finalizar, ela ressalta que é de uma geração em que amigos foram criados pelos avós porque os pais sumiram durante o período da ditadura que foi de 1964 a 1985.

“Sobreviver a gente vai, mas o que me dói é a ignorância cega das pessoas em achar que estão defendendo um bem comum. Isso é coisa de quem está pensando apenas no bem dela. A gente não pode servir de comida de piranha. Não vou bater boca com quem não tem lucidez. Não se pode dar luz para quem está na sombra.”

Fonte: Marie Claire

Personagem gay faz parte da trama central de “Malhação” Resposta

Pedro Vinicius

‘Não há sentido algum em ser preconceituoso’, diz Pedro Vinicius, o Michel de “Malhação”.

O personagem Michael (Pedro Vinicius) está no centro da atual trama de “Malhação: vidas brasileiras”. Em entrevista ao Gshow, a autora da novela Patrícia Moretzsohn adiantou que a nova fase promete trazer muita emoção.

“Michael vai viver uma bela história de amor. Era isso o que a gente pretendia fazer, fugir dos preconceitos e falar de um romance tocante. E acho que conseguimos”, assegurou a autora.

A trama também abordará a homofobia.

Alexandre Borges, sobre vídeo com travestis: “Ali ninguém está fazendo mal a ninguém” Resposta

Alexandre Borges

Foto: Keny Andrade/Folhapress

Em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, Alexandre Borges falou sobre o vídeo em que ele aparece com duas travestis.

“Não entendi muito bem uma coisa assim ser um escândalo, vamos dizer assim. Era uma coisa de pessoas tomando uma cerveja. Eu estava me divertindo, me descontraindo, uma coisa supernatural. Nada pesado.”

Ali ninguém está fazendo mal a ninguém. Não tem desrespeito. Foi chegando gente, de repente tocou uma música, uma menina começou a dançar e gravaram”, diz. “Não me preocupei em saber que gênero era, que raça era, que partido era… Não tem isso”, emenda.
Lido com pessoas de todos os tipos. O que me interessa é o bem estar. É eu não criar um conflito, uma coisa que me deixe arrogante.”

Não me privo de nada. Vivo a minha vida normalmente”, afirma o ator. “Quero descobrir o que eu tenho de autêntico, o que é meu. Para o bem e para o mal.”

O episódio ocorreu em 2016, desde então, Alexandre não teve mais nenhum papel em novelas.

Alexandre estreia na sexta (16) a temporada paulistana do espetáculo “Palhaços”, no Centro Cultural Banco do Brasil. É a sua terceira peça como diretor desde que ele “meteu as caras” na função, em 2014.

Com o ex-Trapalhões Dedé Santana no elenco, “Palhaços” conta a história de um bufão que se encontra com um espectador em seu camarim. Os dois começam a refletir sobre a vida.

Para ler a entrevista completa, clique aqui.

Ricardo Tozzi conta que já sofreu com homofobia: “Nasceu viadinho a gente mata.” Resposta

Ricardo Tozzi

Crédito: Jorge Bispo

 

Durante coletiva da próxima novela das 18h “Orgulho e Paixão” (Rede Globo), Ricardo Tozzi, que irá interpretar um coronel, contou que se assustou com coronel homofóbico na vida real.

“Estive no interior de um estado de um estado que não vou dizer qual é, um pouco distante daqui (Rio de Janeiro), fazendo um trabalho. Era um desfile no meio de uma loja. O proprietário me buscou no aeroporto, um cara com um carrão… no interior, interior, interior, lá pra cima do norte. Então ele me disse: “Aqui não tem problema nenhum.” Eu falei: “Não?” Ele respondeu: “Não. Aqui a gente resolve tudo… A gente faz isso, isso, isso e mata doentinho. Os viadinhos. Nasceu viadinho a gente mata”, afirmou o empresário.

“A vontade era de eu parar o carro e pedir pra sumir dali. Gente… Era um coronel. O cara nasceu gay, morre. Então quando eu falo que o Brasil é muito grande e tem muita diversidade cultural, social… Tem muito coronel por aí. Cadê a liberdade da existência do ser humano?”

A Lei do Amor termina com recorde de casai gays, mas sem beijo na boca Resposta

ALeidoAmor

“A Lei do Amor”, novela das 21h, de Maria Adelaide Amaral e Vicent Villari, exibiu seu último capítulo nesta sexta-feira (31) com um recorde: o maior número de casais gays de uma novela do horário nobre. Apesar da representatividade maior, com três romances homossexuais, a abordagem foi sutil e não passou nem perto do beijo protagonizado por Mateus Solano e Thiago Fragoso em Amor à Vida.

“Vejo isso como um retrocesso. Quando você mostra um casal gay, mas não se aproxima da realidade em que ele vive, é uma espécie de omissão à homofobia”, opina Agripino Magalhães, líder estadual da Aliança Nacional LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Intersexuais).

“Dentro do estilo melodramático, considero que ‘A Lei do Amor’ cumpriu a sua função social na teledramaturgia. Também considero que o beijo gay deixou de ser exatamente uma questão”, contrapõe Mauro Alencar, doutor em teledramaturgia brasileira e latino-americana pela Universidade de São Paulo.

Na novela, Zelito (Danilo Ferreira) conquistou o coração de Wesley (Gil Coelho) logo nos primeiros capítulos. O frentista se encantou pelo DJ, que foi assassinado a mando de Tião (José Mayer), e o romance foi abortado tragicamente.

Os autores deixaram para formar os outros dois casais gays só nesta última semana. Aliás, muitos casais gays são formados somente em finais de novela.

No capítulo de segunda (27), Wesley chamou Gledson (Raphael Ghanem) para sair, mas a cena teve só troca de olhares e sorrisos entre os dois, sem carinhos explícitos ou beijo. Por fim, depois de terminar com Misael (Tuca Andrada), Flávia (Maria Flor) aparecereu com uma namorada, Gabi (Fernanda Nobre), mas o romance também não foi explorado.

“Apesar da representatividade maior, o gay ainda é mostrado como aquela pessoa que ‘dá pinta’, que é motivo de chacota, ou muito superficialmente. Normalmente, não são personagens como um bancário, empresário, balconista, por exemplo, uma pessoa que pode constituir uma família e ter direito como qualquer outro”, analisa Magalhães.

Alencar acredita que o núcleo em que os personagens homossexuais são apresentados e a forma como se relacionam está relacionado ao estilo de cada escritor, não à imposição de rótulos. “Qualquer tema abordado na história da ficção mundial é retratado com diferentes intensidades. É isso o que diferencia um autor de outro”, opina.

*Com informações do “Notícias da TV”.

 Opinião

Quem acompanha o blog sabe que eu sempre reclamei da falta de beijo gay em telenovelas. Mas mostrar casais gays, desde que não seja nos últimos capítulos, ou até mesmo uma família homoafetiva é melhor do que nada. No mais, já existem seriados inúmeros retratando de maneira honesta e aberta a homossexualidade.

E para você, beijo gay é importante ou não em uma novela?

Capítulo de “Amor à Vida” foi mais importante do que uma Parada Gay 2

AmoràVida

O que eu vi na novela “Amor à Vida”, na noite da última quinta-feira (01/08) foi surpreendente. Eu já esperava que o autor Walcyr Carrasco fosse tratar da questão da homossexualidade de maneira primorosa, tendo em vista a maneira ousada como ele abordou o tema em “Morde & Assopra”, até dois homens deitados na mesma cama ele conseguiu colocar, às 19h, claro que um dos personagens não era gay. Mas a cena me chamou muito a atenção. O que eu não esperava era que a direção da Rede Globo fosse permitir que se falasse em orientação sexual, entre outros assuntos.

O assunto foi praticamente a homossexualidade. O texto na boca de atrizes experientes e queridas do público como Nathalia Timberg e Susana Vieira deram mais credibilidade ainda à novela. O diálogo entre avó, mãe e filho (um Mateus Solano perfeito) foi emocionante. E o que dizer da hipocrisia de César, que trai a mulher, conversando com a sua amante sobre a homossexualidade do filho. Ambos reprovando, naturalmente. Quando César (Antonio Fagundes dando show, novidade) perguntou ao filho quem era a mulher da relação, ele falou o que muitos brasileiros pensam, mas não têm coragem de dizer.

Os capítulos de quinta-feira e sexta-feira, valeram mais do que uma Parada Gay, pois uma novela das nove atinge milhões de telespectadores, de classes sociais e credos diferentes. Parabéns à direção da Rede Globo, parabéns ao autor Walcyr Carrasco, aos seus colaboradores e a todos os atores envolvidos nesta trama. Só falta liberar de uma vez por todas o beijo gay.

Após discutir aborto, ‘Saramandaia’ discutirá homofobia, bullying e mensalão Resposta

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No ar há menos de dois meses, a nova versão da novela “Saramandaia” (Globo) se propõe a ser mais do que uma atualização da obra original, exibida em 1976.

Para além dos tipos curiosos criados por Dias Gomes para denunciar desmandos da ditadura militar, como o político corrupto que espirra formiga pelo nariz ou a jovem que queima os lençóis a cada lampejo de prática sexual, a adaptação de Ricardo Linhares tem promovido um debate aberto de temas sociais.

O folhetim já tratou do direto à prática do aborto, por meio da adolescente Stela (Laura Neiva), que bradou que “a mulher é dona do próprio corpo” após descobrir que a tia sofrera por causa de um procedimento mal feito.

A defesa da legalização da prostituição também encontrou eco em “Saramandaia”, em um relato de Risoleta (Débora Bloch). “Se há consenso entre as pessoas, se não existe violência nem exploração, é uma profissão tão digna quanto todas as outras”, afirmou a personagem, uma ex-profissional do sexo.

“Sou um escritor progressista. Acredito que a TV pode estimular a discussão de ideias, ao mesmo tempo em que entretém”, diz Linhares.

Para ele, esse é o seu trabalho “mais contestador”. “Tenho 30 anos de carreira. Quando comecei, era proibido adultério na novela das 18h. O mundo mudou e a televisão acompanhou essas mudanças, algumas vezes abrindo caminho na modernização dos costumes, outras vezes pegando carona em movimentos da vida real.”

“VEM PRA RUA, VEM”

Logo na estreia de “Saramandaia”, lembra o autor, houve a coincidência entre as manifestações que tomaram conta do Brasil e um movimento de jovens da trama, em busca de novos direitos e com uma bandeira clara de repúdio à corrupção.

Essas cenas haviam sido escritas e gravadas com meses de antecedência.

“Comecei em sintonia com o que estava acontecendo no país e sigo tratando de temas que estão na ordem do dia. É hipocrisia negar a realidade”, diz o autor. “Aproveito a liberdade que o horário proporciona para tocar em determinados temas que considero relevantes. A dramaturgia não pode ser chapa-branca.”

Segundo Mauro Alencar, doutor em teledramaturgia brasileira e latino-americana pela USP e membro da Academia Nacional de Artes da Televisão e Ciências de Nova York (uma das responsáveis pelo prêmio Emmy), o caráter progressista de “Saramandaia” está em sintonia com as telenovelas do país, a partir de 1970.

“Tem sido este um grande diferencial e exemplo da telenovela brasileira ao redor do mundo. Uma contribuição que teve seu início na década de 1970, particularmente com a vinda de dramaturgos para a TV”, afirma.

Alencar e Ricardo Linhares concordam, no entanto, que a sociedade brasileira e mundial tornou-se mais conservadora nas últimas décadas.

“Tenho em mente que o grande público [brasileiro] não mora na zona sul do Rio, nem nos Jardins de São Paulo. É heterogêneo e deve ser tratado com respeito”, diz o autor, que colocará a homofobia, o bullying e o mensalão no foco dos próximos capítulos de “Saramandaia”.

Saiba mais detalhes a respeito do vilão gay que Mateus Solano viverá na próxima novela das 21h 2

Mateus Solano

No dia 27 de setembro, o blog noticiou que o ator Mateus Solano viverá um vilão gay, na próxima novela das nove, Em Nome do Pai, escrita por Walcyr Carrasco e com direção de núcleo de Wolf Maya. O assunto foi muito debatido na página do blog, no Facebook. Confira agora mais detalhes da personagem:

Nome: Félix. Ele não será um gay assumido e, por isso, vai ser casado com Edith (Bárbara Paz). A mulher não sabe da orientação sexual do marido, com quem tem uma vida sexual mínima. Félix é descrito como venenoso, invejoso, manipulador e fingidor.

Está ansioso(a) para assistir à novela?