Com boneca travesti e leilão de ‘virgindade’, SP recebe 1ª mostra de bonecas infláveis 1

Bonecas infláveis - A travesti Lady Boy vem com pênis inflável, não recomendado para penetração. Mede 1,60 m de altura e tem dois orifícios para penetração: um na boca, outro no ânus - Reprodução/Bonecas.sexonico.com.br

Bonecas infláveis – A travesti Lady Boy vem com pênis inflável, não recomendado para penetração. Mede 1,60 m de altura e tem dois orifícios para penetração: um na boca, outro no ânus – Reprodução/Bonecas.sexonico.com.br

Entre os dias 06 e 09 de março, São Paulo receberá a 1ª Mostra Internacional de Bonecas Infláveis. Durante o evento, que tem entrada gratuita e contará com exposição das mocinhas e mocinhos infláveis estará a boneca travesti!

Batizada de Lady Boy, ela vem com um pênis inflável, que não é recomendado para penetração. Mede 1,60 m de altura e tem dois orifícios para penetração: um na boca, outro no ânus.

Entre as 20 atrações da exposição, ainda estarão modelos inspirados em Justin Bieber, Barack Obama, atrizes pornôs e animais fofinhos, além de Valentina – a primeira “Real Doll” apresentada noBrasil -, que terá sua “virgindade” leiloada na feira.

Quem arrematar a mocinha fabricada em cyberskin (material que imita pele humana), além de fazer a “estreia”, ainda desfrutará de uma noite na suíte presidencial de um motel; jantar à luz de velas; banho aromático com pétalas de rosas; passagem aérea e traslados para quem não for da cidade; lingeries especiais para ela; e uma câmera digital para registrar tudo. O lance inicial para participar da brincadeira é R$ 5.000.

Segundo pesquisa realizada em janeiro deste ano pela ABEME (Associação Brasileira das Emrpresas do Mercado Erótico e Sensual), cerca de 1200 produtos eróticos infláveis são vendidos no Brasil todo mês, sendo que o maior consumo está nas regiões sudeste e sul.

Ainda conforme a amostragem, a preferência nacional dos consumidores são por bonecas brancas com cabelos loiros, olhos claros, seios fartos, bumbum redondo, cinturinha fina e em torno de 1,60 m de altura. As mocinhas devem ser feitas em material que imite pele humana e ter “cabelos de verdade”, principalmente nas partes íntimas, além de maquiagem chamativa e lingeries sexys.

“Não trabalhamos a pornografia, e sim o erotismo e a sensualidade, algo extremamente positivo. O pudor do brasileiro, a religiosidade fez com que o mercado fosse mais voltado para este lado. O Brasil não é vendedor de vibradores, ao contrário da Alemanha e Estados Unidos”, alerta Paula Aguiar, presidente da ABEME.

Entre os modelos masculinos, a preferência é por bonecos com pênis grande (em torno de 20 cm) e vibratório. Também existem os que gostam de bichinhos fofos como ovelhinhas brancas, cabritinhas, porquinhas, vaquinhas e até burrinhos infláveis (alguns deles chegam a emitir sons).

Cada boneca demora cerca de 15 minutos para ficar completamente cheia e pronta para o uso. Elas custam entre R$ 330 e R$ 2.000.

Serviço: 
1ª Mostra Internacional de Bonecas Infláveis
Data: 06 a 09 de março
Horário: das 15h às 21h
Local: Espaço Painel Cultural – Rua Bernardino de Campois, 210, Brooklin, São Paulo
Entrada gratuita e inscrições no site Sexonico.

A homofobia na região de Sorocaba (SP) e seu enfrentamento 1

Marcos Roberto Vieira Garcia*

Em que pesem algumas discordâncias em relação ao seu uso, o conceito de homofobia se popularizou no Brasil para designar o preconceito direcionado a lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT). O enfrentamento deste preconceito, como o de todos os outros, é condição indispensável para a construção de uma sociedade na qual os direitos de todos possam ser reconhecidos.

Pesquisa coordenada por mim e pelas profas.Viviane Mendonça e Kelen Leite, todos docentes do Departamento de Ciências Humanas e Educação da UFSCar de Sorocaba, revelou que a situação da homofobia na região de Sorocaba é tão grave quanto em outros grandes municípios brasileiros. Realizada por meio de questionário padronizado aplicado em 350 pessoas durante a Parada do Orgulho LGBT de Sorocaba, seus resultados preliminares indicam que aproximadamente duas em cada três pessoas que se identificam como LGBT em Sorocaba já foram agredidas verbalmente devido a isso, que uma em cada seis já foi agredida fisicamente pelo mesmo motivo, e que uma em cada vinte sofreu agressão sexual devido a sua sexualidade. Tais resultados não diferem significativamente dos obtidos em pesquisas semelhantes realizadas em paradas de outros grandes municípios brasileiros, como é o caso de São Paulo, Rio de Janeiro e Recife.

Não obstante estes dados evidenciarem claramente a necessidade de enfrentamento da homofobia no contexto local, é comum que muitos segmentos da sociedade civil não reconheçam a necessidade deste enfrentamento. Os argumentos contrários à defesa dos direitos da população LGBT vão desde um posicionamento explícito, existente, por exemplo, em discursos de religiosos fundamentalistas, que consideram a homossexualidade por si só como algo a ser combatido, até posicionamentos mais brandos – e por isso menos fáceis de serem percebidos em relação ao preconceito neles implícitos – como é o caso da argumentação que prega a aceitação da homossexualidade em troca de sua invisibilidade social. Este último tipo de argumentação pode ser percebido por meio de um exemplo, que externa a opinião de parte da opinião pública da região de Sorocaba. A propósito da realização da Parada do Orgulho LGBT de Sorocaba, o editorial de um jornal diário local externou a opinião que “os homossexuais precisam entender que historicamente a sociedade foi feita somente para os heterossexuais e o momento é de aprendizado e aceitação”. Transformemos a mesma frase em relação a outras modalidades de preconceito como o machismo e o racismo e perceberemos como traduz claramente um posicionamento preconceituoso, na medida em que estabelece o lugar de poder como atributo do grupo que tem um status dominante e que caberia ao grupo com status inferior se conformar com esta situação: “as mulheres precisam entender que historicamente a sociedade foi feita somente para os homens e o momento é de aprendizado e aceitação”; ou “os negros precisam entender que historicamente a sociedade foi feita somente para os brancos e o momento é de aprendizado e aceitação.”

O enfrentamento da homofobia não pode prescindir do direito à visibilidade das diferentes formas de expressão da homossexualidade, sob o risco de um reconhecimento dos direitos “pela metade”. A expressão da homoafetividade, portanto, deveria ser tolerada sob os mesmos parâmetros de decoro que a heteroafetividade: andar de mãos dadas, beijo em público e outros tipos de contato corporal não poderiam ser direitos apenas de casais heterossexuais. Da mesma forma, a visibilidade na mídia é fundamental para que o preconceito direcionado às pessoas LGBT diminua, pois facilita a aceitação das diferenças em relação às múltiplas formas de se expressar afeto.

Por este motivo, cabe ao poder público assumir um papel ativo no combate à homofobia presente em diversas instituições, sob a forma de programas de prevenção a sua manifestação. Faz-se mister, por exemplo, a realização de ações neste campo na escola, ambiente onde um terço das pessoas LGBT da região de Sorocaba pesquisadas relataram terem sido discriminadas.

Finalmente, é importante ressaltar a necessidade de que os gestores e legisladores saiam da posição de acovardamento em que muitos atualmente se encontram em relação à defesa do enfrentamento da homofobia, por receio de que tenham suas eleição comprometida pela perda do voto de grupos religiosos fundamentalistas. A pesquisa realizada em Sorocaba mostra que tal receio é infundado, haja vista que os três políticos mais citados como apoiadores da causa LGBT são politicos em exercício de mandato atualmente – os deputados federais Iara Bernardi (PT-SP) e Jean Wyllys (Psol-RJ) e a senadora Marta Suplicy (PT-SP). Tal fato mostra o nítido reconhecimento por parte da maioria da população brasileira – e também local – de que a defesa dos direitos das pessoas LGBT é vista como uma necessidade de todos que se preocupam com uma sociedade verdadeiramente mais democrática e mais justa.

* Marcos Roberto Vieira Garcia é doutor em Psicologia Social (USP) e professor da UFSCar – Sorocaba.

* Artigo publicado no Jornal Cruzeiro do Sul

Espetáculo que discute homofobia recebe doações para chegar aos palcos paulistanos 1

Depois de patrocínios negados, teatro que fala sobre homofobia recebe doações para estreia

Depois de patrocínios negados, teatro que fala sobre homofobia recebe doações para estreia

O espetáculo Tem alguém que nos odeia aborda a relação privada e amorosa de duas mulheres, Maria, brasileira, e Cate, estrangeira, que decidem morar juntas em São Paulo. Dentro do antigo e decadente apartamento herdado por Maria, elas vivem em conflito, com suas histórias e culturas diferentes que provocam atritos constantes e comuns a qualquer relação já desgastada pelo tempo. Em meio a esse ambiente conflituoso, a violência e o terror batem à sua porta invadindo seu lar. Obrigadas a enfrentar agressões físicas e psicológicas de algum homofóbico do prédio, ele se torna um inimigo invisível e constantemente presente.

O texto escrito em 2011 por Michelle Ferreira foi finalista do Prêmio Luso-Brasileiro de Dramaturgia Antônio José da Silva (2011) em parceria entre a FUNART e o Instituto Camões. Tudo estava certo que seria fácil arrumar um patrocínio e apoiadores para uma produção já premiada. Mas não foi isso que aconteceu. Nenhuma instituição privada procurada está disposta em patrocinar a peça Tem alguém que nos odeia. Foi quando a atriz e produtora Ana Paula Grande arregaçou as mangas e foi a luta de um patrocínio coletivo. Ela explica como é o projeto e a saga de levantar a verba necessária para colocar a obra nos palcos. Veja entrevista da equipe do Mix Brasil:

Você apresentou o texto para diferentes empresas. Quais foram as justificativas que estas empresas deram para não patrocinar?

Ela foram evasivas, na verdade nunca foram diretas. Quando a gente chegava no ponto principal da peça, que é a homofobia, as empresas geralmente diziam que não queriam falar sobre o assunto, ou que neste ano vão patrocinar cinema. Na verdade, as empresas estão preocupadas com textos comerciais, não com o tema proposto. Sabemos que a homofobia é um tema relevante para a sociedade, questionar o porquê ela ainda não é crime é urgente. Mas, ainda, estas instituições preferem produções que lucrem.

Como o texto aborda o tema?
O texto é lindo, muito delicado. Conta a história de duas mulheres que vivem juntas em um apartamento, durante o enredo elas começam a ser persseguidas por um vizinho homofóbico e chegam a ser agredidas. O espetáculo não tem cenas de duas mulheres se pegando, peladonas. Ou seja, vamos atingir um público que vai ao teatro, em muitos casos, que não está interessado na causa LGBT.

Você chegou a pedir patrocínio para ONGs LGBTs?


Muitas. Esta semana cheguei mandar e-mail para 300 instituições não governamentais, apenas três me responderam. Uma disse que não tinha dinheiro, outra foi mais direta ainda falando que eu sou louca de pedir dinheiro para uma ONG, a última foi bastante interessante; ela disse assim no e-mail: “o silêncio é uma forma de discriminação”, eu pergunto: “esta última instituição leu meu e-mail explicando o que é a peça, qual mensagem ela quer passar?” Eu não posso ficar calada, o espetáculo tem que acontecer, é de relevância para a sociedade. Resolvi colocar o projeto no Catarse.

E como você conheceu o Catarse?
Eu fui para Europa de lua de mel com meu marido, não sou gay, sou casada com um homem. Lá, visitei vários concertos e peças. Quando eu lia os panfletos dos espetáculos, via o nome de várias pessoas que patrocinaram aqueles projetos e mostrei para meu esposo. Depois, no ano passado, fomos para os Estados Unidos, e lá também se passava a mesma coisa. Quando voltei para o Brasil, procurei algo parecido e cheguei ao Catarse. É maravilho, já que lá as pessoas podem doar em projetos a partir de temas que lhes agradam, não visando se o projeto vai dar lucro ou não. Uma amiga conseguiu juntar 30 mil reais para seu monólogo pelo Catarse. A equipe deles é fantástica, eu cheguei desesperada para mostrar meu projeto, já pensando: “Se eu conseguir mil reais, eu faço a peça em uma praça pública”. Chegamos em um valor minimo de 25 mil reais para colocar o espetáculo dois meses em cartaz.

Vocês já tem um teatro fechado para exibir a peça?
Temos sim. Será no Teatro Augusta, no palco experimental. Eles até me disseram que caso a gente consiga um bom resultado, conseguimos ficar em cartaz até três meses. O Sesc, como está preocupado com a temática e não com o lucro, como as empresas, já disse que também está interessado em exibir nosso espetáculo, mas a gente precisava enviar um vídeo do espetáculo. A gente não tinha dinheiro para ensaiar, quanto menos para pagar a diretora.

Você disse que não é gay. Qual o interesse tão grande em um espetáculo com temática LGBT?
A gente faz teatro desde os 10 anos de idade. 90% dos nossos amigos são gays e desde a minha adolescência vejo estes mesmos amigos sofrendo por serem gays, vários amigos na escola eram afeminados e não conseguiam ter amigos. Agora, fiz 30 anos, e quero ter um filho e não quero que ele viva em um mundo assim, não quero que ele sofra e este projeto é o que me faz ter força.*

Caso queria contribuir para o projeto “Tem alguem que nos odeia”, ou conhecer o Catarse, acesse aqui e saiba como doar. Em cena estão as atrizes  Bruna Anuarte e Ana Paula Grande, cenografia de Pedro Henrique Moutinho, hair e make up de Dicko Lorenzo  e direção de José Roberto Martins.

É adiada data de entrada em vigor do casamento igualitário em São Paulo União Resposta

Mário Grego e Gledson Perrone protagonizaram o primeiro casamento entre pessoas do mesmo sexo em São Paulo no mês de agosto de 2012 (Foto: Brazil Photo Press)

Mário Grego e Gledson Perrone protagonizaram o primeiro casamento entre pessoas do mesmo sexo em São Paulo no mês de agosto de 2012 (Foto: Brazil Photo Press)

O Tribunal de Justiça publicou no dia de 18 de dezembro que o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo passaria a valer em todo o Estado a partir do dia 18 de fevereiro, então, os cartórios teriam dois meses para se adequarem e estar habilitados e dispostos a realizarem as uniões.

Mas a Corregedoria de Justiça mudou os planos e esticou o prazo em mais duas semanas. Segundo o site Mix Brasil, a Corregedoria afirmou que não existe a menor possibilidade de sustar a decisão do Tribunal de Justiça.

O órgão recebeu muitas sugestões para aperfeiçoar a lei e garantir que todos os cartórios a cumpra. A partir da análise de sugestões de advogados, tabeliões e juízes, a Corregedoria compilou quatro novos (e longos) provimentos sobre o casamento igualitário. Esses provimentos detalharão como os cartórios deverão tratar casais do mesmo sexo e também, segundo o site, tornarão ainda mais clara a obrigação de que todos os cartórios deverão registrar as uniões. A Corregedoria vai publicar os quatro provimentos antes do dia 1° de março para que os cartórios tenham tempo de se adequarem e cumprirem a decisão.

Ainda segundo a Corregedoria, o adiamento em duas semanas só servirá para normatizar e melhorar o serviço que garantirá o casamento civil de casais do mesmo sexo.

Primeiros casamentos
A All Out e a Campanha pelo Casamento Civil Igualitário no Brasil querem acompanhar de perto os primeiros casamentos para comemorar essa conquista. Os grupos procuram casais do mesmo sexo que vão se casar nesse dia em qualquer parte do estado de São Paulo.

Se você conhece alguém, entre em contato: info@allout.org.
Página da All Out: http://www.allout.org/pt
Página da Campanha pelo Casamento Civil Igualitário: http://casamentociviligualitario.com.br/

O casamento igualitário no mundo
O casamento entre pessoas do mesmo sexo, que teve seu projeto de lei aprovado pelo Parlamento francês, já foi legalizado em dez países no mundo, entre eles Argentina e Espanha.

Este é o estado mundial da legislação sobre casamento igualitário:

– Brasil: Aprovada a união homoafetiva pelo Supremo Tribunal Federal, lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais vem conquistando no poder judiciário permissões para converter as uniões em casamento e a adoção.

– Argentina: No dia 15 de julho de 2010, a Argentina se tornou o primeiro país da América Latina a autorizar o casamento igualitário. Casais do mesmo sexo têm os mesmos direitos que os de sexo oposto e podem adotar crianças.

– Holanda: Após criar em 1998 uma união civil aberta para LGBTs, a Holanda foi, em abril de 2001, o primeiro país que autorizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. As obrigações e os direitos dos cônjuges são idênticos aos dos heterossexuais, entre eles a adoção.

– Bélgica: O casamento igualitário foi legalizado em junho de 2003. Casais do mesmo sexo têm os mesmos direitos que os casais de sexo oposto. Em 2006, obtiveram o direito de adoção.

– Espanha: O governo socialista de José Luis Rodríguez Zapatero legalizou em julho de 2005 o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Estes casais, casados ou não, também têm a possibilidade de adotar.

– Canadá: A lei sobre o casamento igualitário e o direito de adoção entrou em vigor em julho de 2005. Anteriormente, a maioria das províncias canadenses já autorizava a união entre pessoas do mesmo sexo.

– África do Sul: Em novembro de 2006, o país se tornou o primeiro do continente africano a legalizar a união entre duas pessoas do mesmo sexo por ‘casamento’ ou ‘união civil’.

– Noruega: Uma lei de janeiro de 2009 estabeleceu a igualdade de direitos entre todas as pessoas do país, incluindo o casamento, a adoção e a fertilização assistida.

– Suécia: Pioneira em matéria de direito à adoção, desde maio de 2009 a Suécia permite o casamento, inclusive o religioso, de pessoas do mesmo sexo. Desde 1995, os casais já eram autorizados a realizar a ‘união civil’.

– Portugal: Uma lei que entrou em vigor em junho de 2010 modificou a definição de casamento ao suprimir a referência ‘de sexo diferente’. Mas exclui o direito à adoção.

– Islândia: A lei que autoriza o casamento igualitário vigora no país desde junho de 2010. Até então, LGBTs podiam se unir legalmente, mas a união não era um verdadeiro casamento. A adoção passou a ser autorizada em 2006.

Em outros países, como nos Estados Unidos e no México, o sistema federal faz com que o casamento entre pessoas do mesmo sexo esteja autorizado em parte do território. Este é o caso do distrito federal do México e dos estados americanos de Iowa, Connecticut, Massachussetts, Vermont, New Hampshire e da capital Washington.

Outros países adotaram legislações com relação à união civil, que concedem direitos mais ou menos amplos para lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (adoção, filiação), em particular a Dinamarca, que abriu caminho em 1989 ao criar a ‘união registrada’, a França ao instaurar o Pacto Civil de Solidariedade (PACS) em 1999, a Alemanha (2001), Finlândia (2002), Nova Zelândia (2004), Reino Unido (2005), República Tcheca (2006), Suíça (2007), Irlanda (2011), Colômbia e Uruguai.

No Uruguai e na Colômbia, projetos de lei foram enviados ao poder legislativo, mas os Parlamentos dos dois países ainda não os aprovaram.

Cantora Leilah Moreno fará lado feminino de Michael Jackson em musical Resposta

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Com 14 bailarinos brasileiros, o musical Thriller Live será visto em São Paulo e Belo Horizonte a partir do dia 22 após uma temporada no Rio de Janeiro. Aqui no Brasil, a missão de representar o lado feminino de Michael Jackson foi dada a bela cantora Leilah Moreno. São 33 músicas em cena para retratar o período de auge da carreira do cantor, o ano de 1984. O próprio Michael viu o musical em Londres e aprovou. Veja abaixo entrevista com o diretor do espetáculo Adrian Grant:

Casal de mulheres sofre ataque homofóbico dentro de um trem em São Paulo 2

Casal sofreu agressão homofóbica

Casal sofreu agressão homofóbica

Na sexta-feira (15/2), entre as 06:25h às 06:30h da manhã, um casal de mulheres foi agredido dentro de um trem na cidade de São Paulo. O incidente ocorreu na linha 9 esmeralda da CPTM entre as estações Santo Amaro e Granja Julieta. Segundo as vítimas, que são casadas a mais de dois anos, elas estavam dentro do trem quando um rapaz, com uma mochila enorme nas costas, entrou no vagão empurrando uma delas e, ao ser perguntado se não poderia carregar a mochila pelas mãos, que inclusive é a recomendação nesse caso, o mesmo passou a agredi-la verbalmente com palavras de baixo calão e alto teor homofóbico, logo em seguida o agressor passou a agredir a vítima fisicamente socando várias vezes seu rosto. A vítima preferiu não revidar para não agravar ainda mais a situação.

Por mais absurdo que possa parecer, ao olhar para as pessoas que assistiam ao ocorrido, a vítima observou, incrédula, que as mesmas riam da situação.

Um boletim de ocorrência (BO) foi registrado e agora esperamos que alguma providência seja tomada, não é possível que esse tipo de coisa fique impune. Apesar de sabermos que, na grande maioria das vezes, é exatamente isso o que acontece. Mas, com nossa mobilização e força, esperamos que, pelo menos desta vez, algo seja feito. As vítimas, além do vídeo (disponível abaixo) entraram e contado com várias pessoas via redes sociais e até o momento já contamos com várias manifestações de solidariedade e presteza.

*Informações: Julio Marinho, do Nossos Tons

SP: transexual se inspira em Ariadna (ex-BBB) para se tornar rainha de bateria 1

Flayra Fleck

Flayra Fleck

Destaque de chão da primeira escola de samba a desfilar domingo (10/2), pelo grupo de acesso de São Paulo, a bela transexual Flayra Fleck (23) sonha em seguir os passos da ex-BBB Ariadna e, como ela, ser rainha de bateria algum dia. Enquanto o dia não chega, ela capricha no samba e encara uma “maratona” de desfiles na capital paulista – foram quatro participações, no total.

“Eu sonho sim em ser rainha de bateria. Se a Ariadna conseguiu, por que eu não teria chances?”, disse Flayra, que foi destaque de chão do segundo carro alegórico da escola Unidos de Santa Bárbara, grupo que conquistou uma vaga no grupo de acesso do ano passado e abriu os desfiles na noite de hoje, abordando o tema paz, amor e diversidade.

Esse é o quinto ano que Flayra desfila no carnaval de São Paulo que, segundo ela, tem dado cada vez mais espaço aos transexuais e à diversidade. “No carnaval, não sofro nenhum preconceito. As escolas de São Paulo têm valorizado cada vez mais a diversidade e a nossa presença ajuda a quebrar o preconceito”, afirmou.

Experiente na avenida, a transexual disse que, ao contrário de suas colegas do sexo feminino, nunca perdeu o tapa-sexo desfilando, e diz não ter medo dessa saia-justa. “Tenho meu truque para não cair”, disse.

Justiça condena a 60 anos de prisão réu em mortes na Oscar Freire em SP Resposta

Imagem

Andre Marques / Futura Press
Lucas Rosseti quando foi preso por policiais de Sertãozinho (SP) em agosto de 2011

Acusado de matar e roubar o analista de sistemas Eugênio Bozola (52) e o modelo Murilo Rezende (21), em um apartamento na rua Oscar Freire, nos Jardins, na zona sul de São Paulo, Lucas Cintra Zanetti Rossetti , de 23, foi condenado a 60 anos de prisão e ao pagamento de 720 dias multa. O crime ocorreu dia 23 agosto de 2011 e a sentença foi dada na sexta-feira (1/2).

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Inicialmente, ele seria julgado por homicídio, mas se concluiu de que seu objetivo maior era roubar. Segundo a juíza Isaura Cristina Barreira, da 30.ª Vara Criminal, Rossetti “queria o carro (de Bozola, um Honda Civic), matou as vítimas por isso e para assegurar que ficaria com ele sem a intervenção das vítimas”.

Quando cometeu o crime, Rossetti era hóspede de Bozola há uma semana. Ele chegara a manter relações com Bozola devido a vantagens que o analista lhe oferecia, como o uso do carro. “O réu agiu friamente, pois apesar de tanto sangue e horror no apartamento, ainda teve a coragem e escrever com sangue e café nas paredes”. Na sentença, a juíza interpreta a inscrição na parede como indicação de um crime homofóbico, no qual foi usada “violência desmedida”.

Pela investigação, Rossetti dopou Bozola e Rezende antes de matá-los a facadas. “Vendo que ambos estavam mortos, procurou fugir e apagar os vestígios de sua estadia ali, a fim de não ser tido como autor intencional das mortes”, diz a juíza na sentença.

Rossetti já está preso e, de acordo com a juíza, não poderá recorrer da condenação em liberdade.

*Informações: O Estado de S.Paulo

Como eu saí do armário: Wesley Houston Resposta

Wesley Cardoso

Wesley Houston

Me chamo Wesley Houston, tenho 15 anos, sou estudante, moro em Rio Claro (SP).

Estava toda a sala de aula na maior bagunça, o professor substituto não sabia o que fazer mais, os meninos então criavam cada vez mais liberdade e sabe aquele que tem moral na sala e tenta ser amigo de todos? Esse era e sou eu!

Os meninos já na putaria caçoavam de um menino amigo meu, por ele ser gay eu não aguentei ver meu amigo daquele jeito e então as asas da borboleta se abriram e livre ela voou “chega né? Sou gay, e daí? Vão caçoar de mim? Vai, já que o caçoaram, podem me caçoar também” e dei um beijo no meu amigo ali, pra provar aquilo que eu disse.

O blog quer ouvir você

Conte ao blog como foi a sua experiência de sair do armário. Se você é travesti ou transexual, conte também. Envie uma mensagem ou um vídeo com o seu nome, a sua profissão, a sua cidade, o seu estado e uma foto (opcional) para o email oblogentrenos@gmail.com. A mensagem deve ter o seguinte título: Como eu saí do armário. Se quiser anonimato, basta pedir.

Como eu saí do armário: Gabriella Trigo 1

Gabriella Trigo

Gabriella Trigo

O meu nome é Gabriella, tenho 21 anos, estudante de Farmácia. Moro em Iguape, interior de São Paulo. E me assumi pouco menos de 4 meses.

Eu sempre gostei de meninas, desde o jardim da infância, lasquei um beijinho na minha coleguinha (que hoje também é lésbica) rs. Minha mãe sempre sempre desconfiava de mim, via o histórico na internet e lá sempre havia site que eu visitava que abordava sobre homossexuais. Ela disse que se eu continuasse com essa besteira, iria contar pro meu pai, e ia acabar comigo. Morri de medo de inicio, e comecei a apagar o histórico toda vez que eu usava. Certa vez minha amiga Esthefany me ligou e começar a conversar sobre minha namorada (hoje ex), e sobre a namorada da minha amiga. Só que para a minha surpresa, minha mãe escutou toda conversa atrás da porta, e eu inventei uma desculpa.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Dias depois convidei essa amiga para passar um final de semana comigo, até então eu só conhecia ela por internet. Aí que minha mãe desconfiou, porque minha amiga era muito carinhosa comigo, mas sem malícias. Depois que eu levei ela para rodoviária, minha mãe estava no portão de casa me esperando, eu pensei: pronto, era uma vez Gabriella.

Ela sentou numa boa para conversar comigo (para minha surpresa), enquanto meu pai estava ao lado dormindo. Ela perguntou se eu era sapatão e começou a falar sobre várias coisas de Deus e tal. Fiquei com medo de falar que sim, pois fiquei com receio que meu pai escutasse. E mais uma vez perdi a oportunidade de falar pra minha mãe.

Depois de uns 4 meses, ela estava cozinhando e perguntou pra onde eu ia todas as noites, e voltava tarde. Eu disse que estava namorando e logo ela perguntou: Quem é essa pessoa? Falei que não tinha coragem pra falar e logo em seguida ela falou: “Você namora uma menina é isto?” Tomei coragem e afirmei que sim, que há há anos eu namorava meninas, que todos os meus amigos e algumas primas sabiam da minha orientação sexual e me apoiaram.

Obviamente ela caiu em choro, mas logo complementou: “Se você tem certeza de que é isso que você quer pra sua vida, não vou deixar de ser sua mãe e acima de qualquer coisa eu te amo e quero te ver feliz. Só peço que você não saia na rua de mãos dadas ou dando beijos igual aqueles de cinema, pra me preservar dos insultos que vou escutar de todos os familiares e também do seu pai, porque quando ele descobrir irá tocar a gente de casa. Mas antes que ele faça isso, eu prefiro que ele saia, do que você, porque te amo.”

Respondi que sim, que eu ia fazer o que ela havia me pedido, pois não queria que sofresse por mim. Depois disso foi um alivio, e minha mãe me trata super bem, como se nada tivesse acontecido. Só tomo cuidado por conta do meu pai, ele é muito violento e tenho a certeza de que é capaz de fazer algo ruim contra mim.

Como eu saí do armário: Lucas Mazzei 1

Lucas Mazzei

Lucas Mazzei

Me chamo Lucas Mazzei, tenho 18 anos, sou assistente fiscal, solteiro, moro sozinho na zona sul de São Paulo (SP). A maior zona metropolitana, no maior estado do Brasil. Há quem pense que se assumir em São Paulo é fácil. Mas ao mesmo tempo que ela é bem grande, ela é bem mal vista.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Quando saí do armário? Saí com 15 anos. Minha família sempre foi evangélica, e esse foi meu maior problema. Contei em uma segunda-feira. Havia marcado de contar em um domingo. Mas, como minha mãe sempre frequentou igreja, e aquele domingo iria ser um domingo de “Santa Ceia”, deixei pra segunda. Não conseguia nem mais olhar pra minha mãe, era como mentir, mentir, mentir, e de tanta mentira, ter até vergonha de olhar pra ela. Era uma situação totalmente desagradável.

Como saí do armário? Pensei em duas maneiras de contar, olhando nos olhos ou escrevendo. Como me expresso melhor com um pedaço de papel, optei por ele. Mal sabia eu, que essa seria uma péssima opção. Escrevi, usei ótimas palavras. E como o planejado, em uma segunda-feira lhe entreguei a carta a. Ela foi para o trabalho, eu fiquei em casa. E quando ela chegou do trabalho, às 22hrs, eu estava no PC, então ela olhou para a minha cara e disse: “Eu tomei calmante, amanhã a gente conversa”. Fitou-me por alguns segundos e passou pro quarto.

Jamais irei me esquecer dessa cena. Ao mesmo tempo em que foi engraçada, me deixou com um tremendo medo. Fiquei até com medo de dormir e acordar com um “Circulo de Oração” em volta da minha cama. Mas, acordei com tapas no ombro e um “Acorda que quero falar com você”. Ela falou tudo o que uma mãe religiosa falaria. Que era pecado, que isso não era de Deus, que eu estava errado, dentre outras coisas.

A partir disso, a minha vida se tornou um pequeno inferno. Eu não podia dar um passo que meus irmãos estavam atrás. Meu celular foi capturado pela minha mãe. Só que um detalhe que talvez ela não saiba, e depois disso saberá, é que eu estava namorando naquela época. E, ao entregar o meu celular pra ela, coloquei no famoso modo “OFF LINE”, onde o celular permanece ligado, mas em contrapartida, fica sem sinal – que por sinal, foi um ótimo recurso na época –.

Ela havia passado no pastor dela pra contar isso, contou pra algumas tias, que contaram para outras, e logo a família inteira estava sabendo. Até o pastor dela queria conversar comigo. A filha dele então estava louca para conversar comigo, pelo fato de eu ter vivido minha infância ao lado dela. Aceitei conversar com a filha dele, e pra que não ficassem no meu pé, usei o velho truque do: “Era só uma fase”, “Esse mundo colorido é um inferno, já passou”. Doce ilusão.

Deixei a poeira baixar, terminei meu namoro, porque ele não aguentou a situação e pulou fora. Continuei sendo gay, mesmo com milhares de orações, e pessoas falando que era errado. Mas também tive apoio de pessoas da minha família que jamais pensaria em ter. Meu irmão, um tanto quanto seco, alguns parentes com mais idade, que me surpreenderam. Então foram essas coisas que me deram força durante esse período. E dão ate hoje.

Hoje, moro sozinho, trabalho, me sustento, não prejudico ninguém, estou sempre na minha. Mostrando que um gay também pode ter tudo nessa vida. Que não é uma religião que vai definir caráter. Que nós não escolhemos ser assim, que não acordamos um dia e falamos: “Agora quero sofrer bullying, quero apanhar na escola, ser zoado pelas pessoas, ser motivo de olhares tortos”, e por aí vai.

Escolhemos ser felizes, não importa como. Hoje tenho orgulho do que sou. Não perdi nada, minha vida está ótima e melhorando a cada dia que se passa. Porque acordo todos os dias e penso: “Hoje vou ser e fazer melhor que ontem”.

Como eu saí do armário: R. P. Resposta

Não trabalho, sou estudante da graduação de Enfermagem, sou de São Paulo (SP), tenho 19 anos, sou homossexual assumido.

Quando eu tinha entre 14 e 15 anos percebi a atração física que eu tinha por rapazes, meus pais sempre foram muito preconceituosos e eu, por medo de ser rejeitado por eles, busquei ajuda em sites de relacionamento, com pessoas que já tinham se assumido. Porém as mesmas eram de idade superiores a minha, até que conheci um rapaz, com quem criei uma certa amizade. Eu tinha liberdade de dizer tudo e esclarecer todas as minha dúvidas, porém o meu computador possuía aqueles programas de detetive, que os pais instalam em computadores de seus filhos, por questão de segurança e controle, e eu não tinha conhecimento desse programa, obviamente. Era o meu pai quem possuía conhecimento em informática, quem fazia esse controle.  Ele lia todas as conversas que eu mantinha com esse rapaz, até que um dia ele me chamou, abriu a conversa e me mostrou. Eu neguei, falei que era apenas curiosidade, foi horrível. A minha mãe é hipertensa, ficou muito mal, tivemos que chamar o médico da família pra medicá-la, foi o pior dia da minha vida. Desde então, eu tentava lutar contra a minha orientação sexual gay.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Depois de um certo tempo, mais ou menos um ano, eu já havia percebido que não adiantava lutar contra e querer ser alguém que eu não era. Acabei me envolvendo com um rapaz. Estava ao telefone e minha mãe, que sempre foi muito protetora, acabou ouvindo o assunto. Aí ela “invadiu” meu quarto, na hora eu desliguei o telefone. Ela brigou, chorou, e foi aquele clima de tensão o resto da semana e mesmo assim eu neguei.  Mesmo já sabendo da minha orientação sexual, sempre tive medo de contar por ver a reação deles frente a essa situação, porám meus pais não se “contentaram” com o fato de eu negar, já tinham a certeza, tanto que minha mãe sempre me questionava, perguntando se eu era gay ou bissexual, e eu nega com medo da rejeição. Quando completei 18 anos, entrei na faculdade e depois de um certo tempo conheci um rapaz com quem acabei namorando por 11 meses. Os três primeiros meses foi escondido da minha família. Ele foi apresentado como meu amigo aos meus pais. Aí é que vem a parte mais interessante da história, e que aborda a temática do texto, o dia em que meus pais descobriram: certa noite eu estava trocando mensagem de texto com ele e meu celular descarregou. Acabei não pegando o carregador do meu celular e coloquei meu chip no celular do meu irmão e continuei trocando mensagem. Porém, eu achei que iria ficar salva no meu chip, destroquei os chip. No dia seguinte, avisei a minha mãe que iria sair com o esse meu amigo, que na realidade era meu namorado. Saí, curtimos o passeio e no final, o celular dele tocou e ele me mostrou o número. Era da minha casa, eu falei para ele não atender. Inocentemente, quando vi meus pais, perguntei por que estavam ligando para ele. Eles na hora perguntaram o que eu e eles tínhamos, porque ele havia me mandado uma mensagem de boa noite e dito que me amava. A partir de então eu não neguei mais, confirmei que éramos namorados. Foi péssimo, minha mãe ligou para ele, falou coisas que não devia etc. Fui até em psicólogo, porém, depois de uns dois meses, meus pais passaram a aceitar, tanto que terminei esse primeiro namoro, conheci meu segundo namorado, meus pais o conheceram, sabiam do nosso relacionamento e sempre adoraram ele. Hoje estou solteiro, e eles conversam comigo sobre o assunto numa boa, me amam. Eles falam “independente do que você seja, nós o amamos da mesma maneira que amamos o seu irmão e temos orgulho de você”.

Hoje minha mãe não permite que ninguém discrimine um homossexual ou algo do gênero, e defende essa orientação!

Não tenha vergonha de quem você é, se orgulhe, levante a cabeça e vamos lutar contra a ignorância da nossa sociedade! Uso a frase dos meus pais: “Independente de quem você seja filho, você é filho, seus pais te amam da mesma maneira! Pois o amor de pai e mãe, não existe frnteiras!!” SAIA DO ARMÁRIO!

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Como eu saí do armário: Bruno Soares 1

Meu nome é Bruno Soares, tenho 17 anos, trabalho com contabilidade, e moro em São Paulo (SP).

Não considero uma saída do armário, pelo fato de ser muito “indiscreto” desde criança, e talvez isso tenha sido um dos motivos pelo qual eu nunca consegui esconder essa minha condição. Mas é um fato que, desde muito pequeno todos desconfiavam, observavam, comentavam e tudo mais, pelo meu jeito de falar, dançar, brincadeiras e pessoas com quem eu gostava de ficar junto.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Sempre gostei de brincar com amigas da minha irmã, ou com as minhas que acabei conquistando. Desde muito cedo fui zoado por pessoas na escola, na rua e em outros lugares, ainda mais pela negação incessante e aparente revolta que isso causava. Que hoje não existe mais! Ninguém fica chamando um hétero de hétero. Perde o sentido!

Até que no dia 15/12/2010 (com 15 anos) eu decidi contar para minha mãe. Aliás, foi um ocorrido, e não uma decisão, pois se dependesse de mim, só contaria quando estivesse morando sozinho e me sustentando! Numa briga entre minha mãe e eu, ela acabou perguntando o motivo da delicadeza e feminilidade exacerbada, e eu não consegui responder, diante de tanto nervosismo.

Pelo fato de minhas tias ficarem perguntando para ela se eu era gay, ela me perguntou: “O que a Rita e a Lena me pergunta é verdade?”. Sabendo quais eram as perguntas, só respondi que sim.

Até hoje minha mãe não aceita isso, infelizmente, mas não me impede de namorar, sair, e sei que a cada dia ela tenta, e já há um grande progresso. Enfim.

Depois de alguns dias, meu pai soube por ela, pois não tive tempo para contar, já que não moro com ele. Conversamos, e ele aceita numa boa. Confesso que achei que seria o contrário, pelo fato do meu pai ser muito mulherengo!

Garanto a qualquer um: “NUNCA FUI TÃO FELIZ NA MINHA VIDA! VALE MUUUUUUUITO A PENA!”

SAIAM DO ARMÁRIO! NÃO SABEM QUANTA LUZ HÁ “AQUI FORA!”   \õ/

Abraços à todos!

Fiquem na Paz!    *:)

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Como eu saí do armário: Flavio de Azevedo Ramos 1

Flavio de Azevedo Ramos

Flavio de Azevedo Ramos

Me chamo Flavio de Azevedo Ramos, sou administrador, moro em uma Iguape (SP), uma cidade pequena (por volta dos 30 mil habitantes) e relativamente religiosa. Tem varias igrejas por aqui, portanto vários religiosos. Quando me assumi para a família eu tinha 22 anos, um ano depois de terminar a minha faculdade de Administração em Comércio Exterior em Curitiba (PR), onde encontrei pessoas como eu e pude me aceitar. Estava começando a namorar com uma pessoa, que hoje não significa mais nada. Acabei assumindo minha homossexualidade depois de parentes linguarudos começarem a fazer boatos e fofocas sobre as pessoas com as quais eu andava na mesma época. Meu pai começou a me pressionar e a me questionar. Dizia que aquelas pessoas estavam causando má fama e me deixando mal falado.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós

Estava trabalhando, era um dia chuvoso, até que eu explodi e acabei contando tudo para meu pai. Eu estava tão feliz, quanto o meu pai ficou arrasado e sem palavras. Minha mãe na época estava viajando. Fui embora e liguei pra ela. Meu pai também ligou. Logo ela voltou. Eu ainda moro com minha família, tivemos um ano e meio bastante difícil. Meu pai não falava comigo, mal falava com minha mãe, tudo por conta de parentes e falsos amigos que ficavam falando inverdades e tirando sarro por eu ser gay. Isso causava muitos problemas em casa.

Até que determinado dia eu quase surtei e bati de frente com meu pai, falei tudo o que tinha para falar, mandei ele se calar e ouvir. Já que para ser homem era necessário usar a força, se fosse preciso eu realmente usaria. Tive muita paciência nesse período, mas chegou um momento que eu pensei comigo mesmo “chega, isso vai acabar hoje” e, de fato, após esse dia, as coisas começaram a mudar. Chega uma hora que se explode, o momento em que o copo transborda, então comecei a me impor para todos. Comecei a bater de frente com todas as pessoas e parentes que não tinham coisa melhor para fazer. Sou homem e tenho postura de homem, mas independente de alguém ser um pouco mais delicado, não merece passar por esse tipo de coisa.

Não tenho mais medo de demonstrar meus sentimentos em público, não fico me escondendo por vergonha, hoje todos sabem quem eu sou, e como eu sou. Não deixo mais as pessoas dizerem como eu devo me portar, não serei novamente alguém que liga para aparências, não serei como a sociedade espera que eu seja, sou apenas eu, como realmente eu sou, e decidi não segurar mais a minha língua.

Depois de toda tempestade, a calmaria chegou, os dias se tornam cada vez melhores, as coisas se tornam melhores. Minha mãe ficou triste no inicio, mas aceita numa boa, meu pai já está mais tranquilo, mas não sei se ele já aceita, não vou perguntar, então nunca saberei…

Hoje tenho 27 anos, completo 28 anos em março, mas acreditem: FOI A MELHOR COISA QUE FIZ POR MIM ATÉ HOJE, a liberdade que se tem de ser quem realmente se é, não se preocupar com a opinião dos outros, não tem preço.

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Como eu saí do armário: Dido Longatti 6

Dido Longatti

Dido Longatti

Meu nome é Claudio (mais conhecido como Dido Longatti), sou Auxiliar Administrativo, moro em Santo André (SP) e tenho 17 anos prestes a completar 18 dia três de fevereiro. Sou 100% assumido entre amigos, família e até mesmo no meu trabalho, não precisa me deixar no anonimato. Quando pequeno, eu achava que a atração que sentia pelo mesmo sexo era normal entre os garotos e que quando eu crescesse iria desaparecer essa vontade e eu iria me casar com uma mulher e ter lindos filhos. Minha primeira experiência foi aos nove anos de idade com um amiguinho da sala de aula que hoje também é homossexual assumido.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

A minha saída do armário começou aos meus 13 anos. Tenho uma irmã (hoje com 19 anos) e no mês de abril de 2009 ela se assumiu homossexual para a minha mãe, que logo em seguida contou ao meu pai. Foi um choque e tanto, pois eu nunca havia desconfiado dela, minha mãe e meu pai bateram nela, proibiram ela de sair e de ver as pessoas, até que eles foram se acostumando com a ideia (isso levou uns oito meses) e desde então minha irmã me perguntava se eu era também e como sempre, eu negava, fui seguindo nessa rotina até 2011 quando minha irmã notou que eu estava muito triste, ela me perguntou o que estava acontecendo comigo, eu disse que não era nada. No dia 21 de setembro de 2011, durante o aniversário de minha vó, ela me chamou para ir à garagem para que ela pudesse fumar cigarro, eu concordei e fomos, até que ela me perguntou “Dido, você é gay né? pode contar não vou falar pra mãe”, Eu olhei e comecei a rir, disse ” É, até por isso eu estava triste esses dias, eu conheci um rapaz, me apaixonei e ele disse que não queria nada sério” acabei mostrando a foto dele que havia em meu celular e rimos.

Em outubro de 2011 conheci um outro rapaz que era de São José dos Campos, e comecei a namorar ele virtualmente, até que no dia 23 de dezembro ele veio me conhecer e dormir na minha casa. Foi tudo ótimo até que no dia 24 estava eu com umas amigas conversando, quando recebi uma ligação da minha mãe “Dido vem pra casa agora que eu quero conversar com você”, avisei as minhas amigas que era o meu dia de me assumir e me desejarem sorte. Cheguei em casa, minha mãe estava guardando umas compras, ela olhou pra mim e disse ” Que história é essa de você trazer macho pra dormir aqui em casa? Você esta ficando louco? Eu quero saber, Você é “veado?” Naquele momento, que durou no máximo 3 segundos após a pergunta dela, veio na minha cabeça “Sim ou não, sim ou não, sim ou não, sim ou não” e pareceu ter se repetido milhares de vezes naqueles segundos, até que eu disse “sim, eu sou”. Minha mãe começou a chorar, meu pai me xingou, fiquei conversando, chorando com ela durante umas 2 horas, até que a conversa se finalizou e ela disse “Se você está feliz, eu também estarei”. Foi quando eu voltei com minhas amigas.

Meu pai ficou uma semana sem olhar na minha cara, me olhava feio, até que num certo dia ele veio pra cima de mim querendo me bater, claro, me defendi e ele quase parou no hospital com um pontapé que dei no peito dele e desde então ele nunca mais tocou no assunto (não façam isso, me arrependo muito). Hoje, minha mãe e meu pai são separados, ela me aceita super de boa, conversamos muito sobre isso, meu pai desencanou e até quis conhecer meu namorado (que hoje é ex).

Não tenho problemas no serviço, tenho amizade com todos, na escola também. Ninguém nunca mais me chamou de “veadinho” ou de outros nomes. Depois que me assumi foi tudo muito bom. Se eu soubesse que seria assim, eu teria me assumido bem antes.

Essa é minha história de “Como eu saí do Armário”.

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Como eu saí do armário: Vitor Panontim 7

Vitor Panontim

Vitor Panontim

Me chamo Vitor, tenho 22 anos, nascido e criado em São Paulo (SP), sou estudante de Administração e trabalho na área, numa metalúrgica no bairro do Tatuapé. Sou metido á escritor também, pois minha imaginação sempre vai além das possibilidades.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Quando criança, eu nunca me enquadrei em nenhum grupo social, seja na escola ou na rua, não gostava de futebol e tampouco achava interessante os papos femininos. Sempre estava mais só do que acompanhado, mesmo sendo muito querido pelos colegas de classe. Era meio que estar com eles, mas não pertencer a eles.

O tempo passou e eu percebi que aquilo não era uma questão social, era mais sexual, pois o que era normal em minha cabeça, na cabeça dos outros não era, eu sempre gostei de garotos, então nunca imaginei que poderia ser errado para alguém, mas também não me inferiorizei, apenas continuei sendo eu mesmo.

Na minha adolescência, eu fiquei com garotos e garotas, em partes para me saciar e em outra parte para saciar aos outros. Mas não deu certo, logo aos 16 anos contei para minha mãe. Ela nunca aceitou, mas sempre respeitou e pediu que não contasse ao meu pai. Consegui manter a minha palavra, ela não. Aos meus 18 anos, ela contou ao meu pai. Ele me expulsou de casa, morei na rua durante algum tempo, vi o pior da vida, mais eu sempre tive um dom natural à sobrevivência, talvez seja isso que não me permiti cair no crime, nem usar drogas. A única coisa que precisei fazer, foi contra mim mesmo, para sobreviver fui obrigado a me prostituir, para conseguir grana para pagar estadias em pousadas ou coisas do gênero. Essa natureza de sobrevivência é tão grande dentro de mim, que sempre me manteve seguro, mesmo nos ambientes mais podres. Me mantive assim até meus 20 anos quando finalmente consegui comprar um apartamento e me estabelecer num emprego fixo.

Apesar disso tudo, sei que minha historia é única e por favor não usem como desculpa para se limitarem a viver uma vida verdadeira. Sair do armário foi á melhor coisa que eu fiz, apesar dele muitas vezes existir em nossa cabeça. É um termo de limite, assim como a virgindade, um termo separatório. Bom é isso.

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Como eu saí do armário: Cadu 6

Cadu

Sou de São Paulo (SP) e estudo Psicologia. Prefiro ficar no anonimato, embora eu seja assumido pra 95% das pessoas. Eu comecei a perceber tendências homossexuais desde pequeno, tive uma experiência com um amigo aos 12 anos, mas na época eu não me aceitava, achava que era um grande erro, que eu estava doente e tal. Só comecei a me aceitar mesmo com uns 14 anos. Até ai já tinha tentado suicídio duas vezes, ainda bem que não consegui.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

No dia em que sai do armário para a minha mãe foi muito emocionante, eu tinha acabado de terminar um namoro, tinha 15 anos na época ( hoje tenho 17). Estava ouvindo música e chorando no meu quarto, eis que minha mãe chegou e perguntou porque eu estava chorando. Tentei disfarçar, disse que tinha terminado com minha namorada, mas claro que ela não acreditou, e soltou um ” eu sei que você namorava o Igor, pode me falar” aí eu desmoronei, alias, nós dois desmoronamos, ficamos mais de meia hora chorando. Hoje em dia ela aceita de boa, mas ela ainda acha que é só um fase.

Para meu pai eu não pretendo me assumir nunca. Eu moro sozinho, e longe dele, não vale o sofrimento, levando em conta que ele é muito homofóbico.

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Caso André Baliera vai ao procurador geral 1

Manifestação contra a homofobia em Pinheiros

O caso do estudante André Baliera, espancado em São Paulo no dia 3 de dezembro, foi parar na Procuradoria Geral de Justiça de São Paulo. A movimentação ocorreu devido a uma divergência de entendimento entre promotores de Justiça sobre a caracterização – ou tipificação – do crime.

Na avaliação do delegado responsável pela abertura do inquérito, Baliera foi vítima de tentativa de homicídio quando, ao voltar a pé para casa,  passou a ser insultado por duas pessoas, a bordo de um carro, na esquina das ruas Teodoro Sampaio e Henrique Schaumann, em Pinheiros – bairro da Zona Oeste. Segundo Baliera, que é gay, os insultos foram provocados por sua orientação sexual.

Ele reagiu, houve discussão, e logo em seguida um dos ocupantes do carro, Diego de Souza, teria começado a agredi-lo. De acordo com o que está registrado no inquérito, a agressão só parou quando policiais militares chegaram ao local e detiveram Souza e seu acompanhante, Bruno Portieri.

Encaminhado à Vara do Júri, o caso foi rejeitado sob o argumento de que não se trata de crime contra a vida, mas sim lesão  corporal. Devido a essa decisão, foi reencaminhado para a Vara Criminal. Lá, porém, houve nova rejeição: a promotora encarregada entendeu que o encaminhamento inicial estava correto, tratando-se de tentativa de homicídio.

Em casos de impasse como esse, a decisão é normalmente transferida para a Procuradoria Geral. O prazo para a definição do procurador expira no dia 4 de fevereiro.

O advogado Paulo Iotti, que acompanha o caso como representante do Centro de Combate à Homofobia da Prefeitura de São Paulo, explica: “A Vara do Júri julga só crimes dolosos contra a vida, ou seja, quando há intenção de matar, mesmo quando não se mata, punindo-se a tentativa. A Vara Criminal julga crimes de lesão corporal. A promotora entendeu que houve tentativa de homicídio, principalmente por causa dos relatos das testemunhas, segundo as quais as agressões foram muito violentas e desferidas contra a cabeça da vítima, mesmo quando já estava no chão.”

Ainda de acordo com o advogado, foi por entender que se tratava de tentativa de homicídio que as autoridades se decidiram pela prisão dos agressores.

Baliera tem 27 anos e está matriculado no último ano da Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Souza, apontado como agressor, tem 29 e é personal trainer.  Portieri tem 25 e também estuda.

Ainda na noite em que o fato ocorreu, em entrevista à TV Record, Portieri culpou a vítima pela agressão: “Apanhou de besta porque, se tivesse seguido o caminho dele, não teria apanhado.”

Joel Cordaro, advogado dos dois acusados, que vem solicitado à Justiça a libertação deles, também culpou Baliera: “Tudo começou porque eles pararam na faixa de pedestre e a vítima mostrou o dedo do meio. Foram provocados.”

O caso tem despertado a atenção do movimento gay por dois motivos: pela sua gravidade e sensação de impunidade (a violência ocorreu num final de tarde, numa área movimentada de um típico bairro de classe média e diante de várias testemunhas); e também porque pode trazer mudanças na forma de punição de agressões decorrentes de homofobia.

Fonte: blog do Roldão Arruda, no Estadão

Justiça de São Paulo reconhece casamento civil igualitário Resposta

Casamento Civil Igualitário

Todos os cartórios do Estado de São Paulo terão de habilitar obrigatoriamente homossexuais para o casamento civil. O Diário Eletrônico da Justiça publicou ontem alterações nas Normas de Serviço da Corregedoria-Geral que aplicam ao casamento ou à conversão de união estável em casamento de pessoas do mesmo sexo as regras exigidas de heterossexuais. A medida entra em vigor em 60 dias.

Os casais homossexuais não precisarão mais ter de registrar primeiramente a união estável para depois solicitar a conversão em casamento. Nem terão de recorrer à Justiça para garantir o casamento ou a conversão da união. Basta ir diretamente ao cartório de registro de pessoas naturais e solicitar a habilitação para o casamento.

O procedimento da Corregedoria pacifica decisões judiciais. Em setembro, um acórdão do Conselho Superior da Magistratura determinara o registro de casamento entre pessoas do mesmo sexo em São Paulo em todos os cartórios.

A norma administrativa terá efeito vinculante. “Agora, há a dispensa de provocação judicial. Os cartórios terão a obrigação de cumprir a regra”, explica Alberto Gentil de Almeida Pedroso, juiz assessor da Corregedoria. Recusas serão revistas pelo juiz-corregedor do cartório.

O vice-presidente da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (Arpen-SP), Luis Carlos Vendramin Junior, diz que a entidade apoia a medida. “Desde o reconhecimento da união estável homoafetiva (no Supremo Tribunal Federal em maio de 2011), a Arpen defende o registro do casamento homossexual. Não precisa nem mudar a lei, porque o STF já disse que é inconstitucional negar a união”, diz Vendramin.

Direito justo. Para José Fernando Simão, professor de Direito Civil da USP, a norma representa o direito sem preconceitos. “É o reconhecimento de um direito que chegou tarde, é a aquisição de um direito justo”, afirma.

A advogada Maria Berenice Dias, presidenta da Comissão da Diversidade Sexual da OAB, disse que a norma da Corregedoria da Justiça paulista abre precedente para a mudança das normas em outros Estados. “Essa resolução vai gerar reflexos. Servirá de referência por eliminar qualquer resistência nos cartórios de registro de pessoas naturais”, afirma Maria Berenice. Cartórios de Alagoas, Paraná, Piauí e Sergipe já habilitam homossexuais para o casamento civil.

Maria Berenice defende principalmente mudanças na lei, como uma nova redação do Código Civil nos artigos sobre casamento, e a criação do Estatuto da Diversidade Sexual para eliminar controvérsias e garantir segurança jurídica no País.