Jogador de futebol, Robbie Rogers, assume ser gay e se aposenta aos 25: “Impossível continuar” Resposta

Robbie Rogers deu entrevista ao jornal Guardian e posou para fotos. Depois de abandonar o futebol, ele pensa em seguir nova carreira no mundo da moda (Foto: Tom Jenkins/Guardian)

Robbie Rogers deu entrevista ao jornal Guardian e posou para fotos. Depois de abandonar o futebol, ele pensa em seguir nova carreira no mundo da moda (Foto: Tom Jenkins/Guardian)

Um jogador de futebol abandonar a carreira aos 25 anos é sempre um fato surpreendente. Mas essa foi a decisão de Robbie Rogers, americano que atuava na Inglaterra. O motivo? Ele assumiu que é gay em fevereiro. Quantos jogadores gays assumidos jogam profissionalmente? Os que jogam estão escondidos sob o medo. Um medo justificado e isso fica evidente no relato de Robbie Rogers, que jogou por Columbus Crew, dos Estados Unidos, Heerenveen, da Holanda, Leeds e Stevenage, da Inglaterra.

+ Futebol: onde os gays não têm vez, por Cristiano Ramos

+ Goleiro do Manchester United: “O futebol precisa de um herói gay”

+ Federação de Futebol da Holanda faz campanha contra a homofobia

+ Estadunidense da seleção de futebol admite ser lésbica às vésperas dos Jogos Olímpicos

+ Futebol inglês lança cartilha anti-homofobia 14 anos após suicídio de atleta

+ Federação inglesa abre processo contra três jogadores de futebol por homofobia

+ Ex-jogador de futebol, Edmundo ¨Animal¨ afirma já ter feito sexo com homens

+ Vanderlei Luxemburgo se diz favorável a presença de homossexuais no futebol brasileiro

+ Fundador de time de futebol gay recebe homenagem da Rainha Elizabeth II

+ Técnica de futebol é demitida de universidade após assumir sua homossexualidade

“No futebol é obviamente impossível se assumir gay”, disse o jogador, de 25 anos, em entrevista ao jornal Guardian. “Imagine ir para o treino todos os dias e estar com esse holofote?”, comentou o jogador. “É um circo todo dia”. Rogers relatou que a reação dos companheiros de time era um problema que ele tinha que lidar por ter revelado ser gay enquanto sua carreira ainda estava em curso.

Nascido em Rancho Palos Verdes, na Califórnia, o jogador começou a carreira no Orange County Blue Star antes de se transferir para o Heerenveen, da Holanda. Jogou então no Columbus Crew entre 2007 e 2011, onde chamou a atenção do Leeds, que o contratou em 2012. Sem conseguir ter sequência de jogos por suas lesões, foi emprestado ao Stevenage, mas também não conseguiu sucesso. Acabou dispensado em janeiro. Rogers foi parte do elenco da seleção dos Estados Unidos na Copa Ouro de 2011. O meia-atacante não entrou em campo naquele torneio, mas jogou 18 partidas pela seleção americana e marcou dois gols.

“As coisas irão mudar. Haverá jogadores gays”

“Eu sei que as coisas irão mudar. Haverá jogadores gays. Eu só não sei quando e como e quanto tempo levará”, afirmou o americano. “O próximo passo é como criar uma atmosfera onde homem ou mulher sintam que não há problema em assumir sua sexualidade e continuar a jogar? É uma grande pergunta”, disse ainda o agora ex-jogador. “O futebol tem muita história. É um grande esporte com muita cultura e tradição. Mas eu estou otimista que haverá mudanças”, disse, esperançoso, Rogers.

Tomar a decisão de se assumir gay em um meio onde isso não é bem aceito é um desafio que fez Robbie Rogers hesitar antes de se decidir por sair do armário. “Eu tive medo sobre como meus companheiros iriam reagir. Isso os faria mudar?”, contou Rogers. “Mesmo eu sendo a mesma pessoa, isso iria mudar o modo como eles agem comigo quando estamos no vestiário ou no ônibus?”, disse ainda o americano.

“Adicionar o aspecto gay não torna as coisas mais fáceis”, disse Rogers, que admitiu que não sabia se aguentaria ter que aguentar as possíveis ofensas que ele ouviria se continuasse jogando. “Eu posso ser forte o suficiente, mas eu não sei se isso é o que realmente quero. Eu quero apenas ser um jogador de futebol. Eu não quero lidar com o circo. As pessoas virão me ver só por que sou gay?”, desabafou.

Em entrevista ao New York Times, Rogers falou sobre uma das questões que são sempre faladas como um impeditivo aos jogadores gays: o momento de tomar banho no vestiário. “Eu tomei banho com homens no vestiário a minha vida inteira. E eu nunca fiquei excitado, como “Oba, é hora de tomar banho com os caras”. Não é assim. Não há interesse. Você não pensa em caras do seu time desse jeito. Simplesmente não pensa”, contou.

Ele contou que desconfiava ser diferente dos garotos que conhecia aos 10 anos e que com 14 tinha certeza que era gay. Mas tentou evitar que isso fosse revelado a público. Ele não contou para ninguém. Ninguém da sua família sabia, nem seus amigos mais próximos. “Eu sou um católico, conservador, jogador de futebol e gay”, disse, mostrando por que ele tinha receio de revelar a sua sexualidade. “Imagine viver o tempo todo com uma cãibra no estômago. Eu ficava pensando, eu espero que eu não faça nada que faça as pessoas pensarem ‘o Robbie é gay?’”, contou. “Eu nunca estive perto de me assumir antes. Nunca. Eu nunca fui a nenhum bar gay, nunca fiquei com um cara. Era tão pouco saudável e tão ruim me sentir assim. Dois anos atrás, eu pensava que nunca iria assumir na minha vida inteira”.

“Eu pensei em pegar um avião para casa e contar a todo mundo, mas eu precisava apenas fazer isso e tirar do meu peito”, conta. “A única vez que eu realmente chorei durante todo esse processo foi quando eu contei à minha mãe e ele disse apena: ‘Robbie, nós não nos importamos com isso. Nós amamos você’”.

Preocupação com a repercussão na carreira

Rogers também se preocupava com a reação dos torcedores e da imprensa sobre o fato de ele ser gay. “Se estivesse jogando bem, os relatos seriam: ‘O jogador gay está jogando bem’. E se eu jogasse mal, seria: ‘Ah, aquele cara gay, ele está com problemas porque é gay’”, avaliou o agora ex-jogador, que irá tentar ganhar a vida no mundo da moda. Ele é dono de uma marca de roupas masculinas, a Halsey.

Apesar de todos os problemas que tem que enfrentar um jogador que assume ser gay, Rogers não acredita que o esporte seja homofóbico. “Não acho que o futebol é homofóbico. Mas claramente há algo ali. Porque ninguém estendeu a mão. Nenhum outro jogador disse que era gay. Então definitivamente ainda há trabalho a ser feito, certo?”, concluiu.

A constatação de Rogers é clara. Não é o primeiro caso de jogador gay, mas é evidente que a reação do mundo do futebol a isso ainda está longe do ideal. O ambiente é masculinizado e machista e há um excesso de preocupação com um jogador gay, como se isso fosse interferir no time.

O preconceito ainda é forte em ambientes como o futebol, muito machistas e onde a força física e virilidade são vistos com bons olhos – e são características não associadas aos gays, por um preconceito que homossexuais do sexo masculino são afeminados, algo que não tem embasamento algum.

Está na hora de superar isso. Mas esse não é um problema só do futebol. Esse é só um exemplo de uma sociedade que ainda tem problemas em reconhecer liberdades individuais. Há gays em qualquer área profissional e isso não é problema algum. A qualidade do jogar dentro de campo não é influenciada pelo fato do jogador ser heterossexual ou homossexual. O que deveria importar é apenas o desempenho em campo. Será que um dia só isso já será suficiente?

Informações: Trivela

Uma vez rainha, sempre rainha: Madonna teve a turnê mais lucrativa de 2012 Resposta

Madonna: diva continua absoluta

Madonna: diva continua absoluta

Entra ano, sai ano e Madonna continua reinando. A turnê da Rainha do Pop (sim, rainha, os números falam por si só), MDNA foi a mais lucrativa de 2012, arrecadando mais de US$ 228 milhões em todo mundo. Foram 72 apresentações com ingressos esgotados, 18 a mais que o segundo colocado, Bruce Springsteen, que arrecadou US$ 199 milhões. Madonna vendeu este ano 1,635,176 ingressos para seus shows. O ex-Pink Floyd Roger Waters, com a recriação da turnê “The Wall”, ficou em terceiro lugar com US$ 186 milhões e 51 shows lotados. Os números são da Billboard.

Veja abaixo as 25 turnês mais lucrativas:

1. Madonna (US$ 228 milhões)

2. Bruce Springsteen and the E Street Band (US$ 199 milhões)

3. Roger Waters (US$ 186 milhões)

4. Michael Jackson: THE IMMORTAL World Tour by Cirque Du Soleil (US$ 147 milhões)

5. Coldplay (US$ 147 milhões)

6. Lady Gaga (US$ 124 milhões)

7. Kenny Chesney and Tim McGraw (US$ 96 milhões)

8. Van Halen (US$ 54 milhões)

9. Jay-Z & Kanye West (US$ 46,9 milhões)

10. Andre Rieu (US$ 46,7 milhões)

11. Dave Matthews Band (US$ 41 milhões)

12. Barbra Streisand (US$ 40 milhões)

13. Jason Aldean (US$ 39 milhões)

14. Lady Antebellum (US$ 38 milhões)

15. Red Hot Chili Peppers (US$ 33,9 milhões)

16. Brad Paisley (US$ 33,7 milhões)

17. Nickelback (US$ 33,7 milhões)

18. Trans-Siberian Orchestra (US$ 33,3 milhões)

19. Elton John (US$ 32 milhões)

20. Justin Bieber (US$ 30,6 milhões)

21. Rod Stewart (US$ 30,1 milhões)

22. Neil Diamond (US$ 29 milhões)

23. Pearl Jam (US$ 27 milhões)

24. Taylor Swift (US$ 26,3 milhões)

25. Rascal Flatts (US$ 26,1 milhões)

Madonna: uma história de vida feita de polêmicas 4

Imagem

Assim como Gabriel García Márquez fez em sua famosa autobiografia “Viver para Contar”, a carreira de Madonna também poderia resumir-se sob essa máxima, que, em inglês, intitula uma de suas mais famosas músicas, “Live To Tell”, origem de uma de suas muitas e famosas polêmicas.

Até a recente denúncia do partido francês Frente Nacional contra uma montagem audiovisual apresentada em seu último show em Paris, que destacava a política Marine Le Pen (líder da legenda ultradireitista) com uma suástica na testa, muitas são as polêmicas que envolvem a chamada “ambição loira”.

Além das questões puramente eróticas, Madonna também ambienta sua música em outros pontos de muita discussão, como a homossexualidade, o catolicismo, os símbolos nacionais e o antiamericanismo. Alguns atribuem seu compromisso com a liberdade, e outros com a máxima: “Que falem mal de mim, mas falem”.

Com o single “Papa, Don’t Preach”, de 1986, Madonna acendeu ao mesmo tempo os ânimos dos setores conservadores e dos progressistas. A canção, que fala de uma adolescente grávida, fugia claramente da rígida moralidade dos anos 1980, enquanto as feministas consideravam que a cantora banalizava um tema delicado.

Alguns anos depois, em 1989, Madonna lançou o clipe de “Like a Prayer”, considerado o mais escandaloso da história da MTV. Nele, a cantora se refugia dentro de uma igreja onde, com um provocante decote, aparece para dar vida a uma estátua de um Cristo negro.

Embora a artista tenha declarado que não pretendia brincar com a religião, aquela foi a primeira vez que uma de suas músicas foi considerada como uma blasfêmia. Na ocasião, a marca de refrigerantes que patrocinou o lançamento do clipe cancelou uma campanha similar poucos dias depois.

A partir de então, os confrontos da rainha do pop com os setores mais ortodoxos do Cristianismo foram contínuos e chegaram a um ponto extremo durante a Confessions Tour, realizada em 2006, quando a cantora interpretou “Live To Tell” descendo dos céus, pregada em uma cruz e com uma coroa de arame farpado, enquanto rostos de crianças sofrendo apareciam por trás.

A artista recebeu ameaças de sequestro da máfia russa, protestos liderados pelo ex-presidente da Polônia Lech Walesa e até uma tentativa de boicote por um sacerdote protestante holandês de 63 anos, que reconheceu ter sido o autor de uma falsa ameaça de bomba durante uma apresentação da loira em Amsterdã.

Além disso, no show dessa mesma turnê em Roma, Madonna incluiu imagens de Bento 16 em uma projeção que mostrava personagens como Hitler, George W. Bush, Benito Mussolini, Vladimir Putin, Osama Bin Laden e Saddam Hussein.

Já em 2003 – em plena Guerra do Iraque, liderada pelo ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush -, Madonna lançou o controvertido clipe de “American Life”, que trazia imagens de conteúdo bélico em um desfile de moda. “Me sinto muito patriota e muito orgulhosa de ser americana, mas me chateia ver que um país com tanto poder e influência esteja obcecado e motivado por valores errôneos”, disse então a cantora, que criticou a “obsessão dos americanos pelas aparências”.

Suas críticas aos políticos conservadores continuaram durante a turnê de “Sticky and Sweet” em 2008. Na ocasião, a cantora queimou imagens do então candidato republicano John McCain, assim como a de Adolf Hitler e de Robert Mugabe, o presidente do Zimbawe, ao som de “Get Stupid”.

Isso sem falar nos desafortunados episódios relativos a alguns símbolos nacionais. Os porto-riquenhos não viram com bons olhos o fato de a cantora nova-iorquina ter passado a bandeira deste “Estado Livre Associado” aos EUA entre as pernas durante um show em Bayamon em 1993.

Na Argentina, a cantora encontrou uma inflamada oposição à sua famosa interpretação de Eva Duarte de Perón em “Evita”. Nesta época, o então presidente Carlos Menem disse que sua escolha “não seria tolerada pelo povo argentino”. Posteriormente, Madonna também declarou que se identificava com sua personagem, com exceção desta ser “uma mulher disposta a tudo para assegurar sua ascensão social”.

Não há dúvidas de que Madonna possui tantos anos de polêmica como de carreira. O próximo episódio desta lista, por exemplo, poderá ocorrer já no próximo mês de agosto, quando a cantora se apresentará em São Petersburgo.

Ícone da comunidade gay, Madonna foi ameaçada pelas autoridades russas com uma multa caso ela venha a infringir a controvertida lei que proíbe “a propaganda homossexual” no país. “Não fujo da adversidade. Durante minha atuação, eu vou falar sobre essa ridícula atrocidade”, advertiu a cantora, que provavelmente deverá ter que pagar a quantia de US$ 170 por conta dessa advertência.

Pois é, em se tratando de Madonna, tudo é esperado. É babado, gritaria e confusão, como diria Preta Gil. Você se lembra de alguma outra controvérsia protagonizada pela rainha do pop?

*Com informações da EFE