Mulher barrada em porta de boate de Piracicaba (SP) diz que sofreu homofobia Resposta

Estudante foi barrada ao tentar entrar em bar de Piracicaba (Foto: Fernanda Zanetti/G1)

Estudante foi barrada ao tentar entrar em bar de Piracicaba (Foto: Fernanda Zanetti/G1)

A estudante Ariane Regina Gonzales Lucas (25), afirma que foi proibida de entrar em um bar, na madrugada deste domingo (28), por ser lésbica e vestir bermuda. A casa noturna fica na Rua Bom Jesus, na área central de Piracicaba (SP), e normalmente permite a entrada de mulheres com shorts, segundo a jovem, que fez boletim de ocorrência sobre o caso.

Jovem foi barrada (Foto: Ariane Regina Gonzales Lucas/acervo pessoal)

Jovem foi barrada (Foto: Ariane Regina
Gonzales Lucas/acervo pessoal)

Ariane afirma que estava sozinha no momento em que foi barrada. “O argumento usado pelos porteiros foi o de que eu não poderia entrar de bermuda, o que é permitido para mulheres. Eu disse que sou mulher, mas mesmo assim eles negaram a minha entrada.” A jovem disse que pediu para falar com o gerente da casa noturna.

“Ele apareceu, olhou para a minha cara, não falou nada e simplesmente foi embora. E os porteiros continuaram não me deixando entrar. Eu saí de lá e procurei a polícia. Nos meus 25 anos de idade, foi a primeira vez que passei por uma situação homofóbica como esta”, disse Ariane.

A estudante contou ainda que, em outra ocasião, entrou na mesma casa noturna vestindo bermuda. Ela disse acreditar que, por estar com um grupo de amigos da primeira vez, os funcionários da portaria ficaram intimidados e não tentaram barrar sua entrada na época.

A reportagem do G1 tentou falar com responsáveis pelo bar, mas ninguém foi encontrado para comentar o assunto.

Polícia descarta homofobia no assassinato de técnico judiciário de Umuarama (PR) Resposta

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Depois de uma série de investigações, a Polícia Civil de Umuarama (PR) não cogita a possibilidade de o técnico judiciário da Justiça Federal, Antônio Marcos da Silva, ter sido morto por homofobia. Essa ideia é descartada porque, segundo os policiais que investigam o caso, ele era usuário de drogas e os principais indícios são de que a vítima tinha débitos com traficantes. Antonio foi morto na madrugada de domingo para segunda-feira (22), com seis tiros, na Estrada Pavão – zona rural da cidade.

Em depoimentos prestados, a família confirmou à polícia que Antonio era usuário de drogas. Conforme informações repassadas por funcionários da Justiça Federal, Antonio Marcos estava licenciado do cargo há alguns meses, por motivos de dependência química. Ele era gay assumido e já havia participado da organização de diversos eventos em defesa dos direitos humanos, na cidade.

“Não levamos em consideração o fato de ter sido um crime motivado pela opção (sic) sexual dele”, explicou o delegado de homicídios da 7ª Subdivisão Policial (SDP) de Umuarama, Fernando Ernandes Martins. De acordo com o oficial, as investigações estão avançadas e já há identificação de suspeitos que possam ter praticado o crime. “Algumas pessoas que estiveram com Antonio no dia do assassinato já foram ouvidas, no entanto, é preciso aprofundar melhor os fatos”,

Além da orientação sexual, a polícia também constatou que não houve relação do irmão dele no assassinato. Esta hipótese foi levantada, a princípio, porque horas antes do crime a vítima teria aberto um boletim de ocorrência (B.O.) contra o irmão. “Verificamos o B.O., mas a denúncia não consolida uma suposta tentativa de homicídio.”

Fora o irmão de Antônio, o mototaxista que levou a vítima até a 7ª SDP para efetuar o boletim também deve prestar depoimentos. O carro do técnico judiciário federal, um Pálio (placas AXC – 2606, de Umuarama), deve ser periciado. A expectativa dos investigadores é que sejam encontrados novos indícios, dentro do veículo, que possam confirmar a suspeita da polícia. O nome do irmão e do mototaxista não foi divulgado.

Entenda o caso

No último domingo (21), o técnico judiciário federal trafegava com o Pálio na região da Rodoviária de Umuarama, quando o veículo apresentou problemas mecânicos. Foi então que Antônio ligou para o irmão pedindo ajuda. No local, os dois discutiram e acabaram se agredindo fisicamente.

Após o desentendimento, Antônio usou um mototáxi para ir até a 7ª SDP onde registrou um boletim de ocorrência por lesão corporal e ameaça. Após deixar a delegacia, a vítima desapareceu. Na manhã do dia seguinte, o corpo foi encontrado na Estrada Pavão por algumas pessoas que passavam pelo local.

Junto ao corpo de Antônio, um isqueiro e uma lata de cerveja com furos para a consumação de crack foram encontrados por peritos do Instituto de Criminalística de Umuarama. Após a localização do corpo, investigadores do GDE voltaram à Estação Rodoviária para procurar o carro de Antônio Marcos, no entanto, o Pálio só foi encontrado horas depois, em uma tornearia na região sul de Umuarama, próximo ao Jardim São Cristovão, com um dos pneus furado.

Diarista diz que foi demitida de casa de família por homofobia em Piracicaba Resposta

Diarista diz que é demitida de casa de família por homofobia em Piracicaba (Foto: Fernanda Zanetti/G1)

Diarista diz que foi demitida de casa de família por homofobia em Piracicaba (Foto: Fernanda Zanetti/G1)

Uma mulher que trabalha como diarista em Piracicaba (SP) afirma que foi demitida de uma das casas onde trabalhava uma vez por semana, há seis anos, por homofobia. De acordo com ela, que não quis se identificar, a patroa teria tomado a decisão depois que a cozinheira, que trabalha no mesmo local, contou à chefe sobre a homossexualidade da colega.

A mulher afirma ter sido difamada pela cozinheira em um supermercado, na noite do último sábado (20), dois dias antes de ser demitida. “Fui ao mercado e o irmão dela estava lá. Logo depois, ela chegou com várias pessoas e me xingou, falando palavrões e chamando de sapatão. Neste dia gritou que iria falar para minha patroa sobre a minha opção (sic) sexual e que iria pedir a ela para me mandar embora”, conta a vítima ao portal G1.

Na segunda-feira (22), a diarista recebeu a ligação da patroa. “Ela disse que estava me dispensando porque eu não poderia mudar de dia de trabalho, pois eu presto serviços em outras casas. Mas tenho certeza que foi porque a outra funcionária contou a ela que sou gay. Não tem outro motivo. Eu trabalhava há muito tempo, às quartas-feiras, e nunca tive problemas”, ressaltou a mulher.

A diarista procurou o plantão policial e fez um boletim de ocorrência na terça-feira (23) contra a difamação feita pela companheira de trabalho no supermercado. No documento também foi registrado a dispensa do trabalho.

Segundo a vítima, o problema com a outra funcionária começou há cinco meses. “Ela sempre soube da minha opção (sic) sexual, mas quando comecei a namorar a perseguição iniciou. Até nas minhas coisas ela mexeu recentemente”, contou a vítima.

Agressora e patroa negam

G1 conversou por telefone com a cozinheira, suspeita das agressões verbais, mas ela não quis se pronunciar sobre o caso. Disse apenas que conversou com a patroa e pediu para dispensar a colega de trabalho depois de ter sido ameaçada pela namorada da diarista.

Já a patroa, que também não quis se identificar, disse que não dispensou a diarista por ela ser lésbica. “Eu conversei bastante com ela e expliquei que a decisão era por causa da mudança de dia de trabalho, que ela não poderia cumprir. Mas não tenho nada contra ela, pelo contrário, sempre gostei do seu trabalho. Ela é uma excelente funcionária.”

Opinião

É urgente a necessidade de o Senado discutir e aprovar o PLC 122/06. Até quando lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais estarão vulneráveis no Brasil?

Travesti eleita em Piracicaba pede via Facebook terno branco para a posse Resposta

Madalena

A primeira travesti eleita para a Câmara de Piracicaba (SP) iniciou nesta segunda-feira (3) uma campanha na internet para conseguir doações e tomar posse como vereadora, no dia 1º de janeiro de 2013, vestindo um terno branco. “Será que alguém poderia fazer a bondade de me dar um terno branco para o dia da minha posse? Infelizmente ainda não posso comprar. Conto com a ajuda de vocês!”, escreveu Madalena, cujo nome de batismo é Luiz Antônio Leite, na rede social Facebook.

Em pouco mais de uma hora, o recado da vereadora eleita tinha mais de 120 comentários, 90 “curtidas” e 15 compartilhamentos. Nos comentários, os amigos virtuais debatiam a melhor forma de atender o pedido. Alguns sugeriam a formação de uma “vaquinha” para a obtenção do dinheiro necessário. Outros se propuseram a ir com Madalena até o shopping para fazer a compra.

Segundo o assessor Felipe Bicudo, a ideia de mobilizar os eleitores e simpatizantes pela internet partiu da própria vereadora eleita. “Tem sim a questão da falta de dinheiro. Mas, independente disso, a Madalena quer que o terno branco da posse venha do povo. Ela quer sentir a participação das pessoas que gostam dela e que vão apoiá-la durante o mandato.”, disse ele ao portal G1.

O perfil de Madalena no Facebook tinha, até o início da noite desta segunda-feira, 4.993 amigos cadastrados. Além do terno branco, a vereadora eleita já decidiu que não vai abandonar o lenço na cabeça e o tamanco no dia da posse na Câmara. Os utensílios são a marca registrada da política, que atua como líder comunitária na região do bairro Boa Esperança há 25 anos.

“Pelo jeito, diante dessa enorme aceitação do público, daqui a pouco vai dar para comprar terno, gravata e até tamanco e lenços novos para a posse”, afirmou o assessor da vereadora eleita, que deverá divulgar na internet um número de conta corrente bancária para o depósito das doações em dinheiro.

Marco histórico

Aos 57 anos, Madalena teve 3.035 votos nas eleições de outubro (o segundo melhor desempenho do PSDB no pleito) e se tornou a primeira travesti eleita vereadora na história da cidade. Personagem folclórica para os piracicabanos, Madalena sempre chamou a atenção por andar pelas ruas usando roupas e acessórios femininos, mas decidiu utilizar terno e gravata na posse em respeito ao que o Poder Legislativo representa.

Nome de batismo

Logo após a eleição, em uma uma reunião de boas-vindas aos novos vereadores, Madalena pediu para ser identificada como Luiz Antonio Leite, seu nome de batismo, no painel eletrônico da Câmara, usado para contar as votações. “Pedi para usarem o nome de batismo para evitar que algum comentário maldoso e porque achei que ia dar algum problema se colocasse o apelido, mas se não tiver nenhum problema ainda posso mudar de ideia”, disse.