Como eu saí do armário: Danilo Rosa Gabriel 6

Danilo Rosa Gabriel

Danilo Rosa Gabriel

Eu poderia muito bem dizer que não sei como saí do armário. Ou então, dizer que não me lembro de um dia ter morado nele. Talvez o armário tenha sido o útero de minha mãe, e desde que de lá saí sou assumido para o mundo todo ver.

Meu nome é Danilo Rosa Gabriel e completo 20 anos no próximo dia 24 — por uma ironia do destino, talvez. Atualmente sou estudante calouro de comunicação social, nasci e cresci em Cabo Frio (RJ) e aos 18 anos fui morar em Niterói (RJ), onde resido até hoje.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós) 

Desde cedo, durante todo o meu crescimento, fui pressionado pela minha família a agir como homem. Talvez pelo fato de já perceberem esse meu prazeroso “desvio” da conduta, ou por estarem habituados com uma imagem de homem pré-concebida, dada de antemão. Minha voz, meus trejeitos e minha aparência — que eu, particularmente falando, nunca considerei uma anomalia — sempre geraram em todos com quem convivi um desconforto e talvez a sensação de constatarem uma certeza sobre a minha sexualidade. Digo isso com base nos olhares que lançavam e nas coisas que eu descobri que diziam sobre mim pelas costas e até mesmo na minha frente. Mas eu nunca havia pensado na minha sexualidade até os meus cruciais 15 anos.

A cidade onde cresci é relativamente pequena, minha família é do interior do ES e foi criada seguindo fielmente uma série de princípios cristãos de moral e boa conduta — mais tarde, aos 17, também me descobri ateu. Na escola, todos os anos, do ensino fundamental ao ensino médio, minha mãe travava uma batalha com as escolas em que estudei e com a Secretaria de Educação da cidade pra tentar defender seu filho dos insultos dos coleguinhas de classe. Devo confessar que eu sofria muito, mas com o tempo esse sofrimento se transformou em uma notável habilidade de ignorar o que os outros dizem e de ouvir apenas o que me convinha. Nesse sentido, posso dizer que saí do armário. Mas acho que nunca estive dentro dele. Posso dizer também que já tentei estar ao responder “não” à pergunta “Você é gay?”, mas sempre estive trancado do lado de fora.

Durante a minha adolescência, nunca consegui me relacionar com meninas e também com meninos. Isso porque nunca senti vontade. Nem ao menos olhava diferente pra eles, até os 15.

Considero como catalisador para o surgimento da minha sexualidade — recusando o termo transformação — um amigo que conheci assim que iniciei o ensino médio e que chamei de melhor amigo. Com nossas afinidades e características em comum, me acostumei com meu jeito, sem aquela sensação de estar desagradando a alguém. Minha maior dificuldade, vencida com a companhia dele, foi pronunciar a frase “Eu sou gay”. Dizer isso foi como vestir uma pele que me cabia perfeitamente, mas que estava revestida de insultos, palavrões, preconceitos e agressões, contra os quais eu um dia lutei e fugi. Minha aversão era à palavra gay — eu não sabia que era e estava aprendendo que sim. Simplesmente demorei a pronunciá-la, porque cresci assistindo condenações a isso. Mas pronunciei, COM TODAS AS LETRAS. Nesse momento consegui ganhar força e enfrentar o resto do mundo de cabeça erguida.

À minha mãe, só fui contar aos 18, depois que eu havia saído de casa e já estava na faculdade. Não que ela não soubesse, só fingia pra si mesma, acho. Foi em uma visita à casa dela. Estávamos em frente ao portão conversando e alguns meninos passaram e começaram a fazer piadas sobre mim. Ela, enfurecida, começou a discutir com esses meninos que tinham no máximo 14 anos. Pedi que ela parasse porque aquilo não ia levar a lugar nenhum. Depois que consegui acalmá-la contei tudo — resumido na frase que me acostumei a pronunciar sem problemas. Fiz isso como uma forma de tirar das costas dela a responsabilidade de defender um filho que já tinha aprendido a fazer isso sozinho. Senti que ela ficou decepcionada e isso me deixou com uma culpa desconfortável durante um tempo. Mas a aceitação veio. Só não sei se totalmente porque de vez em quando ela ainda solta algumas frases que tendem a me “por nos trilhos”, mas eu sei que não é culpa dela e sim de costumes e princípios com os quais ela cresceu. Ao resto da minha família nunca contei, mas está instaurada a política do Não pergunte, não fale (a mesma do exército norte-americano). Nunca perguntaram, mas se um dia fizerem eu contarei porque eles já sabem. Assim foi com minha irmã mais velha e mais nova — essas duas sabem tudo de mim.

Sempre vivi feliz comigo mesmo, e considero a descoberta da minha sexualidade um episódio pequeno na minha vida, dentre os vários que eu já vivi, justamente por considerar algo normal. Ao invés de lutar pra me assumir, hoje luto pra tentar desfazer esse conceito de homem como macho-alfa, justamente para também me instaurar como homem que sou, sem a necessidade de seguir padrões heteronormativos e uma séria de outras condutas impostas aos seres humanos. Isso porque o meu maior prazer sempre foi e sempre será DESVIAR A CONDUTA.

Como eu saí do armário: Alan Guilheiros de Cabral 2

Alan Guilheiros de Cabral

Alan Guilheiros de Cabral

Meu nome é Alan Guilheiros de Cabral, 19 anos, e sou de Aracaju (SE). Atualmente trabalho no Museu da Gente Sergipana e sou graduando em Letras pela Universidade Federal de Sergipe.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Sair do armário para minha família, foi tranquilo, exceto para minha mãe. Até hoje o clima entre ela e eu não é dos melhores. No entanto, há um ano e três meses atrás, quando tudo aconteceu, foi como se uma pedra gigantesca saísse das minhas costas.

Por ter nascido e me criado num berço religioso e ter sido inserido logo cedo nos “caminhos do Senhor”, até os 16 anos nunca vivi bem comigo mesmo e dizer a minha mãe que as histórias que ela havia escutado a meu respeito eram verdadeiras não foi nem de longe fácil.

Aos 17 anos, em julho de 2011, no dia da festa do meu aniversário, ganhei de presente um livro e um beijo do cara mais lindo que eu achava naquela época. Daí até outubro, foi uma questão de tempo pra minha mãe ficar sabendo de tudo o que eu vinha escondendo desde os 12. A imagem da mulher forte se quebrou diante de mim no momento em que, em prantos soluçantes, ela me perguntou se eu era mesmo gay e onde ela tinha errado comigo. Até hoje nosso relacionamento não é o mesmo que era até aquele dia. Acho que ela pensa que eu vou mudar e “voltar a ser o que eu era”. Mal sabe ela que eu já era assim desde o ventre. No entanto, ela tenta não lembrar disso e segue a vida e eu vou seguindo a minha, apesar de moramos debaixo do mesmo teto.

Meu pai? Ah, quem antes não me dirigia a palavra, tornou-se meu amigo e cúmplice! E já sabe até das minhas manhas (risos), apesar de me repreender vez ou outra, ao pedir que eu poupe minha mãe de certas coisas. Diz ele que quer conhecer meu namorado. Tá bom, pai! kkkkkkkkkk. Meu irmão é outro que, em troca de favores um tanto “chantagistas”, também aceita minha orientação sexual. O resto da família sabe, me entende e também me aceita como sou. Nada, absolutamente NADA mudou com eles: não me excluem das festinhas e dos passeios, muito pelo contrário, sou eu o organizador de todas elas, hehe ^^

E é assim… Minha mãe um dia há de perceber que eu tenho a minha vida e ela tem a dela. Por enquanto ela está anestesiada.

P.S. se você ainda está na fase em que sua mãe e/ou seu pai não aceitam e sempre rolam aquelas briguinhas dentro de casa, aqui vai uma dica: no momento da briga, deixe que eles falem, e gritem tudo. No fim, você vira as costas e sai, mesmo que venha na garganta aquela vontade de desabafar e gritar “EU SOU ASSIIIIIIIIIIM!”. Por experiência própria digo: é perda de tempo bater de frente e só piora a situação! Garanto que assim você encurta o tempo do sofrimento. Poupe-se e poupe-os! Combinado?

Como eu saí do armário: Eri Oliveira 2

Eri Oliveira

Eri Oliveira

Meu nome é Eri Oliveira, tenho 16 anos, sou estudante e moro em Maceió (AL). Como muitos devem saber, aqui no Nordeste é complicado para um homossexual ficar tranquilo, o índice de aceitação é baixo, homofobia topada e a violência contra os homossexuais, apesar de estar diminuindo, continua grande.

Desde pequeno sempre demonstrei vestígios que deixavam bem clara minha orientação sexual, porém, todo mundo preferia deixar tudo isso “abafado”. Sofri muito durante a infancia com brincadeiras e zombadeiras dos colegas na escola, que costumavam falar que eu era um “maricas”.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Realmente, sempre fui muito afastado de tudo que os outros garotos costumavam fazer, não jogava futebol, não brincava com carrinhos e ximbras, e sempre estava desacompanhado pela escola, nunca me enquadrava em grupo algum. Por conta das brincadeiras eu me tornei uma criança fechada, sempre muito caseiro, tímido, preferia não me relacionar com as pessoas por ter medo do que poderiam fazer, afinal, eu era somente uma criança, não sabia o que se passava.

Fui crescendo e começando a perceber as coisas em mim, me neguei, escondi tudo de todos, achei que aquilo era uma doença, frequentava a igreja cinco dias por semana pra tentar “tirar aquilo de mim”, ficava com garotas, e tentava ao máximo não demonstrar, mas continuei sofrendo com isso até a oitava série.

Com a transição para o ensino médio, ainda não tinha me aceitado, mas desejava ter uma vida mais social, e decidi que naquele ano de 2011 eu passaria a me socializar mais, fazer amigos, sair e etc.

Com isso comecei a andar com uma prima minha, que era um pouco mais velha que eu e, por isso, meus pais confiavam que saísse comigo. Ela tinha um namorado, e sempre que era possível, íamos a casa dele. Um belo dia, ele chamou um amigo pra lá, e nesse dia eu senti algo que nunca tinha sentido, uma atração forte e estranha por aquele rapaz, entrei em desespero. Ao voltar pra casa, liguei pra minha prima e disse que precisava contar algo, e falei que tinha sentido algo estranho por esse garoto, e que achava que era bissexual. Então ela falou que eu teria que “experimentar a fruta” para saber se era realmente o que eu gostava. Então ela contou para uma amiga nossa, lésbica (que na época não era muito próxima a mim), e aproximou a gente. Essa amiga me apresentou a alguns amigos dela, e acabei ficando com um deles, e foi ali que eu percebi que eu era realmente homossexual, ao beijar garotas jamais tinha sentido nada que se aproximasse do que senti naquele momento, e decidi que queria tentar novamente, e algum tempo depois, conheci outro garoto, ficamos, acabamos gostando um do outro, e começamos a namorar. Em casa, criei uma namorada falsa, que era com quem eu supostamente estaria quando saísse com ele.

Após quatro meses de namoro, fomos a uma festa e bebi um pouco demais, cheguei em casa um tanto alcoolizado, e dei de cara com minha mãe, que havia chegado mais cedo do trabalho. Sem ter muita noção do que estava fazendo, falei que queria conversar com ela e fui me deitar. No outro dia, quando acordei, já em estado de sobriedade, minha mãe me perguntou o que eu queria conversar com ela, eu falei que não tinha nada de importante a dizer, então ela falou que tinha uma pergunta muito séria pra me fazer, ela me olhou nos olhos e perguntou “Filho, sua namorada é mesmo uma garota?”.

Naquele momento entrei em choque, não sabia se devia assumir que tinha mentido esse tempo todo, ou esconder aquilo por mais tempo. Então resolvi fantasiar um pouco a verdade, falei que namorava, sim, com uma garota, mas que ultimamente não sabia se gostava realmente de garotas, e ela, com os olhos cheios de lágrima, me abraçou e falou que sempre soube de minha orientação, pelos meus gestos, meu jeito de andar, de falar… Mas que, apesar daquilo, eu não deixaria de ser seu filho e não deixaria de me amar acima de qualquer coisa.

Então eu pensei que se minha mãe já sabia, não tinha mais que esconder de ninguém. Grande imaturidade de minha parte, confesso, era muito novo ainda e estava achando tudo aquilo um máximo. Aí veio o grande erro, mostrar pra todo mundo que estava namorando um rapaz. Achava que não teria nada demais, afinal, não tinha meu pai em nenhuma das redes sociais, e achei que não teria problema. Foi aí que me enganei.

Uma vizinha viu em meu perfil no Orkut todas aquelas declarações de amor, depoimentos, recados… Então ela imprimiu tudo aquilo e mandou para o meu pai. Formou-se uma grande confusão em torno daquilo.

Eu não tinha coragem de procurar meu pai, com medo que ele me perguntasse. Meu pai, que é separado de minha mãe, há semanas não me ligava para saber como eu estava, não me visitava, tinha sumido.

Um dia, meu pai procurou minha mãe e perguntou a ela. Minha mãe preferiu falar que não sabia, e pediu que ele conversasse comigo. Ele falou que não conversaria comigo, e que preferia morrer a ter um filho homossexual. Que preferia que eu fosse um traficante de drogas, um gigolô, um ladrão, mas que homossexual ele não admitiria.

Aquelas palavras me partiram o coração, e passamos algumas semanas sem nos falar novamente. Depois disso, voltamos a nos falar, porém, nunca tivemos a tal conversa. Ele sabe disso, e eu sei que ele sabe, mas preferi que ele não tivesse que escutar isso da minha boca pois sei que seria um desgosto pra ele.

Minha mãe até hoje me defende com unhas e dentes de qualquer pessoa que falar algo sobre mim, graças a Deus, apesar de meu pai não me aceitar, minha mãe se mostrou uma verdadeira guerreira e me acolheu apesar de tudo.

Dois anos depois de tudo, tenho ao menos um pouco de sossego para ter relações, namorar e viver um pouco da minha vida tranquilamente. No começo, achei que me assumindo para meus amigos perderia todos e ficaria solitário, mas pelo contrário, ganhei muito mais amigos depois que me assumi, e os meus verdadeiros amigos continuaram ao meu lado depois disso. Agora sou assumido para todos os meus amigos, e pra grande parte da família, o que facilita bastante minha vida. E foi assim que eu, parcialmente, saí do armário.

Jodie Foster fala pela primeira vez sobre sua homossexualidade Resposta

Jodie Foster recebe prêmio no Globo de Ouro por sua longa carreira (Reuters)

Jodie Foster recebe prêmio no Globo de Ouro por sua longa carreira (Reuters)

Jodie Foster emocionou a plateia do Globo de Ouro ao defender falar pela primeira vez abertamente sobre sua homossexualidade. Em discurso após receber o prêmio Cecil B. de Mille, a atriz deixou claro que já havia tratado do assunto “há milênios” com familiares e amigos e não via motivo para esse tipo de declaração ser feita em público.

“Tenho uma certa necessidade de dizer algo que nunca declarei em público, uma declaração sobre a qual estou um pouco nervosa, não tanto quanto a minha assessora. Mas vou falar, com orgulho, eu sou… solteira”, brincou a atriz de 50 anos, “Espero que vocês não fiquem desapontados por não haver um grande dicurso de ‘saída do armário’ hoje, pois já saí do armário há mil anos, na Idade da Pedra. Naquele tempo em que uma pequena menina frágil se abriu para amigos, família, colegas de trabalho e gradualmente para todos que a conheciam.”

Logo depois, ela aproveitou o momento para criticar o excesso de visibilidade dado às vidas pessoais dos artistas.

“Hoje, pelo que dizem, toda celebridade deve revelar detalhes de sua vida privada em conferências de imprensa, lançamentos de perfume e reality shows no horário nobre”, criticou.

A sexualidade de Jodie Foster não é nenhum segredo em Hollywood há muitos anos, mas a atriz nunca havia tratado do assunto em público. Foster se relaciona com o mundo das celebridades desde muito nova. Ela começou a trabalhar em comerciais com apenas três anos e aos 13 teve o primeiro grande papel no cinema, como a jovem prostituta de “Taxi driver”. O papel rendeu uma indicação ao Oscar em 1976.

“Se você foi um figura pública desde a infância, se teve de lutar por uma vida que parecesse real, honesta e contra todos, então talvez valorize a privacidade acima de tudo. Privacidade. Um dia as pessoas vão olhar para trás e lembrar ela era bela”, discursou.

Entre todos os agradecimentos, a atriz incluiu sua ex-parceira Cydney Bernard, com quem teve uma relação entre 1992 e 2008.

“Obrigada, Sid, tenho muito orgulho da nossa família moderna, dos nossos filhos incríveis”, disse ela.

Como eu saí do armário: Rafael Mira Resposta

Rafael Mira, 21 anos, estudante de Comunicação Social, de Salvador (BA) enviou um vídeo contando como saiu do armário. Veja:

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

O blog quer ouvir você

Conte ao blog como foi a sua experiência de sair do armário. Envie uma mensagem ou um vídeo com o seu nome, a sua profissão, a sua cidade, o seu estado e uma foto (opcional) para o email oblogentrenos@gmail.com. A mensagem deve ter o seguinte título: Como eu saí do armário. Se quiser anonimato, basta pedir.

Como eu saí do armário: Luiz Ohtori Resposta

Luiz

Meu nome é Luiz Ohtori, moro em Nova Iguaçu, sou estudante e tenho 18 anos.

Desde os sete anos de idade gosto de meninos. Eu sofri um abuso sexual na minha antiga escola e acho que isso mudou muita coisa na minha vida. Sinceramente nunca tive desejos sexuais por nenhuma garota e nunca sequer gostei de uma a não ser minhas divas como Lady Gaga, entre outras.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Eu cresci um menino bem destacado da família. A minha família é totalmente religiosa então ficou muito difícil eu sair do armário de cara. Eu fui jogando pistas desde os 14 anos. Minha mãe me perguntava se eu gostava de meninos, eu sempre dizia que não. Eu cheguei a escutar “Prefiro você maconheiro que gay”. Realmente foi muito sinistro sair do armário.

Quando eu era bem menor eu tinha relações sexuais com meus primos então um belo dia eu resolvi contar a todos da família sobre esse assunto. Meus tios são pastores de uma igreja muito famosa na minha região. Então eu fui praticamente excluído da igreja e da família. Meus pais simplesmente me aceitaram com amor e carinho coisa que eu não esperava. Eu fiquei com depressão por alguns meses, reprovei no colégio, fiquei com sérios problemas na minha vida social. Só que hoje eu estou bem e fico muito feliz e orgulhoso em dizer “eu sou homossexual”.

O blog quer ouvir você

Conte ao blog como foi a sua experiência de sair do armário. Envie uma mensagem com o seu nome, a sua profissão, a sua cidade, o seu estado e uma foto (opcional) para o email oblogentrenos@gmail.com. A mensagem deve ter o seguinte título: Como eu saí do armário. Se quiser anonimato, basta pedir.

Como eu saí do armário: R. P. Resposta

Não trabalho, sou estudante da graduação de Enfermagem, sou de São Paulo (SP), tenho 19 anos, sou homossexual assumido.

Quando eu tinha entre 14 e 15 anos percebi a atração física que eu tinha por rapazes, meus pais sempre foram muito preconceituosos e eu, por medo de ser rejeitado por eles, busquei ajuda em sites de relacionamento, com pessoas que já tinham se assumido. Porém as mesmas eram de idade superiores a minha, até que conheci um rapaz, com quem criei uma certa amizade. Eu tinha liberdade de dizer tudo e esclarecer todas as minha dúvidas, porém o meu computador possuía aqueles programas de detetive, que os pais instalam em computadores de seus filhos, por questão de segurança e controle, e eu não tinha conhecimento desse programa, obviamente. Era o meu pai quem possuía conhecimento em informática, quem fazia esse controle.  Ele lia todas as conversas que eu mantinha com esse rapaz, até que um dia ele me chamou, abriu a conversa e me mostrou. Eu neguei, falei que era apenas curiosidade, foi horrível. A minha mãe é hipertensa, ficou muito mal, tivemos que chamar o médico da família pra medicá-la, foi o pior dia da minha vida. Desde então, eu tentava lutar contra a minha orientação sexual gay.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Depois de um certo tempo, mais ou menos um ano, eu já havia percebido que não adiantava lutar contra e querer ser alguém que eu não era. Acabei me envolvendo com um rapaz. Estava ao telefone e minha mãe, que sempre foi muito protetora, acabou ouvindo o assunto. Aí ela “invadiu” meu quarto, na hora eu desliguei o telefone. Ela brigou, chorou, e foi aquele clima de tensão o resto da semana e mesmo assim eu neguei.  Mesmo já sabendo da minha orientação sexual, sempre tive medo de contar por ver a reação deles frente a essa situação, porám meus pais não se “contentaram” com o fato de eu negar, já tinham a certeza, tanto que minha mãe sempre me questionava, perguntando se eu era gay ou bissexual, e eu nega com medo da rejeição. Quando completei 18 anos, entrei na faculdade e depois de um certo tempo conheci um rapaz com quem acabei namorando por 11 meses. Os três primeiros meses foi escondido da minha família. Ele foi apresentado como meu amigo aos meus pais. Aí é que vem a parte mais interessante da história, e que aborda a temática do texto, o dia em que meus pais descobriram: certa noite eu estava trocando mensagem de texto com ele e meu celular descarregou. Acabei não pegando o carregador do meu celular e coloquei meu chip no celular do meu irmão e continuei trocando mensagem. Porém, eu achei que iria ficar salva no meu chip, destroquei os chip. No dia seguinte, avisei a minha mãe que iria sair com o esse meu amigo, que na realidade era meu namorado. Saí, curtimos o passeio e no final, o celular dele tocou e ele me mostrou o número. Era da minha casa, eu falei para ele não atender. Inocentemente, quando vi meus pais, perguntei por que estavam ligando para ele. Eles na hora perguntaram o que eu e eles tínhamos, porque ele havia me mandado uma mensagem de boa noite e dito que me amava. A partir de então eu não neguei mais, confirmei que éramos namorados. Foi péssimo, minha mãe ligou para ele, falou coisas que não devia etc. Fui até em psicólogo, porém, depois de uns dois meses, meus pais passaram a aceitar, tanto que terminei esse primeiro namoro, conheci meu segundo namorado, meus pais o conheceram, sabiam do nosso relacionamento e sempre adoraram ele. Hoje estou solteiro, e eles conversam comigo sobre o assunto numa boa, me amam. Eles falam “independente do que você seja, nós o amamos da mesma maneira que amamos o seu irmão e temos orgulho de você”.

Hoje minha mãe não permite que ninguém discrimine um homossexual ou algo do gênero, e defende essa orientação!

Não tenha vergonha de quem você é, se orgulhe, levante a cabeça e vamos lutar contra a ignorância da nossa sociedade! Uso a frase dos meus pais: “Independente de quem você seja filho, você é filho, seus pais te amam da mesma maneira! Pois o amor de pai e mãe, não existe frnteiras!!” SAIA DO ARMÁRIO!

O blog quer ouvir você

Conte ao blog como foi a sua experiência de sair do armário. Envie uma mensagem com o seu nome, a sua profissão, a sua cidade, o seu estado e uma foto (opcional) para o email oblogentrenos@gmail.com. A mensagem deve ter o seguinte título: Como eu saí do armário. Se quiser anonimato, basta pedir.

Como eu saí do armário: Vinicius Diniz Marques 5

Vinicius Diniz Marques

Vinicius Diniz Marques

Meu nome é Vinicius Diniz Marques , tenho 17 anos, sou de Belo Horizonte ( MG ). Atualmente me formei no 3º ano do Ensino Médio, em um projeto de empreendedor em uma faculdade de Minas e também terminei um curso de teatro . Pretendo cursar Jornalismo este ano, arrumar um emprego, essas coisas.

Eu nunca fui uma criança muito parecida com as outras, enquanto os garotos pequenos de sete anos falavam sobre mulheres, eu achava estranho e quando se referiam a algo do meio homossexual, eu me sentia com uma certa curiosidade, apesar de eles se referirem aos gays de maneira ofensiva, por brincadeiras ou algo do tipo.

Primeiramente veio uma aceitação própria, sempre fui muito tímido e confuso até os meus 14 anos, quando de fato tive certeza de ser gay. Com 15 anos decidi me assumir para a minha mãe, afinal já era assumido pra todos os amigos héteros e não héteros.

Quando cheguei em casa da escola, por volta das 18:15, do dia 14 de julho de 2010, me sentei sobre a cama dela, ela olhou pra mim e disse “O que tem a me dizer?” Olhe para ela e disse que não gostava de garotas. Ela olhou para mim e me perguntou o porquê da decisão, quem havia me influenciado etc. Após algum tempo sem nem comentar sobre o assunto ela aceitou e hoje comenta e acha interessante, mas ainda é bem fechada para este assunto. Logo ela que tem uma família, digamos, conservadora.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Assumir para o meu pai foi algo que mais complicado , afinal ele mora a mais de 500 km de distância, ele e minha mãe se separam quando eu tinha 3 anos, nas férias sempre vou visitá-lo em Vitória (ES ).

Bom, eu me sentei com ele no dia 21 de janeiro de 2011 e fiz o mesmo discurso, disse que não gostava de meninas. Para a minha surpresa ele deu um sorriso e me pediu que o contasse algo que ele já não soubesse e que para ele era algo comum e que ele continuaria me amando, que desde pequeno ele percebia o meu jeito .

Esta é a minha história de como eu sai do armário, espero ter ajudado.

O blog quer ouvir você

Conte para o blog como foi a sua experiência de sair do armário. Envie uma mensagem com o seu nome, a sua profissão, a sua cidade, o seu estado e uma foto (opcional) para o email oblogentrenos@gmail.com. A mensagem deve ter o seguinte título: Como eu saí do armário. Se quiser anonimato, basta pedir.

Como eu saí do armário: Thales Mesquita 4

Thales Mesquita

Thales Mesquita

Meu nome é Thales, tenho 19 anos, sou de São Gonçalo (RJ). Eu sempre soube que era diferente da maioria, desde pequeno, sempre gostei de coisas que meninos ”normais” não gostam. E por isso sempre fui discriminado.

Sair do armário para mim foi um processo lento. Eu tinha medo de me assumir, porque a minha mãe evangélica sempre me disse que ser gay era errado. Eu, mesmo não concordando com isso, tinha medo de contar, porque não sabia qual seria a sua reação.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Até que me cansei de fingir ser quem não era. Então, com 16 anos, eu contei para os meu amigos. Alguns me aceitaram com sou, mas outros nem me cumprimentam mais. Depois, conversando com minha amiga, me encorajei a contar à minha mãe. Quando contei ela chorou por dias, depois veio conversar e disse que eu tinha que me preparar.

Depois disso ficou tudo muito bem, ela me aceitava e não tinha problema nenhum. Mas agora ela parou de aceitar e diz que é pecado. Hoje em dia nem nos falamos direito,mas eu não me importo porque mesmo que ela não aceite, eu tenho amigos que aceitam e que me dão força para seguir em frente.

O blog quer ouvir você

Conte para o blog como foi a sua experiência de sair do armário. Envie uma mensagem com o seu nome, a sua profissão, a sua cidade, o seu estado e uma foto (opcional) para o email oblogentrenos@gmail.com. A mensagem deve ter o seguinte título: Como eu saí do armário. Se quiser anonimato, basta pedir.

Como eu saí do armário: João Ricardo Faria Silvério 5

Riicky Faria

Riicky Faria

Meu nome é João Ricardo, moro em Juiz de Fora (MG), tenho 19 anos, sou técnico em Turismo, especializado na área de eventos. A verdade é que desde dos meus 13 anos de idade eu já era assumido para mim. Diferente do que os homossexuais normalmente passam, eu nunca tive problema na minha própria aceitação sexual. Minha ligação com a minha sexualidade sempre foi mais emocional do que eu pensava, entretanto, só consegui assumir para minha mãe quando estava fazendo 15 anos. Minha mãe é evangélica e frequenta a igreja toda semana, mas o que mais me impressionou foi a aceitação dela.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Me lembro como se fosse hoje, eu sentei sobre a beirada de sua cama, ela estava mexendo no computador, como se não tivesse dando muita atenção às minhas palavras. Ao soltar que era gay, chorou compulsivamente, não sabia se quilo era ou não a melhor forma de lidar com a situação, porém sentia o quanto estava aliviado. Ela se levantou, segura, foi até mim e me abraçou. Disse que não ligava, que apesar de não concordar e não me apoiar, eu sempre seria seu filho, foi neste momento que eu compreendi que nós nunca estamos errados os seguir nossas vontades e sonhos. Diferente de meu pai, que ficou sabendo da minha sexualidade um ano depois, durante uma viagem a Guarapari (ES), na qual desfez de um casal de homossexual na minha frente, minha irmã e minha mãe sorriram e se aproximaram mais de mim se tornando meu apoio e minhas armas.

Hoje não tenho medo de dizer o que o sou, nem medo do que pensam, na verdade a vida me deu duas qualidades fundamentais pra todos nós: determinação e amor.

Muita gente da minha família sabe de mim mas não pela minha boca, não tenho a necessidade de falar, mas tenho de a defender e ajudar àqueles que pedem. Não foi minha escolha, mas eu a abraço como única.

O blog quer ouvir você

Conte para o blog como foi a sua experiência de sair do armário. Envie uma mensagem com o seu nome, a sua profissão, a sua cidade, o seu estado e uma foto (opcional) para o email oblogentrenos@gmail.com. A mensagem deve ter o seguinte título: Como eu saí do armário. Se quiser anonimato, basta pedir.

Como eu saí do armário: Elias (nome fictício) 1

Boa noite Rafael, gostaria que mantivesse minha identidade no anonimato, não por ser homoafetivo, mas por alguns fatos que contarei.

Tenho 22 anos, moro no interior do Mato Grosso do Sul, sou enfermeiro. Nunca senti atração por mulheres, nem aquelas “paixões platônicas” que ocorrem na infância, muito menos na adolescência. Nunca me interessei por jogar futebol ou outros esportes de meninos, mas também nunca me interessei pelas bonecas, era mais de ficar assistindo aos desenhos na TV, brincar de carrinhos ou andar de bicicleta. Nunca tive nenhum trejeito, mas conforme o tempo foi avançando rumo à pré-adolescência, puberdade e tal, as coisas foram começando a aparecer. Nunca tive um desejo propriamente dito por meninos, mas aconteciam aquelas brincadeiras de meninos, os mais velhos ensinando os mais novos a bater punheta, e outras “brincadeiras” do gênero entre os meninos da mesma idade.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Aos 11 anos fui estuprado pelo meu irmão, este com 17 anos, embora esse fato não tenha nada a ver com a minha sexualidade, com o decorrer do tempo, quando meus pais descobriram começaram os problemas. Eu nunca apareci com meninas em casa (ao contrário do meu irmão) e, por isso, meus pais viviam me cobrando e sempre me questionando se eu era veado.

Na escola os outros meninos nunca me viram com alguma menina e, aliado ao fato de eu ser mais gordinho, isso tudo era motivo de bullying, embora eu não levasse a sério. De vez em quando eu ficava com alguma garota só para despistar meus amigos.

Depois do estupro, minha primeira relação (consensual) foi aos 14 anos, que foi quando comecei realmente a sentir desejo pelo corpo masculino. Dos 14 até os 20 foi tranquilo, mas sempre meus pais com a velha pergunta.

Em dezembro de 2010, ao chegar do cinema, meus pais me esperavam na sala de casa (algo incomum de acontecer), minha mãe fez as perguntas de praxe (onde estava, com quem, fazendo o quê?). Até aí tudo bem, e nessa época somente minha prima sabia da minha sexualidade, por ela também ser gay). Do nada meu pai pergunta “Fulano, tu é veado?” Foram cerca de 10 segundos até sair a resposta, em que não passou nada, absolutamente nada pela minha mente, e eu soltei “sou sim, porquê? Vou deixar de ser teu filho?”. Minha mãe começou a chorar, e ficamos até cerca de 2 da manhã conversando e explicando que os conceitos deles estavam equivocados.

Aparentemente tudo bem, ao passar dos dias, minha mãe começa a jogar diretas mesmo, do tipo “não consigo dormir imaginando tu beijando outro homem”. Resultado: eu e ela quase entramos em depressão. A sorte é que minha tia já aceitava e respeitava minha prima há um bom tempo e (não tenho certeza, mas é quase) creio que minha mãe conversou com minha tia (após esta notar que algo estava errado e minha prima contar), e a coisa melhorou. Mas só acalmou.

Hoje, pouco mais de 2 anos do fatídico dia, a situação está mais calma, embora sempre ouça algum comentário preconceituoso. Estou namorando, minha mãe conhece meu namorado, e parece que aprendeu a pelo menos nos respeitar.

Sair do armário foi a melhor coisa que eu fiz, meio que tirei um peso das costas, embora tenham aumentado meus problemas em casa. Estou me formando e, por incrível que pareça, minha mãe está super orgulhosa de mim, às vezes parece esquecer que sabe da minha sexualidade e me respeita pelo profissional que serei, ao menos. Aconselho, se estiver sendo um fardo nas costas, saia do armário!

O blog quer ouvir você

Conte para o blog como foi a sua experiência de sair do armário. Envie uma mensagem com o seu nome, a sua profissão, a sua cidade, o seu estado e uma foto (opcional) para o email oblogentrenos@gmail.com. A mensagem deve ter o seguinte título: Como eu saí do armário. Se quiser anonimato, basta pedir.

Como saí do armário: Joana (nome fictício) 1

Antes de tudo, Rafael, queria que por favor colocasse o meu nome em anonimato. Eu queria muito poder colocar meu nome verdadeiro, mas sofro crises com a minha família na minha aceitação, e tenho recreio caso alguém deles acabe entrando aqui sem querer. Moro no Rio de Janeiro, sou estudante do 1° ano do Ensino Médio e já estou por volta dos meus 15 anos de idade. Sou bem nova, até.

Acho que como a maioria dos homossexuais, a gente acaba tendo noção que é “diferente” na infância. Quando eu era pequena, eu era mais apegada com os brinquedos dos meninos do que das meninas. Eu sempre tive um jeito bem moleque de ser, e provavelmente meus pais nunca perceberam isso na minha infância, ou fingiam não ver. E eu ainda tenho esse “jeitinho”. Na minha escola o pessoal comentava, mas era tudo muito inocente. Estudava nesse colégio há mais de 5 anos, e todos sempre me aceitaram, conheço todos. Os meus familiares também comentavam, e minha mãe quando percebeu isso, começou nessa luta terrível de tentar me “mudar”. Constantemente nós brigávamos, a ponto de eu tentar evitar a todo custo sair apenas com meus pais.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Mas o meu sentimento por garotas mesmo foi descoberto um tempinho depois, na minha entrada na pré-adolescência. Eu sempre olhava os homens como se fosse “obrigada” a gostar deles. Eu os olhava, e no fundo, eu sabia que não sentia tudo isso. Eu sabia que tinha algo diferente, mas sempre guardei isso pra mim. Eu me relacionei com alguns homens, mas nunca senti “aquilo” mesmo, sabe? Não me sentia confortável. E quando via fotos de mulheres, aí sim eu sentia algo. Só que quando eu percebi isso, eu tive medo. Medo, porque naquela época os meus pais, que são extremamente conservadores e preconceituosos, faziam a minha cabeça. Daí então, no ano retrasado, entrou uma garota nova na sala. E foi aí que eu realmente me descobri. Era ela linda, ela me encantava de uma forma que ninguém teria feito antes comigo… Foi minha primeira paixão… platônica. Tinha de ser hétero, claro, né?

Com o tempo, me abri com os meus amigos. E algo que eu agradeço todos os dias é por terem eles no meu lado. Não só meus amigos, mas como meus professores também. Eles me aceitaram, me apoiaram, sempre estiveram aqui ao meu lado quando eu precisei. Eu os amo tanto, do fundo do meu coração. 

Os meus pais são super homofóbicos e das poucas vezes que eu tentei me abrir com eles, fui totalmente discriminada. A maior discriminação que sofro aliás, é dentro da minha própria casa. Das últimas vezes que aconteceram brigas aqui, minha mãe encontrou mensagens minhas e discutimos a ponto de ela me bater e por pouco não fui expulsa de casa. Vivo com essa máscara, tendo que ser uma pessoa totalmente diferente do que sou na frente dos meus pais e constantemente dizendo mentiras. Repito, se não fosse meus amigos, eu talvez não estaria aqui agora, não teria forças para me manter de pé.

Bom, a questão é que atualmente, as coisas andam bem calmas por aqui. A minha única preocupação agora é que me mudei de escola, e vou conhecer pessoas totalmente diferentes, ainda não me acostumei com a ideia de retirar aquelas pessoas que eu tanto convivia da minha rotina, apenas as encontrar às vezes. Tenho medo dessas novas pessoas não se acostumarem comigo, pois como disse, eu tenho trejeitos, né. Mas torço para tudo ocorrer bem e eu conhecer novas e boas amizades lá. 

Sem dúvida, sair do armário foi uma das melhores coisas que já me ocorreu na vida. É um sentimento de liberdade tão bom, que chega a ser inexplicável.

O blog quer ouvir você

Conte para o blog como foi a sua experiência de sair do armário. Envie uma mensagem com o seu nome, a sua profissão, a sua cidade, o seu estado e uma foto (opcional) para o email oblogentrenos@gmail.com. A mensagem deve ter o seguinte título: Como eu saí do armário. Se quiser anonimato, basta pedir.

Como eu saí do armário: Flavio de Azevedo Ramos 1

Flavio de Azevedo Ramos

Flavio de Azevedo Ramos

Me chamo Flavio de Azevedo Ramos, sou administrador, moro em uma Iguape (SP), uma cidade pequena (por volta dos 30 mil habitantes) e relativamente religiosa. Tem varias igrejas por aqui, portanto vários religiosos. Quando me assumi para a família eu tinha 22 anos, um ano depois de terminar a minha faculdade de Administração em Comércio Exterior em Curitiba (PR), onde encontrei pessoas como eu e pude me aceitar. Estava começando a namorar com uma pessoa, que hoje não significa mais nada. Acabei assumindo minha homossexualidade depois de parentes linguarudos começarem a fazer boatos e fofocas sobre as pessoas com as quais eu andava na mesma época. Meu pai começou a me pressionar e a me questionar. Dizia que aquelas pessoas estavam causando má fama e me deixando mal falado.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós

Estava trabalhando, era um dia chuvoso, até que eu explodi e acabei contando tudo para meu pai. Eu estava tão feliz, quanto o meu pai ficou arrasado e sem palavras. Minha mãe na época estava viajando. Fui embora e liguei pra ela. Meu pai também ligou. Logo ela voltou. Eu ainda moro com minha família, tivemos um ano e meio bastante difícil. Meu pai não falava comigo, mal falava com minha mãe, tudo por conta de parentes e falsos amigos que ficavam falando inverdades e tirando sarro por eu ser gay. Isso causava muitos problemas em casa.

Até que determinado dia eu quase surtei e bati de frente com meu pai, falei tudo o que tinha para falar, mandei ele se calar e ouvir. Já que para ser homem era necessário usar a força, se fosse preciso eu realmente usaria. Tive muita paciência nesse período, mas chegou um momento que eu pensei comigo mesmo “chega, isso vai acabar hoje” e, de fato, após esse dia, as coisas começaram a mudar. Chega uma hora que se explode, o momento em que o copo transborda, então comecei a me impor para todos. Comecei a bater de frente com todas as pessoas e parentes que não tinham coisa melhor para fazer. Sou homem e tenho postura de homem, mas independente de alguém ser um pouco mais delicado, não merece passar por esse tipo de coisa.

Não tenho mais medo de demonstrar meus sentimentos em público, não fico me escondendo por vergonha, hoje todos sabem quem eu sou, e como eu sou. Não deixo mais as pessoas dizerem como eu devo me portar, não serei novamente alguém que liga para aparências, não serei como a sociedade espera que eu seja, sou apenas eu, como realmente eu sou, e decidi não segurar mais a minha língua.

Depois de toda tempestade, a calmaria chegou, os dias se tornam cada vez melhores, as coisas se tornam melhores. Minha mãe ficou triste no inicio, mas aceita numa boa, meu pai já está mais tranquilo, mas não sei se ele já aceita, não vou perguntar, então nunca saberei…

Hoje tenho 27 anos, completo 28 anos em março, mas acreditem: FOI A MELHOR COISA QUE FIZ POR MIM ATÉ HOJE, a liberdade que se tem de ser quem realmente se é, não se preocupar com a opinião dos outros, não tem preço.

O blog quer ouvir você

Conte para o blog como foi a sua experiência de sair do armário. Envie uma mensagem com o seu nome, a sua profissão, a sua cidade, o seu estado e uma foto (opcional) para o email oblogentrenos@gmail.com. A mensagem deve ter o seguinte título: Como eu saí do armário. Se quiser anonimato, basta pedir.

Como a minha filha e o meu filho saíram do armário: Sonia Fernandes e Paulo Roberto 5

Adotamos Jean em 2004, quando ele tinha 10 anos e, aos 15, ele contou pra mãe que tinha beijado um menino e gostado muito, mas que estava confuso.

Decidimos aguardar que nos falasse sobre sua sexualidade no seu tempo e quando se sentisse confortável: não tínhamos pressa, nem queríamos que se sentisse pressionado ou coisa assim.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Aos 17, uns dias antes do aniversário, ele então contou pra mãe que era gay e estava namorando um rapaz, filho de um casal de amigos nossos.

Conversei com ele e pedi que no dia do aniversário trouxesse o namorado (ele ficou um pouco surpreso) e disse-lhe que o amávamos muito, que não havia nada de errado, que não tinha do que envergonhar-se, que seríamos sempre o seu porto seguro, e enfatizei que nunca permitisse que os preconceituosos o acuassem: ande de cabeça erguida, disse, encare as pessoas e seus preconceitos, não se negue, não se esconda e, sempre que necessário, chame seu pai e sua mãe.

Jean não é diferente dos meninos da sua idade: estuda, trabalha num restaurante para garantir uma graninha que lhe dá certa autonomia, é muito respeitado pelos colegas e professores da escola e, como é de praxe, de quando em vez precisa levar uns puxões de orelha regulamentares (do mesmo jeito que seus irmãos e irmãs).

Desde então, por nosso filho, do qual temos imenso orgulho, saímos do armário e somos (modestos) militantes da causa LGBTT. Eu escrevo sobre o tema em meu nauseabundo e pantanoso blog O Ornitorrinco (prcequinel.blogspot.com) e Sonia escreve lá no Meus Contos, teus Poemas (pauloesonia.blogspot.com) e, vejam que legal, no ano passado nossa filha Nayre também saiu de vez do armário, e com pompa e circunstância: sua namorada Ana passou as festas de fim de ano aqui com a gente.

Nayre tem um filho, German, com 8 anos (e que mora conosco desde que nasceu), que está curtindo muito o casamento da mãe e anuncia, feliz, “agora eu tenho duas mães”.

Então, ficamos assim: temos 6 filhos e a filha mais nova e o filho mais novo são do povo LGBTT.

Estejam avisados, pois: LGBTT-fobia nós tratamos a pontapés, ainda que metafóricos. Por enquanto.

Autorizamos a publicação deste texto singelo e esperamos que isso ajude outras famílias a saírem dos armários escuros e tenebrosos em que vivem: a vida aqui fora, sob o sol e a chuva, é muito mais fascinante!

 

VIVA A VIDA!

VIVA A DIFERENÇA!

VIVA A LUTA DO POVO LGBTT!

VIVA JEAN! VIVA NAYRE!

 

Paulo Roberto Cequinel e  Sonia Fernandes do Nascimento

(Antonina/Paraná)

O blog quer ouvir você

Conte para o blog como foi a sua experiência de sair do armário. Envie uma mensagem com o seu nome, a sua profissão, a sua cidade, o seu estado e uma foto (opcional) para o email oblogentrenos@gmail.com. A mensagem deve ter o seguinte título: Como eu saí do armário. Se quiser anonimato, basta pedir.

Como eu saí do armário: Natália Soares 4

Me chamo Natália Soares, tenho 23 anos, sou estudante de administração de empresas, minha profissão é vigilante, moro em São Luis (MA). Bom, eu sai do armário… na verdade estas não são as palavras corretas, eu sempre dei na vista. Desde pequena nunca gostei de brincar com meninas, nunca gostei do jeito que minha mãe me vestia, só queria brincar com meninos desejava as roupas do meu irmão etc.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Um dia estava jogando futebol na rua com garotos e meu pai gostava de ficar na janela olhando, ele chamou minha mãe e disse assim, “Tua filha parece um macho”, e minha irmã escutou e me falou. Nós riamos muito, porque na época eu estava flertando com o amigo do meu irmão, mais nada demais, apesar de outras pessoas já terem me perguntado na caruda e perguntado para amigos e eu e eles dizíamos sempre que não. Aí as pessoas diziam “ah, mas ela tem jeito”.

Bom troquei de escola entrei em um time de futsal. Foi aí que conheci uma garota que me me fez “descobrir” o que era aquilo que eu já sentia por garotas.

Nunca me questionei por que isso aconteceu comigo e tal. Têm pessoas que até querem se matar. Falar para si mesmo que não é assim, sendo que é. Depois de um tempo namorando, uns oito meses mais ou menos, eu com 17 anos cheguei em casa e me abrir para a minha mãe. Ela me abraçou e disse que me apoiaria sempre. Conversamos com meu pai. Eles disseram que me amavam, que eles tinham uma filha maravilhosa, que eles estavam ali para me apoiar.

Hoje sou casada há três anos com uma mulher maravilhosa, de 39 anos, Ela se chama Joyce, somos apoiadas pela nossas famílias, estamos felizes lutando pela vida.

E é isso quem tiver em duvida, não se jugue, pois os nossos pais são os nossos melhores amigos. SAIA DO ARMÁRIO.

O blog quer ouvir você

Conte para o blog como foi a sua experiência de sair do armário. Envie uma mensagem com o seu nome, a sua profissão, a sua cidade, o seu estado e uma foto (opcional) para o email oblogentrenos@gmail.com. A mensagem deve ter o seguinte título: Como eu saí do armário. Se quiser anonimato, basta pedir.

Como eu saí do armário: Dido Longatti 6

Dido Longatti

Dido Longatti

Meu nome é Claudio (mais conhecido como Dido Longatti), sou Auxiliar Administrativo, moro em Santo André (SP) e tenho 17 anos prestes a completar 18 dia três de fevereiro. Sou 100% assumido entre amigos, família e até mesmo no meu trabalho, não precisa me deixar no anonimato. Quando pequeno, eu achava que a atração que sentia pelo mesmo sexo era normal entre os garotos e que quando eu crescesse iria desaparecer essa vontade e eu iria me casar com uma mulher e ter lindos filhos. Minha primeira experiência foi aos nove anos de idade com um amiguinho da sala de aula que hoje também é homossexual assumido.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

A minha saída do armário começou aos meus 13 anos. Tenho uma irmã (hoje com 19 anos) e no mês de abril de 2009 ela se assumiu homossexual para a minha mãe, que logo em seguida contou ao meu pai. Foi um choque e tanto, pois eu nunca havia desconfiado dela, minha mãe e meu pai bateram nela, proibiram ela de sair e de ver as pessoas, até que eles foram se acostumando com a ideia (isso levou uns oito meses) e desde então minha irmã me perguntava se eu era também e como sempre, eu negava, fui seguindo nessa rotina até 2011 quando minha irmã notou que eu estava muito triste, ela me perguntou o que estava acontecendo comigo, eu disse que não era nada. No dia 21 de setembro de 2011, durante o aniversário de minha vó, ela me chamou para ir à garagem para que ela pudesse fumar cigarro, eu concordei e fomos, até que ela me perguntou “Dido, você é gay né? pode contar não vou falar pra mãe”, Eu olhei e comecei a rir, disse ” É, até por isso eu estava triste esses dias, eu conheci um rapaz, me apaixonei e ele disse que não queria nada sério” acabei mostrando a foto dele que havia em meu celular e rimos.

Em outubro de 2011 conheci um outro rapaz que era de São José dos Campos, e comecei a namorar ele virtualmente, até que no dia 23 de dezembro ele veio me conhecer e dormir na minha casa. Foi tudo ótimo até que no dia 24 estava eu com umas amigas conversando, quando recebi uma ligação da minha mãe “Dido vem pra casa agora que eu quero conversar com você”, avisei as minhas amigas que era o meu dia de me assumir e me desejarem sorte. Cheguei em casa, minha mãe estava guardando umas compras, ela olhou pra mim e disse ” Que história é essa de você trazer macho pra dormir aqui em casa? Você esta ficando louco? Eu quero saber, Você é “veado?” Naquele momento, que durou no máximo 3 segundos após a pergunta dela, veio na minha cabeça “Sim ou não, sim ou não, sim ou não, sim ou não” e pareceu ter se repetido milhares de vezes naqueles segundos, até que eu disse “sim, eu sou”. Minha mãe começou a chorar, meu pai me xingou, fiquei conversando, chorando com ela durante umas 2 horas, até que a conversa se finalizou e ela disse “Se você está feliz, eu também estarei”. Foi quando eu voltei com minhas amigas.

Meu pai ficou uma semana sem olhar na minha cara, me olhava feio, até que num certo dia ele veio pra cima de mim querendo me bater, claro, me defendi e ele quase parou no hospital com um pontapé que dei no peito dele e desde então ele nunca mais tocou no assunto (não façam isso, me arrependo muito). Hoje, minha mãe e meu pai são separados, ela me aceita super de boa, conversamos muito sobre isso, meu pai desencanou e até quis conhecer meu namorado (que hoje é ex).

Não tenho problemas no serviço, tenho amizade com todos, na escola também. Ninguém nunca mais me chamou de “veadinho” ou de outros nomes. Depois que me assumi foi tudo muito bom. Se eu soubesse que seria assim, eu teria me assumido bem antes.

Essa é minha história de “Como eu saí do Armário”.

O blog quer ouvir você

Conte para o blog como foi a sua experiência de sair do armário. Envie uma mensagem com o seu nome, a sua profissão, a sua cidade, o seu estado e uma foto (opcional) para o email oblogentrenos@gmail.com. A mensagem deve ter o seguinte título: Como eu saí do armário. Se quiser anonimato, basta pedir.

Como eu saí do armário: Vitor Panontim 7

Vitor Panontim

Vitor Panontim

Me chamo Vitor, tenho 22 anos, nascido e criado em São Paulo (SP), sou estudante de Administração e trabalho na área, numa metalúrgica no bairro do Tatuapé. Sou metido á escritor também, pois minha imaginação sempre vai além das possibilidades.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Quando criança, eu nunca me enquadrei em nenhum grupo social, seja na escola ou na rua, não gostava de futebol e tampouco achava interessante os papos femininos. Sempre estava mais só do que acompanhado, mesmo sendo muito querido pelos colegas de classe. Era meio que estar com eles, mas não pertencer a eles.

O tempo passou e eu percebi que aquilo não era uma questão social, era mais sexual, pois o que era normal em minha cabeça, na cabeça dos outros não era, eu sempre gostei de garotos, então nunca imaginei que poderia ser errado para alguém, mas também não me inferiorizei, apenas continuei sendo eu mesmo.

Na minha adolescência, eu fiquei com garotos e garotas, em partes para me saciar e em outra parte para saciar aos outros. Mas não deu certo, logo aos 16 anos contei para minha mãe. Ela nunca aceitou, mas sempre respeitou e pediu que não contasse ao meu pai. Consegui manter a minha palavra, ela não. Aos meus 18 anos, ela contou ao meu pai. Ele me expulsou de casa, morei na rua durante algum tempo, vi o pior da vida, mais eu sempre tive um dom natural à sobrevivência, talvez seja isso que não me permiti cair no crime, nem usar drogas. A única coisa que precisei fazer, foi contra mim mesmo, para sobreviver fui obrigado a me prostituir, para conseguir grana para pagar estadias em pousadas ou coisas do gênero. Essa natureza de sobrevivência é tão grande dentro de mim, que sempre me manteve seguro, mesmo nos ambientes mais podres. Me mantive assim até meus 20 anos quando finalmente consegui comprar um apartamento e me estabelecer num emprego fixo.

Apesar disso tudo, sei que minha historia é única e por favor não usem como desculpa para se limitarem a viver uma vida verdadeira. Sair do armário foi á melhor coisa que eu fiz, apesar dele muitas vezes existir em nossa cabeça. É um termo de limite, assim como a virgindade, um termo separatório. Bom é isso.

O blog quer ouvir você  

Conte para o blog como foi a sua experiência de sair do armário. Envie uma mensagem com o seu nome, a sua profissão, a sua cidade, o seu estado e uma foto (opcional) para o email oblogentrenos@gmail.com. A mensagem deve ter o seguinte título: Como eu saí do armário. Se quiser anonimato, basta pedir.

Como eu saí do armário: Jonas Sant’Anna 2

Jonas Sant'Anna

Jonas Sant’Anna

Meu nome é Jonas Sant’Anna, tenho 21 anos e sou de Porto Alegre (RS). Hoje eu vivo no Rio de Janeiro e faço faculdade de História. Como a maioria das pessoas devem saber, sair do armário no Rio Grande do Sul é muito difícil, principalmente para um homem. O imaginário do gaúcho gira entorno do homem macho que mata os inimigos a facadas, conquista as mulheres e acaba a noite bebendo com os outros machos alfa.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Bom, eu sempre fui uma criança contestadora que não aceitava fórmulas prontas. Em casa, na escola, em qualquer coisa que eu fizesse a minha pergunta era sempre “por quê?”, mas dificilmente havia alguém pra me responder, portanto eu acabava fazendo as coisas sem entender. Então quando eu era pequeno, eu lembro de ter uma namoradinha, mas lembro como se fosse hoje do meu coleguinha (que se chamava Paulo, o Paulinho) que me parecia ter o rosto com as feições mais “limpas” do que os outros colegas e era o amiguinho que eu queria estar junto toda hora.

Eu tive muita sorte de encontrar amigos que tinham respostas às minhas perguntas e frequentavam lugares que eu pude ir e me sentir livre, mas isso não era o bastante pra mim, eu não queria ser quem eu era somente em alguns lugares.

Acho que, diferentemente dos outros, eu não passei pela fase de achar que eu mesmo estava errado, talvez por já ser absolutamente arrogante desde pequeno. Portanto, aos 12 anos, um dia eu fui buscar a minha mãe no trabalho e chorando torrentes de lágrimas eu contei que me interessava por homens (eu falei que era bi, é o que me parecia facilitar as coisas) e ela me falou o quanto isso a preocupava e eu tinha que me cuidar para não sofrer fortes torrentes de preconceito. Combinamos que eu não sairia do armário para o resto da família, por que ela não os queria me tratando diferente, mas evidentemente eu não escondi minha sexualidade de ninguém que não fosse a minha maravilhosa mãe, porque era só pra ela que importava esconder, era a única opinião que contava para mim.

Bom, tenho certeza que eu ter uma mãe compreensiva ajudou muito a minha saída do armário, mas a minha própria vontade de ferro contribuiu, porque eu nem permiti que fosse aberta a discussão sobre ir ao psicólogo por causa disso e também não me importei com o preconceito de ninguém, quem quer que fosse me tratar diferente é por que não era meu amigo de verdade.

Espero que meu depoimento, apesar de curto, tenha servido de ajuda pra alguém que queira sair do armário também!

O blog quer ouvir você  

Conte para o blog como foi a sua experiência de sair do armário. Envie uma mensagem com o seu nome, a sua profissão, a sua cidade, o seu estado e uma foto (opcional) para o email oblogentrenos@gmail.com. A mensagem deve ter o seguinte título: Como eu saí do armário. Se quiser anonimato, basta pedir.