Comitê de Enfrentamento à Homofobia é instalado no Rio Grande do Sul Resposta

O Comitê Estadual de Enfrentamento à Homofobia foi instalado, na tarde desta sexta-feira (26), durante a audiência pública que tratou da criação do Sistema Nacional de Enfrentamento à Violência contra Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Travestis (LGBTs) no auditório da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), em Porto Alegre. Composto por representantes dos poderes Executivo, Judiciário e Legislativo, organizações não-governamentais e entidades representativas, o Comitê irá, entre outras ações, ajudar a construir o sistema nacional e coordenar a criação do Conselho Estadual de Enfrentamento à Homofobia.

Ao compor o colegiado, a secretária-adjunta da Secretaria da Justiça e dos Direitos Humanos (SJDH), Maria Celeste, falou do esforço da SJDH, juntamente com secretarias municipais e a sociedade civil, para traçar políticas públicas para a comunidade LGBT. “Temos de dar o exemplo demonstrando que vamos aprovar o conselho estadual e ter uma lei clara quanto aos direitos da população LGBT, para que isso seja uma política de Estado e não uma política de governo. Vamos irradiar uma política construída com a população do RS”, disse.

Número de denúncias 

Antes de começar os debates sobre o Sistema Nacional de Enfrentamento à Violência contra LGBT, o coordenador geral de Promoção dos Direitos LGBT da Secretaria dos Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República, Gustavo Bernardes, realizou uma apresentação das conquistas desse público ao longo dos anos e dos números de denúncias que chegam à SDH, principalmente pelo Disque 100.

Segundo Bernardes, no ano passado, a Secretaria recebeu 6,8 mil denúncias de violência contra gays, lésbicas, travestis e transexuais. Foram contabilizadas 1.713 vítimas e um total de 2.275 suspeitos. “O número de suspeitos bem superior ao de vítimas comprova que as agressões geralmente são em grupos que se organizam, muitas vezes, pelas redes sociais para atacarem. Por isso, é preciso ficar de olho”, alertou o coordenador.

Cento e noventa e oito dessas denúncias foram do RS. O Estado aumentou 241,3% o número de denúncias em relação a 2011, quando registrou 58 denúncias. Em todo o Brasil, o aumento foi de 265%. Os dados ainda demonstram que o perfil da maioria das vítimas é mulher, negra e na faixa etária de 14 a 19 anos. Em 2012, foram 278 homicídios.

MP-RS recebe denúncias de agressões e homofobia no bar Pinguim Resposta

Dono do estabelecimento não compareceu a audiência pública sobre o caso | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Dono do estabelecimento não compareceu a audiência pública sobre o caso | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Os casos de clientes que relatam terem sido agredidos no bar Pinguim, na Cidade Baixa, em Porto Alegre, chegaram ao conhecimento do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS). Nesta quinta-feira (25), a Comissão de Defesa do Consumidor e Direitos Humanos da Câmara Municipal (Cedecondh) entregou formalmente a denúncia à Promotoria de Defesa dos Direitos Humanos. O proprietário do bar e a Secretaria Municipal de Produção, Indústria e Comércio (Smic) podem ser vistoriados nos próximos dias. A intenção é ouvir o dono do estabelecimento, que não compareceu na audiência pública realizada no legislativo em março, e obter respostas da Prefeitura sobre a não autuação do bar.

Denúncias contra bar Pinguim geram representação junto ao Ministério Público do Rio Grande do Sul

A denúncia foi entregue pela presidente da Cedecondh, vereadora Fernanda Melchionna (PSOL), à diretora da Promotoria de Defesa dos Direitos Humanos do MP-RS, Christianne Pilla Caminha. A reunião foi acompanhada por um representante das vítimas e representantes dos movimentos sociais. “Os casos foram ouvidos pela Cedecondh em março e comprovam uma prática recorrente de violações por parte do estabelecimento. Uma das denúncias é de homofobia e outro envolve agressões pelo não pagamento da taxa de 10% sobre os serviços do bar”, explica Fernanda Melchionna.

Denúncia foi levada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara, ONG Somos, coletivo Juntos Pelo Direito de Amar e Ítalo Cassará, uma das vítimas de agressões no bar Pinguim | Foto: Nina Becker

Denúncia foi levada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara, ONG Somos, coletivo Juntos Pelo Direito de Amar e Ítalo Cassará, uma das vítimas de agressões no bar Pinguim | Foto: Nina Becker

Foram anexados boletins de ocorrência registrados pelas vítimas e foi relatada à promotora a omissão da Smic na prestação de esclarecimentos sobre a fiscalização no bar Pinguim. “Tem o artigo 150 da Lei Orgânica Municipal que permitiria notificar o estabelecimento e até cassar o alvará com casos recorrentes de violação dos direitos humanos. Não recebemos até hoje a resposta do poder público. Uma postura de omissão do governo municipal”, considera a vereadora.

A Promotoria de Defesa dos Direitos Humanos irá analisar a abertura de inquérito civil sobre os casos de homofobia. As denúncias de agressões físicas serão encaminhadas à Promotoria Criminal e as acusações de más condições de trabalho dos funcionários do bar ao Ministério Público do Trabalho. A não fiscalização da Smic no estabelecimento e a denúncia sobre o uso ilegal das mesas nas calçadas após o horário estipulado pela Lei do Silêncio serão encaminhadas para a Promotoria da Ordem Urbanística.

Fonte: Sul 21

Denúncias contra bar Pinguim geram representação junto ao Ministério Público do Rio Grande do Sul Resposta

Protesto em frente ao bar Pinguim contra a violência dos garçons, no bairro Cidade Baixa ocorreu no último sábado (19) | Foto: Reprodução/Youtube

Protesto em frente ao bar Pinguim contra a violência dos garçons, no bairro Cidade Baixa ocorreu no último sábado (19) | Foto: Reprodução/Youtube

O caso das supostas agressões envolvendo clientes do bar Pinguim, na Cidade Baixa, em Porto Alegre foi levado à Justiça nesta segunda-feira (21). Uma representação foi registrada pelo advogado Leonardo Vaz, que integra a Comissão de Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RS). Em nome de um grupo de ativistas que protestou contra o bar no último sábado (19), o advogado pede investigação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) sobre os casos de agressões relatados pelas vítimas.

Os motivos para as agressões iriam desde a recusa dos 10% da taxa de serviço à orientação sexual dos clientes. Segundo os relatos, os garçons e funcionários do bar são os próprios autores das agressões. “Ao que sabemos pode haver problemas trabalhistas na remuneração dos garçons, o que poderia estar incentivando a prática violenta na cobrança da taxa de serviço pelos clientes. Isso tem que ser apurado e envolve também o Ministério Público do Trabalho”, explica o advogado Leonardo Vaz.

Segundo ele, a intenção é apurar as denúncias, identificar os agressores e punir o estabelecimento. “Uma vez constatadas as irregularidades e crimes os órgãos públicos competentes poderão até mesmo, se necessário, fechar o bar”, fala Vaz.

O fechamento do Pinguim foi o principal grito de ordem dos protestantes que se reuniram em frente ao bar no último sábado (19). Motivados pela denúncia feita na última semana pela internet sobre mais uma vítima de violência praticada por garçons do estabelecimento, jovens, militantes e frequentadores da Cidade Baixa se uniram no começo da noite em frente ao bar.

A repercussão da recente denúncia causou mobilização na internet. No protesto em frente ao bar, compareceram cerca de 100 pessoas. “Uma das dificuldades que encontramos foi encontrar vítimas dispostas a se expor em público. Muitas nem registraram a ocorrência por medo”, falou Lucas Maróstica, um dos organizadores do manifesto.

Segundo o jovem, um dos clientes que foi vítima de agressão no Pinguim usou o megafone. “Alguns clientes ficaram sensibilizados e saíram do bar”, falou. Lucas também diz que foram coletadas assinaturas durante o ato como forma de incentivar a realização de uma audiência pública na Câmara Municipal de Porto Alegre. “A cada apoiador ou cliente que deixava o bar nós comemorávamos e avisávamos pela rede social”, conta.

Audiência pública debaterá o caso na Câmara Municipal 

Bar da região boêmia da Cidade Baixa seria alvo de denúncias “recorrentes”, aponta Centro de Referência às Vítimas de Violência em Porto Alegre | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Bar da região boêmia da Cidade Baixa seria alvo de denúncias “recorrentes”, aponta Centro de Referência às Vítimas de Violência em Porto Alegre | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

A audiência pública no legislativo municipal deverá ser realizada na primeira semana de março, segundo a vereadora e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Fernanda Melchionna. Ela recebe nesta terça-feira (22), a partir das 17h30, os interessados em discutir o assunto e as vítimas do bar. “Vamos ouvir formalmente estas denúncias. Sabemos o histórico do bar e ao que apuramos apenas um caso teve encaminhamento judicial. Se existe homofobia e agressões por extorsão dos clientes, os poderes têm que se envolver”, defende.

A ideia da vereadora é documentar a cronologia dos casos e elencar as razões e autores das agressões. Nos casos de homofobia, o artigo 150 da Lei Orgânica de Porto Alegre prevê multas ao estabelecimento e perda de alvará em casos de reincidência. “Em outro momento estávamos brigando na Justiça pela abertura de um bar (Passefica), hoje estamos lutando para fechar outro pelo mesmo motivo (homofobia)”, recorda o advogado da Comissão de Diversidade da OAB, Leonardo Vaz.

Em 2012, o bar para população LGBT Passefica, na Rua da República, foi perseguido pela fiscalização da Prefeitura de Porto Alegre. Em outubro do mesmo ano o estabelecimento conseguiu na Justiça o direito de permanecer aberto e com as mesas funcionando nas ruas. Uma das queixas dos frequentadores do bairro Cidade Baixa é que o bar Pinguim estaria sendo beneficiado pela Secretaria de Produção, Indústria e Comércio (Smic) com a permanência das mesas nas ruas após o horário de fechamento dos bares, descumprindo as exigências da Lei do Silêncio. “Ele é o único da Rua Lima e Silva a seguir funcionando durante a madrugada, sem limitação no número de mesas, que por vezes tranca até mesmo a passagem dos pedestres”, acusa Lucas Maróstica.

Como eu saí do armário: Anderson Fraga 5

Anderson Fraga

Anderson Fraga

Meu nome é Anderson Fraga, tenho 28 anos, sou gerente de atendimento em uma empresa de call-center e moro na grande Porto Alegre (RS).

Desde pequeno sempre fui muito decidido, apesar de não ter muitas experiências quando novo, não por medo de alguém, mas tinha medo da relação em si, falei muito cedo pra minha família. Quando tinha 14 anos comecei a namorar um cara de 29, fiquei apaixonado e tal, e resolvi contar pra minha avó, sempre tivemos um relacionamento maravilhoso, ela na época com 73 anos, ficou pensando um pouco e disse: “O importante é que você não sofra por nada, o resto não importa”.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós) 

Como sempre fui extremamente independente no sentido de decidir sobre minha vida, logo depois falei para minha mãe, que se encarregou de contar ao meu pai. Minha mãe só chorou um pouco, lembro que naquele momento fui um pouco insensível, disse para ela parar de chorar que ninguém havia morrido, kkkk, tadinha. Algumas semanas depois, já estava tudo bem e todos familiarizados com a descoberta. Minha família sempre tratou muito bem todos os meus namorados, eles dormiam na minha casa, isso foi uma conquista minha, pois os namorados das minhas irmãs dormiam na minha casa e quando eu levei um namorado, a primeira vez, eles ficaram meio receosos. Então eu disse, se minhas irmãs podem trazer um namorado eu também posso, não há diferença nenhuma, assim eles compreenderam.

Depois fui casado e minha família frequentava a casa da família do meu companheiro e tal, sempre tive um excelente relacionamento com todos. Em todas as empresas em que eu trabalhei sempre fui muito popular, não por escolha própria, mas sempre fui muito parceiro e verdadeiro, nunca escondi a minha sexualidade e muita vezes para não constranger as pessoas que não têm convivência eu fazia brincadeiras sobre a sexualidade, tentando deixar a situação o mais normal possível.

Em 2008, quando comecei a trabalhar na Dell Computers, me tornei um dos líderes do grupo Pride no Brasil, que trabalha para o convívio harmonioso e para que os homossexuais sintam-se acolhidos e inclusos no ambiente de trabalho. Dava palestras sobre ética profissional e sexualidade para todos os funcionários da empresa e sempre me coloquei como exemplo. O retorno era fenomenal, o relacionamento dos meus colegas comigo sempre foi perfeito, os mais héteros me abraçavam quando eu chegava e tal, davam beijo e até me tiravam para dançar nas festas, era muito engraçado. Várias vezes eles me diziam, Anderson, eu gosto de você porque você é o que é, ponto final.

Sempre os tratei com muito respeito apesar das brincadeiras, e tenho um lema, se é amigo nunca será nada além disso.

Amo minha sexualidade, ser gay não quer dizer que você deixa de ser homem, pois sou bem homem no comportamento, na forma de me vestir e agir, mas não escondo jamais minha sexualidade. Tenho muito orgulho da maneira que eu vivo e se tivesse que escolher eu escolheria sempre ser gay!

Confira as polêmicas da atual turnê de Madonna 1

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Na estrada desde maio, a “MDNA Tour”, atual turnê mundial da cantora Madonna, chega ao País nesta semana. A etapa brasileira começa neste domingo (2 de dezembro), no Parque dos Atletas, no Rio de Janeiro. Na sequência, vai para São Paulo, nos dias 4 e 5, no estádio do Morumbi, e se despede em Porto Alegre, no estádio Olímpico, em 9 de dezembro.

Leia também: Madonna chega ao Rio de Janeiro com o maior show já produzido para um artista solo

Além das canções que fizeram de Madonna a “rainha do pop”, a turnê, como não poderia deixar de ser em se tratando de Madonna, acumula algumas polêmicas. O iG compilou as mais marcantes. Veja mais fotos, clicando aqui.

Suástica no telão

No primeiro show da turnê, realizado em Tel Aviv, Israel, Madonna aproveitou a música “Nobody Knows Me” para colocar no telão uma imagem da presidente da Frente Nacional da França, a política de direita Marine Le Pen, com uma suástica sobreposta em seu rosto.

Após o ocorrido, o partido ameaçou processar a cantora caso a imagem fosse utilizada na etapa francesa da turnê. Para evitar problemas legais, Madonna colocou uma interrogação no lugar do símbolo nazista.

Nudez no palco

Durante a apresentação em Istambul, na Turquia, em 7 de junho, Madonna levou o público ao delírio ao  mostrar o seio durante a canção “Human Nature” . Apesar das críticas, que apontam a nação muçulmana como um local pouco apropriado para esse tipo de controvérsia, a cantora não parou por aí.

No show realizado em Roma, poucos dias depois, Madonna abaixou a calça e mostrou o bumbum durante a mesma música. Em suas costas a pop star exibia a frase “no fear” (“sem medo”, em português). No mês seguinte, em Paris, ela voltaria a exibir o seio e o bumbum.

Armas de fogo

Na primeira parte do show da “MDNA Tour”, Madonna utiliza armas de foto durante três canções. Em “Girl Gone Wild” ela usa um rifle para quebrar um confessionário de vidro. Depois, em “Revolver”, suas dançarinas empunham metralhadoras. Por último, na música “Gang Bang”, ela atira em seus dançarinos (com direito a sangue de mentira jorrando).

O ato recebeu diversas críticas, principalmente após o tiroteio na cidade norte-americana de Aurora , em que um rapaz abriu fogo contra a plateia de um cinema que assistia ao filme “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” . Mesmo assim, Madonna não mudou essa parte do show.

Provocando Lady Gaga

Apesar de não travar uma guerra declarada, Madonna não deixa de provocar a cantora Lady Gaga nas apresentações de sua atual turnê. Aproveitando as comparações feitas pela crítica da canção “Born This Way”, de Gaga, com o seu hit “Express Yourself”, Madonna misturou as duas em um remix.

A cutucada acaba quando Madonna encaixa na sequência a música “She’s Not Me” (“Ela não sou eu”, em tradução livre). Apesar de tudo, Lady Gaga hasteou a bandeira de paz ao dizer durante uma apresentação que “as coisas estão bem diferentes do que eram 25 anos atrás. Não precisamos nos odiar mais”.

Protestos na Rússia

Durante a passagem da “MDNA Tour” pela Rússia, Madonna aproveitou seus shows para se posicionar a favor da banda de rock Pussy Riot , cujas três integrantes haviam sido presas após um protesto contra Vladmir Putin.

Em Moscou e em São Petersburgo, a cantora usou um capuz semelhante aos utilizados pelas integrantes do grupo, além de escrever “Pussy Riot” em seu corpo. “Sei que todos nesse auditório, todos os meus fãs, acreditam quem elas merecem ser libertadas”, afirmou.

Desgostosas com o ocorrido, autoridades russas xingaram Madonna pelo apoio dado à banda. “Conforme fica velha, toda ex-p… tenta dar lição de moral nos outros, especialmente durante viagens ao exterior”, escreveu o vice-primeiro-ministro da Defesa, Dmitri Rogozin.

Soco na cara

Durante a passagem da “MDNA Tour” pela Colômbia, na quarta-feira (28), Madonna foi atingida com um soco dado por um de seus dançarinos durante performance da música “Gang Bang”. Normalmente neste momento do show ambos simulam uma briga.

Porém, o soco de mentira acertou em cheio o rosto da cantora e abriu um corte perto de seu olho. Apesar do acidente, Madonna continuou a apresentação até o fim, sem interrupções, mesmo sangrando.

Madonna chega ao Rio de Janeiro com o maior show já produzido para um artista solo 1

Além do Rio, Madonna leva sua turnê a São Paulo (Estádio Morumbi) nos dias 4 e 5. E desembarca em Porto Alegre (Foto: Divulgação)

Além do Rio, Madonna leva sua turnê a São Paulo (Estádio Morumbi) nos dias 4 e 5. E desembarca em Porto Alegre (Foto: Divulgação)

Em vez de desfrutar da fortuna amealhada com os mais de 300 milhões de discos já vendidos ao longo das três décadas, a popstar que deu origem à série de duplicatas que habitam as paradas atuais decidiu que vai morrer outro dia. Entre todas as atividades a que se dedica, como sociedades em empresas que nada têm a ver com música, e o pé na indústria do cinema (agora como diretora e produtora), Madonna ainda encontrou tempo para idealizar e liderar o show “MDNA”, megaespetáculo pop que o público carioca poderá conferir neste domingo, no difícil, distante e complicado espaço do Parque dos Atletas, na Barra.

Além do Rio, Madonna leva sua turnê a São Paulo (Estádio Morumbi) nos dias 4 e 5. E desembarca em Porto Alegre (Estádio Olímpico) dia 9. “MDNA” é a nona turnê mundial de Madonna e leva ao palco a historinha contada no homônimo 12º álbum da estrela, lançado em março deste ano. Não sem uma boa polêmica, é claro. Enquanto o leitor ingênuo entendeu que as letras do título do álbum se referiam às iniciais do nome artístico de Madonna Louise Ciccone, o público afeito às pistas de dança foi rápido em associar a sigla ao princípio da droga ecstasy, descrito quimicamente como MDMA (metilenodioximetanfetamina). Pronto. Estava armada a primeira controvérsia da loura. Este ano. Madonna sempre soube atrelar à sua expressão artística aquela calculada dose de polêmica, combustível responsável por boa parcela da sua longevidade pop. A experiência como adolescente integrante de um grupo de teatro nos tempos da escola em Detroit (EUA) e no papel da dançarina que corria de teste em teste para disputar espaço nos musicais da Broadway, no início dos anos 80, lhe ensinou que extrapolar os limites do que se costuma considerar “normal” pode ser alvo fácil de preconceitos de toda a sorte. Com os excluídos na mira, uma fita cassete na mão e a vontade de “dominar o mundo”, como ela mesma disse à MTV americana em 1984, Madonna, então uma desconhecida, percorria clubes noturnos de Nova York pedindo a DJs para tocar “a sua música”. Numa dessas, a sorte lhe deu aquele sorriso maroto. O DJ Mark Kamins se entusiasmou com a resposta da pista a “Everybody”, gravada num estúdio independente, e apresentou Madonna ao presidente da gravadora Sire Records. Eles se deram bem, e, pouco depois, o single “Everybody” seria lançado mundialmente.

Devidamente abençoado pelas paradas e pelas pistas, o compacto simples abriu caminho para o álbum “Madonna”, em 1983. Era o primeiro LP da artista que, décadas mais tarde, seria aclamada por crítica especializada, pares artísticos e público como “a rainha do pop”, com números de vendas e catálogo de hits que a posicionam na categoria de ícones como Elvis Presley e Michael Jackson, ou seja, na mais alta casta da indústria da música comercial. A diferença é que ela sobreviveu ao preço pago pela fama e pela riqueza e ainda não descansou no aconchegante território do show sem riscos. “MDNA” é grandioso, feérico, o maior show já produzido para um artista solo. ê como se ela tivesse decidido dar um passo à frente das neodivas que trafegam pela estrada que já desbravou. O show no estilo “ópera pop” (formato criado por ela nos anos 90, certamente para encobrir suas deficiências vocais) mostra a trajetória de uma personagem que pede perdão a Deus por “seus pecados” antes de embarcar numa viagem sangrenta, violenta, pesada. Uma “descida ao inferno”, como ela definiu nas entrevistas que concedeu à imprensa internacional. Pense nas “vixens” do cineasta Russ Meyer (as poderosas fora-da-lei de “Faster Pussycat, kill kill”, por exemplo) e na violência dos filmes de Quentin Tarantino, e você terá acertado na mosca as referências de “MDNA”.

Espere uma abertura vigorosa em “Girl gone wild”, logo após os cantos gregorianos do trio francês de música basca Kalakan, convidado especial da turnê. Em “Bang bang”, um motel de beira de estrada é o cenário para coreografias de luta que já deixaram a popstar com hematomas no rosto, nos ensaios da turnê, em maio. Depois de um primeiro bloco barra-pesada, tudo clareia para o segmento “líder de torcida”, em que Madonna debocha do pop “bubble-gum” contemporâneo. Tira onda em “Give me your luvin’” dizendo que “…todos os discos soam iguais/ você precisa entrar no meu mundo”. Entre percussionistas que flutuam e dançarinas frenéticas, preste atenção nos monstrinhos projetados no telão, no mash-up de “Express yourself” com “Born this way” (faixa de Lady Gaga descrita como plágio da música de 1991), arrematado com “She’s not me”, refrão da canção de 2008 em que Madonna se dizia surpresa ao conhecer uma moça que começa a “ler seus livros, roubar seus ‘looks’ e usar sua lingerie”. Premonição? O bloco que começa com “Vogue” mostra o momento “vou pegar geral” da historinha contada por Madonna em “MDNA”. A entrada triunfal com todos os elementos fashion que a música evoca — como a releitura do espartilho de Jean Paul Gaultier (na foto aqui ao lado esquerdo), feita pelo próprio — cede lugar à desconstrução do personagem que se joga em um bordel, em “Candy shop”. Ela vai se despindo aos poucos para culminar com uma versão triste e lenta de “Like a virgin”, acompanhada apenas por um piano. Na temporada americana, Madonna incluiu neste segmento a faixa “Love spent”, que carrega o verso “Me abrace do mesmo jeito que você abraça meu dinheiro” (”Hold me like you hold my money”), cantado para o bailarino que divide com a loura a bela, porém desconcertante, cena que tem a popstar de roupas íntimas, imperfeições do corpo à mostra, cabelo desarrumado e maquiagem borrada. Ah, sim: neste momento, Madonna pede que as pessoas joguem gorjetas no palco. Ela cata todo o dinheirinho arremessado. Com gosto. Aliás, Madonna nunca foi de deixar dinheirinho algum dando sopa por aí. Se o pulso forte na parte artística da sua carreira sempre se manifestou por meio do perfeccionismo dos shows milimetricamente planejados (em tempo: os espetáculos de Madonna não têm bis, ela defende que entrega uma “obra músico-teatral com começo, meio e fim”), a porção empresária também sempre esteve presente. Além de controlar como poucos artistas os direitos de suas músicas, Madonna mais recentemente se associou a parceiros na Rússia, no México e na Austrália para abrir a rede de academias Hard Candy Fitness; autorizou o uso de suas marcas em dois perfumes; apostou alto ao comprar parte da marca Vita Coco, de água de coco, e começa a se aventurar na produção executiva de cinema ao lado do seu empresário Guy Oseary (que é um dos produtores executivos da saga “Crepúsculo”), além de, claro, dirigir filmes como o fracasso de bilheteria “W.E. – O romance do século”. Apesar do fiasco, ela conseguiu sair com o Globo de Ouro de Melhor Canção Original, por “Masterpiece”.

No show que você verá no domingo, Madonna canta a faixa na parte acústica do espetáculo, quando ela também conversa com o público e entoa uma versão sincopada de “Open your heart” e (tomara) “Holiday”, ao lado do filho Rocco Ritchie. O pré-adolescente de 12 anos e os outros três filhos de Madonna (Lourdes Maria, 16; Mercy James, 6; e David Banda, 7) a acompanham na turnê mundial e são educados por professores particulares e babás. A produtora Live Nation, responsável mundial pela turnê de Madonna, ainda tem contrato com a diva para o lançamento de dois álbuns e duas turnês. Se ela seguir o exemplo de predecessoras pop como Tina Turner e Cher, que atravessaram os 60 anos de idade encarando a estrada, ainda veremos Madonna aprontando bastante por aí. Mas o que será, afinal, que ela tem na manga para os anos vindouros? Há quem jure que o cinema será o caminho de Madonna. Mas não como atriz. Depois de filmes como “Evita” (1996), “Sobrou pra você” (2000) e “Destino insólito” (2002), ela teria desistido de atuar.

A experiência como diretora de “W.E.”, no entanto, teria sido mais recompensadora, apesar do achincalhe mundial da crítica. Há quem aposte numa temporada “de luxe” com ingressos a preços estratosféricos, para endinheirados, em lugares pequenos. A verdade é que, ao longo de três décadas, Madonna ensinou ao mundo que ela pode tirar uma grande ideia da cartola a qualquer momento. A conferir. A única certeza, no entanto, é que Lourdes Maria já tem 16 anos, vai morar sozinha e… sabe como é… qualquer dia desses ela começa a namorar e chega em casa cantando “mamma, don’t preach”.

Fonte: Agência O Globo