Quatro travestis são atacadas em dez dias em Salvador Resposta

Transfobia

Em apenas 10 dias, quatro travestis foram atacadas em Salvador. Um número assustador.

Três vítimas foram esfaqueadas no rosto e uma quarta foi espancada com barra de ferro. Os golpes foram todos na região da face.
Segundo o jornal Correio, as travest estavam em seus pontos quando foram atacadas por um homem em dias distintos o bairro da Pituba, região nobre da capital baiana, Salvador. Os ataques ocorreram de madrugada.

O agressor seria um homem alto, moreno, com cavanhaque e em todas as ações usava a mesma roupa: boné azul, casaco e calça jeans.

As vítimas são jovens entre 18 e 22 anos. Os crimes ocorreram entre os dias 21 de fevereiro e 3 de março.

A Polícia Militar (PM) informou ao que atuou em duas ocorrências nas madrugadas do dia 28 de fevereiro e 3 de março. Nelas, há o relato de um agressor que vitimou duas pessoas com golpes de lâminas no rosto.

O primeiro ataque foi contra Luana, que estava sozinha quando foi golpeada por trás, por uma barra de ferro. “Quando ela caiu, ele correu. Desde então, Luana sumiu, com medo de ser novamente agredida ou até morta”, contou outra travesti, de nome Celine.

Outra vítima foi Bianca – ela foi esfaqueada e socorrida a uma unidade médica. “Ela disse que ele falou quando saiu: ‘Só vou parar quando matar uma’”, contou Celine.

A terceira vítima foi Rafaela. Ela também foi esfaqueada.

Pânco

O medo fez com que as vítimas não procurassem a polícia. Nenhuma delas registrou queixa em delegacia. “Elas achavam que se denunciassem, esse bandido poderia voltar para terminar o que começou. Mas já estávamos adotando medidas cabíveis: na próxima segunda-feira (12/03) iremos à Defensoria Pública”, contou Celine.

O pânico está instalado entre as profissionais do sexo que atuam na Pituba. “Todas estão apavoradas. Então, estamos pedindo para todas ficarem mais juntas, não se afastarem uma das outras, já que a maioria dos ataques acontece quando a vítima está sozinha”, declarou Celine.

Transfobia

Para a psicóloga Ariane Senna, transfeminista e vice-presidenta do Conselho Estadual dos Direitos da População LGBT do Estado da Bahia, os ataques na face são casos típicos de transfobia. “É quando o cidadão quer desfigurar, ele quer dizer que o rosto de mulher não pertence ao corpo de um homem. Geralmente, são crimes com requinte de crueldade. Isso falando psicologicamente”, disse.

Segundo Ariane, estes casos não são isolados. “Já soube de outros casos entre profissionais do sexo, mas não deu em nada, por que as vítimas tiveram medo de denunciar. É preciso ter coragem para tentarmos mudar esse cenário”, disse.

Ainda de acordo com Ariane Senna, se a vítima não se sentir confortável em ir a uma delegacia, ela pode procurar o Conselho Estadual dos Direitos LGBT, a Defensoria Pública ou grupo de ativistas, a exemplo da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra).

As vítimas dos ataques na Pituba serão encaminhadas para a Casarão da Diversidade, onde todas terão acompanhamento psicológico, jurídico e social.

Delegada promete busca implacável

A Polícia Civil já investiga o ataque, apesar de as vítimas não terem prestado queixa.

“O que aconteceu é inadmissível. Vamos atrás dele”, afirmou ao Correio, a delegada Maria Selma, titular da 16ª Delegacia (Pituba).

Vulnerabilidade

“Qualquer ato violento a gente reage com indignação. As travestis estão renegadas a sua própria sorte. Estão vulneráveis”, declarou a presidenta da Antra, Keila Simpson. Segundo ela, há razões para que as vítimas não tenham prestado queixa em nenhuma delegacia. “Por duas razões: a primeira, por causa do processo de vulnerabilidade. Elas não têm ninguém que possam ampará-las de fato e temem que o agressor possa voltar de forma mais violenta. A segunda é que não são tratadas como cidadãs, são desrespeitadas quando chegam nas delegacias”, declarou Keila.

As vítimas já começaram a receber o apoio de entidades ativistas. “Consegui localizar Rafaela e daremos todo o apoio necessário. Vou ao encontro dela”, disse Millena Passos diretora da União LGBT do Estado da Bahia (Una), coordenadora do Grupo Gay da Bahia (GGB) e da Associação de Travestis (Atras).

Millena quer encorajar as vítimas a prestarem queixa na delegacia. “Isso não pode ficar impune. O Brasil é o país que mais mata travesti no mundo. De hoje em diante a gente não sabe quem é quem. Esse criminoso é uma pessoa transfóbica. Elas não fizeram nada a ele e mesma que tivessem feito, isso não justifica”, declarou.

Em nota, a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social ( SJDHDS), condenou e repudiou veementemente todos os casos de agressão, violência e ataques aos direitos humanos e à população LGBT.

“Os últimos episódios, registrados no bairro da Pituba, apresentam características típicas de transfobia, uma violência brutal que precisa ser investigada e combatida. A SJDHDS atua em favor dos direitos da população LGBT, do respeito à diversidade e as pessoas, oferecendo acolhimento às vitimas, com orientação psicológica, social e jurídica, através da Coordenação LGBT, pertencente a esta secretaria. Para reforçar esse trabalho de acolhimento e enfrentamento às violações dos direitos e aos atos de agressão, desrespeito e violência contra essa população, está em fase final de estruturação Casarão da Diversidade, onde funcionará o Centro de Promoção e Defesa dos Direitos LGBT, com equipe especializada e focada no combate a essas e demais práticas de violação aos direitos da população LGBT”, destacou o órgão. A Coordenação LGBT da secretaria informou ainda que está em contato com as vítimas, desenvolvendo o trabalho de acolhimento, além de encaminhamento no que se refere as orientações e demais providências cabíveis.”

O Casarão está localizado no Centro Histórico e sua inauguração está prevista para ocorrer até o mês de abril.

Mulher lésbica é agredida por segurança dentro de galeria de arte de Salvador 2

cebeussa

Na última sexta-feira, dia 1°, as namoradas Roberta Nascimento e Talita Andrade foram na Associação Cultural Brasil Estados Unidos (ACBEU), em Salvador, visitar a abertura da exposição coletiva “Mutantes”. As duas foram impedidas de irem ao banheiro por um segurança, que alegou que o espaço estava fechado. O segurança então passou a perseguir as meninas e dizer que o horário da exposição havia encerrado.

“Estávamos tranquilas na festa, dançando e nos beijando, como fazemos em muitos lugares”, contou Roberta sobre o incidente. Um frequentador que foi defender as meninas e pediu para o segurança deixá-las em paz, acabou sendo agredido pelo homem que ainda atacou as meninas que tentavam defender o homem. Roberta levou um soco no olho que ficou roxo e inchado. Elas suspeitam que tanto o tratamento hostil recebido quanto a violência física foram motivados por homofobia. “Nunca pensei que fôssemos passar por isso. Talvez no máximo uma agressão verbal, mas nada desse tipo”, lamentou a moça.

Elas registraram  a ocorrência e junto com feministas planejam um protesto na frente da entidade nesta segunda-feira. Em nota, a ACBEU afirmou “lamentar profundamente o incidente ocorrido nas dependências da galeria de arte” e a ainda que “repudia veementemente a resolução violenta de conflitos e qualquer tipo de discriminação contra a livre orientação sexual de cada um”. O segurança teria registrado queixa contra as garotas.
Fonte: Lado A

Como eu saí do armário: Débora T. C. de Magalhães 2

Me chamo Débora, sou arquiteta, sou de Salvador (BA), mas moro em Bombinhas (SC).

Eu li a postagem de Jean Carlos e fiquei feliz que pra ele tenha sido tão tranquilo, como a minha historia é um pouco mais “comum” no sentido de reação familiar (ao menos entre as pessoas que conheço)  achei que seria bom contá-la, afinal nessas horas parece que estamos sozinhos.

Eu não sei precisar com quantos anos eu soube que eu era lésbica. Posso somente afirmar que nunca sonhei com um marido, era sempre eu e meus filhos nos meus sonhos de criança.  Tive alguns poucos namorados, mas sempre com pouco interesse e muito curtos. No dia que me vi apaixonada por uma menina, parecia que tudo fazia sentido, a essa altura eu já tinha 20 anos. Parecia tão forte e intenso que não podia viver escondido. Criei coragem e fui contar para minha mãe.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Não posso dizer que me arrependi, minha vida ficou bem mais honesta, o peso em minhas costas foi diluído  mas posso dizer que meu inferno começou.  Fui desrespeitada de quase todas as formas possíveis (só não apanhei), mas era seguida quando saía de casa, me tiraram meios de comunicação,  minha mãe queimou mais de 200 cartas que eu tinha com minha namorada na época, foi uma fase bastante difícil  e não durou pouco. Tive que criar meios para sobreviver a isso.

Minha vida passou a ser sempre escondida, meus amigos eram sempre os pivôs de qualquer passeio meio para não criar desconfiança  Sim, eu podia ter simplesmente saído de casa e acredite, o faria, mas tomei uma rasteira da minha namorada que pediu tempo e começou a namorar outra, meu mundo por um tempo parecia ter sido destruído. Minha mãe só sabia me ofender em qualquer conversa inocente. Levou um tempo e alguns relacionamentos depois e alguns anos de terapia.

Hoje em dia sou assumida para toda a parte que importa da minha família e os únicos que desrespeitam e ofendem são meus pais, conheci minha alma gêmea,  estamos juntas há dois anos, nunca estive tão feliz, juntamos nossos trapos. Moro com ela, sou muito feliz, apesar de ainda ouvir muitas ofensas. A parte mais difícil é que nunca quis ofender eles, então quando me ofendem, devolver ofensa parece tão injusto. Além do que, são meus pais e eu tenho ciência que devo respeito a eles, uma pena que eles não entendam que também me devem respeito. Dez anos depois (estou com 30), muitas dificuldades depois, estou feliz, amando e sendo amada e aqui pra dizer que apesar de tudo, valeu a pena utar” para ser quem eu sou.

Como eu saí do armário: Rafael Mira Resposta

Rafael Mira, 21 anos, estudante de Comunicação Social, de Salvador (BA) enviou um vídeo contando como saiu do armário. Veja:

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

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