Jovem é agredido em SC e acusa seguranças de boate de homofobia Resposta

André

O vendedor André Barbosa acusa seguranças de uma casa noturna em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, de homofobia, após ser agredido. Ele contou que foi até a boate para comemorar o aniversário de um amigo. Segundo André, durante a festa ele foi expulso e agredido por dois seguranças porque estava beijando outro rapaz. Segundo ele, o preconceito motivou a violência.

“Em senti um cutucão no ombro. Quando virei, eu levei uma cotovelada no peito, acredito que seja do chefe de segurança de casa. Ele olhou pro meu rosto fixamente e falou: eu não quero ver você beijando aqui dentro. Nisso, ele me retirou da casa. Ele abaixou minha cabeça, deu uma joelhada e com outro segurança começaram uma sequência de chutes”, conta André.

Um dos sócios da boate, Eduardo Philipps, contesta a versão. Ele diz que foi o jovem que começou a confusão e depois mordeu o dedo de um dos seguranças. “Não tem nada a ver com homofobia. A turma que estava com os meninos estava se exaltando, incomodando os clientes, batendo nos clientes, na mesa. Um dos meninos deu uma garrafada na boca do segurança”, relata.

O caso ganhou repercussão na internet quando André contou a sua versão em uma rede social. Milhares de pessoas prestaram apoio ao jovem. “Eu quero justiça”, diz o jovem.

André e os dois seguranças prestaram queixa à polícia no dia da confusão. Os seguranças assinaram um termo circunstanciado por lesão corporal, assumindo o compromisso de comparecer no Fórum, e foram liberados.

“Vai ser decidido na justiça. Terá audiência com todos e a decisão parte de lá”, diz a delegada Maria de Fátima.

Fonte: Jornal Hoje

Como eu saí do armário: Daniel Manson 6

Daniel Manson

Daniel Manson

Achei muito interessante esta iniciativa de incentivar as pessoas a contarem sobre como foi a sua experiência ao assumir a sua sexualidade, pois bem, aqui vai a minha história, que poderia virar um filme ou um livro rs.

Meu nome é Daniel, tenho 20 anos, sou de Florianópolis (SC) e desde muito pequeno, creio que com oito anos eu já me sentia atraído por pessoas do mesmo sexo, eu gostava muito de garotos um pouco mais velhos que eu, mas com o passar do tempo fui me sentido atraído por garotos da mesma idade que a minha. Infelizmente  nasci em uma família machista, evangélica e preconceituosa, por este motivo, durante a minha infância e a minha adolescência, sempre lutei contra essa minha atração natural. Um detalhe engraçado é que eu tinha um jeitinho afeminado e  meu pai, com medo de eu virar gay, me colocava para jogar futebol e fazer tudo que um homem  “macho”, na cabeça dele, fazia.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Com 13 anos descobri que na verdade eu era adotado (bem que sempre achei estranho, meus pais eram morenos e eu bem branquinho). Não vou entrar em detalhes de como é a história da minha adoção por ser bem longa, mas com 14 anos fui morar com a minha mãe biológica e sempre visitando meus pais adotivos. A minha família biológica não tinha religião e era formada de pessoas muito bem educadas, cultas e tinha uma situação econômica muito superior a minha família adotiva. Nesse lar eu me sentia à vontade para me expressar e dizer o que pensava, era incentivado a ser quem eu era de verdade. Assim, assumi a minha homosexualidade que foi muito bem recebida por todos, minha orientação foi aceita como uma coisa natural e fui tratado com muito amor e carinho.

Com 18 anos decidi contar aos meus pais adotivos e evangelicos que era gay, como já esperava, fui descriminado e sofri preconceito por parte deles, minha mãe chorou muito e custou a aceitar, na verdade até hoje ela não aceita. Depois de muito tempo ela disse que se eu sou feliz assim ela também é feliz e me aceita, porém, ela acha que um dia deixarei de ser gay, porque é o diabo que esta por trás disto.

Quando contei ao meu pai que é um evangelico fervoroso e coloca Deus acima e a frente de tudo, pude ver o ódio que ele sentia por min, ele disse que eu morreria e que ele não carregaria o meu caixão. Na época eu estava passando férias na casa deles e ele queria me expulsar e não queria nunca mais me ver, porém, o amor da minha mãe (mesmo sendo adotiva e evangélica) fez com que ela ficasse do meu lado.

O tempo passou e o destino fez com que essa família adotiva e humilde acabasse dependendo de mim financeiramente. Sou universitário, tenho uma boa profissão, moro sozinho e ganho o suficiente para viver uma vida confortavel e ajudá-los pagando o aluguel da casa deles e outras coisas (a verdade é que eu os sustento).

Hoje em dia o meu pai tem medo de me contrariar com seu fanatismo religioso. Já chegou até ao ponto de eu jogar fora todas as Bíblias e envelopes de igreja da casa dele fora e proibir de verem programas televisivos de igreja, este fato ja passou, não faço mais isto, porém, exijo que eles (principalmente o meu pai) respeitem a minha orientação sexual, atualmente quando vou à casa deles, sou muito bem tratato e respeitado.

Como eu saí do armário: Débora T. C. de Magalhães 2

Me chamo Débora, sou arquiteta, sou de Salvador (BA), mas moro em Bombinhas (SC).

Eu li a postagem de Jean Carlos e fiquei feliz que pra ele tenha sido tão tranquilo, como a minha historia é um pouco mais “comum” no sentido de reação familiar (ao menos entre as pessoas que conheço)  achei que seria bom contá-la, afinal nessas horas parece que estamos sozinhos.

Eu não sei precisar com quantos anos eu soube que eu era lésbica. Posso somente afirmar que nunca sonhei com um marido, era sempre eu e meus filhos nos meus sonhos de criança.  Tive alguns poucos namorados, mas sempre com pouco interesse e muito curtos. No dia que me vi apaixonada por uma menina, parecia que tudo fazia sentido, a essa altura eu já tinha 20 anos. Parecia tão forte e intenso que não podia viver escondido. Criei coragem e fui contar para minha mãe.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Não posso dizer que me arrependi, minha vida ficou bem mais honesta, o peso em minhas costas foi diluído  mas posso dizer que meu inferno começou.  Fui desrespeitada de quase todas as formas possíveis (só não apanhei), mas era seguida quando saía de casa, me tiraram meios de comunicação,  minha mãe queimou mais de 200 cartas que eu tinha com minha namorada na época, foi uma fase bastante difícil  e não durou pouco. Tive que criar meios para sobreviver a isso.

Minha vida passou a ser sempre escondida, meus amigos eram sempre os pivôs de qualquer passeio meio para não criar desconfiança  Sim, eu podia ter simplesmente saído de casa e acredite, o faria, mas tomei uma rasteira da minha namorada que pediu tempo e começou a namorar outra, meu mundo por um tempo parecia ter sido destruído. Minha mãe só sabia me ofender em qualquer conversa inocente. Levou um tempo e alguns relacionamentos depois e alguns anos de terapia.

Hoje em dia sou assumida para toda a parte que importa da minha família e os únicos que desrespeitam e ofendem são meus pais, conheci minha alma gêmea,  estamos juntas há dois anos, nunca estive tão feliz, juntamos nossos trapos. Moro com ela, sou muito feliz, apesar de ainda ouvir muitas ofensas. A parte mais difícil é que nunca quis ofender eles, então quando me ofendem, devolver ofensa parece tão injusto. Além do que, são meus pais e eu tenho ciência que devo respeito a eles, uma pena que eles não entendam que também me devem respeito. Dez anos depois (estou com 30), muitas dificuldades depois, estou feliz, amando e sendo amada e aqui pra dizer que apesar de tudo, valeu a pena utar” para ser quem eu sou.

Como eu saí do armário: Fernando Barbetta 5

Fernando Barbetta

Fernando Barbetta

Oi, meu nome é Fernando Barbetta, moro em Pomerode (SC). Sou estudante e tenho 16 anos.

Me assumi com 15 anos, já sabia que era homossexual desde os nove anos de idade, sempre olhava para garotos na escola e tal… Pelas redes sociais eu conversava com garotos, até que um dia conheci o meu namorado. Após muita conversa, colocamos no Facebook “relacionamento sério” e como aqui é cidade pequena, logo minha tia viu isso. De manhã eu estava na escola, quando cheguei em casa vi o computador ligado na página do meu Facebook.  Logo depois de um almoco silencioso minha mãe foi ao computador olhou, olhou e me perguntou quem era aquele cara, respondi que era um amigo, ela não acreditou. Depois me perguntou se eu era gay, respondi que sim, ela começou a chorar e falando onde foi que eu errei e blablablá. Nos dias seguintes, ela me xingou muito, me tirou do meu treino de judô, não deixava eu sair, nem saía com medo do que os outros falariam. Ela tentou me internar ligou para psicólogos e psiquiatras. E contou pro meu pai que mora em outra cidade. Ele me xingou muito ao telefone, e noutro dia, frente a frente ele falou que eu não era mais filho dele, que só tínhamos ligações sanguíneas, nada mais.  Ficamos em guerra dentro de casa por mais de meses. Até irmos pela primeira vez ao psiquiatra, onde ele disse que o problema era com minha mãe e não comigo.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Hoje em dia, ja me entendo muito bem com a minha mãe, ela já conhece o meu namorado e se dão muito bem. Meu pai não comenta sobre o assunto, às vezes ele me manda indiretas. O resto da minha família aceitou normalmente, falam que já sabiam disso.

Esta é a minha história de como saí do armário. :)