Papa quer unir Igreja Católica a outras religiões contra o casamento gay 8

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Depois de dizer que eutanásia e casamento gay afetam a paz mundial, o papa Bento XVI voltou a atacar o casamento gay (leia mais aqui), agora ele quer se juntar a outras religiões para combater o que ele considera um mal. A nova agressão ao casamento gay foi feita no discurso de Natal. Quanta paz e quanto amor no coração do papa, não?

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O papa Bento XVI afirmou que o casamento gay é uma ameaça às fundações da família. A declaração se apoiou não só nos preceitos católicos, mas em um estudo produzido por um rabino francês, o que mostra a disposição da Igreja em se aproximar de outras religiões para reforçar a oposição à união homoafetiva. As declarações do papa foram feitas discurso de Natal aos funcionários do Vaticano, realizado no Salão Clementine, um dos pronunciamentos mais importantes do papa durante o ano.

– Não há como negar a crise que ameaça a família e suas bases, principalmente no mundo ocidental – disse o papa, de 85 anos.

Em seu pronunciamento, Bento XVI citou um artigo do rabino chefe da França, Gilles Bernheim. O trabalho “Casamento Gay, paternidade e adoção: o que sempre esquecemos de dizer” foi considerado pelo papa como “profundamente comovente”. A atitude mostra uma aproximação entre a Igreja Católica e outras religiões, ao menos nesse aspecto, em um esforço para combater a ameaça que o papa chamou de “um falso entendimento sobre a liberdade”.

A Igreja tem feito, em alguns países, alianças com outras religiões, como o Judaísmo e o Islamismo, para fortalecer a oposição à legalização do casamento gay, que tem ganhado força.

Nas últimas eleições nos EUA, a união entre pessoas do mesmo sexo foi aprovada pela primeira vez por voto popular, nos estados de Maryland, Maine e Washington. Com isso, o país passa a contar com nove estados onde a união é permitida. Na França, uma lei que libera “casamento para todas” deve ser votada no ano que vem, com forte possibilidade de ser aprovada. Também na Europa, na Espanha, a corte suprema confirmou uma lei que permite o casamento gay.

O papa usou argumentos antropológicos e sociológicos, para fundamentar sua argumentação. Citando o estudo de Bernheim, disse que crianças criadas por casais gays seriam mais “objetos” do que indivíduos. Além disso, o religioso defendeu que o casamento heterossexual é um compromisso para toda a vida, ameaçado pela união gay.

– Quando tal compromisso é repudiado, as figuras-chave da existência humana igualmente desaparecem: pai, mãe, filho – elementos essenciais da experiência de ser humano são perdidos.

Líder de uma comunidade gay da Itália, Franco Grillini disse que as palavras do papa não passam de “uma grande bobagem”:

– Nos lugares onde o casamento gay foi aprovado, não houve consequência ao casamento hetero – disse o líder gay.

Na conta oficial do papa no Twitter, inaugurada recenemente, nenhum comentário sobre o assunto foi postado.

Defensores do casamento gay fazem protesto durante homilia do Papa Resposta

Ativistas gays fazem protesto contra homofobia em Roma neste domingo (16) (Foto: AFP)

Ativistas gays fazem protesto contra homofobia em Roma neste domingo (16) (Foto: AFP)

Defensores dos direitos dos LGBTs e de casamentos entre homossexuais protestaram perto da Praça de São Pedro, no Vaticano, neste domingo (16), durante a homilia do papa Bento XVI, que atacou recentemente, mais uma vez, as bodas entre pessoas do mesmo sexo.

Quinze pessoas exibiram corações onde se lia mensagens como “Casamento gay”, “O amor não tem barreiras” ou “Ame o seu próximo”, mas foram impedidas de chegar à praça, onde dezenas de milhares de pessoas estavam reunidas para o Angelus.

Na mensagem que lerá em 1º de janeiro, por ocasião da Jornada Mundial da Paz, divulgada antecipadamente na sexta-feira (14) pelo Vaticano, o Papa diz que “a estrutura natural do casamento deve ser reconhecida e promovida como a união de um homem e uma mulher, frente às tentativas de equipará-lo de um ponto de vista jurídico com formas radicalmente diferentes de união que, na verdade, danificam e contribuem para sua desestabilização, ofuscando seu caráter particular e seu papel insubstituível na sociedade”.

Papa diz que eutanásia e casamento gay afetam a paz mundial Resposta

Papa Bento XVI

O Papa Bento XVI atacou o aborto, o casamento gay e a eutanásia, que segundo o pontífice colocam em perigo a paz, na mensagem que será lida no primeiro dia do ano por ocasião da Jornada Mundial da Paz, divulgada com antecedência pelo Vaticano.

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“Os que trabalham pela paz são os que amam, defendem e promovem a vida em sua integridade”, escreveu o Papa na mensagem que será lida em todas as paróquias no dia 1º de janeiro de 2013.

“Aqueles que não apreciam suficientemente o valor da vida humana e, em consequência, defendem por exemplo a liberação do aborto, talvez não percebam que, deste modo, propõem a busca de uma paz ilusória. (…) A morte de um ser inerme e inocente nunca poderá trazer felicidade ou paz”, afirma o Papa.

“Quem quer a paz não pode tolerar atentados e delitos contra a vida”, completou.

“Qualquer agressão à vida, em especial em sua origem, provoca inevitavelmente danos irreparáveis ao desenvolvimento, à paz e ao meio ambiente”, sentencia o pontífice.

“Como é possível pretender conseguir a paz, o desenvolvimento integral dos povos ou a própria salvaguarda do ambiente, sem que seja tutelado o direito à vida dos mais frágeis, começando pelos que ainda não nasceram?”, questiona o chefe da Igreja Católica.

“Tampouco é justo codificar de maneira sub-reptícia falsos direitos ou liberdades, que, baseados em uma visão reducionista e relativista do ser humano, e por meio do uso hábil de expressões ambíguas encaminhadas a favorecer um suposto direito ao aborto e à eutanásia, ameaçam o direito fundamental à vida”, adverte.

Na mensagem, o Papa elogia os “artesãos da paz” e pede a construção da paz “por meio de um novo modelo de desenvolvimento e de economia”.

Bento XVI afirma que “para sair da atual crise financeira e econômica, que tem como efeito um aumento das desigualdades, são necessárias pessoas, grupos e instituições que promovam a vida, favorecendo a criatividade humana para aproveitar inclusive a crise como uma oportunidade de discernimento e um novo modelo econômico”.

Ele convida os católicos a “atender a crise alimentar, muito mais grave que a financeira” e a apoiar os agricultores para que desenvolvam sua atividade “de modo digno e sustentável”.

O Papa reitera na mensagem que “a paz não é um sonho, não é uma utopia: é possível”.

De que paz fala o Papa?

Atacar pessoas que querem ter direito sobre os seus corpos, atacar o amor é disseminar a paz? A Igreja Católica, que tanta atrocidade cometeu ao longo dos anos deveria ter revisto vários de seus conceitos. Proibir o uso de preservativos, é preservar a vida? Outra: se o homem foi feito para acasalar e procriar, os padres, inclusive o Papa, deveriam fazer o mesmo, correto? E os casos de pedofilia envolvendo lideranças católicas e acobertados pelo Papa? Não é por acaso que a Igreja Católica está em franca decadência.

*Com informações da AFP

Depois de pedido do Papa, católicos franceses contra casamento gay agridem pessoas em manifestação Resposta

No sábado, também houve contra-manifestações; esta foi em Paris (THOMAS SAMSON/AFP)

Dois dias de manifestações a favor e contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo na França culminaram ontem de manhã com uma cena de pancadaria entre um grupo feminista e católicos integristas. Alguns jornalistas também foram espancados.

“Uma dezena de militantes da associação feminista Femen decidiram fazer um protesto pacífico e chegaram vestidas de freiras e com frases humoristicas. Quando se aproximaram dos manifestantes [católicos da Civitas] eles começaram a bater”, disse à AFP a jornalista e escritora Caroline Fourest.

“As mulheres levaram pancada no corpo todo” e também alguns jornalistas que filmavam os protestos. “Sim, os fotógrafos também foram espancados”, confirmou um fotógrafo da AFP.

A marcha anti-casamento gay foi organizado pela organização Civitas, ligada aos católicos integristas, um dia depois da grande manifestação que juntou 100 mil pessoas em Paris e noutras cidades francesas contra estas uniões.

Ontem, milhares de pessoas juntaram-se junto do Ministério da Família, começando depois uma marcha em direção à Assembleia Nacional (Parlamento). Na cabeça da manifestação um grande cartaz dizia “Uma mamãe e um papai para todas as crianças”. Os manifestantes — um grupo muito heterogéneo, com jovens, idosos e famílias — levavam bandeiras com cruzes cristãs e flores-de-lis.

“O nosso objetivo — disse a um pequeno grupo de jornalistas Alain Escada, da Civitas — é travar uma verdadeira batalha pela salvaguarda da família e das crianças”. “O casamento homossexual é a caixa de Pandora que vai permitir que outros reivindiquem o casamento poligamo”, disse Escada acrescentando que o objetivo da sua organização é “libertar a voz dos franceses”.

Para Alan Escada, a homossexualidade é “um mal que deve ser corrigido, devendo as pessoas que têm este pecado optar pela abstinência”.

A ministra dos Assuntos Sociais, Marisol Touraine, disse respeitar a “preocupação” dos manifestantes mas sublinhou que o Governo não abdicará da nova lei, que aguarda aprovação, legalizando o casamento civil igualitário — neste momento é apenas permitida uma união civil, que priva os cônjuges de muitos dos direitos de que os casais heterossexuais usufruem, por exemplo o direito sucessório e a adoção.

No sábado, o Papa Bento XVI incitara a igreja católica francesa a reagir, fazendo-se “ouvir sem parar e com determinação nos debates da sociedade”.

Uma sondagem publicada na imprensa francesa na quinta-feira da semana passada revela que 61% dos cidadãos é a favor do casamento gay, mas apenas 48% defende a adoção por parte de casais do mesmo sexo.