Como eu saí do armário: Cadu 6

Cadu

Sou de São Paulo (SP) e estudo Psicologia. Prefiro ficar no anonimato, embora eu seja assumido pra 95% das pessoas. Eu comecei a perceber tendências homossexuais desde pequeno, tive uma experiência com um amigo aos 12 anos, mas na época eu não me aceitava, achava que era um grande erro, que eu estava doente e tal. Só comecei a me aceitar mesmo com uns 14 anos. Até ai já tinha tentado suicídio duas vezes, ainda bem que não consegui.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

No dia em que sai do armário para a minha mãe foi muito emocionante, eu tinha acabado de terminar um namoro, tinha 15 anos na época ( hoje tenho 17). Estava ouvindo música e chorando no meu quarto, eis que minha mãe chegou e perguntou porque eu estava chorando. Tentei disfarçar, disse que tinha terminado com minha namorada, mas claro que ela não acreditou, e soltou um ” eu sei que você namorava o Igor, pode me falar” aí eu desmoronei, alias, nós dois desmoronamos, ficamos mais de meia hora chorando. Hoje em dia ela aceita de boa, mas ela ainda acha que é só um fase.

Para meu pai eu não pretendo me assumir nunca. Eu moro sozinho, e longe dele, não vale o sofrimento, levando em conta que ele é muito homofóbico.

O blog quer ouvir você

Conte para o blog como foi a sua experiência de sair do armário. Envie uma mensagem com o seu nome, a sua profissão, a sua cidade, o seu estado e uma foto (opcional) para o email oblogentrenos@gmail.com. A mensagem deve ter o seguinte título: Como eu saí do armário. Se quiser anonimato, basta pedir.

Caso André Baliera vai ao procurador geral 1

Manifestação contra a homofobia em Pinheiros

O caso do estudante André Baliera, espancado em São Paulo no dia 3 de dezembro, foi parar na Procuradoria Geral de Justiça de São Paulo. A movimentação ocorreu devido a uma divergência de entendimento entre promotores de Justiça sobre a caracterização – ou tipificação – do crime.

Na avaliação do delegado responsável pela abertura do inquérito, Baliera foi vítima de tentativa de homicídio quando, ao voltar a pé para casa,  passou a ser insultado por duas pessoas, a bordo de um carro, na esquina das ruas Teodoro Sampaio e Henrique Schaumann, em Pinheiros – bairro da Zona Oeste. Segundo Baliera, que é gay, os insultos foram provocados por sua orientação sexual.

Ele reagiu, houve discussão, e logo em seguida um dos ocupantes do carro, Diego de Souza, teria começado a agredi-lo. De acordo com o que está registrado no inquérito, a agressão só parou quando policiais militares chegaram ao local e detiveram Souza e seu acompanhante, Bruno Portieri.

Encaminhado à Vara do Júri, o caso foi rejeitado sob o argumento de que não se trata de crime contra a vida, mas sim lesão  corporal. Devido a essa decisão, foi reencaminhado para a Vara Criminal. Lá, porém, houve nova rejeição: a promotora encarregada entendeu que o encaminhamento inicial estava correto, tratando-se de tentativa de homicídio.

Em casos de impasse como esse, a decisão é normalmente transferida para a Procuradoria Geral. O prazo para a definição do procurador expira no dia 4 de fevereiro.

O advogado Paulo Iotti, que acompanha o caso como representante do Centro de Combate à Homofobia da Prefeitura de São Paulo, explica: “A Vara do Júri julga só crimes dolosos contra a vida, ou seja, quando há intenção de matar, mesmo quando não se mata, punindo-se a tentativa. A Vara Criminal julga crimes de lesão corporal. A promotora entendeu que houve tentativa de homicídio, principalmente por causa dos relatos das testemunhas, segundo as quais as agressões foram muito violentas e desferidas contra a cabeça da vítima, mesmo quando já estava no chão.”

Ainda de acordo com o advogado, foi por entender que se tratava de tentativa de homicídio que as autoridades se decidiram pela prisão dos agressores.

Baliera tem 27 anos e está matriculado no último ano da Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Souza, apontado como agressor, tem 29 e é personal trainer.  Portieri tem 25 e também estuda.

Ainda na noite em que o fato ocorreu, em entrevista à TV Record, Portieri culpou a vítima pela agressão: “Apanhou de besta porque, se tivesse seguido o caminho dele, não teria apanhado.”

Joel Cordaro, advogado dos dois acusados, que vem solicitado à Justiça a libertação deles, também culpou Baliera: “Tudo começou porque eles pararam na faixa de pedestre e a vítima mostrou o dedo do meio. Foram provocados.”

O caso tem despertado a atenção do movimento gay por dois motivos: pela sua gravidade e sensação de impunidade (a violência ocorreu num final de tarde, numa área movimentada de um típico bairro de classe média e diante de várias testemunhas); e também porque pode trazer mudanças na forma de punição de agressões decorrentes de homofobia.

Fonte: blog do Roldão Arruda, no Estadão

Justiça de São Paulo reconhece casamento civil igualitário Resposta

Casamento Civil Igualitário

Todos os cartórios do Estado de São Paulo terão de habilitar obrigatoriamente homossexuais para o casamento civil. O Diário Eletrônico da Justiça publicou ontem alterações nas Normas de Serviço da Corregedoria-Geral que aplicam ao casamento ou à conversão de união estável em casamento de pessoas do mesmo sexo as regras exigidas de heterossexuais. A medida entra em vigor em 60 dias.

Os casais homossexuais não precisarão mais ter de registrar primeiramente a união estável para depois solicitar a conversão em casamento. Nem terão de recorrer à Justiça para garantir o casamento ou a conversão da união. Basta ir diretamente ao cartório de registro de pessoas naturais e solicitar a habilitação para o casamento.

O procedimento da Corregedoria pacifica decisões judiciais. Em setembro, um acórdão do Conselho Superior da Magistratura determinara o registro de casamento entre pessoas do mesmo sexo em São Paulo em todos os cartórios.

A norma administrativa terá efeito vinculante. “Agora, há a dispensa de provocação judicial. Os cartórios terão a obrigação de cumprir a regra”, explica Alberto Gentil de Almeida Pedroso, juiz assessor da Corregedoria. Recusas serão revistas pelo juiz-corregedor do cartório.

O vice-presidente da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (Arpen-SP), Luis Carlos Vendramin Junior, diz que a entidade apoia a medida. “Desde o reconhecimento da união estável homoafetiva (no Supremo Tribunal Federal em maio de 2011), a Arpen defende o registro do casamento homossexual. Não precisa nem mudar a lei, porque o STF já disse que é inconstitucional negar a união”, diz Vendramin.

Direito justo. Para José Fernando Simão, professor de Direito Civil da USP, a norma representa o direito sem preconceitos. “É o reconhecimento de um direito que chegou tarde, é a aquisição de um direito justo”, afirma.

A advogada Maria Berenice Dias, presidenta da Comissão da Diversidade Sexual da OAB, disse que a norma da Corregedoria da Justiça paulista abre precedente para a mudança das normas em outros Estados. “Essa resolução vai gerar reflexos. Servirá de referência por eliminar qualquer resistência nos cartórios de registro de pessoas naturais”, afirma Maria Berenice. Cartórios de Alagoas, Paraná, Piauí e Sergipe já habilitam homossexuais para o casamento civil.

Maria Berenice defende principalmente mudanças na lei, como uma nova redação do Código Civil nos artigos sobre casamento, e a criação do Estatuto da Diversidade Sexual para eliminar controvérsias e garantir segurança jurídica no País.

SP: Homem gay é agredido e policial diz para ele não frequentar mais região em que o crime ocorreu 1

Gerente agredido teve ferimentono olho (Foto: Lívia Machado/G1)

Gerente agredido teve ferimento
no olho (Foto: Lívia Machado/G1)

Um gerente de tecnologia da informação de 35 anos foi agredido na Lapa, na Zona Oeste de São Paulo, na madrugada de domingo (16). A vítima, que pediu para não ser identificada e declara ser gay, foi agredida com barras de ferro, socos e chutes. Ele teve ferimentos no rosto e diz ter sido vítima de homofobia.

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Depois de deixar a boate The Week, o gerente conta que estacionou o carro para conversar com um amigo, por volta das 3h, quando quatro homens armados com barras de ferro desceram de dois carros.

“Eles já chegaram dando cavalo de pau e disseram: ‘Corre, seus veados, vamos matar vocês’. O motivo, com certeza, foi homofobia. Eles sabem que a região é frequentada por gays”, disse. Os dois amigos ainda correram, mas apenas um deles conseguiu escapar.

“Chegou uma hora em que eu não conseguia mais correr. Pelo menos dois deles me bateram, deram chutes na barriga. Durante a agressão, eu desacordei e não vi mais nada”, disse o gerente ao G1, por telefone.

A vítima, que já retomou sua rotina de trabalho, disse que passa bem. “Estávamos apenas conversando, não estava beijando ou abraçado. Não entendo por que tanto ódio a ponto da pessoa querer matar a outra por causa da sua opção sexual”, declarou.

Mesmo que estivesse beijando ou abraçado, não justifica a violência. Qualquer pessoa tem direito de beijar e abraçar quem quiser na rua!

Depois de ser agredido, um policial relatou que são comuns agressões desse tipo na região, segundo o gerente. “Ele me disse para não frequentar mais aquela região, porque estão acontecendo vários casos de agressão. Eles deveriam agir em cima desses agressores e prendê-los”, contou.

Parece piada: o policial deveria zelar pela segurança do cidadão e não aconselhá-lo a não frequentar certos lugares.

As estatísticas da Secretaria de Segurança Pública (SSP) apontam que 222 casos de agressão corporal dolosa – com intenção – foram registrados no 7º DP até o mês de outubro de 2012. No entanto, essas estatísticas não detalham o que teria motivado as agressões.

O gerente foi levado para o Hospital São Camilo. O caso de lesão corporal foi registrado no 7º Distrito Policial, na Lapa. A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o crime. O rapaz prestou depoimento na tarde desta terça-feira (19).

O delegado responsável pela investigação do caso, Rubens Barazal, defende que é cedo para classificar a agressão como homofobia. “Estamos em fase de coleta de informações. A condição de homossexualidade dele insinua que a agressão foi por esse motivo, mas ainda não podemos afirmar nada. Estamos buscando testemunhas e possíveis imagens do ocorrido para identificar os agressores”, disse.

Suspeitos de agredir André Baliera não responderão por tentativa de homicídio Resposta

Foto: Claudio Manculi Frame/Estadão

Os jovens suspeitos de terem agredido o estudante gay, André Baliera, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, no começo deste mês, não vão mais responder por tentativa de homicídio. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Saiba mais sobre o caso, clicando aqui.

O estudante Bruno Portieri e o personal trainer Diego de Souza poderão responder por lesão corporal, crime de menor penalidade. De acordo com o Código Penal Brasileiro, se condenados, podem ficar de três meses a 1 ano presos, enquanto se ainda fossem responder por tentativa de homicídio, estariam sujeitos a uma pena de 2 a 12 anos de prisão.

Devido à descaracterização da tentativa de homicídio, o processo passará do 5° tribunal do júri para o Departamento de Inquéritos Policias 3 que tem até cinco dias para se manifestar. Enquanto a decisão não sai, os supostos agressores continuam presos no Centro de Detenção Provisória de Osasco.

*Informações R7

Denúncias contra homofobia crescem, mas vítimas ainda temem relatar agressões 1

Homofobia

As denúncias de violência contra a população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros) estão aumentando, mas muitas vítimas ainda temem relatar às autoridades competentes as agressões, além dos que deixam de denunciar por desconhecimento de seus direitos ou por não saber como fazê-la.

Segundo a Defensoria Pública, o número de relatos de homofobia encaminhados ao Núcleo de Combate à Discriminação, Racismo e Preconceito do órgão tem aumentado nos últimos anos. Em 2008 foram registrados 29 casos e, no ano passado, o número de denúncias recebidas chegou a 66, o que representou crescimento de 227%. No primeiro semestre de 2012, a Defensoria recebeu 50 ocorrências. A projeção é que o ano termine com aumento de 15% no número de casos relatados em relação a 2011.

Para diminuir as dúvidas e orientar a população com relação aos direitos homoafetivos e ao combate à violência, a Defensoria Pública do Estado de São Paulo instalou na tarde do último domingo um posto de atendimento móvel no Largo do Arouche, no centro da capital paulista. No local, defensores, advogados e representantes do Poder Público orientaram as pessoas, principalmente, como denunciar um caso de violência contra homossexuais.

“Muitas pessoas têm medo [de denunciar]. Uma das que atendemos aqui hoje falou sobre o temor em denunciar e sofrer algum tipo de perseguição. Buscamos esclarecer que, quanto mais as pessoas denunciarem, mais vamos conseguir conscientizar a sociedade e a eventuais agressores sobre o direito das pessoas”, disse Vanessa Vieira, defensora pública e coordenadora do Núcleo de Combate à Discriminação, Racismo e Preconceito da Defensoria Pública, em entrevista à Agência Brasil.

Segundo Paulo Iotti, advogado do Centro de Combate à Homofobia da prefeitura de São Paulo, 84 casos de violência física contra homossexuais foram relatados ao centro entre janeiro e outubro deste ano – somente na capital. Mas o número de casos pode ser ainda maior, estima Iotti, pois muitas vítimas não denunciam. “Tem muito homossexual que não é assumido e tem medo de denunciar. E alguns não sabem bem o que fazer ou como denunciar”, explicou.

Em São Paulo foi criada uma lei para proteger quem é discriminado por sua orientação sexual. A Lei 10.948, de 2001, prevê advertência, multa ou, em caso de estabelecimento comercial, suspensão ou cassação de licença de funcionamento em casos de discriminação homofóbica.

Uma das pessoas que esteve no local na tarde do domingo em busca de esclarecimentos foi Marcelle Miguel. Marcelle disse à Agência Brasil que já passou por diversas situações “inesperadas de preconceito, discriminação e agressão”. “Geralmente, quando passamos por essas situações inesperadas, ficamos com dúvidas. Há a lei que nos assiste, mas muitas vezes, na hora da situação, não sabemos que decisão tomar”, declarou. A principal dúvida de Marcelle hoje era sobre a necessidade de testemunhas ao se fazer uma denúncia.

Em caso de discriminação ou de violência, é importante anotar os nomes e telefones de pessoas que tenham testemunhado a agressão. “As testemunhas não são necessárias, mas elas ajudam, dando mais força à denúncia”, explicou a defensora Vanessa Vieira.

A denúncia pode ser feita tanto sobre pessoas físicas como jurídicas, pessoalmente, por telefone (11-3291-2700), e-mail, carta ou fax à Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania de São Paulo. “O ideal é que a própria vítima faça a denúncia, mas qualquer pessoa pode fazê-la com base na Lei 10.948. Afinal a discriminação atinge toda a sociedade e não apenas aquela pessoa que sofreu a conduta”, disse a defensora pública.

Em São Paulo, as vítimas também podem denunciar as agressões sofridas no Centro de Combate à Homofobia da prefeitura (www.prefeitura.sp.gov.br/cads) ou ainda na Defensoria Pública, na Rua Boa Vista, 103, no centro da capital paulista, que também atende pelo telefone 3101-0155, ramal 137. “É importante denunciar porque a própria denúncia é uma maneira de se educar. Com a denúncia, estamos orientando as pessoas sobre a maneira certa e a errada de se proceder”, disse Marcelle após receber informações da defensoria.

Fernando Quaresma, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, ressaltou o entendimento de Marcelle sobre a importância de denunciar os agressores.“A denúncia tem que ser feita. Só se consegue alterar o quadro e mudar nossa sociedade se as pessoas denunciarem e se forem punidas as pessoas que cometerem esse tipo de crime”, declarou.

Manifestantes protestam contra a homofobia e a transfobia em São Paulo Resposta

André Baliera durante manifestação contra homofobia e transfobia (Foto: Tadeu Meniconi/G1)

André Baliera durante manifestação contra homofobia e transfobia (Foto: Tadeu Meniconi/G1)

Manifestantes se reuniram neste sábado em um protesto, chamado #ChurrascãodasCabras, contra a homofobia e a transfobia em São Paulo. O nome do evento faz referência à matéria de novembro da revista Veja, na qual compara a relação entre um homem e uma cabra em argumento contra a união homossexual. O ato ocorreu no local em que o universitário André Baliera foi agredido por Bruno Portieri e o personal trainer Diego Mosca (veja a foto dos dois, clicando aqui). O estudante alega ter sido vítima de homofobia (veja o vídeo, clicando aqui). Os agressores negam que a agressão tenha sido motivada por homofobia.

Além de serem indiciados por tentativa de homicídio qualificado, por motivo torpe, os suspeitos serão processados pela Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania de São Paulo. De acordo com a pasta, se condenados, cada um dos agressores poderá levar multa que varia de mais de R$ 18 mil a R$ 55 mil.

Segundo a pasta, a multa por homofobia tem como base a lei paulista número 10.948/01, que pune “toda manifestação atentatória ou discriminatória praticada contra cidadão homossexual, bissexual ou transgênero”. A lei abrange todo tipo de ação “violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica” contra o homossexual.

Um dos organizadores do protesto, o advogado Luís Arruda, disse ao portal G1 que o PLC 122/06 precisa ser votado e aprovado pelo Senado: “A gente pede que a sociedade nos ouça e que o PLC 122, que iguala a homofobia e a transfobia ao racismo, seja votado pelo Senado e aprovado. A gente não quer privilégios, a gente só quer equiparação”.

Manifestantes protestam contra a homofobia e a transfobia (Foto: Tadeu Meniconi/G1)

Manifestantes protestam contra a homofobia e a transfobia (Foto: Tadeu Meniconi/G1)

“Essa discussão, que a gente tenta travar a todo o momento, infelizmente ela só acontece quando a violência acontece também. Ela só vem acompanhada da violência e isso é muito triste. Muito triste, principalmente para quem sofre ela”, completou o próprio André Baliera, durante a manifestação.

Casos de homofobia e transfobia são comuns

Segundo outros participantes da manifestação, episódios de homofobia e transfobia são comuns. Luís Arruda contou que já passou por agressões verbais “pelo menos três vezes em São Paulo”. “Só que, talvez porque eu tenho 1,91 m de altura, ninguém desceu do carro para me bater”, argumentou o advogado.

O artista plástico José Cavalhero e o professor de inglês John Bartholomew, que estão juntos há dez anos, também se lembraram de uma agressão assim. Eles contaram que, certa vez, jantaram juntos em um restaurante e, quando estavam no estacionamento, dois homens que estavam em outra mesa tentaram atropelá-los e fizeram agressões verbais.

“Acontece bastante, mas só que a gente fica com muito medo de tornar isso público, até para a família”, disse Bartholomew.

“Isso tem muito a ver com educação, com moral, com ideais de vida, com valores que a pessoa leva e prega para si. Enfim, é uma consequência de coisas, não é pontual”, completou Cavalhero.

Para os dois, mesmo com toda a militância, a situação dos gays no Brasil ainda é mais difícil do que nos países europeus, como Inglaterra e Alemanha. “Tem muito o que fazer, mas eu ainda acredito no Brasil”, concluiu Bartholomew.

Agressores de André Baliera poderão ser multados por homofobia Resposta

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André Cardoso Gomes Baliera, 27, disse que foi agredido após discutir com dois jovens que o chamaram de “veado” em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, na segunda-feira (3)

Segundo o relato do universitário André Baliera, ele voltava para casa, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, quando foi abordado por dois homens (Bruno Portieri e o personal trainer Diego Mosca, veja foto dos dois, clicando aqui) em um carro. À polícia, Baliera disse que foi xingado de “veado” e, ao questionar o motivo da provocação, levou diversos golpes na cabeça. O universitário publicou um vídeo no Youtube desabafando sobre o caso e sobre a sua experiência de ser gay (veja no final da postagem).

Além de serem indiciados por tentativa de homicídio qualificado, por motivo torpe, os suspeitos serão processados pela Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania de São Paulo. De acordo com a pasta, se condenados, cada um dos agressores poderá levar multa que varia de mais de R$ 18 mil a R$ 55 mil.

Segundo a pasta, a multa por homofobia tem como base a lei paulista número 10.948/01, que pune “toda manifestação atentatória ou discriminatória praticada contra cidadão homossexual, bissexual ou transgênero”. A lei abrange todo tipo de ação “violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica” contra o homossexual.

 

Advogado nega homofobia em agressão em Pinheiros; dupla é transferida para Osasco (SP) 1

André Cardoso Gomes Baliera, 27, disse que foi agredido após discutir com dois jovens que o chamaram de "bicha" em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, na segunda-feira (3)

André Cardoso Gomes Baliera, 27, disse que foi agredido após discutir com dois jovens que o chamaram de “bicha” em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, na segunda-feira (3)

O advogado dos dois jovens presos na noite de segunda-feira (2) após agredirem um estudante de direito em Pinheiros (zona oeste de São Paulo) afirmou nesta quarta-feira (5) que não houve homofobia.

Veja o vídeo da reportagem da Record em que o agressor, Bruno, diz que André apanhou “de  besta”, clicando aqui. REVOLTANTE!!!!!!!!

“Não tem absolutamente nada de homofobia. Não tem como saber a opção (sic) sexual de alguém que está atravessando a rua”, disse o defensor do personal trainer Diego Mosca Lorena de Souza, 29, e do estudante de logística Bruno Paulossi Portieri, Joel Cordaro.

Dá para ver, sim, se a bicha for pintosa, senhor Joel Cordaro. E depois, no meio de uma discussão, é possível, sim, pelo menos desconfiar da orientação sexual do outro.

Os dois foram presos em flagrante e indiciados por tentativa de homicídio de André Cardoso Gomes Baliera, 27. Hoje, eles foram transferidos da carceragem do 91º DP (Ceasa) para o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Osasco (Grande SP).

Diego Mosca: um dos agressores

Diego Mosca: um dos agressores

De acordo com a Polícia Militar, Baliera voltava de uma farmácia a pé quando foi xingado pelos dois rapazes que estavam em um carro parado na esquina das ruas Teodoro Sampaio com a Henrique Schaumann.

Após Baliera revidar os insultos, Portieri e Souza desceram e lhe deram chutes e socos.

PMs que estavam perto do local detiveram os agressores e os levaram ao 91º DP, onde foram autuados em flagrante por tentativa de homicídio.

Baliera sofreu um corte na cabeça e ficou com hematomas. Ele foi levado a um hospital e liberado em seguida.

Cordaro afirmou que a discussão começou após os agressores pararem na faixa de pedestre. O estudante de direito teria mostrado o dedo do meio para os dois.

“O Bruno desceu do carro, discutiu com ele [Baliera], falou para ele ir embora e voltou. Nisso, ele pegou uma pedra e jogou no carro, só que a pedra não acertou no carro. O Diego, que estava dirigindo, entrou no posto de gasolina com o carro, desceu e foi falar com a vitima”, diz o advogado.

Ainda de acordo com o defensor, Baliera está se fazendo de “coitadinho”. “No próprio depoimento da vitima, ele fala que depois que quebraram o fone de ouvido dele, ele quebrou o óculos de um dos meus clientes. Ele está dando versão de que não fez nada, que é coitadinho, mas se ele não quisesse brigar, ele teria virado as costas e ido embora. Ele quis arrumar confusão”, disse Cordaro.

Bruno Potieri

Bruno Potieri: um dos agressores

Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo (saiba mais, clicando aqui), Baliera afirmou que estava voltando da farmácia , com fone de ouvido, quando Portieri mexeu com ele.

“Não consegui entender o que ele estava falando e tirei o fone. Ele disse: ‘Está olhando o que seu viado? Segue seu rumo sua bicha’”, afirmou a vítima ao jornal.

Na delegacia, Portieri e Souza disseram que a briga foi motivada por uma discussão de trânsito.

“O agredido apanhou, apanhou de besta. Se ele tivesse seguido o caminho dele não teria apanhado”, disse Portieri a TV Record, no dia da agressão.

Cordaro entrou com um pedido de liberdade provisória e relaxamento de flagrante, já que os detidos são primários, têm residências fixas e trabalham.

“Não estou falando que eles estão certos, eles agrediram sim. Mas não existe crime de homofobia”, afirmou o advogado.

O caso está sendo investigado pelo 14º DP (Pinheiros).

Protesto

O projeto #EuSouGay, do portal Vila Mundo, lançou uma campanha contra homofobia e está organizando um protesto no mesmo local da agressão no próximo sábado (8), às 15h.

Protesto organizado para o sábado (8) no mesmo local onde o estudante foi agredido

Protesto organizado para o sábado (8) no mesmo local onde o estudante foi agredido

O evento #ChurrascãodasCabras no Facebook já tem mais 600 presenças confirmadas.

“(…) nada se compara à dor de quem sofre na pele a violência da intolerância e do ódio. Um ódio que, vale lembrar, não nasce com ninguém. É um ódio ensinado, às vezes por uma pessoa próxima, às vezes por uma revista semanal… Portanto, vai aqui uma convocação geral para quem tem amor no coração: Gays, Lésbicas, Bisexuais, Transexuais, Heterosexuais, Pansexuais e CABRAsexuais, está na hora de fazer esse ódio de churrasquinho”, diz a página do evento.

Estudante de Direito é vítima da homofobia em São Paulo 2

André Baliera: mais uma vítima de homofobia

André Baliera: mais uma vítima de homofobia

Bruno Potieri

Bruno Potieri: homofóbico

Diego Mosca: homofóbico

Diego Mosca: homofóbico

O estudante André Baliera, de 27 anos, foi agredido a chutes e socos, na noite desta segunda (3), em Pinheiros, na capital paulista. Após ter sido provocado por dois jovens que passavam de carro e devolver os insultos, acabou espancado. A polícia, acionada para interromper a pancadaria, levou Bruno Portieri e Diego Mosca ao 91º Distrito Policial, para serem autuados por tentativa de homicídio. Testemunhas afirmam que o ataque teve motivação homofóbica. O jovem agredido é homossexual.

Segundo o relato do jovem à polícia, a agressão ocorreu na esquina com a Rua Teodoro Sampaio. O bancário caminhava na calçada quando ouviu gritos de ocupantes de um veículo. Ao questionar o motivo dos xingamentos, um deles teria descido do carro e houve uma discussão. A vítima relatou à polícia ter sido agredida com golpes na cabeça. A discussão só foi controlada com a chegada da Polícia Militar.

“A vítima relatou em seu depoimento que estava caminhando quando homens em um carro passaram ao seu lado e começaram a xingá-lo. Os dizeres, segundo a vítima, seriam preconceituosos, referiam-se a homofobia, ele disse ter sido chamado de ‘veado’, mas o delegado que registrou o caso entendeu que não houve homofobia e o registrou como tentativa de homicídio”, disse ao G1 o delegado Paulo Roberto Nascimento de Oliveira, do 14º DP.

O caso foi registrado como tentativa de homicídio qualificado, por motivo torpe. A homofobia por parte dos agressores pode ter sido outra motivação, de acordo com Margarete Barreto, delegada titular da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que vai acompanhar as investigações do caso.

“O delegado contextualizou de que forma ocorreram as agressões e os xingamentos e uma das motivações é homofobia. Abrimos uma pasta para este caso e vamos levantar se os agressores têm alguma ligação com grupos de intolerância”, disse a delegada. Neste caso, homofobia seria um agravante a ser levado em consideração em eventual julgamento.

O jovem agredido foi socorrido e levado ao Pronto-Socorro da Lapa, mas já foi liberado e passa bem, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP).

Confira entrevista com a vítima concedida ao Estadão

O que aconteceu?

Estava voltando da farmácia e vim descendo a rua, tranquilo, na minha, com fone de ouvido. Quando ia atravessar a rua, o Bruno mexeu comigo. Não consegui entender o que ele estava falando e tirei o fone. Ele disse: “Está olhando o que seu viado? Segue seu rumo sua bicha”. Mas eu não consegui seguir meu rumo e começamos então uma troca de ofensas. Tudo aconteceu no tempo de um semáforo. Foi aí que ele saiu do carro e fiquei muito assustado. Fiz menção de que ia pegar uma pedra e o Diego entrou na história. Ele começou a me bater feito um animal. Me lembro de pensar: “É agora que acabou. Morri”.

Você já foi vítima de outras agressões?

Sim, aconteceram outras vezes. Não escondo minha sexualidade e nunca achei que isso fosse um problema para levar minha vida normalmente. Já me jogaram latinha de cerveja quando ficava com alguém. Essas condutas são reiteradas sempre, mas nunca foi nesse nível. Exatamente por isso que não consigo me conformar de que minha obrigação quanto gay é ouvir ofensas e seguir meu caminho.

O que você acha que motivou o ataque?

Não sei dizer o que leva duas pessoas aparentemente bem de vida, jovens, a entrarem com o carro na contramão e atentarem contra a vida de alguém que só queria chegar em casa. Que fúria é essa que faz um cara que deve ter tido todas as oportunidades do mundo a bater em outra de forma tão agressiva? Por que a minha existência provoca uma fúria tão desumana?

Como está sendo a repercussão do caso? Há pessoas que querem organizar passeata, fazer escracho na frente da casa dos agressores.

Estou bastante impressionado, mas queria muito que as pessoas tivessem consciência de que não quero vingança. Quero justiça, o que é muito diferente. Se estudo direito e acredito na justiça, não posso tomar as medidas cabíveis com as minhas próprias mãos. E acho que na verdade o preconceituoso também é vítima do próprio preconceito.

Veja o vídeo da reportagem da Record em que o agressor, Bruno, diz que André apanhou “de  besta”, clicando aqui. REVOLTANTE!!!!!!!!

*Informações do G1Estadão Blog do Sakamoto

Travesti eleita em Piracicaba pede via Facebook terno branco para a posse Resposta

Madalena

A primeira travesti eleita para a Câmara de Piracicaba (SP) iniciou nesta segunda-feira (3) uma campanha na internet para conseguir doações e tomar posse como vereadora, no dia 1º de janeiro de 2013, vestindo um terno branco. “Será que alguém poderia fazer a bondade de me dar um terno branco para o dia da minha posse? Infelizmente ainda não posso comprar. Conto com a ajuda de vocês!”, escreveu Madalena, cujo nome de batismo é Luiz Antônio Leite, na rede social Facebook.

Em pouco mais de uma hora, o recado da vereadora eleita tinha mais de 120 comentários, 90 “curtidas” e 15 compartilhamentos. Nos comentários, os amigos virtuais debatiam a melhor forma de atender o pedido. Alguns sugeriam a formação de uma “vaquinha” para a obtenção do dinheiro necessário. Outros se propuseram a ir com Madalena até o shopping para fazer a compra.

Segundo o assessor Felipe Bicudo, a ideia de mobilizar os eleitores e simpatizantes pela internet partiu da própria vereadora eleita. “Tem sim a questão da falta de dinheiro. Mas, independente disso, a Madalena quer que o terno branco da posse venha do povo. Ela quer sentir a participação das pessoas que gostam dela e que vão apoiá-la durante o mandato.”, disse ele ao portal G1.

O perfil de Madalena no Facebook tinha, até o início da noite desta segunda-feira, 4.993 amigos cadastrados. Além do terno branco, a vereadora eleita já decidiu que não vai abandonar o lenço na cabeça e o tamanco no dia da posse na Câmara. Os utensílios são a marca registrada da política, que atua como líder comunitária na região do bairro Boa Esperança há 25 anos.

“Pelo jeito, diante dessa enorme aceitação do público, daqui a pouco vai dar para comprar terno, gravata e até tamanco e lenços novos para a posse”, afirmou o assessor da vereadora eleita, que deverá divulgar na internet um número de conta corrente bancária para o depósito das doações em dinheiro.

Marco histórico

Aos 57 anos, Madalena teve 3.035 votos nas eleições de outubro (o segundo melhor desempenho do PSDB no pleito) e se tornou a primeira travesti eleita vereadora na história da cidade. Personagem folclórica para os piracicabanos, Madalena sempre chamou a atenção por andar pelas ruas usando roupas e acessórios femininos, mas decidiu utilizar terno e gravata na posse em respeito ao que o Poder Legislativo representa.

Nome de batismo

Logo após a eleição, em uma uma reunião de boas-vindas aos novos vereadores, Madalena pediu para ser identificada como Luiz Antonio Leite, seu nome de batismo, no painel eletrônico da Câmara, usado para contar as votações. “Pedi para usarem o nome de batismo para evitar que algum comentário maldoso e porque achei que ia dar algum problema se colocasse o apelido, mas se não tiver nenhum problema ainda posso mudar de ideia”, disse.

Confira as polêmicas da atual turnê de Madonna 1

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Na estrada desde maio, a “MDNA Tour”, atual turnê mundial da cantora Madonna, chega ao País nesta semana. A etapa brasileira começa neste domingo (2 de dezembro), no Parque dos Atletas, no Rio de Janeiro. Na sequência, vai para São Paulo, nos dias 4 e 5, no estádio do Morumbi, e se despede em Porto Alegre, no estádio Olímpico, em 9 de dezembro.

Leia também: Madonna chega ao Rio de Janeiro com o maior show já produzido para um artista solo

Além das canções que fizeram de Madonna a “rainha do pop”, a turnê, como não poderia deixar de ser em se tratando de Madonna, acumula algumas polêmicas. O iG compilou as mais marcantes. Veja mais fotos, clicando aqui.

Suástica no telão

No primeiro show da turnê, realizado em Tel Aviv, Israel, Madonna aproveitou a música “Nobody Knows Me” para colocar no telão uma imagem da presidente da Frente Nacional da França, a política de direita Marine Le Pen, com uma suástica sobreposta em seu rosto.

Após o ocorrido, o partido ameaçou processar a cantora caso a imagem fosse utilizada na etapa francesa da turnê. Para evitar problemas legais, Madonna colocou uma interrogação no lugar do símbolo nazista.

Nudez no palco

Durante a apresentação em Istambul, na Turquia, em 7 de junho, Madonna levou o público ao delírio ao  mostrar o seio durante a canção “Human Nature” . Apesar das críticas, que apontam a nação muçulmana como um local pouco apropriado para esse tipo de controvérsia, a cantora não parou por aí.

No show realizado em Roma, poucos dias depois, Madonna abaixou a calça e mostrou o bumbum durante a mesma música. Em suas costas a pop star exibia a frase “no fear” (“sem medo”, em português). No mês seguinte, em Paris, ela voltaria a exibir o seio e o bumbum.

Armas de fogo

Na primeira parte do show da “MDNA Tour”, Madonna utiliza armas de foto durante três canções. Em “Girl Gone Wild” ela usa um rifle para quebrar um confessionário de vidro. Depois, em “Revolver”, suas dançarinas empunham metralhadoras. Por último, na música “Gang Bang”, ela atira em seus dançarinos (com direito a sangue de mentira jorrando).

O ato recebeu diversas críticas, principalmente após o tiroteio na cidade norte-americana de Aurora , em que um rapaz abriu fogo contra a plateia de um cinema que assistia ao filme “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” . Mesmo assim, Madonna não mudou essa parte do show.

Provocando Lady Gaga

Apesar de não travar uma guerra declarada, Madonna não deixa de provocar a cantora Lady Gaga nas apresentações de sua atual turnê. Aproveitando as comparações feitas pela crítica da canção “Born This Way”, de Gaga, com o seu hit “Express Yourself”, Madonna misturou as duas em um remix.

A cutucada acaba quando Madonna encaixa na sequência a música “She’s Not Me” (“Ela não sou eu”, em tradução livre). Apesar de tudo, Lady Gaga hasteou a bandeira de paz ao dizer durante uma apresentação que “as coisas estão bem diferentes do que eram 25 anos atrás. Não precisamos nos odiar mais”.

Protestos na Rússia

Durante a passagem da “MDNA Tour” pela Rússia, Madonna aproveitou seus shows para se posicionar a favor da banda de rock Pussy Riot , cujas três integrantes haviam sido presas após um protesto contra Vladmir Putin.

Em Moscou e em São Petersburgo, a cantora usou um capuz semelhante aos utilizados pelas integrantes do grupo, além de escrever “Pussy Riot” em seu corpo. “Sei que todos nesse auditório, todos os meus fãs, acreditam quem elas merecem ser libertadas”, afirmou.

Desgostosas com o ocorrido, autoridades russas xingaram Madonna pelo apoio dado à banda. “Conforme fica velha, toda ex-p… tenta dar lição de moral nos outros, especialmente durante viagens ao exterior”, escreveu o vice-primeiro-ministro da Defesa, Dmitri Rogozin.

Soco na cara

Durante a passagem da “MDNA Tour” pela Colômbia, na quarta-feira (28), Madonna foi atingida com um soco dado por um de seus dançarinos durante performance da música “Gang Bang”. Normalmente neste momento do show ambos simulam uma briga.

Porém, o soco de mentira acertou em cheio o rosto da cantora e abriu um corte perto de seu olho. Apesar do acidente, Madonna continuou a apresentação até o fim, sem interrupções, mesmo sangrando.

Madonna chega ao Rio de Janeiro com o maior show já produzido para um artista solo 1

Além do Rio, Madonna leva sua turnê a São Paulo (Estádio Morumbi) nos dias 4 e 5. E desembarca em Porto Alegre (Foto: Divulgação)

Além do Rio, Madonna leva sua turnê a São Paulo (Estádio Morumbi) nos dias 4 e 5. E desembarca em Porto Alegre (Foto: Divulgação)

Em vez de desfrutar da fortuna amealhada com os mais de 300 milhões de discos já vendidos ao longo das três décadas, a popstar que deu origem à série de duplicatas que habitam as paradas atuais decidiu que vai morrer outro dia. Entre todas as atividades a que se dedica, como sociedades em empresas que nada têm a ver com música, e o pé na indústria do cinema (agora como diretora e produtora), Madonna ainda encontrou tempo para idealizar e liderar o show “MDNA”, megaespetáculo pop que o público carioca poderá conferir neste domingo, no difícil, distante e complicado espaço do Parque dos Atletas, na Barra.

Além do Rio, Madonna leva sua turnê a São Paulo (Estádio Morumbi) nos dias 4 e 5. E desembarca em Porto Alegre (Estádio Olímpico) dia 9. “MDNA” é a nona turnê mundial de Madonna e leva ao palco a historinha contada no homônimo 12º álbum da estrela, lançado em março deste ano. Não sem uma boa polêmica, é claro. Enquanto o leitor ingênuo entendeu que as letras do título do álbum se referiam às iniciais do nome artístico de Madonna Louise Ciccone, o público afeito às pistas de dança foi rápido em associar a sigla ao princípio da droga ecstasy, descrito quimicamente como MDMA (metilenodioximetanfetamina). Pronto. Estava armada a primeira controvérsia da loura. Este ano. Madonna sempre soube atrelar à sua expressão artística aquela calculada dose de polêmica, combustível responsável por boa parcela da sua longevidade pop. A experiência como adolescente integrante de um grupo de teatro nos tempos da escola em Detroit (EUA) e no papel da dançarina que corria de teste em teste para disputar espaço nos musicais da Broadway, no início dos anos 80, lhe ensinou que extrapolar os limites do que se costuma considerar “normal” pode ser alvo fácil de preconceitos de toda a sorte. Com os excluídos na mira, uma fita cassete na mão e a vontade de “dominar o mundo”, como ela mesma disse à MTV americana em 1984, Madonna, então uma desconhecida, percorria clubes noturnos de Nova York pedindo a DJs para tocar “a sua música”. Numa dessas, a sorte lhe deu aquele sorriso maroto. O DJ Mark Kamins se entusiasmou com a resposta da pista a “Everybody”, gravada num estúdio independente, e apresentou Madonna ao presidente da gravadora Sire Records. Eles se deram bem, e, pouco depois, o single “Everybody” seria lançado mundialmente.

Devidamente abençoado pelas paradas e pelas pistas, o compacto simples abriu caminho para o álbum “Madonna”, em 1983. Era o primeiro LP da artista que, décadas mais tarde, seria aclamada por crítica especializada, pares artísticos e público como “a rainha do pop”, com números de vendas e catálogo de hits que a posicionam na categoria de ícones como Elvis Presley e Michael Jackson, ou seja, na mais alta casta da indústria da música comercial. A diferença é que ela sobreviveu ao preço pago pela fama e pela riqueza e ainda não descansou no aconchegante território do show sem riscos. “MDNA” é grandioso, feérico, o maior show já produzido para um artista solo. ê como se ela tivesse decidido dar um passo à frente das neodivas que trafegam pela estrada que já desbravou. O show no estilo “ópera pop” (formato criado por ela nos anos 90, certamente para encobrir suas deficiências vocais) mostra a trajetória de uma personagem que pede perdão a Deus por “seus pecados” antes de embarcar numa viagem sangrenta, violenta, pesada. Uma “descida ao inferno”, como ela definiu nas entrevistas que concedeu à imprensa internacional. Pense nas “vixens” do cineasta Russ Meyer (as poderosas fora-da-lei de “Faster Pussycat, kill kill”, por exemplo) e na violência dos filmes de Quentin Tarantino, e você terá acertado na mosca as referências de “MDNA”.

Espere uma abertura vigorosa em “Girl gone wild”, logo após os cantos gregorianos do trio francês de música basca Kalakan, convidado especial da turnê. Em “Bang bang”, um motel de beira de estrada é o cenário para coreografias de luta que já deixaram a popstar com hematomas no rosto, nos ensaios da turnê, em maio. Depois de um primeiro bloco barra-pesada, tudo clareia para o segmento “líder de torcida”, em que Madonna debocha do pop “bubble-gum” contemporâneo. Tira onda em “Give me your luvin’” dizendo que “…todos os discos soam iguais/ você precisa entrar no meu mundo”. Entre percussionistas que flutuam e dançarinas frenéticas, preste atenção nos monstrinhos projetados no telão, no mash-up de “Express yourself” com “Born this way” (faixa de Lady Gaga descrita como plágio da música de 1991), arrematado com “She’s not me”, refrão da canção de 2008 em que Madonna se dizia surpresa ao conhecer uma moça que começa a “ler seus livros, roubar seus ‘looks’ e usar sua lingerie”. Premonição? O bloco que começa com “Vogue” mostra o momento “vou pegar geral” da historinha contada por Madonna em “MDNA”. A entrada triunfal com todos os elementos fashion que a música evoca — como a releitura do espartilho de Jean Paul Gaultier (na foto aqui ao lado esquerdo), feita pelo próprio — cede lugar à desconstrução do personagem que se joga em um bordel, em “Candy shop”. Ela vai se despindo aos poucos para culminar com uma versão triste e lenta de “Like a virgin”, acompanhada apenas por um piano. Na temporada americana, Madonna incluiu neste segmento a faixa “Love spent”, que carrega o verso “Me abrace do mesmo jeito que você abraça meu dinheiro” (”Hold me like you hold my money”), cantado para o bailarino que divide com a loura a bela, porém desconcertante, cena que tem a popstar de roupas íntimas, imperfeições do corpo à mostra, cabelo desarrumado e maquiagem borrada. Ah, sim: neste momento, Madonna pede que as pessoas joguem gorjetas no palco. Ela cata todo o dinheirinho arremessado. Com gosto. Aliás, Madonna nunca foi de deixar dinheirinho algum dando sopa por aí. Se o pulso forte na parte artística da sua carreira sempre se manifestou por meio do perfeccionismo dos shows milimetricamente planejados (em tempo: os espetáculos de Madonna não têm bis, ela defende que entrega uma “obra músico-teatral com começo, meio e fim”), a porção empresária também sempre esteve presente. Além de controlar como poucos artistas os direitos de suas músicas, Madonna mais recentemente se associou a parceiros na Rússia, no México e na Austrália para abrir a rede de academias Hard Candy Fitness; autorizou o uso de suas marcas em dois perfumes; apostou alto ao comprar parte da marca Vita Coco, de água de coco, e começa a se aventurar na produção executiva de cinema ao lado do seu empresário Guy Oseary (que é um dos produtores executivos da saga “Crepúsculo”), além de, claro, dirigir filmes como o fracasso de bilheteria “W.E. – O romance do século”. Apesar do fiasco, ela conseguiu sair com o Globo de Ouro de Melhor Canção Original, por “Masterpiece”.

No show que você verá no domingo, Madonna canta a faixa na parte acústica do espetáculo, quando ela também conversa com o público e entoa uma versão sincopada de “Open your heart” e (tomara) “Holiday”, ao lado do filho Rocco Ritchie. O pré-adolescente de 12 anos e os outros três filhos de Madonna (Lourdes Maria, 16; Mercy James, 6; e David Banda, 7) a acompanham na turnê mundial e são educados por professores particulares e babás. A produtora Live Nation, responsável mundial pela turnê de Madonna, ainda tem contrato com a diva para o lançamento de dois álbuns e duas turnês. Se ela seguir o exemplo de predecessoras pop como Tina Turner e Cher, que atravessaram os 60 anos de idade encarando a estrada, ainda veremos Madonna aprontando bastante por aí. Mas o que será, afinal, que ela tem na manga para os anos vindouros? Há quem jure que o cinema será o caminho de Madonna. Mas não como atriz. Depois de filmes como “Evita” (1996), “Sobrou pra você” (2000) e “Destino insólito” (2002), ela teria desistido de atuar.

A experiência como diretora de “W.E.”, no entanto, teria sido mais recompensadora, apesar do achincalhe mundial da crítica. Há quem aposte numa temporada “de luxe” com ingressos a preços estratosféricos, para endinheirados, em lugares pequenos. A verdade é que, ao longo de três décadas, Madonna ensinou ao mundo que ela pode tirar uma grande ideia da cartola a qualquer momento. A conferir. A única certeza, no entanto, é que Lourdes Maria já tem 16 anos, vai morar sozinha e… sabe como é… qualquer dia desses ela começa a namorar e chega em casa cantando “mamma, don’t preach”.

Fonte: Agência O Globo

Ambulatório para Travestis e Transexuais de São Paulo receberá troféu Movimento Gay de Alfenas (MG) 1

Ambulatório

O Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais do Centro de Referência e Treinamento DST/Aids de São Paulo, vinculado a Secretaria de Estado da Saúde, será agraciado com o troféu Movimento Gay de Alfenas/MG de Cidadania hoje, às 20 horas, na Câmara Municipal de Alfenas (Praça Fausto Monteiro, 85).

O prêmio será recebido por Angela Maria Peres, da diretoria do Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais. O prêmio, em sua 8ª edição, é dedicado a pessoas, entidades e instituições que de uma maneira ou outra contribuíram para reduzir o preconceito contra a população LGBT.

São Paulo: Campanha realizará 150 mil exames gratuitos de HIV,sífilis e hepatites B e C Resposta

Um levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde aponta que a taxa de incidência de novos casos do vírus HIV no Estado de São Paulo caiu 35,7% na última década. Os números apontam para o controle de novas infecções, mas a aids ainda mata diariamente oito pessoas, em média, no território paulista.

Para incentivar o diagnóstico precoce e controlar novos casos, a Secretaria de Saúde promoverá no dia 1º de dezembro – Dia Mundial de Combate à Aids – a campanha “Fique Sabendo”.

Durante todo o dia, serão realizados 150 mil exames gratuitos para detecção do vírus HIV, além de sífilis e hepatites B e C. Deste total, 30 mil serão testes rápidos anti-HIV. Ao todo, 526 municípios do Estado aderiram à campanha, num total de mais de 2 mil unidades de saúde.

O teste rápido do HIV demora cerca de 40 minutos e a eficácia é a mesma do teste tradicional. Para conhecer as unidades participantes, entre em contato com o Disque DST/Aids (0800-16-25-50), ou acesse o site: www.crt.saude.sp.gov.br.

Ato contra homofobia em São Paulo homenageia Lucas Fortuna Resposta

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Na semana passada, o militante LGBT Lucas Fortuna foi morto a pancadas em Pernambuco, (o blog noticiou, lembram?); desde 2002, ele usava saias pois dizia que “vestir saia é uma ação transgressora do próprio gênero”, já que se convencionou que a vestimenta só deve ser usada por mulheres.

“Estamos mais uma vez nas ruas para pedir a criminalização da homofobia. Semana passada, o militante LGBT Lucas Fortuna foi morto a pancadas em Pernambuco. Nós sabemos que ele não é o único. Em São Paulo, já tivemos casos aqui na Paulista e na periferia. Não queremos mais mortes no Brasil. É necessário criminalizar a homofobia já, que se aprove o PLC 122.”

A cada momento que o farol da avenida Paulista em frente ao MASP fechava, cerca de 150 homens e mulheres vestindo saias iam a frente dos carros carregando cartazes, faixas e um megafone para denunciar a violência cometida contra os LGBTs no Brasil e pressionar pela aprovação do PLC 122, projeto de lei que propõe a criminalizaçãoda homofobia no país. O ato ocorrido no sábado (24) foi motivado pela morte do jornalista e militante Lucas Fortuna, assassinadoa no dia 17 de novembro, em Pernambuco, pelo fato de ser homossexual. 

“Conheci o Lucas em 2006, em Recife, no primeiro encontro da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (Enecos) que fui, começamos a beber e conversar, e ele sempre tinha um bom humor fantástico, sabendo da importância da seriedade política e do bom humor, e eu tive uma empatia com ele muito grande. Inclusive quando ficamos sabendo da morte dele, as pessoas da minha geração da Enecos começaram a trazer fotos da época dele na Executiva, da questão do movimento pró-saia, que foi ele quem colocou, e víamos as fotos e relembramos dele e das situações que vivemos juntos. Acho que para toda uma geração que militou com ele foi uma perda muito grande”, relata a militante, jornalista e amiga Luka Franca.

O movimento pró-saia começou em 2004 na Executiva por conta de Lucas. Durante o Congresso Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (Cobrecos), uma saia amarela chamou atenção pelo fato de um homem usá-la. Lucas, na época estudante de jornalismo e que usava saias desde 2002, pois dizia que “vestir saia é uma ação transgressora do próprio gênero”, já que convencionou-se que a vestimenta só deve ser usada por mulheres.

Ele viu no Congresso uma oportunidade para, além de afirmar sua sexualidade, pautar o debate de gênero no movimento estudantil. No entanto, Lucas foi alvo de preconceito por algumas pessoas presentes. Após as manifestações homofóbicas, mais de 100 homens presentes no encontro, em solidariedade ao colega e vendo a importância de se pautar o debate, começaram a ir para as plenárias de saia.

Foi para homenagear Lucas que todos no ato estavam usando saia. E numa tarde quente como a daquele sábado, os homens de saia faziam inveja a quem estava de calça e tinha de suportar o calor. “Eu nunca tinha usado saia antes, e acho que o preconceito de homens em usá-las devia ser quebrado. É muito confortável e refrescante, como se eu estivesse andando só de cueca”, diz Marcos Berto, militante LGBT presente no ato.

 PLC 122 

 A morte de Lucas está longe de ser um caso isolado. O Brasil é o país que registra o maior número de agressões a homossexuais, movidas a puro preconceito, em todo mundo: somente este ano, 301 LGBTs já foram assassinados.

Para o militante LGBT Luiz Arruda, a violência ocorre “porque o Brasil é um país extremamemte machista. Uma pesquisa recente mostrou que a homofobia está mais ligada à transgressão de gênero do que propriamente à homossexualidade. Se a pessoa é homossexual, mas não tem trejeitos de homossexuais nem se assume publicamente, ele sobrevive. Agora, se ele assume ou é mais afeminado, ele é vítima de violência. É preciso lembrar que além dessa violência que culmina em morte, todos os dias muitos LGBTs sofrem xingamentos, espancamentos, constrangimentos, e eles não tem nenhuma arma legal para evitar isso”.

O Projeto de Lei Complementar (PLC) 122/06 é o instrumento legal que a comunidade LGBT espera para diminuir as agressões e o preconceito. O projeto tem como função criminalizar atos de discriminação motivados pela orientação sexual de quem está sendo discriminado.

Se aprovado, o projeto alterará a Lei de Racismo, que atualmente pune a discriminação por cor de pele, etnia, origem nacional ou religião, adicionando a questão de gênero à lista. No entanto, o projeto está parado no Senado Federal, sem persperctiva de quando será votado. A senadora Marta Suplicy (PT), antiga relatora do projeto, assumiu o cargo de Ministra da Cultura, e até agora não se decidiu novo relator para dar continuidade ao processo.

Luiz Arruda acredita que a aprovação do PLC 122 é estratégica e importante, mas o aparato legal é só o primeiro passo. “O avanço vai ser grande mesmo quando a educação nesse país for implementada realmente. A homofobia somente vai acabar com conscientização e educação da sociedade de que a orientação sexual de uma pessoa não é motivo para discriminá-la”.

 Lucas Fortuna, presente!

A forma com que Lucas sempre lidou com o preconceito e a discriminação ao seu redor foi por meio da luta política. Por isso sempre se engajou no movimento estudantil, sendo dirigente da Enecos, na política institucional, militando no PSOL e depois PT, e na causa LGBT.

“O Lucas não estava numa linha de combate do tipo ‘se o meu estiver resolvido, o dos outros não interessa’. Acho que para todo mundo a morte dele é uma coisa que foi tão brutal, pois nunca esperamos que um crime de homofobia aconteça com alguém próximo a nós. A luta do Lucas foi contra a homofobia, foi por causa da homofobia que ele morreu, e nós como amigos e como militantes temos a tarefa de transformar nosso luto em luta. Mesmo que a vontade seja de chorar, precisamos transformar isso em algo efetivo”, finaliza Luka.

Reportagem: José Coutinho Júnior, do Correio do Brasil

Tivemos uma semana repleta de casamentos civis igualitários 2

Depois de sete anos juntas, Célia (esq.) e Grazielle (dir.) resolveram se casar. (Foto: Pedro Cunha/G1)

Na tarde de quinta-feira (8), o juiz de paz do Cartório de Registro Civil de Nova Lima fez a união de mais de 15 casais, entre eles o de Grazielle Cristina Pimenta, de 31 anos, e Célia Silva de Melo, de 52 anos. Depois de sete anos de namoro, as comerciantes resolveram selar na Justiça aquele que se torna o primeiro casamento entre pessoas do mesmo sexo na cidade de pouco mais de 80 mil habitantes, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

À espera da noiva, em uma ladeira íngreme onde são realizadas as cerimônias de casamento civil em Nova Lima, Célia disse que a expectativa era grande e que, naquele momento, um sonho estava sendo realizado. “Escolhi essa mulher porque é a mulher para eu viver para sempre. Por isso que eu quero casar”, disse sorrindo, rodeada de familiares e amigos.

Como manda a tradição, Grazielle chegou depois, com um longo vestido branco, e abraçou a companheira. “Eu estou muito feliz. Muito feliz mesmo. Eu esperava há tanto tempo isso. [Célia] é uma pessoa que eu quero estar para sempre. Eu amo muito. Gosto muito da vida que a gente tem. Somos muito felizes. E isso está sendo um sonho”, contou.

‘Encontrei a felicidade’

As duas se conheceram há pouco mais de sete anos, quando Célia trabalhava em frente a casa de Grazielle, em Belo Horizonte. Em um primeiro momento, a relação entre elas foi de amizade. Só depois que as companheiras sentiram o desejo de se casarem.

Célia nunca teve dúvida de sua sexualidade. A mineira conta que, desde a infância, já sabia que era homossexual. “Desde que nasci, a minha opção (SIC) sexual já estava escolhida. Eu não virei homossexual por acaso. Nasci homossexual. (…) E eu não sou diferente de ninguém não. Eu sou igual a qualquer um”, disse Célia.

Já Grazielle manteve, por cerca de 12 anos, um relacionemto com um homem, com quem teve dois filhos, uma menina de oito anos e um menino de 12. Mas, segundo ela, a relação não deu certo. Somente quando encontrou Célia, é que Grazielle conta que se sentiu realizada. “Pra mim era aquilo que eu queria. Foi aonde eu me encontrei. Onde eu encontrei a felicidade”.

Duas mães

As duas crianças são filhas biológicas de Grazielle, mas Célia não deixa de ser uma mãe coruja. “Eu tenho duas crianças que eu crio, que são dela, e que estão comigo, uma desde um ano e meio, e a outra com quatro anos veio pra mim. Então são meus filhos. São mais meus do que dela, na verdade. A realidade é essa”, brinca.

Para Grazielle e Célia, os quatro já são uma família há muito tempo. Mesmo antes de surgir o desejo de se casarem. “Eu já tenho uma família constituída. É só viver agora. Trabalhar muito e fazer deles grandes homem e mulher”, disse Célia.

Para o futuro, o casal planeja continuar em Nova Lima, pois, segundo Célia, a cidade é o melhor lugar para se criar os filhos. “Eu sou cria de Nova Lima. O melhor lugar para se viver, e para criar uma criança ainda é Nova Lima”.

Lésbicas se casam no civil  após autorização da Justiça em Indaiatuba

Nathalia da Silva e Tabata Penteado oficializaram
união (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)

A vendedora Nathalia Batista da Silva e a industriária Tabata Cristiane Kakishita Penteado oficializaram na manhã do último sábado (10) o primeiro casamento civil entre pessoas do mesmo sexo em Indaiatuba (SP), que tem 200 mil habitantes. A união foi selada às 10h30 pelo juiz de paz do Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais da cidade e cerca de 60 pessoas, entre familiares e amigos, prestigiaram o casamento.

Nathalia e Tabata namoram há um ano, mas se conhecem há sete anos quando foram apresentadas por amigos em comum. Após alguns anos de relacionamento, elas consideraram a possibilidade de oficializarem a união. “A gente nunca imaginou que fosse se casar”, reconta Nathalia, entre risos. “Mas virou amor”, completa.

Conquista

A vendedora afirma que, no momento em que assinou o contrato, se sentiu lisonjeada. “É uma conquista muito grande. Todo mundo ficou bem emocionado, foi muito lindo”, disse. O casal pretende fazer uma celebração, ainda nesta tarde, com as famílias.

De acordo com Nathalia, todos os familiares apoiaram o casamento e quiseram estar presentes para a ocasião. Alguns até viajaram de outras cidades, como São Paulo (SP), para não perder a festa. Além da comemoração, as noivas pretendem fazer uma viagem de lua-de-mel em breve. Filhos, no entanto, ainda não estão nos planos a curto prazo. “Daqui a uns três anos a gente pensa sobre isso”, afirma.

Justiça

Seis meses atrás Nathalia e Tabata entraram com um processo de habilitação de casamento, sob orientação do cartório. O pedido foi encaminhado para a juíza Corregedora da Comarca que, após parecer favorável da Promotoria, e em vista das decisões do Conselho Superior da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), que permitiu recentemente uniões do tipo, autorizou o casamento.

Nathalia reconta com emoção o momento em que, no fim de outubro, receberam a ligação avisando de que a união fora aprovada. Embora afirme que o casal nunca tenha sofrido qualquer discriminação, acha que a união servirá para ajudar os outros casais homossexuais a conquistarem seus direitos. “Acho que [o casamento] abriu muitas portas, para todo mundo ter o mesmo espaço na sociedade”, explica.