Daniel Newman sai do armário Resposta

Daniel

Daniel Newman é gay

Daniel Newman resolveu sair do armário aos 35 anos por meio de sua conta no Twitter. O ator é responsável por dar vida a Daniel, membro do O Reino, na série da AMC “The Walking Dead”.

“Eu sou #OUTandPROUD #LGBT, amo vocês, tenham orgulho de serem vocês mesmos”, escreveu. Depois do anúncio, o ator recebeu vários comentários em seu apoio. “Nós precisamos de todos do jeito que você é! Eu conversarei com vocês”, completou.

E realmente, mais tarde, Newman voltou a falar sobre assumir-se gay. Ele postou um vídeo no YouTube se explicando melhor. “Eu cresci em uma casa muito conservadora do sul da Geórgia, e realmente não importava o que era a sua sexualidade – não era conversa aberta, era sempre ‘Não fale sobre sua vida privada’, então eu estava tão acostumado a isso”, revelou.

Bem-vindo ao clube, lindo!

Veja o vídeo:

Jogador de futebol americano se assume e ironiza técnicos que acham que não existem gays em seus times Resposta

kevin

 

Parece que virou moda assumir ser homossexual no mundo do esporte. Depois do jogador de basquete Jason Collins que causou alvoroço ao assumir sua homossexualidade no mês passado, agora a vez é de Kevin Grayson. O rapaz é jogador do time de futebol americano Parma Panthers da Itália e já foi considerado um dos melhores atletas universitários de um time de futebol americano nos Estados Unidos.

Grayson concedeu uma entrevista ao canal TV CBS na qual revelou que já sofreu preconceito até mesmo por parte dos colegas que não acreditam em sua homossexualidade pela forma física e postura do rapaz. “As pessoas não acreditavam que eu sou gay por ser um atleta. Elas pensavam: o Kevin joga futebol, basquete, pratica corrida… sem chance”, afirmou o jogador.”Esse é o tipo de coisa que, se eu pudesse, voltaria no tempo e perguntaria: por que eu não posso ser um atleta? Por que eu não posso ser um astro do esporte? Por que eu não posso ser o cara que ajuda meu time a vencer e, ao mesmo tempo, ser um homem homossexual?'”, contou o jogador.

Ele revelou ainda na entrevista que os técnicos das seleções de futebol americano são muito ingênuos em acreditar que não existam gays em seus times, e diz ainda ter se divertido muito com as situações já enfrentadas. “As pessoas dizem ‘pare de ser uma princesa, pare de ser um marica… Há técnicos que são muito ingênuos por acharem que não há um atleta gay em seu time. Muitas vezes dei risada disso e me perguntava como seria engraçado se eu contasse para ele da minha orientação”, brincou.

Fonte: Lado A

Iniciativa da Nike promete por homofobia em cheque no esporte Resposta

Liz Carmouche: "Nike, se vocês estão procurando uma atleta gay para patrocinar, eu sou a primeira assumida do UFC. Lutei no primeiro combate feminino do mundo"

Liz Carmouche: “Nike, se vocês estão procurando uma atleta gay para patrocinar, eu sou a primeira assumida do UFC. Lutei no primeiro combate feminino do mundo”

A legalização do casamento gay na França — o país é o 14º a aprovar a união entre pessoas do mesmo sexo — tornou-se mais um passo na busca para acabar com a homofobia pelo mundo. O esporte também trava a sua batalha contra a discriminação. Gay assumido, Rick Welts, presidente do Golden State Warriors, time da NBA, contou em entrevista à gigante da comunicação Bloomberg que a Nike — maior patrocinadora esportiva do planeta — tem apoiado iniciativas de revelação de homossexualidade em público. De acordo com ele, a empresa colocaria em foco as oportunidades positivas que poderiam aparecer a partir disso.

A declaração de Welts à imprensa tem repercutido muito entre atletas. Tanto que a pioneira no UFC feminino Liz Carmouche se apressou em reforçar no twitter ser homossexual. Ela disse que adoraria um novo patrocínio. Na rede social, a lutadora escreveu: “Nike, se vocês estão procurando uma atleta gay para patrocinar, eu sou a primeira assumida do UFC. Lutei no primeiro combate feminino do mundo”. Carmouche, entretanto, não está sozinha nas artes marciais mistas. A transexual Fallon Fox já causou polêmica. Alguns acreditam que ela deveria lutar na categoria masculina, enquanto outros defendem a atuação na categoria feminina.

O especialista em marketing esportivo Paulo Henrique Azevedo define a estratégia da Nike como 90% mercadológica e 10% social. “Pessoas favoráveis a esses movimentos estarão mais simpáticas à empresa, que pode vender mais, mas não sei em que medida isso pode ser um benefício para atletas”, analisa. De acordo com ele, a marca pode, inclusive, acabar financiando a carreira de competidores heterossexuais que se proclamarão gays apenas para conseguir patrocínio.

Na opinião de Azevedo, ser talentoso ainda é suficiente para se obter o patrocínio de uma grande marca. “Se eles apoiarem um atleta ruim que se assumiu gay, isso é puramente mercadológico. O que eles querem é patrocinar alguém que fidelize o cliente”, diz. Os benefícios, de acordo com o especialista, ficam apenas para a empresa. “Talvez alguns atletas não estejam bem em esconder a homossexualidade, mas eu realmente não entendo como uma pessoa pode se beneficiar com a jogada da Nike.”

Anonimato

Enquanto para esportistas assumir a condição de gay tem se tornado cada vez mais comum, o mesmo não acontece entre os torcedores. O anonimato tem sido usado por eles para criar perfis no Facebook com o objetivo de combater o preconceito. Tudo começou com a página “Galo Queer”, no ar há cerca de duas semanas. “Fui ao estádio e fiquei muito incomodada com a naturalidade com a qual a homofobia é tratada e praticada”, conta a criadora do perfil, que não quis se identificar.

O que ela não imaginava era que tantas mensagens de amor e ódio iam se propagar tão rapidamente a partir da sua página. O perfil tem 5 mil curtidas e deu origem a pelo menos mais 10 do gênero. “Ficamos muito felizes de ver que o movimento se espalhou. Pelo visto, havia uma demanda reprimida de um movimento como esse”, explica a internauta. Se por um lado o incentivo anima, por outro, a violência ainda assusta. “Foram muitas as mensagens de ódio, muitas ameaças.”

A ideia é que o movimento chegue aos estádios e às torcidas organizadas. “Temos que fazer isso de forma segura, então, acreditamos que esse ainda não é o momento. Trabalhar a questão com o clube também está entre as nossas vontades. Vamos ver se dá certo”, comenta.

Se uma página chamada “Galo Queer” já criou tanta controvérsia, imagine a “Bambi Tricolor”, criada por uma são-paulina para combater o preconceito contra torcedores da equipe do Morumbi. No perfil, Aline — que prefere não divulgar o sobrenome — escreveu: “Se, até agora, Bambi foi um apelido usado para discriminar, por que não adotá-lo com orgulho e desarmar o preconceito?”

Aline conta que não tem sido fácil administrar as reações dos torcedores. “Tem gente achando que eu sou corintiana, ofendendo, mas acho que foi muito positivo o uso da palavra ‘Bambi’. É um jeito de neutralizar as ofensas”, comenta a professora. Ela se diz assustada com a violência nos estádios. “Senti na pele a homofobia naturalizada. A aversão está lá. O futebol ainda é machista e homofóbico.”

Para o criador da página Bahia Livre, que também não quis se identificar, o anonimato ajuda na hora de promover uma torcida sem homofobia. “É um ambiente que dá segurança para iniciar essa luta, mantém o anonimato dos integrantes, mas uma hora precisaremos nos organizar presencialmente”, afirma.

Opinião

A iniciativa da Nike é excelente, pois incentivar atletas a saírem do armário é dar exemplo à sociedade de que os LGBTs são seres normais, como os heterossexuais. Esses atletas também servirão como exemplo para milhares de pessoas que sofrem discriminação e como referência a jovens e crianças LGBTs.

Gays que saem do armário são menos estressados, aponta estudo Resposta

Segundo estudo, gays que 'saem do armário' são menos estressados (Foto: Cheryl Ravelo/Reuters)

Segundo estudo, gays que ‘saem do armário’ são menos estressados (Foto: Cheryl Ravelo/Reuters)

Gays e lésbicas que assumem sua orientação sexual são menos estressados em relação aos que não saem do armário, e frequentemente mais relaxados que heterossexuais, de acordo com um estudo divulgado nesta terça-feira no periódico científico “Psychosomatic Medicine”.

Pesquisadores do Hospital Louis H. Lafontaine, afiliado à Universidade de Montreal, testaram os níveis de cortisol – um hormônio do estresse – e outros indicadores de tensão em homossexuais, bissexuais e heterossexuais.

“Contrariando nossas expectativas, homens gays e bissexuais têm menos sintomas depressivos e níveis menores de carga alostática (uma medida do estresse do corpo) do que homens heterossexuais”, afirmou Robert-Paul Juster, o principal autor do estudo.

“Lésbicas, gays e bissexuais que se assumiram para suas famílias e amigos tinham níveis menores de sintomas psiquiátricos e menores níveis de cortisol pela manhã em relação aos que ainda estavam no armário”, acrescentou.

Os pesquisadores testaram 87 homens e mulheres, todos por volta de 25 anos, administrando questionários psicológicos e realizando exames de sangue, saliva e urina para medir o estresse. A descoberta pode dar apoio aos defensores dos direitos dos homossexuais.

Abrigo
A província de Quebec tem sido um refúgio para homossexuais franceses que afirmam sofrer intolerância em seu país natal, que está agora envolvido em um intenso debate sobre a legalização do casamento gay e a adoção por homossexuais. “À medida que os participantes do estudo desfrutam de direitos progressistas no Canadá, eles podem se tornar inerentemente mais saudáveis e resistentes”, disse Juster.

“Sair do armário não é mais um assunto de debate popular, mas uma questão de saúde pública. Internacionalmente, as sociedades devem se esforçar para facilitar essa autoaceitação, promovendo a tolerância, o avanço da política e a dissipação do estigma de todas as minorias”.

Quando perguntado sobre o pequeno número de pessoas analisadas, Juster disse que devido ao custo do estudo – com cada participante recebendo US$ 500 – o número de pessoas pesquisadas foi “respeitável”.

Ele acrescentou que estudos neurológicos frequentemente buscam mais informações detalhadas de um pequeno conjunto de temas em comparação com a pesquisa epidemiológica.

*Fonte: France Presse

Como eu saí do armário: João Victor Monterry 2

João Victor Monterry (sem óculos) e seu noivo Weldon Gomes.

João Victor Monterry (sem óculos) e seu noivo Weldon Gomes.

Meu nome é João Victor Monterry , tenho 19 anos, sou de Campos dos Goytacazes (RJ). Atualmente estou cursando a faculdade de Design Gráfico. Sou formado em francês, inglês, sou ginasta, modelo manequim e fotográfico. Trabalho como fotógrafo e, também, como designer gráfico.

Nunca fui uma criança “normal” como diziam os outros, sempre busquei mais coisas ligadas à arte, enquanto todos os meninos iam pra aula de educação física pra jogar futebol, eu sempre arranjava uma desculpa para não jogar. Nunca tive amizades masculinas, na verdade, de 10 amigos que eu tinha, oito eram meninas. Sempre via primos e outros falando sobre meninas e eu nem aí rs, às vezes até tentava falar do mesmo assunto que eles, mas era tudo porque eu achava que eu deveria saber dessas coisas também, mesmo não entendendo muito o que se passava por comigo.

Primeiramente eu tentava me aceitar, mas por medo do que “os outros poderiam falar” eu buscava ser como a sociedade acha que deve ser. Mas sempre fui muito tímido e confuso, até os meus 14 anos, quando de fato tive certeza do que eu realmente queria e gostava. Com 16 anos minha irmã, mexendo no meu PC enquanto eu estava na escola, viu uma conversa no MSN com um garoto no qual eu era apaixonado, então contou tudo pra minha mãe. (Infelizmente nunca tive uma irmã para confiar pra nada) Cheguei da escola, minha mãe me deu uma bronca, disse que Deus fez o homem e a mulher, que eu ia pro inferno, disse que essa não foi a educação que ela me deu e que eu não sou assim, que estou doente e blablablá.

Eu só soube chorar muito e pedir forças a Deus que era tudo que eu tinha e que me escutava naquele momento. De repente, mamãe entrou no quarto, mandou eu tirar pulseira, piercings, alargadores, escondeu meu PC, pois ela acreditava que o PC havia contribuído para minha “doença”.  Fiquei um tempo sem sair de casa, fiquei super deprimido mesmo, só queria morrer.

Meses se passaram, e eu acreditando que ela havia aceitado, ou entendido, ela voltou com o assunto que tinha que mudar, pois Deus e blablablá e todos já sabem a história. Infelizmente eu cansado disso, disse que iria mudar, mesmo sabendo que não havia chances de mudanças. Passei a mentir, dizer que ia para um lugar e ia para outro, pois assim ela deixava. Dizia que ia com uma pessoa e ia com outra. Minha vida se tornou um poço de mentiras. :'(

Até que passaram-se uns anos e eu resolvi ir na Parada Gay da minha cidade. Infelizmente moro numa cidade onde você solta um pum aqui e depois de 2 minutos a cidade toda já sabe o ocorrido. Meu pai soube de tudo, minha mãe já sabia, mas achando que eu tinha mudado. Voltou tudo de novo e mais coisas piores: meu pai me agrediu, me deu um soco no peito onde sinto dores até hoje, não comento sobre, mas ainda dói muito, a família inteira ficou contra mim, isto é, eu e Deus, contra todos e Deus.

Meus pais não me aceitam e nem procuram me entender, não adianta eu sentar para conversar com eles, pois eles sempre querem que eu seja como eles querem, querem sempre buscar soluções de acordo com a teoria deles. Hoje em dia, ainda não me dou  bem com ninguém em casa, meu pai anda sempre estressado, quer me agredir verbalmente e fisicamente.

Atualmente, tenho tentado ver um lado bom de tudo que ocorre em minha vida e buscando ser uma pessoa melhor, evitando que problemas afetem meu estado, minha capacidade de viver e buscar viver. Sou noivo do garoto mais lindo do mundo Weldon Gomes e por ele eu devo a minha vida, ele largou família, estudos, amigos numa cidade bem longe daqui, tudo por causa do nosso amor. Estamos juntos há 7 meses, e ele tem sido meu alicerce para continuar almejando a viver.

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Como eu saí do armário: Thiago Patrick de Oliveira Pires 1

Patrick de Oliveira Pires

Thiago Patrick de Oliveira Pires

Meu nome é Thiago Patrick de Oliveira Pires, tenho 21 anos, sou de Itapuranga (GO), terminei em 2012 minha graduação em Geografia, e pretendo ser professor.  Foi meio complicado sair do armário, pois sou do interior, e as pessoas não veem a homossexualidade com tanta naturalidade.

Inicialmente, quando criança, eu sempre fui muito tranquilo, tinha uma relação boa com minha família, amigos e colegas de escola, porém com o passar do tempo, fui percebendo que meus ciclos de amizades eram todos formados por meninas, o que me deixou meio pensativo, mas por ser criança, isso poderia ser resolvido depois.

Já  na adolescência, percebi que não sentia atração sexual por nenhum tipo de menina, o que me deixou muito preocupado e pensativo. No entanto, procurei ter alguns relacionamentos heterossexuais, que foram excelentes experiências, fiquei um tempo tranquilo em relação a isso, mesmo sabendo que havia algo estranho.

Futuramente, quando completei 19 anos, a atração por homens só aumentava, e as “ficâncias” com mulheres não mais me satisfazia. Então, um dia na internet conheci um rapaz que ficava com homens, tínhamos amigos em comum, e éramos da mesma cidade. Isso me chamou muita atenção, resolvi ficar com ele em novembro de 2010, e contei para os meus amigos, que já desconfiavam da minha orientação sexual. Eles reagiram com muita naturalidade, e isso foi muito importante.

Em janeiro de 2011, eu já namorando com outro rapaz, nas vésperas em que Lady GaGa lançou seu single de trabalho Born This Way, (que fala sobre aceitação) contei para minha mãe, que abriu o jogo para toda a família.

Bom, no final das contas, todos à minha volta só estavam esperando pela minha confirmação, pois já desconfiavam disso. Todos, eu disse exatamente todos, ficaram do meu lado, e me apoiaram, colegas de escola/faculdade, vizinhos, amigos e familiares, todas essas pessoas foram de total importância nessa fase de decisões, e só tenho a agradecê-las pela cumplicidade e amor com minha pessoa.

Por fim, foi muito prazeroso perceber que o “ser” homossexual não  é um bicho de sete cabeças, e que, apesar dos pesares, eu tive muita sorte, e espero que vocês tenham o mesmo. Sair do armário foi a minha maior conquista desde o meu nascimento até dias atuais. Obrigado.

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Como eu saí do armário: Wesley Houston Resposta

Wesley Cardoso

Wesley Houston

Me chamo Wesley Houston, tenho 15 anos, sou estudante, moro em Rio Claro (SP).

Estava toda a sala de aula na maior bagunça, o professor substituto não sabia o que fazer mais, os meninos então criavam cada vez mais liberdade e sabe aquele que tem moral na sala e tenta ser amigo de todos? Esse era e sou eu!

Os meninos já na putaria caçoavam de um menino amigo meu, por ele ser gay eu não aguentei ver meu amigo daquele jeito e então as asas da borboleta se abriram e livre ela voou “chega né? Sou gay, e daí? Vão caçoar de mim? Vai, já que o caçoaram, podem me caçoar também” e dei um beijo no meu amigo ali, pra provar aquilo que eu disse.

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Como eu saí do armário: Gabriella Trigo 1

Gabriella Trigo

Gabriella Trigo

O meu nome é Gabriella, tenho 21 anos, estudante de Farmácia. Moro em Iguape, interior de São Paulo. E me assumi pouco menos de 4 meses.

Eu sempre gostei de meninas, desde o jardim da infância, lasquei um beijinho na minha coleguinha (que hoje também é lésbica) rs. Minha mãe sempre sempre desconfiava de mim, via o histórico na internet e lá sempre havia site que eu visitava que abordava sobre homossexuais. Ela disse que se eu continuasse com essa besteira, iria contar pro meu pai, e ia acabar comigo. Morri de medo de inicio, e comecei a apagar o histórico toda vez que eu usava. Certa vez minha amiga Esthefany me ligou e começar a conversar sobre minha namorada (hoje ex), e sobre a namorada da minha amiga. Só que para a minha surpresa, minha mãe escutou toda conversa atrás da porta, e eu inventei uma desculpa.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Dias depois convidei essa amiga para passar um final de semana comigo, até então eu só conhecia ela por internet. Aí que minha mãe desconfiou, porque minha amiga era muito carinhosa comigo, mas sem malícias. Depois que eu levei ela para rodoviária, minha mãe estava no portão de casa me esperando, eu pensei: pronto, era uma vez Gabriella.

Ela sentou numa boa para conversar comigo (para minha surpresa), enquanto meu pai estava ao lado dormindo. Ela perguntou se eu era sapatão e começou a falar sobre várias coisas de Deus e tal. Fiquei com medo de falar que sim, pois fiquei com receio que meu pai escutasse. E mais uma vez perdi a oportunidade de falar pra minha mãe.

Depois de uns 4 meses, ela estava cozinhando e perguntou pra onde eu ia todas as noites, e voltava tarde. Eu disse que estava namorando e logo ela perguntou: Quem é essa pessoa? Falei que não tinha coragem pra falar e logo em seguida ela falou: “Você namora uma menina é isto?” Tomei coragem e afirmei que sim, que há há anos eu namorava meninas, que todos os meus amigos e algumas primas sabiam da minha orientação sexual e me apoiaram.

Obviamente ela caiu em choro, mas logo complementou: “Se você tem certeza de que é isso que você quer pra sua vida, não vou deixar de ser sua mãe e acima de qualquer coisa eu te amo e quero te ver feliz. Só peço que você não saia na rua de mãos dadas ou dando beijos igual aqueles de cinema, pra me preservar dos insultos que vou escutar de todos os familiares e também do seu pai, porque quando ele descobrir irá tocar a gente de casa. Mas antes que ele faça isso, eu prefiro que ele saia, do que você, porque te amo.”

Respondi que sim, que eu ia fazer o que ela havia me pedido, pois não queria que sofresse por mim. Depois disso foi um alivio, e minha mãe me trata super bem, como se nada tivesse acontecido. Só tomo cuidado por conta do meu pai, ele é muito violento e tenho a certeza de que é capaz de fazer algo ruim contra mim.

Como eu saí do armário: João Neto Resposta

João Neto

João Neto

Chamo-me João Neto, tenho 17 anos, moro em Canindé (CE), estou ingressando na faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Bem, eu sempre fui assumido para os meus amigos mais íntimos, e me sentia desconfortável em relação a esconder isso de minha mãe.

Lembro-me que no dia que eu me assumi, eu tinha acordado com aquele pensamento, mas não planejava contar de verdade. Até que à noite, quando eu cheguei da academia, minha mãe me perguntou o por quê de a maioria dos meus amigos serem gays, eu simplesmente respondi que era porque eu simpatizava com eles. Depois disso, fiquei no sofá pensando que aquela era a hora de contá-la, já que estávamos no assunto, então perguntei: “Mãe, o que a senhora diria se eu fosse gay?” Ela me olhou com os olhos vermelhos, como se ela quisesse chorar e disse: “O que posso lhe dizer meu filho? Você sabe que o mundo é preconceituoso, mas se é isso que você quer, eu só tenho que lhe apoiar.” E foi assim que eu falei para minha mãe. :3

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Ahhh, e antes disso tinha me assumido para a minha avó. Que foi bem menos tenso que contar para minha mãe. Tipo, eu meio que conto com a vantagem de ter um tio gay, e minha avó simplesmente o ama com todas as forças dela. Então quando fui contar para ela foi tudo de boa, ela disse que me amava, que isso não importava e que eu sempre ia ser o neto amado dela. *3*

E hoje não me importo com o que as pessoas acham sobre eu ser gay, pois as únicas que me importam são minhas mulheres. *–*

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Como eu saí do armário: Thiago Vinote 1

Thiago Vinote

Thiago Vinote

Olá, sou Thiago Vinote, tenho 19 anos, sou estudante de Enfermagem e moro em Duque de Caxias (RJ).

Bom, a forma pela qual eu me assumi foi um pouco louca e até diferente das demais, eu tinha 15 anos de idade e estava naquela época de internet, no qual era meu único meio de desabafar, eu confiava mais em meus amiguinhos virtuais do que nos meus próprios pais, nessa época, mais ou menos perto de completar meus 16 anos, minha irmã viu algumas coisas minhas no computador e começou a confirmar uma grande dúvida que ela tinha na cabeça. Ela veio até a mim e me fez trocentas perguntas, até que soltei que sentia atrações por homens, meio assustado e confiando que ela  não contaria a ninguém. Passadas algumas horas, minha mãe me chamou no quarto e começou a fazer várias perguntas, aí pronto, daí pra frente a situação começou a ficar complicada, clima chato etc. Uma situação que me deixou bastante feliz foi que o meu pai me aceitou com mais facilidade que minha mãe, que, pelo contrário, ficou semanas e mais semanas de cara, mas no fim das contas é o que todos sabem: OS PAIS SEMPRE VÃO NOS APOIAR, MESMO QUE ISSO DEMORE.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Eu não vou chegar aqui e falar que é fácil, que é pra você se assumir, porque cada um tem seu tempo, cada um conhece a família que tem, cada um tem que se sentir na hora de contar mas sempre colocando na cabeça que uma hora terá que acontecer e que quanto mais tarde for, pior.

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Como eu saí do armário: Túlio Xavier 1

Túlio Xavier

Túlio Xavier

Eu me chamo Túlio Xavier, tenho 21 anos, sou analista de sistemas e moro em Itumbiara (GO).

Quando temos uma orientação sexual gay, sabemos desde pequenos que somos diferentes, tanto por brincadeiras, gostos musicais, comidas, lugares etc.

Desde pequeno já tinha algo no ma minha mente que dizia que isso era certo ou errado, pois bem, com o passar dos anos, meus amigos foram notando que eu era diferente, até mesmo eu já sabia que era. Brincadeiras eram sem sentido, eu me sentia diferente, não me encaixava no grupo dos meninos e muito menos nos das meninas, já sabia inconscientemente que não era aquilo que eu queria para minha vida.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

O tempo foi passando e fui me descobrindo, sentindo atração por pessoas do mesmo sexo, mesmo achando aquilo meio estranho, fui tentando dispersar os pensamentos e levar uma vida hétero,  mesmo sabendo de algum modo que algo não me agradava, que algo não me faria sentir feliz completamente.

Quando entrei no meu primeiro emprego, aos 18 anos, ainda estava muito confuso, ficava com meninas, mas nunca ia até o final do “ficar”, eram somente beijinhos e amassos. Foi aí que encontrei uma amiga, que levo até hoje no coração, que me LIBERTOU, me convidando para uma pequena boate LGBT da minha cidade. Foi lá também que eu dei meu primeiro beijo gay.

Comecei a frequentar a boate LGBT escondido de amigos íntimos e familiares, começando uma vida dupla, foi nessa época que entrei em um bate-papo e achei um rapaz. Rapaz esse que, por coincidência do destino, era meu amiguinho de infância que eu nunca tinha esquecido. Rapaz esse, também, com quem tive o primeiro relacionamento homossexual, que foi escondido por quase três meses. Foi, também, a única parte romântica do namoro.

Minha irmã, já desconfiada, ao ver algumas conversas pelo MSN minhas no computador, foi investigando até ter a certeza de que eu era gay. Eu, desconfiado dela desde pequeno, fui investigar as conversas dela, até que ela também se abriu pra mim, revelando que era lésbica. Viramos, digamos, “amigos” depois dessa época tão transtornada.

Na virada do ano de 2010 para 2011, eu e meu namorado nos beijamos publicamente, em meio a toda cidade e tiramos algumas fotos. Por azar ou sorte, minha irmã que é lésbica apareceu com uma amiga minha de trabalho se beijando, junto a mim e meu namorado.

Passamos as fotos para nosso computador, que dividimos com nossos pais. Nas pastas e arquivos, por sorte do destino, eles viram nossas fotos, pois eu estava sendo pressionado por minha irmã a contar o que realmente éramos e assumir para nossos amigos e familiares. Nossos pais ficaram muito magoados, claro, comigo e minha irmã, por não termos contado toda verdade, mas na verdade eu não queria contar e dar esse desgosto a eles, mas minha irmã já queria contar assim que decidiu encarar um namoro que julgava ser o grande amor de sua vida.

Minha mãe e eu choramos muito e eu pedi minhas sinceras desculpas de todo meu coração, ela sempre me perguntava e eu negava, me disse também que no fundo ela sabia, que eu sempre fui uma criança diferente, me contou também que meu pai desconfiava de minha irmã.

Foi assim que saí do armário…

Mas não é porque sou “gay”, que vou sair por ai dizendo o que sou ou fazendo escândalos e disquetes, sou também humano e claro me comporto como homem, a sociedade já banaliza o assunto por sermos diferentes, temos que mostrar garra, força, e esfregar na cara da sociedade que somos capazes também de trabalhar, estudar, e constituir uma família!

Como eu saí do armário: Luckas Molter 4

Luckas Molter

Luckas Molter

Meu nome é Luckas Molter, tenho 17 anos, moro em Novo Hamburgo (RS), sou técnico em mecânica industrial, ataco de DJ nas horas vagas e organizador de festas.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Desde sempre soube e tive noção de que não era heterossexual, aos 14 anos cheguei à conclusão de que eu já estava pronto para me assumir. Lembro como se fosse hoje e jamais vou esquecer do dia 14 de setembro, quando cheguei em casa e dei oi para minha mãe que estava sentada na sala tomando café e lendo jornal. Eu disse que precisava conversar com ela. Sem achar que fosse alguma coisa tão séria, ela disse que tudo bem, falei para ela que era gay. Ela me olhou, começou a chorar, chegou perto de mim, encostou as mãos sobre o meu rosto e disse: “14 anos, é sempre soube que tu era mais maduro mentalmente, já esperava que tu fosse ter coragem e certeza para vir me falar sobre a tua sexualidade, meu menino cresceu.” Ela disse que sempre soube, que estava esperando o momento em que eu estivesse pronto para me assumir para ela, para a família e para a sociedade, disse que ia continuar me amando como qualquer mãe ama seu filho, sendo gay, hétero ou bissexual.

Como eu saí do armário: Lucas Mazzei 1

Lucas Mazzei

Lucas Mazzei

Me chamo Lucas Mazzei, tenho 18 anos, sou assistente fiscal, solteiro, moro sozinho na zona sul de São Paulo (SP). A maior zona metropolitana, no maior estado do Brasil. Há quem pense que se assumir em São Paulo é fácil. Mas ao mesmo tempo que ela é bem grande, ela é bem mal vista.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Quando saí do armário? Saí com 15 anos. Minha família sempre foi evangélica, e esse foi meu maior problema. Contei em uma segunda-feira. Havia marcado de contar em um domingo. Mas, como minha mãe sempre frequentou igreja, e aquele domingo iria ser um domingo de “Santa Ceia”, deixei pra segunda. Não conseguia nem mais olhar pra minha mãe, era como mentir, mentir, mentir, e de tanta mentira, ter até vergonha de olhar pra ela. Era uma situação totalmente desagradável.

Como saí do armário? Pensei em duas maneiras de contar, olhando nos olhos ou escrevendo. Como me expresso melhor com um pedaço de papel, optei por ele. Mal sabia eu, que essa seria uma péssima opção. Escrevi, usei ótimas palavras. E como o planejado, em uma segunda-feira lhe entreguei a carta a. Ela foi para o trabalho, eu fiquei em casa. E quando ela chegou do trabalho, às 22hrs, eu estava no PC, então ela olhou para a minha cara e disse: “Eu tomei calmante, amanhã a gente conversa”. Fitou-me por alguns segundos e passou pro quarto.

Jamais irei me esquecer dessa cena. Ao mesmo tempo em que foi engraçada, me deixou com um tremendo medo. Fiquei até com medo de dormir e acordar com um “Circulo de Oração” em volta da minha cama. Mas, acordei com tapas no ombro e um “Acorda que quero falar com você”. Ela falou tudo o que uma mãe religiosa falaria. Que era pecado, que isso não era de Deus, que eu estava errado, dentre outras coisas.

A partir disso, a minha vida se tornou um pequeno inferno. Eu não podia dar um passo que meus irmãos estavam atrás. Meu celular foi capturado pela minha mãe. Só que um detalhe que talvez ela não saiba, e depois disso saberá, é que eu estava namorando naquela época. E, ao entregar o meu celular pra ela, coloquei no famoso modo “OFF LINE”, onde o celular permanece ligado, mas em contrapartida, fica sem sinal – que por sinal, foi um ótimo recurso na época –.

Ela havia passado no pastor dela pra contar isso, contou pra algumas tias, que contaram para outras, e logo a família inteira estava sabendo. Até o pastor dela queria conversar comigo. A filha dele então estava louca para conversar comigo, pelo fato de eu ter vivido minha infância ao lado dela. Aceitei conversar com a filha dele, e pra que não ficassem no meu pé, usei o velho truque do: “Era só uma fase”, “Esse mundo colorido é um inferno, já passou”. Doce ilusão.

Deixei a poeira baixar, terminei meu namoro, porque ele não aguentou a situação e pulou fora. Continuei sendo gay, mesmo com milhares de orações, e pessoas falando que era errado. Mas também tive apoio de pessoas da minha família que jamais pensaria em ter. Meu irmão, um tanto quanto seco, alguns parentes com mais idade, que me surpreenderam. Então foram essas coisas que me deram força durante esse período. E dão ate hoje.

Hoje, moro sozinho, trabalho, me sustento, não prejudico ninguém, estou sempre na minha. Mostrando que um gay também pode ter tudo nessa vida. Que não é uma religião que vai definir caráter. Que nós não escolhemos ser assim, que não acordamos um dia e falamos: “Agora quero sofrer bullying, quero apanhar na escola, ser zoado pelas pessoas, ser motivo de olhares tortos”, e por aí vai.

Escolhemos ser felizes, não importa como. Hoje tenho orgulho do que sou. Não perdi nada, minha vida está ótima e melhorando a cada dia que se passa. Porque acordo todos os dias e penso: “Hoje vou ser e fazer melhor que ontem”.

Como eu saí do armário: Alexandre Martins Resposta

Olá pessoal, meu nome é Alexandre Martins e eu tenho 16 anos, sou auxiliar administrativo e dsigner na prefeitura de Itaipulândia (PR).

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Bom, sair do armário não foi uma decisão muito fácil pra mim, pois meu pa é homofóbico e minha mãe um pouco das antigas também. Ano passado, por volta de julho, eu estava namorando, aos poucos eu o trazia aqui em casa, como “meu amigo”, e ele vinha sempre acompanhado da irmã e do namorado dela. Ele sempre me tratou muito bem, cheguei até mesmo a amá-lo. Ficamos desde março juntos, e quase todos os finais de semana, ele comparecia para saírmos, assistir filme na casa dele, dar uma volta na avenida, enfim, pretextos para nos encontrarmos. Ele posou em minha casa duas noites, e eu na dele duas noites também. O irmão e a cunhada dele sempre desconfiaram, porque a gente dormia na mesma cama e eles viam, às vezes, que nós estávamos abraçados ou juntos.

Certa noite, ele veio em minha casa, e já era tarde, e eu o convidei para assistir a um filme comigo: Do Começo ao Fim. Meus pais estavam em casa, e pela cara que fizeram não gostaram de me ver entrando no quarto sozinho com ele, para “ver o filme”. Nós perdemos o medo aquela noite, deitei no colo dele, o beijei, nos acariciamos sem que o temor nos atacasse e dissesse: “seu pai está vindo, senta longe dele, rápido!”. Mas nada aconteceu. Assistimos ao filme e já era tarde quando terminou, minha mãe convidou-o para que posasse ali, e ele aceitou. A noite foi maravilhosa, aproveitamos ao máximo, feito ratos no silêncio, sem barulhos que se confundam com o som do vento lá fora. Era julho, mas estava quente, muito quente. Tudo aconteceu naturalmente, e no outro dia minha mãe estava diferente comigo, e me perguntou se a gente estava junto ou não. Não tive como esconder, e não queria mais esconder, também. Já havia ficado 15 anos dentro de um eu que nunca foi eu. Já estava saturado de ter quer ser “hétero” para todos. Queria o meu mundo encantado agora, queria que meu arco-íris também brilhasse, que meus olhos não mentissem mais, queria que todas as mentiras caíssem e que a verdade reinasse em minha vida para sempre. Queria.. queria… queria.

Nada foi como imaginei, a partir daí a barra foi mais forte. Perdi meu direito de sair e o de ficar. Perdi a confiança dos meus pais, perdi tudo, inclusive o medo de lutar pela minha felicidade! A partir desse dia, me pus em primeiro lugar na vida. Depois do Deus que me deu a vida, eu sou mais importante do que qualquer outra pessoa, eu devo me satizfazer e me fazer feliz, eu devo me gloriar e me humilhar perante ao Senhor. Eu devo agradecê-lo pela força que me dá de lutar nos meus dias, de enfrentar o preconceito que enfrento, de cara erguida.

Sei que assim como eu existem milhões por aí, assumidos ou não; e digo a você que está lendo isso: seja forte, lute pela sua felicidade, esqueça o mundo ao seu redor e procure se encontrar dentro de você. Deus ama os gays, assim como os héteros, Ele não distingue no tabuleiro o peão do rei e o bispo do cavalo, uma vez que todos acabarão guardados na mesma caixa. Ele alegra os oprimidos e rebaixa os exaltados. A fé deve estar ao seu lado neste momento, e seu amor próprio em primeiro lugar.

Como saí do armário: Rodolfo Tavares 3

Rodolfo Tavares

Rodolfo Tavares

Meu nome é Rodolfo Tavares, tenho 21 anos, sou estudante de História e moro em Niterói (RJ). Sair do armário pra mim foi um longo processo que se iniciou desde a auto-aceitação até me assumir aos amigos e, posteriormente, à minha mãe e irmã (que moravam comigo). Desde criança, eu olhava para meninos de maneira diferente de como olhava para meninas, mas como tive uma formação religiosa cristã muito forte, cresci aprendendo ser pecado gostar de pessoas do mesmo sexo e que isso me acarretaria uma vida de vícios que poderiam me levar ao inferno. Por toda a minha adolescência, meu desejo por homens aumentava e persistia na minha cabeça a ideia de que eu deveria gostar de mulheres. Eu tinha medo de ser gay. Medo de ser um ser que eu aprendi com o tempo a odiar e recriminar. Conforme os dias e anos se passavam e eu via que meu desejo sexual era exclusivamente para com homens e que realmente não conseguia ter o mesmo desejo ao ver mulheres, comecei a pensar que se eu realmente fosse gay, deveria sentir não somente o impulso sexual, mas também o amor ou a paixão.

Um pouco depois de fazer 18 anos, consegui um estágio como técnico de química num laboratório de uma universidade. No primeiro dia do estágio, eu vi o primeiro homem que eu teria um amor platônico. Eu nunca falei com ele, não sei seu nome ou o que ele estudava. Só sei que ele foi o que me libertou de mim mesmo. A partir daquele dia eu disse pra mim mesmo: “ok, eu sou gay”. Mas como tinha medo de minha família ou meus amigos não aceitarem, eu externei tudo que sentia em poesias e, meses depois, um livro que nunca terminei. Um amigo, certo dia, me contou que estava namorando há um tempo um outro homem e decidi confiar a ele “meu segredo”. Não sei até hoje o quanto sou grato ao Bernardo por ter me ouvido, dar conselhos e me levar a conhecer o “mundo gay” pelas baladas, notícias, reivindicações LGBT, séries, filmes etc.
À minha família contei poucos meses depois de ter contado aos meus amigos e, como esperado, foi um desastre total. E isso porque contei que era bissexual para ver se amenizava o escândalo que seria. Já estava cansado de viver uma vida “mentirosa” dentro de casa, pois não estava sendo verdadeiro ao esconder delas que eu era. Até hoje, minha mãe e irmã não aceitam e não falam absolutamente nada a respeito. Percebo que com o tempo elas vão aceitando melhor, mas não o suficiente para eu trazer um namorado em casa ou mesmo discutir crimes de homofobia e direitos civis, por exemplo. Costumo brincar com os meus amigos ao dizer que minha mãe me “homossexualiza” quando me dá uma roupa que muitos homens gays usam (mas ela não sabe) ou um celular que as pessoas classificam como feminino. Não deixo de amá-las porque elas são minha família e da mesma forma que resisti à aceitação da homossexualidade, elas também assim o fazem por agora. Nunca sofri preconceito diretamente fora de casa. Hoje posso dizer que sou uma pessoa feliz por saber quem eu sou, vivenciar a minha sexualidade que me me fez quebrar muitos preconceitos como o machismo e a homofobia e inclusive me fez mudar de carreira, pois com a saída do armário eu parei de ter medo de agir sobre a minha própria vida. Minha vida começou aos 18 anos da minha existência ao sair do armário.
Bem, é basicamente isso. Espero ajudar com a minha história outras pessoas que vivem situações semelhantes e que estão a decidir se contam aos amigos ou à família. Vamos ser felizes!

Como eu saí do armário: Anderson Fraga 5

Anderson Fraga

Anderson Fraga

Meu nome é Anderson Fraga, tenho 28 anos, sou gerente de atendimento em uma empresa de call-center e moro na grande Porto Alegre (RS).

Desde pequeno sempre fui muito decidido, apesar de não ter muitas experiências quando novo, não por medo de alguém, mas tinha medo da relação em si, falei muito cedo pra minha família. Quando tinha 14 anos comecei a namorar um cara de 29, fiquei apaixonado e tal, e resolvi contar pra minha avó, sempre tivemos um relacionamento maravilhoso, ela na época com 73 anos, ficou pensando um pouco e disse: “O importante é que você não sofra por nada, o resto não importa”.

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Como sempre fui extremamente independente no sentido de decidir sobre minha vida, logo depois falei para minha mãe, que se encarregou de contar ao meu pai. Minha mãe só chorou um pouco, lembro que naquele momento fui um pouco insensível, disse para ela parar de chorar que ninguém havia morrido, kkkk, tadinha. Algumas semanas depois, já estava tudo bem e todos familiarizados com a descoberta. Minha família sempre tratou muito bem todos os meus namorados, eles dormiam na minha casa, isso foi uma conquista minha, pois os namorados das minhas irmãs dormiam na minha casa e quando eu levei um namorado, a primeira vez, eles ficaram meio receosos. Então eu disse, se minhas irmãs podem trazer um namorado eu também posso, não há diferença nenhuma, assim eles compreenderam.

Depois fui casado e minha família frequentava a casa da família do meu companheiro e tal, sempre tive um excelente relacionamento com todos. Em todas as empresas em que eu trabalhei sempre fui muito popular, não por escolha própria, mas sempre fui muito parceiro e verdadeiro, nunca escondi a minha sexualidade e muita vezes para não constranger as pessoas que não têm convivência eu fazia brincadeiras sobre a sexualidade, tentando deixar a situação o mais normal possível.

Em 2008, quando comecei a trabalhar na Dell Computers, me tornei um dos líderes do grupo Pride no Brasil, que trabalha para o convívio harmonioso e para que os homossexuais sintam-se acolhidos e inclusos no ambiente de trabalho. Dava palestras sobre ética profissional e sexualidade para todos os funcionários da empresa e sempre me coloquei como exemplo. O retorno era fenomenal, o relacionamento dos meus colegas comigo sempre foi perfeito, os mais héteros me abraçavam quando eu chegava e tal, davam beijo e até me tiravam para dançar nas festas, era muito engraçado. Várias vezes eles me diziam, Anderson, eu gosto de você porque você é o que é, ponto final.

Sempre os tratei com muito respeito apesar das brincadeiras, e tenho um lema, se é amigo nunca será nada além disso.

Amo minha sexualidade, ser gay não quer dizer que você deixa de ser homem, pois sou bem homem no comportamento, na forma de me vestir e agir, mas não escondo jamais minha sexualidade. Tenho muito orgulho da maneira que eu vivo e se tivesse que escolher eu escolheria sempre ser gay!

Como eu saí do armário: Daniel Manson 6

Daniel Manson

Daniel Manson

Achei muito interessante esta iniciativa de incentivar as pessoas a contarem sobre como foi a sua experiência ao assumir a sua sexualidade, pois bem, aqui vai a minha história, que poderia virar um filme ou um livro rs.

Meu nome é Daniel, tenho 20 anos, sou de Florianópolis (SC) e desde muito pequeno, creio que com oito anos eu já me sentia atraído por pessoas do mesmo sexo, eu gostava muito de garotos um pouco mais velhos que eu, mas com o passar do tempo fui me sentido atraído por garotos da mesma idade que a minha. Infelizmente  nasci em uma família machista, evangélica e preconceituosa, por este motivo, durante a minha infância e a minha adolescência, sempre lutei contra essa minha atração natural. Um detalhe engraçado é que eu tinha um jeitinho afeminado e  meu pai, com medo de eu virar gay, me colocava para jogar futebol e fazer tudo que um homem  “macho”, na cabeça dele, fazia.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Com 13 anos descobri que na verdade eu era adotado (bem que sempre achei estranho, meus pais eram morenos e eu bem branquinho). Não vou entrar em detalhes de como é a história da minha adoção por ser bem longa, mas com 14 anos fui morar com a minha mãe biológica e sempre visitando meus pais adotivos. A minha família biológica não tinha religião e era formada de pessoas muito bem educadas, cultas e tinha uma situação econômica muito superior a minha família adotiva. Nesse lar eu me sentia à vontade para me expressar e dizer o que pensava, era incentivado a ser quem eu era de verdade. Assim, assumi a minha homosexualidade que foi muito bem recebida por todos, minha orientação foi aceita como uma coisa natural e fui tratado com muito amor e carinho.

Com 18 anos decidi contar aos meus pais adotivos e evangelicos que era gay, como já esperava, fui descriminado e sofri preconceito por parte deles, minha mãe chorou muito e custou a aceitar, na verdade até hoje ela não aceita. Depois de muito tempo ela disse que se eu sou feliz assim ela também é feliz e me aceita, porém, ela acha que um dia deixarei de ser gay, porque é o diabo que esta por trás disto.

Quando contei ao meu pai que é um evangelico fervoroso e coloca Deus acima e a frente de tudo, pude ver o ódio que ele sentia por min, ele disse que eu morreria e que ele não carregaria o meu caixão. Na época eu estava passando férias na casa deles e ele queria me expulsar e não queria nunca mais me ver, porém, o amor da minha mãe (mesmo sendo adotiva e evangélica) fez com que ela ficasse do meu lado.

O tempo passou e o destino fez com que essa família adotiva e humilde acabasse dependendo de mim financeiramente. Sou universitário, tenho uma boa profissão, moro sozinho e ganho o suficiente para viver uma vida confortavel e ajudá-los pagando o aluguel da casa deles e outras coisas (a verdade é que eu os sustento).

Hoje em dia o meu pai tem medo de me contrariar com seu fanatismo religioso. Já chegou até ao ponto de eu jogar fora todas as Bíblias e envelopes de igreja da casa dele fora e proibir de verem programas televisivos de igreja, este fato ja passou, não faço mais isto, porém, exijo que eles (principalmente o meu pai) respeitem a minha orientação sexual, atualmente quando vou à casa deles, sou muito bem tratato e respeitado.

Como eu saí do armário: Débora T. C. de Magalhães 2

Me chamo Débora, sou arquiteta, sou de Salvador (BA), mas moro em Bombinhas (SC).

Eu li a postagem de Jean Carlos e fiquei feliz que pra ele tenha sido tão tranquilo, como a minha historia é um pouco mais “comum” no sentido de reação familiar (ao menos entre as pessoas que conheço)  achei que seria bom contá-la, afinal nessas horas parece que estamos sozinhos.

Eu não sei precisar com quantos anos eu soube que eu era lésbica. Posso somente afirmar que nunca sonhei com um marido, era sempre eu e meus filhos nos meus sonhos de criança.  Tive alguns poucos namorados, mas sempre com pouco interesse e muito curtos. No dia que me vi apaixonada por uma menina, parecia que tudo fazia sentido, a essa altura eu já tinha 20 anos. Parecia tão forte e intenso que não podia viver escondido. Criei coragem e fui contar para minha mãe.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Não posso dizer que me arrependi, minha vida ficou bem mais honesta, o peso em minhas costas foi diluído  mas posso dizer que meu inferno começou.  Fui desrespeitada de quase todas as formas possíveis (só não apanhei), mas era seguida quando saía de casa, me tiraram meios de comunicação,  minha mãe queimou mais de 200 cartas que eu tinha com minha namorada na época, foi uma fase bastante difícil  e não durou pouco. Tive que criar meios para sobreviver a isso.

Minha vida passou a ser sempre escondida, meus amigos eram sempre os pivôs de qualquer passeio meio para não criar desconfiança  Sim, eu podia ter simplesmente saído de casa e acredite, o faria, mas tomei uma rasteira da minha namorada que pediu tempo e começou a namorar outra, meu mundo por um tempo parecia ter sido destruído. Minha mãe só sabia me ofender em qualquer conversa inocente. Levou um tempo e alguns relacionamentos depois e alguns anos de terapia.

Hoje em dia sou assumida para toda a parte que importa da minha família e os únicos que desrespeitam e ofendem são meus pais, conheci minha alma gêmea,  estamos juntas há dois anos, nunca estive tão feliz, juntamos nossos trapos. Moro com ela, sou muito feliz, apesar de ainda ouvir muitas ofensas. A parte mais difícil é que nunca quis ofender eles, então quando me ofendem, devolver ofensa parece tão injusto. Além do que, são meus pais e eu tenho ciência que devo respeito a eles, uma pena que eles não entendam que também me devem respeito. Dez anos depois (estou com 30), muitas dificuldades depois, estou feliz, amando e sendo amada e aqui pra dizer que apesar de tudo, valeu a pena utar” para ser quem eu sou.

Como eu saí do armário: Fernando Barbetta 5

Fernando Barbetta

Fernando Barbetta

Oi, meu nome é Fernando Barbetta, moro em Pomerode (SC). Sou estudante e tenho 16 anos.

Me assumi com 15 anos, já sabia que era homossexual desde os nove anos de idade, sempre olhava para garotos na escola e tal… Pelas redes sociais eu conversava com garotos, até que um dia conheci o meu namorado. Após muita conversa, colocamos no Facebook “relacionamento sério” e como aqui é cidade pequena, logo minha tia viu isso. De manhã eu estava na escola, quando cheguei em casa vi o computador ligado na página do meu Facebook.  Logo depois de um almoco silencioso minha mãe foi ao computador olhou, olhou e me perguntou quem era aquele cara, respondi que era um amigo, ela não acreditou. Depois me perguntou se eu era gay, respondi que sim, ela começou a chorar e falando onde foi que eu errei e blablablá. Nos dias seguintes, ela me xingou muito, me tirou do meu treino de judô, não deixava eu sair, nem saía com medo do que os outros falariam. Ela tentou me internar ligou para psicólogos e psiquiatras. E contou pro meu pai que mora em outra cidade. Ele me xingou muito ao telefone, e noutro dia, frente a frente ele falou que eu não era mais filho dele, que só tínhamos ligações sanguíneas, nada mais.  Ficamos em guerra dentro de casa por mais de meses. Até irmos pela primeira vez ao psiquiatra, onde ele disse que o problema era com minha mãe e não comigo.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Hoje em dia, ja me entendo muito bem com a minha mãe, ela já conhece o meu namorado e se dão muito bem. Meu pai não comenta sobre o assunto, às vezes ele me manda indiretas. O resto da minha família aceitou normalmente, falam que já sabiam disso.

Esta é a minha história de como saí do armário. :)