O pior preconceito é o que vem de dentro de casa Resposta

Anteontem (madrugada de sábado para domingo) passei parte da madrugada conversando com um amigo do Facebook que tem a identidade de gênero feminina, mas não pode assumi-la devido ao preconceito que sofre dentro da própria família – ele contou que é gay para o pai, mas mesmo assim é mal interpretado e, por ter cabelos longos, sofre discriminação na rua também, pois mora em uma cidade muito pequena. Fiquei pensando como deve ser difícil ter a alma aprisionada dentro de um corpo que não pertence a você, mesmo você tendo nascido com ele.

Por depender financeiramente da família, esse amigo não pode fazer nada, tem que viver feito homem, mesmo se sentindo mulher.

O pior preconceito não é o que vem das ruas, mas o que existe dentro da própria família.

Como eu gostaria que a discriminação fosse vencida através do diálogo, mas isso é utópico demais. Um dia o nosso planeta estará mais evoluído e chegaremos lá.

Eu, dono de uma página com mais de 40 mil seguidores (Entre Nós), que luta pela inclusão social dos LGBTs, fui dormir com uma sensação de impotência diante do problema do meu amigo, melhor dizendo, da minha amiga. Se nos colocássemos no lugar do outro, certamente seríamos mais respeitosos ou tolerantes, pelo menos.

Pais devem ser os primeiros a ajudar filho a lidar com homofobia na escola Resposta

Os pais devem mostrar que estão abertos para conversar e apoiar o filho quanto a sua orientação sexual Getty Images/Pixland

Os pais devem mostrar que estão abertos para conversar e apoiar o filho quanto a sua orientação sexual Getty Images/Pixland

Se o bullying nas escolas já é um grande problema na vida dos adolescentes, nos casos de homofobia, a situação é bem pior. Segundo estudo realizado em 501 escolas de 27 estados do país pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), em 2009, 87,3% das pessoas apresentaram algum nível de preconceito em relação à orientação sexual.

O estudo foi feito com questionários aplicados a 18.599 pessoas (entre estudantes, professores, diretores e pais) e revelou também que 98,5% dos entrevistados desejavam manter algum nível de distância dos homossexuais.

Além de sofrerem com a homofobia nas escolas, o que agrava a situação é que os filhos dificilmente encontram o apoio de que precisam em casa. “Se uma criança sofre preconceito por ser negra, ela chega em casa e fala com a mãe, que vai reclamar com a professora, a diretora. Os jovens gays, geralmente, não têm com quem falar, porque os próprios pais não aceitam sua orientação sexual”, declara Edith Modesto, terapeuta especialista em diversidade sexual e questões de gênero e fundadora e diretora do Grupo de Pais de Homossexuais (GPH).

Segundo Edith, que é autora de “Mãe Sempre Sabe? – Mitos e Verdades sobre Pais e seus Filhos Homossexuais” (Editora Record), o primeiro passo para ajudar os filhos é aceitá-los completamente. “O preconceito está diminuindo, mas, dentro de casa, mudou muito pouco. Os jovens ainda têm medo de contar para família que são gays. Se tiverem a aceitação dos pais, saberão que podem contar com eles para ajudá-los”, afirma.

De acordo com o educador Caio Feijó, autor dos livros “Pais Competentes, Filhos Brilhantes” e “Os Dez Erros que os Pais Cometem” (Editora Novo Século), o primeiro preconceito que os jovens gays sofrem acontece em casa. “A primeira discriminação acontece quando os pais sabem. Por mais que eles tenham uma cabeça aberta, a maioria não fica feliz, pois tem receio de que o filho sofra com o preconceito da sociedade”, diz.  Para Feijó, os pais devem buscar ajuda para conseguir lidar com a homossexualidade do filho, ou ele irá esconder sua orientação.

“O primeiro lugar que pode e deve oferecer segurança para o jovem é a casa dele. É preciso ouvir quando ele falar sobre sua orientação, e sem recriminá-lo. O jovem está cansado de ouvir piadas e ver os gays serem apresentados de modo preconceituoso na TV. Ele tem muita angústia dentro dele”, afirma Maria Cristina Cavaleiro, professora de políticas públicas da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) coordenadora do grupo de estudo sobre gênero e diversidade da instituição e participante do grupo Estudos de Gênero, Educação e Cultura Sexual (Edges) da Universidade de São Paulo (USP).

“Há uma dificuldade muito grande de aceitação por parte dos pais. Eles foram criados para terem filhos héteros, e os filhos aprendem, desde criança, que devem ser assim, que os sonhos dos pais foram construídos para isso”, diz Edith. “Muitos jovens me procuram perguntando como fazem para serem héteros, iguais ao pai, à mãe. Os filhos ficam tristes ao ver que os pais têm dificuldade para aceitá-los. Os adultos precisam entender que eles são assim, não escolheram ser.”

Filhos confiantes

Pensar em possíveis situações que o filho pode enfrentar na escola e prepará-lo para elas não é a melhor saída para ajudá-lo, segundo os especialistas. Para Edith Modesto, só se deve conversar se a situação acontecer. “Por mais que pareça que os jovens não ouvem os pais, tudo o que a família diz tem grande importância para eles. Se os pais sugerirem possíveis problemas, eles podem ficar com medo e se sentirem ansiosos sem necessidade”.

Segundo Klecius Borges, psicólogo pós-graduado pela USP que atua na área de terapia afirmativa para gays e orientação familiar desde 2001, os pais preparam os filhos para possíveis situações preconceituosas ao aceitá-los como são, sem críticas ou opressão, e ao ensiná-los que as pessoas são diferentes e não há nada de errado nisso. Com amor e apoio, os filhos acabam tendo maior autoconfiança para lidar com os problemas, incluindo a homofobia.

Para Feijó, se os adultos ensinarem os filhos a terem autonomia, a saberem lidar com frustrações e passarem a eles valores como cidadania, moral e ética, os jovens terão capacidade para se protegerem sozinhos.

Quanto o pai pode interferir

Ao perceber que o jovem é vítima de homofobia na escola, é natural que o primeiro impulso dos pais seja o de ir ao colégio e cobrar satisfações e, até mesmo, tentar conversar com os pais do colega que maltrata o seu filho. No entanto, é preciso ter cuidado para respeitar o espaço e a vontade do adolescente.

“Os pais só podem falar na escola se o filho permitir. Eles não podem chegar dizendo que o filho é gay e está sendo vítima de preconceito, a única pessoa que pode dizer isso é o próprio jovem, que, muitas vezes, não quer sair do armário ainda”, diz Edith.

Além disso, principalmente na fase da adolescência, é comum que o jovem queira resolver sozinho os seus problemas e tenha vergonha que os pais tentem fazer isso por ele. “Se os pais vão à escola, o jovem fica com fama de dedo duro, de covarde. Quanto mais os pais fortalecerem a autoestima do filho, mais ele mesmo irá se defender e falar com a direção sozinho, se for o caso”, diz ela.

Para Klecius Borges, nem sempre o filho adolescente deve resolver sozinho todos os problemas da sua vida. “É preciso avaliar se o que ele está sofrendo é grave e o quanto isso o está machucando. Se o pai ou a mãe perceber que ele está sofrendo e não sabe lidar com isso, cabe ao adulto ajudar”, diz.

Se, por exemplo, a discriminação é praticada pelos próprios professores, os pais devem comunicar imediatamente o ocorrido à direção da escola. “A Constituição fala que todos devem ser tratados sem preconceito. O adulto precisa saber que seu filho tem direito a expressar sua sexualidade e deve lutar por isso. É nessa fase que o jovem forma sua identidade, é fundamental que ele não sofra rechaço”, afirma Maria Cristina.

Nova escola

De acordo com a terapeuta Edith Modesto, se o adolescente já foi vítima de preconceito em uma escola e for mudar de colégio, os adultos devem conversar com a direção da nova instituição para avaliar sua filosofia. No entanto, a orientação sexual do filho só deve ser mencionada caso o jovem os autorize a falar sobre isso.

Para Borges, cabe aos pais escolher, no momento da matrícula, uma escola que saiba lidar com a diversidade de uma maneira geral. Os adultos devem perguntar, sem expor os filhos, se algum aluno já sofreu bullying e como isso foi tratado.

Sinais de que algo não vai bem

Com a tentativa de independência que é comum durante a adolescência, é normal que muitos jovens que sofrem preconceito na escola evitem contar o problema para os pais. Mas há sinais comportamentais que podem ajudar a família a identificar se algo errado acontece. Não querer ir à escola, sempre se atrasar para se arrumar, ter dificuldade de acordar e apresentar uma queda repentina no desempenho escolar são alertas que jovens que sofrem bullying começam a dar. “Se o jovem não conta, mas apresenta uma mudança de comportamento muito evidente e abrupta, é preciso conversar com ele”, fala Borges.

Nesse caso, o ideal seria que os filhos vissem espaço para conversar com os pais sobre o problema. “Mas, se os pais percebem que a situação é grave, é preciso tomar uma atitude, afirma Maria Cristina. Segundo ela, caso o adolescente ainda não tenha se assumido, há formas de mostrar para ele que se está aberto para esse tipo de conversa. “Hoje tem a novela que mostra personagens homofóbicos, por exemplo. Os pais podem mostrar que acham a atitude deles horrível, e os filhos entendem o recado sem que o espaço deles seja invadido”, diz.

Já quando a orientação do filho é algo aberto para a família e, mesmo assim, ele não fala sobre o que acontece na escola, vale ir ao colégio, sondar o que está acontecendo e ouvir o que os profissionais têm a dizer, segundo Maria Cristina. “Provavelmente, a primeira atitude da escola é negar, mas, caso se tenha certeza da homofobia, os pais devem buscar ajuda na Secretaria de Diversidade, nos disques-denúncia, na delegacia de ensino”. Também existe o Disque 100, para qualquer caso de homofobia.

Informações: UOL

E se seu filho fosse gay? Artigo de Arthur Henrique Chioramital 1

E seu filho fosse gay, o que você faria? (Foto: Thinkstock)

E seu filho fosse gay, o que você faria? (Foto: Thinkstock)

O Instituto Data Popular perguntou para 1.264 pessoas de cidades em todas as regiões do Brasil “Como você reagiria se seu filho ou filha se declarasse homossexual?”. Os resultados, divulgados na última sexta-feira (31/5), não poderiam ter me deixado mais feliz: 47% dos brasileiros disseram que não teriam problemas em aceitar os filhos caso eles se assumissem gays. O índice é dez pontos percentuais maior do que o de pessoas que rejeitariam seus filhos em função da orientação sexual.

Sério, gente, vocês não têm noção de como esses números são importantes. Mais do que apontar a diminuição do preconceito contra a população LGBT, o que já seria uma grande notícia a ser comemorada, a pesquisa mostra que, em todo o Brasil, gays e lésbicas correm menos risco de sofrerem agressões físicas e psicológicas no ambiente doméstico ou serem expulsos de casa por simplesmente saírem do armário. Vocês conseguem perceber o avanço que isso representa?

Assumir a homossexualidade para a família é um momento para lá de delicado. Mais do que o medo do preconceito e da violência, nos aterroriza a possibilidade de perder o afeto de algumas das pessoas mais importantes de nossas vidas: nossos pais, irmãos e parentes mais próximos. Não sei se vocês conseguem calcular quão angustiante essa situação pode ser. Imaginem correr o risco de ser afastado do convívio das pessoas que você ama, ser punido por algo que faz parte de você, mas que você não escolheu, como a cor dos seus olhos, o talento para os esportes ou inclinação artística. Agora misture tudo isso com a confusão emocional característica da adolescência. Tenso, né?

Eu mesmo demorei anos para abrir o jogo lá em casa. Com exceção da minha irmã mais velha, só no ano passado minha família ficou sabendo que eu gostava de meninos, oito anos depois de eu ficar com um cara pela primeira vez. E olha que minha mãe é uma mulher moderna e esclarecida, dessas que saem para dançar com as amigas, discutem política na mesa de jantar e não têm medo de mudar de ideia com relação a questões polêmicas diante de bons argumentos. Por que eu demorei tanto? Porque eu não sabia como ela reagiria. Eu sou o primeiro gay assumido da minha família e a falta de referência me deixava inseguro sobre como a situação poderia se desenrolar. Só tive coragem para me abrir depois que fui morar sozinho.

Meu caso está longe de ser trágico ou triste. Olhando para trás, tenho quase certeza que não havia motivos para temer uma reação negativa da minha mãe. Ela levaria um susto, sem dúvida, e precisaria de um tempo para se acostumar com a ideia de que seria apresentada a um genro e não a uma nora em um almoço de domingo qualquer. Nada além disso. Ainda assim demorei quase dez anos para ser honesto com ela.

Por isso o resultado da pesquisa feita pelo Instituto Data Popular é tão importante. Porque mostra a boa parte dos jovens gays e lésbicas de todo o País que não há o que temer, que eles vivem em lares inclusivos onde sua sexualidade é respeitada e a diversidade é vista com bons olhos. Lares onde eles são apenas filhos, com demandas e receios de filhos, com sonhos e anseios de filhos, independentemente do gênero da pessoa por quem se apaixonem. E isso, meus caros, é tudo o que podemos querer.

Engana-se quem pensa que queremos privilégios ou direitos que extrapolam a esfera do sensato. Engana-se quem pensa que queremos chamar atenção, chocar ou agredir quem quer que seja. Queremos apenas existir de forma plena. Queremos andar de mãos dadas na rua e ficar abraçados na fila do cinema. Queremos levar o namorado para dormir em casa e dormirmos juntos ou separados, de acordo com o que ditam as regras da casa, assim como nossos irmãos fazem.

Penso que cada vez mais gente começa a entender o que Boaventura de Souza Santos quis dizer quando afirmou que temos o direito de sermos iguais quando a diferença nos inferioriza e temos o direito de sermos diferentes quando a igualdade nos descaracteriza. Fico feliz em saber que uma parcela importante dessa tomada de consciência está acontecendo dentro das casas, no meio das famílias, de dentro para forma, como toda mudança consistente deve acontecer. Sou um otimista incorrigível. Escolho acreditar, todos os dias, que os bons são maioria. Pesquisas como essa mostram que há grandes chances de eu estar certo. Ainda bem.

Estudo liga preconceito a pessoas de baixo QI Resposta

Neonazistas nos EUA: pesquisa aponta que eles seriam menos inteligentes

Neonazistas nos EUA: pesquisa aponta que eles seriam menos inteligentes

Um estudo feito pela Universidade de Ontario, no Canadá, parece ser bastante provocador. A pesquisa chegou à conclusão de que pessoas menos inteligentes – sim, isso é um eufemismo – são mais conservadoras, preconceituosas e racistas.

O estudo revela que crianças com baixo QI estão mais dispostas a realizar atitudes preconceituosas quando se tornarem adultas. A pesquisa foi publicada na revista Psychological Science.

A descoberta aponta para um ciclo vicioso, em que esses adultos com pouca inteligência ‘orbitam’ em torno de ideologias socialmente conservadoras, resistentes à mudança e que, por sua vez, geram o preconceito.

As pessoas menos inteligentes seriam atraídas por ideologias conservadoras, segundo o estudo, porque oferecem ‘estrutura e ordem’, o que dá um  certo ‘conforto’ para entender um mundo cada vez mais complicado.

“Infelizmente, muitos desses recursos também podem contribuir para o preconceito”, disse Gordon Hodson, pesquisador chefe do estudo, ao site Live Science.

Ele salientou ainda que, apesar da conclusão, o resultado não significa que todos os liberais são ‘brilhantes’ e nem que todos os conservadores são ‘estúpidos’. A pesquisa é um estudo de médias de grandes grupos, disse Gordon Hodson.

Fonte: Exame

Futebol: onde os gays não têm vez, por Cristiano Ramos Resposta

Não existe meio mais escrachadamente homofóbico que o futebol. Nem mesmo o religioso. Porque, no universo boleiro, o preconceito não só é difundido, mas também maquiado. Sob a justificativa de apenas brincar com o tema, a espantosa maioria dos torcedores solta piadas das mais jocosas, comentários extremamente pejorativos, sejam dirigidos a torcedores rivais, a jogadores, árbitros, cartolas.

Esta será a última trincheira do machão brasileiro. Quando todas as outras áreas tolerarem a diversidade sexual (ainda que por força da lei, mesmo que sem concordarem), o futebol ainda estará aí para sujeito gozar à vontade (que sempre é muita) os homossexuais, fazendo de conta que isso incomoda ninguém, que é algo inofensivo.

Não se trata de gastar a coluna Na Diagonal com julgamentos morais, com apologia do politicamente correto levado à radicalidade. Interessa é refletir, fazer pensar sobre como o futebol – um dos inúmeros fenômenos-sociais-espelhos de nossa cultura – pode dizer bastante sobre como lidamos com o tema da homossexualidade.

Nas redes sociais, por exemplo, é possível encontrar inúmeros professores, advogados, jornalistas, até militantes de Direitos Humanos que, a pretexto de zoar o time e o torcedor adversários, investem tempo para criar ou repassar tiradas homofóbicas. São os mesmos que estão sempre malhando figuras como Jair Bolsonaro, Silas Malafaia e Marcos Feliciano, justamente por perseguirem homossexuais.

Essa gente muitas vezes se antecipa às possíveis críticas, adianta logo suas teorias: “Futebol não é coisa séria, não dá para considerar comentário nenhum homofóbico se assunto em questão for jogo de bola”. “Intenção é ofender ninguém, é só para desopilar, dar uma amenizada na discussão”.“Faço pra tirar sarro mesmo, mas não sou homofóbico, tenho até amigo gay” (sic).

Dá para crer que muitos torcedores pensem assim, genuinamente – o que não implica terem razão. Dureza é aceitar que educadores, formadores de opinião e até militantes de Direitos Humanos saiam com explicações desse tipo. Eles sabem que:

1. Futebol possui mais adeptos no mundo do que maioria das religiões e instituições; é traço cultural e negócio; e, como tal, não só reflete, mas também ratifica, amplia e até distorce valores morais.

2. A tradição de piadas homofóbicas é responsável não só por conflitos entre torcedores, por ofensas a árbitros etc. Ela edificou também uma das esferas mais hostis à inclusão da comunidade LGBT de que se tem notícia. Ou alguém acredita que a ausência de atletas, diretores, juízes e cronistas esportivos declaradamente gays é somente prova de que estes não existem no futebol?

Comum demais: quando o adversário vai muito bem das pernas, de contas em dia e ganhando tudo dentro de campo, o único meio de atingir o seu orgulho parece ser as piadas homofóbicas. Custa fortunas do Bill Gates e do sofrido Eike Batista acreditar que alguém grite “seu time é de veado” sem a mínima intensão de ofender.

Como alvirrubro que sou, nunca entendi porque a nóia se rubro-negros e tricolores defendem que somos o clube das “barbies”. Ora, eu ficaria muito satisfeito se toda a comunidade LGBT fosse Timbu, se ela ajudasse a lotar a Arena Pernambuco. Que problema nisso? Por que eu deveria me ofender com a possibilidade? Por que as pessoas tomam isso como meio de diminuir o torcedor do Náutico, assim como fazem outros com o Sport, ao falar das “suzis”?

Acontece que, para boa parte da população, ser comparado ou mencionado em convívio direto com gays e lésbicas é sim (ainda e espantosamente) algo constrangedor.

Muitos estudiosos trabalham as maneiras como futebol, Carnaval e outras manifestações culturais podem ser esclarecedoras, chaves para interpretação da nação, meios de nos conhecermos melhor. Não se trata de “culpar a janela pela paisagem” (existe frase mais cretina?), tampouco é objetivo demonizar torcedores (organizados ou não), profissionais do esporte e mídia especializada. Como em qualquer discussão, mais importante do que declarar vilões e vítimas é aprimorar modos de convivência, fortalecer a harmonia social, tentar reduzir a intolerância.

Existe aquele ditado matuto: “prefiro uma briga animada, em vez de conversa chata”. Coluna de hoje foi escrita no clima inverso, deixando o humor de lado. Não para inibir comentários – eles provavelmente hão de surgir, zoando bastante este cronista, e serão muito bem-vindos. Problema é que quase toda brincadeira perde a graça, cedo ou tarde. E isso de ridicularizar gays já não me faz rir há muito.

De repente, eu é que envelheci muito rápido. Ou, quem sabe, tenha perdido o humor do dia pra noite. Talvez (com certeza alguém aí aventou a hipótese) eu seja enrustido e nem sei!De qualquer modo, desconfio que prego no deserto sem refrigerante, suspeito que remo em jangada de tabica furada. Futebol seguirá como a derradeira trincheira da testosterona, onde os gays não têm vez, e o preconceito rola redondinho, disfarçado ou alienado.

*Cristiano Ramos é jornalista e escreve para o Blog do Torcedor nas terças.

A homofobia na região de Sorocaba (SP) e seu enfrentamento 1

Marcos Roberto Vieira Garcia*

Em que pesem algumas discordâncias em relação ao seu uso, o conceito de homofobia se popularizou no Brasil para designar o preconceito direcionado a lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT). O enfrentamento deste preconceito, como o de todos os outros, é condição indispensável para a construção de uma sociedade na qual os direitos de todos possam ser reconhecidos.

Pesquisa coordenada por mim e pelas profas.Viviane Mendonça e Kelen Leite, todos docentes do Departamento de Ciências Humanas e Educação da UFSCar de Sorocaba, revelou que a situação da homofobia na região de Sorocaba é tão grave quanto em outros grandes municípios brasileiros. Realizada por meio de questionário padronizado aplicado em 350 pessoas durante a Parada do Orgulho LGBT de Sorocaba, seus resultados preliminares indicam que aproximadamente duas em cada três pessoas que se identificam como LGBT em Sorocaba já foram agredidas verbalmente devido a isso, que uma em cada seis já foi agredida fisicamente pelo mesmo motivo, e que uma em cada vinte sofreu agressão sexual devido a sua sexualidade. Tais resultados não diferem significativamente dos obtidos em pesquisas semelhantes realizadas em paradas de outros grandes municípios brasileiros, como é o caso de São Paulo, Rio de Janeiro e Recife.

Não obstante estes dados evidenciarem claramente a necessidade de enfrentamento da homofobia no contexto local, é comum que muitos segmentos da sociedade civil não reconheçam a necessidade deste enfrentamento. Os argumentos contrários à defesa dos direitos da população LGBT vão desde um posicionamento explícito, existente, por exemplo, em discursos de religiosos fundamentalistas, que consideram a homossexualidade por si só como algo a ser combatido, até posicionamentos mais brandos – e por isso menos fáceis de serem percebidos em relação ao preconceito neles implícitos – como é o caso da argumentação que prega a aceitação da homossexualidade em troca de sua invisibilidade social. Este último tipo de argumentação pode ser percebido por meio de um exemplo, que externa a opinião de parte da opinião pública da região de Sorocaba. A propósito da realização da Parada do Orgulho LGBT de Sorocaba, o editorial de um jornal diário local externou a opinião que “os homossexuais precisam entender que historicamente a sociedade foi feita somente para os heterossexuais e o momento é de aprendizado e aceitação”. Transformemos a mesma frase em relação a outras modalidades de preconceito como o machismo e o racismo e perceberemos como traduz claramente um posicionamento preconceituoso, na medida em que estabelece o lugar de poder como atributo do grupo que tem um status dominante e que caberia ao grupo com status inferior se conformar com esta situação: “as mulheres precisam entender que historicamente a sociedade foi feita somente para os homens e o momento é de aprendizado e aceitação”; ou “os negros precisam entender que historicamente a sociedade foi feita somente para os brancos e o momento é de aprendizado e aceitação.”

O enfrentamento da homofobia não pode prescindir do direito à visibilidade das diferentes formas de expressão da homossexualidade, sob o risco de um reconhecimento dos direitos “pela metade”. A expressão da homoafetividade, portanto, deveria ser tolerada sob os mesmos parâmetros de decoro que a heteroafetividade: andar de mãos dadas, beijo em público e outros tipos de contato corporal não poderiam ser direitos apenas de casais heterossexuais. Da mesma forma, a visibilidade na mídia é fundamental para que o preconceito direcionado às pessoas LGBT diminua, pois facilita a aceitação das diferenças em relação às múltiplas formas de se expressar afeto.

Por este motivo, cabe ao poder público assumir um papel ativo no combate à homofobia presente em diversas instituições, sob a forma de programas de prevenção a sua manifestação. Faz-se mister, por exemplo, a realização de ações neste campo na escola, ambiente onde um terço das pessoas LGBT da região de Sorocaba pesquisadas relataram terem sido discriminadas.

Finalmente, é importante ressaltar a necessidade de que os gestores e legisladores saiam da posição de acovardamento em que muitos atualmente se encontram em relação à defesa do enfrentamento da homofobia, por receio de que tenham suas eleição comprometida pela perda do voto de grupos religiosos fundamentalistas. A pesquisa realizada em Sorocaba mostra que tal receio é infundado, haja vista que os três políticos mais citados como apoiadores da causa LGBT são politicos em exercício de mandato atualmente – os deputados federais Iara Bernardi (PT-SP) e Jean Wyllys (Psol-RJ) e a senadora Marta Suplicy (PT-SP). Tal fato mostra o nítido reconhecimento por parte da maioria da população brasileira – e também local – de que a defesa dos direitos das pessoas LGBT é vista como uma necessidade de todos que se preocupam com uma sociedade verdadeiramente mais democrática e mais justa.

* Marcos Roberto Vieira Garcia é doutor em Psicologia Social (USP) e professor da UFSCar – Sorocaba.

* Artigo publicado no Jornal Cruzeiro do Sul

Ativistas estão em Brasília para pressionar aprovação de lei que criminaliza discriminação contra pessoas com HIV Resposta

Em 2011, Congresso ganhou iluminação especial no Dia Mundial de Luta Contra a Aids / Foto: Leopoldo Silva da Agência Senado

Em 2011, Congresso ganhou iluminação especial no Dia Mundial de Luta Contra a Aids / Foto: Leopoldo Silva da Agência Senado

Dirigentes do movimento de luta contra a aids estão nesta semana, em Brasília, se reunindo com parlamentares para tentar acelerar o processo de discussão da Emenda da Câmera dos Deputados (ECD) 51/2003, que define como crime a discriminação dos portadores do HIV e doentes de aids. O texto já foi votado na Câmara e, como teve emendas, retornou para avaliação no Senado.

Os ativistas vão se reunir com o vice-presidente da Frente Parlamentar de Aids, senador Paulo Paim (PT/RS), e o Senador Aloysio Nunes (PSDB/SP), que é membro da comissão.

Para o presidente do Fórum de ONG/Aids do estado de São Paulo, Rodrigo Pinheiro, a importância de uma legislação que iniba as formas de discriminação se reflete nos relatos que o grupo recebe constantemente. “Ainda existem locais, escolas e. sobretudo, empresas que discriminam as pessoas vivendo com HIV e aids, impedindo acesso ao trabalho, promoções ou pressionando para demissões espontâneas”, afirma.

Outro tema a ser discutido é a sucessão na Frente Parlamentar de Aids. “O Deputado Chico D’angelo se licenciou do mandato para assumir a Secretaria Municipal de Saúde de Niterói, e as atividades da Frente não podem parar”, explica William Amaral, representante da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids núcleo Rio de Janeiro.

Audiência Pública

A preocupação com a destinação dos recursos para as ações de enfrentamento da aids levou os ativistas a também propor, em Brasília, a realização de uma audiência pública com parlamentares, gestores dos Programas de Aids, representantes da sociedade civil, pessoas vivendo com HIV e aids, entre outros interessados, a fim de discutir a inserção de ações através do novo sistema de financiamento da saúde, o Contrato Organizativo da Ação Pública da Saúde (COAP). (Saiba mais)

“A intenção é garantir a aplicação de recursos específicos via o novo sistema, inclusive com a sociedade civil, propondo ações dentro dos planos municipais e estaduais”, explica Márcia Leão, presidente do Fórum de ONG Aids do Rio Grande do Sul.

Redação da Agência de Notícias da Aids

Como saí do armário: Joana (nome fictício) 1

Antes de tudo, Rafael, queria que por favor colocasse o meu nome em anonimato. Eu queria muito poder colocar meu nome verdadeiro, mas sofro crises com a minha família na minha aceitação, e tenho recreio caso alguém deles acabe entrando aqui sem querer. Moro no Rio de Janeiro, sou estudante do 1° ano do Ensino Médio e já estou por volta dos meus 15 anos de idade. Sou bem nova, até.

Acho que como a maioria dos homossexuais, a gente acaba tendo noção que é “diferente” na infância. Quando eu era pequena, eu era mais apegada com os brinquedos dos meninos do que das meninas. Eu sempre tive um jeito bem moleque de ser, e provavelmente meus pais nunca perceberam isso na minha infância, ou fingiam não ver. E eu ainda tenho esse “jeitinho”. Na minha escola o pessoal comentava, mas era tudo muito inocente. Estudava nesse colégio há mais de 5 anos, e todos sempre me aceitaram, conheço todos. Os meus familiares também comentavam, e minha mãe quando percebeu isso, começou nessa luta terrível de tentar me “mudar”. Constantemente nós brigávamos, a ponto de eu tentar evitar a todo custo sair apenas com meus pais.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Mas o meu sentimento por garotas mesmo foi descoberto um tempinho depois, na minha entrada na pré-adolescência. Eu sempre olhava os homens como se fosse “obrigada” a gostar deles. Eu os olhava, e no fundo, eu sabia que não sentia tudo isso. Eu sabia que tinha algo diferente, mas sempre guardei isso pra mim. Eu me relacionei com alguns homens, mas nunca senti “aquilo” mesmo, sabe? Não me sentia confortável. E quando via fotos de mulheres, aí sim eu sentia algo. Só que quando eu percebi isso, eu tive medo. Medo, porque naquela época os meus pais, que são extremamente conservadores e preconceituosos, faziam a minha cabeça. Daí então, no ano retrasado, entrou uma garota nova na sala. E foi aí que eu realmente me descobri. Era ela linda, ela me encantava de uma forma que ninguém teria feito antes comigo… Foi minha primeira paixão… platônica. Tinha de ser hétero, claro, né?

Com o tempo, me abri com os meus amigos. E algo que eu agradeço todos os dias é por terem eles no meu lado. Não só meus amigos, mas como meus professores também. Eles me aceitaram, me apoiaram, sempre estiveram aqui ao meu lado quando eu precisei. Eu os amo tanto, do fundo do meu coração. 

Os meus pais são super homofóbicos e das poucas vezes que eu tentei me abrir com eles, fui totalmente discriminada. A maior discriminação que sofro aliás, é dentro da minha própria casa. Das últimas vezes que aconteceram brigas aqui, minha mãe encontrou mensagens minhas e discutimos a ponto de ela me bater e por pouco não fui expulsa de casa. Vivo com essa máscara, tendo que ser uma pessoa totalmente diferente do que sou na frente dos meus pais e constantemente dizendo mentiras. Repito, se não fosse meus amigos, eu talvez não estaria aqui agora, não teria forças para me manter de pé.

Bom, a questão é que atualmente, as coisas andam bem calmas por aqui. A minha única preocupação agora é que me mudei de escola, e vou conhecer pessoas totalmente diferentes, ainda não me acostumei com a ideia de retirar aquelas pessoas que eu tanto convivia da minha rotina, apenas as encontrar às vezes. Tenho medo dessas novas pessoas não se acostumarem comigo, pois como disse, eu tenho trejeitos, né. Mas torço para tudo ocorrer bem e eu conhecer novas e boas amizades lá. 

Sem dúvida, sair do armário foi uma das melhores coisas que já me ocorreu na vida. É um sentimento de liberdade tão bom, que chega a ser inexplicável.

O blog quer ouvir você

Conte para o blog como foi a sua experiência de sair do armário. Envie uma mensagem com o seu nome, a sua profissão, a sua cidade, o seu estado e uma foto (opcional) para o email oblogentrenos@gmail.com. A mensagem deve ter o seguinte título: Como eu saí do armário. Se quiser anonimato, basta pedir.

Em nova entrevista Claudia Leitte reforça sua ignorância com relação aos gays 28

Imagem

Claudia Leitte reafirma que ‘adora gays, mas prefere que seu filho seja macho’. Com esse tipo de afirmação, a cantora gonçalense (Claudinha não é baiana, ela nasceu em São Gonçalo, no Rio de Janeiro) acredita que é “uma tigresa sem papas na língua”. Mas na verdade não passa de uma pessoa ignorante, afinal, Claudinha Milk deveria saber que ser gay nada mais é do que ser macho que sente afeto, amor, tesão por outro macho.

Claudia Leitte é capa da Revista Joyce Pascowitch de dezembro, na qual aparece com uma produção selvagem e não poupou declarações constrangedoras.

Fazendo caras e bocas, ela confirmou sua declaração controversa de que adorava gays mas preferia que seu filho fosse macho.

“Não acho que deva tomar cuidado com o que eu falo. Sou muito verdadeira.”

Na entrevista, ela também negou a rivalidade com Ivete Sangalo. (Esse assunto já deu o que tinha que dar, mas Claudinha não fala sobre nenhum assunto relevante, afinal, ela é isso: rasa, sem conteúdo).

Claudia Leitte teve a chance de se redimir com a comunidade LGBT, mas preferiu repetir a declaração.

A cantora tem todo o direito de pensar que não gostaria de ter um filho gay, mas não deveria sair falando o que pensa, ou melhor, deveria pensar antes de falar, já que se trata de uma grande celebridade brasileira e uma formadora de opinião.

Pensei muito antes de publicar este post, mas não poderia omitir a notícia. Infelizmente, é isso que a falsa baiana quer: ser notícia a qualquer preço, mesmo que seja de maneira preconceituosa.

Rio Grande do Sul será o segundo estado a ter Comitê de Enfrentamento à Homofobia Resposta

Rio Grande do Sul

Para enfrentar os entraves no registro dos crimes de ódio que já tiraram a vida de quase 300 homossexuais ao longo de 2011, a Coordenadoria Nacional de Diversidade está instalando comitês de combate à impunidade nos estados.

O Rio Grande do Sul será o segundo estado a receber o Comitê Estadual de Enfrentamento à Homofobia, que deve ser lançado até a próxima semana. A previsão inicial era realizar o lançamento em cerimônia no Palácio Piratini, nesta sexta-feira (14), com a presença da ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário. Porém, o governador está em viagem com a presidenta Dilma Rousseff na Europa e o conflito de agenda não havia sido solucionado até o fechamento desta matéria.

No último dia 7, o estado do Acre foi o primeiro a inaugurar o Comitê proposto pelo governo federal (saiba mais, clicando aqui). A intenção é que o espaço seja um instrumento de mobilização para prevenção da violência contra a população LGBT e de cobrança das autoridades públicas sobre a devida investigação criminal dos crimes por homofobia.  “Isso não é algo que deve ficar apenas na luta dos movimentos LGBT. É um problema de toda a sociedade. Os principais problemas para o enfrentamento da homofobia são a invisibilidade dos crimes motivados pelo preconceito por orientação sexual e a falta de confiança dos homossexuais nos órgãos de segurança pública”, explica o coordenador Nacional de Diversidade Sexual, Gustavo Bernardes.

O governo federal apoia institucionalmente a criação dos Comitês de Enfrentamento à Homofobia, que serão mantidos pelos estados. A proposta é reunir os atores públicos e dialogar sobre as práticas de prevenção e criminalização da homofobia. “Estamos trabalhando para desconstruir a ideia dos crimes de ódio não serem registrados como tal. As polícias devem estar preparadas para atuar neste tipo de caso. Também vamos trabalhar com estes comitês para mobilização da aprovação do PLC 122”, falou o coordenador sobre o texto engavetado no Congresso Nacional há 10 anos e que prevê o crime por homofobia.

Observatório de entidades acompanhará trabalho do governo

Para acompanhar o trabalho do governo gaúcho neste tema, a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) reuniu 60 entidades, entre universidades, movimentos sociais e instituições públicas. Nesta sexta-feira (14), em uma audiência pública, no auditório da Escola Superior de Magistratura, será lançado um Observatório Contra a Homofobia. A iniciativa se somará ao trabalho do Comitê Estadual proposto pelo governo federal.

“Nós estivemos em reunião com a ministra Maria do Rosário, que reconheceu a nossa intenção. Nós não vamos atuar de forma a interferir no trabalho de promoção de políticas públicas, que é tarefa do estado: vamos acompanhar o encaminhamento deste tema pelo governo”, explica o vice-presidente Administrativo da Ajuris, Eugenio Couto Terra.

O tema do encontro será “A Homofobia e as Instituições” e será abordado pelo professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Henrique Nardy. Serão expostos dados científicos sobre a homofobia e haverá o relato pessoal de dois homossexuais que tiveram uma experiência positiva na conquista de direitos sociais. “Precisamos fomentar este debate na sociedade porque o preconceito é uma construção cultural que precisa ser modificada. Não temos ambiente de discussão sobre esta discriminação e a falta de conhecimento é, muitas vezes, a razão do preconceito”, fala Couto.

A motivação da Ajuris em liderar uma articulação das entidades, instituições e universidades partiu de um caso similar ao do jovem Lucas Fortuna. “Duas jovens foram assassinadas em Viamão, com possível motivação homofóbica. Conversamos com o delegado que disse que o caso se tratava de crime de assalto. Resolvemos seguir este debate com as entidades e promover alguma ação conjunta em relação a isso”, fala.

Desde abril deste ano o grupo passou a se reunir na sede da Ajuris e constituiu como primeira ação concreta a criação do Observatório Contra a Homofobia. O foco das ações e o tipo de atuação ainda serão discutidos na audiência de lançamento. Integram o grupo a ONG Somos, a Associação de Travestis e Transexuais do RS, Brigada Militar, Polícia Civil, Ordem dos Advogados do Brasil, Famurs, Serviço de Auxílio Jurídico Universitário da UFRGS (Saju), Ministério Público do Trabalho, Tribunal de Justiça do RS, cinco secretarias do governo gaúcho, entre outras entidades.

*Reportagem: Rachel Duarte, do Sul 21, com edição do blog.

Ambulatório para Travestis e Transexuais de São Paulo receberá troféu Movimento Gay de Alfenas (MG) 1

Ambulatório

O Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais do Centro de Referência e Treinamento DST/Aids de São Paulo, vinculado a Secretaria de Estado da Saúde, será agraciado com o troféu Movimento Gay de Alfenas/MG de Cidadania hoje, às 20 horas, na Câmara Municipal de Alfenas (Praça Fausto Monteiro, 85).

O prêmio será recebido por Angela Maria Peres, da diretoria do Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais. O prêmio, em sua 8ª edição, é dedicado a pessoas, entidades e instituições que de uma maneira ou outra contribuíram para reduzir o preconceito contra a população LGBT.