Polícia encerra inquéritos e conclui que não há relação entre mortes de mulheres trans em Santa Maria (RS) e nem indícios de transfobia Resposta

Foto: Renan Mattos (Diário)

A Polícia Civil encerrou a investigação sobre os homicídios de duas mulheres trans em Santa Maria, concluindo que não há relação entre os dois casos nem indícios de que tenham sido motivados por transfobia. Três homens foram presos preventivamente e indiciados pelos crimes, ambos ocorridos em 7 de setembro. A Polícia Civil não divulgou a identidade dos presos.

Conforme o delegado regional Sandro Meinerz, Caroline Dias, de 27 anos, foi morta durante uma tentativa de estupro. A morte de Nemer da Silva Rodrigues, 37 anos, por sua vez, teria como pano de fundo uma discussão pelo empréstimo de um capacete.

No dia 13, a Polícia Civil prendeu preventivamente dois suspeitos de matarem Nemer. A dupla tinha antecedentes por posse de drogas, e, conforme a investigação, teriam armado uma emboscada como forma de vingança. Um deles pegou emprestado o capacete de Nemer, e ela estaria cobrando o objeto de volta.

No dia seguinte, foi preso o terceiro suspeito, que confessou ter matado Caroline Dias. Ele estava preso desde abril deste ano e havia sido solto no dia 6 de setembro, horas antes do crime.

Agora, os inquéritos serão remetidos à Justiça.

Marco Feliciano é alvo de protestos antes de palestra em evento no Rio Grande do Sul Resposta

Protesto contra deputado e pastor Marco Feliciano em Santa Cruz do Sul (Foto: Reprodução/RBS TV)

Protesto contra deputado e pastor Marco Feliciano em Santa
Cruz do Sul (Foto: Reprodução/RBS TV)

Cerca de 200 pessoas participaram na tarde deste sábado (15/06) de uma manifestação em Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo, no Rio Grande do Sul, contra o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, Marco Feliciano. Por volta das 16h, após uma caminhada, o grupo já se concentrava em frente ao Ginásio Poliesportivo, onde é realizado o Encontro Interdenominacional de Missões Culturais, que teria a participação do deputado em uma palestra à noite.

Com cartazes, faixas e gritos de ordem, o grupo quer a renúncia de Feliciano da Comissão. A manifestação foi organizada nas redes sociais e começou na praça central de Santa Cruz do Sul,  passou pelas principais ruas da cidade até chegar ao Parque da Oktoberfest, onde é realizado o evento religioso. A Brigada Militar montou um esquema de segurança com viaturas, polícia montada e apoio da Guarda Municipal. Nenhum confronto foi registrado.

Marco Feliciano chegou por volta das 20h à cidade e se dirigiu direto ao local da palestra em um carro, sem falar com a imprensa. Os manifestantes já haviam se dispersado e não ocorreu nehum ato contra o deputado.

O evento é realizado pela Igreja Evangélica Pentecostal Ebenézer Conservadora no município. O compromisso do deputado é como pastor, e não político. As atividades começaram na manhã de sábado (15/06) e se estendem por hoje.

A organização não confirmou, mas Feliciano deve sair de Santa Cruz do Sul e voltar a Brasília hoje pela manhã.

O deputado se tornou alvo de protestos, após assumir a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, por falas racistas e homofóbicas.

Fonte: G1

Comitê de Enfrentamento à Homofobia é instalado no Rio Grande do Sul Resposta

O Comitê Estadual de Enfrentamento à Homofobia foi instalado, na tarde desta sexta-feira (26), durante a audiência pública que tratou da criação do Sistema Nacional de Enfrentamento à Violência contra Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Travestis (LGBTs) no auditório da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), em Porto Alegre. Composto por representantes dos poderes Executivo, Judiciário e Legislativo, organizações não-governamentais e entidades representativas, o Comitê irá, entre outras ações, ajudar a construir o sistema nacional e coordenar a criação do Conselho Estadual de Enfrentamento à Homofobia.

Ao compor o colegiado, a secretária-adjunta da Secretaria da Justiça e dos Direitos Humanos (SJDH), Maria Celeste, falou do esforço da SJDH, juntamente com secretarias municipais e a sociedade civil, para traçar políticas públicas para a comunidade LGBT. “Temos de dar o exemplo demonstrando que vamos aprovar o conselho estadual e ter uma lei clara quanto aos direitos da população LGBT, para que isso seja uma política de Estado e não uma política de governo. Vamos irradiar uma política construída com a população do RS”, disse.

Número de denúncias 

Antes de começar os debates sobre o Sistema Nacional de Enfrentamento à Violência contra LGBT, o coordenador geral de Promoção dos Direitos LGBT da Secretaria dos Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República, Gustavo Bernardes, realizou uma apresentação das conquistas desse público ao longo dos anos e dos números de denúncias que chegam à SDH, principalmente pelo Disque 100.

Segundo Bernardes, no ano passado, a Secretaria recebeu 6,8 mil denúncias de violência contra gays, lésbicas, travestis e transexuais. Foram contabilizadas 1.713 vítimas e um total de 2.275 suspeitos. “O número de suspeitos bem superior ao de vítimas comprova que as agressões geralmente são em grupos que se organizam, muitas vezes, pelas redes sociais para atacarem. Por isso, é preciso ficar de olho”, alertou o coordenador.

Cento e noventa e oito dessas denúncias foram do RS. O Estado aumentou 241,3% o número de denúncias em relação a 2011, quando registrou 58 denúncias. Em todo o Brasil, o aumento foi de 265%. Os dados ainda demonstram que o perfil da maioria das vítimas é mulher, negra e na faixa etária de 14 a 19 anos. Em 2012, foram 278 homicídios.

Como eu saí do armário: Luckas Molter 4

Luckas Molter

Luckas Molter

Meu nome é Luckas Molter, tenho 17 anos, moro em Novo Hamburgo (RS), sou técnico em mecânica industrial, ataco de DJ nas horas vagas e organizador de festas.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Desde sempre soube e tive noção de que não era heterossexual, aos 14 anos cheguei à conclusão de que eu já estava pronto para me assumir. Lembro como se fosse hoje e jamais vou esquecer do dia 14 de setembro, quando cheguei em casa e dei oi para minha mãe que estava sentada na sala tomando café e lendo jornal. Eu disse que precisava conversar com ela. Sem achar que fosse alguma coisa tão séria, ela disse que tudo bem, falei para ela que era gay. Ela me olhou, começou a chorar, chegou perto de mim, encostou as mãos sobre o meu rosto e disse: “14 anos, é sempre soube que tu era mais maduro mentalmente, já esperava que tu fosse ter coragem e certeza para vir me falar sobre a tua sexualidade, meu menino cresceu.” Ela disse que sempre soube, que estava esperando o momento em que eu estivesse pronto para me assumir para ela, para a família e para a sociedade, disse que ia continuar me amando como qualquer mãe ama seu filho, sendo gay, hétero ou bissexual.

Como eu saí do armário: Jonas Sant’Anna 2

Jonas Sant'Anna

Jonas Sant’Anna

Meu nome é Jonas Sant’Anna, tenho 21 anos e sou de Porto Alegre (RS). Hoje eu vivo no Rio de Janeiro e faço faculdade de História. Como a maioria das pessoas devem saber, sair do armário no Rio Grande do Sul é muito difícil, principalmente para um homem. O imaginário do gaúcho gira entorno do homem macho que mata os inimigos a facadas, conquista as mulheres e acaba a noite bebendo com os outros machos alfa.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Bom, eu sempre fui uma criança contestadora que não aceitava fórmulas prontas. Em casa, na escola, em qualquer coisa que eu fizesse a minha pergunta era sempre “por quê?”, mas dificilmente havia alguém pra me responder, portanto eu acabava fazendo as coisas sem entender. Então quando eu era pequeno, eu lembro de ter uma namoradinha, mas lembro como se fosse hoje do meu coleguinha (que se chamava Paulo, o Paulinho) que me parecia ter o rosto com as feições mais “limpas” do que os outros colegas e era o amiguinho que eu queria estar junto toda hora.

Eu tive muita sorte de encontrar amigos que tinham respostas às minhas perguntas e frequentavam lugares que eu pude ir e me sentir livre, mas isso não era o bastante pra mim, eu não queria ser quem eu era somente em alguns lugares.

Acho que, diferentemente dos outros, eu não passei pela fase de achar que eu mesmo estava errado, talvez por já ser absolutamente arrogante desde pequeno. Portanto, aos 12 anos, um dia eu fui buscar a minha mãe no trabalho e chorando torrentes de lágrimas eu contei que me interessava por homens (eu falei que era bi, é o que me parecia facilitar as coisas) e ela me falou o quanto isso a preocupava e eu tinha que me cuidar para não sofrer fortes torrentes de preconceito. Combinamos que eu não sairia do armário para o resto da família, por que ela não os queria me tratando diferente, mas evidentemente eu não escondi minha sexualidade de ninguém que não fosse a minha maravilhosa mãe, porque era só pra ela que importava esconder, era a única opinião que contava para mim.

Bom, tenho certeza que eu ter uma mãe compreensiva ajudou muito a minha saída do armário, mas a minha própria vontade de ferro contribuiu, porque eu nem permiti que fosse aberta a discussão sobre ir ao psicólogo por causa disso e também não me importei com o preconceito de ninguém, quem quer que fosse me tratar diferente é por que não era meu amigo de verdade.

Espero que meu depoimento, apesar de curto, tenha servido de ajuda pra alguém que queira sair do armário também!

O blog quer ouvir você  

Conte para o blog como foi a sua experiência de sair do armário. Envie uma mensagem com o seu nome, a sua profissão, a sua cidade, o seu estado e uma foto (opcional) para o email oblogentrenos@gmail.com. A mensagem deve ter o seguinte título: Como eu saí do armário. Se quiser anonimato, basta pedir.

Bullying homofóbico 1

A enfermeira Denise Dal Ri, de Carazinho (RS), enviou ao Entre Nós um artigo sobre bullying homofóbico, escrito após palestra que ela ministrou, a convite do governo do Rio Grande do Sul, que possui um programa chamado Rio Grande sem Homofobia.

Faça como a Denise, se você tem alguma crítica, sugestão, foto, vídeo ou sugestão de pauta, envie para oblogentrenos@gmail.com. A sua participação é importante.

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Rio Grande do Sul será o segundo estado a ter Comitê de Enfrentamento à Homofobia Resposta

Rio Grande do Sul

Para enfrentar os entraves no registro dos crimes de ódio que já tiraram a vida de quase 300 homossexuais ao longo de 2011, a Coordenadoria Nacional de Diversidade está instalando comitês de combate à impunidade nos estados.

O Rio Grande do Sul será o segundo estado a receber o Comitê Estadual de Enfrentamento à Homofobia, que deve ser lançado até a próxima semana. A previsão inicial era realizar o lançamento em cerimônia no Palácio Piratini, nesta sexta-feira (14), com a presença da ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário. Porém, o governador está em viagem com a presidenta Dilma Rousseff na Europa e o conflito de agenda não havia sido solucionado até o fechamento desta matéria.

No último dia 7, o estado do Acre foi o primeiro a inaugurar o Comitê proposto pelo governo federal (saiba mais, clicando aqui). A intenção é que o espaço seja um instrumento de mobilização para prevenção da violência contra a população LGBT e de cobrança das autoridades públicas sobre a devida investigação criminal dos crimes por homofobia.  “Isso não é algo que deve ficar apenas na luta dos movimentos LGBT. É um problema de toda a sociedade. Os principais problemas para o enfrentamento da homofobia são a invisibilidade dos crimes motivados pelo preconceito por orientação sexual e a falta de confiança dos homossexuais nos órgãos de segurança pública”, explica o coordenador Nacional de Diversidade Sexual, Gustavo Bernardes.

O governo federal apoia institucionalmente a criação dos Comitês de Enfrentamento à Homofobia, que serão mantidos pelos estados. A proposta é reunir os atores públicos e dialogar sobre as práticas de prevenção e criminalização da homofobia. “Estamos trabalhando para desconstruir a ideia dos crimes de ódio não serem registrados como tal. As polícias devem estar preparadas para atuar neste tipo de caso. Também vamos trabalhar com estes comitês para mobilização da aprovação do PLC 122”, falou o coordenador sobre o texto engavetado no Congresso Nacional há 10 anos e que prevê o crime por homofobia.

Observatório de entidades acompanhará trabalho do governo

Para acompanhar o trabalho do governo gaúcho neste tema, a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) reuniu 60 entidades, entre universidades, movimentos sociais e instituições públicas. Nesta sexta-feira (14), em uma audiência pública, no auditório da Escola Superior de Magistratura, será lançado um Observatório Contra a Homofobia. A iniciativa se somará ao trabalho do Comitê Estadual proposto pelo governo federal.

“Nós estivemos em reunião com a ministra Maria do Rosário, que reconheceu a nossa intenção. Nós não vamos atuar de forma a interferir no trabalho de promoção de políticas públicas, que é tarefa do estado: vamos acompanhar o encaminhamento deste tema pelo governo”, explica o vice-presidente Administrativo da Ajuris, Eugenio Couto Terra.

O tema do encontro será “A Homofobia e as Instituições” e será abordado pelo professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Henrique Nardy. Serão expostos dados científicos sobre a homofobia e haverá o relato pessoal de dois homossexuais que tiveram uma experiência positiva na conquista de direitos sociais. “Precisamos fomentar este debate na sociedade porque o preconceito é uma construção cultural que precisa ser modificada. Não temos ambiente de discussão sobre esta discriminação e a falta de conhecimento é, muitas vezes, a razão do preconceito”, fala Couto.

A motivação da Ajuris em liderar uma articulação das entidades, instituições e universidades partiu de um caso similar ao do jovem Lucas Fortuna. “Duas jovens foram assassinadas em Viamão, com possível motivação homofóbica. Conversamos com o delegado que disse que o caso se tratava de crime de assalto. Resolvemos seguir este debate com as entidades e promover alguma ação conjunta em relação a isso”, fala.

Desde abril deste ano o grupo passou a se reunir na sede da Ajuris e constituiu como primeira ação concreta a criação do Observatório Contra a Homofobia. O foco das ações e o tipo de atuação ainda serão discutidos na audiência de lançamento. Integram o grupo a ONG Somos, a Associação de Travestis e Transexuais do RS, Brigada Militar, Polícia Civil, Ordem dos Advogados do Brasil, Famurs, Serviço de Auxílio Jurídico Universitário da UFRGS (Saju), Ministério Público do Trabalho, Tribunal de Justiça do RS, cinco secretarias do governo gaúcho, entre outras entidades.

*Reportagem: Rachel Duarte, do Sul 21, com edição do blog.